Arquivo de 3 de maio de 2011

Observe a norma-padrão

terça-feira, 3 de maio de 2011

A Resolução UNESP nº. 16, de 30 de março de 2011, que regulamenta o Vestibular Unesp Meio de Ano, estabelece, no parágrafo terceiro do artigo 10:

A redação em língua portuguesa, de gênero dissertativo, avaliará as propriedades de coesão, coerência e progressão temática, privilegiando-se a norma-padrão da língua.

Entre outros aspectos importantes desse parágrafo você deve notar o último: “privilegiando-se a norma-padrão da língua”. Que quer dizer isso? É importante?

É importantíssimo. Tomando-se por base que o gênero solicitado para a redação é o dissertativo, como é mencionado explicitamente no mesmo parágrafo, o emprego da norma-padrão, também exigido, será  vital para escrever uma boa redação. Não é preciso explicar a você o que seja a norma-padrão, porque seus professores já explicaram muitíssimas vezes nos últimos anos, sempre sublinhando que se trata da variedade da língua empregada nos documentos oficiais, nas comunicações, nas escolas. O domínio da norma-padrão pelos estudantes, por representar um poderoso instrumento de ascensão social e profissional, é uma das finalidades do ensino básico, de sorte que os estudantes que se formam no terceiro ano do ensino médio não deveriam ter dificuldade a respeito.

Ora, é preciso também maliciar um pouquinho: se o regulamento estipula o emprego da norma-padrão, tentar escrever uma redação cheia de palavras ou expressões características das variedades coloquiais ou até mesmo de construções sintáticas, regências e concordâncias características do uso popular não será uma boa estratégia, mas uma perigosa manobra de colisão com o próprio regulamento.

Em alguns casos, o candidato não pensa em desafiar o regulamento, mas se baseia em eventos de aula como, por exemplo, em redações livres que fez, usando elementos e soluções da linguagem coloquial, redações que foram até elogiadas pelo professor. Exatamente neste ponto se torna necessário tomar cuidado: em exercícios de redação em que o gênero e a variedade da língua são de livre escolha, o aluno tem liberdade para criar e o resultado poderá ser até um belo texto. Todavia, quando fixado o gênero como dissertativo e privilegiada a norma-padrão, essa liberdade é restringida, são estabelecidas fronteiras que não podem ser ultrapassadas sem maior ou menor perda em termos de nota final. “Gênero dissertativo” e “norma-padrão” tornam-se critérios de avaliação da redação.

Vale lembrar ainda outro aspecto importante: para assegurar maior clareza e objetividade, a norma-padrão deve ser também utilizada nas respostas a questões discursivas de todas as áreas, e não apenas nas da prova de língua portuguesa.

É preciso o máximo de atenção, portanto, para esse dispositivo do regulamento de exames vestibulares da Unesp e de outras instituições de ensino superior.

Você compreendeu perfeitamente tudo o que leu neste texto? É um texto obediente à norma-padrão da língua portuguesa. Você é perfeitamente capaz de escrever do mesmo modo, não é?