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Passei… Não passei… E agora?

Wednesday, December 2nd, 2009

            Terminada a primeira fase dos grandes vestibulares nacionais, ingressam os candidatos num campo neutro, espécie de retiro para pensar e meditar. Os que passaram na primeira fase festejam; os que não passaram se lamentam. Mas todos sabem que é preciso ir além do festejar e do lamentar-se.

            Realmente, aqueles que passaram na primeira fase não podem ficar pensando que o caminho ficou mais fácil. Não ficou. Se na primeira fase conseguiram manter-se na disputa, vendo que a maioria foi eliminada, na segunda encontrarão um número muitíssimo mais reduzido de candidatos, mas também muitíssimo mais preparados. A pedreira diminuiu em tamanho e aumentou em resistência. Na melhor das hipóteses, os demais candidatos terão o mesmo nível de preparo; na pior, estarão bem mais preparados; numa hipótese intermediária, haverá alguns mais preparados e outros menos. Solução: não piscar o olho e mandar ver na revisão da matéria, particularmente daqueles pontos em que se tem maior dificuldade.

            Neste sentido, a primeira fase pode servir de critério: em que partes das diferentes disciplinas você cometeu mais erros ou revelou maior dificuldade para acertar? É aí que deve começar a revisão, para eliminar ou, pelo menos, tornar menores as deficiências. Sob este aspecto, vale um conselho ou lembrete: muitos candidatos costumam demonstrar simpatia por certas disciplinas ou por certos setores de disciplinas e alimentam alguma ojeriza por outras ou outros, de modo que dão maior atenção, ao estudarem, àquilo de que mais gostam. Não é uma atitude muito aconselhável. Se Aquiles é inatingível, exceto no calcanhar, que parte do corpo deve mais proteger? É preciso, assim, inverter essa polaridade e tentar melhorar nosso conhecimento justamente em nosso calcanhar de Aquiles. O resto do nosso corpo de conhecimentos já tem sua resistência provada.

            Resumindo: a aprovação na segunda fase é uma operação de pente fino: um fio de cabelo pode ser a diferença entre a conquista ou a perda de uma vaga. Um pequeno avanço, em termos de revisão, em um setor de disciplina em que temos dificuldades pode trazer aquele pontinho que fará a diferença.

            E se você não passou, mesmo tendo um resultado razoável na primeira fase? Lamentar-se é um sentimento perfeitamente justificável, mas não vale a pena prolongá-lo muito. Deve ser logo substituído por uma atitude positiva: o que faltou fazer para passar? A resposta tem de ser objetiva e realista: nada de culpar o sistema, a escola, o professor X, a disciplina Y, o mundo, a vida, o destino ou qualquer divindade por não tê-lo ajudado. Vale aqui, como no caso de quem passou, escanear seu desempenho na primeira fase e avaliar com frieza: em que ponto ou pontos as perguntas da primeira fase, como setas dos troianos, conseguiram atingir seu calcanhar de Aquiles? Diferentemente do calcanhar da personagem mitológica, o calcanhar do vestibulando pode aumentar ou diminuir de tamanho, segundo a sequência de seus esforços por aprender. É esse o caminho a seguir.

            Por outro lado, aquele que não passa na primeira fase e mesmo aquele que não passa na segunda fase devem ter em mente que cada vestibular é como uma batalha e que uma derrota não significa que a guerra está perdida. A verdadeira guerra que travamos para ser bem sucedidos na vida, no trabalho e no estudo é composta de muitas batalhas, algumas que perdemos e outras que vencemos, enquanto a guerra continua. A questão é não desanimar, quando perdemos uma batalha, nem de nos crermos invencíveis, quando ganhamos outra, mas procurar sempre aprender com nossas derrotas e nossas vitórias, para que estas se tornem cada vez mais numerosas.

            Ao estudarmos biografias de grandes homens de todos os tempos, aprendemos uma valiosa lição: os maiores vencedores de hoje foram muitas vezes perdedores no passado, mas, com persistência, com determinação, com obstinação, com teimosia, jamais desanimaram, porque sempre acreditaram em si mesmos e em sua capacidade de atingir os objetivos que fixaram. E porque, para eles, não existiam objetivos inatingíveis, mas objetivos ainda não atingidos.