Arquivo de 3 de fevereiro de 2012

Todos os cursos são nobres

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A publicação da lista de aprovados em vestibular é sempre um momento de muita agitação, muita alegria. Encontrar o nome entre os convocados é, realmente, uma sensação única, ao mesmo tempo de alívio e de entusiasmo. Por trás de cada nome existe uma história, uma experiência singularmente vivida pelo candidato até aquele momento. Vale a pena lembrar algumas delas, porque são histórias que se repetem ao longo dos anos.

A de hoje é de um menino que desde pequeno desejava ser professor de ciências biológicas. Adorava a matéria e adorava ensinar, sendo muito requisitado pelos colegas menos estudiosos a ajudá-los nas horas amargas. E sempre ajudava. Quando começou a falar em ser professor, encontrou diferentes reações em sua família: a mãe dizia que ele devia escolher o que desejasse; já o papai achava que ser professor não era uma profissão lá essas coisas. O tio, velho engenheiro, sugeria ao menino a Arquitetura como uma profissão de peso e estampa. E os parentes em geral aconselhavam outros cursos e profissões, sempre, de certo modo, menosprezando a profissão de professor. Até mesmo os colegas menos estudiosos, na hora de inscrição ao vestibular, escolheram os chamados “cursos nobres”, dizendo que ninguém mais queria ser professor, pois os salários eram péssimos e as condições de trabalho horríveis. Para eles, era preferível arriscar, disputando cursos “melhores”.

O rapaz, porém, continuou fixo em sua ideia e fez o vestibular em Ciências Biológicas numa grande universidade. Foi aprovado, fez o curso, lecionou muitos anos no ensino fundamental e no médio, fez mestrado, doutorado, ingressou em universidade pública como docente e pesquisador universitário e hoje é um profissional maduro e de conceito reconhecido internacionalmente. Não ficou rico, mas tem uma vida muito confortável, sem dificuldades financeiras. Mais que tudo: adora a carreira que escolheu e adora ser professor. Quando um de seus filhos pede sugestão sobre qual curso universitário fazer, responde sempre: Faça o curso que você mais deseja, pelos motivos que sejam apenas seus. Sempre que tem oportunidade, dá palestras em escolas de ensino médio para que os estudantes, já próximos dos vestibulares, possam aprender um pouco mais com sua experiência de vida e de trabalho.

Esta é a história de um professor em particular, mas por certo é semelhante à de muitos que hoje exercem a profissão em diferentes disciplinas. Preferiram seguir seu desejo pessoal a se deixar levar pela suposta existência de cursos “nobres” e cursos “comuns”, ou seja, de cursos que parecem prometer uma profissão maravilhosa e riqueza, e cursos que parecem prometer muito trabalho, muito sacrifício, sem a remuneração condizente. Na verdade verdadeira, como costuma dizer o povo, todos os cursos e todas as profissões não são nem nobres, nem pobres; a nobreza está sempre no modo como cada indivíduo exerce a sua profissão. E quem exerce qualquer profissão com nobreza, além de ganhar respeito e admiração das pessoas que o cercam, consegue tirar dela o suficiente para uma vida tranquila e confortável.

Em conclusão: o curso que você vai fazer não é melhor nem pior do que os outros. Você, individualmente, poderá ser melhor ou pior do que os outros, como pessoa ou como profissional, dependendo do modo pelo qual adquira a sua formação nos bancos universitários e, sobretudo, do modo pelo qual venha a exercer a sua profissão futura. Pense nisso. E tenha uma bela formação.