Archive for December, 2009

Acho que nunca vou passar…

Monday, December 21st, 2009

            Muitos candidatos, depois de prestarem seus primeiros exames vestibulares e não obterem aprovação, desesperam-se e assumem uma atitude disfórica, derrotada e derrotista: Acho que nunca vou passar…

            Que pode dizer a eles um educador que, se pudesse, os aprovaria a todos, indistintamente, pois acha que todos deveriam ter a chance de iniciar o curso universitário? Dar conselhos é fácil, mas não é muito fácil encontrar a relação ideal entre o conselho dado e a carência real daquele que os recebe. É fácil, assim, dizer: Tente de novo! Você conseguirá! Tenha ambição e determinação! Não desista, um dia você chega lá! etc., etc.

            O grande problema é que, como a sabedoria popular nos ensina e a Psicologia confirma, cada pessoa é uma pessoa. Assim, o conselho que serve para uma pode não servir para outra; o conselho que se dá para uma pessoa parar de chorar pode aumentar o choro de outra. Que fazer, então, para amenizar, pelo menos um pouco, a decepção daqueles estudantes que não conseguiram aprovação em exames vestibulares?

            Talvez o melhor caminho seja o de levar em conta a sabedoria popular: cada estudante é um estudante, e para dar um conselho que sirva a todos é preciso levar em conta essa diversidade. Ora, muitos estudantes são do tipo “eu passo, nem que seja necessário fazer dez exames vestibulares seguidos”. Estes, com certeza, passarão, pois têm o gene da teimosia, da obstinação, e irão aos poucos adquirindo mais conhecimentos e habilidades para um dia receberem aprovação. Outros, mais práticos e menos teimosos, desistirão logo após a primeira reprovação e irão buscar outras atividades profissionais, nas quais poderão dar-se muito bem. Outros ainda tentarão mais uma vez e, reprovados de novo, desanimarão, dizendo-se “nunca conseguirei passar…”. Outros, diferentemente, passam nos exames, ingressam num curso, desistem, por sentirem incompatibilidade, e caem no desânimo: e agora?

            Talvez a estes três últimos grupos se deva dizer que é preciso avaliarem melhor não apenas suas possibilidades, mas também as possibilidades oferecidas pelas universidades com a grande variedade de cursos que apresentam. Ora, se em virtude de não ter podido frequentar uma boa escola ou, mesmo tendo frequentado, não consegui aprovação em um ou dois anos de tentativas nos cursos que pretendia, talvez o caso não seja desistir ou imaginar que não tenho e nunca terei capacidade para fazer um curso, mas raciocinar diferentemente: não tenho condições atuais de enfrentar a concorrência naqueles cursos, mas posso perfeitamente ser aprovado em outros cursos em que a concorrência não seja tão acirrada. Muitos estudantes recusam-se a admitir esta hipótese e preferem desistir de prestar exames para outros cursos. A base desta atitude radical muito provavelmente reside num conceito equivocado de “vocação”. Imaginar que nossa vocação aponta numa só direção é fazer um julgamento falso. Na realidade, a natureza nos diferencia em termos físicos e em termos psicológicos, inclusive de temperamento ou personalidade, mas nunca nos faz dotados apenas para uma só atividade ou profissão. Ao contrário, cada homem apresenta muitas possibilidades ou muitas vocações e em sua vida escolhe uma delas por vontade própria ou, muitas vezes, em função de pressões do próprio ambiente em que vive. Assim, uma pessoa que se formou em Medicina poderia perfeitamente ter-se formado em Direito e ser um excelente advogado ou magistrado. Por quê? Porque, muitas vezes, aquilo que imaginamos ser nossa única vocação não é nossa única vocação, ou, de outro modo, apenas algo que idealizamos em virtude de influência alheia ou algum acontecimento em nossa vida. Um caso real é o de uma estudante que ingressou em Engenharia Química, desistiu depois de dois anos, prestou Letras e concluiu o curso, mas resolveu não seguir a profissão, e depois fez o curso que considera o que mais queria na vida: Design de Moda. O que significa isso? Indecisão da estudante? Não, apenas busca daquele objetivo na vida capaz de fazê-la sentir-se integralmente realizada. Alguns descobrem isso na primeira tentativa; para outros, são necessárias muitas tentativas. E todos estão certos, e todos são normais.

                Aonde nos levam o raciocínio e os exemplos acima? A não fazer a nossa vida como a  busca obstinada de um só caminho, um só curso, uma só profissão. E a aceitar que, em certos momentos, é melhor mudar de rumo e escolher uma rota alternativa, que nos poderá trazer até mais realização e felicidade do que a que havíamos escolhido. Afinal, nada nos garante que estávamos certos na primeira escolha. E as escolhas de todo homem são sempre muitas. Como diria um rio, se rios pudessem falar, o importante é estar com as águas sempre em movimento, para não deixar de ser rio, e contornar com sabedoria os obstáculos, quando não puder transpô-los.

Questões discursivas de Ciências da Natureza e Matemática

Friday, December 18th, 2009

Na prova de Conhecimentos Específicos e Redação da Unesp todas as questões terão o mesmo peso, com pontuação de 72 (setenta e dois) pontos e a redação com pontuação máxima de 28 (vinte e oito) pontos. A prova total, questões e redação, valerá 100 (cem) pontos. Serão desclassificados os candidatos que obtiverem nota zero em qualquer dos três componentes da segunda fase (Ciências da Natureza e Matemática, Ciências Humanas e Linguagens e Códigos) e da Redação.

A VUNESP orientou e acompanhou o trabalho das Bancas Elaboradoras assegurando que, na criação das questões, fossem considerados, obrigatórios e sistematicamente, os seguintes aspectos: nível de dificuldade estimado, fidelidade ao programa, tempo e espaço necessários para a solução, bem como, as diferentes dimensões do processo de avaliação: conhecimento, compreensão aplicação, análise, síntese e avaliação. Considerando a heterogeneidade dos candidatos, a prova não contará com questões muito difíceis e apenas 10% foram classificadas pelos Elaboradores e pela VUNESP como difíceis.

O candidato deverá ficar atento às instruções da prova, principalmente as relativas à resolução e à resposta de cada questão. Elas devem ser apresentadas no espaço correspondente. Não serão consideradas questões resolvidas fora do local delimitado. Assim, o candidato deverá apresentar, para todas as questões, as suas respectivas resoluções, sejam por justificativas (argumentações) ou por indicativos dos cálculos intermediários. Muita atenção com a apresentação das respostas, principalmente, nas questões de Física e Química, pois, na ausência das unidades de grandeza, as respostas serão consideradas parcialmente corretas.

Boa prova. Seja bem-vindo à UNESP.

Controle suas respostas, 3

Friday, December 18th, 2009

No texto anterior, você examinou quatro exemplos de respostas a uma mesma pergunta de vestibular, classificadas segundo o padrão apresentado no livro Língua portuguesa no vestibular da Unesp: das perguntas às respostas. Você observou, assim, uma resposta precisa e uma resposta suficiente, que receberam nota integral; assim também uma resposta abundante e outra prolixa, que, pelos elementos excessivos apresentados, nem sempre recebem nota integral, pois o aumento desnecessário da extensão da resposta por vezes prejudica sua clareza.

Hoje você poderá estudar outros tipos de resposta à mesma pergunta sobre o que Darcy Ribeiro denominou “guerra biológica”. Para facilitar, vale a pena retomar a resposta precisa, apontada no texto anterior: “A ‘guerra biológica’ à qual Darcy Ribeiro se refere diz respeito à pouca resistência dos índios às doenças desconhecidas trazidas pelos europeus. A “guerra” se travaria entre os agentes patogênicos europeus e o sistema imunológico nativo. Com parte da população indígena dizimada pelas pestes, a conquista se tornaria mais fácil.

Leia agora, com muita atenção, respostas que tiveram perda parcial ou total da nota, em virtude da intervenção de fatores negativos no momento da redação, sempre lembrando que tais respostas estão transcritas ao pé da letra:

 

  • Complicada – Haviam ali, fungos, bactérias, vírus etc., causadores de tais doenças. Que era no entanto uma guerra entre o homem e essas entidades. É também a própria aglomeração de tantas doenças em um território limitado, onde os mais fortes sobreviviam por outro lado os indefesos, morriam.

 

O candidato revela, por esta resposta, que não leu adequadamente o texto e o enunciado da questão, pois desde o início desvia o foco do problema para o ambiente natural, que seria criador de elementos patogênicos, e para uma suposta guerra entre o homem e esses microorganismos. Deste modo, complicou-se inteiramente. Na realidade, parece estar respondendo outra questão, e não a que foi realmente feita.

 

  • Lacônica – De um lado estavam os brancos com doenças perigosas, transmissíveis e de outro estavam os índios inocentes que não sabiam o que era aquilo.

 

O laconismo é um problema de discurso apontado desde a antiguidade clássica: consiste em expressar-se com economia verbal excessiva, de sorte que parte da mensagem fica apenas subentendida, quando não obscurecida. A resposta acima apresenta exatamente essa característica: o candidato preocupou-se tanto com o núcleo da questão, que não percebeu ser necessário um pouco mais de discurso para demonstrar que sabia a resposta certa. Respostas lacônicas, como essa, ficam dependentes da interpretação de quem corrige. Não representam, assim, um bom caminho.

 

  • Incompleta – Que os brancos passaram para os índios várias doenças biológicas, que até então os indígenas não conheciam.

 

A resposta acima, à primeira leitura, parece lacônica. Na verdade, está incompleta, pois falta maior menção ao sentido de “guerra”, que aponta para o aspecto conquistador dos europeus e que está na raiz da pergunta.

 

Insegura – Seria o confronto entre os índios saudáveis e os brancos impregnados de doenças. Vivendo no meio da natureza por vários anos os índios não estavam imunes as doenças do velho mundo que seriam trazidas pelos europeus. Dessa forma, os índios morreriam facilmente com qualquer doença, até mesmo as mais fracas gripes. Esse fator seria decisivo para a dizimação dos nativos.

 

A insegurança é natural em exames vestibulares, dado o grande peso de responsabilidade que os candidatos carregam. Estes, todavia, devem precaver-se para não expressá-la em suas respostas, o que pode ser bastante prejudicial à clareza. O candidato que escreveu a resposta acima revelou sua insegurança ao usar o futuro do pretérito quatro vezes. Ao iniciar com “seria”, escapa de assumir a interpretação com um “É’. E, no último parágrafo, ao empregar novamente “seria”, parece ainda vacilar em assumir uma resposta mais decisiva. Resultado: o que disse mesmo a respeito do significado de “guerra biológica”?    

 

  • Ingênua – Guerra Biológica, significa que haveriam confrontos de varias doenças e virus, ocorrendo desse modo mutações biológicas.

 

Esta resposta é reveladora não apenas de leitura desatenta dos textos e do enunciado da questão, como também de certa falta de malícia do candidato ao focalizar a expressão “guerra biológica” sem relacioná-la com a questão histórica da colonização do Brasil pelos portugueses e do que isso implicou, inclusive em termos de dizimação das populações indígenas pelas doenças. Perdendo esta perspectiva, o candidato investiu apenas na questão biológica, inventando uma resposta completamente divorciada da natureza do texto analisado.

 

  • Equivocada – No texto de Darcy Ribeiro, “guerra biológica”, exprime um significado de que para eles tomar posse, teria que lutar com as doenças existentes, e também com os índios, que para eles também biológicos, porque viviam com os animais.

 

Esta resposta inverte o foco da questão, colocando os portugueses como vítimas de doenças existentes entre os índios, e não o oposto, além de colocar ainda mais equivocadamente a natureza destes. Esses dois equívocos tornaram inteiramente incorreta a resposta.

Nestes três artigos sobre os tipos de respostas, portanto, você deve ter chegado à conclusão de que é preciso muito, muitíssimo cuidado ao redigi-las. Sob este ponto de vista, nada desculpa a distração, o descuido, o mau entendimento do texto e do enunciado das questões. Nos grandes vestibulares do país, o enunciado das questões é elaborado de modo a fornecer ao candidato todas as pistas importantes para obter as respostas. Que deve fazer o candidato para corresponder a esse cuidado dos elaboradores? Ter atenção ao ler e caprichar ao escrever. E muita cautela, principalmente quando achar que a questão é fácil. As questões aparentemente fáceis devem ser lidas tantas vezes quanto as difíceis, porque a suposta facilidade pode resultar de uma falha na primeira leitura. E é muito mais dolorido errar questões fáceis, devido a uma leitura apressada, do que não saber a resposta a questões difíceis. Como reza o ditado, cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém.  

Unesp reconvoca ausentes da prova de habilidades do dia 8

Thursday, December 17th, 2009

            A Unesp e a Fundação Vunesp reconvocam os candidatos que não compareceram à prova de habilidades, aplicada em 8 de dezembro para os cursos de arte-teatro e artes visuais.

           Em virtude dos problemas gerados pelo violento temporal, que prejudicaram o deslocamento da população paulistana na ocasião, os ausentes deverão comparecer, no dia 17 de janeiro, no mesmo local, na Rua Dr. Bento Teobaldo Ferraz, 271 – Barra Funda, em São Paulo. Os portões serão fechados às 9 horas.

            Fica reiterada a convocação desses candidatos para as provas comuns dos dias 20 e 21 de dezembro, para as quais eles já estavam convocados desde o dia 30 de novembro, conforme consulta disponível.

Controle suas respostas, 2

Wednesday, December 16th, 2009

Agora você já sabe, as questões discursivas pedem atenção e cuidado. Saber a resposta certa não basta; é preciso saber transformar em discurso claro e adequado tal resposta.  

            No livro Língua portuguesa no vestibular da Unesp: das perguntas às respostas, publicado pela Vunesp, há uma classificação das respostas fornecidas por candidatos em diferentes vestibulares, de acordo com o grau de eficácia e clareza do discurso. Assim, as respostas são consideradas precisas, suficientes, abundantes, prolixas, complicadas, lacônicas, incompletas, inseguras, ingênuas e equivocadas. Todos estes tipos de respostas são produzidos por fatores, alguns positivos, outros negativos, que intervêm no momento de o candidato ler o enunciado da questão e escrever a resposta:

 

  • precisa – atende cem por cento ao que foi solicitado no enunciado da questão, recebendo a nota integral;
  • suficiente – sem a mesma agilidade de discurso, consegue também atingir esse objetivo, recebendo nota integral;
  • abundante – o candidato acha que deve acrescentar exemplos e explicações, respondendo mais do que foi perguntado e pode receber ou não nota integral, conforme esses elementos abundantes auxiliem ou prejudiquem o entendimento da banca;
  • prolixa – resposta que peca pela falta de economia no discurso; o candidato “solta o verbo” para exibir sua capacidade de responder e a banca tem dificuldade de discernir a resposta correta  no meio desse discurso palavroso;
  • complicada – mistura alhos com bugalhos, parecendo encaminhar-se para a direção correta, mas perdendo-se em virtude do emprego impróprio de palavras, uso inadequado de conectivos, equivocos de regência e quebras de liames sintáticos;
  • lacônica – por sua brevidade excessiva, não consegue veicular completamente a resposta, ou deixa margens para dúvidas, o que implica não obter nota integral;
  • incompleta – omite alguns aspectos, recebendo, por isso menos nota;
  • insegura – o candidato revela sem perceber seus temores de não estar respondendo corretamente (embora às vezes esteja); essa manifestação de insegurança acaba prejudicando a clareza;
  • ingênua – revela, direta ou indiretamente, que o candidato entendeu a questão de modo muito plano, por vezes pessoal, sem ter alcançado o espírito da pergunta;
  • equivocada – o candidato parece ter respondido outra pergunta, e não aquela realmente feita: na resposta complicada o candidato confunde alhos com bugalhos, na equivocada aparecem apenas os bugalhos, de sorte que acaba não obtendo nota;

 

Neste e no próximo texto, você poderá estudar bons exemplos dos tipos de respostas, com base em uma questão de vestibular anterior da Unesp. Na prova de língua portuguesa desse vestibular, a pergunta de número 2 se baseou em um fragmento da Carta de Pero Vaz de Caminha e um fragmento do livro O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro:

 

02. Darcy Ribeiro (1922-) e Pero Vaz de Caminha enfocam os primeiros contatos entre os portugueses e os indígenas brasileiros. No entanto, um dos principais aspectos que ressalta à comparação entre os fragmentos da Carta e do livro O povo brasileiro  é a diferença entre as visões de mundo dos dois escritores, distanciados no tempo por 495 anos. Tomando por base este comentário:

a) Localize uma passagem do texto de Caminha na qual, em meio a expressões de admiração e louvor, se subentende a ideia de conquista do indígena pelo branco civilizado.

b) Explique o significado que adquire no texto de Darcy Ribeiro a expressão “guerra biológica”.

 

A frase solicitada, que responde a primeira parte da pergunta, é “E tudo se passa como eles querem — para os bem amansarmos.”  Pode-se perceber que Pero Vaz se revela europeu civilizado, “superior”, que reduz os indígenas a animais que devem ser “amansados”. Está muito clara aí a ideia da conquista do indígena pelo branco, e a maioria dos candidatos não teve dificuldade com a resposta.

Já a segunda parte pedia uma interpretação, dentro do contexto, da frase “guerra biológica”, usada por Darcy Ribeiro para descrever um dos resultados da convivência do europeu com o indígena a partir do descobrimento.

Observe abaixo quatro diferentes respostas dadas a esta questão, transcritas exatamente como foram dadas pelos candidatos e classificadas como precisas, suficientes, abundantes e prolixas:

 

  • precisa – A “guerra biológica” à qual Darcy Ribeiro se refere diz respeito à pouca resistência dos índios às doenças desconhecidas trazidas pelos europeus. A “guerra” se travaria entre os agentes patogênicos europeus e o sistema imunológico nativo. Com parte da população indígena dizimada pelas pestes, a conquista se tornaria mais fácil.
  • suficiente – Além do significado conotativo, pode-se interpretar a expressão como a luta entre dois tipos de organismos, os índios e os brancos, luta que só terminará com a extinção completa de um dos grupos.
  • abundante – Os índios da época não conheciam doenças, além de coceiras e desvanecimentos por perda momentânea da alma (como diz o autor no texto), por outro lado, os portugueses chegaram trazendo consigo muitas doenças, tais como os índios começariam a contrair essas doenças, consequentemente muitos deles chegando à morte. Portanto além de os próprios portugueses contraírem e adoecerem de tais doenças, os índios os acompanhavam, não por opção.
  • Prolixa – Os colonos (seja português ou qualquer europeu) que vieram para o Brasil na época colonial, trouxeram consigo doenças seculares, que viriam a contribuir para a dizimação do indígena. Tais enfermidades, sendo antigas e muito dizimadas, às vezes não eram tão prejudiciais aos colonos. No entanto, os indígenas (ou nativos), nunca houveram entrado em contato com essas pragas, ao contrário dos europeus, que já eram resistentes a muitas delas. Consequentemente, populações inteiras de nativos padeceram ou morreram.

 

Se você comparar atentamente estas quatro respostas, verificará não apenas a razão da classificação, como também o cuidado que deve tomar para não prejudicar uma resposta que você conhece e com isso perder pontos preciosos. A resposta classificada como precisa deve servir como modelo. O candidato percebeu o espírito da questão e foi direto ao ponto, explicando de modo muito eficiente a metáfora “guerra biológica” empregada no texto de Darcy Ribeiro. Nada mais a acrescentar. Quem corrigiu esta questão precisou ler apenas uma vez. Já a segunda resposta, classificada como suficiente, deixou um pouco a desejar, mas, como abordou todos os aspectos importantes da resposta, recebeu nota integral: o candidato, correndo certo risco, disse exatamente o essencial para que sua resposta fosse considerada correta.

Algo diferente das duas respostas anteriores ocorreu com a terceira, considerada abundante. O candidato disse mais do que seria necessário: quis explicar demais e quase tropeça nas palavras, sugerindo que os índios não tinham doenças, além de “coceiras”, o que não é verdadeiro. Por isso, sua resposta ficou um pouco prejudicada por esse cuidado em explicar demais e não recebeu nota integral. Já a resposta seguinte, considerada prolixa, revela que seu autor acreditava no excesso como método para convencer ou distrair a banca. E se enganou, ao empregar equivocadamente os termos “seculares” e “dizimadas” e não fazer relação com o conceito de “guerra”. Não é um exemplo a ser seguido, mas a ser cuidadosamente evitado.

No próximo texto, com base na mesma pergunta, você verá como a leitura inadequada do enunciado, o descuido no redigir e até mesmo a falta de certa “malícia” podem prejudicar uma resposta. E concluirá que responder questões discursivas não é um ato mecânico, mas um hábito que se adquire com muita dedicação e cujo resultado pode representar a conquista da tão sonhada vaga.  

Controle suas respostas

Monday, December 7th, 2009

            À primeira vista, as questões discursivas não oferecem maior dificuldade quando o candidato conhece as respostas. É só responder, e pronto!

            Cuidado! Nada mais perigoso, num vestibular, após a leitura do enunciado de uma questão, do que a euforia causada pela “certeza” de que se conhece a resposta. E por uma razão muito simples: resposta certa não é a que está na cabeça, mas a que se coloca de fato no papel; e entre a cabeça e o papel podem ocorrer equívocos, deslizes, lapsos que tornam errada uma possível resposta certa.

            Não é preciso explicar muito esse fato no que diz respeito às questões que envolvem disciplinas da área de Exatas. Um dado mal lido, um algarismo trocado, um sinal invertido e tudo desanda. Responder questões de Matemática, Física e Química, por exemplo, é um vigiar-se permanente, é ir e vir o tempo todo do enunciado à resposta e da resposta ao enunciado em busca de cochilos, para se ter certeza, ao final, de que se chegou realmente a uma resposta correta. É cansativo, extenuante, mas não há outro modo de garantir um resultado exato.

            Nas disciplinas das áreas de Ciências Humanas e Linguagens, embora os riscos pareçam diminuir, já que o candidato usará seu próprio discurso para responder, a possibilidade de cometer equívocos é também bastante grande: é muito fácil equivocar-se e transformar uma possível resposta certa em uma resposta parcial ou totalmente errada. Por quê? Vale a  pena repetir o que foi dito no segundo parágrafo: porque resposta certa não é a que está na cabeça, mas a que se coloca de fato no papel, por meio de nosso discurso.

            Quantas vezes, em conversas do dia a dia, em casa ou na escola, você fez determinada afirmação e seu interlocutor entendeu algo diferente do que você queria dizer? Muitas vezes. Fatos como esse são comuns na comunicação oral: achamos que fomos claros e não fomos; julgamos que nosso interlocutor está entendendo tudo e ele não está entendendo nada do que afirmamos. Culpa de quem? Nossa, evidentemente. Se conhecemos um assunto ou um argumento e não conseguimos expressá-lo com eficácia em nossas conversas, a falha é nossa. Pode haver um pouco de responsabilidade de nosso interlocutor, por não entender? Pode, mas é melhor pensar sempre que a maior parte da responsabilidade é nossa: se conseguimos expressar claramente uma ideia, uma opinião, a maioria de nossos interlocutores entenderá.

            Quando se escreve, não é diferente, mas aumenta a nossa responsabilidade. Ao escrever, temos tempo de reler e consertar eventuais equívocos ou lapsos. Quando se trata de vestibular, então, toda a responsabilidade, 100%, recai sobre nós mesmos, pois as pessoas que corrigirão nossa prova são especialistas em analisar respostas discursivas, com experiência suficiente para não cometer qualquer engano de leitura. Ao escrever uma resposta discursiva, deste modo, como no futebol, a bola estará inteiramente com você: você poderá controlar, driblar, fazer uma firula, chutar de esquerda, de direita, de bico, “de trivela”, “de letra”, “de puxeta”, “de bicicleta”, de cabeça e até de barriga, que vale, mas se ajeitar com a mão, como fez o atacante francês no último jogo da seleção de seu país, pode ter certeza de que o árbitro não falhará, pois não terá apenas uma fração de segundo para decidir, como o do jogo entre França e Irlanda, mas poderá ler e reler sua resposta para confirmar o lapso cometido ou a manobra equivocada.

            Tudo bem, dirá você, isso eu já sei, meus professores vêm falando e repetindo tudo desde a primeira série do ensino médio. Preciso de exemplos claros para me orientarem a aperfeiçoar minhas respostas discursivas!

            Tem toda a razão. É isso o que faremos a partir de agora, em textos que iremos postando. Podemos encerrar o de hoje dizendo que as respostas discursivas não pertencem apenas a duas categorias — certas e erradas. Entre esses polos do absolutamente certo e do absolutamente errado podem ocorrer respostas que deixam a desejar: o candidato não conseguiu utilizar o discurso adequado para expressar o que sabia e, por isso, deixou de receber a nota integral.

            Responder questões discursivas, deste modo, não é tão simples quanto parece, mas constitui uma tarefa que requer o máximo de atenção: o candidato tem de demonstrar à banca de correção, por meio do discurso, que entendeu o enunciado e encontrou a resposta adequada. O problema é que há diferentes caminhos para cumprir essa tarefa, que podem levar a diferentes respostas, nem todas merecedoras de nota integral. No livro Língua Portuguesa no vestibular da Unesp: das perguntas às respostas, publicado pela Fundação Vunesp, se estabelecem os seguintes tipos de respostas, com base na análise de exames vestibulares: precisas, suficientes, abundantes, prolixas, complicadas, lacônicas, incompletas, inseguras, ingênuas, equivocadas, desestruturadas. Em termos de atribuição de nota, esses tipos vão da nota integral (respostas precisas) à nota mínima possível (respostas desestruturadas).

            Valerá a pena conferir, pois essas informações aumentarão em muito suas possibilidades de responder de forma adequada, sem perder pontos preciosos por uma distração, um descuido ou, mesmo, por imaginar que a banca, na correção, preencherá os vazios ou eliminará os excessos de suas respostas.   

Passei… Não passei… E agora?

Wednesday, December 2nd, 2009

            Terminada a primeira fase dos grandes vestibulares nacionais, ingressam os candidatos num campo neutro, espécie de retiro para pensar e meditar. Os que passaram na primeira fase festejam; os que não passaram se lamentam. Mas todos sabem que é preciso ir além do festejar e do lamentar-se.

            Realmente, aqueles que passaram na primeira fase não podem ficar pensando que o caminho ficou mais fácil. Não ficou. Se na primeira fase conseguiram manter-se na disputa, vendo que a maioria foi eliminada, na segunda encontrarão um número muitíssimo mais reduzido de candidatos, mas também muitíssimo mais preparados. A pedreira diminuiu em tamanho e aumentou em resistência. Na melhor das hipóteses, os demais candidatos terão o mesmo nível de preparo; na pior, estarão bem mais preparados; numa hipótese intermediária, haverá alguns mais preparados e outros menos. Solução: não piscar o olho e mandar ver na revisão da matéria, particularmente daqueles pontos em que se tem maior dificuldade.

            Neste sentido, a primeira fase pode servir de critério: em que partes das diferentes disciplinas você cometeu mais erros ou revelou maior dificuldade para acertar? É aí que deve começar a revisão, para eliminar ou, pelo menos, tornar menores as deficiências. Sob este aspecto, vale um conselho ou lembrete: muitos candidatos costumam demonstrar simpatia por certas disciplinas ou por certos setores de disciplinas e alimentam alguma ojeriza por outras ou outros, de modo que dão maior atenção, ao estudarem, àquilo de que mais gostam. Não é uma atitude muito aconselhável. Se Aquiles é inatingível, exceto no calcanhar, que parte do corpo deve mais proteger? É preciso, assim, inverter essa polaridade e tentar melhorar nosso conhecimento justamente em nosso calcanhar de Aquiles. O resto do nosso corpo de conhecimentos já tem sua resistência provada.

            Resumindo: a aprovação na segunda fase é uma operação de pente fino: um fio de cabelo pode ser a diferença entre a conquista ou a perda de uma vaga. Um pequeno avanço, em termos de revisão, em um setor de disciplina em que temos dificuldades pode trazer aquele pontinho que fará a diferença.

            E se você não passou, mesmo tendo um resultado razoável na primeira fase? Lamentar-se é um sentimento perfeitamente justificável, mas não vale a pena prolongá-lo muito. Deve ser logo substituído por uma atitude positiva: o que faltou fazer para passar? A resposta tem de ser objetiva e realista: nada de culpar o sistema, a escola, o professor X, a disciplina Y, o mundo, a vida, o destino ou qualquer divindade por não tê-lo ajudado. Vale aqui, como no caso de quem passou, escanear seu desempenho na primeira fase e avaliar com frieza: em que ponto ou pontos as perguntas da primeira fase, como setas dos troianos, conseguiram atingir seu calcanhar de Aquiles? Diferentemente do calcanhar da personagem mitológica, o calcanhar do vestibulando pode aumentar ou diminuir de tamanho, segundo a sequência de seus esforços por aprender. É esse o caminho a seguir.

            Por outro lado, aquele que não passa na primeira fase e mesmo aquele que não passa na segunda fase devem ter em mente que cada vestibular é como uma batalha e que uma derrota não significa que a guerra está perdida. A verdadeira guerra que travamos para ser bem sucedidos na vida, no trabalho e no estudo é composta de muitas batalhas, algumas que perdemos e outras que vencemos, enquanto a guerra continua. A questão é não desanimar, quando perdemos uma batalha, nem de nos crermos invencíveis, quando ganhamos outra, mas procurar sempre aprender com nossas derrotas e nossas vitórias, para que estas se tornem cada vez mais numerosas.

            Ao estudarmos biografias de grandes homens de todos os tempos, aprendemos uma valiosa lição: os maiores vencedores de hoje foram muitas vezes perdedores no passado, mas, com persistência, com determinação, com obstinação, com teimosia, jamais desanimaram, porque sempre acreditaram em si mesmos e em sua capacidade de atingir os objetivos que fixaram. E porque, para eles, não existiam objetivos inatingíveis, mas objetivos ainda não atingidos.