Meio de ano: a hora é agora!

July 23rd, 2014

Com a divulgação da primeira chamada do Vestibular Meio de Ano da Unesp, podem ser feitas algumas reflexões sobre os chamados vestibulares de inverno ou de meio de ano. A primeira é que resultam tais vestibulares do esforço permanente das universidades pelo aumento do número de cursos e de vagas para os vestibulandos. Esta é, aliás, uma das preocupações constantes das universidades públicas brasileiras: propiciar continuamente aos vestibulandos a oportunidade de ingressar em seus cursos. Isto significa que as instituições públicas de ensino superior estão fazendo sua parte, estão honrando seu compromisso com a população brasileira.

A segunda reflexão diz respeito à qualidade dos próprios cursos. As universidades públicas brasileiras são, reconhecidamente, aquelas que oferecem cursos de mais alto nível, com maior qualidade de formação. A leitura deste fato deve ser feita na oferta de novos cursos, que terão também a qualidade dos demais. O vestibular de inverno tem o mesmo conceito do vestibular de fim de ano e os cursos oferecidos o mesmo selo de qualidade.

A terceira reflexão tem a ver com a época desses vestibulares, a metade do ano. Por quê? Por que tais cursos são oferecidos nesse período? Não poderiam ser oferecidos no final do ano também? Evidentemente, há mais de um motivo para justificar tal escolha. O principal deles tem relação com o caráter de semestralidade das disciplinas e a data de aprovação desses cursos pelos órgãos superiores de cada universidade. Aprovado um novo curso, pode-se colocá-lo na pauta dos exames, mas nem sempre de modo imediato. Um curso aprovado no segundo semestre de 2014 não poderá, por razões de planejamento, ser oferecido já no vestibular de dezembro, que foi antecidamente planejado tanto em termo de cursos, quanto em termos de aplicação. Trata-se de uma verdadeira logística, que não pode ser mais alterada em nenhum de seus aspectos. Será contraproducente, porém, esperar o próximo vestibular de dezembro do ano seguinte para oferecê-lo. Há jovens ávidos de ingressar em cursos superiores, cujos anseios precisam ser atendidos o mais rapidamente possível. Os vestibulares de meio de ano, assim, surgem como parte da logística da universidade em sua oferta permanente de novos cursos.

Uma quarta e última reflexão ainda pode ser feita, relacionando-se as características acima apontadas e as decisões tomadas pelos próprios candidatos. Alguns deles consideram os vestibulares de meio de ano como menos charmosos que os de final de ano, e atribuem esse menor charme a uma suposta menor qualidade dos cursos oferecidos. Trata-se de uma inferência totalmente errada. Como ficou dito acima, instituições como as universidades públicas, cujos cursos são de primeira linha, só podem oferecer, no meio de ano, cursos com a mesma qualidade. Os novos cursos, quer no vestibular de final de ano, quer no vestibular de meio de ano, atendem ao interesse permanente das instituições públicas de propiciar a formação de alto nível que as caracteriza.

Deste modo, cabe aos candidatos a escolha consciente: uma vez aprovados, é agarrar a vaga e não largar, pois sua excelente formação profissional na carreira estará garantida, desde que, é claro, deem eles também a sua parte. E aqui cabe uma última ponderação: embora os cursos oferecidos pelas universidades públicas sejam todos de altíssimo nível, é possível que um estudante se forme com menor rendimento que outros? Claríssimo que é, caso ele, estudante, não faça o esforço suficiente para honrar a oferta de qualidade que a universidade coloca em seus cursos. Falando com bom senso, esta é e continuará sendo sempre a realidade da educação, qualquer que seja o nível: os estudantes podem formar-se com maior ou menor qualidade, dependendo do rendimento que apresentem ao longo dos cursos, vale dizer, dependendo da sua maior ou menor determinação e aplicação aos estudos e tarefas que têm de cumprir para obter o diploma. Em resumo: todos os estudantes de universidades públicas se formam com qualidade suficiente, mas alguns se formam com qualidade máxima, em virtude de seu próprio esforço.

Pense nisso. Pense que as universidades públicas brasileiras estão cumprindo a sua parte, oferendo cursos de altíssima qualidade em vestibulares de meio e de fim de ano. E pense em cumprir também a sua parte com a altíssima qualidade de sua aplicação durante o curso.

 

 

O tempo da prova e a prova do tempo

July 17th, 2014

 

Outro dia o blogueiro ouviu um rapaz falar a outros, na praça de alimentação de um shopping, que em certo vestibular o examinador havia recolhido as provas meia hora antes do prazo, e por isso o garoto não pudera resolver as últimas dez questões. É muito difícil que isso tenha acontecido. O tema do tempo, porém, merece uma abordagem mais ampla.

Nem sempre o principal problema encontrado pelos que prestam exames vestibulares e concursos é propriamente o conteúdo. Algumas vezes, como se pode verificar pelo depoimento de muitos vestibulandos e de concurseiros, o grande problema se chama TEMPO. Não deu tempo de resolver todas as questões e as provas foram recolhidas.

Alguns candidatos explicam para seus familiares e colegas que podiam ter ido melhor, se tivessem mais tempo para a resolução. Verdade? Engano? Quem ouve nem sempre acredita e pensa que se trata apenas de uma desculpa. Na maioria das vezes não é. Não é preciso ser psicólogo para descobrir que muitas pessoas fazem suas tarefas, quer físicas, quer intelectuais, de maneira um pouco mais lenta que outras. A experiência dos professores dos ensinos fundamental e médio demonstra isso. E demonstra também que ser mais lento não significa ser menos inteligente. Ao contrário, algumas vezes acaba revelando até mais inteligência. Certas crianças parecem ter nascido com a capacidade de criar para si mesmas métodos de desempenho que demandam um pouco mais de tempo para fazer tarefas, mas, em compensação, implicam quase sempre a obtenção de melhores resultados. Por isso mesmo, sobretudo nos primeiros anos do ensino fundamental, reclamam que as professorinhas não têm paciência com elas na hora das provas, e ficam apressando, por vezes até de maneira não muito polida, para que terminem no mesmo horário em que terminaram as outras. Isso cria uma dúvida: deveriam fazer como outros colegas, que não dão muita bola para maior esforço e respondem tudo rapidamente? Ou mantêm seu método que, mesmo demandando mais tempo, conduz quase sempre às respostas corretas?

Ao longo dos anos, a questão do tempo das provas e de terminar exatamente dentro do horário previsto continua sendo imposta. Muitos conseguem se tornar mais rápidos, outros nem tanto. Quando chegam os vestibulares, mesmo aqueles que nunca tiveram problemas com provas no ensino médio se deparam agora com um problemão: um número enorme de questões e um período de tempo previsto para resolvê-las, pois os examinadores recolhem as provas exatamente quando o último minuto se esgota.

Culpa das provas? Não. As equipes que elaboram exames vestibulares são altamente especializadas e procuram criar questões que possam ser respondidas sem susto dentro do tempo previsto. É claro que trabalham com critérios que levam em consideração uma média de desempenho. Apesar de todo esse cuidado, alguns candidatos, por razões diferentes, têm problemas de tempo. E agora, José? como diria o Drummond. Pedir que as universidades mudem os critérios dos vestibulares? Ou buscar solução própria?

E você? O que poderia fazer para uma rapidez maior na solução das questões? Na verdade, não há solução pré-fabricada, embora seus professores deem muitos conselhos a respeito. A conclusão é que você deve descobrir o que é necessário, no seu caso, para dar conta das respostas dentro do período previsto. A solução pode estar, como aconselham alguns professores, em resolver primeiro as questões fáceis; em seguida, as questões que seriam mais trabalhosas e depois partir para as que considerou, à primeira leitura, muito difíceis. Assim, se não der tempo de resolver algumas difíceis, pelo menos terá respondido as que sabia. Isso, porém, é só uma sugestão. O julgamento é seu e tem de surgir de uma espécie de autoanálise: por que costuma demorar mais? em que tipos de questões perde mais tempo que o necessário? Com base nisso, você criará seu próprio método. Para testá-lo, pode encontrar provas de exames vestibulares de anos passados e cronometrar como se estivesse em situação real.

É possível conseguir? Claro que é. Os seres humanos fomos sempre desafiados nas mais diferentes situações e geralmente conseguimos vencer, porque é sempre possível melhorar aspectos de nossas atividades. Conta-se que certo fabricante de rodas apresentou a uma montadora ao longo de alguns anos, onze protótipos de rodas para automóveis, e todos foram recusados, por apresentarem este ou aquele defeito. No décimo segundo protótipo, porém, a roda foi julgada favoravelmente e aceita pela montadora.

Imagine se o fabricante de rodas houvesse desistido na segunda ou terceira, ou até mesmo na décima?

Não desista. E tenha em consideração que a resolução de exames vestibulares não é questão apenas de conteúdo, mas de método. Aliás, nem só exames vestibulares: tudo na vida é questão de método!

 

Honrar Camões e Rui: a ultima lição da Copa

July 10th, 2014

Com a derrota acachapante da seleção brasileira de futebol, até mesmo os vestibulandos esqueceram por algumas horas dos exames que irão prestar no final do ano. Jornais, revistas, televisão, redes sociais, em todas essas fontes não se tem falado noutra coisa nas últimas horas, com as mais variadas reclamações, acusações e piadinhas sobre o grande fracasso esportivo.

É claro que todos sentimos. Mas isso tem um nome: chama-se esporte. E esporte implica sempre vencer ou perder. Perdemos, desta vez, venceremos numa próxima. Aliás, no futebol e no vôlei somos o país que tem maior número de títulos.

Lamentações e consolações à parte, sempre se pode tirar uma lição de algo que a maioria das pessoas provavelmente não observaram nas transmissões dos jogos e nas entrevistas dos nossos atletas. Sempre se disse que nossos atletas jogavam muito bem e falavam muito mal: o domínio da bola não encontrava correspondência no do idioma. Correm até hoje piadinhas a respeito, como aquela do jogador que perdeu um pênalti que significaria a vitória do seu time. Por que você errou, se treinou tanto? perguntou o treinador, decepcionado. E o atleta: É que o goleiro fez que foi mas não foi e acabou não “fondo”. Nunca saberemos se algum atleta chegou a falar assim ou se trata apenas de invenção do piadista que criou a versão original.

Essas e outras anedotas, que representavam inofensivos deboches dos torcedores em geral à pouca instrução de alguns atletas, não condizem mais com a realidade. Quem acompanhou as entrevistas de atletas brasileiros pôde perceber que se expressam muito bem, revelando boa formação. Alguns, inclusive, se expressam muitíssimo bem, como o goleiro Júlio César. Dá gosto ouvir suas respostas às perguntas de jornalistas, porque revelam sempre um português muito claro, sem erros de flexão verbal nem de concordância e uma fluidez elogiável. Para falar a verdade, nosso goleiro fala melhor que a maior parte daqueles que o entrevistaram, assim como dos comentaristas de rádio e de televisão, e por isso mesmo não faria feio em uma conferência acadêmica.

Menos mal. Perdemos no esporte, não no idioma. E será pelo idioma que obteremos nossa vaga nos vestibulares e conquistaremos nossa formação ao longo do curso superior. Na universidade não faz mal ser ruim de bola, faz mal ser ruim de fala. Na verdade, há muito maior valor em honrar a herança de Camões, Fernando Pessoa, Machado de Assis e Rui Barbosa do que vencer um adversário porque o nosso goleiro fez que foi mas não foi e acabou não “fondo”.

 

Falar bem faz mal?

July 3rd, 2014

Você gosta de falar bem ou de falar mal? A esta pergunta, obviamente, todos responderão que gostam de falar bem. Mas todos falam bem? Esta é a questão: o que é falar bem? Seguramente não é ficar dizendo “nóis vai, nóis fica”, como se ouve muito por aí, inclusive entre pessoas de classe média.

A escola o tempo todo nos pressiona a adquirir e aperfeiçoar nosso discurso escrito formal, ou seja, regido pela norma-padrão. E com um argumento irrefutável: é exigido nos exames vestibulares e nos concursos públicos. Quem enfrenta essas provas sem dominar a norma-padrão já parte perdendo muito.

Quando ao discurso falado, nem sempre se enfatiza que deve ser igualmente cuidadoso e atento ao uso formal. Este é o problema. As próprias provas de língua portuguesa dos exames vestibulares e concursos costumam servir-se das diferenças entre discurso coloquial e discurso formal, explorando o fato de o primeiro apresentar bem mais liberdade e variedade de empregos que nem sempre coincidem com o estipulado pela norma-padrão. Este e outros fatores talvez levem muitos jovens a imaginar que se pode falar mal, desde que se escreva bem, ou seja, que podemos na fala diária dizer “nóis consegue, eles pode”, desde que, ao escrever, empreguemos “nós conseguimos, eles podem”.  Há uma ilusão, portanto, de que o discurso formal escrito está subordinado à norma-padrão, mas o discurso oral é livre, pode-se falar de qualquer jeito que estará bom.

Está aí um equívoco que só pode trazer más consequências, quer em termos pessoais, quer em termos profissionais. É preciso entender que ao lado do discurso formal escrito existe o discurso formal oral, que é empregado, por exemplo, nos telejornais e nos bons programas de televisão, cujos apresentadores se veem na obrigação de comunicar-se com o público de modo mais formal que o da fala diária e descompromissada. É esse mesmo discurso que procuram utilizar os professores na sala de aula, para conduzir os estudantes a um domínio de fala semelhante ao domínio de discurso escrito. Por quê? Porque a organização social em que vivemos é toda estratificada, e em cada um desses estratos se requer o discurso mais adequado. Não se emprega o discurso coloquial num debate acadêmico, numa conferência universitária, numa sessão da câmara dos deputados, do congresso, nem de tribunal regional ou do supremo. Nesses e em muitos outros ambientes se impõe o discurso oral formal, regido pela norma-padrão.

Agora ficou claro, não ficou? Você, que ingressará numa universidade servindo-se do discurso escrito formal, obediente à norma-padrão, precisa entender que seu discurso oral como estudante e, mais tarde, como profissional formado, deve ser também formal. O discurso oral formal e o escrito representam, assim, fatores de prestígio social e profissional. Na vida universitária, são ferramentas imprescindíveis ao seu desempenho em trabalhos escritos e em apresentações orais em sala de aula ou em seminários e congressos. Se você já assimilou e assumiu um discurso formal oral, está bastante adiantado e não terá dificuldades nesse trajeto. Mas se ainda não é esse seu caso, terá de mudar de atitude desde os primeiros momentos em que ingressar na universidade.

Depois de todos estes comentários, podemos retomar o título deste artigo para entendê-lo melhor: falar bem faz mal? Claríssimo que não. Falar bem, em todos os momentos em que se impõe um uso formal do discurso, só pode fazer bem.

 

Copa, vestibular, profissão, dignidade

July 2nd, 2014

O Vestibular Meio de Ano passou, a Copa está passando, restam agora as expectativas para a linha de chegada: que seleção passará na Copa e levará o “caneco”?

E você? Boas perspectivas para a aprovação? Claro que sim. O vestibular da Unesp foi tranquilo, com perguntas muito bem preparadas, que por certo não ofereceram  dificuldade de solução, e um tema de redação focado na realidade cotidiana. Você foi muito bem, com certeza.

E como estamos em tempo de Copa do Mundo, vale a pena traçar mais uma relação, desta vez entre Copa, vestibular e profissão. Temos visto durante estas duas semanas algumas seleções europeias fortes, inclusive a Espanha, última campeã do mundo, serem eliminadas já na primeira fase. O esporte é assim, nem sempre previsível. Enquanto os comentaristas da mídia procuram analisar os pontos fracos que levaram tais seleções, entre outras da Ásia e da América, à eliminação, o blogueiro reparou num aspecto pouco observado: a atitude dessas e de outras seleções que foram eliminadas. Mostraram que souberam perder e, assim como se comportam com dignidade nas vitórias, mostraram a mesma dignidade na derrota. O esporte ensina isso, mostra que a vida é feita de sucessos e fracassos. Ninguém ganha sempre, ninguém perde sempre.

Essa reflexão é muito importante quando direcionada para o mundo dos vestibulares. Você talvez não tenha conseguido aprovação em outros vestibulares que fez. Mas soube “encarar” o fato sem ficar inventando acusações às provas, aos examinadores, à universidade, ao sistema de ensino. Tratou de continuar estudando e prestando exames, até que agora chegou a um bom prognóstico: provavelmente passará. Vencerá. A vitória não o tornará mais digno do que a derrota, ambas são faces distintas de um mesmo processo e em ambas você foi coerente e merecedor de louvor e admiração.

Você passará. E então? Vai ter de se esforçar muito mais ao longo de seu curso. Como se diz na própria gíria do futebol, “vai ter que rebolar”. O curso universitário não é fácil, as disciplinas são exigentes, as práticas pedem bastante empenho. É como ganhar um campeonato estadual de futebol e, depois, disputar o nacional. Em alguns momentos, lembrará da preparação para o vestibular com saudades. É óbvio, porém, que conseguirá fazer todo o esforço, dar tudo de si mesmo para se formar. Vai conseguir.

Este é o ponto: você vai se formar. E daí? Tudo estará resolvido em sua vida? Na verdade, não. Ao iniciar sua profissão você começará de novo da estaca zero a participação em um campeonato ainda mais difícil, uma verdadeira copa. Como fazer para vencer? Descobrirá isso aos poucos, mas dá para adiantar que a mesma dignidade que você vê nos atletas ao vencer e ao perder, a mesma dignidade que você teve ao não passar em um vestibular e passar em outro, esta será a sua grande chave também para o sucesso profissional. Profissionais não desempenham tão bem quando iniciam e chegam a errar mesmo depois de adquirir alguma experiência. Aos poucos, porém, sempre mantendo a atitude, vão se tornando cada vez melhores e recebem o reconhecimento da sociedade por isso.

Está aí a analogia entre Copa, vestibular e profissão. Pense nisso. E mantenha por toda a sua vida a dignidade.

 

Lições da Copa

June 25th, 2014

A Copa do Mundo de futebol, que está em andamento, traz muitas lições no plano esportivo, mas também no plano das atividades em geral, até mesmo dos exames vestibulares.

Como? Bastante simples. A seleção brasileira pode ser comparada a um vestibulando: quer porque quer vencer e se enche de muito otimismo, após um bom período de preparação, que incluiu a vitória recente em outra competição do gênero. É assim, de fato, que todo vestibulando deve se portar, assumindo uma atitude positiva e de busca obstinada do sucesso.

A Copa, porém, traz outro tipo de lição: algumas seleções, embora julgando-se superiores e bem preparadas, acabaram sofrendo derrotas para equipes tradicionalmente mais fracas. Só tradicionalmente, porque o esporte, como qualquer outra atividade, não vive de tradição, mas de evolução em cada país. Hoje em dia, de fato, como dizem os comentaristas de futebol, não há equipes fracas, ninguém é mais ingênuo, a evolução das comunicações fez com que os pequenos deixassem de ser pequenos e os grandes não serem mais tão grandes assim. O mesmo vale para o vestibular. Quem presta vestibulares não é ingênuo, sabe o que está fazendo, soube se preparar e tem certeza de até onde pode chegar. Candidatos fracos? É melhor não contar com a presença de candidatos fracos para passar. O fraco de ontem pode ser o forte de hoje. Como no futebol, a derrota de ontem conduz à vitória de hoje. O mais importante, assim, é contar com suas próprias forças e seu preparo para o embate.

A grande diferença, porém, entre a Copa e os vestibulares, está no ponto de chegada. No futebol, interessa ser o número um; o dois é desprezível. No vestibular, ao contrário, se de oitenta vagas disponíveis o candidato conseguiu o octogésimo lugar, o valor da vitória é o mesmo de todos os demais. E a comemoração, por vezes, até maior que a do primeiro.

Esta é a lição que os vestibulares podem dar ao futebol.

 

E aqueles conteúdos, para que aprender?!

June 10th, 2014

 

Você por certo já ouviu muita gente reclamar de questões sobre alguns conteúdos de diferentes disciplinas em vestibulares: não deviam cobrar isto de matemática, aquilo de física, isto de biologia, aquilo de química, isto de língua portuguesa, aquilo de história, e assim por diante. Reclamar, obviamente, é um direito, mas é preciso saber do que se reclama, caso contrário a razão, como diz o povo, vai para o brejo.

Vale aqui um exemplo simples e esclarecedor na área de linguagens. Você se lembra de que já no terceiro ano do ensino fundamental sua apostila de língua portuguesa começa a explorar as noções de sílaba, sílaba tônica, sílaba átona, rima e ritmo, aproveitando para isso sobretudo os textos de poesia colocados para interpretação. No quarto ano essas noções são mais desenvolvidas, já surgem os conceitos de verso e de prosa, de ritmo e de rima bem mais consolidados. A maioria das crianças adora. E assim, ao longo do fundamental, esse conhecimento é inteiramente absorvido e consolidado pelos estudantes, a ponto de, lá pelo oitavo e nono anos, ou menos, muitos se tornarem capazes de reconhecer, em letras de músicas populares que ouvem e cantam, os tipos de verso utilizados, bem como as rimas. Os conteúdos de teoria e de prática musical que se associam aos de versificação se tornam também causas desse processo de assimilação.

No ensino médio esses conceitos são todos mobilizados para a literatura e a arte, de sorte que, ao formarem-se, muitos estudantes se tornam capazes até de compor poemas e letras de canções.

Traduzindo, isso significa dizer que a versificação não deixa de ser uma espécie de linguagem dentro da linguagem, é a língua portuguesa submetida a regras de ritmo e de musicalidade, que surge frequentemnte associada à música propriamente dita sob a forma da canção. Apesar dessa obviedade, algumas pessoas julgam que tal aprendizado é dispensável, Uma refutação prática dessa opinião consiste no fato de que muitos estudantes se encaminham para as profissões da literatura e da música popular, tornando-se poetas, cantores e compositores, alguns chegando a atingir as alturas da fama. E se não tivessem recebido aqueles ensinamentos sobre poesia, versificação e música? E se os professores houvessem dito a todos, sistematicamente, que poesia e música são perda de tempo, pois há coisas mais importantes para estudar? Muitos talentos para a música e a poesia seriam bloqueados, inibidos ou, como se diz coloquialmente, morrido na casca.

Essa é a resposta a reclamações sobre a pertinência de certos tópicos de linguagens (língua portuguesa, língua estrangeira moderna, artes, informática e educação física), de ciências humanas, de ciências biológicas e ciências exatas. Os conteúdos programáticos dessas áreas não são estabelecidos ao acaso, mas produzidos por teóricos e pedagogos de alta formação e experiência, com o objetivo de oferecer aos estudantes o que de mais importante existe para aprender e, dependendo do talento de cada um, desenvolver e aplicar até mesmo dentro de uma profissão.

É isso aí! O ensino pensa o tempo todo em você e no seu desenvolvimento físico, intelectual, artístico e moral. Para tanto, estabelece com cuidado e profundidade as linhas a serem seguidas pelas escolas. Pense no aprendizado como um todo e busque sua completa realização na vida!

 

Respondi certo e levei “errado”!

June 5th, 2014

É muito comum, após concursos e exames vestibulares, candidatos comentarem que sabiam a resposta, responderam certo e “levaram errado”. As reclamações são geralmente num tom acusatório, como se a banca de correção os tivesse prejudicado intencionalmente. Não se pode negar a ninguém, em qualquer tipo de relacionamnto humano, o direito à reclamação, mas, nesse caso dos concursos, é injusta a acusação à banca, pois se trata de profissionais altamente treinados para corrigir com máxima eficiência. Além do mais, essa desculpa de má intenção de quem corrige é, como diz o povo, papo furado: em correções de concursos em geral nunca consta nas folhas de prova o nome do candidato, só um longo número de inscrição. Como alguém poderia querer prejudicar um número?

O fato real é que muitas vezes um candidato sabe a resposta; na hora de redigir, porém, toma os pés pelas mãos e não consegue demonstrar o que sabe, por haver empregado uma palavra, uma expressão ou até uma vírgula erradamente. E a banca não corrige intenções, corrige respostas. Observe um exemplo de que até mesmo um profissional do discurso, como um jornalista, pode tomar as mãos pelos pés e criar um discurso todo atrapalhado:

 

Felício Medrado, como um dos quatro homens da estrita confiança de Gomes Peralta, participou do comando da sua campanha de 1982, quando foi eleito vice na chapa de Francisco de Assis ao governo estadual.”

O período acima foi retirado de uma notícia de jornal de muitos anos atrás, tendo sido alterados apenas os nomes das pessoas, para melhor demonstrar o fato. Observe bem o que o jornalista escreveu. Está claro? Dá para entender?  Na verdade, o redator tropeçou no próprio discurso e criou uma enorme ambiguidade. O leitor perguntará, após repetir pela terceira vez a leitura: Afinal, quem foi eleito vice na chapa de Francisco de Assis ao governo estadual? Felício Medrado ou Gomes Peralta? E foi eleito vice pelo partido para participar da chapa ou foi eleito vice-governador na chapa de Francisco de Assis, que foi eleito governador? É impossível decifrar o enigma, a não ser que a sequência do texto acrescente novos dados. Se o período exemplificado, no entanto, fosse uma resposta a questão discursiva que indagasse sobre o candidato a vice, por certo levaria “errado”. De outro modo, caso Gomes Peralta tenha sido eleito vice-governador e Francisco de Assis, governador, melhor seria escrever, por exemplo:

 

Felício Medrado, como um dos quatro homens da estrita confiança de Gomes Peralta, participou do comando da campanha de 1982, quando Francisco de Assis e Gomes Peralta foram eleitos governador e vice, respectivamente.

 

Você pode notar que esse respectivamente é até desnecessário, por redundante, já que a própria ordem dos nomes e dos cargos aponta quem é quem. Mas às vezes é melhor redundar para não deixar sombra de dúvida sobre o que se quer dizer. Haveria muitas maneiras ainda de evitar os tropeços da primeira redação. A notícia de jornal, porém, é comunicação passageira, já estará velha no dia seguinte (embora não se possa negar que tem certo compromisso com o futuro) e por isso as críticas não duram muito e não penalizam; ao ter de escrever sua matéria rapidamente, pouco antes da impressão, o jornalista pode escorregar em um ou outro problema de discurso. Já um concurso é permanente: o que for escrito estará escrito até o momento em que for corrigido e dificilmente haverá contexto salvador para um período como o acima.

Percebeu? Após cada resposta discursiva que apresente em seu concurso ou vestibular, procure fazer uma leitura como se fosse um estranho, para tentar identificar deslizes de expressão como o focalizado. Errar é humano. Mas admitir que se pode errar e estar sempre disposto a corrigir é mais humano ainda.

 

Não perca pontos por causa dos pontos!

May 29th, 2014

Encerrada a primeira fase do Vestibular Meio de Ano da Unesp, não vacile. Continue estudando. Você com certeza será classificado para a segunda. E esta, como sabe, é toda discursiva. Então, é preciso atentar agora para o discurso e todas as suas implicações.

De modo geral, tanto na redação como nas respostas discursivas, valem aqui algumas advertências:

 

  1. Não relaxe no visual de sua grafia, distribua suas respostas de forma muito bem organizada, para evitar equívocos e obscuridades.
  2. Mostre competência, iniciando suas respostas com inicial maiúscula, caprichando na ortografia, evitando sobretudo aqueles erros crassos de trocar s por  z ou vice-versa, o mesmo valendo para x e ch, g e j. E escreva os nomes próprios com inicial maiúscula, mas só os nomes próprios!
  3. Distribua respostas mais extensas em parágrafos, não só porque ajuda a organizar melhor a expressão de seu raciocínio, como também facilita a leitura pela banca de correção.
  4. Grafe com clareza. Não é necessário ter “letra bonita”. É  muito necessário, porém, grafar de modo claro, sem criar dificuldades para seu leitor. Essa história de que a grafia representa a personalidade do indivíduo não deve ser entendida como desculpa para fazer uma escrita garranchuda, praticamente ilegível. Sua personalidade não é “garranchuda”. O que se escreve é para ser lido, não para ser decifrado.
    1. Tenha muito cuidado com a pontuação; um sinal de pontuação mal colocado pode destruir uma frase.

 

Sobre a pontuação, não custa aumentar o alerta. Você sabe que em final de período e em final de parágrafo deve usar ponto. Então, não se distraia, marque. E tenha grande cautela com o emprego da vírgula, pois esta pode ser fator de clareza, quando bem empregada, ou de obscuridade, quando usada indevidamente. Por isso, vale a pena rever tudo o que suas apostilas e gramáticas colocam a respeito. Neste blogue, aliás, foi postado um artigo com muitas informações sobre o emprego da vírgula, no dia 20-09-2011. O título é Carta da Senhora Vírgula ao Blogueiro. Uma leitura atenta desse artigo será bastante útil a você e poderá evitar que uma vírgula mude completamente o sentido da frase, levando-o a perder pontos preciosos.

Sobre ortografia, aliás, há também muitos artigos no blogue. É só clicar e conferir.

 

Você sabe ler? Nem tanto

May 21st, 2014

É claro que você sabe ler. Ninguém presta vestibular sem saber ler. A pergunta, porém, procura algo mais do que essa resposta superficial: você sabe ler mesmo? sabe entender e interpretar qualquer texto que lhe apareça de repente numa prova ou num teste qualquer? Esse é o problema. Talvez você saiba até um ponto, mas, a partir desse ponto…

A capacidade de ler é, por assim dizer, poliédrica, não apresenta uma só face, tem muitas. Cada uma corresponde ao grau de escolaridade, de experiências, de conhecimentos, de aplicação, de exercício constante, etc. Em nenhuma dessas faces se pode dizer que a capacidade está consolidada. Basta certo período sem prática para tudo começar a regredir.

Muitos estudantes afirmam que detestam literatura e livros em geral, quaisquer que sejam. Julgam suficientes para eles as cansativas leituras de apostilas e dos textos nestas apresentados. Obviamente, a aplicada leitura de apostilas alimenta uma boa capacidade de entendimento e interpretação de textos, mas não é suficiente para garantir uma capacidade acima do comum. E é preciso uma capacidade acima do comum para interpretar certas minúcias de alguns enunciados de questões e de suas alternativas, bem como de perguntas cujas respostas são discursivas. Em alguns casos, a leitura requer alguma malícia interpretativa que o hábito de ler desenvolve. Note que não estamos falando só de vestibulares, mas de provas ao longo dos cursos universitários e de concursos para obter empregos em diferentes instituições. Sem falar naqueles exames, como os da O.A.B., necessários para que os profissionais possam exercer suas profissões.

Na verdade, quem se encaminha para uma vida universitária e, mais que isso, para uma profissão universitária, hoje, não pode prescindir da companhia constante não apenas de textos literários, mas de todos os gêneros de texto que, ainda mais com o formato dos ebooks atuais, comunicam as informações sobre o que de importante ocorre no mundo. A grande quantidade de livros em circulação não é ornamento, mas resposta à necessidade humana de conhecer melhor o mundo em que se vive. É, mas eu prefiro o cinema. Há tudo isso no cinema! responderão alguns. E estarão enganados. O cinema é outra arte, é outro modo de nos fazer conhecedores das mais diversas realidades que povoam o mundo. Apresenta imagem, som, música, linguagem. Cria uma ilusão muito forte de realidade. O cinema pode apresentar-se como narrativa, como biografia, como relato de viagem, como reportagem, como forma de divulgação científica. O cinema e a televisão, aliás! Nem esta nem aquele, porém, substituem e anulam outras formas de comunicação. O cinema tem as suas limitações, sendo a principal delas a da quantidade de informações, que está associada aos limites de tempo de cada filme. Por isso mesmo, quando se trata de filmes baseados em biografias, relatos de viagem, diários, narrativas, muita gente tem o hábito de ler, antes ou depois, os próprios livros. Bobagem? De jeito nenhum. Inteligência e esperteza de quem assim o faz, pois absorve nos dois meios de comunicação todas as informações que estes são capazes de dar. E, seguramente, as informações nunca são exatamente as mesmas, nem em qualidade, nem em quantidade nos livros e no cinema.

Tudo isso está sendo aqui comentado para lhe servir de alerta: aquela questão que você errou na prova anterior, por ter entendido mal o enunciado, não se deveu a falta de conhecimento, mas a interpretação inadequada. Você não precisa, nesse caso, melhorar seu conhecimento, mas sua capacidade de compreender e interpretar. E como se faz isso? Aumentando sua prática de leitura de livros, seja de papel, seja em formato digital, que está progressivamente substituindo o papel, mas não o livro.

E não esqueça: ao longo do curso universitário e de toda a sua vida profissional e pessoal, as leituras não devem parar. Em nenhum momento deixará de ser necessário, em seu trabalho, ler e também escrever textos característicos de sua atividade profissional. Muitos profissionais universitários, por vezes formados nas melhores instituições, se queixam de não saber escrever direito e atribuem a culpa tanto ao ensino básico quanto ao ensino superior. É falso. Aprenderam, sim a ler e escrever relativamente bem. Não se desenvolveram mais nessas habilidades por passarem, após receber o último diploma, a não ler muita coisa e escrever absolutamente nada. Com isso, é claro, até regrediram em relação a seus desempenhos nos vestibulares. A prática da leitura e da redação pode ser comparada à de musculação. Exercícios diários de musculação moldam seu corpo e o tornam mais forte e flexível. Exercícios diários de leitura e de redação moldam sua mente e a tornam mais vigorosa e flexível na argumentação e na interpretação. E até mesmo na criatividade: muitos grandes escritores brasileiros eram advogados, médicos, engenheiros que não se limitavam a seu trabalho, mas ampliavam seus horizontes por meio da leitura de livros e mais livros.

Percebeu? Ler não é apenas passatempo. É alimentar a mente, é refinar o sentimento do mundo. É exercício de inteligência, de raciocínio e criatividade.

É preciso dizer mais?