Estudo em grupo: uma boa!

February 26th, 2015

Algum tempo atrás o blogueiro estava numa praça muito arborizada, passeando com seus familiares, quando observou um grupo de jovens espalhados por um gramado, com apostilas e livros às mãos, conversando alegremente. Curioso, aproximou-se e ficou a ouvir o que falavam. Estavam estudando de uma forma descontraída, conversando, questionando-se e desafiando-se mutuamente para ver quem sabia melhor isto ou aquilo. E sempre, como disse, na maior alegria.

O blogueiro não resistiu à curiosidade e foi conversar com eles, perguntando se estavam estudando para as provas. Resposta negativa e positiva: não para as provas, pois já haviam terminado o ensino médio, mas para os vestibulares. Todos haviam feito no ano anterior os vestibulares sem conseguir aprovação.

Na verdade, estavam fazendo um curso pré-vestibular e tinham decidido estudar em conjunto umas três ou quatro vezes por semana. Mas estudar descontraidamente, disseram, sem aquela neura de querer aprender tudo de uma vez. No começo, eram dois, que foram aumentando e, naquele momento, haviam chegado a seis, dois rapazes e quatro garotas. Não havia nem sequer namoro envolvido naquela iniciativa, mas tão somente a necessidade de estudar e a certeza de que, em grupo, conseguiam resolver muitas dúvidas para as quais não encontravam soluções nem no cursinho.

O blogueiro resolveu deixá-los em paz. Agradeceu pelas informações, dadas em tom descontraído, quase afetuoso, e voltou para o passeio com seus familiares. Ficou, porém, o dia inteiro pensando naquele encontro e naquele jeito de estudar, que era uma das formas de aqueles estudantes aumentarem seus conhecimentos e dirimirem suas dúvidas. Realmente, o estudo em grupo que faziam não era algo milagroso, mas, simplesmente, um dos modos de melhorar os conhecimentos. Valia? Sim, valia muito!

Muitas vezes, uma das coisas mais aborrecidas dos estudos é a solidão em que cada candidato se encontra, fechado em seu quarto, escarafunchando livros e apostilas em busca de soluções, ou percorrendo sites com o mesmo objetivo. Mas nem as apostilas, nem os sites o tiram daquela sensação de solidão que volta e meia o apanha e insufla em seu espírito sensações pessimistas: Ai! que vontade de conversar com alguém sobre o que estou sentindo! Não é esse tipo de indagação interior que fazemos muitas vezes em nossas vidas em momentos de solidão meditativa?

Pois o estudo em equipe, na praça ou em qualquer outro local disponível, serve admiravelmente para cada candidato se livrar das sensações de pessimismo e desânimo. É uma mistura de estudo, reflexão, raciocínio, ponderação, brincadeira, sorrisos aliviados e, por vezes, gargalhadas. No meio de tudo, o conhecimento aumentando pela troca de conceitos, exemplos, experiências.

Nada mais natural e produtivo esse sistema, portanto. Somos nós, seres humanos, essencialmente sociais, não vivemos sozinhos, não vencemos sozinhos, não perdemos sozinhos. Precisamos sempre de outras pessoas ao nosso lado para dividir alegrias e tristezas. Há momentos, evidentemente, em que cada um de nós precisa estar sozinho para recarregar as baterias. Na maior parte do tempo, porém, vivemos junto com os outros, uns ao lado dos outros, em sociedade, e as ânsias de uns são as mesmas ânsias de outros.

Dedicar parte do tempo, assim, para o estudo com outros colegas, se revela um instrumento muito bom no processo de chegada aos vestibulares. E, por vezes, uma questão que o grupo focalizou e resolveu, entre risos e piadinhas, se torna exatamente aquela que nos trará a aprovação.

Percebeu? Quer no estudo, quer no trabalho, não se isole, não pense que conseguirá resolver tudo sozinho. O super-homem é apenas uma velha lenda, transformada em histórias em quadrinhos e filmes. Você não é, eu não sou, ninguém é. Somos todos seres sociais, interdependentes. A vitória e a felicidade não pertencem a uma só pessoa, mesmo que a disputa seja de um cá, outro lá. Um piloto que vence uma prova de Fórmula 1, não é um herói solitário, é um membro ativo e importante de toda uma equipe que trabalhou para que ele pudesse, em dado momento, vencer em nome de toda a equipe. O grande sucesso e enorme desenvolvimento do futebol no mundo talvez se deva exatamente a isso, ao fato de ser um esporte coletivo, em que alegrias e tristezas são sempre divididas entre onze jogadores titulares e seus reservas, além de técnico, médico e todos os que constituem a infraestrutura da equipe.

O blogueiro volta e meia relembra aqueles jovens e torce para que todos tenham conseguido aprovação nos exames que prestaram.

Pense também nisso e, quem sabe? comece a organizar sua equipe para algumas sessões semanais de estudo. Talvez seja isso mesmo que lhe esteja faltando para dar o sprint rumo à vitória final. Valeu?

 

Um mito sobre o vestibular

February 25th, 2015

Como em todas as atividades humanas, os vestibulares também apresentam seus mitos, ou seja, representações de fatos exagerados pela imaginação das pessoas, particularmente dos estudantes que começam a vislumbrar no horizonte de suas vidas tais exames. Na verdade, trata-se de ideias falsas, sem correspondentes objetivos com fatos reais, o que as aproxima um tanto das chamadas superstições, que também resultam de interpretações subjetivas da realidade.

Um desses mitos dos vestibulares diz respeito à estratégia que alguns estudantes estabelecem para prestar as provas: sabendo que não dominam — e não dominam, muitas vezes, porque não gostam — certas disciplinas, tratam de “dar tudo” o que podem nas disciplinas em que encontram mais facilidade, acreditando que uma nota mais alta nestas “compense” as notas baixas em outras. Puro mito e, por isso mesmo, fonte de enganos e aborrecimentos, pois nada garante objetivamente que essa “compensação” vá realmente ocorrer. O mais provável é justamente o contrário, pois esse conceito de “dominar” ou “não dominar” consiste num julgamento do próprio candidato. Para quebrar o mito e colocar a questão no plano real, a atitude do estudante tem de ser alterada radicalmente: deve estudar muito as disciplinas em que costuma ir mal, porque seu calcanhar de Aquiles mora justamente nelas. É, mas eu não gosto delas! dirá um estudante. Pois aprenda a gostar, que aprenderá a render muito mais. Entenda que o vestibular não é apenas um mero concurso para a obtenção de vagas, mas uma forma de avaliação para verificar se o candidato está inteiramente (e não pela metade) preparado para a vida acadêmica. Este blogueiro conheceu uma estudante que nunca gostara muito de Matemática, Física e Estatística, procurando apenas quebrar o galho nessas provas. Acabou sendo aprovada, depois de passar maus momentos com as três disciplinas mencionadas, que julgou nunca precisaria num curso de Biologia. Pois precisou. E demais. E teve de aprender com muito esforço durante o curso o que já poderia ter aprendido muito antes. O interessante foi que opinou, quando formada, que aprendera também a gostar dessas disciplinas, pois percebera como eram importantes e como era importante a interdisciplinaridade em qualquer curso universitário.

Outro exemplo, de maior alcance, diz respeito à Informática. É claro que os jovens adoram seus computadores, seus celulares, seus tablets. Nem todos, porém, fazem qualquer esforço para ter razoável habilitação em programas de redação de textos, de elaboração de planilhas e gráficos, como também de manipulação de imagens e produção de vídeos. Os programas estão ali, pedindo para ser utilizados, mas muitos usuários se interessam apenas pelo superficial, tornam-se exímios em games, em redes sociais, em trocas de todos os tipos de mensagens. No curso superior, todavia, quando recebem tarefas que requerem a habilitação em programas como os mencionados, têm de começar do zero a aprendizagem dos softwares fundamentais e de outros utilizados nas diferentes disciplinas.

É isso aí. Cuidado com os mitos. Eles podem parecer verdades, mas nem meia verdades são. Pior que isso, geram obstáculos futuros construídos pelo próprio indivíduo, com base em manias do tipo gosto x não gosto ou numa falsa noção de praticidade baseada na desinformação: para que estudar isso, para que aprender aquilo,  se não vou precisar mesmo?

Puro engano. Você não imagina como vai precisar!

 

Mais palavras, mais ideias, mais texto!

February 12th, 2015

Certo aluno, numa prova de redação, olhou desanimado para a folha em branco em que não havia conseguido escrever nada e declarou ao professor:

Professor, eu não tenho ideia!

O professor não deixou por menos e respondeu: Como? Você diz que não tem ideia? Está enganado, meu amigo! Você acaba de ter uma ideia, que é a ideia de não ter ideia!

Este blogueiro garante que o caso acima é verídico, ocorreu mesmo em sala de aula. E, por sua veridicidade (palavra bonita, não?), pode nos servir hoje para abordar um problema sério que muitos candidatos enfrentam ao escrever. Vamos colocar assim: você sabe falar, sabe ler, sabe escrever. E vive reclamando que, em muitas redações que faz, não tem ideias, e por isso não consegue escrever direito e tira notas baixas. Eu não tenho ideia ou ideias é, de fato, uma das explicações ou justificativas mais comuns de alunos que não conseguem fazer uma boa redação. Teriam razão ao dizer isso? É claro que não teriam e não têm. Raciocinemos: se alguém sabe escrever bem e faz uma redação ruim, ou não sabe escrever bem, ou não está bem informado sobre o tema. Justamente por isso, em vestibulares, são dados textos auxiliares para possibilitar ao candidato um melhor conhecimento do tema. O problema é que, se o candidato não conhecia nada do tema, informações de última hora talvez não sejam por ele muito bem assimiladas. Você já ouviu um ditado popular que bem descreve essa situação: marmelada na hora da morte mata.

Ora, pressupondo que o candidato saiba escrever razoavelmente e conheça bem o tema, conclui-se que só pode fazer uma redação pelo menos razoável, não é verdade? Então, neste caso, a justificativa não tenho ideia não pode ser considerada válida. Ou o candidato não conhece tão bem o tema como imagina.

O que é conhecer bem um tema, afinal? Eis a questão. Muitos consideram que conhecer bem um tema é ter feito leituras a respeito. Esta é uma meia verdade. Onde estaria a outra metade?  Em algo em que muitos não prestam a adequada atenção: o vocabulário! Sim, é isso mesmo, todo tema tem seu vocabulário próprio, que transporta as noções e os conceitos com ele relacionados. Por exemplo, o tema da escravidão e do preconceito racial, que volta e meia retorna nas propostas de redação deste ou daquele vestibular. Parece à primeira vista que é muito fácil escrever uma redação sobre o preconceito racial em nosso país, oriundo do período da escravatura. Não é tanto assim. É preciso levar em conta que o Brasil já teve um sistema escravagista, em que índios e negros eram submetidos ao cativeiro e a duros trabalhos, e que muitos efeitos desse sistema, apesar da abolição, persistem até hoje, particularmente o preconceito. Além disso, há um vocabulário próprio e alguns conceitos básicos que o redator não pode deixar de dominar: preconceito racial, discriminação racial, segregação racial, preconceituoso, segregacionista, escravagista, escravismo, escravização, escravidão, cativeiro, servidão, tráfico negreiro, navio negreiro, senzala, escravizar, acorrentar, agrilhoar, mergulhar no cativeiro, escravo, cativo, nascido de ventre livre, libertação, livramento, alforria, abolição, abolicionismo, 13 de maio, lei áurea, abolicionista, antiescravista, Isabel, a Redentora, libertar, dar liberdade, restituir à liberdade, grilhões, quebrar os grilhões, redimir, remir, alforriar, sacudir o jugo, carta de alforria, forro, liberto, direitos humanos, direitos do homem, igualdade, fraternidade, solidariedade, etc., etc. Além disso, é preciso conhecer também o fato de não existirem raças humanas, mas a raça humana, que é uma só: diferenças físicas como cor da pele, formato de partes do corpo não são suficientes para caracterizar diferentes raças. Quantos conceitos! Quantas noções! Quantos fatos! E veja que foi apresentado um vocabulário apenas resumido, que poderia ser muito aumentado.

Você percebeu a importância do vocabulário para o domínio de um tema. Sem esse vocabulário, pode-se escrever até uma redação razoável, mas que tangenciará alguns aspectos que são fundamentais ao tema. Pense agora em outros temas, como a poluição ambiental, a corrupção na política e nos negócios, o futuro do planeta, as guerras no mundo moderno, as relações entre os povos, etc., etc. Preparar-se para uma redação, deste modo, não é apenas ler algo sobre ele, mas atentar para os conceitos que o envolvem, para os vocábulos que transportam as suas ideias e para as relações que esse tema apresenta com outro ou outros, todas elas, evidentemente, mediadas pelo vocabulário.

Quer um conselho a esse respeito? Nunca deixe de consultar o dicionário ao ler um texto e encontrar palavras cujo sentido não conheça. É claro que o contexto pode permitir que compreendamos superficialmente o sentido dessas palavras, mas na hora de empregá-las num texto, como diz o povo: o bicho pega! A melhor maneira de dominar o vocabulário de um tema é esta: para cada palavra cujo significado dê trabalho à leitura, um passeio por um ou mais dicionários é o melhor remédio. Você sairá desse passeio dominando a palavra e o conceito que ela transporta. O dicionário, além disso, fornece frequentemente sinônimos que se tornam úteis, numa espécie de jogo do tipo palavra puxa palavra. Na hora de escrever, não terá dificuldade nem de usar a palavra, nem de usar os seus sinônimos. Em revistas e na mídia em geral você pode encontrar seções do tipo enriqueça seu vocabulário, com relações de palavras e seus possíveis sentidos. Você não gosta disso, nem tampouco o blogueiro, porque, se for para ficar lendo relações de palavras e seus sentidos é melhor apanhar o dicionário e ler uma página por dia. Nada disso funciona. O melhor, mesmo, é procurar o sentido da palavra no momento em que ela surge num texto que estamos lendo; fixamos, assim, muito mais eficientemente esse conhecimento. Cansativo? Nada disso! Cansativo era no passado, antes da internet e dos dicionários online. Hoje, com um ou dois cliques você chega até a palavra e suas acepções.

Valeu o conselho? Então não esqueça: um bom escritor tem de ter necessariamente um bom vocabulário para expressar suas ideias. Com um vocabulário pobre, o que expressaria? Procure ser um bom escritor e todas as provas e portas se abrirão para você!

 

Cachorros, porcos e vacas – quanta deselegância!?

February 2nd, 2015

A leitura dos artigos postados neste blogue é prova suficiente de que se procura ter uma postura bem educada, elegante, ética. Nada mais recomendável a um blogue que busca representar o pensamento da própria universidade ao abordar um tema específico: os vestibulares.

Evidentemente, como os artigos são, de modo geral, dirigidos aos jovens candidatos, o blogueiro trata de atribuir, em meio aos conselhos e lições, um tom alegre e bem-humorado aos textos, para que possam ser lidos com satisfação e prazer. O próprio discurso do blogueiro, neste sentido, tenta ser um bom exemplo de como escrever bem, seguindo com fidelidade a norma-padrão. É obrigação nossa.

O blogueiro, é claro, poderia escrever de um modo ainda mais descontraído, utilizando muitas gírias e expressões do discurso coloquial. Embora tal atitude parecesse até mais simpática, não serviria, porém, para os objetivos do blogue de sempre encerrar alguma dose de ensinamento e demonstrar, na prática, que falar e escrever bem não são tarefas impossíveis, mas, ao contrário, altamente recomendáveis a um candidato e a um estudante universitário. Justamente por isso a fala e a escrita, sob o ponto de vista culto, devem estar sempre associadas à boa-educação, à elegância e à ética. Não se compreende universidade sem boa-educação; não se compreende indivíduo culto sem elegância; não se compreende atuação profissional sem ética. São conceitos estreitamente entrelaçados. E o discurso oral e escrito devem ser o espelho desses conceitos.

A atitude do blogue, portanto, de procurar sempre seguir tais princípios revela grande utilidade quando contrastatada com o que presenciamos na atualidade, em que parece estar crescendo uma tendência contrária a esses valores. Muitas pessoas que ocupam altos cargos executivos em diferentes tipos de atividade estão deixando muitas vezes seus discursos degringolarem para a vulgaridade, com usos do discurso coloquial invadindo  o discurso formal que deveriam trilhar. Exemplos? Não faltam. Uma personalidade ilustre e conhecida, em meio a um discurso em que teria a obrigação de ser bem-educada e elegante, de repente deixa escapar que não pôde ir à passeata de protesto, porque chovia pra cachorro; outra afirmou que o governo está matando cachorro a grito. Certo executivo declarou pomposamente que, ao mudar de empresa, errou de porca e caiu no leitão. Tudo isso sem falar que já está virando moda entre pessoas importantes dizerem que não tomarão certa decisão nem que a vaca tussa! Nessa mesma linha pecuária, certo analista econômico, ao focalizar a situação do país, adora dizer que a vaca está indo para o brejo!

Pobres desses animais, cujo nome serve a expressões como essas, justificáveis, saborosas e engraçadinhas no discurso corriqueiro, coloquial, mas incompatíveis com a elegância que deve reger o discurso formal.

Isso quer dizer que expressões como essas não devem ser nunca mencionadas no discurso formal? Mencionadas até podem, desde que o orador faça ressalvas para demonstrar que sabe o que está fazendo: como diz o povo, como se diz vulgarmente, como se costuma dizer coloquialmente. Ressalvas como estas demonstram que o orador ou escritor mobilizou tais expressões com plena consciência, para “colorir” seu discurso. Todavia, sem essas ressalvas, usadas espontaneamente, as referidas frases feitas atribuem ao discurso e ao orador um tom indesejável de deselegância. Vale ressaltar, também, que, mesmo com ressalvas, o escritor ou orador não deve abusar do recurso.

Por isso, nunca imite tais usos em suas redações, imaginando que muitas gracinhas coloquiais enriquecem sua comunicação formal. Ao contrário, há gracinhas que não têm graça alguma.

E você, que acaba de ser aprovado e estudará na universidade, não se esqueça de que tanto o discurso acadêmico oral e escrito, como o seu próprio discurso profissional futuro devem mostrar, entre outros aspectos, que é um profissional de qualidade formado por universidade de qualidade. Deixe os cachorros, as porcas e as vacas em seu sossego e, quando quiser deixar claro que tomará certa atitude, afirme, com convicção e elegância: Chovia intensamente – O governo está tomando drásticas decisões – Não imaginei que a outra empresa tivesse pior desempenho  – Não tomarei essa decisão sob nenhuma hipótese – O governo está fracassando na solução dos problemas do país, etc., etc., etc.

Como se observa por estes últimos exemplos, nosso idioma fornece muito mais soluções de elegância do que de deselegância. Pense nisso.

A Universidade feliz

January 22nd, 2015

Normalmente a alegria de receber aprovação e conquistar uma vaga parece privilégio apenas dos candidatos e de suas famílias. Nada mais legítimo. Os dois meses iniciais do ano são, deste modo, repletos de felicidade e de comemorações.

Nem todos percebem, porém, que essa alegria toda está presente, nesses momentos, também em outras entidades: as universidades. De fato, a divulgação das listas com os resultados finais e o início do período de matrículas constituem o momento mais importante, mais significativo, de máxima euforia das universidades. Receber aprovação é motivo de grande júbilo para os candidatos; comunicar aprovação é motivo de grande júbilo para as universidades.

Se para os candidatos a conquista das vagas é um ponto de chegada, algo como uma corrida que chega ao fim no exato instante em que a fita da vitória roça o peito do atleta, para as universidades, usando a mesma imagem da corrida, a atribuição de cada vaga é uma renovada vitória de toda uma organização, e uma dificílima e trabalhosa organização, diga-se de passagem. Cada candidato comemora intensamente os louros da vitória individual; a universidade comemora entusiasticamente os louros da vitória coletiva.

Durante os cursos, é claro que tanto os candidatos, já agora estudantes universitários, como a universidade, já agora ministradora de cursos, terão muitos outros momentos de pico, de altíssima euforia, mas o dos vestibulares é, seguramente, o mais significativo, por constituir o abraço forte e carinhoso entre a instituição e os seus novos estudantes.

São estes os pensamentos, bons pensamentos, que agitam o espírito do blogueiro neste momento, a pouco mais de uma semana da divulgação dos resultados. Sente ele, por si mesmo e por toda a universidade de que faz parte, a repetição, em 2015, de um episódio a que não ficaria mal atribuir a qualidade de sagrado. A entrada dos novos estudantes é, sim, o momento mais sagrado da universidade,    o encontro entre as conquistas da Ciência e os sonhos da Juventude, o congraçamento entre a Universidade e a Comunidade, o símbolo do perpétuo processo de renovação que o Universo semeou por todos os seus planos.

Vivamos todos, unidos, felizes, este rito de passagem.

Os planos e os sonhos de nossas vidas

January 15th, 2015

Nos primeiros artigos postados todos os anos no mês de janeiro, o Blogueiro costuma focalizar os caminhos que os candidatos verão surgir, quer tenham sido aprovados, quer não tenham conseguido atingir essa meta. Para os que forem aprovados em algum vestibular, abrem-se os novos horizontes, tão buscados. Para os que apenas treinaram, a experiência trará a certeza de que, no próximo concurso vestibular, as possibilidades serão muito altas. Já aqueles que, infelizmente, quer seja pela primeira vez, quer seja pela segunda ou terceira, não atingirem a classificação, sentirão frustração e desânimo, talvez porque, equivocadamente, imaginarão os horizontes se fechando. Nada disso. Para quem deseja e luta pelo que deseja, os horizontes  sempre estão abertos.

Ora, o que se diz no parágrafo anterior é apenas o óbvio, e por isso requer uma leitura em mais de uma linha de significação. Em primeiro lugar, é preciso dizer que a aprovação num exame vestibular não deve ser considerada, apesar de toda a alegria, mais que uma aprovação em exame vestibular. É uma abertura de caminho, um ponto de chegada, não é ainda a chegada. Esta só virá após muitos anos de esforço nos bancos acadêmicos, nos estágios e empregos, nas tentativas de trabalho autônomo, até que, por fim, o indivíduo possa dizer, diante dos resultados alcançados: Consegui ser, de fato, um cidadão exemplar e um profissional muito bem realizado e sucedido, respeitado no meio em que trabalho. Considero-me aprovado, finalmente, no vestibular da vida.

E aqueles que não forem aprovados? Após o natural período de tristeza, manda a experiência levantarem a cabeça e partirem novamente para a luta, tendo em mente que as maiores vitórias costumam surgir após as maiores derrotas e nem sempre os que partiram primeiro serão os primeiros a chegar. Às vezes nem chegam, desistem e buscam outros caminhos. Em todos os países há numerosos profissionais que, diplomados em algum curso, acabaram trabalhando em profissões completamente distintas, para as quais nem teria sido necessário o curso que fizeram. E são felizes nesses trabalhos em que jamais haviam pensado.

O Blogueiro está colocando esta questão não apenas para animar os que não conseguirem a aprovação após a divulgação dos próximos resultados, mas também para demonstrar que a vida é riquíssima em oportunidades, Muitas pessoas acreditam que escalar uma montanha até o cume será a sua felicidade, mas acabam descobrindo a felicidade no meio da escalada, ou até mesmo após, em algum fator que não haviam previsto nem buscado anteriormente.

É preciso não confundir, porém, estas diferentes possibilidades como uma desculpa para desistir dos objetivos. A luta principal deve ser sempre para atingi-los, sem contudo considerar de modo radical que será essa conquista a realidade maior da vida. Muitíssimas vezes não o será.

Por tudo isso, tanto você, que tiver resultado positivo, quanto você, que tiver resultado negativo, não considerem estes fatos como definitivos. São apenas partes dos planos da vida. Se você passou, olhe para a frente e ande com cuidado, sabendo que terá muito caminho ainda a andar. Se você não passou, olhe para a frente, não desista, refaça seu sistema de estudo e comece a executá-lo desde agora, procurando sentir-se como um candidato que realizará seu primeiro vestibular. E nunca diga ou maldiga: Vou desitir! Acho que não nasci para isso! Nasceu, sim. Pelo simples fato de desejar, você comprova que nasceu para isso. Só precisa de um pouco mais de tempo, método e esforço para consegui-lo.

A vida é cheia de planos; os jovens são cheios de sonhos; lá bem à frente haverá um plano que fará par perfeito com o sonho de cada um.

Acredite na vida, no sonho e, sobretudo, em você mesmo.

2015: desafios para todos

January 6th, 2015

2015 está aí, estamos aqui e agora o negócio é olhar para frente e encarar tudo o que pode vir. Virão boas notícias, bons ventos, bons eventos? Talvez. Quem é otimista por natureza acredita que sim. Os pessimistas de plantão já começam a lamentar-se pelo ano que, para eles, será mesmo muito ruim. Será?

Na verdade, os prognósticos não são lá essas coisas. Mergulhado num período de crise na economia, na política, nas instituições, o planeta parece prestes a dar uma balançada daquelas. Muitos perigos rondam os países e as relações internacionais: corrupção, conflitos de interesses, competições econômicas desleais, invasões, revoluções, guerras, tudo diante do pano de fundo da destruição do meio ambiente. Os economistas repetem sua velha receita para acabar com a crise e ter dinheiro até para salvar o mundo: apertar o cinto. Alguns profetas afirmam que um novo dilúvio está chegando para acabar com tanta maldade; outros, que desta vez ocorrerá, em vez de dilúvio, uma nova era do gelo. Não faltam outros lunáticos para sugerir que virão alienígenas logo para nos salvar.

E o planeta Brasil acompanha a dança geral. Não cessa de poluir e destruir o meio ambiente, não consegue eliminar a corrupção, está mal na economia, mal na política, mal na indústria e comércio, mal por isso mesmo até no mau humor. A previsão oficial é de um ano de forte recessão, isto é, diminuição da atividade econômica, queda da produção, desemprego (este tema foi focalizado há alguns meses neste Blogue). Nosso povo, todavia, muito religioso, não deixa de rezar por um grande milagre. Os pessimistas não gostam da ideia, retrucando: Santos não resolvem problemas políticos, econômicos e ambientais. Os otimistas, porém, dizem que uma ajudazinha lá de cima até que seria bem-vinda.

Ante esse horizonte, você está aguardando os resultados dos vestibulares que prestou, ou ainda estuda para a fase final de algum outro. Se passar, pelo menos a possibilidade de uma crise pessoal você evitou. Poderá olhar para seu futuro imediato com renovada confiança, dizendo de si para si: Bom, eu, pelo menos, estou cumprindo a minha parte. A geração que está no governo, na produção industrial e nas atividades em geral que cumpra a sua.

É isso mesmo. Esse é o modo de pensar. Você só terá moral para cobrar, mais para a frente, se continuar cumprindo sua parte. Muito do que vem ocorrendo no país nestes últimos tempos se deve ao fato de que os ocupantes dos postos de comando e de produção da sociedade não vêm cumprindo sua parte como deviam, ou por ambições pessoais, ou por interesses de grupos, ou por incompetência mesmo. Você tem todo o direito de sonhar que a sua geração não padecerá dos mesmos defeitos e conseguirá levar o Brasil ao futuro tão sonhado.

Enquanto estiver fazendo seu curso, pense nisso. Pense que você terá, entre outros, no futuro, o papel de colaborar com o país para que este se torne capaz de se desvencilhar de crises e minimizar os erros de seus líderes em todos os campos de atividade. Será possível? Será. Um país vale mais pelos recursos humanos e morais do que pelos recursos materiais ou naturais.

Imagine, afinal, que, ao dizermos “Deus é brasileiro!”, na verdade estamos querendo dizer que nós, filhos de Deus nascidos nesta terra, somos capazes de enfrentar e vencer todas as crises, externas ou internas, que nos assolarem. E que as gerações de estudantes que vierem a se formar pelas universidades a partir deste ano serão aquelas que levarão o Brasil aos patamares tão sonhados. Se isso acontecer de fato, não será milagre, mas realização, nem obra do acaso, mas da determinação de um povo que sabe o que quer e que descobriu como atingir os objetivos ótimos de progresso e bem-estar. Merecemos isso.

Que 2015 represente para você e para o nosso país o início de uma grande escalada do pico, mais alto que o do Everest, das realizações e da felicidade geral.

Agora, a virada!

December 18th, 2014

Agora que a segunda fase do Vestibular Unesp está encerrada e que tudo correu como você esperava, resta aguardar os resultados, após a virada do ano. A palavra virada, especialmente na expressão virada do ano, parece um tanto coloquial, mas é bastante expressiva para caracterizar a expectativa, de um ano para o outro, das mudanças de tempo, de rumo, de realizações. Foi bastante empregada, aliás, quatorze anos atrás, na expressão Virada do Milênio.

O ano novo encerra sempre uma esperança e uma promessa: a esperança de que os próximos doze meses tragam uma bela alteração em nossas vidas, que nos encaminhará para uma situação bem melhor; e a promessa, nossa, de não perdermos as novas oportunidades que surgirem. O sucesso de um indivíduo na sociedade está na razão direta das oportunidades que sabe aproveitar.

Você, evidentemente, foi muito bem na segunda fase e conta com a aprovação. Sobretudo, merece a aprovação. Talvez ainda não tenha encerrado seus vestibulares, tendo alguns outros para fazer, com a mesma esperança de sair-se bem e ser aprovado, para poder ter a satisfação de, ponderando as possibilidades, o futuro e sua situação atual, escolher a instituição adequada e o curso que melhor satisfaça seu desejo.

Essa será, portanto, a guinada de sua vida. Fazendo um trocadilho, você sairá de uma missão comprida para os resultados de uma missão cumprida. O curso universitário trará realmente mudanças radicais em seu modo de viver, que os intelectuais costumam chamar, alatinadamente, modus vivendi. Todas essas alterações, porém, serão positivas, não se tratará mais de lutar para passar, mas de lutar por adquirir condições de exercer sua carreira, sua independência, sua cidadania, seus ideais, toda a sua vida, enfim.

Relaxe um pouco. Aproveite as festas de Natal e Ano Novo, certo de que o futuro que se aproxima será bom e lhe oferecerá as oportunidades para cuja conquista você demonstrar vontade, competência e garra.

Lembrando de uma bela série de filmes, nada melhor, neste final de ano, que lhe dizer, de todo o coração: Que a Força esteja com você!

 

No momento da prova, empatia!

December 11th, 2014

Você por certo já ouviu ou leu a palavra empatia. Empregada originalmente pela Psicologia, tornou-se aos poucos popular, com o significado de identificação emocional que se sente por uma pessoa ou um objeto. Usa-se  este termo justamente para definir um forte e estranho sentimento por alguém que acabamos de conhecer, ou um objeto, uma paisagem, um lugar que estamos contemplando pela primeira vez. Talvez não seja bem este o sentido original empregado na Psicologia, mas, afinal, é o que costuma ser usado no dia a dia.

A palavra simpatia, bem mais utilizada, tem sentido bastante próximo ao de empatia, pois designa afinidade moral, afetiva, com outra pessoa, que por isso passa a ser considerada simpática. antipatia carrega acepção distinta, apontando para a aversão que se experimenta, muitas vezes de modo gratuito, injustificado, irracional, por alguém. Simpatia e antipatia são termos muitíssimo mais empregados que empatia.

Em dias que antecedem provas de vestibulares, parece bobagem ficar dissertando sobre tais palavras e conceitos. Não é bem assim. O Blogueiro está justamente encontrando uma ligação, uma relação entre tais termos e os exames. Qual? Algo que os próprios conselhos dados em livros e em sites da internet não focalizam. Fala-se em comer bem, dormir bem, chegar adiantado, cuidar da documentação, ler com atenção, etc., etc. Deixa-se de dar, porém, um conselho que pode ser vital para o bom desempenho de muitos candidatos: ter uma atitude receptiva, verdadeiramente empática para com as provas, vendo-as não como um obstáculo, mas como um degrau, não como algo estranho, mas algo da própria pessoa que busca resolver as questões. Vendo-as, enfim, como o caminho aberto para atingir seus objetivos, e um bom caminho.

Muitos candidatos a concursos e exames vestibulares se deixam levar por sentimento oposto, olhando para as provas como barreiras, como percursos montanhosos, plenos de perigos de queda. Não é uma boa atitude, pois acaba criando uma espécie de antipatia, de aversão, de repulsa, que só pode prejudicar o indivíduo. As provas, de fato, têm de ser consideradas como oportunidades, como instrumentos para o sucesso, para o êxito. Vale dizer: pontos de passagem de algo bom para algo muito melhor.

Faça isso. Pense sempre assim. Quando tiver a prova em mãos, procure sentir o que ela lhe traz de bom, identifique-se com ela, veja-a como um portal. Em assim fazendo, você não aprenderá milagrosamente mais do que já sabe, mas evitará um obstáculo que, gerado por você mesmo, poderia levá-lo a não conseguir mostrar tudo o que sabe.

Boas provas!

 

Redigir é também criar beleza

December 1st, 2014

Agora que se encerrou a primeira fase do Vestibular Unesp 2015 e se aproxima a segunda, de natureza discursiva, vale a pena abordar um aspecto que por vezes passa despercebido.

Muito se fala hoje em clareza, concisão, objetividade, especialmente no que se refere ao ensino de redação para vestibulares e concursos de acesso. Aqui mesmo, neste blogue, mais de uma vez esses atributos do discurso foram explicados, para que você tenha sempre em mente que, ao dissertar, não se pode dar ao luxo de perder o rumo da argumentação e enveredar pela obscuridade, pela prolixidade e pela subjetividade. Esses ensinamentos recebidos nas escolas, nos cursos preparatórios e nos sites especializados em vestibulares são corretos e, bem compreendidos, só podem auxiliá-lo a melhorar a capacidade de redigir.

Tudo isso, porém, não implica algo que os próprios livros e apostilas sempre apresentam nos textos de que lançam mão como exemplos, textos de grandes escritores, de grandes oradores, de grandes argumentadores. Há algo mais nesses textos que a mera obediência à clareza, à concisão, à objetividade. Observe, a título de exemplo, esta passagem de um discurso de Rui Barbosa:

 

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,  o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

Essa foi a obra da República nos últimos anos.

(Rui Barbosa. Obras completas. Vol. XLI, 1914, tomo III, Discursos parlamentares. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura / Fundação Casa de Rui Barbosa, [s.d.]. p. 86)

 

Uma beleza, não é? Ao mesmo tempo que argumenta com eficácia, o orador confere a seu texto máxima expressividade, servindo-se para isso de repetições que criam o paralelismo das orações e de uma disposição dos conceitos em crescendo, que conduz ao chamado clímax: De tanto ver triunfar as nulidades… a ter vergonha de ser honesto. A clareza, a concisão, a objetividade não são afetadas, muito pelo contrário, são reforçadas pelas escolhas operadas por Rui Barbosa em sua síntese do que acontecia na República naqueles também tumultuados anos da política brasileira.

Com que propósito o Blogue está focalizando este aspecto? Em primeiro lugar, para você perceber que há mais recursos que os usualmente usados para tornar um texto argumentativo mais eficiente, seja ele oral ou escrito. Em segundo lugar, para revelar uma constatação de quem vem acompanhando a evolução do ensino de redação desde há muito tempo. Não foram poucas as vezes em que o blogueiro presenciou opiniões de pessoas que condenavam os professores antigos e os gramáticos por defenderem a busca da beleza no discurso. Houve pessoas que passaram a ver a própria literatura como mau exemplo para o ensino da dissertação. É forçoso constatar hoje, no entanto, que a exigência da redação em vestibulares, desde fins da década de 1970, acabou produzindo, nestes últimos quarenta e poucos anos, gerações de estudantes cada vez mais hábeis no escrever. E é igualmente óbvio verificar que, como se observa todos os anos nos exemplos publicados de redações de vestibulares, vêm surgindo gerações de candidatos que escrevem cada vez melhor, que não se contentam mais com a mera obediência a preceitos de eficácia, mas buscam imprimir em seus textos a objetividade ao lado da beleza do fraseado, da boa escolha de palavras e expressões.

Você já pertence a essa geração, meu caro. Não tenha receio de exercitar-se em conferir a seus textos não apenas eficácia argumentativa, mas o dinamismo e a beleza que constituem o verdadeiro diferencial entre quem apenas escreve e quem escreve muito bem.