Você e os “outros”

April 29th, 2016

Você costuma receber muitos e diferentes conselhos sobre o que fazer no momento da prova. Colegas e professores sugerem calma e tranquilidade, revisão das respostas, correção ortográfica, etc., etc. Nem sempre, porém, atribuem a devida ênfase a um aspecto que pode ser fundamental para evitar perda de pontos preciosos:  a consideração de que a prova não é só você, é você e outros dois: o elaborador e o corretor. Perceber esse fato leva ao estabelecimento de um método bastante útil.

Realmente, boa parte dos candidatos têm por hábito considerar a prova de seu ponto de vista e tudo o que fazem leva em conta essa visão unilateral. Todavia, devendo ser a prova corrigida por outro, mesmo que esse outro seja um computador, como no caso das questões objetivas, vale a pena mudar o foco da questão e tentar ver as respostas como se fosse esse outro. Por quê? Porque os pontos de vista podem ser muitíssimo diferentes e conduzir até mesmo a respostas diferentes. O Blogueiro, certa vez, ao prestar um concurso, verificou que a primeira resposta possível a uma série de questões interpretativas não combinava com sua própria análise do texto. Ainda mais: julgou que a sua resposta a essa primeira questão estava mais próxima da verdade que a outra possível. Na dúvida, não respondeu a essa pergunta e passou para a seguinte da série, em que uma das respostas combinava bem mais com a primeira possível do que a dele próprio, Blogueiro. Mesmo acreditando que suas respostas condiziam mais com uma melhor interpretação, percebeu que o elaborador da série de questões interpretativas do texto tinha seguido por outro caminho, sendo melhor, portanto, abrir mão de suas convicções e seguir a linha interpretativa do elaborador. Fez isso, meio preocupado em errar todas as respostas da série, mas acabou tendo a grata surpresa, mais tarde, de ver que foi um dos poucos a ter aquelas respostas consideradas certas.

Que conclusão tirar desse fato? Que a prova vale pelo que é, e não pelo que achamos que seja. Mais ainda: que, numa série de questões, o conjunto pode nos fornecer pistas preciosas sobre o ponto de vista adotado pelo elaborador. E ainda mais: que podemos nos enganar numa interpretação a ponto de julgar que quem se enganou foi o elaborador.

Tudo isso nos leva a concluir que é preciso, sempre, entender que é um outro que elabora as questões e outro ainda que as corrige. E você está no meio. São três pontos de vista distintos, portanto, e será um bom método sempre tentar “ver” as questões do ponto de vista de quem as elabora e de quem as vai corrigir. Podemos ganhar pontos preciosos com esse método, pontos suficientes para garantir a conquista de uma vaga.

Em conclusão: uma prova, como praticamente tudo na vida, é um produto coletivo, não individual. E é necessário vê-la como produto coletivo para ter a concepção mais realística possível das respostas que iremos dar.

Deu para entender? Deu, sim. Estabeleça seu método para não se deixar iludir pela relação entre você e os “outros dois” em suas provas. Você perceberá que vale muito a pena. Vale mesmo.

 

Ainda os cochilinhos e cochilões

April 29th, 2016

No artigo anterior, chamou atenção o caso de bastante como adjetivo. Muitas pessoas se acostumaram tanto a usar o adjetivo no singular, mesmo diante de substantivo no plural, que até se assustam quando o professor de português menciona exemplos como “Neste verão, houve bastantes casos de dengue na cidade.” Nas aulas, há até alunos que reclamam: Mas não é bastante casos, professor? O professor explica que, na frase em questão, bastante está em função de adjetivo que modifica um substantivo no plural. A concordância, portanto, tem de ser no plural: bastantes.

Não apenas estudantes se equivocam com essa palavra. O Blogueiro certa vez ministrou um curso de português a professores do ensino fundamental e alguns estranharam e até questionaram bastantes no plural, dizendo que nunca usaram e até duvidando do conhecimento do professor. Ora, nunca usar não é critério de acerto em disciplina nenhuma. Muitos usuários passam a vida inteira sem perceber que estão equivocados. Este, aliás, é um dos grandes problemas daqueles que escrevem habitualmente (escritores, jornalistas): cometer erros e jamais perceber por si mesmos, até que alguém lhes chame a atenção para o fato.

Tal é o caso, por exemplo, do emprego do pronome de tratamento você, que leva os usuários a empregar as formas pronominais oblíquas da segunda pessoa, e não da terceira. Observe o exemplo:

 

Você é um ótimo funcionário. Eu te admiro.

 

Na verdade, você, como pronome de tratamento, pertence à terceira pessoa do singular, mesmo quando usado para indicar a pessoa com quem se fala. Os pronomes átonos correspondentes devem ser, deste modo, também da terceira pessoa. O exemplo acima, por isso, está errado e tem de ser assim corrigido:

 

Você é um ótimo funcionário. Eu o admiro.

 

Muito cuidado, portanto, em suas redações e respostas discursivas. Não se deixe levar pelo discurso coloquial e cometer errinhos perigosos para sua nota.

E já que falamos em pronomes de tratamento, sobretudo nestes tempos em que os discursos dos políticos estão muito em evidência nos meios de comunicação, também não esqueça de que usamos Vossa Excelência quando nos dirigimos a uma alta autoridade diretamente. E empregamos Sua Excelência para mencionarmos tal autoridade ao nosso interlocutor:

 

V ossa Excelência é o mais importante senador da república.

Sua Excelência não pode vir hoje nos atender, mas virá amanhã.

 

Percebeu? São pequenos detalhes que podem provocar grandes e graves equívocos de expressão. É bom tomar muito cuidado. Faça uma revisão destes e de outros casos, para não cochilar mais. Afinal, o que para você pode ser apenas um cochilinho, para o corretor de uma prova pode ser um baita cochilão!

 

 

Cuidado com estas palavrinhas!

April 27th, 2016

Como sempre diz o Blogueiro, o discurso, quer em português, quer em outras línguas, está sempre cheio de armadilhas ocultas. Hoje você vai ver como certas palavrinhas podem iludi-lo: eis, , meio, bastante, etc.

Eis, por exemplo, aparece em frases como: Eis a questão, eis a solução para o problema, Ei-lo pilotando a espaçonave, etc. Observe que esta palavrinha, cuja origem os estudiosos ainda não conseguem explicar safisfatoriamente, tem inegável comportamento de verbo na frase, a tal ponto que apresenta objeto direto e pode receber pronome objetivo átono: Ei-lo, ei-la, ei-los, ei-las. eis-me, eis-vos. Pode empregá-la à vontade em casos como os acima citados, que estará correto.

Já a palavra pode trazer problema por poder se apresentar em classes gramaticais diferentes: adjetivo, advérbio, substantivo. Como adjetivo pode significar solitário, isolado, ermo, deserto, desamparado. Exemplos: A Margarida sempre viveu só, Prefere lugares sós, no meio das montanhas, Meus vizinhos ficaram sós no mundo. Repare que o emprego de como adjetivo às vezes pode parecer surpreendente: A irmã era a  só alegria que Deus lhe deixou na vida. Dá para reparar que se trata de um emprego bastante elegante, que denota conhecimento do idioma. Como advérbio, isto é, como palavra invariável que modifica o adjetivo, o verbo e o próprio advérbio, o emprego de é amplo: Ela escolheu o rapaz só pela grande riqueza, Ele reclama, nunca colabora.

A palavra meio é igualmente perigosa pela possibilidade de induzir a erro de concordância, pois pode surgir como substantivo, adjetivo, numeral e advérbio. Justamente em virtude de poder apresentar-se em três classes variáveis, quando surge como advérbio pode haver confusão e engano. Como substantivo, o uso é bem claro: Os fins são mais importantes que os meios. Igualmente como adjetivo: O ator esboçou um meio riso. E mais ainda como numeral: Meia laranja vale mais que uma maçã. O perigo surge no emprego como advérbio. Observe esta frase que o povo diz com naturalidade no discurso coloquial: Eu estou meia cansada. Sendo nesta frase um advérbio, a norma padrão exige que meio não se flexione: Eu estou meio cansada. Muito cuidado, portanto.

E cuidado com a palavra bastante quando usada como adjetivo. O povo costuma senti-la como advérbio e não a flexiona, o que está em desacordo com a norma padrão. Nunca escreva, portanto, A  Polícia tem bastante provas contra o político. Bastante, nesse exemplo, é adjetivo e tem de seguir o substantivo em sua flexão: A Polícia tem bastantes provas contra o político.

Percebeu? Saber empregar muitas palavras como estas é fundamental para ter um bom discurso.

 

Acentuação: sempre é bom lembrar

April 12th, 2016

 

É claro que você já assimilou as regras de acentuação do acordo ortográfico, pois o assunto é muito focalizado nas aulas do terceiro ano do ensino médio e nos cursos preparatórios. Mas não custa lembrar, de vez em quando, alguns casos específicos que podem ter passado despercebidos ou que você acabou esquecendo. Não precisa ficar decorando regras, mas tão somente comparar os exemplos. Então, vamos lá:

 

1) Pôr, forma verbal, deve receber o acento circunflexo, para evitar confusão com por, preposição, que não se acentua. Exemplo: Paulo não quer pôr a cadeira no corredor, porque muita gente passa por ali.

2) Pôde, forma verbal do pretérito perfeito do verbo poder, recebe acento circunflexo, para evitar confusão com a forma do presente do indicativo do mesmo verbo: pode. Exemplo: Paulo não pôde levantar aquele tronco pesado, mas Otávio garante que pode.

3)      A forma verbal tem, presente do indicativo da terceira pessoa do singular, não precisa ser acentuada, mas a forma têm, presente do indicativo da terceira pessoa do plural, deve levar sempre o acento circunflexo. Exemplo: O menino não tem vontade de estudar, mas as irmãs dele  têm.

4)      Os verbos formados com base em ter apresentam diferentes acentos conforme estejam na terceira pessoa do singular do presente do indicativo ou na terceira pessoa do plural. Exemplos: O barril contém vinho e os tambores contêm combustível Um bom filme entretém bastante, mas os palhaços do circo entretêm muito mais. Este filtro antigo retém algumas impurezas da água, enquanto os mais modernos retêm uma quantidade maior.

5)      Assim como no verbo anterior as formas verbais da terceira pessoa do presente do indicativo do verbo vir também são destacadas pela presença ou ausência do acento circunflexo. Exemplo: Os professores vêm e vem igualmente o diretor.

6) O mesmo que ocorre com os verbos formados com base em ter acontece com os verbos formados com base em vir. Exemplo: Este fruto provém da América Central e aqueles provêm da África.

 

Percebeu as sutilezas da acentuação? É bom de vez em quando fazer uma recapitulação e uma comparação dos exemplos, para evitar equívocos. Afinal, o Vestibular Unesp Meio de Ano está chegando e, como vive dizendo o povo, cautela e caldo de galinha… Ou, num dizer mais prático: Seguro morreu de velho. Recapitule sempre.

 

Vestibular Meio de Ano está pertinho

April 12th, 2016

Você que ainda está ansioso por conquistar sua vaga, não tenha dúvidas. A Unesp não para. O Vestibular Unesp Meio de Ano está chegando. Serão 360 vagas distribuídas por nove cursos em cinco unidades da universidade: Agronomia ( unidades de Ilha Solteira e Registro), Engenharia Ambiental (Sorocaba), Engenharia Aeronáutica (São João da Boa Vista), Engenharia Civil (Ilha Solteira), Engenharia de Controle e Automação (Sorocaba), Engenharia de Produção (Bauru), Engenharia Elétrica (Ilha Solteira), Engenharia Mecânica (Ilha Solteira).

Se ainda não está bem informado, observe que o Vestibular Meio de Ano oferece cursos da mesma qualidade que os do final do ano, com a diferença de se tratar de cursos cuja criação fez com que o início fosse na metade do ano, em virtude da política de aumento da oferta de vagas pela Universidade. Por isso mesmo, se algum dos cursos acima corresponde a seu objetico de ensino superior, não vacile, faça sua inscrição de 11 a 29 de abril e continue se preparando para fazer a primeira fase do vestibular a 15 de maio e a segunda fase nos dias 11 e 12 de junho.

O Vestibular Meio de Ano apresenta o mesmo tipo de provas dos vestibulares da Unesp, sempre elaborado por equipes muito competentes, que têm como objetivo verificar os conhecimentos do candidato, evitando qualquer possibilidade de surgimento de questões que extrapolem tais objetivos e criem dificuldades desnecessárias. Trata-se de um vestibular que comumente recebe elogios dos professores, candidatos e críticos especializados.

Outro aspecto pode ser aqui apresentado no que diz respeito ao esforço das universidades públicas em aumentar cada vez mais sua oferta de vagas. Desde a década de oitenta do século passado tais universidades vêm incrementando sua oferta, no sentido de contemplar cada vez mais candidatos. Trata-se de um esforço realmente gigantesco, que teve como um dos efeitos, em muitos casos, quase a duplicação do número de vagas ofertadas pela instituição.

Não tenha dúvidas, portanto. Na Unesp e em outras universidades públicas, os chamados vestibulares de inverno oferecem cursos com a mesma qualidade de formação que os oferecidos nas datas tradicionais dos vestibulares, com os estudantes recebendo todas as condições de estudo, pesquisa, estágios e possibilidades de especializações em instituições estrangeiras com as quais a Unesp mantém convênios. Você se orgulhará de ser um profissional formado pela Unesp.

Como diz o povo, em sua habitual sabedoria, mande ver, estude com afinco e prepare-se para conquistar sua tão sonhada vaga numa das melhores universidades do Brasil e do mundo.

 

Anglicismos: um problema?

April 12th, 2016

Os empréstimos de palavras de uma língua a outra sempre foram comuns. No português, por exemplo, há palavras de origem árabe, francesa, de línguas africanas e de línguas  indígenas, para só falar em algumas. Tais empréstimos nunca causaram problema, pois foram ocorrendo ao longo da história  e a maior parte dessas palavras incorporadas ao idioma.

Na atualidade, porém, muitos puristas (purista é o estudioso que prefere a língua “pura”, isto é, sem contaminação de outras pelo empréstimo de vocábulos) se declaram horrorizados pela presença cada vez maior de anglicismos, isto é, vocábulos originados da língua inglesa. Já houve até ministro a defender a pureza da língua, dizendo que qualquer vocábulo estrangeiro pode ser melhor traduzido por vocábulos da própria língua portuguesa. Na verdade, tal afirmação é uma balela, pois não há como impedir essa entrada de vocábulos ingleses em nosso vocabulário. Por quê? Por uma razão muito simples: os vocábulos não vêm sós, surgem acompanhando os objetos que nomeiam. E países de língua inglesa, como Estados Unidos e Inglaterra, caracterizaram-se desde o último século como grandes produtores de tecnologia. Os vocabulários dos diferentes produtos da tecnologia são fornecedores de grande número de vocábulos para todas as outras línguas, não havendo como alterar esse fluxo, sob pena de cair no ridículo, como caíram alguns políticos que tentaram criar leis para impedir tais empréstimos. Imagine você substituir, por purismo, site por sítio. Horrível, não é? E assim também tentar substituir show, que já está aclimatado, por forma aportuguesada, como xou. Ainda mais horrível! É melhor aceitar a realidade e aproveitar a profusão de vocábulos referentes às novas noções. Podemos dizer, por exemplo, sem susto, web, net, rede, internet, etc. etc. Em alguns casos, aproveitando a solução do uso oral, podemos escrever pecê, cedê, devedê, como também PC, CD, DVD. O Blogueiro prefere as três primeiras formas, já vocabularizadas. É preciso também entender que a língua inglesa se tornou uma língua internacional, razão por que muitos dos seus vocábulos são adotados em boa parte dos países. Delivery, por exemplo, pode ser entendido em quase todos os países, não precisando, neste caso, ser traduzido para entrega a domicílio. Qualquer turista em qualquer parte do mundo entenderá perfeitamente o que significa delivery como um vocábulo que já se internacionalizou.

E como fica essa questão para quem escreve? A atitude purista não tem mais grande justificativa num  planeta caracterizado pela globalização, em que a língua inglesa se tornou elemento de comunicação internacional. É preciso apenas acautelar-se para não abusar dos termos ingleses. Sempre é possível  evitar o uso excessivo dos anglicismos, reduzindo-os ao mínimo. Mas sem buscar soluções ridículas. Ninguém pode ser penalizado numa redação por usar termos como site, blogue, web, show, internet. Em resumo: aceitar a realidade como ela é não põe ninguém em situação ridícula. O ridículo surge do purismo que tenta agir contra a maré dos fatos reais e corriqueiros.

Pense nisso.

 

Blogunesp: estenda seu repertório

March 22nd, 2016

Se você acompanha o BlogUnesp há um bom tempo, sabe que os artigos aqui postados têm como objetivo estender o repertório do candidato não apenas para o vestibular, mas para o domínio futuro de habilidades, conhecimentos, interpretação de textos e norma padrão. Cada pergunta de vestibular representa um desafio em termos de interpretação (muitas vezes de decifração). Assim, quem é capaz de entender com razoável facilidade questões de provas de vestibulares e de quaisquer concursos é capaz também de interpretar com razoável facilidade textos de maior extensão. Os artigos postados no BlogUnesp têm, entre outros, este objetivo.

Quanto à questão da norma padrão, o Blogue procura segui-la permanentemente, sabendo quão importante instrumento será para o estudante em exames e por toda a vida. É claro que o Blogueiro, ciente de que escreve para jovens, dá-se ao luxo de fazer muitos trocadilhos com formas populares e eventualmente gírias, sem no entanto descambar para um discurso descuidado da norma.

A extensão do repertório do candidato não fica, porém, apenas no domínio da norma padrão, mas diz respeito aos assuntos, temas e conteúdos das disciplinas. O Blogueiro, que passou por tudo o que passa o candidato, sabe que componentes explorar para a assimilação de detalhes ou pormenores que não se aprendem na escola, pelo ensinamento frontal e direto, mas na vida prática e na atividade profissional. A leitura costuma ser o mestre definitivo de todo aquele que se interessa por continuar aprendendo e aperfeiçoar permanentemente sua capacidade de assimilar componentes formais e empregá-los em descrições, exposições e argumentações. Quer um exemplo no que diz respeito ao domínio da língua portuguesa? Se você ler com atenção o primeiro parágrafo deste artigo, verificará que nele aparecem a forma verbal estender (que no título se flexiona como estenda) e o substantivo extensão. Observou bem os detalhes do s e do x? Muita gente comete o erro de escrever “extender”, pensando em “extensão”, ou até mesmo grafar “estensão”, pensando em “estender”. Os professores não se cansam de repetir a explicação, indicando as formas ortograficamente corretas, mas, na verdade, a melhor maneira de fixar o conhecimento é na leitura habitual. O Blogueiro, por essa razão, trata de semear exemplos semelhantes ao longo de seus artigos, sabendo que, pela repetição, o estudante irá aumentando cada vez mais seu repertório ortográfico sem precisar ler tratados sobre esse assunto.

É esta, portanto, a lição de hoje: só se adquire um repertório sobre qualquer assunto fazendo leituras repetidas de textos sobre esse assunto. Nos tempos atuais, os estudantes têm facilitada esta tarefa pelo socorro à internet e numerosos sites que se dedicam ao aconselhamento sobre o bom desempenho em vestibulares.

Sintetizando: com todas estas fontes à disposição, blogues, sites, redes sociais, etc., etc., só não forma repertório sobre as formas e conteúdos das disciplinas de exames vestibulares quem não quer. Não acha que já é hora de querer?

 

 

Estudo em grupo: uma boa!

March 10th, 2016

A preparação para o vestibular costuma ser descrita como uma atividade solitária, com o candidato passando horas do dia e da noite mergulhado em apostilas, livros, cadernos e consultas a sites da internet.  Na verdade, boa parte dessa atividade assim decorre. Todavia, existe um espaço, um bom espaço de tempo que pode ser preenchido de modo diferente, com os estudos saindo do plano individual para a preparação em grupo. É uma boa? Não resta a menor dúvida que sim.

O estudo em grupo consegue eliminar o julgamento do vestibulando como alguém que compete, por vezes drasticamente, com outros pela conquista de uma vaga. Os exames vestibulares, embora impliquem certa concorrência, não devem ser considerados assim tão rigorosamente, a ponto de fazer com que um candidato imagine o outro como alguém que lhe quer “roubar” a vaga. Muito pelo contrário, devem desenvolver nos candidatos um sentimento de colaboração e solidariedade. Todos estão navegando no mesmo barco, buscando um modo de vencer os obstáculos para atingir suas metas.  Deste modo, todos podem, juntos, atingir os objetivos visados.

Pois é esse sentimento de solidariedade que o hábito do estudo em grupo desenvolve. Faz com que cada candidato veja no outro não um opositor, mas alguém que pode ajudá-lo a preparar-se melhor. Vale dizer: alguém que se veja no outro.

O que foi colocado nos parágrafos acima sugere que, se você ainda não experimentou fazer parte de seus estudos em grupo, está na hora de começar. Você vai dar sua colaboração naquilo que sabe, sobretudo naquilo que sabe muito bem, e receberá em troca idêntico auxílio. Perceberá que o grupo pode fazê-lo enxergar aquilo que não conseguia, apesar de todo o seu esforço. Por quê? Muito simples: as pessoas não são iguais, a natureza dá a cada um uma combinatória de características tanto físicas quanto psicológicas. Por isso, umas conseguem avançar com maior facilidade onde outras encontram dificuldade maior. Se caminharem juntas, aumentarão em muito suas possibilidades de dar conta das tarefas mais depressa devido à soma dos conhecimentos e à eliminação das dificuldades.

Pense nisso. Se ainda não tem, procure criar ou fazer parte de um grupo para, em algumas horas da semana, gerar esse processo de mútua colaboração e solidariedade. Todos lucrarão muito em termos de domínio de conteúdos e resolução de dúvidas, por vezes muito antigas dúvidas que o estudo solitário seria incapaz de resolver.

Faça isso. Livre-se do desconforto do isolamento. Nem é preciso lembrar que os seres humanos vivem em sociedade e que resolvem seus problemas em conjunto, não isoladamente.  Foi dessa união que nasceram o progresso e a civilização. Aprenda a dividir e multiplicar seus conhecimentos, para benefício de todos.

É uma boa, pode ter certeza.

 

A armadilha da escrita “internetiana”

March 9th, 2016

A ultratecnologia que nos enche de aparelhos e o uso que fazemos deles escondem uma armadilha perigosa, principalmente para quem vai prestar concursos públicos e vestibulares: a ilusão de que, ao nos comunicarmos pelos diversos compartimentos da internet e das redes sociais, nosso discurso assume o brilho da modernidade. Deste modo, o que aprendemos na escola em termos de escrever valeria muito menos do que aprendemos por imitação em nossa comunicação nas redes e nos diversos programas colocados à disposição de nossos pecês, laptops, tablets e celulares. Valeria mesmo? Seria um avanço?

Claro que não. Nada mais útil para nosso desenvolvimento mental que o ler e o escrever textos. Foi pela leitura e escrita fora da web que nos formamos como pessoas capazes de pensar com clareza, de raciocinar e argumentar. Na escola, ainda hoje nos cobram, acertadamente, o desenvolvimento de habilidades de interpretação de textos e, mais acertadamente ainda, a capacidade de argumentar e a produção de textos de diferentes gêneros. A leitura e a escrita são e serão ainda por muito tempo insubstituíveis a qualquer profissional formado por universidade. Insubstituíveis para ingressar, insubstituíveis para formar-se, insubstituíveis para exercer a profissão. A utilização dos sites de comunicação da internet coloca-se, neste sentido, num segundo plano, e tem por função dominar um discurso específico característico daquele meio.

É, diria alguém, mas nós podemos usar os aparelhos modernos para produzir e ler textos, não podemos? Claríssimo que podemos; e utilizamos mesmo. Podemos, por exemplo, ler livros nos ebooks. Estes aparelhos  estão cada vez mais aperfeiçoados para proporcionar uma leitura agradável e produtiva. Os ebooks, queiramos ou não, substituirão em breve futuro os livros em papel. Lendo qualquer texto em um ebook não estamos alterando a natureza do texto, mas apenas utilizando um recurso tecnológico que substitui a folha de papel e a tinta por um aparelho eletrônico que tem a mesmíssima função de propiciar a leitura de textos, até com certas vantagens. Resumindo: ler um texto em um ebook é trocar o livro em papel pelo livro digital, sem qualquer alteração do texto e de seu conteúdo.

Este é o ponto. Comunicar-se pelos diversos programas fornecidos pela internet, bem como pelas redes sociais não cria um meio moderno de escrever, mas tão somente constitui uma forma particular de comunicar-se  por meio desses programas e dessas redes. Se uma pessoa achar que o tipo de discurso utilizado no bate-papo internetiano pode ser também empregado, por exemplo, numa redação ou em respostas a questões discursivas de concursos, está completamente equivocado. O resultado não será nada bom.

Compreendeu bem  a questão colocada pelo Blogueiro? Ler e escrever cada vez melhor textos implica desenvolver cada vez mais seu intelecto, sua capacidade de interpretar, sua habilidade de argumentar e defender um ponto de vista em alto nível, seja oralmente ou por escrito. Foi assim que você desenvolveu tais habilidades ao longo da escola e chegou aos dias de hoje em condições de ler e produzir textos com razoável competência. Por isso mesmo, você não é um daqueles profissionais que conhecem muito bem seu ofício, comunicam-se muito bem pelas redes sociais, mas se declaram incapazes de desenvolver qualquer tema por meio de uma redação perfeitamente estruturada e obediente à norma-padrão.

Continue não se iludindo, portanto, com o internetês. Empregado em seu meio particular, tem lá sua utilidade. Mal compreendido e transportado para a procução de textos, é uma ilusão perigosa. A questão aqui abordada poderia ser resumida por meio de um antigo provérbio: Em Roma, faça como os romanos. Vale dizer: cada forma de comunicação tem seu meio próprio e seus objetivos específicos. Respeite-os e evitará a armadilha ou as armadilhas do internetês. Valeu?

 

Querem atropelar a norma-padrão

February 25th, 2016

Você está cansado de saber que suas respostas a questões discursivas e sua redação em exames vestibulares devem seguir a norma-padrão da língua portuguesa. Você está também cansado de saber, pelas lições de seus professores e pelos sites sobre vestibulares e redação, que tal modelo de desempenho da língua portuguesa é adotado para as comunicações em rádios, tevês, jornais, revistas, livros, apostilas escolares, documentos oficiais, contratos públicos e particulares, escolas, universidades, ciência, etc., etc. E também está cansadíssimo de saber que o desempenho da língua em norma-padrão não inviabiliza nem exclui outras formas de desempenho do português empregadas em outras situações e circunstâncias. Trata-se apenas de um modelo específico para situações específicas de comunicação. Todos esses diferentes desempenhos convivem e se interinfluenciam. Naturalmente, seus professores devem ter-lhe ensinado que adotar a norma-padrão não é, necessariamente, obedecer a tudo o que a gramatica normativa (essa mesma que usamos na escola) estipula, porque a gramática normativa, que se baseia no desempenho de escritores do passado e do presente, muitas vezes estabelece regras e exemplos que perderam atualidade. Você sabe de tudo isso, de modo que não é preciso entrar em mais detalhes para compreender este parágrafo.

Seguir a norma-padrão, portanto, não é uma imposição da escola ou da universidade, mas, simplesmente,  a adoção de um modelo de desempenho adotado em várias situações de comunicação em língua portuguesa que você irá conhecendo ao longo de sua vida. Os diferentes desempenhos do português, portanto, podem ser comparados com nosso vestuário: usamos roupas de acordo com o ambiente em que estamos. Quando assistimos a um show de música sertaneja, por exemplo, estamos preparados para o tipo de discurso adotado e estilizado pelos autores das letras, que se baseia muito no uso mais popularesco, com o objetivo de atingir o maior número possível de admiradores. Isto muda de figura quando assistimos a uma palestra de um especialista em doenças tropicais, cujo discurso adotará a norma-padrão, já que se trata do modelo mais adequado à comunicação científica.

Por que, afinal, o Blogueiro está comentando tudo isso? É simples, para que você não sinta o uso da norma-padrão como algo impositivo. E, sobretudo nos dias atuais, para que você não se deixe influenciar por certa onda de considerar algo muito bom “massacrar” a norma-padrão com desempenhos pífios, que nem podem ser considerados modelos. Isso você sabe, mas muita gente nem faz ideia, iludida por um falso conceito de liberdade de expressão. De fato, com a estilização do discurso para parecer “popular” ou “sertanejo” ou até mesmo “regional” em alguns gêneros de arte, como a música dita sertaneja, a caracterização de certas personagens de novelas de tevê, cinema ou teatro, o falar de certos comediantes, etc., etc., muita gente acredita que adotar como modelo, tanto no uso diário quanto no ambiente profissional, um desses “estilos” seja algo natural e recomendável. Puro engano. E mais ainda quando se trata de concursos de acesso a cargos públicos ou privados, bem como vestibulares, já que em todos esses casos é seguida por princípio e fundamento a norma-padrão. Ignorar esse fato, apresentando, por exemplo, numa redação de concurso um discurso estropiado, é já começar perdendo. Imagine você uma entrevista para emprego. Nenhum empregador é obrigado a aceitar um candidato que a cada duas ou três palavras atropela e agride a norma-padrão. Ainda mais se o cargo pretendido implicar relacionamento direto com clientes.

Infelizmente, um grande número de pessoas só percebe esse fato após fracassar em inúmeras tentativas, ou seja, após passar muitos anos desprezando a norma-padrão. E não se trata de quaisquer pessoas, mas de profissionais formados, muitas vezes, por universidades públicas ou privadas.

Entendeu agora a preocupação do Blogueiro? Então, continue tratando com carinho a norma-padrão, que lhe servirá de modelo em importantes situações de sua vida.