Arquivo de 23 de junho de 2010

Agora, a segunda fase

quarta-feira, 23 de junho de 2010

            Passada a primeira fase do Vestibular Meio de Ano da Unesp, os candidatos devem continuar sua preparação, sem levar em consideração suas expectativas de aprovação ou não. Aqueles que acham que foram aprovados na primeira fase devem continuar estudando para um desempenho ainda melhor ainda na segunda. Aqueles que acham que não serão aprovados, devem continuar estudando, pois logo mais chegarão os vestibulares de fim de ano de todas as universidades públicas. Passar em exames vestibulares, todos sabemos, é sempre o resultado de um esforço continuado e repetido: a aprovação não é o prêmio da maior ou menor inteligência, mas da maior ou menor determinação de cada candidato e de sua confiança em obter, mais cedo ou mais tarde, esse resultado.

            A primeira fase, como observaram os jornalistas especializados e os comentaristas das escolas, apresentou grande qualidade avaliativa e correspondeu plenamente ao projeto da Unesp de inovar os exames com base nos Parâmetros Curriculares Nacionais e na Proposta Curricular do Estado de São Paulo. Tal alteração, inaugurada no vestibular de fim de ano de 2009, iniciou agora seu segundo passo, que mereceu muitos elogios.

            Aqueles que forem aprovados para prestar a segunda fase, deste modo, devem levar em consideração, como modelo, os exames da segunda fase do vestibular da Unesp de 2010. Um bom método é tentar responder as questões como exercício, conferindo após com as respostas oficiais.

Quando prestarem as provas da segunda fase, recomenda-se o máximo de atenção na leitura dos textos que servirão de base às questões, pois muitas vezes as respostas corretas dependem apenas de uma boa leitura. É bastante importante observar que as respostas às questões discursivas devem ser explícitas. O candidato deve pensar em suas respostas como textos que atendem ao solicitado pelas perguntas. Assim, sempre serão preferíveis as respostas que assumam forma de frases completas e bem elaboradas, que não deixem margem a dúvidas quanto ao conhecimento do candidato. Ou seja: nem escrever em excesso, para evitar a prolixidade, nem escrever de modo tão resumido, que a clareza da resposta seja prejudicada. Os antigos tinham um preceito que cabe muito bem para esclarecer este ponto, alertando-nos para o fato de que a virtude não reside nos extremos das ações, mas no meio, numa posição intermediária, sem exageros.

            Um alerta quanto à redação: a Unesp solicita, há muitos anos, em seus exames vestibulares, redações em prosa, obedientes à norma culta da Língua Portuguesa e ao tema proposto. Ler com muita atenção o tema, deste modo, é fundamental para começar a acertar.

            Quanto ao mais, é seguir em frente, com confiança e determinação. Se a vitória não chegar agora, chegará mais para a frente, se a desejarmos e a merecermos pelo nosso esforço e pela nossa determinação em atingi-la. E já que é tempo de Copa do Mundo, vale dizer: bola pra frente!

Vestibular da Unesp: A importância do novo modelo

quarta-feira, 23 de junho de 2010

            Com a aplicação da primeira fase do Vestibular Unesp Meio de Ano, fica ainda mais patente o acerto da Universidade em configurar seus exames com base nos Parâmetros Curriculares Nacionais e na Proposta Curricular do Estado de São Paulo. Tais documentos, que são o resultado de profundas reflexões e longa experiência de educadores sobre os objetivos e a qualidade do ensino, constituem o ponto de partida para uma verdadeira revolução na educação nacional.

            O caráter inovador dos documentos oficiais mencionados começa pelo fato de não conceberem mais, como ocorria no passado, um ensino compartimentado em disciplinas fechadas, estanques, mas, ao contrário, colocarem toda a educação sob a ótica da multidisciplinaridade e da interdisciplinaridade. Na concepção antiga, ninguém estranhava afirmações como “Matemática nada tem a ver com Português. Eu só gosto de Matemática.” Na concepção moderna, inaugurada pelos Parâmetros, tudo tem a ver com tudo. O conhecimento não é algo que se resuma a uma visão, a um ponto de vista, a uma disciplina, mas é totalizante e totalizado. O estudante, na escola, não deve receber mais um ensino fechado em disciplinas isoladas, mas em conteúdos mutuamente interrelacionados. Matemática nada tem a ver com Português? Errado. Matemática tem tudo a ver com Português: conceitos matemáticos se aplicam ao estudo e ao aprendizado de Língua Portuguesa, assim como o desenvolvimento de competências em Língua Portuguesa é vital para o desenvolvimento de competências em Matemática, e vice-versa. Quem não consegue atingir um desempenho satisfatório em leitura e interpretação de textos, certamente terá a mesma dificuldade em ler e compreender problemas, teoremas e demonstrações. Por outro lado, o desenvolvimento da capacidade de argumentar tem relação bastante estreita com o raciocínio matemático. Essa interdisciplinaridade ocorre entre todas as áreas e conteúdos ensinados nas escolas, de modo que a organização dos currículos deve tomá-la como referência fundamental.

            Neste sentido, frequentemente se afirma que os exames vestibulares têm um papel importante na educação brasileira, na medida em que, como pontos de chegada dos ensinos fundamental e médio, representam o modelo que estes deveriam adotar. Uma prova de tal fato pode ser dada com os vestibulares das décadas de sessenta e setenta do século passado, quando a redação foi abolida e os exames eram exclusivamente em testes de múltipla escolha. As escolas de ensino médio, por isso, passaram a não dar tanta importância à redação, “já que não caía nos vestibulares”. O resultado foi a formação de estudantes que, ao ingressar em universidades, apresentavam grande dificuldade em produzir textos, o que complicava bastante seu desempenho nos cursos. As primeiras provas de vestibulares que passaram a exigir a redação, já em fins da década de setenta, mostravam o verdadeiro estado de calamidade a que tinha chegado o ensino da produção de textos. Com o retorno, porém,  da prova de redação e das questões discursivas, a qualidade de redigir de nossos estudantes passou a melhorar ano após ano e hoje se encontra em um bom nível.

            Em conclusão: realmente, o que se pede ou se deixa de pedir nos exames vestibulares é sempre uma referência para os ensinos fundamental e médio. A atitude de universidades, que, como a Unesp, passam a tomar como base as novas diretrizes curriculares deve funcionar hoje, positivamente, como um modo de intensificar as grandes alterações de que a educação brasileira necessita para formar estudantes com uma visão sólida e ampla da ciência, da arte e da sociedade em geral, dotados de capacidade para avaliar criticamente a realidade e tomar decisões de interesse quer individual, quer coletivo. O Brasil precisa desses novos cidadãos para enfrentar os enormes desafios do presente século.