Arquivo de 23 de setembro de 2009

Novas dicas para uma boa redação

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Na semana passada, você recebeu cinco dicas para a prova de redação. Observe agora as outras cinco, igualmente importantes.

6 – Como ficou claro na dica de número 5, dissertar não é expor o “eu”, mas apresentar argumentos em defesa de uma opinião. Então reflita: numa dissertação, o “eu” não se exibe, exibe-se uma argumentação. “Exibir-se”, porém, neste caso, não é vestir o texto como um candidato a concurso de fantasias no Carnaval. Um leitor do Blog mencionou este fato, que é vital nas redações dissertativas: o discurso da dissertação tem de ser simples, claro e eficiente. Nada de empregar vocábulos raros e pomposos apenas para exibir domínio de vocabulário; nada de assumir afirmações inflexíveis em tom de grande especialista na matéria, mas tão somente desenvolver uma argumentação para justificar o ponto de vista assumido. Quando dissertamos, o objetivo é um só: demonstrar a viabilidade da opinião que manifestamos. Discursos ornamentados, cheios de vocábulos raros e difíceis e de atitudes de alto conhecimento acabam por perturbar a argumentação e produzir o pior defeito em termos de redação, que é o da prolixidade, ou seja, o emprego de um discurso complicado, cheio de belas palavras, para não dizer nada.

 7 – Rascunho é um instrumento muito útil. Em alguns concursos, sugere-se que os candidatos evitem fazer rascunho, para não perder tempo. Na verdade, este conselho não é dos melhores. O rascunho é instrumento muito útil para qualquer tipo de texto. Por quê? Porque é da própria natureza do ato de escrever fazer mais de uma versão até atingir a versão considerada definitiva. No caso do exame vestibular, a premência do tempo pode impedir o candidato de fazer o rascunho. Neste caso, deve pensar com cuidado e escrever com atenção. Entretanto, se o candidato resolver as questões sem perder muito tempo, será bastante aconselhável que faça um rascunho, no local designado. Esse rascunho poderá receber uma nova leitura para corrigir eventuais erros, eliminar repetições ou para acrescentar passagens novas. Assim, quando passada a limpo, a redação apresentará maior consistência e estará livre dos lapsos que normalmente qualquer escritor comete na primeira redação de seus textos.

 8 – Quando estiver escrevendo, ocupe-se apenas em argumentar para demonstrar seu ponto de vista. Não se preocupe se a Banca tem ou não a mesma opinião. Isso não interessa. A Banca não julgará sua opinião, mas apenas sua capacidadade de apresentar uma opinião por meio de um discurso coeso e coerente. Num tema de redação como, por exemplo, “A pena de morte”, a Banca não julgará se você se manifesta contra ou a favor, mas se, assumindo uma posição, é capaz de apresentá-la competentemente em língua portuguesa culta contemporânea. Para simplificar: não pense na Banca ao escrever, pense que está escrevendo para demonstrar sua opinião a qualquer leitor.   

 9 – Não esqueça: um texto é um todo completo e fechado, dotado de um sentido completo e fechado. É isso o que querem dizer seus professores ao ensinar que um texto tem de ter começo, meio e fim, ou seja, introdução, desenvolvimento e conclusão. A introdução é importante, pois é o modo como você vai colocar sua opinião; o desenvolvimento ou corpo da redação é importante, porque nele você tentará apresentar os argumentos favoráveis ao seu ponto de vista; a conclusão é a laçada final, o fecho, o remate.

 10 – E agora a mais importante de todas as dicas: se pode escrever bem sobre um assunto que se conhece bem. Parece uma obviedade, mas não é. Se você detesta futebol e nunca quis saber nada sobre futebol, não poderá escrever uma redação para demonstrar que tem conhecimento sobre futebol, porque não tem. Poderá até escrever uma redação demonstrando que odeia futebol, mas, se não for esse o tema solicitado no exame, sua redação será recusada. Por isso, seus professores recomendam sempre que leia, que seja leitor habitual de livros, jornais, revistas. Quem lê habitualmente reforça o que já sabe e ganha novos conhecimentos. Assim, se um candidato verifica que os vestibulares da Unesp sempre pedem para a redação temas do cotidiano, do conhecimento dos estudantes dos ensinos fundamental e médio, deve preparar-se para isso, procurando ler mais sobre esses temas em jornais e revistas, bem como na internet, que é um verdadeiro banco de dados sobre qualquer assunto.

 Releia as dez dicas e tente descobrir em que aspectos você pode melhorar seu desempenho. E, sobretudo, tenha sempre em mente que escrever é um hábito: escreva habitualmente, imagine temas possíveis ou verifique temas apresentados em exames vestibulares e faça redações. Um bom escritor não é aquele que tira misteriosamente de sua cabeça belas redações, mas aquele que, por praticar habitualmente, é capaz de escrever cada vez mais belas redações.

Pratique sempre. E não esqueça: seu bom desempenho no vestibular não acontecerá por acaso, mas por seu esforço pessoal de aprender e determinação de ampliar suas competências.