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A universidade dá saudade

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Você acaba de se matricular na Unesp, no curso com que sonhava, e agora está na expectativa do início das atividades. Passam por sua cabeça muitos pensamentos e projeções sobre como será sua vida durante os anos de estudo. Será bom? Será muito puxado? Será duro de aguentar?

Complica-se a questão pelo fato de que você reside em outra cidade ou até em outro estado, e agora terá uma vida completamente diferente do que vem tendo até o momento. E agora?

Na verdade, acredite que está ingressando nos melhores anos de sua vida de estudante. Você viverá intensamente todos os momentos em que passar no câmpus universitário, a começar pelo relacionamento que manterá com seus colegas. Muitos obterão a oportunidade de ocupar um local em moradia estudantil, onde passarão a viver numa sociedade completamente diferente de tudo o que conheceram até agora. Haverá novas amizades, novos relacionamentos, satisfações e até mesmo atritos, ou seja, ensinamentos de convivência que serão muito úteis em sua vida futura.

Aqueles que não ingressarem em moradias universitárias se reunirão em grupos e dividirão o aluguel em casas ou apartamentos, locais metaforicamente chamados repúblicas, e terão também de se adaptar a novas formas de convivência, muito diferentes das que tinham em suas casas, no seio de suas famílias e em suas cidades. Assim como nas moradias, nas repúblicas se desenvolvem amizades que duram pelo resto das vidas dos moradores. Sem falar que também surgem muitos casamentos.

Essas mudanças, que no início podem até assustar um pouco os estudantes, na verdade constituem um fato altamente positivo para todos. E assim também os próprios eventos de que participarão no câmpus universitário, seja os relacionados diretamente a estudos e tarefas, seja os que dizem respeito a atividades culturais, esportivas, comemorações e, mesmo, festividades. Os estudantes acabam descobrindo que estudar na universidade implica não apenas esforço e estudo, mas um período de vida rico em eventos de toda espécie.

Por tudo isso, você não deve preocupar-se com o que encontrará. Se ainda tiver alguma dúvida, pode perguntar a pessoas que já se formaram, isto é, que já passaram pela experiência que você irá passar. A resposta da maioria dessas pessoas, com certeza, será que a universidade deixa saudades. E tantas, que levam profissionais que residiram em moradias ou repúblicas a, de tempos em tempos, reunirem-se para lembrar-se de tudo o que lá viveram, inclusive das molecagens que praticaram como formas de divertimento. Pergunte a profissionais já formados sobre essas molecagens e com certeza dará muitas risadas com o que contarem.

Você também um dia sentirá as mesmas saudades.

 

Unesp: a Universidade que abraçou São Paulo

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Quem vai obter sua vaga numa das unidades da Universidade Estadual Paulista, a Unesp, precisa ingressar conhecendo um pouco da história da instituição de que fará parte ao longo dos anos de sua graduação e, talvez, de sua pós-graduação. Tal conhecimento, com certeza, o deixará emocionado, ao perceber quantos ideais, quantos projetos, quantas lutas acabaram culminando com a universidade pujante em que a Unesp se transformou.

Fundada em 1976, a Unesp é a caçula das três grandes universidades estaduais do Estado de São Paulo. E como foi fundada? Nasceu do zero, planejada pelo governo? Na verdade, não foi assim. Nossa universidade surgiu, de fato, do planejamento de homens idealistas que perceberam, em primeiro lugar, a possibilidade de criar-se uma terceira instituição de ensino superior no estado e, em segundo lugar, pela criação com base na associação de faculdades e institutos isolados, vinculados aos diferentes municípios. Mas não se tratou de um raciocínio simplório, do tipo Vamos juntar tudo numa coisa só. Ao contrário, houve estudos e estudos, verificaram-se com cuidado as áreas de conhecimento em que se situavam os cursos de cada um desses institutos e faculdades. Constatada a grande abrangência em termos de áreas de conhecimento, passou-se à elaboração do projeto, que foi aprovado pelo legislativo e sancionado pelo executivo do Estado de São Paulo. As faculdades e institutos isolados foram transformadas em unidades da nova instituição e, como no início de qualquer empreendimento, foi necessário também polir arestas entre essas unidades, para evitar cursos duplicados. O princípio fundamental da instauração da Unesp foi conduzir todas as unidades a produzir ensino e pesquisa de alta qualidade, espelhado nas duas universidades coirmãs.

A Unesp tornou-se, assim, uma universidade de qualidade e a mais interiorizada em termos de municípios abrangidos, o que foi altamente positivo e facilitou também, ao longo do tempo, a incorporação de outras unidades. A ideia de interiorizar ainda mais esteve sempre presente, de modo que, no início deste século, foram criadas novas unidades em muitos municípios que ainda não tinham ensino superior público e, em alguns casos, nem tinham ainda ensino superior privado relevante.

O resultado de todo esse esforço fez com que a interiorização fosse levada ao máximo, abrangendo todo o Estado de São Paulo. O Blogueiro, neste sentido, como alguém que participou de boa parte dessa história, costuma dizer, um tanto poeticamente, que A Unesp abraçou todo o Estado de São Paulo. Para que você possa fazer uma boa ideia desse fato, basta consultar, no site da Universidade, o mapa com a localização de todas as unidades.

Logo você fará parte desse projeto. Bom curso!

 

 

 

 

 

Algumas profissões estão acabando. Estão mesmo?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Enquanto você espera o momento da matrícula, faz suas leituras na internet e debate com seus colegas sobre a profissão que seguirá. Pegou moda, hoje em dia, na net e nas conversas, focalizar a questão das profissões que, em futuro próximo ou ainda distante, irão desaparecer, substituídas por outras, mais “modernas”. Certas opiniões e certos sites muitas vezes podem assustá-lo, levando-o a desconfiar do próprio caminho profissional que escolheu, sugerindo que o futuro pode ser, neste sentido, altamente ameaçador. E se a minha profissão acabar? perguntará você. Que farei?

É bom ir devagar nessas reflexões. Muitos sites são intencionalmente sensacionalistas, só querendo atrair leituras. Pense por si mesmo, a começar pelo fato de que, ao longo da História, milhares de profissões foram sendo criadas e milhares foram sendo extintas, à medida que a ciência e a tecnologia avançavam. Hoje não é e não pode ser diferente, embora com muito mais intensidade. O grande e veloz desenvolvimento em todas as áreas de ação da humanidade leva, é claro, a gerar a necessidade de pessoas capazes de dominar as novas técnicas, mecanismos e instrumentos. Assim vão surgindo novas profissões em todos os níveis. A mudança, porém, não é repentina nem surpreendente. Nada surge aos saltos, mas dentro de processos muitas vezes lentos, após anos e anos de pesquisas e experimentação.

Também é bom pensar, além disso, que novas profissões são frequentemente evoluções das já existentes, em função dos desenvolvimentos técnicos, tecnológicos e científicos nas respectivas áreas. Nada a temer, portanto. Ao contrário, o conhecimento desse fato pode e deve servir como estímulo para um estudante universitário abrir perspectivas e procurar enriquecer as possibilidades de sua futura profissão, procurando manter-se atualizado durante o curso e na prática posterior de seu trabalho. Esta é uma grande verdade: um bom profissional, hoje e sempre, é o que se mantém a par de tudo o que ocorre de novo em seu campo de trabalho. De resto, as próprias universidades, durante os cursos, oferecem a possibilidade da frequência a aulas de outros cursos. Melhor ainda: depois de formado, todo profissional pode frequentar cursos de pós-graduação profissionalizantes, que constituem excelentes meios de atualização e especialização.

Algumas pessoas afirmam que as universidades não conseguem acompanhar todo o progresso e desenvolvimento que ocorre fora delas. Isso é falso. Grande parte do desenvolvimento é provocada pelas próprias pesquisas universitárias, que muitas vezes estão à frente dos novos processos científicos e tecnológicos. Já por isso se chamam universidades, responsáveis que são pela conservação e progresso da ciência, por meio da pesquisa e do ensino.

Desta maneira, você que vai ingressar numa universidade, estará na instituição mais adequada para satisfazer a todas as suas demandas em termos de formação e profissão. Entendeu agora a ironia sugerida pela interrogação no título deste artigo?

 

 

Não leve estes erros para a Universidade

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Mesmo levando em conta que agora não haverá provas, mas você está aguardando ansiosamente o resultado de sua aprovação, sempre é bom lembrar neste Blogue de algo que pode ser útil a seu futuro nos bancos universitários. Você estudou bastante e merece passar. Isso é fato. Mas, uma vez conquistada a vaga, será interessante em seus estudos ter consciência de certos aspectos importantes. Um deles é o papel da língua portuguesa no estudo universitário. Haverá tarefas e tarefas, trabalhos e trabalhos práticos ou de pesquisa que você terá de fazer empregando a língua portuguesa. Por isso, ela continuará sendo uma ferramenta de trabalho imprescindível, talvez a mais importante de suas atividades. Neste caso, tudo o que você aprendeu ao estudar para as provas de conhecimentos e de redação será útil agora, muitíssimo útil, na redação de trabalhos das diferentes disciplinas que terá de enfrentar.

A Universidade, neste sentido, é um universo do discurso. Tudo o que é produzido é relatado, primeiramente em sua língua materna, depois em outras, de acordo com a natureza da pesquisa solicitada. Tais relatos ocorrem tanto no discurso oral, quanto no escrito. Seminários, por exemplo, solicitam apresentações orais e também escritas. Pesquisas de campo são relatadas por escrito e seus resumos apresentados em discurso oral.

Quando começarem seus estudos no curso você perceberá, finalmente, por que estudou tanto a língua portuguesa e a redação, além da apresentação oral. E verá que eventuais reclamações sobre excesso de estudo nesse campo eram infundadas. E até agradecerá, interiormente, a todos os professores que o estimularam a dominar o idioma. Não era exigência injustificável, nem tampouco excesso de zelo dos mestres, mas o desenvolvimento de habilidade que o acompanhará a vida toda.

Isto posto, o Blogueiro atenua um pouco seu discurso para fazer um alerta: verifique com atenção os erros de que ainda não conseguiu se livrar e evite, a todo custo, fazê-los ingressar na Universidade. Não são boa companhia. Parece um aviso bobo, mas não é. Ainda outro dia, lendo uma matéria de jornal na internet, o Blogueiro se deparou com os seguintes exemplos (por cuidado, foram um pouco alteradas as frases para evitar reclamações dos citados):

Um mal resultado vai deixar todos nervosos.

A atitude teria sido a solução encontrada pelo professor para punir o aluno pelo mal desempenho.

Dissipou as dúvidas que haviam a respeito de suas últimas decisões.

 

É claro que você percebeu os erros crassos presentes nesses exemplos, que deixariam horrorizados seus professores. E, se percebeu, é porque não os pratica. Mas, se não percebeu, ainda é tempo de aprender: sempre que empregamos “mal”, o oposto é “bem”. E se empregamos “mau”, o oposto é “bom”. É um critério adequado para não errar. O redator que nos brindou com os dois primeiros exemplos, portanto, descurou desse ensinamento (que deve ter recebido na escola, evidentemente) e trocou as bolas. Deveria ter escrito

 

Um mau resultado vai deixar todos nervosos.

A atitude teria sido a solução encontrada pelo professor para punir o aluno pelo mau desempenho.

Foram dois cochilos, é claro, mas que não recomendam muito o redator.

Já no terceiro exemplo o problema é a forma verbal “haviam”, plural, colocada em lugar de “havia”, singular. O redator se deixou impressionar demais pelo termo “dúvidas”, plural, e usou também o plural para o verbo, o que é errado, pois o verbo “haver”, com o significado de existir, é empregado sempre e apenas na terceira pessoa do singular. Basta ter este fato em mente, sem necessidade de explicações gramaticais. Seus professores repetiram mil vezes o ensinamento e a prática, não é verdade? Então não cabe qualquer distração a respeito. Memorize este exemplo, dado por Houaiss, para nunca esquecer: haverá deuses, enquanto alguém neles acreditar. Trata-se de um erro, aliás, que muita gente importante comete na oralidade e que faz o vídeo de nossas televisões ficar vermelho de vergonha.

Agora você entendeu a mensagem dada pelo título deste artigo: não leve estes erros para a universidade. Estes, é claro, e muitos outros semelhantes. Seu domínio de discurso, tanto escrito, quanto oral, deve continuar evoluindo nos bancos acadêmicos.

 

Você e o professor universitário

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Você vai ingressar na Universidade e terá seguramente muitas surpresas desde o começo, todas agradáveis. Não tenha dúvidas a esse respeito. A universidade é agradavelmente diferente de tudo o que você viu até hoje.

Os novos alunos dos diferentes cursos, de fato, muitas vezes imaginam que o ensino será muito parecido com o que já tiveram, talvez apenas com um rigor bem maior, já que se trata de preparo para uma profissão de nível superior. Quanto a esse rigor, pode ter certeza de que é verdadeiro. O professor do ensino médio tem como objetivo, se o curso for profissionalizante, preparar o estudante para ser um bom técnico e atuar tão logo formado; se não se tratar de ensino técnico, o objetivo praticamente acaba se resumindo à preparação do estudante para prestar vestibulares. Seus instrumentos de trabalho, deste modo, se resumem em suas aulas, apostilas e livros apropriados a essa finalidade. Claro que se trata de uma atividade muito importante, uma verdadeira missão, que merece todos os elogios possíveis, já que não é nada fácil conquistar a atenção de jovens e estimulá-los a intensificar seus esforços para atingir a difícil meta de conquistar uma vaga em universidade. Diferentemente, o professor universitário é um especialista na disciplina que vai lecionar. Quase sempre explora os conteúdos como temas de suas pesquisas. Tem ele plena consciência da responsabilidade de repassar, em termos de teoria e prática, seus conhecimentos para uso futuro do estudante em sua profissão.

Vale a pena lembrar que o professor universitário é simultaneamente pesquisador e professor. Possui mestrado, doutorado e muitas vezes pós-doutorado nas disciplinas que ensina em sala de aula. É responsável por publicações em revistas especializadas e participações em congressos nacionais e internacionais. Prestou concurso de acesso bastante exigente. Tem contrato com sua universidade para exercer três atividades distintas: ensino, pesquisa e extensão de serviços à comunidade. Nelas e por elas, assimila o que de principal envolve tais atividades tanto em termos de teoria, como de prática. A extensão frequentemente o leva a compreender ainda mais profundamente tudo o que merece ser ensinado por envolver o currículo do curso e, se possível, praticado em estágios por seus discípulos.

Por isso mesmo, alguns estudantes, nas primeiras aulas, estranham um pouco as figuras e os comportamentos dos docentes. Só nas primeiras aulas, é claro. Com o tempo, os estudantes vão percebendo, inclusive pela comparação entre as atuações dos diferentes docentes, quais objetivos do curso que escolheram devem ser conquistados para atingirem o melhor perfil de formação possível.

Prepare-se, portanto, para encontrar na universidade uma instituição agradavelmente diferente da escola que você cursou até agora. E aproveite tudo o que puder do conhecimento, da especialização e do esforço de seus mestres, inclusive buscando participação em pesquisas de grupos e complementação do currículo em outras universidades nacionais ou estrangeiras. Como o Blogueiro já lembrou a você mais de uma vez, a universidade oferece até a possibilidade de mudar de curso, caso você venha a perceber que o escolhido não era exatamente o que você desejava.

A base de suas ações nos bancos universitários, portanto, está nos professores que ministram as diferentes disciplinas. Esteja sempre atento ao que dizem, sugerem, aconselham. E torne-se um excelente profissional em sua vida futura.

E se você não passar?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Em todos os inícios de ano, o Blogueiro pensa não apenas nos candidatos que serão aprovados, como também naqueles que não o serão. Tais reflexões brotam de sua própria experiência, pois, ao longo de sua vida, em concursos que prestou, teve aprovações e também reprovações.

Não é fácil nem confortável, de fato, deixar de ser aprovado em vestibulares e  outros concursos. As reações dos candidatos variam conforme seus temperamentos, suas personalidades. Alguns podem se mostrar aborrecidos: Que droga! Estudei tanto e não deu! Outros até muito zangados: Essas universidades só querem saber de humilhar a gente. Outros ainda falam em mudar de perspectiva: Pra mim chega! Vou buscar outra forma de me tornar profissional! Isso sem falar naqueles que mergulham em profundo abatimento.

Na verdade, nem uma dessas atitudes se justifica. Os candidatos a vestibulares e outros concursos precisam ter consciência de que não ser aprovado é um fato comum, que, aliás, vai se repetir ao longo de suas vidas. No trabalho profissional, por exemplo, nem sempre aquele que aguarda uma promoção esforçando-se ao máximo consegue atingir esse objetivo. Pode até acontecer que outro colega, aparentemente menos qualificado, consiga, por fatores explicáveis ou até inexplicáveis. A vida é uma sequência de escolhas, acertos e erros. E nossas vitórias nem sempre dependem apenas de nós. Acertos e erros, aprovações ou reprovações são fatos comuns que não devem nunca desanimar ninguém. Ao contrário, a cada fracasso deve corresponder uma decisão de, nas próximas vezes, acertar, vencer, atingir a meta pretendida.

Deste modo, se por acaso você não for classificado desta vez, deve olhar para a frente e dizer a si mesmo: Na próxima, conseguirei. É assim que pensam e agem os vencedores. As biografias de homens ilustres, de grandes cientistas, poetas, profissionais famosos estão repletas de menções a tropeços e fracassos, que foram enfrentados com determinação e coragem.

Pense nisso. E nunca se abata com seus insucessos, mas apoie-se na análise deles para superá-los e superar-se. Produza também uma biografia de vencedor.

 

Você deve estar no mundo

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Alguns dias atrás o Blogueiro se pôs a pensar sobre o que mais poderia dizer aos candidatos nesta passagem de ano, tanto aos aprovados quanto aos não aprovados para ingressar na universidade, algo que possa servir de utilidade em suas vidas, em suas carreiras, em seu trajeto por este mundo. Isto porque, a estas alturas, os próprios candidatos, prestadas as provas, estão praticamente saturados de ouvir conselhos sobre gramática, ortografia, literatura, etc., etc.

Depois de algumas reflexões, finalmente chegou a um ponto interessante, uma recomendação que poderá servir mesmo àqueles que resolvam não seguir carreiras profissionais ensinadas pelas universidades: a leitura como hábito, como rotina de vida. Não a leitura trivial, de estudos ou de orientação profissional, mas a leitura formadora de uma visão de mundo superior, de intelectualidade.

Quem estuda em uma universidade, buscando formação, não se torna necessariamente um intelectual. Torna-se um profissional habilitado a exercer determinada profissão de nível superior. O ideal, porém, é que, além dessa formação, adquira também a de um verdadeiro intelectual, capaz de compreender o mundo, o homem, a vida, capaz de produzir ideias e conceitos superiores a esse respeito.

Um hábito de leitura assim estabelecido deve incluir não apenas livros técnicos, nem tão somente literatura. São, é claro, necessários, mas em todas as áreas do conhecimento há livros importantíssimos para a formação da intelectualidade. Alvin Toffler publicou, em 1970, um livro que  merece ser lido, particularmente porque focaliza temas que hoje são ainda muito relevantes: O choque do futuro (Future shock). Vale a pena ler, ainda mais porque descreve como deve ser qualquer profissional de hoje em sua relação com a realidade tecnológica que o cerca. Não se pode ser mais só engenheiro, só médico, só advogado, só professor, só cientista. Homens e mulheres de hoje têm de ser seres pensantes e atuantes criticamente sobre o mundo em que vivemos e sobre tudo o que a humanidade edificou no planeta. É preciso enxergar, com a mente, muito além do que os olhos enxergam.

Dois livros do genial físico Stephen W. Hawking são igualmente recomendáveis: Uma breve história do tempo e O universo numa casca de noz. Neles, Hawking focaliza, em discurso para leigos, a teoria geral da relatividade e a mecânica quântica, procurando fazer com que pessoas comuns como você e o Blogueiro possam ter uma boa ideia dos avanços nessas duas áreas, que visam atingir um conhecimento cada vez maior e detalhado de como funciona o universo. Um estudante bem formado no ensino médio já está em condições de lê-los e entendê-los.

Para não dizer que a literatura foi deixada de lado, vale a pena ler o 1984, de George Orwell, obra que pode ser considerada atualíssima, pois descreve um mundo como aquele em que parece estar se transformando o nosso. Orwell não imaginava a tecnologia tão variada como conhecemos hoje, mas colocou com precisão o que ela significa para o fim da liberdade e da livre determinação da humanidade.

Assim também, no campo da filosofia, não se pode ignorar a leitura de Platão, como, por exemplo, o diálogo A república, de Aristóteles (Política) e de qualquer obra de Nietzsche. Isso entre milhares de obras das mais diferentes áreas. Só assim estaremos realmente no mundo e poderemos atingir uma compreensão do homem, do universo e nos tornarmos verdadeiramente intelectuais, diferenciando-nos daqueles que veem o mundo apenas como fonte de satisfação e prazer material.

Pense nisso. E tenha um feliz e venturoso 2019.

 

É você que se forma

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Prestadas as últimas provas da segunda fase, a melhor atitude agora é confiar e relaxar.  Todos os esforços necessários você fez para chegar aonde chegou, com grande dose de esperança de que conquistará a tão sonhada vaga no curso escolhido.

Na verdade, um vestibular é uma verdadeira batalha, que começa no ensino básico, ao tempo em que o estudante vai formando sua opinião sobre as diferentes profissões, mais particularmente sobre aquelas que o atraem para escolha futura. A partir de determinado momento, que corresponde mais ou menos ao nono ano do ensino fundamental, a escolha de cada candidato começa a se tornar mais clara e definida. Durante o ensino médio, consolida-se: o estudante já sabe o que quer e o quanto fazer, em termos de estudo, para conquistar sua vaga.

É neste ponto que a batalha recrudesce: a verificação do número de vagas, a oferta por esta ou aquela universidade, as estatísticas de anos anteriores sobre as médias que devem ser atingidas e a relação candidato x vaga. Todos estes números assustam um pouco, por vezes parecem insuperáveis. A obstinação do candidato, porém, é capaz de superar todos os obstáculos, todas as possíveis dificuldades.

Você certamente passou por tudo isso para chegar aonde chegou. E, muito provavelmente, conseguiu realizar boas provas para atingir a meta pretendida. A questão agora é aguardar os resultados, sempre confiando que fez o possível e o impossível em sua preparação.

Parta então do princípio de que sua vaga está conquistada e seu nome aparecerá na lista de classificação. E comece a pensar desde já no curso que vai fazer e na profissão em que se formará. Por quê? Porque hoje em dia não basta apenas formar-se, é preciso saber se formar. A busca de informações, tanto na realidade prática, quanto na rede, sobre o alcance ou os alcances da profissão que escolheu é de suma importância. Você não pode começar a fazer um curso universitário esperando que tudo aconteça na universidade, isto é, que esta preveja tudo o que vai acontecer tão logo você receba seu diploma. Você tem uma grande responsabilidade em verificar, antes e durante seu curso, o que está ocorrendo com os profissionais no mercado de trabalho, quais as alterações que os novos tempos, plenos de tecnologias, estão causando nessa profissão, enfim, quais requisitos você pode e deve acrescentar em seus estudos, durante o curso, para formar-se um profissional inteiramente à altura das expectativas do mercado de trabalho atual.

Assim, mãos à obra, procure aproveitar tudo o que puder: disciplinas optativas, disciplinas de outros cursos que perceba necessárias para ampliar seu perfil de trabalho ao se formar, conteúdos complementares no país e no exterior, já que todas as boas universidades brasileiras como a Unesp mantêm convênios com instituições de outros países, estágios em empresas nacionais ou estrangeiras. E sempre de olho no que está ocorrendo com a profissão no mercado de trabalho.

Percebeu? Faça valer, ao longo de seus estudos, a certeza de que a universidade fará uma parte e você deverá fazer a outra: forme-se.

Bom futuro!

 

Um pequeno conselho, mas eficiente

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Nas últimas horas de estudo, prestes a iniciar a grande batalha por uma vaga, muitas vezes os candidatos a exames vestibulares e outros concursos anseiam por um grande conselho, que lhes possibilite o maior desempenho possível em suas provas. O problema é que, na maior parte das vezes, esse grande aporte de novas informações não vem, causando certa decepção. O que vem, quase sempre da boca de um amigo ou um mestre, é um lembrete qualquer, um último alerta sobre pequenos vícios ou distrações que temos ao escrever. Na hora, parece pouco, muito pouco. Só na hora.

Mesmo sabendo que poderá ser assim recebido, o Blogueiro apresentará sua sugestão. Esta nasceu diante de uma tela de televisão, há quatro dias, no discurso de uma apresentadora e entrevistadora de tevê. Ao fazer uma pergunta ao convidado, acabou dizendo ela que um bom governo geralmente não costuma afroxar suas decisões econômicas, mas as mantém permanentemente ativas e dentro de uma tensão ideal.

Ora, a ideia até que surge como interessante, candidata à verdade, mas aquele afroxar assusta bastante o espectador. E mais ainda vindo de uma pessoa formada por universidade A apresentadora, porém, pronunciou tão naturalmente, tão espontaneamente, que nem a pessoa entrevistada notou, e acabou empregando a mesma palavra do mesmo modo em sua resposta. Só um “chato” como o Blogueiro foi capaz de perceber que se trata de um grande equívoco empregar a forma errada afroxar em lugar da correta. Não devemos dizer nem escrever afróxa, erro grave. Trata-se do verbo afrouxar, que na sua conjugação vai solicitar esse u e que tem o e fechado, e não aberto: eu afrouxo, ele afrouxa, que eu afrouxe, que ela afrouxe, se eu afrouxar, se ela afrouxar, etc. etc.

Percorre nossos discursos na comunicação oral esse vício de pronúncia que nos faz dizer róbo em lugar de roubo (Eu roubo o livro.), róba em lugar de rouba (Ela rouba o supermercado). O verbo roubar se enquadra no mesmíssimo caso de afrouxar: apresenta sempre em sua conjugação o u, e seu o é fechado, não aberto. Na comunicação oral talvez não cause muito dano, mas na comunicação escrita, numa redação de concurso…

Embora o conselho do Blogueiro seja pequeno, nesta hora, é muito importante, porque há outros casos bastante semelhantes, com verbos como pousar (fazer pouso), toucar (enfeitar), arroubar, enlouquecer, aloucar-se e outros. Verifique e ganhe mais uma possibilidade de não cometer tais deslizes.

E para  não dizer que o Blogueiro ficou apenas nisso, hoje, esteja alerta para uma palavra que empregou no parágrafo anterior: bastante. No texto está bastante semelhantes. Esta segunda palavra é um adjetivo modificado por bastante, em função de advérbio, assim como seria muito semelhantes. O problema, porém, para alguns, surge em exemplos como Em sua tarefa temos provas bastantes de sua competência; Conversamos bastantes vezes sobre seu pai; A cidade tem bastantes prédios. Notou? Esse uso também é correto e perfeito. Não precisa estranhar, só entender e empregar.

Não lhe pareceu bom este conselho? Pequeno, talvez, mas muito útil, sempre  com o objetivo de levar você a fazer boas provas.

 

Que venha a revisão. Minha nota vai melhorar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Terminada a primeira fase, em que você se saiu brilhantemente, é hora da segunda, em que você irá ainda melhor. Mas, como se costuma dizer, não se pode dormir sobre os louros de uma só vitória. É preciso buscar ainda mais possibilidades. Isso se obtém por um sistema inteligente de revisões.

Mas, afinal, que tipo de revisão você pode fazer em tão limitado período? Duas hipóteses surgem: uma, rever os pontos em que teve maior dificuldade com o conteúdo; duas: rever a matéria cujos conteúdos você teve não muita dificuldade em acessar. Embora pareça que a primeira hipótese seja a melhor, o Blogueiro acredita que a segunda é a que lhe pode trazer maior pontuação. Por quê? Porque você já tem certo domínio de alguns conteúdos, então será mais fácil resolver as dúvidas. As questões mais difíceis iriam lhe dar muito maior trabalho e estudo, que talvez não compensasse em termos de aprendizado.

Não esqueça, é claro, que a segunda fase é discursiva, tanto nas respostas quanto na redação. O estilo que você deve adotar é o mesmo dos enunciados das questões. Nesse  caso, tome bastante cuidado com as palavras e expressões que empregar. Evite escrever eu acho que, parece que, imagino que, etc. Expressões como essas empobrecem suas respostas e o texto redacional. Procure ser sempre positivo, sugerindo ter certeza daquilo que responde. As bancas precisam saber que você responde com convicção, e não por palpite.

No caso da redação, manifeste a mesma firmeza de quem sabe do que está falando, e não se trata apenas um mero palpite.

Essas pequenas atitudes conferirão o devido valor ao que escreve.

O mais importante de tudo, porém, é uma atitude de confiança em si mesmo. Afinal, não foi por acaso que você conquistou a primeira fase. E não será nenhuma surpresa ser aprovado na segunda. Boas provas.