Archive for May, 2011

Internet: Asas para quem sabe voar

Friday, May 27th, 2011

Se pudéssemos recuar vinte anos no tempo, por certo encontraríamos um mundo bastante diferente. Vinte anos parecem um período curto demais para tantas transformações. Pense nos mil e um aparelhos eletrônicos, pense no computador, pense no telefone celular, pense no cedê, no devedê, no blueray, no pendrive, pense nos tablets e, sobretudo, pense na internet. Pense no que não poderia fazer em 1990 e que hoje pertence a sua rotina. Não dá nem pra pensar! diria você, com toda a razão.

Imagine agora um vestibulando de 1990. O computador, no país, em virtude de anos e anos de uma irracional proibição de importações, era raridade. Viam-se, aqui e ali, em empresas ou nas mãos de pessoas de posses aqueles velhos computadores “nacionais”, lentos, lentíssimos, paquidérmicos, com possibilidades limitadíssimas de memória e monitores em preto e branco. Hoje nos lembramos daqueles aparelhos como verdadeiros dinossauros, que acabavam mais servindo para despertar curiosidade do que para trabalho efetivo. No início da década de 90, porém, o governo extinguiu a reserva de mercado, que impedia a importação de aparelhos mais modernos, e, de lá para cá, o país passou a desfrutar de todas as conquistas que as indústrias mundiais de eletrônicos e de computadores vão fazendo. Hoje compramos nos supermecados a preços razoáveis computadores poderosos, que facilitam tremendamente nossas vidas. As empresas e as instituições públicas são administradas com base em redes de computadores, de sorte que as tarefas de armazenamento e análise de dados, antes praticamente “manuais”, são hoje inteiramente informatizadas. Para professores e estudantes, os chamados pecês representaram ganho de tempo e de eficiência com os programas de digitação de textos, de planilhas, de processamento de imagens, de apresentações, de levantamento  e classificação de dados, etc., etc.

A maior tecnologia com que podia contar um vestibulando de 1990 era a máquina de escrever e umas primitivas calculadoras a pilha. Seus estudos e suas fontes de informação eram livros. Alguma coisa mais podia ser encontrada em jornais e revistas, mas não muito. Os estudantes mais ativos conseguiam obter livros e apostilas de escolas diferentes das suas e, assim, comparar as matérias e as lições para aprender mais. Outros se uniam em grupos de estudos, para desfrutar dos benefícios da troca de informações. Mil cursinhos preparatórios surgiam, prometendo a aprovação sonhada. Tudo o mais era o esforço pessoal, a determinação de cada um em aprender o máximo e ter um desempenho suficiente nos vestibulares para “agarrar” sua vaga. Não custa dizer, igualmente, que o número de vagas nas universidades públicas era bem menor, embora os candidatos já chegassem a milhares. Muitos dos candidatos que não conseguiam passar, apesar de terem frequentado boas escolas, atribuíam a reprovação à impossibilidade de encontrar mais livros, mais apostilas, mais fontes de estudo. E muitos dos que passavam eram considerados “gênios”.

Foi nesse tempo que surgiu a rede, a internet. Meio complicada no começo, fluindo lentamente por cabos telefônicos, com os computadores dispondo de placas de rede ainda precárias (hoje as consideramos primitivas), aos poucos foi evoluindo, trocando o fluxo de cabos pelo de rádio e as placas de rede a cabo pelos captadores de wireless. Deste modo, hoje, as próprias escolas já dispõem de internet mais rápida, sem falar que os preços dos pecês e dos portáteis está caindo rapidamente e sem esquecer o fato de que a internet é também acessada por telefones celulares e outros aparelhinhos de última geração.

A internet, de fato, chegou para ficar. As mudanças que sofre são sempre no sentido de tornar cada vez mais rápido o tráfego de dados. Algum tempo atrás, levava um dia inteiro para baixar certo programa; hoje se baixa em poucos minutos. E a velocidade, prometem as indústrias, aumentará cada vez mais.

O que significou isso para os vestibulandos? Estes mudaram por causa da internet, tornando-se mais eficientes, melhores que os da década de 90? Na realidade, não. Não mudaram. Os estudantes continuam os mesmos. Os homens continuam os mesmos, com suas virtudes e seus defeitos. A internet, na mesma medida que possibilita às pessoas muita liberdade na busca de informações, de conhecimentos, de ciências e de prazer, também traz implícita a responsabilidade de cada um no seu uso. Se muitos jovens estudantes aproveitam bastante os recursos da rede para seus estudos, para aprender mais e mais nas dezenas de milhares de sites de informação e de estudo para vestibulandos, outros gastam horas e horas em salas virtuais de bate-papo ou em jogos online, dedicando muito menos tempo, quando dedicam, a se servir da internet para estudo. Quer dizer: valorizam mais o prazer dos relacionamentos online e dos games do que a necessidade de aprender. Isto é errado? Para os pais e educadores é errado, sim, os estudantes deveriam alcançar maior equilíbrio na navegação em rede entre o prazer e a busca de informações e conhecimentos, para estarem mais bem preparados para os exames futuros, que decidirão suas vidas. Sem contrariar este parecer, pode-se acrescentar, todavia, que também se trata da questão da responsabilidade pessoal que cada um deve ter: se eu sei que preciso aproveitar toda a riqueza da rede para aprender mais e ter desempenho melhor nos exames, mas, simplesmente, dedico maior tempo aos lazeres da rede, estou assumindo conscientemente uma causa cujos efeitos também conscientemente conheço quais sejam. Então, o equilíbrio ou o desequilíbrio entre prazer ou desprazer, digo, estudo, é comigo mesmo. E, se eu der com os burros na água no vestibular, não poderei dizer, sem cair no ridículo, que errei por ser criança, porque não sou.

Nesta linha de raciocínio, você pode concluir que a internet não é apenas um instrumento útil para fornecer informações, conhecimentos, experiências, prazeres, mas também uma espécie de sensor para aferir responsabilidades. Nossos avós tinham um ditado que espelha magistralmente essa realidade: Deus dá asas a quem não sabe voar. Queriam eles significar, carinhosamente, que certas pessoas têm talento, mas não o usam. A internet, obviamente, não é Deus, embora dê o mesmo do ditado aos estudantes: asas. Aprender a voar direito e por onde é decisão de cada um.

 

Unesp registra recorde em número de inscritos por vaga

Wednesday, May 25th, 2011

A Unesp aplicará nos meses de junho e julho as provas para o maior número de candidatos por vaga da história de seus vestibulares. Os 12.375 inscritos representam total de 24,3 pessoas para cada uma das 510 vagas disponíveis, o maior índice desde que o exame da Universidade passou a ser feito pela Fundação Vunesp, em 1980, quando 35.622 inscritos concorreram a 2.283 vagas para ingresso em 1981.

A relação candidato/vaga mais alta registrada antes deste ano tinha sido 18,2 candidatos por vaga, atingida em 2003, quando foram oferecidas vagas em sete novos câmpus (Dracena, Itapeva, Ourinhos, Rosana, São Vicente, Sorocaba e Tupã). Desde 2001, a Unesp passou a realizar exame também no meio do ano.

A prova da primeira fase está marcada para o dia 12 de junho e será aplicada nas cidades de Bauru, Campinas, Dracena, Guaratinguetá, Ilha Solteira, Ourinhos, Registro, São José do Rio Preto, São Paulo e Sorocaba. A segunda fase será realizada nos dias 3 e 4 de julho, nas mesmas cidades.

Os incentivos que a Unesp ofereceu aos candidatos, entre eles isenção para socioeconomicamente carentes e redução de 50% da taxa para candidatos treineiros, podem ter motivado o aumento do número de inscritos, segundo o professor Elias José Simon, diretor-presidente da Fundação Vunesp. “Estamos aperfeiçoando as formas de divulgação do vestibular da Unesp e dando bastante enfoque aos alunos de escola pública, inclusive criando áreas específicas do site para atender ao significativo aumento do interesse dos jovens pela Unesp”, esclarece Simon.

A relação candidato/vaga por curso deverá ser divulgada em breve, nos sites da Unesp e Vunesp.

 

Todos os porquês sem mitos!

Thursday, May 12th, 2011

O emprego de porque, porquê, por que e por quê, constitui uma fonte muito grande de perguntas em concursos e é motivo, por isso, de preocupações constantes dos candidatos. Em exames vestibulares, atualmente, a preocupação não é com eventuais perguntas a respeito, que são raras, mas com os porquês das redações. Em qualquer texto que escrevemos, é quase inevitável esbarrar no emprego e ter dúvidas.

As gramáticas, livros e apostilas escolares buscam de todos os modos solucionar a questão para os estudantes, fornecendo mil e uma explicações e outro tanto de exemplos, embora não consigam sanar todas as dúvidas, especialmente aquelas que surgem no momento exato em que estamos escrevendo um texto. Os próprios escritores consagrados, bem como os jornalistas, cuja atividade profissional diária consiste em escrever, não escapam de dúvidas e, mesmo, de pequenos cochilos, pois a variedade de contextos é, de fato, muito maior que a variedade de exemplos encontrados pelos estudiosos e professores. Sempre escapa uma possibilidade, e é esta que nos surge no momento mais inadequado, como por exemplo ao escrever uma redação em exame vestibular.

Nas tentativas de fixar o domínio de todas as possibilidades, alguns estudantes acabam por criar mitos ao entenderem incompletamente as lições dos livros e dos professores, quando nos dizem que “em perguntas” empregamos por que e “em respostas” empregamos porque. Imaginemos dois exemplos para essa “regra”:

 

Por que você chamou papai?

Chamei papai, porque fiquei com medo.

 

A regrinha, porém, apesar de alcançar os dois exemplos acima, é “furada”, porque não abrange muitos casos mais. E é fácil encontrar exemplos que a contrariam:

 

Você chamou porque ficou com medo?

Não sei por que chamei papai.

 

No terceiro exemplo temos “porque” em frase interrogativa, pois se trata da mesma conjunção que aparece no segundo exemplo em frase declarativa ( “Chamei papai, porque fiquei com medo”).  E, no quarto exemplo, temos “por que” em frase declarativa.

Tentar resolver o problema, portanto, com base em frases interrogativas e frases declarativas não é um bom caminho.

Há outros mitos a respeito do problema. Os estudantes, porém, quando apresentam suas dúvidas, não estão interessados em mitos, nem em explicações complicadas. Por esta razão, vamos tentar, a seguir, com base numa série de exemplos, mostrar os diferentes usos, buscando apelar o mínimo possível para a explicação gramatical e o máximo para o contexto dos próprios exemplos.

 

1 – Que, interrogativo.

Por que você chamou papai?

Você chamou papai, por quê?

2 – Porque, conjunção: equivale a pois, como.

Chamei papai, porque estava com medo.

Porque estava com medo, chamei papai.

3 – Que, relativo: por que, nesse caso, pode ser substituído por pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais.

Meu irmão explicou a razão por que chamou papai.  (… pela qual…)

Meu irmão explicou o motivo por que chamou papai. (… pelo qual…)

Meu irmão explicou as razões por que chamou papai. (… pelas quais…)

Meu irmão explicou os motivos por que chamou papai. (… pelos quais…)

4 – Que, indefinido: por que, nesse caso, equivale a por que razão, por que motivo, ou por que razões, por que motivos.

Quero saber por que meu irmão chamou papai. (Quero saber por que razão…)

Não sei por que meu irmão chamou papai. (Não sei por que motivo…)

Gostaria de descobrir por que meu irmão chamou papai. (… por que razões…)

5 – Porquê, substantivo equivalente a razão, motivo, causa.

Meu irmão explicou tudo, com todos os porquês.

Agora conheço o porquê da questão.

Eis aí uma boa oportunidade para fixar seu domínio sobre o assunto. Esse conjunto de exemplos abrange pelo menos 95% dos casos. Tente fixá-los bem e imagine outros exemplos, para testar. Uma dúvida ou outra, um errinho ou outro, em algum caso mais complicado para você não representará praticamente nenhuma perda de pontos em suas respostas discursivas e em suas redações.

 

Observe a norma-padrão

Tuesday, May 3rd, 2011

A Resolução UNESP nº. 16, de 30 de março de 2011, que regulamenta o Vestibular Unesp Meio de Ano, estabelece, no parágrafo terceiro do artigo 10:

A redação em língua portuguesa, de gênero dissertativo, avaliará as propriedades de coesão, coerência e progressão temática, privilegiando-se a norma-padrão da língua.

Entre outros aspectos importantes desse parágrafo você deve notar o último: “privilegiando-se a norma-padrão da língua”. Que quer dizer isso? É importante?

É importantíssimo. Tomando-se por base que o gênero solicitado para a redação é o dissertativo, como é mencionado explicitamente no mesmo parágrafo, o emprego da norma-padrão, também exigido, será  vital para escrever uma boa redação. Não é preciso explicar a você o que seja a norma-padrão, porque seus professores já explicaram muitíssimas vezes nos últimos anos, sempre sublinhando que se trata da variedade da língua empregada nos documentos oficiais, nas comunicações, nas escolas. O domínio da norma-padrão pelos estudantes, por representar um poderoso instrumento de ascensão social e profissional, é uma das finalidades do ensino básico, de sorte que os estudantes que se formam no terceiro ano do ensino médio não deveriam ter dificuldade a respeito.

Ora, é preciso também maliciar um pouquinho: se o regulamento estipula o emprego da norma-padrão, tentar escrever uma redação cheia de palavras ou expressões características das variedades coloquiais ou até mesmo de construções sintáticas, regências e concordâncias características do uso popular não será uma boa estratégia, mas uma perigosa manobra de colisão com o próprio regulamento.

Em alguns casos, o candidato não pensa em desafiar o regulamento, mas se baseia em eventos de aula como, por exemplo, em redações livres que fez, usando elementos e soluções da linguagem coloquial, redações que foram até elogiadas pelo professor. Exatamente neste ponto se torna necessário tomar cuidado: em exercícios de redação em que o gênero e a variedade da língua são de livre escolha, o aluno tem liberdade para criar e o resultado poderá ser até um belo texto. Todavia, quando fixado o gênero como dissertativo e privilegiada a norma-padrão, essa liberdade é restringida, são estabelecidas fronteiras que não podem ser ultrapassadas sem maior ou menor perda em termos de nota final. “Gênero dissertativo” e “norma-padrão” tornam-se critérios de avaliação da redação.

Vale lembrar ainda outro aspecto importante: para assegurar maior clareza e objetividade, a norma-padrão deve ser também utilizada nas respostas a questões discursivas de todas as áreas, e não apenas nas da prova de língua portuguesa.

É preciso o máximo de atenção, portanto, para esse dispositivo do regulamento de exames vestibulares da Unesp e de outras instituições de ensino superior.

Você compreendeu perfeitamente tudo o que leu neste texto? É um texto obediente à norma-padrão da língua portuguesa. Você é perfeitamente capaz de escrever do mesmo modo, não é?