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Curso universitário é muito necessário?

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Você por certo já se fez a pergunta que serve de título a este artigo. O Blogueiro, só para ilustrar, dividiu tal título em dois versos rimados de seis sílabas, chamados hexassílabos ou também heroicos quebrados, pelo fato de os poetas por vezes os usarem combinados com os decassílabos heroicos, variantes mais empregadas dos versos de dez sílabas. Pois é. Você algumas vezes deve ter pensado ou até perguntado a um colega ou professor: Afinal, é tão necessário assim fazer curso universitário? E se eu não fizer? Muita gente não faz e tem sucesso na vida do mesmo jeito.

A dúvida é perfeitamente cabível, em primeiro lugar pelo simples fato de as universidades públicas e privadas em nosso país ainda não terem vagas suficientes para acolher todos os estudantes. Em segundo, porque muitos estudantes decidem não fazer curso universitário e partem para o trabalho direto, por escolha ou por necessidade. E daí? Quer dizer que estão fracassando na vida, por não poder ou não querer ser aprovados em vestibulares e seguir um curso superior? Nada disso. O problema tem de ser analisado sob outra ótica. Evidentemente, as universidades formam profissionais de alto nível para competir no mercado de trabalho de alto nível. Não há dúvida.  As pessoas mais velhas costumam dizer aos jovens que é importantíssimo fazer curso universitário. E é. Aqueles que não fazem, seja por que motivo seja, têm de conduzir suas vidas a um mercado de trabalho diverso.

É preciso dizer, contudo, que é muito importante chegarem os estudantes pelo menos ao final do ensino médio, para que tenham uma formação razoável, que facilitará suas atividades no trabalho, qualquer que seja este. Convém, neste sentido, enfatizar que não há nenhum demérito em arranjar emprego que não requer ensino superior. Nem demérito, nem tampouco derrota. Pode ocorrer, – e muitas vezes ocorre, – que o indivíduo se dê muito bem em determinada atividade e alcance um grande sucesso, até mesmo enriquecendo. O Blogueiro pode dar um exemplo real a respeito: certo garoto, que ele conheceu, não era lá de estudar muito, quebrava o galho na escola, como se diz popularmente. Os pais, de classe média, faziam de tudo para que estudasse mais e ingressasse num curso universitário. O garoto, porém, não dava grandes sinais de convencimento. Até chegou a fazer vestibular, conseguiu vaga em um curso de administração de uma universidade pública, mas acabou desistindo no meio do primeiro ano, por achar que era muito difícil. Os amigos e parentes criticaram. Os pais ficaram muito preocupados, ainda mais porque o garoto ficou no ostracismo, no fazer nada. Depois de um ano, de repente, disse aos pais que queria ir a um país estrangeiro para trabalhar como pedreiro, porque o salário era razoável e tinha amigos que já faziam aquilo. Meio sem jeito, os pais financiaram a passagem e lá se foi o garotão. Todos os familiares diziam que iria fracassar. Trabalhou duro por quase um ano como pedreiro, depois arranjou um emprego como garçom de uma rede de restaurantes. Deu-se tão bem nesse trabalho, que acabou sendo promovido a cargos mais altos, inclusive para ministrar cursos a novatos. E do jeito que vai, parece que encontrou o que procurava e vai ter bom sucesso em suas atividades.

O Blogueiro está, com esse exemplo, querendo fazer propaganda contra o curso superior? Nada disso. Muito pelo contrário. Voltando ao título: Curso universitário é muito necessário? É, sim, é o mais indicado para os jovens. O País precisa muito de profissionais formados por universidades, para o seu desenvolvimento cada vez maior. Mas é necessário ter bom senso para compreender adequadamente que nem todas as atividades num país são de profissionais formados por universidades. E muito mais bom senso ainda para entender que o importante é o trabalho em si mesmo, seja de que nível for. Uma nação em progresso permanente é uma nação de trabalhadores, de pessoas que lutam pelos seus ideais, pelas suas famílias e, fazendo isso, lutam também pela própria coletividade. Pense nisso.

 

 

Você sabe mesmo ler?

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Você pode até pensar que esta é uma pergunta um tanto irônica que lhe faz o Blogueiro. Não é. É séria. Considere-a um alerta para pequenos problemas que você pode ter ao fazer suas provas. É claro que você aprendeu a ler e escrever há muito tempo, como todos os que prestam exames vestibulares. Mas também é claro que pode ter adquirido certos vícios de leitura que costumam ser muito prejudiciais. Um deles é a projeção, vale dizer, a impressão de que uma palavra ou expressão está escrita no texto, quando se trata apenas de um engano de leitura. Muitas vezes, ao lermos, contentamo-nos com a primeira ou as primeiras sílabas de uma palavra deixando que nossa imaginação complete o resto. Erradamente. Somos até capazes de jurar que a palavra estava escrita, quando, de fato, não estava. Por exemplo, no texto aparece a palavra eloquência e nós lemos enlouquecia. Terrível engano, não é? Pode inutilizar uma resposta inteira, em prova discursiva, ou levar a entender erradamente o enunciado de uma prova objetiva. O Blogueiro lembra de uma prova de redação anulada, porque o candidato cometeu esse tipo de erro, que alterou completamente o tema proposto. Outro exemplo: no texto está escrito dispersadas e nós lemos dispensadas. E assim outros tantos enganos que podem nos levar a erros graves de interpretação de questões.

Além de lapsos de leitura como os acima comentados, podemos cometer outros, principalmente quando as questões são baseadas em textos. Nestes casos, é imprescindível a leitura atenta dos textos e a comparação dos enunciados das questões com as passagens correspondentes desses textos. Essa comparação atenta é fundamental para atingir a resposta adequada. Qualquer distração, tanto na leitura dos textos, quanto na dos enunciados pode nos conduzir a uma interpretação completamente equivocada. Os enunciados, de fato, contêm pistas sobre a resposta adequada, e é em busca dessas pistas que podemos fazer o caminho correto. Não esqueça, portanto, de que há uma estreita associação entre textos e enunciados.

Nas provas objetivas, as bancas costumam explorar essa associação, criando alternativas muito parecidas, das quais apenas uma é a correta. Por isso, é preciso comparar com todo o cuidado essas alternativas com o que dizem os textos. Por vezes uma só palavra não correspondente basta para nos conduzir a escolher a alternativa incorreta.

Compreendeu? Não devemos ter pressa na leitura dos textos e dos enunciados. Com atenção e cuidado, acabamos descobrindo o real objetivo da pergunta. Você pode até desenvolver uma técnica pessoal para fazer essa leitura. Pense nisso.

 

Alea jacta est? Nem tanto!

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Se você gosta de empregar expressões e frases latinas, por certo conhece a que serve de título a este artigo: Alea jacta est. E é claro que sabe também a tradução: os dados estão lançados, ou, traduzindo a metáfora, a sorte está lançada. Consta que esta frase foi empregada por Júlio César, ao atravessar o rio Rubicão, que marcava a fronteira entre a Gália Cisalpina, em que estavam as legiões de César, e o território da Itália, sede do poder do império. Atravessar este rio com soldados em direção a Roma, segundo as leis da época, equivalia a desafiar o poder constituído. E Júlio César estava justamente com essa intenção. Com a frase mencionada, portanto, e o ato da travessia, César colocava, de modo prático e também simbólico, seu desafio. O grande general romano, de acordo com a História, acabou conquistando o poder, escudado em suas legiões. Alea jacta est, portanto, tinha este significado para César: meu destino é desafiar o império e conquistá-lo.

Os candidatos que, como você, conhecem esta frase e o que ela simboliza costumam empregá-la tão logo terminam de prestar seus exames: “Bom, fiz o que podia, alea jacta est”. Na verdade, porém, este emprego não é lá muito adequado, já porque o vestibular não é, propriamente, um desafio, já porque o candidato não vê a universidade como um inimigo a conquistar, já porque um vestibular não é uma guerra, mas uma tentativa de comprovação de competência para obter uma vaga no curso escolhido.

A universidade, neste sentido, não é um alvo a ser abatido e conquistado, mas, simplesmente, mais um degrau a ser galgado na vida do estudante. Não é o poder a derrotar, mas um lugar de acolhida, de recepção e preparação para atuar num campo profissional, talvez até pelo resto de sua vida. Não se trata, por isso, nem de sorte, nem de acaso, mas de comprovação de competência para ser recebido (observe o parentesco entre prova e comprovar).

Por que o Blogueiro está fazendo este comentário todo? Em primeiro lugar, para deixar você mais tranquilo com relação a seus exames: não há nada de sobrenatural neles, são meros exames. Em segundo lugar, para alertá-lo sobre o emprego de locuções, expressões e frases latinas. Fica bonitinho, de fato, usá-las em nossos textos, parece que demonstram intelectualidade, grande conhecimento. Parece, mas não necessariamente. O latim, língua da qual descende o português, não mais faz parte do currículo dos ensinos fundamental e médio, o que é uma lástima. Alguns professores, para enfatizar o parentesco, afirmam que o português é o latim do século XXI (assim como o francês, o espanhol, o italiano, o romeno, todas estas línguas resultantes da modificação do latim nas respectivas regiões). Ora, não sendo mais lecionado no ensino básico, nossos estudantes só têm acesso a ele por meio de dicionários especializados ou pela verificação do uso em textos de jornais, revistas e outros. Apenas quem estuda Letras ou Direito recebe hoje algum ensino de latim.

Deste modo, se você gosta de entender e empregar expressões latinas, deve tomar muito cuidado para fazê-lo adequadamente, sem possibilidade de uso equivocado, que só poderá atrapalhar ou até atravancar seu texto. É bom, por isso, estudar com atenção a escrita correta, o significado e a procedência do emprego dessas expressões. Deste modo, poderá enriquecer seu texto com, por exemplo, mutatis mutandis (= mudando o que deve ser mudado), Amicus Plato, sed magis amica  veritas (=Platão é amigo, porém mais amiga é a verdade; Sou amigo de Platão, mas sou mais amigo da verdade), a priori (= antecipadamente, antes de argumentar, sem anterior conhecimento), ad libitum (= à escolha, à vontade), ad litteram (= à letra, ao pé da letra, literalmente, conforme o texto), habeas corpus (= que tenhas o corpo), in totum (= por inteiro, inteiramente, no todo, abrangendo tudo), etc., etc.

Percebeu? É interessante, para seu texto, empregar locuções, expressões, frases latinas, como também provérbios? Pode até ser. Mas é preciso fazê-lo com o máximo possível de conhecimento sobre os significados e sobre a pertinência desse emprego no contexto de sua redação. E bem assim o mesmo com relação a outros idiomas.

No momento de lançar os dados, portanto, mesmo sem ser um César, verifique se os utiliza do modo mais adequado possível para obter os pontos necessários. Caso contrário, é melhor não arriscar, fique apenas com o português.

 

Vestibulares, “desconfiômetro” e “adivinhômetro”

quinta-feira, 7 de junho de 2018

O Blogueiro está iniciando este artigo com a criação de um neologismo, isto é, de uma palavra não existente no vocabulário da língua portuguesa. E faz isso baseado em outras criações que não são dele, como, por exemplo, desconfiômetro, que já é relativamente frequente, pelo menos no português oral brasileiro, a ponto de estar contemplado no Dicionário Aurélio. Quando dizemos Fulano não tem desconfiômetro, queremos significar que Fulano não é capaz de avaliar devidamente algo de errado, inoportuno, inconveniente ou até desastrado que fez ou que disse. É como se algumas pessoas não tivessem um dispositivo mental para evitar enganos ou tropeços. O povo, com sua eterna capacidade de debochar, acaba dizendo que, nesses casos, Fulano não tomou semancol, vale dizer, não foi capaz de perceber sua inconveniência. Semancol, metaforicamente, seria um remédio para evitar o problema. No Aurélio, “mancar-se” tem entre suas acepções justamente a de perceber que foi inoportuno, inconveniente.

Pois é. Então o que o Blogueiro quer dizer com adivinhômetro? Não é difícil de entender. É como se houvesse um aparelhinho capaz de fazer adivinhações. Por que o Blogueiro se deu ao trabalho de criar esse neologismo referido a vestibulares? Só por brincadeira? Nada disso. Para chamar atenção sobre tentativas de adivinhar questões que poderão cair neste ou naquele vestibular. Alguns sites costumam tentar prever questões que podem surgir nos vestibulares de uma universidade, simplesmente abordando os últimos exames. Baseados na frequência de questões sobre determinados assuntos, tentam apresentar aos estudantes dicas a respeito. Isso é feito até para vestibulares da Unesp.

São úteis tais previsões? Podem ser, não resta dúvida. Todavia, não podem ser considerados uma panaceia, vale dizer, um aconselhamento que renda 100% de acertos. Panaceia tem entre seus sentidos o de remédio para todos os males. Isso não existe, nem mesmo para vestibulares. Não deixa de ser útil saber quais temas foram abordados nas propostas de redações nos últimos exames desta ou daquela universidade, ou quais conteúdos mais fornecem questões em cada disciplina. Útil, neste caso, não significa certeza absoluta. Pode significar até o oposto. As bancas elaboradoras de vestibulares das universidades públicas são formadas por profissionais com toda a competência para variar os conteúdos de vestibular a vestibular. Se você acreditar demais nas previsões, poderá, como costuma dizer o povo, até cair do cavalo, pois, muitas vezes, o que é esperado não se confirma e o que não é esperado aparece. As bancas sabem exatamente o que perguntar para avaliar a capacidade e o preparo dos candidatos.

O método fundamental só pode ser, portanto, procurar abranger todos os conteúdos em sua preparação para as provas. Informações complementares, ao longo dessa preparação, serão bem-vindas, mas não a ponto de se tornarem o principal objetivo dos estudos. Estudar só o que é possível cair nas provas é acreditar em milagres. O melhor e mais seguro para você é acreditar na extensão de seus estudos e na sua competência para encarar questões inesperadas. No caso da redação, por exemplo, de nada vale conhecer antecipadamente o tema, se o candidato não escreve adequadamente. É melhor aperfeiçoar sua capacidade de redigir do que ficar tentando adivinhar o tema.

Valeu? Então tenha desconfiômetro suficiente para não acreditar demais em adivinhômetros. Até hoje, ao que o Blogueiro saiba, não nasceu nenhum vidente capaz de antecipar todas as questões dos vestibulares, bem como o tema da redação. Tome Semancol.

 

Sinônimos, devo usá-los?

terça-feira, 5 de junho de 2018

Desde os primeiros anos do ensino básico nossos professores nos ensinaram a empregar sinônimos. Fizemos exercícios e exercícios com eles, sem saber exatamente para quê.  Linguistas, hoje, porém, costumam nos dizer que sinônimos não existem, que aqueles vocábulos que consideramos como tais na verdade não têm exatamente o mesmo sentido. Deste modo, a existência de sinônimos seria uma espécie de ilusão: julgamos que certos vocábulos têm o mesmo significado, mas, de fato, não têm.

É claro que os linguistas estão certos. É muito fácil, até, demonstrar que os vocábulos considerados sinônimos na realidade são apenas parecidos em maior ou menor grau pelos significados. E daí? Quer dizer então que nossos professores e os estudiosos antigos estavam errados? Ensinaram errado? A verdade não é bem essa. O fato de vocábulos considerados sinônimos não terem o mesmo sentido apenas significa que palavras diferentes não têm sentido igual. Não igual, porém, neste caso, não quer dizer absolutamente diferente. Bonito, lindo, belo, realmente não apresentam o mesmo significado, mas estão semanticamente muito próximos, a ponto de, em determinados casos, poderem ser trocados, sem que haja diferença muito relevante para o conteúdo da frase em que se inserem. Podemos dizer, por exemplo, frases como Bonita moça! ou Linda moça! ou Bela moça, com os vocábulos bonita, linda, bela muito próximos pelo sentido. Já não seria a mesma coisa em frases como Maravilhosa moça! em que a ideia ainda é de “beleza”, embora o significado represente um grau maior dessa beleza do que em bela, linda ou bonita. São diferenças como essa que se devem perceber em séries de vocábulos como bonita, linda, bela, formosa, pulcra, maravilhosa, encantadora.

Se você entendeu bem os comentários acima, deve ter percebido que os manuais escolares de língua portuguesa, quando solicitam mudar uma palavra por seu sinônimo, estão somente solicitando a troca de uma palavra por outra que tenha o significado mais próximo possível. Um exercício, por exemplo, para substituir casa por um sinônimo vai revelar toda uma série de vocábulos: casa, residência, morada, domicílio, lar, moradia, habitação. Apesar das diferenças relevantes de significados desses vocábulos, sempre é possível encontrar contextos onde possam substituir-se sem grande prejuízo para o significado global da frase. Ao contrário, muitas vezes, a troca de uma palavra por outra pode fazer bem à frase.

Agora você mesmo pode responder à questão formulada como título, dizendo que é lícito, sim, empregar sinônimos, desde que ciente dos fatos acima comentados. E que o emprego de sinônimos contribui bastante para o enriquecimento de seu vocabulário, além fazer com que você desenvolva um discurso cada vez mais variado e expressivo. Numa revisão do rascunho de sua redação experimente trocar algumas palavras por seus sinônimos. Pode ser extremamente vantajoso para o texto. Faça disso um modo de tornar mais eficiente sua expressão e argumentação.

Que concluir de todos estes comentários? Simples. Sinônimos existem, sim, não pela igualdade de sentido, mas pela semelhança e possibilidade de trocas  com maior ou menor dose de efeitos. Use e abuse.

 

Você não pode escrever isso!

terça-feira, 22 de maio de 2018

Ultrapassada a primeira fase, com méritos, diga-se de passagem, agora você tem de enfrentar a segunda, que lhe dará a classificação para a vaga pretendida.

Se as primeiras provas se resumiram a ler perguntas e marcar respostas, as que vêm agora vão solicitar bem mais: ler e responder com seu próprio discurso. Uma pessoa do povo diria, neste caso, agora é que a porca torce o rabo. É uma metáfora que espelha a pura verdade. Ao usar seu discurso nas respostas e na redação, as possibilidades de erro aumentam bastante, não apenas em encontrar as soluções adequadas, mas também, particularmente, no que se refere a seu domínio do idioma, que estará em julgamento. O problema se agrava pelo fato de, embora aparentemente independentes, esses dois aspectos poderem interferir em seu discurso, propiciando erros inesperados.

Em alguns eventos a que o Blogueiro assistiu neste ano, deparou-se com escorregões de discurso lamentáveis. Apesar de flagrados no discurso oral de debatedores e entrevistados, tais deslizes podem passar para o texto escrito, e justamente nele causam perturbações que as bancas de correção detectam e punem com descontos de nota. Você deve, por isso, precaver-se. Vamos examinar alguns desses infelizes deslizes (a rima vem bem a propósito para alertá-lo).

O verbo ser tem no modo subjuntivo a forma seja (seja, sejas, seja, sejamos, sejais, sejam). Muita gente boa, porém, no discurso oral, carrega o vício de dizer seje, como por exemplo em: Espero que ele seje mais disciplinado. Esse erro está grassando como epidemia, hoje, em entrevistas e debates. Passa quase despercebido. Mas não passará despercebido numa entrevista para obtenção de emprego, e muito menos em respostas discursivas e redações de concursos em geral e de vestibulares. Tome cuidado e escreva sempre: Espero que ele seja mais disciplinado.

Problema semelhante ocorre com o subjuntivo de querer: queira, queiras, queira, queiramos, queirais, queiram. Não é raro ouvirmos pessoas na mídia dizerem: Não acho que ele quera fazer isso. Horrível na oralidade, esse cochilo torna-se ainda pior no discurso escrito. Cuidado, pois. E assim também com o verbo deixar, que não se deve pronunciar dexar. O presente do indicativo desse verbo é deixo, deixa, deixas, deixamos, deixais, deixam. E o subjuntivo: deixe, deixes, deixe, deixemos, deixeis, deixem. Portanto, nada de dizer eu dexo, que eu dexe. E muito menos escrever.

Mais comum que o anterior é a forma errada aleja usada em lugar da correta aleija. E mais comum ainda a forma verbal robo em vez de roubo. Note que o verbo é roubar, que no presente do modo indicativo é roubo, roubas, rouba, roubamos, roubais, roubam. No modo subjuntivo é roube, roubes, roube, roubemos, roubeis, roubem. Os professores, desde o ensino fundamental, lutam com toda a sua força argumentativa para evitar que os alunos digam Eu robo. Espero que ele não me robe. Apesar disso, alguns estudantes teimam em pronunciar erradamente e correm o sério risco de transportar tal erro para o discurso escrito.

Assim também é muito comum na oralidade pronunciar, equivocadamente, popar, popo, popança, em vez das formas corretas poupar, poupo, poupança. Não esqueça que o presente do modo indicativo de poupar é poupo, poupas, poupa, poupamos, poupais, poupam. E no subjuntivo: poupe, poupes, poupe, poupemos, poupeis, poupem.

Os exemplos desses escorregões verbais são numerosos e encheriam algumas páginas. Por isso, o Blogueiro vai acrescentar apenas outros três. Primeiro: cuidado com o verbo agourar. Não é agorar. No presente do modo indicativo devemos dizer agouro, agouras, agoura, agouramos, agourais, agouram. E no subjuntivo: agoure, agoures, agoure, agouremos, agoureis, agourem. Segundo: o verbo medir se conjuga, no presente do modo indicativo: meço, medes, mede, medimos, medis, medem. E no presente do subjuntivo: meça, meças, meça, meçamos, meçais, meçam. Não vá falar, como muita gente, nem tampouco escrever: eu mido. Horrível, não é?

E como somos o país do futebol, não podia faltar um último exemplo de uso na linguagem desse esporte. É comum ouvirmos eu treno, que ele trene, quando deveria o falante dizer: eu treino, que ele treine, pois o presente do indicativo de treinar é treino, treinas, treina, treinamos, treinais, treinam. E o presente do subjuntivo: treine, treines, treine, treinemos, treineis, treinem.

É isso aí. Não queira menosprezar essas possibilidades de erro, dizendo que sabe de tudo. O Blogueiro não agoura, apenas alerta para que você meça bem as consequências desses erros crassos. Não poupe esforços para evitá-los, consultando sempre gramáticas e dicionários, nem deixe que distrações desse tipo roubem sua nota. Treine bastante para não cometer lapsos de conjugação como os apontados neste artigo. Não vai querer perder pontinhos preciosos em sua média final, não é? E seja feliz em suas provas.

 

 

A hora das objetivas

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Com a chegada da primeira fase do Vestibular Meio de Ano da Unesp, todas as atenções dos candidatos estão voltadas para o melhor modo de enfrentar as diversas questões, ditas objetivas pelo fato de o estudante ter de marcar respostas previamente apresentadas pela banca elaboradora, sem haver necessidade, portanto, de intervenção estritamente pessoal do candidato, como ocorre com as questões ditas discursivas. Já se parte do princípio de que uma das respostas é a correta e se torna necessário apenas reconhecê-la e marcá-la como tal.

Evidentemente, as questões objetivas não deixam de focalizar aspectos relevantes da subjetividade do candidato, pois é isto, afinal, que está em jogo no processo de análise e escolha das respostas corretas, bem como da avaliação: o grau de conhecimento, a capacidade de análise e de síntese, a capacidade de atenção e até uma certa malícia ao examinar o que se pede na raiz e o que se oferece nas alternativas.

As questões objetivas, deste modo, implicam um tipo específico de abordagem pelo candidato, o que significa uma forma de leitura diferenciada, na qual a atenção é altamente relevante. Ler uma questão objetiva requer o máximo possível de cuidados. Um ligeiro cochilo de leitura pode levar a um lamentável engano. Vale dizer: para questões objetivas, leitura objetiva.

Como o Blogueiro já disse mais de uma vez, uma questão objetiva se apresenta em duas partes perfeitamente entrosadas: um enunciado, também chamado raiz, e um conjunto de respostas possíveis, uma das quais, e apenas uma, é a correta, por entrar em perfeito acordo de forma e significado com a raiz. É esse acordo entre forma e significado que deve ter o candidato em mente ao analisar e responder. Além da correspondência de sentido, a resposta correta apresenta acordo perfeito, sob o ponto de vista sintático, com a raiz. Esta é a melhor pista, sobretudo no caso de discernir, entre duas respostas que parecem corretas, a absolutamente correta. Por isso mesmo, você deve tomar cuidado em não se deixar levar pela aparência de correção, mas pela relação objetiva entre a alternativa e a raiz. Resumindo, de modo um tanto irônico: uma alternativa poder ser até bonitinha, mas, como diz o povo, beleza não põe mesa, isto é, convém observar com precaução a correspondência formal e semântica entre alternativa e raiz para chegar a uma conclusão adequada.

Percebeu? O papel da banca elaboradora é formular cinco respostas (alternativas), sendo quatro erradas e uma certa. Mas não se trata apenas de apresentar uma resposta perfeita e outras cheias de imperfeições para o candidato descobrir com facilidade. Há toda uma técnica de elaboração de questões que permite criar respostas muito parecidas, muito próximas, o que dificulta o trabalho do candidato no processo de “descoberta” da resposta adequada. Já o papel do candidato se situa no sentido inverso: identificar, com base na relação entre raiz e alternativas, qual a que realmente se encaixa.  Esses dois papéis é que sustentam o processo: o trabalho do candidato em analisar e descobrir é o foco da avaliação, pois demonstrará não apenas seu conhecimento, como também sua capacidade em usar esse conhecimento para resolver problemas concretos.

Boa prova!

 

 

Você sabe o que é uma universidade?

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Você sabe muitas coisas, não é verdade? Exato, pois estuda pra valer para obter sua vaga no curso superior de sua preferência; se possível, na universidade de sua preferência. É aqui que entra a pergunta do título deste artigo: Você sabe o que é uma universidade? É possível que sim, mas também é possível que não. Se pensa na universidade apenas como escola de ensino superior que oferece o curso por você pretendido, está pensando muito pouco. Uma universidade é muito mais que isso. E será, de fato, muito mais que isso para você, caso consiga ingressar.

De certo modo, a história das universidades no mundo tem semelhanças com a sua. Você, nasceu, cresceu, lá pelos três anos foi colocado num curso pré-escolar, o chamado jardim da infância, e finalmente, três anos após, estava no primeiro ano do Ensino Fundamental, que cursou ao longo de 9 anos. Nessa fase, já sabia muita coisa, podia até assumir, se a lei permitisse, algum tipo de trabalho. Resultado: seu aprendizado, aos 15 anos, era considerado, na lei e na prática, ainda insuficiente, e por isso deveria cursar o Ensino Médio, quando então, obtido o diploma, caso não estudasse mais, poderia pleitear trabalho e começar uma carreira qualquer. Era, porém, ainda pouco. Faltava muito para aprender sobre o mundo, a vida, as ciências, as profissões superiores. Uma vez formado num curso de graduação, poderia partir para o trabalho na carreira que escolheu e seguir uma vida normal. Mas você, independentemente de estar ou não trabalhando, poderia julgar insuficiente o que havia aprendido e buscar conhecimento e aperfeiçoamento maior em cursos de mestrado e de doutorado, pois assim sua competência aumentaria muito mais. O mestrado e o doutorado poderiam ainda fazê-lo seguir carreira universitária,  como professor e pesquisador.

Pois essa sua história (pressupondo que venha a ocorrer de fato) é bastante parecida com a da própria universidade no mundo. Na infância da humanidade, os conhecimentos eram traduzidos e transmitidos oralmente de pessoa a pessoa ou por mitos. Crescendo a civilização, quando em diversos lugares do mundo já se dominava a escrita e se começava a cultivar a aritmética, a astronomia, a filosofia, a botânica e algumas outras formas ainda um tanto rudimentares  de ciência, os homens mais experientes percebiam que aquilo ainda era pouco, que precisavam aumentar seus saberes e, mais, disseminá-los entre os jovens. As primeiras escolas tiveram essa motivação e, ao longo dos séculos, em diferentes lugares, foram evoluindo e se organizando em diferentes níveis.

Assim nasceram as universidades atuais, que não são apenas ministradoras de cursos, mas instituições onde se conservam, cultivam e aumentam os mais altos conhecimentos que a humanidade veio acumulando ao longo dos milênios. Um professor universitário não é apenas um ministrador de aulas, mas um pesquisador que atua no desenvolvimento de uma área e divide, com seus alunos, os resultados que vem alcançando. Por isso, o ensino da ciência, nesse nível, é sempre novo, renovado, e seus beneficiários, os estudantes, não devem limitar-se, em suas profissões, a utilizar apenas o que aprenderam, mas buscar o aperfeiçoamento do que aprenderam nos bancos acadêmicos.

É por isso que você ouvirá, logo que ingresse em seu curso, que a universidade se fundamenta em três pilares: a pesquisa, o ensino e a extensão de serviços, por meio da qual se busca uma relação direta com a comunidade, repassando conhecimentos, técnicas e uso de tecnologias para o desenvolvimento de setores dessa comunidade.

Ficou claro, então? Se você for formado como engenheiro, professor, advogado por uma universidade, não fez apenas um curso de engenharia, licenciatura ou direito, mas passou a pertencer ao quadro dos cidadãos de mais alto nível de saber do país e do mundo. Além de motivo de orgulho, isso deve significar responsabilidade e dever. A manutenção, produção e disseminação de conhecimentos para benefício da humanidade constitui o próprio espírito que animou a criação da universidade e a faz continuar laborando por um mundo cada vez melhor.       

 

 

Poesia e verso em vestibulares

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Por vezes, nas provas de literatura e língua portuguesa nos exames vestibulares, podem surgir questões que envolvem a interpretação de poemas, tanto em versos livres, como em versos tradicionais. Quase sempre essas questões se voltam para a elucidação do conteúdo, mas, vez por outra, surgem questões sobre ritmo.

As escolas, desde o ensino fundamental, focalizam o mesmo tema e tentam, aos poucos, fazer com que os alunos compreendam a natureza do ritmo e sejam até mesmo capazes de criar versos e poemas. O Blogueiro não está dizendo nada de novo, apenas quer esclarecer alguns aspectos que podem ajudar os candidatos a resolver tais questões.

Ora, quando falamos em ritmo no discurso, estamos simplesmente reconhecendo que o ritmo faz parte inerente da própria linguagem. Por isso, a versificação não surgiu do nada, foi apenas um aproveitamento dessas possibilidades de ritmo que se abrem quando falamos ou escrevemos. Vamos a um exemplo, inventando um nome próprio:

 

Antônio Sousa do Prado

 

Trata-se de um nome simples, que pode até corresponder, na realidade, a grande número de pessoas no Brasil e em Portugal. Quando pronunciamos esse nome inteiro, sentimos certa harmonia na sucessão das sílabas fracas e fortes que o constituem. Marcamos as fortes com negrito e grifo:

 

An/to/nio/Sou/sa/do/Pra/do

 

Compare esse nome com os versos de “A Banda”, Chico Buarque:

 

Estava à toa na vida

o meu amor me chamou

pra ver a banda passar

cantando coisas de amor.

Antonio Sousa do Prado.

 

O ritmo é o mesmo! diria você. Correto. Exatamente o mesmo. Todas essas sequências possuem como fortes a 2, a 4 e a 7 sílabas, cuja repetição produz a percepção do ritmo. Trata-se de um verso heptassílabo, também denominado redondilho maior, para diferenciá-lo do do redondilho menor, de cinco sílabas métricas. O verso heptassílabo é o verso por excelência, tanto da literatura, quanto da música popular e do folclore. Até mesmo a música sertaneja atual o utiliza.

Outro verso que geralmente serve de objeto para perguntas é o decassílabo. Podemos criar outro nome próprio como exemplo de verso de dez sílabas, marcando com negrito e grifo as sílabas fortes, que são a terceira, a sexta e a décima sílabas:

 

Godofredo Sampaio de Oliveira

 

Trata-se do chamado verso decassílabo heroico, cujo acento predominante é o da sexta sílaba. A outra variedade é a do chamado decassílabo sáfico, com acentos predominantes na quarta e oitava sílabas, como neste nome próprio criado agora:

 

Jo Alfredo Aparecido Filho

 

Compare estes dois nomes próprios com os versos de Raimundo Correia:

 

Invergável ao pulso dos tiranos (3-6-10)

Godofredo Sampaio de Oliveira                   (3-6-10)

 

E voa, e rasga o luminoso ingresso (2-4-8-10)

José Alfredo Aparecido Filho                       (2-4-8-10)

 

Percebeu? O ritmo é parte inerente do discurso. E você encontra nele sequências com a mesma estrutura acentual de versos.

Um verso que também pode ser objeto de questões é o alexandrino clássico, com acento dominante em duas sílabas, que formam dois meios-versos denominados hemistíquios. E agora nem precisamos forjar exemplo, porque o próprio nome de um grande poeta constitui um alexandrino clássico:

 

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac

 

Olavo Bilac, de resto, foi um dos mestres no emprego desse verso. Examine o exemplo do poema  Alvorada do Amor, observando que a sexta sílaba é sempre marcada por acento forte:

 

Ah! Bendito o momento em que me revelaste

O amor com o teu pecado, e a vida com o teu crime!

Porque, livre de Deus, redimido e sublime,

Homem, fico na terra, à luz dos olhos teus,

— Terra, melhor que o Céu! homem, maior que Deus!

 

Lindo, não é? Lindíssimo. No poema mencionado, o poeta reconta a lenda da expulsão de Adão do Paraíso, atribuindo-lhe um novo e original contorno.

É isso aí. Pela beleza de suas imagens, conceitos e ritmos, a poesia sempre dignifica o homem.

 

O tema é o seu problema

terça-feira, 24 de abril de 2018

A redação no vestibular é um obstáculo que deve ser ultrapassado por todos os candidatos a qualquer curso da universidade. Ao mesmo tempo, por seu valor no conjunto das provas, é uma fonte preciosa de pontuação para a conquista de uma vaga.

Ao longo do ano que precede os exames, tanto os professores do ensino médio quanto os de cursos preparatórios tentam descobrir, estudando os temas apresentados em vestibulares anteriores de diversas universidades, qual o mais provável nos vestibulares que seus alunos estão para enfrentar. É claro que ninguém adivinha, embora, vez por outra, um desses palpites de professores dê certo em algum vestibular importante. Mas… e daí? É bom adivinhar, mesmo que por acaso, o tema da redação? Claro que sim. Mas isso resolve o seu problema? Claro que não, por uma razão muito simples: saber o tema é uma coisa; saber escrever é outra. E saber escrever não significa apenas conhecer regras gramaticais e ortografia, bem como ter noções de coesão textual. Nada disso. Por quê? Porque escrever bem não se limita a uma só habilidade, mas a muitas. Eis a questão.

Ora, escrever bem implica três fundamentos que geram as habilidades necessárias: primeiro, dominar a construção de textos (normas gramaticais, coesão textual, ortografia); segundo, ter formação cultural adequada a, terceiro, explorar com sucesso o tema proposto. A escola, ao longo dos ensinos fundamental e médio, busca fazer com que os estudantes adquiram a primeira habilidade pelo estudo e treinamento em exercícios e mais exercícios de produção de textos. O currículo escolar busca dotar os estudantes de uma formação cultural genérica. Uma formação desse tipo, porém, não é suficiente para levar o aluno a produzir excelentes textos, mas tão somente, se for aluno estudioso, textos bons ou apenas razoáveis. Por quê? Porque um ótimo escritor é, antes de tudo, uma pessoa com formação cultural também ótima, diferenciada, que lhe permite produzir textos ótimos e diferenciados.

Se você acha que, fazendo uma boa ou razoável redação, isso já é suficiente para o seu interesse, tudo bem. Se quer mais que isso, considerando o peso da redação na nota final, preste bastante atenção no que o Blogueiro vai dizer. Faça sempre mais do que a escola lhe pede. Supere-se em leituras de obras literárias; leia todos os dias os artigos que jornalistas, intelectuais e bons políticos colocam na internet; interesse-se por avançar na obtenção de informações sobre o mundo atual, sobre os problemas com que a humanidade se defronta; leia pelo menos alguns livros fundamentais de filósofos do passado e do presente; informe-se sobre as diferentes artes e crítica de artes; esteja sempre atualizado sobre ciência e tecnologia; não ignore obras de história universal e história do Brasil, assista a filmes documentários, vez por outra assista a peças de teatro. Esses conteúdos todos estão apenas esboçados nos ensinamentos que você recebe na escola. Exatamente por isso precisam ser aumentados e desenvolvidos por todos os cidadãos que buscam uma vaga universitária e pelos que, já estudantes universitários ou profissionais formados, pretendem compreender o mundo em que vivem, e não apenas ser pessoas robotizadas que se contentam em comer, beber, trabalhar e dormir, sem nunca se preocuparem com analisar sua própria condição de estar no mundo vivendo passivamente. É algo como estar na vanguarda ou na retaguarda da civilização.

É, perguntará você, mas com tanto estudo para vestibular não dá para fazer tudo isso! Dá, sim, é só você querer e saber organizar-se. E, de certo modo, é uma espécie de descanso das tensões de estudo, uma forma de lazer para sua própria inteligência não ficar bitolada com o decoreba de sua preparação para as provas de vestibular. E note bem o que o Blogueiro disse: não é algo para começar e terminar em pouco tempo, mas para durar por toda a sua vida, se quer ter uma exclente formação cultural e tornar-se, assim, um verdadeiro intelectual.

Entendeu bem? O tema não é a solução. Num bom sentido, é o seu ótimo problema. Então está aberta a encruzilhada para o ser ou não ser diferenciado. Pura questão de escolha.