Archive for the ‘Sem categoria’ Category

Não “pope”: poupe

Tuesday, May 16th, 2017

Certos errinhos nos pegam muitas vezes desprevenidos. De tão comuns que são, até parecem acertos. Um deles diz respeito ao verbo poupar. As pessoas estão tão acostumadas a falar no discurso informal eu popo, eu tenho uma popança, eu sou um popador, que o u acaba sendo desprezado também no discurso formal, o que representa um péssimo cartão de visitas para quem fala ou escreve. Na verdade, a norma-padrão exige as formas eu poupo, eu tenho uma poupança, eu sou um poupador. Observe, a este respeito, como se conjuga o verbo poupar:

 

Eu poupo

Tu poupas

Ele poupa

Nós poupamos

Vós poupais

Eles poupam

 

E assim todas as formas dos modos e tempos desse verbo exigem o u: poupava, poupara, pouparei, pouparia, poupe, poupasse, poupar, poupando, poupado.

Tome cuidado, portanto. Não importa que lá entre amigos, em conversas informais, você esqueça do u. Mas em sala de aula, em redações, em respostas discursivas, o u é inteiramente necessário. E de repente essa diferença entre o uso formal e o uso informal pode ser até objeto de uma questão. Esteja preparado, pois.

Muito mais cuidado ainda é necessário em outra série de palavrinhas cognatas: roubar, roubo, roubalheira, roubado, roubada. Nada de dizer eu robo. Este equívoco é tão comum, que você ouve até em telejornais, entrevistas, artigos na internet. Essa pronúncia sem u povoa a fala diária e acaba se infiltrando no discurso de políticos, jornalistas e profissionais de diferentes áreas quando dão entrevistas ou se manifestam oralmente em vídeos. Preste atenção, portanto, nas formas aceitas pela norma:

 

Roubar pode ser um vício perigoso.

Ele roubou aquela camisa da loja.

Esse imposto é um verdadeiro roubo.

A Justiça está acabando com toda a roubalheira.

Achado não é roubado, mas pode ser, se não devolvido.

Fazer sociedade com aqueles tipos foi uma roubada.

 

Percebeu? Você encontrará com facilidade exemplos de pronúncia erronha dessas palavras na televisão e na rede. Note que, como no caso de poupar, toda a conjugação do verbo roubar exige o u: roubo, roubava, roubara,  roubarei, roubaria, roube, roubasse, roubar, roubando, roubado. E note também como ficaria horrível em sua redação ou resposta discursiva: “roba, robou, robo, robalheira, robado, robada”. Alguém pode até dizer a você, que se trata de um errinho insignificante, que não vai prejudicar sua nota. Será que não vai? Afinal, nenhum erro pode ser considerado insignificante. É melhor não arriscar. Não caia nessa roubada, certo?

 

Meu bem, meu mal; meu bom, seu mau

Thursday, May 11th, 2017

Você achou o título deste artigo muito curioso, não achou? Claro que sim. E lhe pareceu que a segunda frase está incorreta, não? Na verdade, ambas as frases estão corretas, ou, melhor: em determinados contextos, ambas as frases podem estar corretas; em outros, incorretas.

Mas o que é um contexto, afinal? No sentido em que o Blogueiro empregou acima, contextos são as frases ou expressões ou passagens de um texto em que uma palavra pode estar inserida. Vale dizer: os antônimos bem e mal, bom e mau dependem, para estarem corretos, de estar inseridos nos contextos adequados.

Meu bem, meu mal é uma frase muito usada, aparece em títulos de obras, em letras de músicas, mais ou menos com o sentido de que algo que nos causa bem pode também, mudadas as circunstâncias, nos causar mal. Neste sentido, a frase meu bom, seu mau estaria errada? Em determinados contextos, não. Observe o diálogo:

 

— Seu amigo o salvou, mas o meu me traiu.

— Pois é: meu bom, seu mau…

 

Percebeu como o contexto legitima a frase? O segundo interlocutor, na verdade, serviu-se duas vezes da elipse da palavra “amigo” — meu bom amigo, seu mau amigo —, para definir, com algum deboche, os respectivos “amigos”. A frase ficou, assim, mais instigante. Generalizando, há bons e maus amigos: tive a sorte de ter um bom e você o azar de ter um mau.

É isso aí. Tome bastante cuidado, quer ao criar textos, quer ao interpretar textos alheios, com essas quatro palavrinhas. Suas apostilas lhe ensinam que bem é antônimo de mal e bom é antônimo de mau. Isso, apesar de verdadeiro e útil, não resolve todos os casos, pode provocar confusões na hora de escrever ou de ler. É preciso respeitar o contexto em que as palavras se inserem. Claro que, ao dizer ele não passa bem, a frase antônima que nos vem à memória é ele não passa mal. Ou também quando dizemos ele é um homem mau, o oposto será ele é um homem bom. Mas é preciso tomar cuidado com os contextos, por exemplo, em frases como ele julgou bem o réu, porque pode haver uma frase como ele julgou bom o réu. A primeira frase tem como oposta ele julgou mal o réu; e a segunda, ele julgou mau o réu. No primeiro caso, trata-se do modo de julgar (bem ou mal); no segundo, do caráter do réu (bom ou mau).

Até mesmo uma frase como eu espero que você faça bom a prova pode estar correta em um contexto apropriado. Observe o diálogo:

 

— Eu estive muito doente ontem, mas não desistirei do vestibular.

— Ótimo! Eu espero que você faça bom a prova.

 

Interessante, não é? “Bom”, nesse caso, significa bem disposto, sem doença, curado, em boas condições.

Conclusão: nestes como em muitos outros casos de dúvida, verifique o contexto, porque ele pode revelar agradáveis surpresas, que farão muito bem à sua nota!

 

Palavra-chave, uma boa dica

Thursday, May 4th, 2017

Quando fazemos a análise de um texto literário, seja em verso, seja em prosa, nossos professores sugerem que localizemos as palavras-chave. É considerada chave a palavra que representa, por si mesma, o significado global de um texto, ou, pelo menos, um significado que possa representar uma espécie de síntese do que está sendo comunicado no texto. Por essa mesma razão, além de sua utilização na análise de textos literários, as palavras-chave são empregadas em classificações bibliográficas, bem como na própria linguagem da informática, para indicar certos conteúdos predeterminados.

Note, a este respeito, que nos buscadores da internet chegamos aos sites desejados digitando a busca por meio de palavras-chave. Estabelecemos, assim, todo um sistema de buscas por meio da combinação de palavras que encerram os conteúdos procurados por nós para chegar aos sites. Por vezes, nesse trabalho, chegamos a digitar verdadeiras frases-chave, como modo de atingir mais depressa e com mais eficiência tais sites.

Esse emprego instrumental das palavras é de grande utilidade, também, em nossas provas, seja de concursos de acesso em geral, seja em vestibulares, em questões, em textos de apoio, em propostas de redação.

Ao ler uma questão, quer objetiva, quer discursiva, devemos ter em mente que uma ou mais palavras nela carregam o significado mais abrangente e principal. Isso é importantíssimo, porque sua resposta tomará por base tal ou tais palavras-chave. No caso das questões objetivas, essa estratégia é importantíssima, porque nos ajudará a eliminar alternativas improcedentes, bem como discernir entre duas alternativas aparentemente procedentes qual está mais entrosada com o conteúdo do enunciado da pergunta.

No caso das questões discursivas, a identificação da ou das chaves evitará que nos desviemos perigosamente do que é explicitamente solicitado na pergunta. A inobservância desse pormenor já fez muitos candidatos responderem de modo errado perguntas cujas respostas conheciam.

O mesmo se pode dizer de textos de apoio a questões, quer objetivas, quer discursivas. É preciso identificar as palavras-chave e verificar em que medida estão relacionadas com as dos enunciados das questões. Certa feita, numa série de questões objetivas, o Blogueiro percebeu que suas palavras-chave apontavam para uma interpretação particular do elaborador dessas questões e não de sua própria interpretação, que lhe parecia mais lógica. Por isso, seguiu a trilha da interpretação do elaborador, que se revelava na série de enunciados. Foi uma forma de esperteza que rendeu ao Blogueiro o acerto de toda a série de questões, muito embora não concordasse com a interpretação do elaborador. Isso acontece também.

Finalmente, considere muito importante a identificação de palavra-chave na proposta de redação. Se menosprezar esse detalhe, poderá até fazer uma bela redação, mas afastada do que pretende realmente a proposta.

Um bom treinamento, na atualidade, para a identificação de palavras-chave está nas entrevistas publicadas em jornais e revistas, seja em papel, seja na rede. Localize a palavra-chave de cada pergunta do entrevistador e a da resposta do entrevistado. Você terá, assim, muitas surpresas, ao verificar como os repórteres se revelam espertos e maliciosos, e como os entrevistados são capazes de escapar de armadilhas das perguntas, ou até mesmo de mentir para evitar a confissão de atos, digamos, um tanto deprimentes.

Valeu? Então incorpore mais esse método aos seus estudos.

 

 

 

Os problemas da decoreba

Wednesday, April 26th, 2017

Um dos termos mais empregados na gíria dos estudantes é decoreba, que significa hábito ou mania de decorar, de estudar memorizando fórmulas, datas, aspectos, características, sem ir ao fundo dos conteúdos para aprender de fato. Vale dizer: estudar sem aprender o principal, o núcleo, mas apenas os aspectos periféricos. Isso realmente é válido?

Na verdade verdadeira, como dizemos brincando, não é. Realmente não é. Quem vive da decoreba ignora que não só os estudantes evoluem em seus modos de estudar, mas também as bancas elaboradoras em seus modos de perguntar. Se você examinar com atenção as provas de diferentes exames vestibulares atuais, verificará com certeza que as questões exploram o que é principal nos conteúdos, deixando de lado o que é apenas marginal, complementar.

Em qualquer ciência, ao assimilar e dominar fundamentos e conteúdos teóricos, os elementos periféricos são assimilados automaticamente, em virtude das estreitas relações que mantêm com tais conteúdos. Bom exemplo é a Medicina. Se você encontrar uma terminologia, uma relação de termos usados na Medicina, poderá memorizar o significado desses termos, não necessariamente a ciência que os utiliza para denominar os conceitos com que trabalha.

Há, evidentemente, em qualquer ciência, muitos dados que se memorizam, não pelo simples memorizar, mas pelo fato de estarem indissoluvelmente inseridos na atividade científica, razão por que, com a ajuda desta, são registrados na memória com menor esforço.

Percebeu? A memorização só é válida, em qualquer estudo de qualquer disciplina, na medida em que os elementos decorados não se fechem em si mesmos, mas impliquem e evoquem suas relações com os fatos, fenômenos e conceitos dessa disciplina. Fazendo um trocadilho, podemos dizer que o decorar não pode ser decorativo. A própria palavra decoreba, que quase sempre pronunciamos em tom jocoso, debochado, constitui prova disso.

Com base nestes lembretes, você deve mudar um pouco a ótica de seu método de estudo, passando a considerar a memorização apenas uma ferramenta auxiliar, e não o fundamento de seu aprendizado. Aprender é muito mais profundo.

 

 

 

 

 

Afinal, que é um parágrafo?

Wednesday, April 19th, 2017

Alguns estudiosos costumam comparar o parágrafo, entendido como unidade de um texto em prosa, com a estrofe, unidade de um texto em verso. É fácil entender a estrofe como unidade do texto em verso. Num soneto, por exemplo, verificamos com facilidade que a separação dos versos em quatro conjuntos, dois de quatro versos (quadras ou quartetos) e dois de três versos (tercetos) não é arbtrária, mas corresponde a quatro planos de significado, unidos numa sequência semântica da qual o último terceto encerra a chamada chave de ouro, magnífica conclusão do poema. Leia qualquer soneto de Camões, de Bocage ou de Gregório de Matos para verificar esse fato.

O problema, porém, é o parágrafo. Sua comparação com a estrofe não é lá muito fundamentada: são fenômenos bastante diferentes. Muitos estudiosos já tentaram estabelecer uma teoria do parágrafo, mas fracassaram, não tendo conseguido ir além do fato de que há certa unidade de sentido em cada um deles na sequência que os faz constituir um texto.

Isso é muito pouco e pouco preciso, os escritores que o digam! Se houvesse indicadores exatos de quando sair de um parágrafo para outro, o problema nem existiria, mas, na verdade, não há. As lições que lemos a respeito em livros sobre redação nos dizem que devemos sentir, de certo modo intuir o ponto em que um parágrafo se encerra e se inicia outro. Acrescentam que cada parágrafo é uma unidade de sentido. Não há, entretanto, normas e regras invariáveis para paragrafar. E é justamente por isso que, quando saímos dos livros e apostilas para o ato de criação de um texto, temos dúvidas e mais dúvidas. Que fazer?

O primeiro ponto a extrair dos comentários acima é que não há critérios cem por cento objetivos para elaborarmos a divisão de um texto em parágrafos. O segundo, que cada um deve perceber por si mesmo, conforme a sequência de períodos que vai gerando o texto, o momento de fazer a transição, iniciando um novo parágrafo. A verdadeira unidade de um texto, neste sentido, é o período. É a sequência de períodos que vai conduzindo o sentido de um texto para o seu encerramento. Os parágrafos são conjuntos de períodos estabelecidos de acordo com o que vai percebendo o escritor à medida em que escreve. É por esse motivo que encontramos textos em que predominam extensos parágrafos e outros em que os parágrafos apresentam formas mais variadas.

Para falar francamente, os parágrafos de um texto poderiam ser até suprimidos, escrevendo-se tudo numa só sequência, sem qualquer prejuízo para o significado global e unitário de um texto. É o que, aliás, alguns escritores experimentaram fazer, na modernidade, excluindo a divisão de narrativas em parágrafos e até mesmo suprimindo sinais como o travessão de diálogo e as aspas. É claro que você não vai fazer isso em sua redação de concurso ou de vestibular, pois não está de fato criando uma narrativa literária. O melhor caminho, portanto, é seguir mesmo sua própria percepção do texto que vai sendo criado e dividi-lo em parágrafos que se ajustem melhor à sequência, até mesmo para facilitar o trabalho do seu leitor.

Quer saber de uma coisa? Não se preocupe muito com a exatidão da divisão em parágrafos, mesmo porque esta não existe, mas siga sempre seu próprio julgamento, ou, como dizem os ingleses, seu feeling. É isso aí!

 

 

Muito cuidado com os senões

Wednesday, April 12th, 2017

Usos bastante comuns na fala corriqueira podem, na escrita, causar confusões bastante perigosas. Isto se explica pelo fato de que a escrita acrescenta aspectos de que a fala não tem nenhuma necessidade.

A todo instante você emprega, por exemplo, a palavra senão, que pode funcionar na frase como substantivo, preposição, conjunção. É claro que você não se dá conta disso quando fala, nem tampouco quando escreve: simplesmente fala e simplesmente escreve. Na fala, por isso, nada a comentar. Mas na escrita… bom, aí teremos outra estória. Por isso, você acaba sendo obrigado a perceber que há diferença relevante entre senão e se não.

O Dicionário Aurélio exemplifica muito bem os usos de senão:

Nenhum senão no todo dela existe. (Vale dizer: nenhum defeito, nenhuma mancha, nenhuma mácula. Senão, neste exemplo, é um substantivo, cujo plural é senões).

Ninguém senão os irmãos Correias compareceu à cerimônia. (Vale dizer: ninguém exceto os irmãos Correias, ninguém salvo os irmãos Correias, ninguém a não ser os irmãos Correias. Senão, neste exemplo, funciona como preposição).

Lute, senão está perdido. (Vale dizer: de outro modo está perdido, caso contrário está perdido. Senão, neste exemplo, funciona como conjunção).

 

Se fosse apenas isso, não haveria grandes problemas, não é? Você já estudou bastante estes usos e sabe como resolver as eventuais dúvidas. Na fala, você não se dá conta de haver qualquer problema, pois a pronúncia é a mesma, embora o sentido seja diferente. A dúvida ocorre na escrita, em que surge uma nova personagem, que tem o dom de atrapalhar tudo no enredo: se não. Observe os exemplos:

 

Se não entregar a obra na data combinada, o contrato será rescindido. (Vale dizer: caso não entregue a obra na data combinada. O se, neste emprego, é uma conjunção condicional).

Quero saber se não irão entregar a obra na data combinada. (Vale dizer: quero saber se acaso, se por acaso, se porventura. Se, neste exemplo, é uma conjunção integrante).

 

E agora? Como escapar dessa enrascada? Conselho amigo do Blogueiro: se não quer se aprofundar nesses conhecimentos, mas tão somente não errar, deixe senão de lado; preocupe-se apenas em ter certeza do emprego de se não. O raciocínio até parece simplório, mas é verdadeiro: se souber distinguir com certeza o emprego de se não, tudo o mais será senão.

Captou? Então, mãos à obra, digo, ao se não, para não mais se equivocar em distingui-lo de senão. Valeu?

 

Os ecos: chatinhos e perigosos

Wednesday, April 12th, 2017

Um dos aspectos que o Blogueiro nunca colocou em seus artigos, a não ser de passagem, é o das repetições desnecessárias. Os escritores profissionais são muito hábeis em evitá-las, porque enfeiam e atrapalham seu estilo. Os estudantes, porém, apesar das observações dos professores de Língua Portuguesa, muitas vezes parecem não dar a mínima para elas. Mas que são feias e perigosas, são mesmo!

Observe esta passagem:

 

De repente, o presidente disse que somente delinquentes são capazes de cometer atos tão injustamente deprimentes contra a população inocente que lhes é indiferente.

 

Não pense que se trata de exemplo inteiramente forjado pelo Blogueiro. Textos de jornais e revistas, sobretudo quando transcritos para a internet, estão cheios de repetições como essas. Os gramáticos denominam ecos tais repetições de finais de palavras e condenam esse emprego, considerando-o um vício de linguagem. São oito entes que povoam um só parágrafo, representando um incômodo para o leitor e caracterizando o desleixo do escritor em seu texto. E é muito fácil evitar esse defeito. Observe agora:

 

Naquele momento o presidente disse que apenas bandidos são capazes de cometer atos injustos e deprimentes contra a população.

 

Melhorou bastante, não? E não deu grande trabalho. Imagine você colocar um parágrafo como aquele em sua redação ou em uma resposta discursiva! Não espere nenhuma condescendência da banca, pois esta sabe muito bem que seria fácil evitar as repetições fastidiosas de finais de palavras.

Cuidado, portanto, com palavras terminadas em ente e ão, abundantes em nosso idioma e capazes de iludir quem escreve. Anote mais um exemplo:

 

O cão é um animal de estimação cuja alimentação pode ser natural ou por ração.

 

Muito feio, não é? Esses ecos em ão representam um fator negativo em qualquer texto, caracterizando, na opinião do leitor, incapacidade expressiva de quem escreve. E é quase uma brincadeira  evitá-los:

 

Os cachorros são animais de estimação cujo alimento pode ser natural ou produzido industrialmente.

 

Compreendeu? Sempre que fizer a revisão de um texto, seja redação ou resposta discursiva, trate de evitar os ecos, que, além de tornarem a leitura desagradável, podem até mesmo prejudicar o significado de frases inteiras.

O Blogueiro ainda se lembra de um professor de português, que deu em certa aula um exemplo chocante, verdadeiramente assustador para o perigo dos ecos:

 

Cruz! Faltou a luz quando eu propus a solução que não reduz a produção!

Você não vai querer prejudicar seu texto com essas desajeitadas repetições, vai?

 

Você é a griffe

Wednesday, April 12th, 2017

A resposta é simples, elementar: porque não é o curso que faz o estudante; é o estudante que faz o curso. Vale dizer: nenhum curso de nenhuma universidade do país ou do mundo é capaz de garantir a seus formandos o pleno sucesso na carreira. A universidade não fornece sucesso, fornece ensinamentos, técnicas, especializações. O sucesso tem de ser buscado individualmente pelo profissional que se forma, de acordo com suas qualidades e determinação.

Esta constatação explica muito bem o fato de que um estudante formado pela melhor universidade do Brasil em seu melhor curso pode não engrenar na carreira. A realid          Toda a concorrência entre os candidatos de exames vestibulares parte do princípio de que estão lutando pelos melhores cursos, para se tornarem, no futuro, os melhores profissionais do mercado de trabalho. Outro princípio diz respeito ao julgamento de que os melhores cursos estão situados nas universidades públicas, razão que leva à grande concorrência atualmente verificada em seus exames vestibulares. Um último julgamento estipula que, no interior das universidades públicas, certos cursos são considerados muito mais promissores que outros, capazes de garantir uma vida profissional de sucesso aos que os fazem. Dá para perceber, com base nestas reflexões, que o grande vetor dos vestibulares é o futuro profissional promissor buscado pelos candidatos.

Tudo isso é verdadeiro? Em termos. Cabe fazer algumas interpretações que não entrarão necessariamente em acordo com tais comentários. O Blogueiro dá um exemplo dos muitos de que dispõe em sua observação da realidade cotidiana: certo arquiteto formado por universidade pública não conseguiu emplacar sua carreira, apesar de ter feito um dos melhores cursos do país. Lutou, lutou, mas não conseguiu mais que pequenos sucessos que lhe garantem um nível de vida apenas razoável. Na mesma cidade, certo arquiteto formado por uma faculdade particular, sem grande ressonância nacional, tornou-se o mais respeitado e requisitado, fazendo uma carreira de respeito, com projetos até mesmo em outras cidades e estados brasileiros. Ora, pelo julgamento comum dos candidatos, o resultado deveria ser o oposto. E por que não foi?

ade do trabalho profissional acresce componentes que as universidades não podem prever, ainda mais porque tal realidade está sempre mudando, evoluíndo, transformando-se. A realidade é dinâmica.

Por isso, já é tempo de pensar que, em todos os seus estudos, desde o ensino fundamental, é você que está no comando, é você que passa no vestibular, é você que faz o curso (bem ou mal), é você que, diploma às mãos, olha para o horizonte da realidade e diz: Aqui vamos nós. Para o sucesso. Para a vitória. É preciso que tenha em mente, porém, que tal sucesso será o resultado de sua relação com o dinamismo da realidade.

Percebeu? Esse negócio de que certas universidades são griffes e certos cursos são melhores que todos é uma balela (balela: informação anônima e sem fundamento). Para efeito de sucesso na vida profissional, não há universidades griffes, não há cursos griffes.

A griffe tem de ser você.

 

 

O que busca na universidade?

Thursday, March 23rd, 2017

Hoje o Blogueiro acordou refletindo sobre o que busca um estudante ao ingressar numa universidade. Uma primeira resposta lhe pareceu óbvia. Você por certo sabe o que busca numa universidade como a Unesp: um bom e belo curso que lhe proporcione formação excelente, tornando-o profissional bastante apto a enfrentar futuramente o mercado de trabalho.

Resposta correta? Não há dúvida. Mas seria só isso? Nada mais? Se você fosse um autômato, um robô, um androide, nada mais haveria a buscar. Você, porém, não é um mecanismo sem alma, sem emoções e sentimentos. Você é muito mais que isso, é um ser humano que vive em sociedade e que carrega em seu espírito a herança de milênios de história da humanidade. Seus genes remontam aos primeiros seres vivos do planeta, tendo passado por todo um processo evolutivo. E seus “genes culturais” (usando entre aspas para indicar que o Blogueiro está metaforizando) são portadores de todos os desejos, todas as ânsias, todos os sonhos, todas as ambições dos seres humanos desde que começaram a existir seres que podem ser chamados “humanos”. Você é herdeiro do primeiro hominídeo que criou o primeiro instrumento, os primeiros objetos de uso. E é também herdeiro dos indivíduos das primeiras organizações humanas que se podem denominar “sociedades”, bem como de todas as civilizações que culminaram com a civilização atual. Herdeiro de tudo o que houve e há de bom e tudo o que houve e há de mal na existência do homem.

Tudo, portanto, está em você, e é esse “você” que ingressa na universidade, não um boneco sem alma e consciência. Deste modo, o que busca é muito mais que um aprendizado e adestramento profissional. É a sua realização como “homem”, é o refinamento da consciência de estar integrado à humanidade como um membro ativo, capaz de valorizar devidamente toda a sua herança civilizacional e cultural, capaz principalmente de acrescer, com sua conduta, com seu trabalho, com suas reflexões, ideias novas, conceitos originais e, quem sabe? teorias inovadoras a essa herança.

Claro que, provavelmente, você não é um gênio. Gênios se contam pelos dedos das mãos. Gênios criam ideias e teorias que fazem a humanidade dar verdadeiros saltos em sua evolução cultural. A humanidade, porém, não é constituída de gênios, mas de indivíduos que, por seu número e por suas ações, são tão ou mais importantes. Inventar a roda pode ter sido uma sacada genial, importantíssima. Mas fazer desta ideia um milhão de aplicações concretas e efetivas para solucionar um milhão de problemas foi, em seu conjunto, muito mais importante, como obra de milhões de indivíduos.

Muitos estudiosos se referem aos homens que não são gênios como cidadãos comuns. Errado. São cidadãos incomuns. Todo ser humano, em sua singularidade, é um indivíduo incomum, é um ser capaz de absorver sua herança social prática e acrescentar a ela soluções não obtidas até então.

Percebeu isso? Então não pense em si mesmo depreciativamente. Não se menospreze, não assuma uma atitude pacata e passiva diante do mundo. Pense que você é um cidadão incomum e que, ao longo de seu trajeto na vida, deixará também à sociedade a sua herança, seja de objetos, seja de práticas e técnicas, seja de ideias e conceitos que ajudem a tornar a existência humana cada vez melhor. Pense nisso!

 

Exame, vestibular, prova: já pensou a respeito?

Thursday, March 16th, 2017

Muitas vezes algo está tão evidente, tão óbvio, tão na cara, que acabamos não percebendo. Isso acontece mais de uma vez em nossa vida prática. Um exemplo: deixamos o celular sobre a mesa da sala, embora a nossa memória só nos traga a informação de que deve ter ficado no automóvel. Como acreditamos em nossa memória, corremos até o carro para perceber que não está lá. Ao voltarmos, aborrecidos, uma olhada na mesa nos revela que estivera ali o tempo todo, ao alcance de nossas mãos. Outro exemplo: botamos na cabeça que diuturno significa “diário”, e por isso nunca nos damos ao trabalho de conferir no dicionário. Só fazemos isso quando alguém nos diz que diuturno não quer dizer “diário”, como certo político afirmou recentemente, mas significa algo que ocorre ao longo do tempo, que tem longa duração.

Esses equívocos são comuns em nossa vida diária (não “diuturna”, portanto) e constituem, por isso, uma espécie de tempero da imperfeição de nossos sentidos e de nossa atenção.

Vamos dar um exemplo mais próximo ainda: você ouve tanto os termos exame vestibular e provas, que talvez ainda não tenha parado para refletir sobre o que realmente significam. O Blogueiro vai tentar explicar de um modo divertido, embora verdadeiro. Pense bem: exame sugere o ponto de vista de quem o prepara e aplica; a universidade elabora e aplica o exame com o objetivo de selecionar os candidatos, ou seja, de examinar os estudantes e escolher os melhores para ingresso em seus cursos. E vestibular? Você sabe que vestíbulo é um termo da Arquitetura, que, entre outros significados, apresenta o de espaço entre a porta e o acesso principal de um edifício. Exame vestibular, assim, ganha um sentido figurado de acesso à universidade, exame para selecionar candidatos ao ingresso nos cursos.

Percebeu como é interessante refletir sobre o significado das palavras? Pois, nessa linha, prova passa para seu ponto de vista: é você que tem de demonstrar, prestando as diferentes provas do exame, que tem todas as condições para ser aceito na universidade, no curso pretendido.

A expressão provas de exame vestibular, deste modo, tão repetida e retomada que é, acaba tendo seu real sentido um tanto apagado, quase esquecido. Torna-se apenas uma menção ao ato de demonstrar capacidade, um ponto de chegada que, de acordo com o resultado, pode também significar um ponto de parada e retorno.

Como este Blogueiro é, sobretudo, um sujeito otimista, sua sugestão é que, com base nas reflexões deste artigo, você passe a sentir na expressão exame vestibular apenas fluidos positivos, indicadores de que a alegria está próxima. Traduza sempre, assim, prova de exame vestibular por “vitória, conquista, glória”.

Pensamentos positivos sempre ajudam, não é?