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Um pequeno conselho, mas eficiente

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Nas últimas horas de estudo, prestes a iniciar a grande batalha por uma vaga, muitas vezes os candidatos a exames vestibulares e outros concursos anseiam por um grande conselho, que lhes possibilite o maior desempenho possível em suas provas. O problema é que, na maior parte das vezes, esse grande aporte de novas informações não vem, causando certa decepção. O que vem, quase sempre da boca de um amigo ou um mestre, é um lembrete qualquer, um último alerta sobre pequenos vícios ou distrações que temos ao escrever. Na hora, parece pouco, muito pouco. Só na hora.

Mesmo sabendo que poderá ser assim recebido, o Blogueiro apresentará sua sugestão. Esta nasceu diante de uma tela de televisão, há quatro dias, no discurso de uma apresentadora e entrevistadora de tevê. Ao fazer uma pergunta ao convidado, acabou dizendo ela que um bom governo geralmente não costuma afroxar suas decisões econômicas, mas as mantém permanentemente ativas e dentro de uma tensão ideal.

Ora, a ideia até que surge como interessante, candidata à verdade, mas aquele afroxar assusta bastante o espectador. E mais ainda vindo de uma pessoa formada por universidade A apresentadora, porém, pronunciou tão naturalmente, tão espontaneamente, que nem a pessoa entrevistada notou, e acabou empregando a mesma palavra do mesmo modo em sua resposta. Só um “chato” como o Blogueiro foi capaz de perceber que se trata de um grande equívoco empregar a forma errada afroxar em lugar da correta. Não devemos dizer nem escrever afróxa, erro grave. Trata-se do verbo afrouxar, que na sua conjugação vai solicitar esse u e que tem o e fechado, e não aberto: eu afrouxo, ele afrouxa, que eu afrouxe, que ela afrouxe, se eu afrouxar, se ela afrouxar, etc. etc.

Percorre nossos discursos na comunicação oral esse vício de pronúncia que nos faz dizer róbo em lugar de roubo (Eu roubo o livro.), róba em lugar de rouba (Ela rouba o supermercado). O verbo roubar se enquadra no mesmíssimo caso de afrouxar: apresenta sempre em sua conjugação o u, e seu o é fechado, não aberto. Na comunicação oral talvez não cause muito dano, mas na comunicação escrita, numa redação de concurso…

Embora o conselho do Blogueiro seja pequeno, nesta hora, é muito importante, porque há outros casos bastante semelhantes, com verbos como pousar (fazer pouso), toucar (enfeitar), arroubar, enlouquecer, aloucar-se e outros. Verifique e ganhe mais uma possibilidade de não cometer tais deslizes.

E para  não dizer que o Blogueiro ficou apenas nisso, hoje, esteja alerta para uma palavra que empregou no parágrafo anterior: bastante. No texto está bastante semelhantes. Esta segunda palavra é um adjetivo modificado por bastante, em função de advérbio, assim como seria muito semelhantes. O problema, porém, para alguns, surge em exemplos como Em sua tarefa temos provas bastantes de sua competência; Conversamos bastantes vezes sobre seu pai; A cidade tem bastantes prédios. Notou? Esse uso também é correto e perfeito. Não precisa estranhar, só entender e empregar.

Não lhe pareceu bom este conselho? Pequeno, talvez, mas muito útil, sempre  com o objetivo de levar você a fazer boas provas.

 

Que venha a revisão. Minha nota vai melhorar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Terminada a primeira fase, em que você se saiu brilhantemente, é hora da segunda, em que você irá ainda melhor. Mas, como se costuma dizer, não se pode dormir sobre os louros de uma só vitória. É preciso buscar ainda mais possibilidades. Isso se obtém por um sistema inteligente de revisões.

Mas, afinal, que tipo de revisão você pode fazer em tão limitado período? Duas hipóteses surgem: uma, rever os pontos em que teve maior dificuldade com o conteúdo; duas: rever a matéria cujos conteúdos você teve não muita dificuldade em acessar. Embora pareça que a primeira hipótese seja a melhor, o Blogueiro acredita que a segunda é a que lhe pode trazer maior pontuação. Por quê? Porque você já tem certo domínio de alguns conteúdos, então será mais fácil resolver as dúvidas. As questões mais difíceis iriam lhe dar muito maior trabalho e estudo, que talvez não compensasse em termos de aprendizado.

Não esqueça, é claro, que a segunda fase é discursiva, tanto nas respostas quanto na redação. O estilo que você deve adotar é o mesmo dos enunciados das questões. Nesse  caso, tome bastante cuidado com as palavras e expressões que empregar. Evite escrever eu acho que, parece que, imagino que, etc. Expressões como essas empobrecem suas respostas e o texto redacional. Procure ser sempre positivo, sugerindo ter certeza daquilo que responde. As bancas precisam saber que você responde com convicção, e não por palpite.

No caso da redação, manifeste a mesma firmeza de quem sabe do que está falando, e não se trata apenas um mero palpite.

Essas pequenas atitudes conferirão o devido valor ao que escreve.

O mais importante de tudo, porém, é uma atitude de confiança em si mesmo. Afinal, não foi por acaso que você conquistou a primeira fase. E não será nenhuma surpresa ser aprovado na segunda. Boas provas.

 

 

O porquê da segunda fase

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Agora que você já prestou as provas da primeira fase do Vestibular Unesp, já é hora de pensar na segunda, de preparar-se do melhor modo possível para ela. Você pode, por vezes, perguntar-se: Afinal, por que uma segunda fase com base no mesmo elenco de conteúdos? Já não passei por isso na primeira?

A pergunta é até justificável, exceto por um detalhe: na segunda fase, além dos conteúdos propriamente ditos, está em jogo o escrever. Você tem de demonstrar agora que, além de conhecer, tem preparo suficiente para, pelo escrever, demonstrar por si mesmo esse conhecimento, sem necessidade do x das alternativas. Algumas décadas atrás, chegou a haver nos vestibulares a ausência dessa prova discursiva, reduzindo-se tudo a uma única e extensa prova objetiva, à base de alternativas. O que parecia solução prática, porém, acabou por se revelar um grande problema, ao ser verificado nas universidades que os estudantes tinham imensa dificuldade em escrever. Foi a chamada Geração do X. Ao ficar bem patente o problema, as provas de vestibulares passaram a ser constituídas de questões objetivas e questões discursivas, incluída a redação.

Um profissional formado pelo ensino superior, deste modo, tem de ser capaz de expressar-se suficientemente bem por meio do discurso escrito. Esta é a diferença. E é por isso que você tem de tomar uma série de cuidados para que esse discurso funcione de acordo com o esperado para uma pessoa que se formou no ensino médio e vai ter de experimentar mudanças muito significativas em seus estudos ao longo do curso escolhido.

O Blogueiro, por isso, irá fazendo em muitos artigos um bom número de recomendações sobre a qualidade de seu discurso, tanto nas respostas às diferentes questões, quanto na redação, que representa uma parte muito importante dessa fase. Começando pelo começo, pode-se ir ao ponto mais elementar: os elementos fundamentais do discurso escrito, que se revelam por primeiro nos textos.

Assim, quer nas respostas a questões, quer na redação, trate de entender que a clareza da apresentação é muitíssimo importante. Parágrafos muito longos podem provocar confusão, ou até mesmo equívocos. Há respostas nas quais temos de nos estender um pouco mais e, nesses casos, é recomendável dividi-las em parágrafos para facilitar sua estruturação e a leitura pelas bancas de correção. Na redação ocorre a mesma coisa: é bom dividir o texto em parágrafos bem arranjados e harmônicos. Evitar o erro de transformar a redação num enorme e único parágrafo, pois nesse caso o próprio estudante pode se confundir e ser conduzido a um desenvolvimento equivocado. Não se deve, porém, seguir o conselho de alguns, que sugerem picotar o texto com curtos e numerosos parágrafos. Isso pode levar a uma perda de poder argumentativo.

Tomar cuidado, também, com certas características que, de tão elementares, praticamente não são muito focalizadas em aulas: começar cada período com inicial maiúscula, não empregar sem justificativa iniciais maiúsculas para certas palavras no interior dos períodos, não tentar fazer trocadilhos inúteis, nem citações de que não se tenha plena certeza, não rechear o texto com reticências, etc.

Percebeu? Em qualquer atividade humana, o elementar nem sempre é tão elementar assim.

 

O valor do diploma superior

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Você já parou para pensar no valor do diploma universitário que conquistará? Será apenas um belo pergaminho para colocar em um quadro na parede de seu escritório? Representará tão somente o curso em que você se formou e a profissão que exerce? E já pensou se você não exercer a profissão e resolver, depois de formado, partir para outra?

É, talvez não tenha realmente pensado. Mas não se preocupe. Parta do princípio de que nossa vida é cheia de episódios, alguns bastante radicais, que nos fazem mudar completamente de rumo, quer sob o aspecto pessoal, quer profissional. O importante é ter sempre em mente que nada do que fazemos é perdido. Tudo provoca experiências importantes, que podem servir como base muito útil para novas experiências, novos empreendimentos, novos caminhos a trilhar.

Evidentemente, nossa vida é governada pela aceitação e adoção de padrões. Por vezes, esses padrões nos governam tanto, que somos afastados da observação clara do que acontece na realidade. Alguns chegam a dizer que os padrões nos fazem aderir a um comportamento de manada, vale dizer, o que os outros fazem nos leva a fazer o mesmo, do mesmo modo. O que não percebemos, porém, é que, se a vida é informada por padrões, isso não significa um fato dominante. O oposto, o diferente, também podem ocorrer. E daí? Que fazer? Negar os fatos evidentes ou observá-los como distorções desprezíveis?

Nada disso. Quando ocorre algo diferente do que estamos acostumados a ver, é preciso buscar as razões para essa diferença e analisá-las, para verificar em que medida a ruptura de um padrão pode ser bem melhor que sua aceitação pura e simples.

E aqui o Blogueiro retorna ao início do artigo, focalizando a questão da formação universitária em determinado curso. Pelo padrão, uma vez formado, o indivíduo deve vir a exercer sua profissão, quer como assalariado, quer como autônomo. Não foi para isso que estudou tanto? Claro que foi, mas pode acontecer que alguma coisa, mais à frente, não ocorra de acordo com o planejado. Traduzindo: pode ocorrer que, em certo momento, o sujeito se defronte com uma oportunidade profissional muito boa, mas fora da profissão que escolheu. Que deve fazer? Aceitá-la, é claro. A vida é também feita de experiências novas, mesmo assumindo-se certos riscos. Nesse caso, para que serviu o diploma? Para ficar desprezado na parede? Pergunta e resposta erradas. O simples fato de ter surgido uma oportunidade de mudança é a maior prova de que o diploma adquire maior valor, ou seja, valor ainda maior do que imaginávamos. Segue-se o raciocínio de que uma formação universitária não é algo fechado em si mesmo, mas um fenômeno amplo. Um diploma nas mãos não significa apenas um atestado de preparo profissional, mas um leque de possibilidades profissionais.

Por tudo isso, nem se faça mais perguntas como: E se ao fim do curso concluir que não era bem aquilo que eu queria? Pense diferente, pense que ao chegar ao final de seu curso você será um profissional preparado para muitas e muitas oportunidades. E a melhor delas nem sempre é a que surge à primeira vista. Nunca se esqueça de que é hoje impensável a existência de indivíduos sem um diploma universitário. E é bom lembrar de que em muitos concursos o diploma superior é sempre considerado condição para a inscrição do candidato.

Pense nisso: um diploma universitário não é uma entrada de cinema, mas uma chave capaz abrir numerosas portas. O mundo real sofre mudanças a todo instante. E você deve sempre estar preparado para enfrentá-las e vencê-las. Certo?

 

Vestibular Unesp: sem sustos, sem problemas

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Muitos candidatos, chegada a hora dos exames, revelam certo receio de que as questões que enfrentará venham a ser muito difíceis, algumas praticamente irrespondíveis. Os vestibulares surgem-lhes como monstros devoradores cujo interesse maior é desanimar desde o início os estudantes e levá-los à reprovação sumária.

Na verdade, não se trata de nada disso. Se você faz o vestibular UNESP pela primeira vez, não precisa se preocupar com as provas. São todas muito bem ponderadas, elaboradas por especialistas segundo uma filosofia: as questões não objetivam saber o que você não sabe, mas avaliar adequadamente o que você sabe. Por essa razão, não existem nelas as famosas pegadinhas, nem tampouco as questões complicadas que poucos responderiam.

Trata-se de um conjunto de provas, nas duas fases, que visam estabelecer um perfil do candidato para ingresso no curso pretendido. A base das questões são os programas das disciplinas e conteúdos que você consolidou ao terminar o terceiro ano do ensino fundamental. As questões sobre atualidades não se afastam desses conteúdos e se referem aos temas que todo estudante egresso do Ensino Médio deve conhecer.

Comparado com outros, o vestibular UNESP busca situar-se num patamar razoável, a certa distância dos que são considerados muito difíceis e exigentes. Por quê? Porque os especialistas da Universidade julgam que a avaliação do candidato não consiste em saber se é capaz de grandes proezas nesta ou naquela disciplina, mas se no todo revela uma formação aceitável, bem dosada, que lhe permita, uma vez aprovado no curso escolhido, assimilar sem maiores dificuldades a formação oferecida pela universidade. É o que basta.

Por estas razões, fique tranquilo, que não encontrará surpresas. Trate de voltar toda a sua atenção para o que sabe e conhece, pois será exatamente isso que enfrentará.

Boas provas!

 

A ordem dos elementos na frase

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Você se preocupa bastante com sua redação e suas respostas discursivas nos vestibulares, não é verdade? Por vezes, quando percebe ou quando lhe apontam algum erro, fica aborrecido e se considera um mau escritor, alguém que é incapaz de fazer um texto que mereça nota alta. Nunca pense assim. Você passou por um exaustivo treinamento, desde o ensino fundamental, para escrever bons textos, e com certeza deve ser mesmo capaz. Por isso, em primeiro lugar, acredite em você.

Um dos modos de comprovar essa sua capacidade é verificar que todos aqueles que escrevem, inclusive este Blogueiro, podem cometer erros em seus textos. E cometemos mesmo. Somos sujeitos a erros dos mais diversos tipos, gramaticais, ortográficos, de coesão e de coerência. Escrever, dizem os bons escritores, é sempre uma luta, uma luta constante para evitar tais lapsos, o que às vezes não é possível, porque estamos sujeitos a mil e uma influências sobre nosso comportamento que nos podem levar a cometê-los, inclusive por distração. Observe o exemplo seguinte, retirado de um jornal, e tente verificar qual desacerto ocorreu:

A moça frequentava o hotel onde foi encontrada morta regularmente.

Não é preciso muito esforço de leitura para perceber que, rigorosamente falando, não há nenhum erro gramatical nessa passagem. Todavia, há um engano de colocação de um adjunto adverbial, que gera uma forte e perigosa ambiguidade, prejudicando o entendimento por parte do leitor. Trata-se da posição ocupada por esse termo. O leitor poderá imaginar dois sentidos possíveis: primeiro, “a moça foi encontrada morta regularmente”; segundo, “a moça frequentava regularmente o hotel”. Esta segunda possibilidade de sentido é a que o jornalista quis transmitir, mas, por infelicidade ou pressa, houve o deslocamento do adjunto adverbial para uma posição que gerou a ambiguidade. O escritor quis dizer, na verdade, o seguinte:

A moça frequentava regularmente o hotel onde foi encontrada morta.

Outra possibilidade, ainda aceitável, poderia ser:

A moça regularmente frequentava o hotel onde foi encontrada morta.

É claro que a possibilidade primeira seria mais clara. O jornalista talvez tenha esquecido de colocar o adjunto adverbial nessa posição e, sentindo falta ao terminar, deixou-o no final da frase.

Percebeu? Qualquer um de nós poderia cometer esse deslize, e o perceberia se tivesse tempo de fazer a revisão, mas o jornalismo impõe tarefas rápidas, razão por que esses cochilos escapam de vez em vez.

Por que isso acontece? Porque a língua portuguesa herdou de sua língua-mãe, o latim, uma boa liberdade de colocação de palavras e termos. Essa liberdade ajuda bastante nosso escrever, mas pode também a levar a alguns problemas como o descrito. Nesse caso, todo cuidado é pouco.

Observe, só para exemplo final, a liberdade de colocação que o português herdou do latim, verificando a ordem dos elementos num provérbio como

A pressa é inimiga da perfeição.

Temos nesse provérbio quatro elementos intercambiáveis: primeiro, a pressa; segundo, é; terceiro, inimiga; quarto, da perfeição. Fazendo um exercício de permutação, descobrimos que há 24 possibilidades de colocação desses elementos: 4x3x2x1 = 24. Apresentemos cinco delas:

A pressa é inimiga da perfeição.

A pressa inimiga é da perfeição.

A pressa é da perfeição inimiga.

É a pressa inimiga da perfeição.

É a pressa da perfeição inimiga.

Essas cinco possibilidades são perfeitamente aceitáveis e não gerariam problemas de sentido. Entre as dezenove restantes, porém, algumas produziriam dificuldades de compreensão. Isto significa, singelamente, que não devemos abusar da liberdade de ordenação dos elementos nas frases que criamos. Devemos sempre reler com olhos críticos o que escrevemos, para sanar desencontros de sentido.

Ficou claro? Então coloque essa questão entre os aspectos que você precisa vigiar, e muito, nos textos que escreve. Ainda assim, vez por outra você não escapará de uma escorregadela, como a do jornalista citado. Mas só vez por outra. Valeu?

 

 

 

Um errinho banal: sujeito preposicionado

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Muitas pessoas que deveriam ter um pouco mais cuidado com seu idioma, como políticos, jornalistas, profissionais ilustres que vivem cochilando em uma construção bastante simples da língua portuguesa. Os gramáticos costumam alertar para esse erro, com base no estudo dos escritores clássicos, mas nem todos levam muito a sério. Observe o exemplo seguinte, colhido nesta semana num artigo de comentarista na internet, que focalizava a questão das notícias falsas (fake news) utilizadas como meio de propaganda eleitoral:

Ela, de resto, esteve na vanguarda das notícias falsas, antes mesmo delas receberem o epíteto de fake News.

Aparentemente, para o escritor descuidado, nada há de irregular na frase acima. Mas há. Apresenta um caso de preposicionamento do sujeito, que os gramáticos não admitem: não devia estar escrito “antes mesmo delas”, mas “antes mesmo de elas”, como se vê no exemplar corrigido:

Ela, de resto, esteve na vanguarda das notícias falsas, antes mesmo de elas receberem o epíteto de fake News.

Você deve notar que “elas” é o sujeito de “receberem”, e por isso, num texto que se queira realmente formal, quando precedido por preposição como “de”, não deve, rezam os gramáticos, ocorrer a combinação com o artigo que determina o sujeito.

Embora em muitos casos aqui comentados o Blogueiro tenha ressalvado que no uso oral certos lapsos são “perdoáveis”, neste caso ocorre o contrário: é melhor cada um acostumar-se a não preposicionar o sujeito, para que o vício não passe para o texto, quando escreverem. Observe outros exemplos semelhantes:

ERRADO: Há muita chance da cantora vir ao Brasil no ano que vem.

CERTO: Há muita chance de a cantora vir ao Brasil no ano que vem.

ERRADO: Apesar do parecer não ter sido emitido, tudo correrá bem.

CERTO: Apesar de o parecer não ter sido emitido, tudo correrá bem.

ERRADO: Não se pode dizer que haja algo de ilícito nele solicitar retratação do jornalista.

CERTO: Não se pode dizer que haja algo de ilícito em ele solicitar retratação do jornalista.

ERRADO: No caso do candidato vencer a eleição, cobraremos suas promessas.

CERTO: No caso de o candidato vencer a eleição, cobraremos suas promessas.

ERRADO: É chegada a hora do Brasil desenvolver-se.

CERTO: É chegada a hora de o Brasil desenvolver-se.

Percebeu como é simples este tipo de frase? 1) Após o sujeito surge o verbo no infinitivo. 2) Quer seja a preposição “de”, quer “em”, não se pode combinar com o artigo que precede o sujeito. 3) É bom seguir esse princípio também no discurso oral, para não levar o erro ao escrito. Vamos exercitar bastante, para consolidar este conhecimento?

 

Vigie os seus as

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

O Blogueiro resolveu retomar, neste tempo de vestibulares, uma questão que suscita dúvidas aos candidatos, provocando por vezes muitos erros. Trata-se do emprego de a (artigo), a (preposição) e há (verbo haver). Observe os exemplos:

 

A cidade, hoje, está cheia de entulho provocado pela tempestade.

Da fazenda a São Paulo são três horas de viagem.

Há três dias não para de chover em São Paulo.

 

No primeiro exemplo, o “a” que antecede “cidade” é um artigo, determinante do substantivo. Já no segundo, embora a pronúncia seja exatamente a mesma, não se trata mais de artigo, mas de uma preposição. No terceiro exemplo, “há” é a terceira pessoa do presente do indicativo do verbo “haver” (eu hei, tu hás, ele há), que tem a mesma pronúncia do artigo e da preposição, embora a grafia seja distinta. Não causa problemas quando se fala, mas, na hora de escrever, pode complicar.

O emprego do artigo geralmente não implica grande dificuldade. Já o da preposição e do verbo pode implicar erros crassos. O Blogueiro retoma esta lição, porque na própria mídia (jornais, revistas, tevês), verificam-se muito cochilos dos escritores, como, por exemplo, num jornal:

 

A cinco dias, o empresário disse que estava em Berlim.

 

Na verdade, o “a” inicial está colocado por equívoco, quando deveria o escritor ter utilizado o verbo “haver”. Talvez tenha até pensado nesse verbo, mas, na hora de escrever, escapou o “a”. A frase correta, portanto, é

 

Há cinco dias, o empresário disse que estava em Berlim.

Trata-se de um lapso bastante comum em textos escritos, particularmente na internet, em que a pressa de postar artigos predomina. Num vestibular, todavia, isso não pode acontecer. Então, atente para o fato de que o emprego do verbo “haver”, nos casos citados, aparece sempre com referência ao passado:

 

Doutorei-me há três anos.

Há exatamente nove dias o candidato disse uma grande mentira.

Meu tio garantiu que há cinco meses encontrou uma onça ferida e a curou.

 

Já a preposição “a”, quando empregada com sentido de tempo em frases que poderiam gerar confusão, não aponta para o passado, mas para o futuro:

 

A banda chegará daqui a dois dias.

Estamos a vinte e quatro horas da eleição.

 

Deu para perceber? Então sempre vigie seu emprego de “a” e “há”, para não ser prejudicado na nota, por menor que seja esse prejuízo. Centésimos ou até milésimos em sua média final podem decidir uma vaga. E nem você, nem tampouco o Blogueiro, desejam que isso aconteça.

 

Não seja subjetivo nas provas objetivas

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

As provas assim chamadas objetivas carregam a ideia de que suas questões são elaboradas de modo lógico, com a banca elaboradora criando o enunciado e respostas possíveis a esse enunciado em cinco alternativas, devendo ser apenas uma delas a correta. Vale dizer: a banca elabora e responde cada questão, como espécie de aluno que sabe tudo, cabendo ao candidato identificar “objetivamente” a resposta mais adequada.

Antes de prosseguir, vale lembrar a você os significados de objetivo e subjetivo. Subjetivo quer dizer “relacionado ao sujeito, individual, pessoal, particular ao indivíduo”. Já objetivo quer dizer “relacionado ao objeto, válido para todos os indivíduos, e não apenas para um”.  Um poema, por exemplo, pode ser entendido como subjetivo, pois expressa conteúdos relativos ao eu do poeta. Um texto científico, porém, é necessariamente objetivo, pois a meta do cientista está centrada no que é objeto de sua pesquisa. Uma questão objetiva, assim, está completa, devendo apenas o candidato escolher a resposta correspondente.

Isto posto, você percebe que nesse tipo de questão a interpretação lógica é tudo. Deve procurar compreender primeiro o enunciado e descobrir exatamente o que solicita. Em seguida, deve entender uma a uma as alternativas, comparando-as com tal solicitação, e verificar qual a que mais provavelmente atende ao enunciado. Nesse caminho tome bastante cuidado, porque a elaboração da questão não é ingênua. O elaborador “sabe” qual a resposta correta e elabora as outras alternativas de modo a não facilitar a escolha pelo candidato. A finalidade da questão é verificar se o candidato conhece bem o conteúdo. Por isso, muitas vezes, há alternativas semelhantes, que podem causar dúvida e hesitação. O melhor modo de escapar deste tipo de obstáculo é comparar com o que solicita o enunciado.

Não esqueça, porém, de um fato importantíssimo. Caso ainda pairem dúvidas, por exemplo, entre duas alternativas, não escolha a que você “sente” como mais provável, mas o que a análise do conteúdo aponta objetivamente como mais provável, sempre pensando que a resposta certa está ali, é uma das cinco alternativas. Fazer uma prova objetiva, neste sentido, é como resolver um quebra-cabeça, lançando mão de sua inteligência e capacidade de análise e síntese. Somente em último caso deve arriscar uma resposta de que não tenha plena certeza.

O Blogueiro quase ia esquecendo de lembrar: você precisa, é claro, ter um bom conhecimento dos conteúdos, tanto para questões objetivas quanto para questões discursivas. Sem isso, o melhor dos métodos não funcionará.

 

 

 

Empregue bem “democracia”

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Nesta época de grande efervescência política e eleições, você não tem como esquivar-se das falas de políticos, jornalistas, comentaristas e críticos que a todo instante surgem na mídia (televisões, rádios, jornais, revistas) e o bombardeiam com suas opiniões sobre o que está ocorrendo e o que pode ocorrer. Será este presidente o eleito? Aquele o governador? Aqueloutro o senador? E os deputados federais? E os estaduais?

O perigo, porém, não corresponde aos candidatos nem aos partidos, mas às palavras. E são estas que podem atrapalhá-lo em eventuais questões e propostas de redações dos diversos exames vestibulares. Será difícil, a esse respeito, que muitos vestibulares não adotem como tema de redações fatos políticos sobre as eleições deste ano e os eventos a estas relacionados. Aí, todo cuidado é pouco. Mesmo que não aprecie muito, você deve ter prestado atenção a muitas notícias e, nesse processo, aprendido o significado de muitas palavras que antes não lhe provocavam maior interesse.

Uma dessas palavras, com certeza, muitíssimo empregada, é democracia. É uma verdadeira moeda corrente, que frequenta dezenas de vezes por dia os programas da mídia. Que lhe pode dizer o Blogueiro a respeito? Alerta! Antes de se deixar levar pelo emprego da palavra por este ou aquele jornalista, este ou aquele candidato, procure conhecer muito bem o verdadeiro sentido dela, que dicionários como o Aurélio e o Houaiss apresentam:

Aurélio: Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder, ou seja, regime de governo que se caracteriza, em essência, pela liberdade do ato eleitoral, pela divisão dos poderes e pelo controle da autoridade, i. e., dos poderes de decisão e de execução; democratismo.

Houaiss: governo em que o povo exerce a soberania; sistema político em que os cidadãos elegem os seus dirigentes por meio de eleições periódicas; regime em que há liberdade de associação e de expressão e no qual não existem distinções ou  privilégios de classe hereditários ou arbitrários; país em que prevalece um governo democrático.

Observando e interpretando muito bem o que definiram os dois mestres, você terá a perfeita noção do que é democracia ou regime democrático de governo. E perceberá, com certeza, que nem todas as pessoas empregam a palavra com esse sentido. Muitos, aliás, a usam com o significado exatamente oposto. Há até países que se intitulam democráticos, em que o povo é inteiramente dominado pelas classes dirigentes. Esteja atento, portanto, para não cair na armadilha de usar a palavra democracia num sentido que não se coaduna com o que aparece definido pelos dois lexicógrafos citados.

Não é demais repetir, neste final, o que resume mestre Aurélio, para servir-lhe de bússola, caso venha a empregar a palavra numa resposta de questão discursiva ou numa redação:  Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder, ou seja, regime de governo que se caracteriza, em essência, pela liberdade do ato eleitoral, pela divisão dos poderes e pelo controle da autoridade, i. e., dos poderes de decisão e de execução.