Archive for December, 2011

Um vestibular tranquilo e eficiente

Wednesday, December 21st, 2011

Tranquilo e eficiente — são as melhores palavras para definir o vestibular da Unesp em suas duas fases. A segunda fase, encerrada no dia 19, representou o coroamento de uma filosofia implantada há três anos, baseada nos Parâmetros Curriculares do Ensino Médio e na Proposta Curricular do Estado de São Paulo, documentos que privilegiam a multidisciplinaridade e a interdisciplinaridade.

Essa nova filosofia tem levado os candidatos a prestar as provas do Vestibular da Unesp sem medos, sem sustos, sem receio de topar com questões herméticas ou charadísticas. O objetivo não é tentar indagar o que o candidato não sabe, mas, ao contrário, possibilitar, com questões muito bem planejadas e elaboradas, que demonstre as competências adquiridas ao longo do ensino.

Por esses motivos, as reações dos estudantes ao novo modelo do Vestibular Unesp se revelam cada vez mais favoráveis. Tornaram-se comuns os elogios ao balanceamento das questões das diferentes provas em fáceis, médias e difíceis, de modo a contemplar um universo mais amplo de candidatos. Vem sendo observado, também, o fato de que as questões são redigidas de modo a evitar ao máximo possível problemas de interpretação, que poderiam causar embaraço e perda de tempo. As próprias reações dos candidatos em manifestações à imprensa, logo após as provas, confirmam esse fato: os estudantes saem tranquilos e seus comentários são muito positivos sobre os índices de acerto. Claro que se mencionam também questões consideradas mais difíceis desta ou daquela prova, mas não se apontam questões complicadas ou “irrespondíveis”.

As reações dos professores e comentaristas de sites especializados são também no geral muito elogiosas, pois percebem que o Vestibular Unesp é fruto de um esforço muito grande dos especialistas da Universidade no sentido de elaborar provas realmente capazes de avaliar com justeza e justiça o heterogêneo universo dos inscritos. Tais comentários, de resto, consistem num excelente fator de retroalimentação para o planejamento dos vestibulares, pois são fundados na experiência concreta de sala de aula, no esforço diuturno para conduzir, ano após ano, os estudantes ao ensino superior.

É essa tranquilidade e eficiência que a Unesp quer continuar imprimindo a seus vestibulares. É muito bom observar na saída dos exames candidatos com sorriso aberto e expressão feliz por terem “ido muito bem” nas provas e por não terem encontrado dificuldades na redação, que é o componente mais preocupante quando se trata de vestibulares. Não no Vestibular da Unesp, que focaliza sempre tema do cotidiano, da experiência imediata do candidato e reforça essa experiência com a abordagem do mesmo tema em textos das questões de linguagens. Devido a esses dois fatores, a proposta de redação sobre a “bajulação”, segundo a opinião unânime dos especialistas, abriu caminhos para diferentes abordagens da parte dos candidatos, tanto sob o ponto de vista ético, quanto sob o ponto de vista da vida prática e da possibilidade de associar estas duas formas de explorar o tema.

Depois dessa conjugação de esforços entre a Universidade e os candidatos, vamos acionar o pensamento positivo à espera dos resultados.

Prova discursiva: aspectos formais

Tuesday, December 13th, 2011

Agora que se aproximam as provas discursivas, é bom alertar para alguns aspectos que podem ajudar bastante o candidato, não apenas em termos de elaboração, mas também em termos de leitura das respostas pelas bancas de correção.

No que diz respeito à redação, sempre é preciso lembrar que a Unesp solicita redações em prosa, de gênero dissertativo e de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. São aspectos muito importantes de cuja observação pode depender até mesmo a aprovação do candidato. Se você sabe que sempre é solicitada redação em prosa pelo vestibular da Unesp, nada de escrever poesia, escreva a redação em prosa, tal como vem fazendo ao longo dos anos nos ensinos fundamental e médio. Não invente. Escrever poesia é assumir um risco inútil. O mesmo se pode dizer quanto ao gênero dissertativo: o candidato sabe o que é gênero dissertativo, foi o que mais praticou em suas redações escolares e, portanto, não será bom caminho redigir em gênero narrativo, mesmo que julgue ter uma ótima ideia; é melhor guardar essa ideia, ainda que “genial”,  para outra oportunidade. Assim também na questão da norma: todo o ensino foi planejado para que o estudante domine a norma-padrão da língua portuguesa em suas redações. A prova discursiva se destina a verificar esse aprendizado.

Ainda no tocante à redação, nunca é demais alertar: os períodos se iniciam sempre com letra maiúscula e devem ser distribuídos em parágrafos, marcando-se essa distribuição com o afastamento regular do primeiro período do parágrafo em relação à margem esquerda. Alguns candidatos esquecem desse aspecto formal e suas redações se tornam um verdadeiro amontoado ao longo da página. Quando o candidato relaxa na escrita de iniciais maiúsculas e na pontuação, a redação vira um caos.

A distribuição em parágrafos constitui, entre outras coisas, um guia para a própria organização e elaboração do texto. Não vale aqui retrucar dizendo que, nos computadores, os textos podem surgir de três modos diferentes (justificado, alinhado à esquerda, alinhado à direita), porque, mesmo nestes casos, é observada a distribuição em parágrafos. A redação escrita corresponde ao modo justificado com a sinalização dos parágrafos pelo afastamento do primeiro período em relação à margem esquerda, tal como se verifica neste artigo.

O que se disse para as redações vale também, com as devidas mudanças, para as respostas discursivas, cuja primeira palavra se escreve com inicial maiúscula. Considerando-se que  que a resposta discursiva constitui uma síntese, deve ser clara e direta. É aconselhável ter sempre em mente a relação formal entre pergunta e resposta, para evitar que, por descuido, se responda o que a pergunta não pede no todo ou em parte. Não custa, portanto, após responder, dar uma última olhada na pergunta para verificar se algum detalhe não ficou de fora ou se algum aspecto não foi bem entendido.

Um último apelo, que devia talvez ser o primeiro: capriche na letra. Sua redação e suas respostas serão lidas. Você não tem obrigação de escrever “lindamente”, com letra que parece desenhada, mas tem a necessidade de grafar de modo claro, para que suas respostas sejam integralmente entendidas pela banca de correção. Valeu?

Boa sorte nas provas!

 

No meio do caminho

Thursday, December 8th, 2011

Um poema de Carlos Drummond de Andrade começa com um verso que se tornou bastante conhecido e muito mencionado, em virtude da qualidade estética e do campo de interpretações que provoca:

 

No meio do caminho tinha uma pedra

 

Empregando o verbo “ter” ao modo popular, com o significado de “haver, existir” e aproveitando a imagem de “pedra” como barreira, atrapalho, obstáculo, o poeta acabou criando um verso que poderia perfeitamente viver por si mesmo, espécie de provérbio ou ditado que metaforiza momentos difíceis de nossa vida, quer com relação a problemas a resolver, quer com relação a dificuldades (que podem ser pessoas) a enfrentar. A primeira parte do poema fica gravada em nossa memória com uma só leitura:

 

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

 

Expressivíssimo, não? E, já que estamos num blogue sobre vestibulares falando em pedras e dificuldades humanas, podemos explorar outras expressões, dizendo que um vestibular como o da Unesp, realizado em duas fases, parece uma prova de esporte olímpico, em que é preciso passar por uma fase eliminatória e depois participar da última prova; não deixa também de ter analogia com as guerras, em que é preciso primeiro vencer algumas batalhas para depois enfrentar o adversário numa batalha final; tem semelhanças, ainda, com o trabalho da agricultura, em que é preciso preparar a terra e semear, adubar, lutar contra os predadores, para finalmente colher.

A imagem drummondiana da “pedra no meio do caminho”, porém, é bem mais expressiva que as anteriores, porque sugere não apenas o obstáculo, como também o modo de encará-lo. A pedra pode ser pesada, difícil de mover, e pode ser pequena e fazer tropeçar. Sob este ponto de vista, não é a pedra em si mesma a dificuldade, mas o modo como a vejo, como a sinto, como a temo e como a enfrento. O tamanho e o peso, assim, não têm as medidas da realidade externa, mas as da realidade interna, psicológica. Para um indivíduo, pode ser um desafio, um estímulo a mais; para outro, um desestímulo, um pretexto a desistir e buscar um caminho livre de pedras. Para o primeiro, a pedra tem o tamanho ideal para ser transposta e vencida; para o segundo, tem as dimensões do Everest.

Todo aquele que se inscreve num exame vestibular, obviamente, pertence à primeira categoria de indivíduos. Sabe que pode ultrapassar e se prepara arduamente para tal. Tem ciência de que talvez não consiga na primeira tentativa: afinal, a pedra estará ali, não fugirá, e poderão ser feitas novas tentativas com mais chances de êxito.

Estas reflexões ancoradas em Drummond nos vieram logo após a divulgação dos resultados da primeira fase do Vestibular Unesp: dos 91.852 inscritos, foram classificados 38.765 para a segunda fase, em que serão disputadas 6.629  vagas em 156 opções de cursos de graduação. Os que não foram classificados não podem ser considerados derrotados: terão novas oportunidades. Os classificados sabem que ainda não chegaram, mas deram um grande passo nessa direção. De certo modo, ainda usando a imagem do poema drummondiano, ultrapassaram a primeira pedra; há uma segunda à frente, que nos dias 18 e 19 de dezembro deverá ser encarada e enfrentada.

Desejamos que, após essas datas, você possa dizer, em tom feliz e brincalhão, parodiando Drummond: Tinha uma pedra no meio do caminho. Ops! eram duas! e eu passei!