Arquivo de 24 de novembro de 2009

Qualidades das Respostas a Questões Discursivas

terça-feira, 24 de novembro de 2009

4 – OBJETIVIDADE

            Objetividade e propriedade praticamente se reduzem a uma só característica, embora se diferenciem pelo alcance de sua ação: a propriedade, como já vimos, diz respeito ao uso de vocábulos, ou seja, à relação entre os vocábulos e os significados atualizados no texto. A objetividade diz respeito ao significado das frases e da montagem das frases no texto como um todo.

            Assim como no caso da propriedade, a objetividade, no domínio da escrita, tem duas faces: é preciso ser objetivo tanto no ler, quanto no escrever. Este princípio, em exames vestibulares, é vital. Ler muito apressadamente uma questão ou deixar-se levar nessa leitura por meras impressões pessoais, subjetivas, pode levar a um entendimento errado do que se pede e a respostas erradas. Ser objetivo quer dizer examinar atentamente um objeto, medi-lo, avaliá-lo. Ser objetivo na leitura é examinar atentamente uma questão, lê-la, relê-la, avaliar com o máximo de precisão o que está sendo perguntado. Isto feito, à objetividade da leitura se seguirá naturalmente a objetividade da resposta.

            Um antigo professor universitário e pesquisador paranaense, Mansur Guérios, costumava surpreender seus alunos de Letras do primeiro ano, permitindo que consultassem livros, dicionários, apostilas, anotações, durante as provas. Lembrava apenas que as perguntas tinham de ser lidas e interpretadas objetivamente e que as respostas tinham de levar em conta essa interpretação. Os novatos, ao fazer a primeira prova, chegavam felizes, imaginando que ia ser “moleza”. E de repente topavam com uma pergunta como:

 

Quantas vogais existem no ditongo mau?

 

            Uns respondiam: uma vogal apenas, o “a”; outros, menos estudiosos, sacavam: duas vogais, o “a” e o “u”; outros, julgando-se mais espertinhos: uma vogal, o “a”, e uma semivogal, o “u”. E todos erravam, porque tinham de perceber antes que havia um problema na pergunta: “mau” não é um ditongo, é um vocábulo. Sem “sacar” essa “pegadinha”, qualquer resposta seria errada. O mestre queria que seus discípulos, que seriam futuros professores, aprendessem a ser objetivos na leitura para ser objetivos nas respostas. Quando faziam a primeira prova, seus alunos geralmente tiravam notas baixas e passavam a falar mal do mestre. Mas, com o passar do tempo, percebendo que se tornavam bem mais objetivos no ler e no escrever, passavam a agradecer-lhe pela lição recebida.  

            Lições como a do professor Mansur Guérios são muito úteis. Ao espalhar armadilhas e alçapões em suas perguntas de prova, ensinou a gerações e gerações de professores de português e literatura a difícil, mas necessária, postura de objetividade que se deve ter ao ler e ao escrever.

            Conclusão: não se pode responder uma pergunta com base em leitura superficial, apressada, principalmente quando essa primeira leitura nos diz que se trata de uma pergunta fácil. Cuidado! A facilidade pode ser ilusória. Os exames vestibulares das melhores universidades não apresentam “pegadinhas”, mas nem por isso as questões devem ser lidas descuidadamente. A melhor estratégia é pensar que toda pergunta, por mais fácil que seja, pode ter uma pontinha de dificuldade, razão por que lê-la pelo menos duas vezes com muita atenção é o melhor caminho para não errar.