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Cuidado com os erros banais! Podem ser fatais!

Tuesday, November 23rd, 2010

            Errar, evidentemente, é humano, mas persistir no erro é… imperdoável. Os estudantes passam pelo menos doze anos nos ensinos fundamental e médio antes de prestar concursos e exames vestibulares. Ao longo desses doze anos, assistem às correções que os professores fazem de certos erros muito banais, principalmente de ortografia. Alguns professores chegam a desesperar-se ao perceberem que, por mais que expliquem e por mais que apontem certos erros, os estudantes continuam a praticá-los, como se não tivessem sido corrigidos nem uma só vez ao longo de doze anos!

            Ops! Aqui há um problema sério! Na escola, os professores ralham e perdoam. Mas quando chega o tempo de exames vestibulares ou de concursos de acesso a empregos não haverá perdão: um z em lugar de um s pode significar a perda de uma vaga; as decisões costumam ser por centésimos ou até por milésimos. Então, se você até hoje não deu muita bola para os cochilos e  os errinhos banais, trate de se precaver: agora não há mais perdão, cometer erro banal pode ser fatal.

            Erro ortográfico bastante comum e imperdoável é trocar o s de analisar, análise, por z. Por que imperdoável? Você mesmo sabe quantas vezes seus professores o corrigiram, pois “análise, analisar” são palavras muitíssimo usadas em todas as disciplinas que você estudou. Se quiser continuar brincando ou dar uma de rebelde e continuar escrevendo “análize”, problema seu: estará arriscando perder um lugar na classificação. Então não esqueça: análise se escreve com s, assim como catálise e diálise.

            Outro erro que ocorre por típico desmazelo é escrever “atraz”. A ortografia correta deste advérbio é atrás. Observe a família de palavras, todas com s, para não esquecer: trás, detrás, atrás, atrasar, atrasado, atraso. Não erre mais. E não venha com a desculpa esfarrapada de que nunca empregou a forma trás! Empregou, sim, emprega a toda hora, por exemplo, ao dizer O cachorro passou por trás do muro. E não confunda estas palavras, em que se usa o s, com as formas do verbo trazer que se escrevem com z: eu trago, tu trazes, ele traz, nós trazemos, vós trazeis, eles trazem.  

            Erro de grafia influenciado pela pronúncia popular ocorre com as palavras roubo e roubar. Por influência da pronúncia coloquial, muitas pessoas acabam escrevendo “robo” em vez do correto roubo, e “robar” em vez de roubar. Pior ainda ocorre com as formas do presente do indicativo do verbo roubar, que muitos escrevem “robo, robas, roba, robamos, robais, robam”, quando o correto é roubo, roubas, rouba, roubamos, roubais, roubam. Fato semelhante ocorre com as palavras poupança e poupar, que muitas pessoas acabam escrevendo, erradamente, “popança” e “popar”. Pior ainda com as formas verbais do presente do indicativo do verbo poupar, que são poupo, poupas, poupa, poupamos, poupais, poupam, mas muitas pessoas em redações de concursos escrevem “popo, popas, popa, popamos, popais, popam”. Horrível, não? E outro cuidado: escreva louco, enlouquecer, formas corretas, e não as formas erradas “loco, enloquecer”. Cuidado também quando flexionar o verbo: enlouqueço, enlouqueces, enlouquece, enlouquecemos, enlouqueceis, enlouquecem. Não seja louco de escrever “enloqueço”!

            Aqui vale lembrar outros lapsos de grafia provocados por variações de pronúncia. Alguns encontros consonânticos, no português do Brasil, recebem um tratamento interessante na pronúncia coloquial: admirar é pronunciado muitas vezes “adimirar”; ignorar é muitas vezes pronunciado “iguinorar”; a palavra Psicologia é muitas vezes pronunciada “pissicologia”. O fato de eventualmente pronunciarmos essas palavras assim, porém, não implica que devamos escrever: as grafias corretas continuam sendo admirar, ignorar, Psicologia. O mesmo ocorre com a palavra ritmo, cuja pronúncia dominante em nosso país já é “rítimo”; a grafia, porém, continua sendo ritmo. Não esqueça disso. E tome cuidado com o verbo optar, que, no presente do indicativo, deve ser pronunciado, no discurso formal, culto, eu opto, tu optas, ele opta, nós optamos, vós optais, eles optam. Em certas regiões do país, alguns segmentos da população pronunciam “eu opito”. Esta forma não surge, todavia, no discurso formal, quer oral, quer escrito, presidido pela norma culta ou norma padrão. Talvez em virtude de estarem acostumadas a pronunciar “eu opito”, algumas pessoas pronunciam também “eu adapito”! Até que é uma pronúncia engraçadinha quando ouvimos nas ruas. Mas se torna terrível se a transportarmos para o discurso culto! As formas verbais escritas corretas são: adapto, adaptas, adapta, adaptamos, adaptais, adaptam.

            Muito cuidado com os erros banais, portanto! Em termos de atribuição de notas acabam não sendo tão banais assim. Dedique algumas horas a revisar os acima apontados e muitos outros, que os bons livros escolares comentam e corrigem. Assim, poderemos mudar o ditado popular para Errar é humano; corrigir-se é mais humano ainda.