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Exame, vestibular, prova: já pensou a respeito?

Thursday, March 16th, 2017

Muitas vezes algo está tão evidente, tão óbvio, tão na cara, que acabamos não percebendo. Isso acontece mais de uma vez em nossa vida prática. Um exemplo: deixamos o celular sobre a mesa da sala, embora a nossa memória só nos traga a informação de que deve ter ficado no automóvel. Como acreditamos em nossa memória, corremos até o carro para perceber que não está lá. Ao voltarmos, aborrecidos, uma olhada na mesa nos revela que estivera ali o tempo todo, ao alcance de nossas mãos. Outro exemplo: botamos na cabeça que diuturno significa “diário”, e por isso nunca nos damos ao trabalho de conferir no dicionário. Só fazemos isso quando alguém nos diz que diuturno não quer dizer “diário”, como certo político afirmou recentemente, mas significa algo que ocorre ao longo do tempo, que tem longa duração.

Esses equívocos são comuns em nossa vida diária (não “diuturna”, portanto) e constituem, por isso, uma espécie de tempero da imperfeição de nossos sentidos e de nossa atenção.

Vamos dar um exemplo mais próximo ainda: você ouve tanto os termos exame vestibular e provas, que talvez ainda não tenha parado para refletir sobre o que realmente significam. O Blogueiro vai tentar explicar de um modo divertido, embora verdadeiro. Pense bem: exame sugere o ponto de vista de quem o prepara e aplica; a universidade elabora e aplica o exame com o objetivo de selecionar os candidatos, ou seja, de examinar os estudantes e escolher os melhores para ingresso em seus cursos. E vestibular? Você sabe que vestíbulo é um termo da Arquitetura, que, entre outros significados, apresenta o de espaço entre a porta e o acesso principal de um edifício. Exame vestibular, assim, ganha um sentido figurado de acesso à universidade, exame para selecionar candidatos ao ingresso nos cursos.

Percebeu como é interessante refletir sobre o significado das palavras? Pois, nessa linha, prova passa para seu ponto de vista: é você que tem de demonstrar, prestando as diferentes provas do exame, que tem todas as condições para ser aceito na universidade, no curso pretendido.

A expressão provas de exame vestibular, deste modo, tão repetida e retomada que é, acaba tendo seu real sentido um tanto apagado, quase esquecido. Torna-se apenas uma menção ao ato de demonstrar capacidade, um ponto de chegada que, de acordo com o resultado, pode também significar um ponto de parada e retorno.

Como este Blogueiro é, sobretudo, um sujeito otimista, sua sugestão é que, com base nas reflexões deste artigo, você passe a sentir na expressão exame vestibular apenas fluidos positivos, indicadores de que a alegria está próxima. Traduza sempre, assim, prova de exame vestibular por “vitória, conquista, glória”.

Pensamentos positivos sempre ajudam, não é?

 

 

Quem tem medo da literatura?

Wednesday, March 8th, 2017

Agora que você começa a perceber bem mais próximo o Vestibular Meio de Ano da Unesp, vale a pena fazer um alerta sobre o modo de estudar literatura. Evidentemente, tanto ao longo do Ensino Médio, quanto nos cursos preparatórios, a literatura não é explorada em si mesma, para que os estudantes curtam por curtir os poemas, contos, narrativas longas como obras de arte que realmente são. O ponto de vista dominante acaba sendo outro: os textos passam a ser vistos como prováveis ocorrências em exames vestibulares. Isso, é claro, prejudica um pouco a genuína apreensão da literatura como arte. O estudante se sente obrigado a encarar os textos como fontes de possíveis questões, quer objetivas, quer discursivas. Por mais que se esforcem os professores para evitar esse modo de estudo, sempre sobra um ranço de prova nos textos que seus alunos são convidados a ler e interpretar.

Como evitar ou, pelo menos, minimizar esse fenômeno e fazer com que a literatura seja apreciada em si mesma? Essa é a questão. Fica realmente difícil ao estudante, pois se sente premido, em todas as disciplinas, a interpretar e responder perguntas. O problema é que esse modo de estudar pode trazer consequências ruins, que geram erros nas próprias respostas das questões das provas. Para sair dessa enrascada, o Blogueiro tem uma sugestão: cabe realmente ao estudante mudar a ótica e o método de estudo. É preciso olhar para o texto como este realmente é — literário — e, antes de qualquer coisa, curti-lo enquanto tal. Poemas surgem de emoções e provocam emoções, contos são narrativas sintéticas obedientes a um estilo, romances são narrativas longas, baseadas em enredos complexos, crônicas são abordagens de fatos reais submetidas a um modo peculiar de observação.

Em todos estes casos, o maior perigo que se corre ao estudar textos literários, é observá-los como reproduções puras da realidade. Nada mais enganoso e nocivo a quem estuda. Cada texto literário é um todo fechado em si mesmo, criado pelas emoções, imaginação e cosmovisão do artista. Analisar o que uma personagem faz num conto ou narrativa longa não é analisar o que ocorre na realidade, mas o que ocorre na realidade do próprio texto.

As questões de vestibulares abordam os textos enquanto textos, no interior de suas próprias coordenadas. Ao fazê-lo, porém, acabam ocultando pormenores que são transformados em questões. Por sua vez, o aluno tem de reunir os maiores cuidados para não trair o texto ao buscar esses pormenores. Esta é a chave para atingir as respostas que as bancas de elaboração pretendem ao criar as questões das provas: tentar ler e interpretar o texto tal como o fizeram as bancas elaboradoras.

Claro que, mesmo assim, você terá dúvidas em descobrir muitas respostas. Por isso, escolha sempre aquela que mais se aproxime do âmago do texto.

Percebeu? Entendendo assim, você pode estabelecer seu método de estudo dos textos literários a partir de agora: considerar o texto em si mesmo, ler com atenção, curtir e só depois tentar descobrir o que as questões propostas em apostilas ou simulados querem querem que você informe a respeito. Com esse método você poderá dizer, com muito maior segurança, que não tem medo da literatura. Ao contrário, poderá transformar-se em um leitor habitual, um genuíno apreciador, o que só poderá significar vantagem para sua formação futura.

 

Línguas estrangeiras, uma grande necessidade

Wednesday, March 8th, 2017

Você que está ingressando, você que ainda vai ingressar, não tenha a menor dúvida: o domínio da língua inglesa é uma grande necessidade. O Blogueiro disse domínio, o que significa falar fluentemente e ler sem qualquer dificuldade.

Muitos acreditam que basta ter um conhecimento razoável do inglês (sem grande domínio) para quebrar o galho nos exames vestibulares. Pode ser, desde que tenham desempenho muito bom em outras disciplinas e conteúdos. O Blogueiro, porém, não está se referindo a quebrar o galho no vestibular, mas em todos os estudos na universidade e sobretudo na profissão. Como é que você vai quebrar o galho se no estudo de determinada disciplina da universidade o professor exigir como base textos escritos em língua inglesa? E como vai quebrar o galho se ganhar a oportunidade, durante o curso, de fazer uma especialização em universidade europeia ou dos Estados Unidos? Não. Nesses e noutros casos não mencionados, não haverá quebra de galho, você terá de ter domínio da língua inglesa. Esta língua, queiram ou não os nacionalistas radicais, tornou-se realmente um instrumento de comunicação universal, empregado em todos os países em que o recém-chegado não domine a língua local.

Pense você, então, na sua carreira profissional, na possibilidade de participar de congressos e seminários. Na maioria dos países, se usar o português, não será minimamente compreendido. Mas, se usar o inglês, ocorrerá o contrário. E não venha dizer que não participará nunca de seminários e congressos internacionais. Dizer isso é o mesmo que afirmar que será em sua vida, para sempre, o mesmo profissional formado na universidade. Seja qual for sua área de atuação, a necessidade de domínio da língua inglesa será fundamental para o desenvolvimento profissional ao longo de toda a sua carreira.

Muitos estudantes chegam à universidade com esse domínio. Se você ainda não joga nesse time, está aí a internet com milhares de sites que oferecem cursos, muitas vezes gratuitos, para estudar o inglês e as outras línguas mais faladas no planeta.

Não perca tempo, portanto. Você precisa dominar esse instrumento precioso para seus estudos e sua profissão. Se já domina, continue praticando, para manter sempre atualizado esse domínio. Se ainda não domina, comece já, aplique todo o seu esforço para falar e escrever bem o inglês. E, se gostar, procure aprender outros idiomas, como o espanhol, o francês, o alemão, o italiano. E por que não o russo, o árabe e o chinês? Sabe-se lá que oportunidade, em que país, a vida lhe reserva para o futuro?

O mundo atual, à custa das chamadas TICs, tecnologias da informação e da comunicação, se tornou, de fato, um grande e único país, com toda a sua diversidade, com todas as suas variadas culturas. Quem se forma, hoje, numa universidade, não está se formando para a sua cidade, para o seu estado, para o seu país, mas para o mundo. Você é um estudante do mundo e será um profissional do mundo. Nada mais recomendável, nesse sentido, que procure aprender e dominar as línguas estrangeiras mais importantes, ou seja, aquelas que são mais faladas na superfície da Terra.

Captou a mensagem? Ser poliglota, num passado não muito distante, era algo visto como curiosa raridade, algo que só praticavam indivíduos excêntricos. No mundo em que vivemos hoje, todavia, o poliglotismo vai se tornando cada vez mais comum, espécie de padrão pelo qual se pode julgar os alcances intelectuais de um indivíduo.

 

Diz o poeta visionário: nunca pense ser vencido!

Wednesday, March 8th, 2017

O Blogueiro, hoje, amanheceu com a veia poética dilatada e se lembrou de um poema que leu quando adolescente na contracapa de um livro de bolso. E se o menciona aqui, é porque, desde a primeira leitura, sentiu-se influenciado e movido positivamente pelos versos, que, segundo algumas fontes, são de autoria do poeta brasileiro Manuel Bastos Tigre (1882-1957), muito conhecido por seus textos humorísticos e satíricos.

Quando leu o poema, o Blogueiro vivia inúmeras dúvidas em sua passagem para o universo adulto, inclusive com respeito ao vestibular que deveria fazer: queria cursar Letras Clássicas, curso formado basicamente pelas disciplinas Língua Portuguesa, Língua Latina, Língua Grega e suas correspondentes literaturas. O vestibular era difícil, havia provas orais de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira, bem como de Língua Latina, além da prova escrita, constituída por questões discursivas e redação. A prova escrita não era nada fácil, havendo sempre que fazer a análise sintática completa de um período composto. O Blogueiro foi “premiado” para analisar uma passagem de Os Lusíadas.

Pois é. No faz não faz, acabou se deparando com o poema de Bastos Tigre e recebeu, com a leitura, um forte estímulo não só para a vitória no vestibular, como também para a vitória em todos os caminhos de sua vida. Eis a primeira parte:

 

Pobre de ti, se pensas ser vencido!

Tua derrota é caso decidido.

Pensas vencer, mas como em ti não crês,

Tua descrença esmaga-te de vez.

Se imaginas perder, perdido estás;

Quem não confia em si, marcha para trás.

A força que te impele para a frente

É a decisão firmada em tua mente.

 

Estes primeiros oito versos representam uma síntese do que o poema desenvolve nos demais. Vale a pena ler inteiro em sites da internet. O que o Blogueiro deseja comentar é que tal texto, publicado há mais de 50 anos, representa, em seu todo, uma antecipação do que dizem hoje especialistas e avisam livros focados no comportamento humano: a atitude positiva que se deve ter ante as ocorrências de nossa vida, mesmo aquelas que vemos como derrotas.

A quem se destinam estas reflexões? A todos. A você, que foi aprovado e está prestes a iniciar um novo curso e, evidentemente, poderá experimentar muitas dúvidas em seu trajeto. A você que não conseguiu aprovação, mas com certeza ainda conseguirá. A você, que ainda não terminou o ensino médio (como o Blogueiro na época da primeira leitura do poema), mas já vê surgir o momento de tomar sua decisão sobre o curso, a universidade e o caminho que deve trilhar para obter a aprovação. A este respeito, vale lembrar uma notícia atual de um candidato que, tendo feito seus estudos inteiramente no ensino público, obteve passar em primeiro lugar em vestibulares de medicina de universidades coirmãs. Tal estudante representa exatamente a atitude descrita no poema.

Vale a pena, como desfecho, lembrar dos últimos quatro versos do poema, que sintetizam o modo de encarar o futuro e os eventos que nos trará:

 

Nem sempre o que mais corre a meta alcança,

Nem mais longe o mais forte o disco lança,

Mas o que, certo em si, vai firme em frente

Com a decisão firmada em sua mente.

 

Valeu? Percebeu que o poeta muitas vezes é um visionário? E se, neste momento, você, por não ter sido aprovado, está dando importância demasiada à derrota que sofreu, não custa lembrar também outro poeta mais atual, Paulo Vanzolini, que na letra do samba Volta por cima, magistralmente escreveu: Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.

Você vencerá os seus desafios, não tenha dúvidas disso!

 

Arre! Esses porquês incomodam mesmo!

Thursday, February 16th, 2017

Para você que está ingressando e para você que vai ingressar na Universidade, vale a pena refletir sobre os incômodos porquês de nossos textos. O Blogueiro já escreveu muito a respeito, mas acredita que sempre se pode encontrar uma forma bem mais fácil de aprender e memorizar todos os usos. Esta é mais uma tentativa de atingir a explicação ideal.

O Blogueiro procura, com a relação abaixo, levar os estudantes e candidatos a resolver de uma vez por todas, pelos exemplos, esse problema. Note você que não vai aí nenhuma explicação de ordem gramatical, nenhuma tentativa de escarafunchar estudos dedicados ao assunto, mas tão somente os exemplos escritos de modo a situar numa coluna todos os porquês. Vale a pena, portanto, observar os exemplos, as formas (porque e por que), bem como os sentidos que assumem em cada exemplo. Tais sentidos, vale observar, do modo como estão apresentados, poderiam substituir os respectivos porquês. Observe:

Preciso descobrir 

 

Você escreveu esse conto,

Este é o ideal

A ponte

Você sabe

Não vale a pena indagar

Irei à feira

Meu irmão bateu à porta

 

Nunca consegui saber

Descobri inúmeros

Desistiu do jogo? Diga-me um

por que 

Por que

por quê?

por que

por que

por que

por quê.

porque

porque

Porque

o porquê

porquês

porquê.

 

 

todas as frutas caíram. 

você escreveu esse conto?

 

vale a pena lutar.

passamos está quebrada.

nosso colega estuda tanto?

 

nossa despensa está vazia.

a campainha não funcionou.

chegou tarde, não pôde entrar.

de sua raiva.

para explicar notas tão baixas.

por qual motivo 

Por qual razão?

por qual razão?

pelo qual

pela qual

por qual motivo

por qual motivo

já que, pois

pois

como

motivo, razão, causa

motivos, razões

motivo, razão

 

 

Vale a pena, como você deve ter concluído, memorizar esses exemplos e sentidos, já que, em casos concretos em que venha a ter dúvida, poderá acertar fazendo a comparação. Talvez o mais aconselhável, no começo, seja recortar a tabela e colar em seu caderno, apostila, ou até mesmo em sua mesa de estudos, para poder fazer de imediato a consulta, em caso de dúvida.

Se encontrar algum exemplo que o Blogueiro não tenha previsto, acrescente-o à tabela. Afinal, não há gramático nem blogueiro que saiba tudo. Sempre alguma coisinha pode escapar. Valeu?

 

Repetições que empobrecem seu estilo

Wednesday, February 8th, 2017

Ih! minha redação não foi lá essas coisas!

Se você, quer tenha sido classificado, quer esteja na lista de espera, chegou a essa conclusão sobre o texto que escreveu, pode ter certeza de que há mesmo motivos para não estar satisfeito. É, mas afinal eu passei! É o que importa. Certo, por um lado, mas não muito, por outro. Por quê? Porque a necessidade de escrever bons textos não morre no vestibular. Como já disse o Blogueiro mais de uma vez, é algo que acompanhará todos os seus estudos na universidade e toda a sua vida profissional. Então, é muito procedente continuar se preocupando em aprimorar sua capacidade de escrever. Quem é capaz de produzir bons textos sempre recebe o respeito de seus colegas de estudo ou parceiros de trabalho.

O Blogueiro vai tentar oferecer uma ajudazinha. Preste toda a sua atenção. Talvez sua insatisfação não esteja propriamente no desenvolvimento do tema, mas na própria sequência do discurso que apresentou. Um cuidado, neste caso, é fundamental: saber distinguir com precisão discurso oral e discurso escrito. Quando falamos, temos interesse em ser entendidos de imediato, sem problemas ou atrapalhos. Por isso, muitas vezes nos tornamos repetitivos, com a intenção de que nosso interlocutor não precise de nenhum esforço para comprrender a mensagem.

Essa característica do discurso oral, todavia, desaparece quando escrevemos, especialmente se as circunstâncias exigirem, como é o caso de uma redação de concurso ou de vestibular. Neste caso, além da clareza, temos de brindar nosso leitor com uma sequência harmônica e equilibrada, verdadeiramente prazerosa.

Neste ponto exato surge o caso das repetições desnecessárias de palavras, que são fatores de empobrecimento de nosso estilo. Observe os exemplos abaixo, forjados com base em ocorrências reais em textos de jornais e revistas da internet (aparecem em negrito as repetições desnecessárias):

 

Paulo foi a Paris para participar do primeiro congresso desde o primeiro dia de sua eleição.

Os dois projetos enviados pelo governo são dois dos principais modos de eliminar esses dois problemas.

Não há motivo para apressar esse debate, atropelar o debate e não permitir que o debate impeça melhores reflexões sobre o tema.

Observou bem? Não se pode dizer que nenhum desses exemplos seja incorreto. São todos, porém, marcados por repetições desnecessárias e desagradáveis. Trata-se de problemas cuja solução é relativamente fácil. No exemplo inicial,  a repetição da palavra primeiro pode ser sanada pela eliminação da segunda ocorrência e uma pequena alteração:

 

Paulo foi a Paris para participar do primeiro congresso desde que foi eleito.

 

O segundo exemplo pode ser melhorado pelo mesmo processo:

 

Os projetos enviados pelo governo são dois modos de eliminar esses problemas.

 

Já o terceiro requer um arranjo mais elaborado:

 

Não há motivo para apressar esse debate. Atropelar as discussões equivale a impedir reflexões mais proveitosas sobre o tema.

 

Percebeu bem a diferença entre os textos com e sem repetições? Claro que sim. Então sempre faça a mesma faxina com o rascunho de seu texto. E aquela sensação de que sua redação não foi lá essas coisas vai com certeza desaparecer.

 

Aos que entram e aos que ainda vão entrar

Wednesday, February 1st, 2017

Com a divulgação próxima das listas de ingressantes em cursos da Unesp, duas vertentes se revelam: a dos que obtiveram suas vagas e a dos que não conseguiram atingir a média necessária para tal.

Felicidade de um lado e infelicidade do outro? Nada disso. No portal da universidade, os jovens que entram e os jovens que não entram constituem uma mesma comunidade, diferençada apenas por um acidente de percurso. Quem ganha sua vaga deve festejar muito, mas também deve ter em mente que essa é uma primeira de muitas tarefas que terá de cumprir até receber, daqui a alguns anos, o diploma do curso escolhido. Quem não obtém sua vaga deve festejar também pelo dever cumprido e analisar de imediato o porquê de não haver conquistado todos os pontos necessários. Esta análise é importantíssima, agora, para estabelecer roteiro e métodos de estudo com vistas aos vestibulares do ano em curso.

O que acontece, na verdade, com todos os candidatos, é o mesmo que ocorre com todas as pessoas ao longo da vida, com toda a sociedade. Nossa vida é feita de desafios permanentes em todos os setores por que passamos. Os desafios nunca cessam de surgir. Dizem as pessoas mais experientes que nossa primeira grande vitória é nascer, é surgir do nada para o existir. A segunda é crescer com saúde e inteligência. A terceira é atravessar a adolescência, período que pode ser fácil para uns, mas muito conturbado para outros. A quarta é atingir a idade adulta e estabelecer metas para a existência, quer seja por meio do estudo em universidade, quer seja pelo empreendedorismo. Em qualquer dos casos, o identificador dessas metas é a busca da felicidade pela realização pessoal e profissional. Qualquer que seja o trajeto, haverá sempre que conviver com vitórias e com derrotas, sem deixar que aquelas nos subam à cabeça ou que estas nos façam perder o embalo e ficar apenas olhando para o chão do desânimo.

Dizem pessoas com plena realização em suas vidas que aprenderam muito mais com as derrotas do que com as vitórias, porque as derrotas nos fazem desenvolver o senso crítico e o cuidado pelo planejamento e detalhamento de nossos passos no mundo. No âmbito dos esportes, por exemplo no futebol, muitos atletas que só costumam jogar bem e obter vitórias e elogios podem desenvolver uma espécie de perigosa autoglorificação, tornando-se, como se diz na gíria desse esporte, mascarados, o que muitas vezes os leva a desempenhos ruins e ao empobrecimento de suas qualidades. Outros jogadores, com menos louvores da crítica especializada, sentindo a responsabilidade de um desempenho cada vez melhor, conscientizam-se, esforçam-se, levam qualquer pormenor de treinamento a sério e, com o tempo, melhoram sensivelmente seus desempenhos e se tornam insubstituíveis dentro do esquema tático adequado.

É isso aí. Você, que passou, não deve considerar-se nenhum gênio, embora ao longo de sua carreira possa vir a tornar-se um.  E você, que não passou, não deve considerar-se um fracassado, mas apenas um lutador que perdeu um round. A vida, porém, é feita de um sem-número de rounds. Muitas vitórias se seguirão a uma derrota.

Valeu? Então mãos à obra, para os que entram e para os que ainda vão entrar.

 

Cuidado com as distrações: podem estragar tudo

Friday, January 27th, 2017

Escritores, articulistas, jornalistas sabem que distrações acontecem. Mas sabem também que é preciso sempre uma boa revisão para saná-las. Uma vírgula a mais, uma vírgula a menos, uma preposição equivocada, uma palavra trocada, tudo isso traz perigo a um texto que estejamos escrevendo. Por isso, muitas vezes, mais que os cochilos de ortografia ou os erros de gramática, uma pequena distração pode levar uma resposta de questão discursiva ou um período de uma redação ao fracasso. Quer um exemplo? Então veja:

 

O funcionário sugeriu que eu procurasse a sessão de recursos humanos.


Notou? É claro que você sabe distinguir entre sessão, período em que transcorre uma reunião, e seção, parte de um todo. Uma ligeira distração, porém, pode levá-lo a trocar uma palavra pela outra. No exemplo citado, seção de recursos humanos, forma correta, foi trocada erradamente por sessão de recursos humanos, produzindo-se um sentido completamente equivocado para a frase como um todo.

Nesta semana, numa notícia de jornal online, uma troca de palavras mudou completamente o sentido da frase de um jornalista. Vamos forjar um exemplo semelhante:

 

O presidente fará a provocação do congresso ainda nesta semana.

 

Notou? Houve a troca da palavra convocação por provocação, o que muda radicalmente o significado original da frase. Uma pequena distração, dirá o autor. Pequena, mas perigosa, diremos nós, por falha do revisor dos textos publicados na rede.

Outro exemplo:

 

Meu colega está fazendo um curso de redação e interpenetração de textos.

 

Uma troca verdadeiramente hilária, não é? Numa prova de concurso ou de vestibular, porém, pode representar a perda de pontos preciosos.

A que conclusão se chega após os exemplos apresentados e os comentários do Blogueiro? Vamos destacar em maiúsculas: REVISÃO: ou, como gostam de enfatizar os escritores: R-E-V-I-S-Ã-O. A revisão é uma tarefa absolutamente necessária para qualquer texto que escrevemos, mesmo que seja apenas uma resposta a questão discursiva. Os escritores sabem muito bem disso, pois submetem seus textos — poemas, contos, romances, memórias — a inúmeras revisões, sabendo muito bem que, apesar desse esforço, sempre pode escapar uma distraçãozinha aqui, outra ali. Os jornalistas, no clima de verdadeira pressão ante o exíguo tempo de que dispõem, têm de praticamente escrever revendo, pois o jornal não espera. Quando seus textos saem na internet, talvez digitados por outra pessoa, as possibilidades de distração aumentam muito. O próprio Blogueiro, vez por outra, deixa escapar alguma distração e, quando percebe, trata logo de avisar os responsáveis pelo Blogue para fazer a correção. Errar é humano, diz o provérbio, mas ter humildade para corrigir é mais humano ainda.

E você, numa prova de vestibular? É bom fazer como o jornalista, escrever revendo. E, se sobrar um tempinho, fazer nova e atenta revisão para sanar algum problema que tenha escapado. Para maior segurança, é recomendável criar sua própria técnica de revisão ao longo de seus estudos e simulações de provas. O lucro desse sacrifício pode ser enorme, não acha?

 

Você que entra, você que vai entrar, cuidado com o o

Friday, January 20th, 2017

Este artigo serve aos estudantes que já ingressaram, aos que estão para ingressar e aos que ingressarão após os exames deste ano. Trata-se de um probleminha que pode virar um problemão em tudo o que você escreve sobre qualquer assunto. A internet está cheia de exemplos, mesmo em textos jornalísticos, que, por necessidade, obedecem à norma-padrão.

Em dois artigos de diferentes jornais online o Blogueiro foi surpreendido hoje pelo emprego errado, baseado num equívoco de sintaxe dos jornalistas, ou, quem sabe? causado por um digitador e um revisor distraídos. Observe o exemplo abaixo, forjado pelo Blogueiro para evitar constrangimentos:

 

Estava numa posição que o permitiu fazer experiências com novos produtos.

 

Reparou? O Blogueiro já perdeu a conta das vezes em que alertou para o erro crasso de trocar o pronome oblíquo lhe pelo pronome oblíquo o. Mas a todo instante se surpreende, nos sites dos melhores jornais do país, com essa pavorosa troca. Pavorosa, porque não se trata apenas de trocar alhos por bugalhos, como diria o povo, mas de estraçalhar a sintaxe do idioma. Até hoje, muitos usuários da rede, inclusive profissionais, demonstram com tais equívocos não dominarem bem a diferença entre objeto direto e objeto indireto. Isso é péssimo, e pode até alterar brutalmente o sentido de um período.

Vamos, então, repetir a velha liçãozinha a respeito. Objetos diretos, quando substituídos pelos pronomes pessoais do caso oblíquo, assumem as formas o, a, os, as, eventualmente com as seguintes variantes lo, la, los, las, no, na, nos, nas, provocadas pela relação entre os finais das formas verbais e tais pronomes. Assim, o objeto direto da oração Comprei o livro pode ser substituído pelo pronome o: Comprei-o. Se a forma verbal fosse, porém, compramos, seria usada a variante: Compramo-lo. No caso de ser a forma verbal compraram, teríamos: Compraram-no. No caso, porém, de se tratar de objeto indireto precedido pela preposição a, a forma pronominal oblíqua será: lhe, lhes. Assim, numa oração como Pedro obedeceu ao pai, o objeto indireto ao pai pode ser substituído por lhe: Pedro obedeceu-lhe.

Aí é que nasce o probleminha que pode virar problemão: colocar, quando se trata de lhe, a forma o, ou vice-versa. É exatamente o que ocorre no primeiro exemplo dado:

 

Estava numa posição que o permitiu fazer experiências com novos produtos.

 

Supondo que esse o corresponda, por exemplo, a Pedro, O redator desta frase deveria ter empregado a forma lhe, que corresponde a a Pedro, e não o:

Estava numa posição que lhe permitiu fazer experiências com novos produtos.

Percebeu a diferença e o perigo dessa má troca? Claro que sim. Então, trate de comprovar, em suas leituras pela internet e até mesmo por jornais e revistas comuns em papel, como esse tipo de equívoco é corriqueiro. Bons escritores não caem nessa, como se observa neste belo exemplo fornecido pelo Dicionário Aurélio no verbete permitir:

 

“A atenção dedicada ao fenômeno linguístico, considerado em si mesmo, permitiu a Machado de Assis aproveitá-lo ao máximo em sua obra de ficção.” (Maria Nazaré LIns Soares, Machado de Assis e a análise da expressão, p. 99).

 

Notou a diferença? A escritora poderia inclusive ter colocado a forma lhe em lugar de Machado de Assis, não o fazendo, porém, por julgar melhor para o período a expressão do nome próprio.

Siga, portanto, os bons exemplos, e não caia nessa onda de erros de textos da internet. Pode serem grandes jornalistas, figuras ilustres da mídia ou profissionais semelhantes, se trocarem lhe por o, têm de ser corrigidas, e não seguidas. A fama não lhes dá o direito de alterar os padrões da língua. Valeu? Então compreendeu que está numa posição que lhe permite aperfeiçoar seu próprio estilo de escrever, fazer experiências com seu idioma, mas nunca a ponto de desafiar o que há muito está consolidado? Mãos à obra!

 

 

 

Agora é com você, que ainda vai prestar

Wednesday, January 11th, 2017

O título deste artigo, como se pode observar, é bastante brincalhão, já que o verbo prestar apresenta muitas possibilidades de significação, razão porque tem de ser especificado. No sentido em que o Blogueiro empregou, precisa de um objeto direto: exames vestibulares. Sem isso, na intransitividade, tem sentidos cuja negação pode ser ofensiva: ser bom, ser correto, ser honesto, ter boa índole. Quer dizer: você não é bom, não é honesto, mas ainda vai ser. Evidentemente, o Blogueiro não quis dizer isso. É claro, porém, que há uma terceira possibilidade de sentido, que pode ser assim compreendida: você ainda não presta, vale dizer, ainda não está preparado; mas vai prestar, ou seja: ainda vai estar preparado. Isto já serve de exemplo de como é importante a questão da transitividade dos verbos, cuja mudança pode trazer alteração de sentido. Embora o tema deste artigo seja outro, o Blogueiro não perde a oportunidade de dar sua liçãozinha de discurso. Não deixe de aproveitá-la!

Na verdade, o artigo focaliza os vestibulandos que terão de prestar exames no ano em curso, mais especialmente os novatos, que ainda estão no terceiro ano do ensino médio. Se você se enquadra neste tema, preste muita atenção.

Enquanto os candidatos que prestaram exames aguardam a lista de classificados, chega sua vez, novo candidato, de trilhar a reta final de preparação. 2017 é o seu ano, portanto, e você já está seriamente preocupado em saber o que vai fazer durante esse trajeto de longos meses. É claro que os conselhos, desde o segundo ano do ensino médio, choveram muito em sua horta de sonhos. Não faltaram professores, amigos, parentes, veteranos para lhe fornecer os “melhores conselhos” para a vitória até o fim do ano.

Tudo isso, porém, é muito relativo. Não serão conselhos que o farão passar. Poderão até ajudar pouco ou muito, mas poderão também atrapalhar, se não estiverem em acordo com sua personalidade. Esta é a chave: sua personalidade. Sua personalidade é a corrente do rio: você não deve nadar contra ela, sob o risco de cansar demais e render de menos. É hora de consultar a si mesmo, de refletir sobre sua própria índole, para estabelecer o que quer, que curso ou cursos pode tentar, que roteiros de estudo estabelecer e métodos adotar.

Tudo tem de estar, portanto, em sintonia com seu modo de ser, com as possibilidades que você percebe em si mesmo e com a capacidade de estudo, esforço e sacrifício pessoal de que se julga possuidor. Sacrifício pessoal, sim, mas sem que isso signifique algo torturante. Ao contrário, sacrifício pessoal é uma atitude necessária em diferentes momentos de nossas vidas, para atingirmos as metas determinadas, seja no trabalho profissional, seja na vida particular e familiar.

Se lermos as biografias das grandes figuras humanas de todos os tempos, qualquer que seja o caminho percorrido, verificaremos que passaram por incontáveis momentos de sacrifício e de desafio. Talvez seja até melhor, em vez da palavra sacrifício, você usar desafio. Nossa existência é feita de desafios, muitos dos quais requerem, além de uma preparação adequada, o emprego de todas as nossas forças, de toda a nossa inteligência, de todas as nossas habilidades.

Por que dizer tudo isso? Porque os candidatos que prestam vestibulares, em vez de constituírem um grupo homogêneo, como seria o ideal, representam um grupo caracterizado pela heterogeneidade. Nem todos chegam a um ano dos exames plenamente preparados. Muitos, ao contrário, em virtude do tipo de escola que frequentaram ou dos problemas familiares que viveram, além de dificuldades de controlar seus próprios temperamentos, têm tendência a chegar com menos possibilidades. A proliferação de cursos preparatórios, bem como de sites da internet dedicados a ensinar conteúdos e fornecer  dicas para os candidatos é prova suficiente das diferenças apontadas.

O melhor conselho, a melhor dica, portanto, neste momento, para os que prestarão exames ao longo do ano em curso, é esta: examinem-se, considerem suas personalidades, analisem friamente suas possibilidades neste exato momento e estabeleçam metas, roteiros e métodos para evoluírem em seus conhecimentos e enfrentarem seus desafios. Métodos de estudo e dicas existem aos milhares espalhados pelas apostilas, livros e pela rede. O que vale, porém, é a sua atitude, o seu modo de encarar o que tem pela frente, além de sua vontade enorme de vencer.

Pense nisso! E mãos à obra, à sua obra!