Arquivo de 27 de julho de 2010

Ah! Esses pronomes objetivos!

terça-feira, 27 de julho de 2010

             É errado, quando conversamos em casa, ou no clube com nossos amigos, falar Eu avisei ele, mas não me ouviu?

            Claro que não é errado. No discurso coloquial brasileiro empregar ele, ela como pronomes objetivos é uma constante há muito tempo, e ninguém deve preocupar-se com isso. Todavia, quando a situação do discurso sai do coloquial para o formal, culto, tudo muda de figura. Se escrevermos Pedro desprezou ela numa redação dissertativa de exame vestibular, teremos realmente cometido um erro, porque não estaremos levando em conta que a redação dissertativa de exame vestibular deve seguir a norma culta da língua portuguesa, que solicita outra forma, a do pronome objetivo. A norma culta aponta os pronomes pessoais do caso reto, como ele, ela, para a função de sujeito oracional; para as funções de objeto existem os pronomes pessoais do caso oblíquo: o, a, os, as, lhe, lhes, se. Por esta razão, as duas orações exemplificadas acima deveriam, caso se tratasse de discurso culto, quer escrito, quer oral, apresentar-se do seguinte modo: Avisei-o, mas não me ouviu. Pedro a desprezou (ou desprezou-a).

            Esse emprego dos pronomes subjetivos ou objetivos já apresenta algumas dificuldades, pois o usuário tem de perceber as funções de sujeito ou de objeto que são preenchidas. As dificuldades aumentam, entretanto, em virtude de os mencionados pronomes objetivos apresentarem variantes, podendo surgir, conforme a posição e as desinências verbais, como o, a, os, as ou lo, la, los, las ou no, na, nos, nas. O surgimento dessas variantes tem toda uma história na evolução do latim vulgar para a língua portuguesa. Não é o momento, porém, de mencionar os fatos históricos, mas de fornecer ao vestibulando uma boa dica para saber fazer a transição do discurso coloquial ao discurso culto. Leia atentamente as quatro dicas seguintes e não errará mais:

 

            Primeira dica – Se o pronome objetivo aparecer anteposto ao verbo, apresentará, conforme o gênero e o número, as formas: o, a, os, as. Exemplos: Não encontrei minha colega em casa – Não a encontrei em casa. Não encontrei meu colega  em casa – Não o encontrei em casa. Não encontrei minhas colegas em casa – Não as encontrei em casa. Não encontrei meus colegas em casa. – Não os encontrei em casa.

            Segunda dica – Se o pronome objetivo aparecer posposto a formas verbais terminadas em -r, -s e –z,  eliminam-se -r, -s ou -z e empregam-se, conforme o caso, lo, la, los, las. Exemplos: Vou retirar o livro – Vou retirá-lo. Vou partir o prato – Vou parti-lo. Vou compor a canção – Vou compô-la. Vou vender o carro – Vou vendê-lo. Note nestes exemplos que, ao perder o -r a forma verbal passa a obedecer a outra regra de acentuação: retirar, partir, compor, vender são oxítonos terminados em -r, que não se acentuam, mas, ao perder o -r, mudam de configuração acentual, tornando-se vocábulos oxítonos terminados em -a, -e, -o, que devem ser acentuados (retirá, compô, vendê); já partir, ao perder o -r, passa a ser um oxítono terminado em -i, que também não deve ser acentuado (parti).

            Terceira dica – E se o pronome objetivo aparecer posposto a formas verbais marcadas por finais nasais: -ão, -õe, -m? As formas verbais não se alteram e a variante pronominal a ser empregada passa a ser -no, -na, -nos, -nas. Exemplos: Retiraram o livro – Retiraram-no. Os policiais dão o desaparecido por morto – Os policiais dão-no por morto. Põe as mãos sobre a mesa – Põe-nas sobre a mesa.

            Quarta dica – E se o pronome objetivo aparecer posposto a formas verbais marcadas por finais com vogais ou ditongos orais: -o, -a, -e, -ei, -ou, etc.? As formas verbais não se alteram e a variante pronominal a ser empregada passa a ser -o, -a, -os, -as.  Exemplos: Busca a glória – Busca-a. Quero meu livro agora – Quero-o agora. Encontrei as peças – Encontrei-as. Procurou os computadores – Procurou-os.

            Como você observa, não é tão complicado assim. Algumas curiosidades relacionadas a essas dicas serão apontadas em outro texto.

            Pode continuar, portanto, em situação de discurso coloquial, falando Avisei ele, Desprezou ela. Mas, no discurso formal, culto, como é o da dissertação de vestibular e também o das respostas às questões discursivas, observe a norma culta: Avisei-o, Desprezou-a.       

Aviso aos navegantes

terça-feira, 27 de julho de 2010

            Agora que foi encerrado o Vestibular Meio de Ano da Unesp, aqueles que pretendem fazer o do final do ano têm um excelente material em mãos para estudar: as provas da primeira e da segunda fases do que acaba de se encerrar. Como diria Castro Alves, para nós, neste momento, ‘Stamos em pleno mar.  E é preciso navegar com a maior segurança possível e com a maior certeza possível de atingir com segurança o porto.

            Se é fato que o estudante aplicado não precisa ter muito receio dos exames, fato é também que o conhecimento das provas já aplicadas constitui uma ajuda importantíssima, pois todas são elaboradas segundo uma metodologia que também será aplicada na elaboração das provas futuras. Voltando ao verso de Castro Alves, se nos tornarmos capazes de detectar a natureza, a forma e o tamanho das ondas, bem como as turbulências das correntes, nossa navegação se tornará mais segura. Já fizemos algumas observações a este respeito em textos postados anteriormente, mas sempre é possível apontar detalhes antes não observados, com o objetivo de facilitar o trabalho dos candidatos nos próximos exames. Neste ponto é bom chamar atenção para uma diferença de perspectivas: uma coisa é fazer de fato as provas; outra, estudá-las com atenção para detectar aquilo que em latim se denominaria modus operandi, ou seja, modo de fazer, de elaborar. As universidades não alteram de ano para ano seus métodos de elaboração de exames, nem tampouco o estilo das questões das provas. E serão essas constantes uma boa base para você ficar ainda mais preparado.

            A Unesp alterou em parte sua metodologia, e é provável que uma nova alteração esteja bem distante. A nova forma do vestibular da Unesp agora já forneceu dois exemplos a você: o do ano passado e o de meio de ano, ora encerrado. Então, trate de fazer esse estudo atento agora, procurando verificar os tipos de questões, os tipos de resposta apresentados, os modos pelos quais as questões são enunciadas, o vocabulário empregado nas questões das diferentes áreas. Vale até, se você não fez o vestibular meio de ano, começar o processo resolvendo todas as questões, como se estivesse em pleno vestibular. Isso ajudará bastante, inclusive em termos psicológicos, porque, como sabemos, muitas vezes a própria tensão de estar fazendo um vestibular pela primeira vez pode ser um fator negativo, que conduz a respostas erradas devido a uma leitura ou uma abordagem nervosa das questões.

            O que aconselhamos aqui você pode repetir com os exames já realizados das outras universidades cujo vestibular você pretende prestar. Estar familiarizado até com o modo de serem enunciadas as questões é um fator positivo a mais para você. Evidentemente, quando estiver analisando as questões, valerá muito a pena parar, sobretudo naquelas que você, ao fazer a simulação, errou. Vale a pena parar, ir aos livros em busca dos conhecimentos necessários, fazer comparações com questões de outras provas ou até mesmo de seus livros didáticos e suas apostilas. O número e a natureza das questões que você errar, em cada prova, são um excelente indicador dos conteúdos que você precisa estudar mais, ou reestudar mais.  

            Uma outra dica importantíssima, que, de resto, vale para todos os vestibulares, é observar os gêneros de textos utilizados nas provas: textos literários, textos teatrais, textos jornalísticos, textos científicos, tiras, cartuns, charges, gravuras, pinturas, fotografias. Constituem eles excelente indicação para você, em termos de leitura habitual ao longo do ano. Quem não é leitor habitual de tiras ou charges, por exemplo, e se depara com uma num exame, talvez não reúna, por inexperiência, a necessária “malícia” para detectar os objetivos da pergunta em função do conteúdo do texto. Neste caso, qual a conclusão que se impõe: o vestibulando deve ler mais, deve se interessar pelos mais variados tipos e gêneros de textos, em especial daqueles que comumente são explorados em provas de vestibulares.

            Ao fazer isso, ao se tornar leitor e apreciador habitual desses textos, você não apenas estará mais preparado para os exames futuros, como também passará a assimilar conteúdos de alto valor cultural e artístico, que representarão um importante e saudável complemento a sua formação como homem e como cidadão.