Arquivo de 20 de janeiro de 2012

A verdadeira formação universitária

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Num momento em que os candidatos se encontram em plena agitação, aguardando resultados e ainda prestando exames, vem a propósito conversar sobre uma questão muito importante: a formação universitária.

É perfeitamente normal e compreensível que os estudantes sejam tomados por sonhos, ideais, apreensões e, mesmo, medos. Afinal, a época dos vestibulares é de definição de rumos. Cada jovem desenvolveu, desde a infância, um projeto de vida adulta a partir de certas escolhas, entre as quais a obtenção de um diploma universitário é das mais importantes. Quem pretende ser médico já se vê, em devaneios, em um consultório, em um hospital, e projeta a melhor imagem de profissional possível. Quem deseja formar-se em Direito já se vê em pleno júri, como advogado de defesa, promotor ou juiz. Quem almeja ser cientista não tem dificuldade em se imaginar em laboratórios sofisticados promovendo grandes descobertas. E assim por diante, em todos os campos da formação universitária.

Isto é bastante claro: os estudantes veem na universidade o instrumento para a obtenção de qualidade em determinada área e a busca de condições plenas de realização futura, para que possam ter uma vida particular e familiar tranquila e abastada. Nada mais justo. Nada mais elogiável. E as grandes universidades, objeto de desejo da maioria dos jovens, apresentam realmente competência para conduzi-los à formação desejada.

Vale observar, todavia, que as universidades não fazem apenas isso. Fazem muito mais. E o mais que fazem pelos jovens não é propriamente dotá-los de habilidades para o trabalho, mas aprimorar-lhes a consciência e a cidadania. Se filosofarmos um pouco a esse respeito, acabaremos concluindo que o grande mérito da universidade não é formar o profissional, é formar o cidadão, estimulando nos jovens o espírito de colaboração e o humanitarismo. Deste modo, quem carrega um diploma universitário, além da certeza de que exercerá muito bem a profissão abraçada, leva também a certeza de que a exercerá como homem, no mais verdadeiro sentido desta palavra. Um homem adulto, formado por universidade, no século XXI, não é um aventureiro, não é uma consciência cega em busca de realização à custa de prejuízos de outras pessoas e da sociedade em geral. Ao contrário, é um indivíduo que procura usufruir do que a sociedade oferece e de contribuir permanentemente para que ela ofereça o mesmo a todos.

O mundo atual precisa de indivíduos ao mesmo tempo críticos da realidade e solidários com seus semelhantes, para que possam ser os responsáveis por eliminar a desigualdade, a injustiça, a exploração do homem pelo homem, o esbanjamento de recursos naturais, a poluição ambiental, os conflitos regionais, as guerras. Serão esses indivíduos que, finalmente, conseguirão livrar o planeta dos perigos que o rondam, a maioria dos quais causados pelos próprios homens.

É essa a verdadeira formação que a universidade oferece.