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Expressão idiomática: uma faca de dois gumes

Wednesday, October 18th, 2017

Alguém já aconselhou a “enfeitar” seus textos com expressões idiomáticas, quer da língua portuguesa, quer do latim? Ou você mesmo resolveu fazer isso? Então é bom ser cuidadoso. Enfeites mal empregados podem tornar-se atrapalhos, isto quando não revelam ignorância. Um bom exemplo que pessoas experientes nos dão é que só devemos fazer aquilo que revele nossa capacidade, não nossa ingenuidade. Isto em qualquer atividade que tenhamos, seja na escola, seja no trabalho, seja em nossas relações com amigos e familiares. Você por certo já ouviu um narrador de futebol ou vôlei ou basquete dizer de um atleta: tentou enfeitar e se deu mal.

A questão do uso das frases idiomáticas se encaixa na observação acima. É interessante empregá-las em nossos escritos ou até mesmo em nosso discurso oral? Claro que é. Mas empregá-las com cuidado e conhecimento do que estamos realmente dizendo. Se alguns colegas seus lhe disseram que empregar expressões latinas revela conhecimento, entenda isso com muita consciência do que está fazendo. Todas as línguas são ricas em expressões idiomáticas, e isso até dificulta o aprendizado por estrangeiros. Você por certo já se deparou com muitas delas em textos em inglês e pode ter passado dificuldades para entender alguma em prova, quando conseguiu entender. Para um falante de inglês, a mesma coisa ocorre com expressões idiomáticas em português. Imagine um novaiorquino tentando entender uma expressão como confundir alhos com bugalhos. Você mesmo, que fala português, entende?

Complicado, não é? Por isso, muito cuidado ao empregar expressões como esta, se continuar sem entender. Mas, se pesquisar e verificar pelo menos alguma explicação, como por exemplo a do fato de que a bolota, fruto do carvalho, quando descascada para fazer farinha, fica bastante semelhante, visualmente, ao alho, poderá compreender melhor que, confundir alhos com bugalhos significa confundir coisas que podem até ter certas semelhanças, mas são muito diferentes. Percebeu?

Nós assimilamos muitas expressões idiomáticas à medida que vamos aprendendo a falar, desde pequenos, e acabamos empregando todas elas adequadamente, sem problemas. No escrever, porém, é preciso ter bastante precaução para não cometer nenhum deslize que prejudique a compreensão do que estamos declarando.

Os comentários feitos até aqui são reveladores, não são? Então passe a examinar com muita atenção cada expressão idiomática que lhe escapa em seu texto. Se tiver dúvida, a internet atualmente tem sites que focalizam e muito bem essa questão. Verifique, só para exercitar-se, expressões usuais como abraço de tamanduá, levantar acampamento, provar por a+b, descascar um abacaxi, ter um parafuso a menos, engolir  sapos, procurar agulha em palheiro, ser algodão entre cristais, amigo da onça, angu de caroço, etc., etc.

E muito mais cautela você deve ter com o emprego de fraseologia latina. Alguns imaginam que o emprego de expressões típicas latinas revela intelectualidade e conhecimento. Revelará, se você houver estudado latim e souber realmente o significado original da expressão e o que quer atribuir a seu texto. Se não souber, é melhor esquecer. Infelizmente, hoje são poucas as pessoas, como o Blogueiro, que estudaram três ou mais anos de latim nos ensinos fundamental e médio e outro tanto em cursos universitários. Cada expressão originária do latim tem sua história, que adere indissoluvelmente a seu significado, como Jacta est alea ou Alea jacta est. Você talvez já tenha empregado, no sentido de “a sorte está lançada”, como comumente se entende. Alea se refere ao jogo de dados. Mas poderá empregar com muito mais certeza e competência se verificar a história por trás da expressão. Esta foi pronunciada, segundo informa o historiador latino Suetônio, por Júlio César, ao atravessar o rio Rubicão, que separava as províncias das Gálias do território romano. Ao atravessá-lo, César iniciava a guerra civil contra Pompeu, em busca do poder romano, o que veio realmente a acontecer.

Percebeu? Você pode até enriquecer seus textos com expressões como essa ou também mutatis mutandis, deus ex machina, dura lex sed lex, auctoritate legis, in abstracto, etc., etc. E também pode se valer de expressões idiomáticas em outras línguas, como inglês, francês ou espanhol. Tome porém muito cuidado para fazê-lo apropriadamente, de modo a enriquecer seu texto com tons de intelectualidade, e não empobrecê-lo com traços de ingenuidade. Não vá fazer como, segundo reza o foclore futebolístico brasileiro, aquele dirigente de clube que usou, em vez da expressão faca de dois gumes, a por ele mesmo inventada faca de dois legumes!   

 

As quotas: uma universidade justa

Thursday, October 5th, 2017

Você sabe, é claro, que há muitos anos se desenvolvem as reivindicações de estudantes sobre a necessidade de quotas em todas as universidades. Saiba também que o  Blogueiro sempre foi favorável a essas demandas, por razões inquestionáveis. A principal delas nasce do fato de que, por não ter um índice de investimento tão alto quanto o de escolas particulares, as escolas públicas não conseguiam levar seus alunos a desempenhos suficientes em exames vestibulares, marcados pelo grande predomínio de candidatos egressos de escolas particulares. Se você é ou está se formando agora, sabe muito bem disso.

A solução desse problema não foi fácil. Para o Blogueiro, que prestou seu vestibular ainda sem que houvesse sistema de quotas, a consciência desenvolvida nas universidades públicas a respeito da necessidade de abrir tal sistema foi um processo talvez lento, mas seguro e justo, que atinge hoje seus índices mais elevados. De fato, à medida que o número de universidades públicas aumentou, bem como o número de vagas que foram passando a oferecer, ficava evidente a distorção social nessas ofertas, já que as vagas, particularmente nos cursos mais procurados, eram predominantemente ocupadas por candidatos oriundos de classes mais abastadas, por haverem cursado escolas bem mais estruturadas e cursos preparatórios de alto custo. Poder-se-ia falar em “culpados” dessa distorção? De modo algum. Foi algo que se criou a partir do próprio crescimento populacional, do desenvolvimento do ensino no país e das sucessivas crises que veio enfrentando ao longo do tempo. As reivindicações dos estudantes, neste sentido, foram verdadeiros alertas de que as universidades deveriam criar sistemas em que o problema social do ingresso em seus cursos deveria ser enfrentado e buscadas soluções adequadas. Felizmente, tais soluções acabaram chegando sob a forma de quotas.

Neste panorama, você deve saber que a UNESP representa um dos mais louváveis exemplos. Em primeiro lugar, porque, mesmo antes do sistema de quotas, sempre foi uma universidade com alto índice de egressos da rede pública. Em segundo, porque, percebendo que isso ainda não bastava, foi elaborando e aperfeiçoando a cada vestibular seu Sistema de Reserva de Vagas para Educação Básica Pública, que atinge, nos exames vestibulares deste ano, a quota de 50% de suas vagas em todos os cursos para candidatos oriundos das escolas públicas. Esta é a melhor resposta às reivindicações dos estudantes, que podem disputar suas vagas em condições de igualdade. Neste sentido, pesquisas demonstram que tais candidatos, quando ingressam nas universidades, têm desempenho inteiramente satisfatório, muitas vezes igual ou até superior ao de egressos de escolas particulares.

Repare agora num importante aspecto das quotas que não o meramente estatístico. Elas representam o fato de anularem as perdas de talentos, que os vestibulares sem quotas, do passado, ocasionavam. São, assim, uma grande vitória na luta em busca de uma Universidade mais justa, de um Brasil mais justo, porque é da soma dos talentos de seus jovens que surgirá o país com que todos sonhamos.

 

 

Sinônimos: use e abuse!

Thursday, September 28th, 2017

Você por certo já fez muitos exercícios com sinônimos, desde o ensino fundamental. Os professores, acertadamente, o levaram a ver que, em vez de repetir desnecessariamente uma mesma palavra, podemos empregar outras que apresentam o mesmo ou quase o mesmo valor no contexto.

Esta é a questão: o mesmo ou quase o mesmo? Uma professora de linguística muito radical ralhou certa vez com o Blogueiro, que havia falado em sinônimos: Sinônimos não existem! disse ela, como quem encontra um menino roubando biscoitos da lata. O Blogueiro ficou ofendido pelo modo da repreensão e, para não deixar por menos, retrucou: Sim, mas nós os empregamos diariamente!

É claro que a professora tinha certa razão: não existem duas palavras com exatamente, 100%, o mesmo significado. Mas o Blogueiro também tinha parte da sua: em nosso uso tanto oral quanto escrito da língua, vivemos substituindo umas palavras por outras, sem que isso cause grandes males à nossa comunicação. Ao contrário, o emprego da sinonímia serve para evitar repetições que, ao fim e ao cabo, tornariam um texto muito fastidioso, de cansativa leitura.

O estudioso luso Rodrigues Lapa, em seu manual de Estilística Portuguesa, chama atenção para o fato de que há, entre os vocábulos que consideramos sinônimos, diferenças de sentido maiores ou menores. Exemplifica ele com a série: belo, lindo, formoso, bonito em exemplos como:

 

O lutador ergueu-se, belo como uma estátua.

Eram duas raparigas, qual delas a mais formosa.

Simples e linda, a noiva saía da igreja.

Laura trazia um bonito vestido de seda azul.

 

Evidentemente, examinando à primeira vista, notamos que entre estas quatro palavras as diferenças de significação podem ser maiores ou menores, particularmente nas frases dadas. Isso significaria que não podem ser usadas como sinônimas? Nada disso. Significa apenas que em determinadas frases ou contextos, podemos usar umas pelas outras, sem grande prejuízo de significação, mas até com ganhos expressivos. O mesmo se pode dizer para outra série, como casa, residência, lar, domicílio, morada, moradia. Cada uma delas tem sua própria característica e até domínio de uso, mas a grande semelhança de sentido permite alterná-las em muitos contextos. Se queremos ressaltar o aspecto afetivo, dizemos: meu lar; se o aspecto particular: minha casa; se o aspecto jurídico: meu domicílio. Essa possibilidade de alternância é provocada por outro aspecto importante da língua: o acúmulo de usos e significados por uma palavra. Observe o exemplo fornecido por Lapa:

 

A cabeça é a parte superior do corpo.

Toda gente o louva: é uma grande cabeça.

Sabia de cabeça todos os versos do poema.

Ele vinha à cabeça de todos os concorrentes.

Essa vila é a cabeça da comarca.

Pagaram dez tostões por cabeça.

Feriu-se na cabeça do dedo.

O cabeça da conspiração foi aprisionado.

Isso não tem pés nem cabeça.

Deu-lhe agora na cabeça fazer versos.

Cada cabeça, cada sentença.

Então perdeu por completo a cabeça.

 

Deu para notar? Em cada frase, a palavra cabeça assume um sentido diferente, demonstrando a riqueza semântica da palavra. Isso ocorre com muitíssimas outras palavras do idioma, o que abre campo imenso para a conquista de expressividade, tal como ocorre com o emprego dos sinônimos.

Os grandes escritores são muito hábeis, de fato, no emprego dos sinônimos, sabendo o que extrair, em  termos expressivos, de cada exemplo. Mire-se no exemplo deles e passe a observar melhor seu texto, evitando repetições desnecessárias, buscando palavras mais adequadas ao contexto de cada frase que usa. Isso ajudará em muito a tornar-se mais que um mero redator, mas o tornará um escritor capaz de produzir soluções criativas. Para começar, em cada um dos doze exemplos de emprego de cabeça, acima fornecidos, busque substituir esta palavra por outra ou por expressão equivalente. Experimente.   

 

 

Vestibular é uma tarefa normal

Friday, September 22nd, 2017

Muito se fala sobre o que significa o vestibular em termos pessoais? Para alguns, é um momento ímpar, é o momento de suas vidas. Para outros, é apenas uma tarefa a mais ao longo das muitas que teve e ainda terá. A primeira atitude é bastante emotiva; a segunda, bastante ponderada. Com qual você ficará? É melhor assumir a segunda hipótese, menos dramática que a primeira.

É claro que isso tem muito a ver com sua personalidade, vale dizer, sua maior ou menor propensão a observar os fatos por meio dos filtros da emoção ou da razão. O Blogueiro decidiu focalizar este tema hoje, pelo fato de ter verificado, nas referências que se fazem na rede sobre vestibulares, haver um certo exagero, que pode até ser prejudicial aos vestibulandos.

É claro que cada candidato observa e sente os vestibulares de um modo distinto. O problema é saber se, bem colocado e orientado, pode alterar esse modo de observar e sentir para um nível em que não possa haver prejuízo em seu desempenho. Isso equivale a dizer que todas as atitudes que assumimos sobre os vestibulares têm de fazer também parte de nosso método de estudar e de prestar as provas. Ora, se você é muito emotivo, não pode deixar de preparar-se antecipadamente para assumir o controle, procurando reduzir ao máximo a possibilidade de a emoção atrapalhá-lo no decorrer dos exames. Não deve atrapalhá-lo, aliás, no decorrer de seus próprios estudos. Mude sua visão, passe a considerar os exames como um fato normal, que poderá até se repetir, caso não seja aprovado na primeira vez. Não deve ser considerada anormal a reprovação numa primeira vez. Trata-se de uma ocorrência corriqueira. Claro que é desagradável não ser aprovado, mas a consideração dessa possibilidade não deve ser motivo de qualquer reação emocional antecipada.

O contrário também é verdadeiro: ausência total de emoções pode ser também fator prejudicial, já que implica excessivo desprezo pelos riscos e pelas possibilidades de erro. Prestar vestibulares como quem apenas está se divertindo, fazendo por fazer, levará fatalmente a aumentar os riscos.

O ideal, portanto, é saber equilibrar-se entre a razão e a emoção, de modo a assumir uma atitude tranquila, calma, ponderada. Estar ciente de que vai resolver uma tarefa normal, uma das muitas tarefas que ainda terá de resolver ao longo da vida.

 

 

 

Rimas e repetições: um horror!

Friday, September 15th, 2017

O Blogueiro vem insistindo, nos artigos que posta, em aspectos estilísticos da redação. Observa sempre que não basta escrever de acordo com a norma-padrão, nem tampouco conforme as regras de ortografia e de gramática. Escrever vai muito além dessa base, requer cuidados com o estilo de quem cria o texto. Os grandes escritores são justamente aqueles que se distinguem por dominarem um estilo, um modo muito particular e pessoal de elaboração do texto, quer na criação dos períodos, quer na organização destes em parágrafos, quer nas escolhas vocabulares que faz.

Pois você tem também seu modo próprio de escrever, ou seja, seu estilo, que requer cuidados muito especiais e se vai elaborando e enriquecendo ao longo do tempo e de seu hábito de criar textos.

Que quer dizer, afinal, o Blogueiro? Muito simples: que um texto pode estar correto sob diferentes aspectos gramaticais e de coesão textual, mas ainda pode não estar satisfatório sob o ponto de vista estilístico. Observe, abaixo, um exemplo que um velho professor sempre apresentava, ao manifestar-se a seus alunos sobre o assunto:

 

Cruz! Faltou a luz quando eu propus a solução que não reduz a produção.

 

É claro que todos os alunos (o Blogueiro entre eles) riam bastante, em função do exagero da frase apresentada, que está cheia de rimas. Alguns alunos diziam que jamais diriam ou escreveriam uma frase como aquela. Será? Na verdade, o que o velho professor queria alertar era simples: o perigo que a língua portuguesa apresenta em função do grande número de palavras terminadas em –uz, -us e em -ão. Essa profusão de vocábulos nos faz cair muitas vezes em armadilhas como a que gerou o exemplo apresentado. O português, além disso, possui também numerosas palavras terminadas em –ente, -ida, -ido, -indo, -ando, -endo, etc., etc. Cair na armadilha dos ecos e das rimas, por isso, é muito fácil. Todo o cuidado é pouco para evitar essas repetições que empobrecem estilisticamente nosso texto.

Você poderá dizer que isso não acontece mais hoje. Claríssimo que acontece. O Blogueiro escreveu este artigo exatamente por ter sido provocado pela leitura de notícias de jornais publicadas na rede. Observe os dois exemplos abaixo, encontrados nos últimos dias (algumas palavras foram mudadas, para evitar reclamações):

 

Acompanhou, par e passo, cada passo do andamento dessa operação.

De propriedade do empresário, que também foi denunciado, a indústria foi, segundo o promotor, o canal utilizado para receber e distribuir a propina.

 

Notou? Na primeira frase, o jornalista, para mostrar competência no escrever, se deu ao luxo de empregar a locução par e passo, quando deveria empregar pari passu, expressão latina que significa simultaneamente, a passo igual. E escorregou também ao empregar novamente a palavra passo na sequência, o que criou um eco indesejável. Com um pouco mais de cuidado, perceberia que poderia substituir pari passu por a passo igual ou por simultaneamente, ao mesmo tempo. Ou então deixar pari passu e substituir cada passo por cada fase.

Já na segunda frase, temos a repetição indesejável e desnecessária da forma verbal foi, quando seria muito fácil substituir que também foi denunciado por também denunciado, o que deixaria até mais leve a sequência. E assim poderiam ser feitas outras modificações para evitar o eco entre as duas formas verbais. Note também a rima entre denunciado e utilizado, que poderia ser evitada com a substituição de uma dessas duas formas por outra com diferente terminação.

Pois é. O Blogueiro tem certeza de que você entendeu direitinho os recados: primeiro, evitar repetições desnecessárias, que geram ecos e rimas em seu texto; segundo, não tentar demonstrar competência no emprego de certas expressões, particularmente de origem latina, se não tem plena certeza do que está fazendo.

Conclusão: ter estilo não significa exibir-se, mas ser autêntico, fazer com que seu texto reflita exatamente quem você é. Valeu?

 

Pontuação: não invente problemas

Monday, September 11th, 2017

Vocêjáteveproblemascomossinaisdepontuaçãoporcertotrata-sedeumaspecto importanteparaaclarezadodiscursovaledizerparaqueosleitoresdenossostextosnãotenham dificuldadedeentendernossamensagem.

O parágrafo acima parece um pouco confuso, não parece? Claro que sim. O Blogueiro o fez assim, retirando os espaços entre os vocábulos, as maiúsculas que marcam início de período e os sinais de pontuação, para que você perceba, de um modo brincalhão, mas didático, como são necessários tais expedientes para a compreensão dos textos escritos. Então observe como deveria ter sido escrito o parágrafo:

Você já teve problemas com os sinais de pontuação? Por certo. Trata-se de um aspecto importante para a clareza do discurso, vale dizer, para que os leitores de nossos textos não tenham dificuldade de entender nossa mensagem.

Percebeu? Pois é. Então não duvide de que tal forma de sinalização foi criada com objetivos bastante lógicos. Em primeiro lugar, os espaços servem para distinguir entre si os vocábulos, o que facilita tremendamente a compreensão ao longo da leitura. Em segundo lugar, os sinais de pontuação identificam orações (por meio da vírgula ou do ponto-e-vírgula) e períodos (por meio do ponto). As iniciais maiúsculas, neste segundo caso, auxiliam a pontuação, marcando inícios de períodos. Resultado: nosso leitor tem seu trabalho de leitura e interpretação de nosso texto bastante facilitado, evitando-se a dificuldade e a confusão do exemplo inicial deste artigo.

Claro que você entendeu. Então note que, mesmo aparentemente desprezíveis, os espaços entre palavras são absolutamente necessários. Mais ainda quando você redige com uma caneta. Aceite, deste modo, um conselho: procure deixar os espaços bastante claros; não caia na armadilha de escrever as palavras juntinhas, com um mínimo de espaço, porque a tensão de uma prova pode fazer você unir sem querer duas palavras e gerar uma terceira que nada tem a ver com o seu texto. Um exemplo forjado com base no quarto parágrafo deste artigo, suprimindo-se um dos espaços entre vocábulos e, sem querer, gerando um inexistente: Então não duvide de quetal forma de sinalização. Sem querer (por hipótese), o Blogueiro, ao suprimir o espaço, criou o vocábulo quetal. Imagine o que poderia acontecer em qualquer outro caso, até mesmo a produção de um vocábulo vulgar ou uma palavra de baixo calão. Perigoso, não?

Outro problema é usar sem muito controle o ponto-de-exclamação. Alguns estudantes apanham a mania de terminar períodos com esse sinal, o que tumultua seu discurso. Não esqueça: o ponto-de-exclamação serve para sinalizar emoção, sentimento, na expressão do período. Então, use-o com moderação, sobretudo em um texto dissertativo, em que se requer lógica, raciocínio, argumentação. Isto vale também para o emprego de reticências: cuidado com elas. Melhor até não empregar em texto dissertativo.

Finalmente, não descuide de marcar os inícios de período com inicial maiúscula da primeira palavra. Trata-se de um erro reprovável, porque perturba o fluxo da leitura, fazendo o leitor parar, em dúvida.

Valeram os alertas? O Blogueiro acha que sim. O principal objetivo dessas formas sinalizadoras é a facilidade e clareza da leitura. E é exatamente isso que você pretende da banca de correção.

 

Livre-se dos coloquialismos

Friday, September 1st, 2017

Um dos problemas que mais incomodam quem escreve é a presença indevida de coloquialismos. Você sabe que deve seguir, em suas respostas a questões discursivas e na redação, a norma-padrão da língua portuguesa, vale dizer, o modelo de discurso, também chamado formal, que é utilizado nas escolas, na universidade, nas comunicações pela mídia, etc., etc., em todo o território nacional. Seus professores, desde o ensino fundamental, utilizaram a norma-padrão para que você, com o tempo, também se acostumasse a utilizá-la. Já a utilização coloquial da língua ocorre nas conversas informais, em casa, com os amigos, em todas as situações de utilização do discurso em que a formalidade seja desnecessária. O discurso coloquial, assim, não tem compromisso com a norma-padrão. Está errado, então? Claro que não. É apenas uma outra forma de utilização da língua, uma utilização informal, descompromissada. Erro, sim, será empregar termos e soluções do discurso coloquial no discurso formal, regido pela norma-padrão. Não é, portanto, um erro gramatical, mas um lapso de utilização indevida de um elemento lá onde deveria ser utilizado outro.  Algo como um jogador do São Paulo voltar para o segundo tempo com a camisa do Palmeiras.

Você sabe disso, pois seus professores do ensino médio e dos cursos preparatórios fizeram muitas exposições a respeito, sobretudo no ensino e na prática de redação. Devem ter-lhe dito também que os coloquialismos são bastante insidiosos, razão por que volta e meia se insinuam em suas redações e respostas discursivas. É preciso, deste modo, ter bastante cuidado com eles, para evitar que uma penalização possa por em perigo sua aprovação no vestibular.

Coloquialismo com que devemos tomar muito cuidado, por exemplo, é o do emprego do verbo ter com o sentido de existir. Os professores gostam de citar a frase Felicidade é algo que não tem como um desses exemplos insidiosos. A norma-padrão impõe, nessa frase, o emprego do verbo haver: Felicidade é algo que não há. Você poderá até gostar mais, como gosta o Blogueiro, da primeira frase, mais ainda inserindo a palavra coisa: Felicidade é coisa que não tem. Bonitinho, não é? Claro que é, mas no seu devido lugar, na comunicação ordinária, familiar, popular. Não numa redação de vestibular.

Outro coloquialismo perigoso é a gente. Utilizamos muitíssimo essa expressão de valor pronominal em nossas conversas diárias, descompromissadas: a gente vai, a gente quer, a gente não entende o que aconteceu, etc., etc. De tão empregada, nem mesmo a pronunciamos de um só modo: dizemos a gente, a genti, a enti, enti. Não acredita? Então comece a reparar como seus familiares, amigos e o povo em geral a pronunciam. Perceberá que o Blogueiro sabe das coisas. Pois bem, em suas redações e respostas discursivas, basta empregar o pronome nós: nós vamos, nós queremos, nós não entendemos o que aconteceu, etc., etc.

Tão enganador quanto os dois exemplos dados é o de uso da palavra tipo para expressar comparação: Essa sensação é tipo uma dor de estômago. Era um aparelho tipo celular. Era um animalzinho tipo um ratinho. Observou bem? O uso de tipo em todos esses exemplos é para expressar uma semelhança ou parecença. Seu emprego já está muito disseminado coloquialmente em nosso país, o que não o torna adequado à norma-padrão. Deve ser evitado inclusive numa entrevista para obtenção de estágio ou emprego, pois será fatalmente considerado indicador de pobreza de vocabulário e discurso. A língua portuguesa nos fornece muitos recursos para eliminar tal uso impróprio e empobrecedor: É uma sensação semelhante à dor de estômago, Era um aparelho parecido com um celular, Era um animal muito semelhante a um ratinho.

Percebeu? Então trate de fazer uma visita a sites que focalizam as diferenças entre o discurso coloquial e o discurso formal. Você irá aperfeiçoar mais ainda sua capacidade de expressão e evitará que estes e outros traiçoeiros usos coloquiais prejudiquem suas provas.

 

Redações pré-fabricadas

Wednesday, August 30th, 2017

Desde que as redações voltaram aos vestibulares, na década de oitenta, alguns cursos preparatórios passaram a dedicar-se a ensinar certos lugares-comuns ou chavões de início ou de final. Os candidatos recebiam informações sobre como começar um texto com tais chavões: desde a mais remota antiguidade, desde o princípio dos tempos, desde tempos imemoriais, desde que o homem é homem, etc., etc. Assim também para os parágrafos finais: como esperamos ter demonstrado, como ficou claro com a argumentação apresentada, como se pode concluir, como consequência dos argumentos aqui apresentados, etc., etc. E assim por diante.

Ensinamentos válidos? Nem um pouco. As bancas corretoras, formadas por especialistas e bem treinadas, logo detectaram tais subterfúgios, penalizando seu emprego. E os candidatos foram percebendo que até mesmo expressões como as exemplificadas têm de surgir por justificativa dos próprios textos, e não como ornamentos inúteis e, de certo modo, até ingênuos.

Ora, na atualidade, artificialismos como esses voltaram a ser ensinados. Alguns sites de vestibulares vêm focalizando uma questão bastante interessante com respeito aos vestibulares: o das chamadas redações pré-fabricadas, ou seja, redações que o candidato traz com a estrutura quase pronta, devendo apenas preencher com a abordagem do tema solicitado no vestibular que está prestando.  É uma questão de vivacidade do candidato inserir no esquema pré-fabricado o desenvolvimento do tema proposto. Segundo se comenta, alguns candidatos se vangloriam por haver “dado certo” a estratégia.

A pergunta que se impõe, nesse caso, é o que permite que o sistema de redações pré-fabricadas esteja dando certo? Muito simples a resposta: não está dando certo nos vestibulares que têm por princípio variar não apenas as propostas, mas as áreas de conhecimento ou de experiência donde são extraídos os temas. Nestes, não há como prever esquemas para as redações: os candidatos têm de criar um desenvolvimento de texto original. Todavia, naqueles vestibulares que extraem seus temas anualmente de uma mesma área de conhecimento ou de experiência, a pré-fabricação pode render muito. Por quê? Porque, quando os temas apresentam ano a ano tal parentesco, podem ser submetidos a um esboço de desenvolvimento antecipadamente preparado. Assim, por exemplo, vestibulares que todos os anos abordam problemas sociais, naturalmente solicitando dos candidatos uma proposta de solução, anunciam por si mesmos uma linha de desenvolvimento do texto, facilitando a utilização de um esquema, algo como um instrumento de mil e uma utilidades.

Muita atenção, porém, porque, ao perceberem o novo truque, a partir de agora as universidades tomarão ainda mais cuidado não apenas com a correção, mas também com as propostas de redação,  justamente para evitar o uso desses suspeitos recursos.

O melhor caminho é e sempre foi aprender a redigir adequadamente, Quem o segue, nunca vai precisar de se socorrer a artimanhas. E levará a capacidade de bem redigir por toda a sua vida. Pense bem nisso!

 

Sou bom pra burro!

Monday, August 21st, 2017

Pesquisas realizadas em todos os continentes e constantemente repetidas mostram que, mesmo em países muito desenvolvidos, nem sempre boa parte dos habitantes demonstram formação suficiente para apresentar cultura superior. Ao contrário, muitas vezes revelam que pouco sabem do próprio país em que vivem, e mais ainda das demais regiões da Terra e do próprio universo. Muitas pessoas, nesses lugares, quando alguém lhes pergunta sobre o que sabem a respeito do Brasil, por exemplo, só respondem com noções vagas e grosseiras, tais como futebol, carnaval e mulheres bonitas. Por vezes, nem imaginam em que regiões do globo ficam o nosso e outros países. A formação escolar, nesse caso, não lhes deu mais que um precário verniz, uma verdadeira ilusão de cultura.

Essa forma de ignorância cultural, todavia, não é privilégio dessas nações, mas também nos atinge. Em programas de televisão, sempre que se fazem enquetes sobre determinados assuntos, verificamos que boa parte das pessoas não denotam adequado conhecimento do mundo nem tampouco noções elementares sobre arte, literatura, ciência, filosofia, geografia, história, biologia, física, química, etc., etc. Todas estas disciplinas, porém, são focalizadas nos ensinos fundamental e médio, obrigatórios para os jovens brasileiros.

Esta é a introdução necessária do artigo aqui postado: Sou bom pra burro. Trata-se de uma expressão popular que é usada figuradamente por alguém que quer revelar grande qualidade ou capacidade em uma profissão ou área de conhecimento ou atividade. Dizer Fulano de Tal é bom pra burro é reconhecer tal qualidade. Uma das publicidades do dicionário Aurélio, aliás, serviu-se dessa expressão como slogan, fazendo trocadilho com o duplo sentido, literal e figurado: Bom pra burro.

Ora, afinal, que têm a ver o vestibular e o vestibulando com isso? Muito. Muitíssimo. Qualquer pessoa reconhece que, para alguém ser aprovado em vestibular de universidade pública, tem de ser bom pra burro, vale dizer, dominar conteúdos que fazem parte do programa e demonstrar nas provas alto índice de rendimento. Mas para que tanta prova? pergunta-se muitas vezes o próprio vestibulando, e completa: Não seria mais lógico fazer as provas sobre conteúdos que envolvam o curso que pretendo fazer, e apenas ele?

Não. Não seria, mesmo que o candidato fosse bom pra burro em tais conteúdos. As questões exigidas em exames vestibulares pretendem saber se assimilou adequadamente o que lhe foi ensinado ao longo dos ensinos fundamental e médio, seja em termos cienfícos, seja em termos culturais. Não se avaliam particularidades, mas formação integral. Já por isso são exigidos, por exemplo, conteúdos de Filosofia. É impensável que um formando do ensino médio não domine noções básicas de Filosofia e não tenha aprendido a examinar problemas que exigem reflexões de ordem filosófica.

E aqui se revela a conclusão: se o candidato tem de se mostrar bom pra burro para ser aprovado em vestibular, tem também a obrigação de continuar sendo bom pra burro ao logo do curso superior e, mais ainda, de sua trajetória profissional depois de formado. Um engenheiro não pode ser apenas um engenheiro, tem de ser um cidadão culto, conhecedor dos problemas de toda ordem que envolvem o Brasil e o mundo; tem de saber apreciar uma obra de arte (pintura, escultura, música, literatura, etc.), tem de assumir opiniões políticas, filosóficas, estéticas, científicas; tem de acompanhar os desenvolvimentos e inovações da tecnologia, com perfeita noção sobre o seu alcance para o presente e para o futuro; tem de saber olhar a seu redor a própria sociedade e compreender suas carências; tem, enfim, de contribuir na sua medida para que a humanidade encontre o caminho da paz, da justiça, da igualdade e da fraternidade entre as pessoas e os povos. É desse homem que o século XXI necessita.

Tarefa impossível? Grande demais para uma só pessoa? Sim, mas possível desde que cada pessoa dê sua contribuição, por pequena que seja, para tal. Um indivíduo que vive voltado apenas a seus próprios objetivos e interesses, divorciado de preocupações com a comunidade que o cerca e lhe dá respaldo, não vive realmente em sociedade. Vive numa ilha de egoísmo e isolamento.

É isso aí. Ser apenas um profissional bom pra burro, mas destituído de maior formação cultural e apagado como cidadão não é suficiente. O mundo atual precisa, como jamais precisou, de indivíduos bons para toda a humanidade e a civilização.

 

 

 

Estudo e tecnologia: computadores, tablets, celulares

Friday, August 11th, 2017

Evidentemente, você tem hoje ferramentas eletrônicas que os vestibulandos do passado não possuíam: seja com um computador, um laptop, um tablet ou um celular, você pode ter acesso a sites e mais sites sobre disciplinas, conteúdos, simulados, etc., etc. Os estudantes antigos só contavam com apostilas, livros e aulas. Embora isso pareça uma desvantagem dos antigos, na realidade, dependendo dos métodos de estudo por eles utilizados, poderia ser vantagem. A questão se resumia, deste modo, a utilizarem da melhor forma possível os instrumentos que possuíam. O povo tem um provérbio para isso: Quem não tem cão, caça com gato.

Esse provérbio serve também para extrair uma boa lição no presente: mesmo com todos os recursos modernos, muitos estudantes não conseguem atingir o índice necessário de conhecimentos para passar no vestibular. Conclusão lógica: não adianta ter melhores ferramentas, se não souber utilizá-las, ou se não quiser utilizá-las em toda a sua potencialidade, ou, ainda, se os concorrentes as utilizarem com mais eficácia do que você. O aparato eletrônico, portanto, não funciona por si mesmo como um salvador da pátria. É preciso elaborar um método de estudo que o torne utilizável para o aumento e domínio dos conhecimentos. E esse método pode ser diferente para cada estudante, conforme suas características pessoais e, por assim dizer, sua personalidade.

O que é preciso ter em mente, logo de início, é que tudo o que se pretende saber de qualquer área de conhecimento pode ser encontrado hoje na internet e acessado até pelo seu celular. O conhecimento está lá, portanto, como o ouro em uma jazida. A questão é saber como extrair o metal precioso. Se você verificar os sistemas de extração de minérios preciosos, constatará que são variáveis, de acordo com a natureza da jazida e também da tecnologia utilizada para explorá-la. O conhecimento, na rede, é bastante semelhante: você precisa descobrir o melhor sistema para explorá-lo com rapidez e produtividade. Como fazer isso?

A resposta é inteiramente sua. Você completou o ensino médio, em que adquiriu e consolidou conhecimentos. Mas sabe que só isso não será suficiente. Mesmo que frequente curso pré-vestibular, nem todo o conhecimento faltante lhe será propiciado. Aí é que entram os recursos da internet.  Que fazer para melhor utilizá-los? Reflita sobre seu modo de ser, sua maneira de estudar e sobre suas principais dificuldades antes de procurar tais recursos. Se está na terceira série do ensino médio ou já formado frequentando um cursinho, estabeleça a melhor maneira de entrosar os conhecimentos via rede com os que você recebe em aula. É o que se denomina racionalização do trabalho, ou seja, o estabelecimento de um plano de uso das informações que recebe em aulas, lê em apostilas e livros e encontra em sites de estudos e de vestibulares na rede.

Estas atitudes preliminares evitarão que seu estudo se torne um tanto caótico, apontarão o melhor caminho para fixar seu próprio método de abordagem  e farão com que se direcione de modo mais tranquilo e descontraído para os exames.

E nunca se esqueça de que o mais importante, quando se estuda, não é a quantidade, é a qualidade. Estudar com qualidade significa fixar os conhecimentos obtidos e dominá-los de tal modo, que possa resolver grande número de questões a respeito. Nesse rumo, você conseguirá fixar também seu próprio método de utilização das ferramentas eletrônicas.

É isso aí. A tecnologia não surgiu para para fazer milagres, nem tampouco para criar dificuldades, mas para facilitar as ações em nossa vida. Extraia dela, com jeitinho, tudo que lhe for necessário para atingir seus objetivos.