Acentue, sabendo o que faz

19 de março de 2019

Nos dois artigos anteriores, o Blogueiro alertou para o problema dos acentos gráficos. Colocou em primeiro lugar a questão das regras alteradas pelo acordo ortográfico. No segundo artigo, examinou algumas regras em que os estudantes costumam cometer equívocos por pura distração. No artigo de hoje, finalmente, apontará as regras fundamentais, que você tem por obrigação conhecer e praticar, sem esquecer os dois aspectos em que se baseou a criação do sistema: primeiro, o econômico, acentuar o menos possível; segundo, o diferencial: distinguir palavras com terminações idênticas, mas tonicidade diferente. Tendo sempre em mente esses dois aspectos, fica mais fácil e prático acentuar sem cometer erros.

A grande maioria das palavras da língua portuguesa são paroxítonas terminadas em a, e, o, as, es, os. Por isso, não são acentuadas. Seria contraproducente fazê-lo. Já as oxítonas com as mesmas terminações, por serem bem menos numerosas, levam o acento necessário: guaraná, ananás, café, jacarés, avô. Na mesma perspectiva se incluem os monossílabos tônicos com idênticas terminações: má, más (adj.), pá, pás, pé, pés, pó, nós. Assim também as palavras paroxítonas terminadas em em, ens são bem mais numerosas que as oxítonas com a mesma terminação, razão por que estas devem ser acentuadas: porém, também, armazéns, reféns.

Já as palavras proparoxítonas são relativamente poucas no idioma. Acentuá-las, portanto, resolve um belo problema, diferenciando-as de todas as paroxítonas e oxítonas. Esta é a motivação da regra que manda marcar com o competente acento gráfico todas as palavras proparoxítonas: árvore, árvores, pérola, pérolas, ótimo, ótimos, tâmara, tâmaras, pêndulo, pêndulos, cômodo, cômodos. Fácil, não é?

Finalmente, a maior dificuldade da acentuação gráfica está nas paroxítonas terminadas em l, n, r, os, x, us, i, is, om, ons, um, uns, ã, ãs, ão, ãos e em ditongo oral (seguido ou não de s). Devem receber o acento adequado na sílaba tônica: tátil, fácil, hífen, éden, gérmen, líquen, abdômen, pólen, cadáver, revólver, bíceps, tríceps, quadríceps, tórax, bórax, ônix, vírus, ânus, lápis, tênis, júri, júris, íon, íons, fóton, próton, elétron, bárion, nêutron, álbum, álbuns, órfão, órfãos, órfã, órfãs, jóquei, jóqueis, túneis. O máximo cuidado com palavras como estas, portanto! É bom rever sempre os exemplos, para evitar cochilos.

Finalmente, uma última regra que provoca muitos enganos: a acentuação das paroxítonas terminadas em ditongo crescente. A regra é clara, mas muita gente parece adorar escrever algumas dessas palavras sem acento gráfico, como, por exemplo, magoa, regua, carie, ingenuo, inicio. Nada disso. Todas devem ser acentuadas: água, mágoa, régua, cárie, ingênuo, início, precipício, espécie. Note que magoa sem acento deve ser pronunciada com tonicidade sobre o o, já que a palavra passa a ser uma forma verbal de magoar; assim também carie passa a ser uma forma do verbo cariar, e inicio se torna uma forma do verbo iniciar.

Neste final, o Blogueiro faz uma pequena pergunta, um tanto brincalhona, a você: Se hífen, como vimos, deve levar acento gráfico sobre a sílaba tônica, por que hifens não deve? E quais palavras dos exemplos dados se encaixam neste mesmo caso?

É isso aí. Não se descuide com a acentuação gráfica, para não ter descontos na nota. Por menores que possam ser, por vezes significam a perda da vaga. Boa acentuação para você.

 

Uma prova ortograficamente limpa

15 de março de 2019

No artigo anterior, o Blogueiro colocou a questão da necessidade de se observar muito bem a questão ortográfica nas provas. Neste, continuando, vai focalizar alguns aspectos da acentuação que foram alterados pela reforma causada pelo acordo ortográfico com os demais países de língua portuguesa. Sempre lembrando que ortografar bem não é favor, é obrigação, e obrigação legal, pois o sistema ortográfico é oficial em nosso país. Não podemos, portanto, escrever como queremos, mas como devemos, segundo o sistema. Muitas vezes, a título de exemplo, se coloca no ensino de literatura que o escritor Monteiro Lobato escrevia “como queria”, isto é, de acordo com um sistema que ele mesmo criara. Mas Monteiro Lobato era Monteiro Lobato, um gênio que tinha o direito de escrever de acordo com sua própria visão do idioma; e nós, pobres mortais, não podemos nos dar a esse luxo ou mania sem sermos penalizados em provas de concursos, vestibulares e textos que escrevemos. Além do mais, nas edições publicadas após a morte de nosso grande escritor, a ortografia oficial voltou a ser obedecida em seus livros. E se ele estivesse vivo hoje e prestasse vestibular, teria de obedecer às regras vigentes.

Pare de pensar também que seguir o que os professores ensinam nas aulas e os livros e apostilas em suas páginas é fazer um favor aos professores. As universidades adotam também oficialmente o acordo ortográfico, que surge como uma parte dos regulamentos das provas.

A grafia das palavras e a acentuação, por exemplo, devem ser seguidas rigidamente pelos candidatos, se querem que sua prova seja “limpa” a esse respeito.

Você já estudou muito e deve conhecer bem as regras fundamentais de acentuação. Observe nas seguintes listas de exemplos o que o acordo ortográfico alterou:

 

1 – Linguiça, pinguim, tranquilo, equino, eloquente, frequente, cinquenta.

2 – Apoio, epopeia, ideia, androide, heroico. Alcateia, geleia, plateia.

3 – Feiura, baiuca, bocaiuva, reiuno.

4 – Creem, deem, leem, veem, enjoo, voo, perdoo.

5 – Apazigue, arguem, averiguem, redarguem, argui.

 

Examinou bem? Então atente para as explicações respectivas:

 

1 – Não se usa em hipótese alguma o trema, antigamente empregado nessas palavras. O trema foi banido da ortografia, embora possamos usá-lo em nomes próprios oriundos de outras línguas.

2 – Em palavras paroxítonas, os encontros oi e ei não recebem acento gráfico. Mas, cuidado: se as palavras forem oxítonas e monossílabas tônicas, o acento é obrigatório: anzóis, pastéis, léu, faróis, chapéu, réu.

3 – Não se acentua o u de ditongos em palavras paroxítonas como as exemplificadas. Mas, se forem oxítonas, receberão o devido acento: teiú, teiús, sucuruiú, sucuruiús, tuiuiú, tuiuiús, Piauí.

4 – Encontros de vogais idênticas, ee, oo cuja primeira vogal é tônica de palavras paroxítonas não devem ser acentuados. Nada de escrever erradamente vôo, enjôo. É tudo sem acento.

5 – Não se acentua o u tônico de palavras como as exemplificadas.

 

Beleza? Então só falta lembrar que palavras oxítonas terminadas em em continuam recebendo o competente acento gráfico. No caso de verbos derivados de ter, entretanto, diferencia-se o plural com acento circunflexo: ele entretém, eles entretêm, ele mantém, eles mantêm, ele retém, eles retêm, etc. E tome muito cuidado com a forma verbal monossilábica: ele tem, eles têm. A esse respeito, vale lembrar que devemos acentuar pôde (verbo poder, pretérito perfeito do indicativo), para diferençar de pode (verbo poder, presente do indicativo); e assim também acentuamos pôr (verbo) para diferençar de por (preposição).

Entendeu? Muita gente ainda comete equívocos nesses casos, colocando o acento onde não deve ser colocado, ou não colocando onde tem de estar. Então dê uma boa lida nas regras de acentuação, para ter em mente o que sempre deve ser feito. Sua prova ortograficamente limpa começa por aí. No próximo artigo o Blogueiro vai focalizar as regras que o acordo não alterou.

 

 

Preparação: ortografia é muito importante

28 de fevereiro de 2019

No artigo anterior, o Blogueiro sugeriu uma visão geral ao candidato dos estudos que tem de realizar na reta final. A partir do artigo de hoje, vai apresentar uma série de sugestões derivadas dessa visão, muito importantes para a eficácia do desempenho nas provas.

A primeira delas diz respeito à ortografia. Para alguns, a ortografia não é tão importante, dá para cometer alguns errinhos. Não é bem assim. Quando se busca um resultado final ótimo, tudo passa a se tornar importante nesse caminho. É preciso observar que a ortografia atinge todas as provas, não apenas a de língua portuguesa. As questões discursivas são respondidas em língua portuguesa, e o discurso do candidato deve privilegiar todas as possibilidades de acerto, para evitar, inclusive, escrever palavras que funcionem no texto com sentido diferente do pretendido.

Uma das coisas que deve conhecer o candidato é que o sistema ortográfico é um dispositivo legal a ser obedecido no país e, simultaneamente, um acordo entre países de língua portuguesa, que uniformizaram seus sistemas em 1990. No Brasil, o acordo começou a ser obedecido há questão de dez anos, e a partir de 2016 tornou-se obrigatório. Neste caso, é imperioso escrever conforme estipulam as regras assumidas pelo acordo.

Outro aspecto importante é o fato de que o sistema ortográfico foi criado para ser econômico, vale dizer, fazer-nos usar o menor número possível de palavras acentuadas, para diferençar das não acentuadas. Seus dois princípios reguladores são, portanto, diferenciar e economizar. Ao estabelecer tal sistema, os estudiosos encarregados poderiam, por exemplo, como se faz no inglês, decidir simplesmente não acentuar nenhum vocábulo, o que seria altamente econômico, mas poderia gerar muitas dificuldades no aprendizado do português escrito, pela confusão de palavras diferentes que se escrevem com as mesmas letras, embora tenham tonicidade distinta. Por isso, escolheram um meio-termo: acentuar apenas algumas palavras. Esta decisão tem sua lógica. A língua portuguesa tem como grande maioria de seu vocabulário palavras paroxítonas terminadas em -a, -e, -o, seguidos ou não de -s. É por esta razão que não acentuamos palavras como mesa, mesas, carne, carnes, caderno, cadernos. Já as oxítonas com idênticas terminações, muitíssimo menos numerosas, são acentuadas: guaraná, ananás, café, chaminés, avô, propôs.

Percebeu? Por trás de cada regrinha de acentuação a que você tem de obedecer, existem esses princípios de diferenciação e de economia. Você deve acentuar revólver, por exemplo, para evitar confusão com revolver (verbo). E acentua a paroxítona porque as oxítonas terminadas em -er são muito mais numerosas (pense no infinitivo dos verbos da segunda conjugação, só para ter uma ideia).

Por isso mesmo e por todas estas razões, tenha sempre presente, ao obedecer a uma regra de acentuação, os dois princípios: diferenciação e economia. Assim, ficará mais fácil compreender e evitar erros.

No próximo artigo o Blogueiro vai focalizar alguns exemplos que podem levar a enganos. Bom estudo!

Saber começar para saber terminar

25 de fevereiro de 2019

Você vai prestar os vestibulares deste ano e por isso deve estar acompanhando os resultados dos atuais, as listas de chamadas, as alegrias de colegas mais velhos que foram aprovados e se matricularam.

E você? Agora é a sua vez. É claro que vem estudando há um bom tempo e acompanhando as provas e as correções, e agora percebe que está na hora de programar uma série de atividades para chegar “tinindo” aos exames. O Blogueiro, por isso, faz algumas sugestões para que estabeleça bem concretamente sua rota.

Primeiro ponto: estude com muita atenção as questões objetivas de diferentes vestibulares. Procure captar a “malícia” das questões e entender o modo como os elaboradores geram as alternativas. Existe aí uma técnica que pode ser detectada e compreendida. Isso aumentará em muito sua capacidade de identificar as respostas corretas e evitar cochilos.

Segundo ponto: sua expressão nas questões discursivas e na redação é fundamental. Trate de fazer uma análise de sua capacidade de escrita: clareza, concisão, vocabulário adequado, pontuação, acentuação, ortografia. Temos tendência em julgar que escrevemos muito bem, mas isso é perigoso, pode nos levar a enganos. É melhor usar o critério da desconfiança e achar que temos alguns defeitos que precisamos descobrir e sanar.

Terceiro ponto: além de estudar com atenção as diferentes disciplinas, trate de fazer sempre uma revisão da terminologia dessas disciplinas, para evitar erros de conceito em suas respostas discursivas e de compreensão na leitura das questões objetivas. É muito comum julgarmos que conhecemos a terminologia e dominamos todos os conceitos expressos pelos seus termos, mas volta e meia nos equivocamos. É bom, por isso, rever a cada passo tais vocábulos e conceitos.

Quarto ponto: redação é redação. Dissertação é dissertação. Nada de inventar, em vez de dissertação, desenhos, caricaturas, charges. Esses gêneros de texto não são solicitados e, se você insistir, sua “redação” será anulada. É claro que alguma vez na escola você fez isso e pode ter sido até elogiado pela criatividade. Mas vestibulares em geral pedem dissertações e é nelas que você tem de demonstrar sua capacidade de raciocínio, de argumentação, de conhecimento do tema e de sugerir soluções para os problemas analisados. Certo especialista em vestibulares denomina redações-camicase essas tentativas de substituir a dissertação por desenhos.

Quinto ponto: não se distraia com os eventos de início de ano, festas, carnaval, eventos esportivos. Sua hora é agora. Está na reta final e cada minuto é importante para aumentar suas chances. Vestibular é como uma prova esportiva: você tem de dar tudo e mais um pouco para vencer.

Pense bastante nesses cinco pontos e elabore seu plano de ação, tendo em mente que para sair-se bem nos exames não é suficiente apenas estudar, mas saber como preparar-se para prestar as provas com segurança.

 

Tudo novo sob o sol

14 de fevereiro de 2019

Depois da fase de matrículas, começa tudo de novo. Os que terminarão este ano o ensino médio são os novos pelejadores em busca de cursos e vagas. E a cada ano, felizmente, as competências parecem aumentar, o que é bom em termos de ensino e melhor ainda em termos de universidade.

Muitas vezes na vida percebemos que boa parte da realidade que nos cerca é cíclica, isto é, seus processos têm inícios, desenvolvimentos e términos, para em seguida terem novamente inícios, desenvolvimentos e términos, e assim por diante. Num dos livros da Bíblia, o Eclesiastes, que alguns atribuem à autoria do rei Salomão, esta constatação da natureza cíclica da realidade gerou belas páginas de verdadeira filosofia, ainda atualíssima. Se você algum dia disse ou ouviu uma frase como, por exemplo, Nada novo sob o Sol, está ou citando ou plagiando o Eclesiastes, que afirma também: O que é que foi? É o mesmo que há de ser. Que é o que se fez? O mesmo que se há de fazer. Não há nada novo debaixo do sol, e ninguém pode dizer: Eis aqui está uma coisa nova, porque ela já existiu nos séculos que passaram antes de nós.” (trad. de Matos Soares).

Belo, não é? Belíssimo. É o que acharam muitos escritores ao longo do tempo, que não se esquivaram de citar passagens do Eclesiastes ou de desenvolver seus temas. O próprio Machado de Assis, nosso maior escritor, era um desses admiradores do texto.

Pois é. Mas devemos convir que, para cada um de nós, em tudo o que fazemos parece que estamos a fazer sempre algo novo. É o que você deve sentir ao entrar na reta final dos exames vestibulares. Por isso mesmo, é bom lembrar o que diz o Eclesiastes, justamente para evitar que, nos momentos de desânimo, que volta e meia acontecem em nossas vidas, você se sinta o único culpado por não conseguir atingir algumas metas de estudo. Na verdade, você apenas está iniciando individualmente um ciclo pelo qual inúmeros jovens vêm passando há anos e anos. O que lhe acontecer de bom ou de mau já aconteceu a muitos outros ao longo desse tempo.

Não se preocupe demasiadamente, portanto. Se o ciclo de vestibulares do ano em curso não lhe for favorável, haverá outros e outros e, num desses, com certeza você passará, como tantos outros estudantes que enfrentaram as mesmas dificuldades.

Então, mãos à obra. Neste ano final, é preciso estabelecer com a máxima atenção seu plano de estudos e segui-lo à risca. Você sabe quais são suas forças e quais as suas fraquezas. Pondere. Estabeleça metas. Dedique-se como o candidato recém-aprovado no vestibular de medicina de grandes universidades, depois de anos de dedicação que chegaram a incluir fechar-se no banheiro para poder estudar. Você pode se inserir em processo semelhante de grande esforço e dedicação, repetindo o ciclo. Não pode?

Claro que pode. Pode fazer com que para você surja tudo novo debaixo do Sol.

 

A universidade dá saudade

7 de fevereiro de 2019

Você acaba de se matricular na Unesp, no curso com que sonhava, e agora está na expectativa do início das atividades. Passam por sua cabeça muitos pensamentos e projeções sobre como será sua vida durante os anos de estudo. Será bom? Será muito puxado? Será duro de aguentar?

Complica-se a questão pelo fato de que você reside em outra cidade ou até em outro estado, e agora terá uma vida completamente diferente do que vem tendo até o momento. E agora?

Na verdade, acredite que está ingressando nos melhores anos de sua vida de estudante. Você viverá intensamente todos os momentos em que passar no câmpus universitário, a começar pelo relacionamento que manterá com seus colegas. Muitos obterão a oportunidade de ocupar um local em moradia estudantil, onde passarão a viver numa sociedade completamente diferente de tudo o que conheceram até agora. Haverá novas amizades, novos relacionamentos, satisfações e até mesmo atritos, ou seja, ensinamentos de convivência que serão muito úteis em sua vida futura.

Aqueles que não ingressarem em moradias universitárias se reunirão em grupos e dividirão o aluguel em casas ou apartamentos, locais metaforicamente chamados repúblicas, e terão também de se adaptar a novas formas de convivência, muito diferentes das que tinham em suas casas, no seio de suas famílias e em suas cidades. Assim como nas moradias, nas repúblicas se desenvolvem amizades que duram pelo resto das vidas dos moradores. Sem falar que também surgem muitos casamentos.

Essas mudanças, que no início podem até assustar um pouco os estudantes, na verdade constituem um fato altamente positivo para todos. E assim também os próprios eventos de que participarão no câmpus universitário, seja os relacionados diretamente a estudos e tarefas, seja os que dizem respeito a atividades culturais, esportivas, comemorações e, mesmo, festividades. Os estudantes acabam descobrindo que estudar na universidade implica não apenas esforço e estudo, mas um período de vida rico em eventos de toda espécie.

Por tudo isso, você não deve preocupar-se com o que encontrará. Se ainda tiver alguma dúvida, pode perguntar a pessoas que já se formaram, isto é, que já passaram pela experiência que você irá passar. A resposta da maioria dessas pessoas, com certeza, será que a universidade deixa saudades. E tantas, que levam profissionais que residiram em moradias ou repúblicas a, de tempos em tempos, reunirem-se para lembrar-se de tudo o que lá viveram, inclusive das molecagens que praticaram como formas de divertimento. Pergunte a profissionais já formados sobre essas molecagens e com certeza dará muitas risadas com o que contarem.

Você também um dia sentirá as mesmas saudades.

 

Unesp: a Universidade que abraçou São Paulo

31 de janeiro de 2019

Quem vai obter sua vaga numa das unidades da Universidade Estadual Paulista, a Unesp, precisa ingressar conhecendo um pouco da história da instituição de que fará parte ao longo dos anos de sua graduação e, talvez, de sua pós-graduação. Tal conhecimento, com certeza, o deixará emocionado, ao perceber quantos ideais, quantos projetos, quantas lutas acabaram culminando com a universidade pujante em que a Unesp se transformou.

Fundada em 1976, a Unesp é a caçula das três grandes universidades estaduais do Estado de São Paulo. E como foi fundada? Nasceu do zero, planejada pelo governo? Na verdade, não foi assim. Nossa universidade surgiu, de fato, do planejamento de homens idealistas que perceberam, em primeiro lugar, a possibilidade de criar-se uma terceira instituição de ensino superior no estado e, em segundo lugar, pela criação com base na associação de faculdades e institutos isolados, vinculados aos diferentes municípios. Mas não se tratou de um raciocínio simplório, do tipo Vamos juntar tudo numa coisa só. Ao contrário, houve estudos e estudos, verificaram-se com cuidado as áreas de conhecimento em que se situavam os cursos de cada um desses institutos e faculdades. Constatada a grande abrangência em termos de áreas de conhecimento, passou-se à elaboração do projeto, que foi aprovado pelo legislativo e sancionado pelo executivo do Estado de São Paulo. As faculdades e institutos isolados foram transformadas em unidades da nova instituição e, como no início de qualquer empreendimento, foi necessário também polir arestas entre essas unidades, para evitar cursos duplicados. O princípio fundamental da instauração da Unesp foi conduzir todas as unidades a produzir ensino e pesquisa de alta qualidade, espelhado nas duas universidades coirmãs.

A Unesp tornou-se, assim, uma universidade de qualidade e a mais interiorizada em termos de municípios abrangidos, o que foi altamente positivo e facilitou também, ao longo do tempo, a incorporação de outras unidades. A ideia de interiorizar ainda mais esteve sempre presente, de modo que, no início deste século, foram criadas novas unidades em muitos municípios que ainda não tinham ensino superior público e, em alguns casos, nem tinham ainda ensino superior privado relevante.

O resultado de todo esse esforço fez com que a interiorização fosse levada ao máximo, abrangendo todo o Estado de São Paulo. O Blogueiro, neste sentido, como alguém que participou de boa parte dessa história, costuma dizer, um tanto poeticamente, que A Unesp abraçou todo o Estado de São Paulo. Para que você possa fazer uma boa ideia desse fato, basta consultar, no site da Universidade, o mapa com a localização de todas as unidades.

Logo você fará parte desse projeto. Bom curso!

 

 

 

 

 

Algumas profissões estão acabando. Estão mesmo?

28 de janeiro de 2019

Enquanto você espera o momento da matrícula, faz suas leituras na internet e debate com seus colegas sobre a profissão que seguirá. Pegou moda, hoje em dia, na net e nas conversas, focalizar a questão das profissões que, em futuro próximo ou ainda distante, irão desaparecer, substituídas por outras, mais “modernas”. Certas opiniões e certos sites muitas vezes podem assustá-lo, levando-o a desconfiar do próprio caminho profissional que escolheu, sugerindo que o futuro pode ser, neste sentido, altamente ameaçador. E se a minha profissão acabar? perguntará você. Que farei?

É bom ir devagar nessas reflexões. Muitos sites são intencionalmente sensacionalistas, só querendo atrair leituras. Pense por si mesmo, a começar pelo fato de que, ao longo da História, milhares de profissões foram sendo criadas e milhares foram sendo extintas, à medida que a ciência e a tecnologia avançavam. Hoje não é e não pode ser diferente, embora com muito mais intensidade. O grande e veloz desenvolvimento em todas as áreas de ação da humanidade leva, é claro, a gerar a necessidade de pessoas capazes de dominar as novas técnicas, mecanismos e instrumentos. Assim vão surgindo novas profissões em todos os níveis. A mudança, porém, não é repentina nem surpreendente. Nada surge aos saltos, mas dentro de processos muitas vezes lentos, após anos e anos de pesquisas e experimentação.

Também é bom pensar, além disso, que novas profissões são frequentemente evoluções das já existentes, em função dos desenvolvimentos técnicos, tecnológicos e científicos nas respectivas áreas. Nada a temer, portanto. Ao contrário, o conhecimento desse fato pode e deve servir como estímulo para um estudante universitário abrir perspectivas e procurar enriquecer as possibilidades de sua futura profissão, procurando manter-se atualizado durante o curso e na prática posterior de seu trabalho. Esta é uma grande verdade: um bom profissional, hoje e sempre, é o que se mantém a par de tudo o que ocorre de novo em seu campo de trabalho. De resto, as próprias universidades, durante os cursos, oferecem a possibilidade da frequência a aulas de outros cursos. Melhor ainda: depois de formado, todo profissional pode frequentar cursos de pós-graduação profissionalizantes, que constituem excelentes meios de atualização e especialização.

Algumas pessoas afirmam que as universidades não conseguem acompanhar todo o progresso e desenvolvimento que ocorre fora delas. Isso é falso. Grande parte do desenvolvimento é provocada pelas próprias pesquisas universitárias, que muitas vezes estão à frente dos novos processos científicos e tecnológicos. Já por isso se chamam universidades, responsáveis que são pela conservação e progresso da ciência, por meio da pesquisa e do ensino.

Desta maneira, você que vai ingressar numa universidade, estará na instituição mais adequada para satisfazer a todas as suas demandas em termos de formação e profissão. Entendeu agora a ironia sugerida pela interrogação no título deste artigo?

 

 

Não leve estes erros para a Universidade

22 de janeiro de 2019

Mesmo levando em conta que agora não haverá provas, mas você está aguardando ansiosamente o resultado de sua aprovação, sempre é bom lembrar neste Blogue de algo que pode ser útil a seu futuro nos bancos universitários. Você estudou bastante e merece passar. Isso é fato. Mas, uma vez conquistada a vaga, será interessante em seus estudos ter consciência de certos aspectos importantes. Um deles é o papel da língua portuguesa no estudo universitário. Haverá tarefas e tarefas, trabalhos e trabalhos práticos ou de pesquisa que você terá de fazer empregando a língua portuguesa. Por isso, ela continuará sendo uma ferramenta de trabalho imprescindível, talvez a mais importante de suas atividades. Neste caso, tudo o que você aprendeu ao estudar para as provas de conhecimentos e de redação será útil agora, muitíssimo útil, na redação de trabalhos das diferentes disciplinas que terá de enfrentar.

A Universidade, neste sentido, é um universo do discurso. Tudo o que é produzido é relatado, primeiramente em sua língua materna, depois em outras, de acordo com a natureza da pesquisa solicitada. Tais relatos ocorrem tanto no discurso oral, quanto no escrito. Seminários, por exemplo, solicitam apresentações orais e também escritas. Pesquisas de campo são relatadas por escrito e seus resumos apresentados em discurso oral.

Quando começarem seus estudos no curso você perceberá, finalmente, por que estudou tanto a língua portuguesa e a redação, além da apresentação oral. E verá que eventuais reclamações sobre excesso de estudo nesse campo eram infundadas. E até agradecerá, interiormente, a todos os professores que o estimularam a dominar o idioma. Não era exigência injustificável, nem tampouco excesso de zelo dos mestres, mas o desenvolvimento de habilidade que o acompanhará a vida toda.

Isto posto, o Blogueiro atenua um pouco seu discurso para fazer um alerta: verifique com atenção os erros de que ainda não conseguiu se livrar e evite, a todo custo, fazê-los ingressar na Universidade. Não são boa companhia. Parece um aviso bobo, mas não é. Ainda outro dia, lendo uma matéria de jornal na internet, o Blogueiro se deparou com os seguintes exemplos (por cuidado, foram um pouco alteradas as frases para evitar reclamações dos citados):

Um mal resultado vai deixar todos nervosos.

A atitude teria sido a solução encontrada pelo professor para punir o aluno pelo mal desempenho.

Dissipou as dúvidas que haviam a respeito de suas últimas decisões.

 

É claro que você percebeu os erros crassos presentes nesses exemplos, que deixariam horrorizados seus professores. E, se percebeu, é porque não os pratica. Mas, se não percebeu, ainda é tempo de aprender: sempre que empregamos “mal”, o oposto é “bem”. E se empregamos “mau”, o oposto é “bom”. É um critério adequado para não errar. O redator que nos brindou com os dois primeiros exemplos, portanto, descurou desse ensinamento (que deve ter recebido na escola, evidentemente) e trocou as bolas. Deveria ter escrito

 

Um mau resultado vai deixar todos nervosos.

A atitude teria sido a solução encontrada pelo professor para punir o aluno pelo mau desempenho.

Foram dois cochilos, é claro, mas que não recomendam muito o redator.

Já no terceiro exemplo o problema é a forma verbal “haviam”, plural, colocada em lugar de “havia”, singular. O redator se deixou impressionar demais pelo termo “dúvidas”, plural, e usou também o plural para o verbo, o que é errado, pois o verbo “haver”, com o significado de existir, é empregado sempre e apenas na terceira pessoa do singular. Basta ter este fato em mente, sem necessidade de explicações gramaticais. Seus professores repetiram mil vezes o ensinamento e a prática, não é verdade? Então não cabe qualquer distração a respeito. Memorize este exemplo, dado por Houaiss, para nunca esquecer: haverá deuses, enquanto alguém neles acreditar. Trata-se de um erro, aliás, que muita gente importante comete na oralidade e que faz o vídeo de nossas televisões ficar vermelho de vergonha.

Agora você entendeu a mensagem dada pelo título deste artigo: não leve estes erros para a universidade. Estes, é claro, e muitos outros semelhantes. Seu domínio de discurso, tanto escrito, quanto oral, deve continuar evoluindo nos bancos acadêmicos.

 

Você e o professor universitário

11 de janeiro de 2019

Você vai ingressar na Universidade e terá seguramente muitas surpresas desde o começo, todas agradáveis. Não tenha dúvidas a esse respeito. A universidade é agradavelmente diferente de tudo o que você viu até hoje.

Os novos alunos dos diferentes cursos, de fato, muitas vezes imaginam que o ensino será muito parecido com o que já tiveram, talvez apenas com um rigor bem maior, já que se trata de preparo para uma profissão de nível superior. Quanto a esse rigor, pode ter certeza de que é verdadeiro. O professor do ensino médio tem como objetivo, se o curso for profissionalizante, preparar o estudante para ser um bom técnico e atuar tão logo formado; se não se tratar de ensino técnico, o objetivo praticamente acaba se resumindo à preparação do estudante para prestar vestibulares. Seus instrumentos de trabalho, deste modo, se resumem em suas aulas, apostilas e livros apropriados a essa finalidade. Claro que se trata de uma atividade muito importante, uma verdadeira missão, que merece todos os elogios possíveis, já que não é nada fácil conquistar a atenção de jovens e estimulá-los a intensificar seus esforços para atingir a difícil meta de conquistar uma vaga em universidade. Diferentemente, o professor universitário é um especialista na disciplina que vai lecionar. Quase sempre explora os conteúdos como temas de suas pesquisas. Tem ele plena consciência da responsabilidade de repassar, em termos de teoria e prática, seus conhecimentos para uso futuro do estudante em sua profissão.

Vale a pena lembrar que o professor universitário é simultaneamente pesquisador e professor. Possui mestrado, doutorado e muitas vezes pós-doutorado nas disciplinas que ensina em sala de aula. É responsável por publicações em revistas especializadas e participações em congressos nacionais e internacionais. Prestou concurso de acesso bastante exigente. Tem contrato com sua universidade para exercer três atividades distintas: ensino, pesquisa e extensão de serviços à comunidade. Nelas e por elas, assimila o que de principal envolve tais atividades tanto em termos de teoria, como de prática. A extensão frequentemente o leva a compreender ainda mais profundamente tudo o que merece ser ensinado por envolver o currículo do curso e, se possível, praticado em estágios por seus discípulos.

Por isso mesmo, alguns estudantes, nas primeiras aulas, estranham um pouco as figuras e os comportamentos dos docentes. Só nas primeiras aulas, é claro. Com o tempo, os estudantes vão percebendo, inclusive pela comparação entre as atuações dos diferentes docentes, quais objetivos do curso que escolheram devem ser conquistados para atingirem o melhor perfil de formação possível.

Prepare-se, portanto, para encontrar na universidade uma instituição agradavelmente diferente da escola que você cursou até agora. E aproveite tudo o que puder do conhecimento, da especialização e do esforço de seus mestres, inclusive buscando participação em pesquisas de grupos e complementação do currículo em outras universidades nacionais ou estrangeiras. Como o Blogueiro já lembrou a você mais de uma vez, a universidade oferece até a possibilidade de mudar de curso, caso você venha a perceber que o escolhido não era exatamente o que você desejava.

A base de suas ações nos bancos universitários, portanto, está nos professores que ministram as diferentes disciplinas. Esteja sempre atento ao que dizem, sugerem, aconselham. E torne-se um excelente profissional em sua vida futura.