Arquivo de 2 de setembro de 2009

Melhorar, sempre

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Em muitas mensagens que recebemos, ficamos felizes com o reconhecimento da qualidade dos exames vestibulares da Unesp. É sempre bom sentir o apoio de estudantes e de professores ao trabalho que fazemos. Mas justamente nesse ponto podem surgir dúvidas como: se os exames são bons, por que mudar? não é perigoso mudar?

Vamos tentar equacionar essas questões. O objetivo da Unesp, ao mudar a concepção de seus exames, que sempre foram reconhecidos como de boa qualidade, é exatamente o de melhorar ainda mais essa qualidade de avaliação. A Unesp adotou, nessa concepção, os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio e a Proposta Curricular do Estado de São Paulo para o Ensino Médio, importantes documentos de base  para o aperfeiçoamento da educação em nosso país, já que colocam, acertadamente, a Educação como um processo global, unificado, que não se destina a tornar uma pessoa versada nisto ou naquilo especificamente, mas formar o cidadão, o homem integral, o indivíduo que não se volta apenas para si mesmo, mas se sente participante ativo da sociedade em que se insere e do mundo em que vive. Isso vale para a formação no Ensino Médio e vale para a formação no Ensino Superior.

Nesse sentido, o melhor engenheiro não será o estudante que revela saber mais matemática ou física, mas aquele que revela uma formação integral, que se mostra um indivíduo não apenas capaz no que faz, mas capaz de integrar-se ao que outros fazem e a compreender aquilo que outros fazem, ou seja, capaz de ver a dimensão do homem, do humano, nas tarefas mais simples, mais técnicas, mais corriqueiras. Isso vale para todas as profissões. A educação moderna vem revelando a grande importância da multidisciplinaridade e da interdisciplinaridade em todos os níveis do ensino, para formar um novo homem, mais atento a tudo o que o cerca e, por isso, mais capaz de interagir para buscarmos um mundo melhor.  

Deste modo, as mudanças na concepção dos exames vestibulares respondem às mudanças na concepção da própria educação. E a tônica deste processo é esta: é preciso aperfeiçoar sempre: o regular tem de tornar-se bom e o bom tem de tornar-se cada vez melhor.