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terça-feira, 10 de abril de 2018

Um dos gêneros cinematográficos mais produtivos hoje em dia é o que tem como elementos centrais os zumbis. Estes, como você sabe, são mortos-vivos, cadáveres ambulantes que vivem a aterrorizar as pessoas para matá-las e também transformá-las em mortos-vivos. Segundo a lenda original do Haiti e de seu sistema de crenças espirituais do vodu, curandeiros conseguiam ressuscitar parcialmente os mortos, para que estes pudessem vingar-se dos vivos que lhes causaram mal. A lenda haitiana ganhou divulgação no mundo todo e foi aos poucos transformada, até chegar ao cinema e se tornar uma espécie de estereótipo para diferentes versões e origens dos zumbis. Atualmente, muitos filmes e séries exploram o tema, que tem milhões de espectadores aficcionados. Como personagens, assim, os zumbis não fazem parte da humanidade, pois ganham existência como monstros assustadores, e não como homens livres e ativos dentro da sociedade.

Pois é. Na própria linguagem a palavra zumbi está também fazendo história, sendo usada metaforicamente, por exemplo, para designar indivíduos alienados, cuja vida se resume a obedecer a ordens superiores, sem questionar a logicidade e o fundamento ético de tais ordens, algo assim, também no cinema, como robôs. A semelhança, de resto, é grande: há filmes de zumbis que poderiam ter robôs como personagens, e vice-versa. Por isso mesmo, não falta quem também use a palavra para designar boa parte da população do planeta, que tem pouca informação e vive sem ter consciência do que ocorre a sua volta.

Interessante! dirá você, e concluirá: Não tenho nada a ver com isso. Meu negócio é fazer vestibular e seguir um curso que me dê uma boa profissão futura. Não preciso saber de nada além disso!

Não se engane. Entre as virtudes que os exames vestibulares verificam nas provas prestadas pelos candidatos, a atualização é uma das mais importantes. O candidato que as universidades procuram não é aquele que revela não saber nada do que acontece no mundo, mas exatamente o contrário. Os temas de redações hoje em dia focalizam assuntos relevantes da sociedade, tanto nacional quanto universal. Já se foi o tempo dos temas abstratos, que permitiam livres voos do espírito e da criatividade. Esta continua sendo necessária, mas focada na realidade. Os próprios textos de questões objetivas ou discursivas se voltam hoje para temas e problemas da atualidade.

A conclusão se torna óbvia, não é? Quem vive uma vida centrada em si mesmo, sem perceber que faz parte da humanidade, dela depende e dela deve participar se torna uma espécie de zumbi social e moral: serve-se da sociedade, mas não serve a ela, não busca conhecer seus problemas. Por isso mesmo, toda a educação hoje remete à participação social, ao conhecimento das necessidades humanas e aos perigos que a civilização acabou trazendo ao planeta. É isso que significa, de fato, estar atualizado: ser um membro ativo da sociedade, ciente de tudo o que esta significa, de sua história, do ponto a que chegou e de como se deve participar para o seu desenvolvimento e a sua preservação.

Essa visão atualizada é um dos principais componentes de vestibulares e concursos de hoje. Quanto aos zumbis de toda espécie e aos robôs, que fiquem nos filmes de ficção como divertimento, não como modelos de conduta.

 

Você fala, sim, mas não escreve, certo?

terça-feira, 3 de abril de 2018

Talvez não seja o seu caso, mas sempre é bom prestar atenção a uma diferença importante entre o discurso falado e o discurso escrito. Por quê? Porque isso pode ser importantíssimo para sua redação e, mesmo, para a leitura dos enunciados das questões. Alguns estudantes creem que  a escrita é apenas transcrição da fala. Nada disso. Estão equivocados. Quando começamos a escrever, penetramos num mundo novo, com suas próprias características, embora a língua utilizada seja a mesma que preside a nossa fala.

Quer observar um exemplo bem simples? O pronome pessoal do caso reto “nós”. Na fala, muitas vezes pronunciamos nós, mas por outras também pronunciamos nóis, e ninguém repara, porque o discurso oral é menos tenso. Todavia, nas respostas a questões discursivas ou na redação jamais deveremos escrever nóis, mas sempre e apenas nós. Em certas regiões do país, algumas vezes o artigo definido “os” é pronunciado ois. Essa pronúncia por vezes invade até os meios de comunicações. O Blogueiro lembra de uma série de tevê, cujo apresentador dizia, logo no começo, Ois intocáveis. E ninguém reparava, a não ser os professores de português. Isso não quer dizer que em documentos, contratos, correspondência oficial e comercial se possa escrever ois. Não se pode, não. O mesmo ocorre com outras palavras. Os estudantes, muitas vezes, dizem Vou fazer hoje uma prova de portugueis. É claro que, na prova, escreverão português. Fato semelhante ocorre com palavras como arroz, propôs, após, etc.

O caso dos verbos na terceira pessoa do plural é também sintomático, porque a escrita não condiz nunca com a fala. Ao dizermos Eles andam, não pronunciamos a última sílaba apenas como um “a” nasal, mas como um ditongo nasal: ão. Os professores da primeira série do ensino fundamental sofrem verdadeiramente para fazer com que os alunos entendam que existe nesses casos uma diferença entre fala e escrita. O mesmo ocorre com a terminação –em num exemplo como Quero que eles contem.

O problema se torna mais perigoso com palavras como inebriante, inelegível, insinuar, que algumas pessoas costumam pronunciar: enebriante, enelegível, ensinuar. Você pode eventualmente até pronunciar assim, mas jamais escrever com e inicial.

Aqui chegamos a um ponto que merece ainda mais cuidado, o de certos encontros vocálicos que, na pronúncia corriqueira, mesmo no discurso formal, aparecem diferenciados da escrita. Você por certo pronuncia, como todos nós, rítimo, embora a escrita aceite apenas ritmo. O mesmo vale para palavras como admirar, psicologia, advogado, observar, abjeto, objeto, objetivo, etc., que muitas pessoas (por vezes até mesmo nós) pronunciam: adimirar, pissicologia, adivogado ou adevogado, obisservar, abijeto, obijeto, obijetivo. É curioso, aliás, notar que o povo mais humilde costuma dizer Hoje vou lá no meu devogado, levando, portanto, a modificação oral um pouco mais longe.

Percebeu a necessidade de ficar de olho no que escreve, para não incorrer num desses deslizes de transferir a pronúncia erradamente para a escrita? É o que o Blogueiro queria alertar neste artigo.

 

 

Um por todos e todos por um

terça-feira, 27 de março de 2018

Você por certo já se fez esta pergunta: Afinal, por que mesmo vou fazer um curso universitário? A resposta não é tão simples como parece. Envolvidos, nos tempos atuais, pela preocupação com trabalho e remuneração, tendemos a dizer que fazemos um curso universitário para, no futuro, ter bom emprego com ótimo salário. Neste caso, a escolha do curso universitário está subordinada, entre outros, a tal critério.

Bill Gates, o criador do sistema operacional Windows, hoje um bilionário norte-americano, disse em recente entrevista, nessa linha de pensamento, que as melhores áreas, por serem as que oferecem e oferecerão mais empregos, e bons empregos, são a programação, a ciência, a biologia avançada e a das inovações no setor de energia, porque serão estas áreas as maiores fontes de mudança nos próximos anos. Mudanças geram empregos bem remunerados.

Evidentemente, Gates estava pensando em termos de Estados Unidos e países mais avançados atualmente em ciência, tecnologia, indústria e comércio. Embora o que diz possa servir também a nós, brasileiros, talvez as palavras do bem sucedido empresário devam ser entendidas com algumas reservas. Antes de mais nada, devemos nos perguntar se um curso universitário é apenas isso mesmo, um trampolim para um futuro emprego bem sucedido, uma ferramenta adequada para ingressar e agir com sucesso no mercado de trabalho.

Seria apenas isso? O Blogueiro acredita que não. É evidente que pensamos, ao escolher um curso, numa carreira de sucesso. Mas fazemos o curso apenas por isso e para isso? Claro que não. Nossa escolha também tem muito de preferência pessoal, de opção marcada por afetividade, pelo prazer de estudar numa área que  sentimos como “nossa” área. Em resumo: estudar, além de uma necessidade, é um prazer, uma satisfação pessoal

Por isso, é claro que vale a pena analisar as áreas que, em nosso país, mais se desenvolverão proximamente e oferecerão mais empregos. Mas isso não é uma escolha cega, fria, de puro raciocínio. Tem muito a ver também com o que queremos para o nosso país e nossa satisfação em nela estudar e trabalhar. De fato, não somos bando de indivíduos, cada qual pensando em si mesmo, mas, ao contrário, somos uma sociedade, uma comunidade, cujos valores coletivos assumimos conscientemente. Por isso, se é possível estudar medicina para ter uma carreira de sucesso profissional e financeiro, é também possível estudar medicina com o objetivo de cuidar de pessoas necessistadas, quer na orla das grandes cidades, quer nas regiões desassistidas do interior do país. E se é possível estudar biologia para obter sucesso e fama como pesquisador no país e no mundo, também é possível estudar biologia com vistas a obter soluções para curar doenças que afligem grande parte da população mundial, sem desejo imediato de glória ou de fama. Tudo isso vale, como vale também se alguém escolher seu curso apenas pelo puro prazer de estudar e aprender, deixando seu futuro para acontecer no futuro.

Pense bem nestes comentários e exemplos, no momento de escolher as áreas em que prestará seu vestibular. Não se deixe iludir na escolha do curso pelos valores mercadológicos que hoje parecem dominar a população estudante do mundo inteiro. Pense em si mesmo e pense nos outros, como um ser ao mesmo tempo individual e coletivo, destacando não apenas a busca de satisfação pessoal em sua atividade futura, mas também o interesse de todos os brasileiros e de todas as pessoas do mundo. O conhecido lema da lenda dos três mosqueteiros, eliminado o aspecto bélico, cabe muito bem nessa ordem de pensamento: Um por todos e todos por um. Só assim conseguiremos fazer deste mundo um bom lugar para viver, para todos viverem. Pense nisso.

 

Você é uma “pessoa articulada?”

quinta-feira, 15 de março de 2018

A expressão “pessoa articulada” vem apresentando bastante emprego na atualidade. É comum ouvirmos frases como Fulano de tal é uma pessoa articulada. Talvez nós mesmos a empreguemos em circunstâncias semelhantes, com referência a nossos amigos, nossos alunos e até mesmo nossos colegas de trabalho. Ora¸ muitas vezes, quando algum interlocutor nos pede para explicarmos melhor uma palavra ou expressão que usamos, acabamos ficando meio sem jeito, tendo até dificuldade de esclarecer de pronto o que acabamos de dizer. Afinal, o que é mesmo uma pessoa articulada?

Visitar o dicionário nessas horas pode até ajudar, mas nem sempre, já que alguns dicionários não costumam sequer focalizar expressões como essa. Um passeio pela internet, utilizando um bom programa buscador pode ajudar muito mais, já que outras pessoas tiveram a mesma dúvida e colocaram em rede as soluções obtidas. Com base no que apuraram, acabamos resolvendo nossa dúvida e nos colocamos em condições de explicar os empregos que nós mesmos costumamos fazer, um tanto automaticamente, da expressão mencionada.

Quando alguém diz que Fulano de Tal é uma “pessoa articulada”, quer significar, em primeiro lugar, que é uma pessoa que se expressa com segurança, com clareza, com conhecimento de causa. Estes significados positivos implicam, por oposição, que não é uma pessoa que fala atrapalhadamente, que se expressa mal, que não consegue transmitir com adequação o que está pensando, se é que está pensando adequadamente sobre o tema da conversa. Uma pessoa articulada sabe falar com eficácia, encaixar com precisão as palavras nas frases que emite, levando seu interlocutor a não ter nenhuma dúvida sobre a mensagem transmitida. É muito agradável  por isso dialogar com ela.

Evidentemente, expressar-se bem, articuladamente, com desembaraço, não quer dizer apenas habilidade de falar, mas ter conhecimentos sobre o que fala e ter experiência do modo de se expressar na situação em que se encontra. Mais que um dom, portanto, ser articulado é um conjunto de conhecimentos e experiências que precedem o ato de comunicação, a participação num diálogo, numa equipe de trabalho, num debate. Não sendo um dom, é algo que pode ser conquistado ao longo do tempo por qualquer pessoa.

Chegados a este ponto, o Blogueiro coloca para você o objetivo desta pequena dissertação sobre o assunto, perguntando: Você é uma pessoa articulada? E você poderá contra-argumentar: Mas é tão necessário assim ser uma pessoa articulada?

Claro que é. Pense no seu caso, no vestibular que em breve fará. Você não falará com ninguém, porque não há prova oral, mas deverá expressar-se o tempo todo com desenvoltura, em especial nas questões discursivas e na redação. As questões discursivas são uma espécie de diálogo, em que a banca envia a você uma mensagem e você deve enviar a sua mensagem em resposta. E esta deve mostrar que você é um candidato articulado, capaz de expressar-se com precisão e clareza.

Nem é preciso falar no desempenho oposto, desarticulado, não é verdade? Não é raro um candidato conhecer a resposta correta de uma questão e, no entanto, expressar-se tão atrapalhadamente que o corretor não pode descobrir se houve acerto ou erro.

Valeu a explicação? Então trate, a partir de agora, de apresentar um desempenho mais claro, mais desenvolto, tanto em sua expressão oral, quanto escrita. De resto, sendo uma pessoa assim, desembaraçada, você poderá aproveitar muito melhor os conhecimentos que lhe serão ministrados quando estiver fazendo seu curso universitário. Nos seus trabalhos futuros, não bastará ser apenas um profissional, mas, sobretudo, um profissional articulado.

 

Estudo em grupo: vale a pena?

terça-feira, 13 de março de 2018

Desde que começamos a ir à escola, nossos professores nos fizeram tomar consciência de que muitas tarefas só podiam ser realizadas em grupos. No ensino fundamental, os trabalhos em grupo foram frequentes, e o objetivo não era apenas o estudo, mas a convivência, a percepção de que existiam outras pessoas e podíamos realizar tarefas e estudos mais facilmente com a ajuda de todos. E o grande objetivo: a socialização, a nossa preparação para viver e trabalhar em sociedade. Fomos descobrindo, assim, que não vivíamos em isolamento e que o mundo não se resumia a nossa família, mas era ele, inteiramente, a  nossa família.

É claro que essa experiência de conviver em grupos nem sempre foi por nós perfeitamente entendida. Algumas vezes os integrantes de um grupo o usaram para isolar colegas, até mesmo para perturbá-los psicologicamente, em prática característica de bullying. Mas a escola, aos poucos, foi nos ensinando que tais práticas estavam erradas, que a experiência grupal devia ser algo positivo para todos. Acabamos aprendendo. E hoje temos até saudades daquelas atividades.

Quando terminamos o ensino médio e iniciamos nossa preparação para prestar vestibulares, acabamos por nos sentir incomodados ao perceber que estamos curtindo uma solidão em meio a livros, apostilas, anotações, internet, sites, etc. etc. É aí que a saudade dói mesmo: como era bom o tempo da escola, sentindo os professores em luta permanente para aprendermos, participando de atividades em conjunto com grupos de colegas e, por vezes, com todos os colegas ao mesmo tempo!

E agora? Que fazer?

Ora, praticar o que aprendemos na escola: a vida dos homens no planeta é uma grande e vasta atividade grupal. Ninguém está realmente só. Tudo é coparticipação. Precisamos ficar sós em muitos momentos de estudo para prestar vestibulares? Sim, é claro. Podemos, porém, fixar momentos que, de certo modo, recuperam o que vivíamos nos ensinos fundamental e médio: estudar em grupo. E não precisam ser gênios os membros do grupo. É bom até que alguns tenham dificuldades, pois as dificuldades alheias podem nos fazer enxergar melhor certos pontos da matéria. Todos os professores sabem bem que muitas vezes se aprende ensinando.

A constituição de um grupo, além de permitir que aprendamos mais, nos ajuda psicologicamente: percebemos que os outros têm problemas semelhantes aos nossos, solidão, receios, ansiedade. É claro que não é uma panaceia (remédio ou solução para todos os males e problemas), mas pode ajudar em muito. Ter encontros semanais para estudos em grupo representa mais um fator  para melhorar conhecimentos.

É isso aí. Respondendo a pergunta do título deste artigo: Vale a pena o estudo em grupo? Vale, sim. Nos bancos da universidade você continuará fazendo isso. E na vida profissional não será muito diferente.

 

 

Olhe esse subjuntivo, meu amigo!

terça-feira, 6 de março de 2018

Muitos alunos costumam reclamar da insistência dos professores no estudo das conjugações verbais. Afinal, dizem eles, para que tanto verbo? Eu não preciso disso!

Precisa, sim, e muito. Você não estuda conjugação de verbos por estudar, mas para saber quais formas apresentam quando se torna necessário empregá-los numa frase. Observe as frases seguintes:

 

Não acredito que ele traz o dinheiro hoje.

Não espero que ele bate o sino todos os dias.

 

É claro que você percebeu que o escritor se equivocou e empregou os verbos no modo indicativo, quando se impõe o subjuntivo nas duas orações subordinadas. O emprego dos verbos no modo indicativo nessas duas frases gera um sentido duvidoso, quase absurdo. O indicativo aponta para uma ação efetiva, o que não corresponde ao pretendido nos dois exemplos. Examine agora as duas frases com os verbos no modo subjuntivo:

 

Não acredito que ele traga  o dinheiro hoje

Não espero que ele bata o sino todos os dias.

 

Notou a diferença? As duas frases agora ganharam sentido pleno e adequado, sem qualquer possibilidade de confusão semântica. Não custa, portanto, lembrar o que seus professores ensinaram, insistentemente, ou seja, os verbos no modo indicativo, trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem; bato, bates, bate, batemos, bateis, batem, e no modo subjuntivo: traga, tragas, traga, tragamos, tragais, tragam; bata, batas, bata, batamos, batais, batam.

O Blogueiro anota que é costume, hoje, levar os alunos a memorizarem as conjugações de verbos tal como foi feito no parágrafo anterior, apenas com as formas verbais. Com base nas gramáticas e manuais antigos, os professores levavam os alunos a memorizar a conjugação dos verbos com o emprego também das conjunções e pronomes: que eu traga, que tu tragas, que ele traga, que nós tragamos, que vós tragais, que eles tragam; que eu bata, que tu batas, que ele bata, que nós batamos, que vós batais, que eles batam. Este modo, que alguns hoje consideram ultrapassado, na verdade acostumava o aluno a perceber que o subjuntivo costuma aparecer em orações subordinadas, precedidas de conjunção. Atente agora para o pretérito imperfeito do subjuntivo dos mesmos verbos, tal como os antigos professores (e muitos até hoje) ensinavam: se eu trouxesse, se tu trouxesses, se ele trouxesse, se nós trouxéssemos, se vós trouxésseis, se eles trouxessem; se eu batesse, se tu batesses, se ele batesse, se nós batêssesmos, se vós batêsseis, se eles batessem.

Percebeu? Tome cuidado, então, em não trocar o subjuntivo pelo indicativo, produzindo frases com sentidos por vezes absurdos. Vale a pena fazer uma boa revisão em seus textos para verificar se não anda se equivocando. Sua redação vai evitar muitos erros. E vamos terminar insistindo em alguns exemplos:

 

Talvez o cometa apareça no sábado. (Verbo no presente do subjuntivo).

Se eu contasse que vi o alienígena, seria considerado louco. (Verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo)

Quando meu amigo fizer dezoito anos, receberá uma grande herança. (Futuro do subjuntivo).

 

Valeu? Então faça uma visitinha a uma gramática para estudar o “emprego do modo subjuntivo”. Agora valeu mesmo!

 

 

 

 

Questões objetivas: não chute. Execute!

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Muitos candidatos e talvez até mesmo você planejam chutar questões objetivas cujas respostas não conheçam. Parece uma solução inteligente, mas, na verdade, é um ato de desespero com uma longínqua esperança de acerto pela intercessão do Santo Acaso.

Na verdade, não precisa ser assim. Pode-se arriscar, mas de forma pouco mais calculada, inteligente, usando seus conhecimentos, de modo que a possibilidade de acerto seja bem maior. Como? Pela própria técnica de responder questões objetivas, que cada um deve sempre levar em consideração;

Responder questões objetivas é, na realidade, buscar a melhor relação entre o enunciado ou raiz da questão e uma alternativa que lhe corresponda de modo perfeito.  O Blogueiro vai teorizar a respeito, estabelecendo os seguintes procedimentos:

 

a)      leitura atenta;

b)      acordo sintático;

c)      palavras-chave;

d)     probabilidade.

 

São esses procedimentos que devem ser considerados durante a solução da questão objetiva. O primeiro, como você nota, é fundamental e, talvez o mais importante de todos. Numerosos candidatos se queixam de haver errado por não ter lido direito o enunciado da questão. É verdade. E essa leitura atenta deve atingir tanto o enunciado como as alternativas. Vale a pena perder um pouco de tempo com a leitura, para evitar enganos que comprometerão todo o raciocínio posterior para a solução da questão. É muito fácil, por exemplo, confundir sessão com seção. O problema é que sessão significa período de tempo, enquanto seção quer dizer parte de um todo. Numa leitura apressada, confundindo uma com outra, seu entendimento de uma questão pode falhar e comprometer o direcionamento de sua resposta. Percebeu? Leia sempre o enunciado com a máxima atenção, para evitar equívocos.

O segundo procedimento é importante para eliminar alternativas que iriam atrapalhá-lo. Parta do princípio de que o enunciado e a alternativa correta apresentam uma correspondência formal, até mesmo sintática. Um exemplo:

 

O ambiente lunar não apresenta condições favoráveis à vida humana. No entanto, é possível que seres humanos possam lá viver, desde que

a) são criadas condições em habitações especiais que produzem um ambiente favorável.

b) sejam criadas condições em habitações especiais que produzam um ambiente favorável.

 

Notou? Se fosse apenas pelo conteúdo, de modo geral, as duas alternativas estariam corretas. Todavia, só a segunda corresponde perfeitamente ao enunciado, pois emprega os verbos no modo subjuntivo, sinalizado pelo conectivo desde que. Não se esqueça nunca, deste modo, da correspondência formal entre o enunciado e a alternativa correta.

Além disso, em enunciados longos, vale a pena prestar atenção nas palavras que funcionam como verdadeiras chaves que unem o significado geral do enunciado e o particular da alternativa. No exemplo dado, com duas alternativas (supondo-se que as outras foram eliminadas), essas palavras são ambiente, condições, favoráveis, favorável. A identificação dessas palavras-chave é um ótimo instrumento para entender melhor a questão e a resposta adequada.

Somente após esses quatro procedimentos, se ainda restar dúvida, vale a pena arriscar, mas, mesmo neste caso, o risco já será bem mais calculado e você terá chance maior de acertar. Não seria propriamente um chute, mas um prognóstico, uma tentativa bem consciente e informada.

O Blogueiro, certa vez, em Curitiba, fez um concurso em que havia 100 questões objetivas e uma dissertação com tema sorteado na hora. Ao responder as questões, veririficou que tinha certeza de acertar 70 e dúvidas sobre 30. Lançando mão dos procedimentos sugeridos na resolução das 100 perguntas, acabou arriscando nas respostas a essas 30. O resultado da correção final mostrou que o risco calculado valeu a pena: acertou 85 questões. Valeu a pena, não valeu?

Pois é. Quando tiver dúvidas sobre algumas questões, não chute, execute o seu prognóstico com base nos procedimentos mencionados.

 

 

Essa síndrome do oblíquo indevido!!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Você é influenciável? Não? Claro que é. Todos somos. O ambiente nos leva a assumir atitudes que não tomaríamos, se tivéssemos um pouco mais de cuidado.

Epa! Parece que o Blogueiro está tentando dar uma de psicólogo! Nada disso, ainda estamos falando de vestibular e de como evitar certos vícios maliciosos transmitidos pela tecnologia, por meio da internet e de tudo que ela veicula, sobretudo textos.

A rede é, de fato, um ambiente em que mergulhamos muitas vezes por dia, por meio de computadores, laptops, tablets, celulares. É claro que esse ambiente, de uma forma ou de outra, nos influencia. Um exemplo: os discursos escritos que antes nos vinham somente pelos livros, e os falados que recebíamos pelo rádio e televisões agora nos vêm pela web. Livros, revistas, jornais em papel estão com seus dias contados, porque a rede vai assumindo todas as funções de comunicação, todos os discursos.

Afinal, dirá você, nem precisa falar. Eu já sei de tudo isso!

Pois é. E o Blogueiro vem constantemente alertando para o fato de que, se em livros, revistas e jornais em papel os revisores executavam um ótimo trabalho, tornando por vezes quase inexistentes os erros, na internet esse cuidado parece não ser lá muito grande. Há textos e textos praticamente sem revisão nenhuma, povoados de deslizes gramaticais e gralhas ortográficas. Nesse ambiente, se você não tomar todas as cautelas, poderá ser influenciado e levado a assumir soluções muito erradas como se fossem do perfeito estilo de um Rui Barbosa. Lamentável ilusão.

Chegamos ao ponto visado pelo Blogueiro para o artigo de hoje, que denominamos sindrome do oblíquo indevido. Trata-se da questão dos pronomes oblíquos átonos o (os, a, as).  Esses pronomes podem apresentar variações, conforme a terminação do verbo: lo, la, los, las, no, na, nos, nas. Como você sabe, tais pronomes funcionam na oração como objetos diretos, por exemplo: Entreguei o aviso (o aviso é objeto direto). Se substituirmos o objeto direto “o aviso” pelo pronome oblíquo correspondente, teremos: Entreguei-o. Este “o”, por estar substituindo um objeto direto, exerce a mesma função do substituído. Suponha agora: Entreguei o aviso ao secretário. Temos nessa oração um objeto direto (o aviso) e um objeto indireto (ao secretário). Analise, então, este exemplo: Entreguei-lhe o aviso. O lhe substitui ao secretário como objeto indireto. Lhe, lhes funcionam na oração como objetos indiretos. Seria um erro grave, portanto, escrever Entreguei-o o aviso. Por quê? Porque você estaria colocando um objeto direto em lugar de um indireto. Percebeu? No entanto, abundam nos textos da internet passagens como a seguinte, que apareceu nesta semana numa notícia: “O garoto com olhar de pesquisador ainda não foi localizado. Mas, certamente, a ciência tem muito a agradecê-lo.”

Horrível, não é? O jornalista devia ter escrito agradecer-lhe, porque se trata de objeto indireto: agradecer a ele, agradecer ao menino, agradecer-lhe. Vamos dizer que foi um cochilo devido à pressa do autor, que não erraria se relesse o que escreveu. Então houve falha do revisor, que não poderia ter deixado passar esse equívoco. Revisor não pode ter pressa.

Não há um só dia em que o Blogueiro não encontre um ou até mais exemplos dessa síndrome do oblíquo indevido, especialmente com o verbo agradecer.

Por isso, muito cuidado para não tomar os textos da internet como modelos de correção. E faça uma boa revisão do emprego dos pronomes oblíquos átonos para evitar essas escorregadelas de regência tanto em suas respostas discursivas, quanto na redação. Nas respostas a questões discursivas, esse erro pode até mudar o sentido da frase, invalidando seu acerto. E na redação fatalmente haverá desconto de nota. Você não quer nada disso, não é?

Evite, portanto, a síndrome do oblíquo indevido. E procure anular em seu discurso esse verdadeiro batalhão de erros que o ataca todos os dias na rede.

 

Errinhos “bobos”. Cuidado com eles!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Em sua preparação para os exames de meio e final de ano, novamente o Blogueiro recomenda todo o cuidado com os errinhos “bobos”, causados por distração ou por desconhecimento. O primeiro conselho é prestar muita atenção, seja qual for a matéria, nos nomes próprios ou nos da terminologia da disciplina. O Blogueiro já constatou em prova de Biologia, por exemplo, casos como o da troca de gene por gente em resposta discursiva de candidato. Observe que a distração de escrever um t indevido modifica completamente a palavra e pode com toda a probabilidade tornar a resposta errada.

Outro exemplo, em prova de língua portuguesa, diz respeito a falhas de concordância causadas por desatenção. Você sabe, com toda a certeza, como fazer a concordância numa frase como: Os brasileiros devem estar preparados para uma nova alta de preços. “Devem”, nessa frase, corresponde, no plural, a “brasileiros”. Nada mais claro. Numa notícia publicada em jornal na internet, nesta semana, havia uma frase como Os brasileiros, para que não percam dinheiro desnecessariamente, deve estar preparados para uma nova alta de preços, em que notamos um “problemão” de concordância. É claro que quem escreveu a frase sabe que a forma verbal tem de ser “devem”, para corresponder ao sujeito “Os brasileiros”. Por pura distração, talvez pelo distanciamento entre o sujeito e o verbo, o pobre do “m” acabou sendo esquecido. No jornal, todos dirão que se trata de um erro do revisor. Se esse descuido for de um candidato numa redação de vestibular,  a banca de correção não vai discutir, mas assinalar o fato. Não é seu papel justificar distrações dos candidatos, mas apontar erros e fazer o desconto de nota correspondente. O problema é que um desconto de nota, mesmo “pequenininho”, pode significar a perda de uma vaga.

Em certo vestibular de anos anteriores, um candidato escreveu Dom Jovi, quando estava escrito Tom Jobim. Como a questão envolvia música e letra, o lapso cometido não prejudicou a nota. E se ocorresse troca semelhante em História? Em Geografia? Como diz o povo, aí é que a porca torce rabo! A troca de um nome próprio nessa ou em outras disciplinas poderia comprometer completamente a resposta.

Por isso, todo cuidado é pouco, inclusive nas questões objetivas. É preciso ler com muita atenção o enunciado de cada questão, porque um equívoco de leitura faz você marcar uma alternativa inadequada. Comparar a alternativa com o enunciado, uma, duas ou três vezes, é fundamental para evitar enganos de leitura.

Percebeu bem? Antes de ler e interpretar cada questão ou proposta de redação, é imprescindível ter certeza de que você fez a leitura perfeita de cada palavra ou expressão, bem como do sentido do enunciado como um todo. A mesma atenção deve ser aplicada no caso das respostas discursivas ou até mesmo nas alternativas escolhidas como corretas.

Pois é. Errinhos bobos podem não ser tão bobos assim para a sua nota final.  

 

 

Simule, simule, simule!

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

O Blogueiro tem certeza de que você, que vai fazer o vestibular no ano em curso, continua montando seu projeto de estudo para os exames que fará no meio e no final do ano. Entre os pontos desse projeto, o Blogueiro recomenda especial atenção aos simulados.

É claro que no terceiro ano do ensino médio e nos cursos preparatórios, volta e meia você tem de enfrentar um desses simulados, mas o conselho aqui é um pouco diferente. Com a chegada da internet, que é um instrumento poderoso de comunicação, você não depende mais dos simulados que o colégio lhe oferece, mas tem a sua disposição também os próprios exames vestibulares de anos anteriores publicados pelas universidades, resolvidos e comentados pelos sites das escolas e por blogues independentes.

Evidentemente, tudo o que precisa para estudar e aprender se encontra hoje na rede, dependendo apenas de você aproveitar da melhor forma possível. Há sites que ensinam matemática, física, biologia, língua portuguesa, etc., etc. Não cabe mais, portanto, a desculpa de dizer que em seu curso não foi ensinado isto ou aquilo, desta ou daquela disciplina. Tudo está na rede. É só buscar com atenção. Você tem, hoje, em virtude da tecnologia, um privilégio que os vestibulandos de décadas anteriores à internet jamais sonhariam ter. Nos velhos tempos, eram apenas apostilas, livros e anotações de aula. E os professores nem sempre podiam repetir as aulas perdidas por este ou aquele estudante.

Este é o caso exato do estudo com base na simulação. As provas das diferentes universidades podem ser acessadas facilmente pela web. Seu problema, portanto, não é a inexistência de fontes de estudo, mas o que fará com elas. Aqui entra o conselho do Blogueiro: resolver as questões de exames anteriores de diferentes universidades é uma das formas de estudar para os vestibulares. Você pode e deve dedicar um período diário para fazer, por si mesmo, essas simulações, em primeiro lugar para acostumar-se a fazer os exames; em segundo, para detectar suas necessidades de estudo em cada uma das diferentes disciplinas. Outro aspecto que pode ser colocado se traduz no fato de que, algumas vezes, questões aplicadas em vestibulares atuais são muito parecidas com as de vestibulares anteriores.

Observou, deste modo, a vantagem de dedicar atenção a provas de vestibulares anteriores? Mãos à obra, portanto. Torne a resolução de exames anteriores um instrumento para preencher as lacunas de sua preparação, além do fato de levá-lo a sentir como um ato absolutamente normal a realização de provas. Com isso, além de aprender muito, eliminará as tensões e o nervosismo diante das situações reais que terá de enfrentar. É o que recomenda o Blogueiro: Simule, simule, simule. E mande ver.