A Universidade feliz

January 22nd, 2015

Normalmente a alegria de receber aprovação e conquistar uma vaga parece privilégio apenas dos candidatos e de suas famílias. Nada mais legítimo. Os dois meses iniciais do ano são, deste modo, repletos de felicidade e de comemorações.

Nem todos percebem, porém, que essa alegria toda está presente, nesses momentos, também em outras entidades: as universidades. De fato, a divulgação das listas com os resultados finais e o início do período de matrículas constituem o momento mais importante, mais significativo, de máxima euforia das universidades. Receber aprovação é motivo de grande júbilo para os candidatos; comunicar aprovação é motivo de grande júbilo para as universidades.

Se para os candidatos a conquista das vagas é um ponto de chegada, algo como uma corrida que chega ao fim no exato instante em que a fita da vitória roça o peito do atleta, para as universidades, usando a mesma imagem da corrida, a atribuição de cada vaga é uma renovada vitória de toda uma organização, e uma dificílima e trabalhosa organização, diga-se de passagem. Cada candidato comemora intensamente os louros da vitória individual; a universidade comemora entusiasticamente os louros da vitória coletiva.

Durante os cursos, é claro que tanto os candidatos, já agora estudantes universitários, como a universidade, já agora ministradora de cursos, terão muitos outros momentos de pico, de altíssima euforia, mas o dos vestibulares é, seguramente, o mais significativo, por constituir o abraço forte e carinhoso entre a instituição e os seus novos estudantes.

São estes os pensamentos, bons pensamentos, que agitam o espírito do blogueiro neste momento, a pouco mais de uma semana da divulgação dos resultados. Sente ele, por si mesmo e por toda a universidade de que faz parte, a repetição, em 2015, de um episódio a que não ficaria mal atribuir a qualidade de sagrado. A entrada dos novos estudantes é, sim, o momento mais sagrado da universidade,    o encontro entre as conquistas da Ciência e os sonhos da Juventude, o congraçamento entre a Universidade e a Comunidade, o símbolo do perpétuo processo de renovação que o Universo semeou por todos os seus planos.

Vivamos todos, unidos, felizes, este rito de passagem.

Os planos e os sonhos de nossas vidas

January 15th, 2015

Nos primeiros artigos postados todos os anos no mês de janeiro, o Blogueiro costuma focalizar os caminhos que os candidatos verão surgir, quer tenham sido aprovados, quer não tenham conseguido atingir essa meta. Para os que forem aprovados em algum vestibular, abrem-se os novos horizontes, tão buscados. Para os que apenas treinaram, a experiência trará a certeza de que, no próximo concurso vestibular, as possibilidades serão muito altas. Já aqueles que, infelizmente, quer seja pela primeira vez, quer seja pela segunda ou terceira, não atingirem a classificação, sentirão frustração e desânimo, talvez porque, equivocadamente, imaginarão os horizontes se fechando. Nada disso. Para quem deseja e luta pelo que deseja, os horizontes  sempre estão abertos.

Ora, o que se diz no parágrafo anterior é apenas o óbvio, e por isso requer uma leitura em mais de uma linha de significação. Em primeiro lugar, é preciso dizer que a aprovação num exame vestibular não deve ser considerada, apesar de toda a alegria, mais que uma aprovação em exame vestibular. É uma abertura de caminho, um ponto de chegada, não é ainda a chegada. Esta só virá após muitos anos de esforço nos bancos acadêmicos, nos estágios e empregos, nas tentativas de trabalho autônomo, até que, por fim, o indivíduo possa dizer, diante dos resultados alcançados: Consegui ser, de fato, um cidadão exemplar e um profissional muito bem realizado e sucedido, respeitado no meio em que trabalho. Considero-me aprovado, finalmente, no vestibular da vida.

E aqueles que não forem aprovados? Após o natural período de tristeza, manda a experiência levantarem a cabeça e partirem novamente para a luta, tendo em mente que as maiores vitórias costumam surgir após as maiores derrotas e nem sempre os que partiram primeiro serão os primeiros a chegar. Às vezes nem chegam, desistem e buscam outros caminhos. Em todos os países há numerosos profissionais que, diplomados em algum curso, acabaram trabalhando em profissões completamente distintas, para as quais nem teria sido necessário o curso que fizeram. E são felizes nesses trabalhos em que jamais haviam pensado.

O Blogueiro está colocando esta questão não apenas para animar os que não conseguirem a aprovação após a divulgação dos próximos resultados, mas também para demonstrar que a vida é riquíssima em oportunidades, Muitas pessoas acreditam que escalar uma montanha até o cume será a sua felicidade, mas acabam descobrindo a felicidade no meio da escalada, ou até mesmo após, em algum fator que não haviam previsto nem buscado anteriormente.

É preciso não confundir, porém, estas diferentes possibilidades como uma desculpa para desistir dos objetivos. A luta principal deve ser sempre para atingi-los, sem contudo considerar de modo radical que será essa conquista a realidade maior da vida. Muitíssimas vezes não o será.

Por tudo isso, tanto você, que tiver resultado positivo, quanto você, que tiver resultado negativo, não considerem estes fatos como definitivos. São apenas partes dos planos da vida. Se você passou, olhe para a frente e ande com cuidado, sabendo que terá muito caminho ainda a andar. Se você não passou, olhe para a frente, não desista, refaça seu sistema de estudo e comece a executá-lo desde agora, procurando sentir-se como um candidato que realizará seu primeiro vestibular. E nunca diga ou maldiga: Vou desitir! Acho que não nasci para isso! Nasceu, sim. Pelo simples fato de desejar, você comprova que nasceu para isso. Só precisa de um pouco mais de tempo, método e esforço para consegui-lo.

A vida é cheia de planos; os jovens são cheios de sonhos; lá bem à frente haverá um plano que fará par perfeito com o sonho de cada um.

Acredite na vida, no sonho e, sobretudo, em você mesmo.

2015: desafios para todos

January 6th, 2015

2015 está aí, estamos aqui e agora o negócio é olhar para frente e encarar tudo o que pode vir. Virão boas notícias, bons ventos, bons eventos? Talvez. Quem é otimista por natureza acredita que sim. Os pessimistas de plantão já começam a lamentar-se pelo ano que, para eles, será mesmo muito ruim. Será?

Na verdade, os prognósticos não são lá essas coisas. Mergulhado num período de crise na economia, na política, nas instituições, o planeta parece prestes a dar uma balançada daquelas. Muitos perigos rondam os países e as relações internacionais: corrupção, conflitos de interesses, competições econômicas desleais, invasões, revoluções, guerras, tudo diante do pano de fundo da destruição do meio ambiente. Os economistas repetem sua velha receita para acabar com a crise e ter dinheiro até para salvar o mundo: apertar o cinto. Alguns profetas afirmam que um novo dilúvio está chegando para acabar com tanta maldade; outros, que desta vez ocorrerá, em vez de dilúvio, uma nova era do gelo. Não faltam outros lunáticos para sugerir que virão alienígenas logo para nos salvar.

E o planeta Brasil acompanha a dança geral. Não cessa de poluir e destruir o meio ambiente, não consegue eliminar a corrupção, está mal na economia, mal na política, mal na indústria e comércio, mal por isso mesmo até no mau humor. A previsão oficial é de um ano de forte recessão, isto é, diminuição da atividade econômica, queda da produção, desemprego (este tema foi focalizado há alguns meses neste Blogue). Nosso povo, todavia, muito religioso, não deixa de rezar por um grande milagre. Os pessimistas não gostam da ideia, retrucando: Santos não resolvem problemas políticos, econômicos e ambientais. Os otimistas, porém, dizem que uma ajudazinha lá de cima até que seria bem-vinda.

Ante esse horizonte, você está aguardando os resultados dos vestibulares que prestou, ou ainda estuda para a fase final de algum outro. Se passar, pelo menos a possibilidade de uma crise pessoal você evitou. Poderá olhar para seu futuro imediato com renovada confiança, dizendo de si para si: Bom, eu, pelo menos, estou cumprindo a minha parte. A geração que está no governo, na produção industrial e nas atividades em geral que cumpra a sua.

É isso mesmo. Esse é o modo de pensar. Você só terá moral para cobrar, mais para a frente, se continuar cumprindo sua parte. Muito do que vem ocorrendo no país nestes últimos tempos se deve ao fato de que os ocupantes dos postos de comando e de produção da sociedade não vêm cumprindo sua parte como deviam, ou por ambições pessoais, ou por interesses de grupos, ou por incompetência mesmo. Você tem todo o direito de sonhar que a sua geração não padecerá dos mesmos defeitos e conseguirá levar o Brasil ao futuro tão sonhado.

Enquanto estiver fazendo seu curso, pense nisso. Pense que você terá, entre outros, no futuro, o papel de colaborar com o país para que este se torne capaz de se desvencilhar de crises e minimizar os erros de seus líderes em todos os campos de atividade. Será possível? Será. Um país vale mais pelos recursos humanos e morais do que pelos recursos materiais ou naturais.

Imagine, afinal, que, ao dizermos “Deus é brasileiro!”, na verdade estamos querendo dizer que nós, filhos de Deus nascidos nesta terra, somos capazes de enfrentar e vencer todas as crises, externas ou internas, que nos assolarem. E que as gerações de estudantes que vierem a se formar pelas universidades a partir deste ano serão aquelas que levarão o Brasil aos patamares tão sonhados. Se isso acontecer de fato, não será milagre, mas realização, nem obra do acaso, mas da determinação de um povo que sabe o que quer e que descobriu como atingir os objetivos ótimos de progresso e bem-estar. Merecemos isso.

Que 2015 represente para você e para o nosso país o início de uma grande escalada do pico, mais alto que o do Everest, das realizações e da felicidade geral.

Agora, a virada!

December 18th, 2014

Agora que a segunda fase do Vestibular Unesp está encerrada e que tudo correu como você esperava, resta aguardar os resultados, após a virada do ano. A palavra virada, especialmente na expressão virada do ano, parece um tanto coloquial, mas é bastante expressiva para caracterizar a expectativa, de um ano para o outro, das mudanças de tempo, de rumo, de realizações. Foi bastante empregada, aliás, quatorze anos atrás, na expressão Virada do Milênio.

O ano novo encerra sempre uma esperança e uma promessa: a esperança de que os próximos doze meses tragam uma bela alteração em nossas vidas, que nos encaminhará para uma situação bem melhor; e a promessa, nossa, de não perdermos as novas oportunidades que surgirem. O sucesso de um indivíduo na sociedade está na razão direta das oportunidades que sabe aproveitar.

Você, evidentemente, foi muito bem na segunda fase e conta com a aprovação. Sobretudo, merece a aprovação. Talvez ainda não tenha encerrado seus vestibulares, tendo alguns outros para fazer, com a mesma esperança de sair-se bem e ser aprovado, para poder ter a satisfação de, ponderando as possibilidades, o futuro e sua situação atual, escolher a instituição adequada e o curso que melhor satisfaça seu desejo.

Essa será, portanto, a guinada de sua vida. Fazendo um trocadilho, você sairá de uma missão comprida para os resultados de uma missão cumprida. O curso universitário trará realmente mudanças radicais em seu modo de viver, que os intelectuais costumam chamar, alatinadamente, modus vivendi. Todas essas alterações, porém, serão positivas, não se tratará mais de lutar para passar, mas de lutar por adquirir condições de exercer sua carreira, sua independência, sua cidadania, seus ideais, toda a sua vida, enfim.

Relaxe um pouco. Aproveite as festas de Natal e Ano Novo, certo de que o futuro que se aproxima será bom e lhe oferecerá as oportunidades para cuja conquista você demonstrar vontade, competência e garra.

Lembrando de uma bela série de filmes, nada melhor, neste final de ano, que lhe dizer, de todo o coração: Que a Força esteja com você!

 

No momento da prova, empatia!

December 11th, 2014

Você por certo já ouviu ou leu a palavra empatia. Empregada originalmente pela Psicologia, tornou-se aos poucos popular, com o significado de identificação emocional que se sente por uma pessoa ou um objeto. Usa-se  este termo justamente para definir um forte e estranho sentimento por alguém que acabamos de conhecer, ou um objeto, uma paisagem, um lugar que estamos contemplando pela primeira vez. Talvez não seja bem este o sentido original empregado na Psicologia, mas, afinal, é o que costuma ser usado no dia a dia.

A palavra simpatia, bem mais utilizada, tem sentido bastante próximo ao de empatia, pois designa afinidade moral, afetiva, com outra pessoa, que por isso passa a ser considerada simpática. antipatia carrega acepção distinta, apontando para a aversão que se experimenta, muitas vezes de modo gratuito, injustificado, irracional, por alguém. Simpatia e antipatia são termos muitíssimo mais empregados que empatia.

Em dias que antecedem provas de vestibulares, parece bobagem ficar dissertando sobre tais palavras e conceitos. Não é bem assim. O Blogueiro está justamente encontrando uma ligação, uma relação entre tais termos e os exames. Qual? Algo que os próprios conselhos dados em livros e em sites da internet não focalizam. Fala-se em comer bem, dormir bem, chegar adiantado, cuidar da documentação, ler com atenção, etc., etc. Deixa-se de dar, porém, um conselho que pode ser vital para o bom desempenho de muitos candidatos: ter uma atitude receptiva, verdadeiramente empática para com as provas, vendo-as não como um obstáculo, mas como um degrau, não como algo estranho, mas algo da própria pessoa que busca resolver as questões. Vendo-as, enfim, como o caminho aberto para atingir seus objetivos, e um bom caminho.

Muitos candidatos a concursos e exames vestibulares se deixam levar por sentimento oposto, olhando para as provas como barreiras, como percursos montanhosos, plenos de perigos de queda. Não é uma boa atitude, pois acaba criando uma espécie de antipatia, de aversão, de repulsa, que só pode prejudicar o indivíduo. As provas, de fato, têm de ser consideradas como oportunidades, como instrumentos para o sucesso, para o êxito. Vale dizer: pontos de passagem de algo bom para algo muito melhor.

Faça isso. Pense sempre assim. Quando tiver a prova em mãos, procure sentir o que ela lhe traz de bom, identifique-se com ela, veja-a como um portal. Em assim fazendo, você não aprenderá milagrosamente mais do que já sabe, mas evitará um obstáculo que, gerado por você mesmo, poderia levá-lo a não conseguir mostrar tudo o que sabe.

Boas provas!

 

Redigir é também criar beleza

December 1st, 2014

Agora que se encerrou a primeira fase do Vestibular Unesp 2015 e se aproxima a segunda, de natureza discursiva, vale a pena abordar um aspecto que por vezes passa despercebido.

Muito se fala hoje em clareza, concisão, objetividade, especialmente no que se refere ao ensino de redação para vestibulares e concursos de acesso. Aqui mesmo, neste blogue, mais de uma vez esses atributos do discurso foram explicados, para que você tenha sempre em mente que, ao dissertar, não se pode dar ao luxo de perder o rumo da argumentação e enveredar pela obscuridade, pela prolixidade e pela subjetividade. Esses ensinamentos recebidos nas escolas, nos cursos preparatórios e nos sites especializados em vestibulares são corretos e, bem compreendidos, só podem auxiliá-lo a melhorar a capacidade de redigir.

Tudo isso, porém, não implica algo que os próprios livros e apostilas sempre apresentam nos textos de que lançam mão como exemplos, textos de grandes escritores, de grandes oradores, de grandes argumentadores. Há algo mais nesses textos que a mera obediência à clareza, à concisão, à objetividade. Observe, a título de exemplo, esta passagem de um discurso de Rui Barbosa:

 

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,  o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

Essa foi a obra da República nos últimos anos.

(Rui Barbosa. Obras completas. Vol. XLI, 1914, tomo III, Discursos parlamentares. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura / Fundação Casa de Rui Barbosa, [s.d.]. p. 86)

 

Uma beleza, não é? Ao mesmo tempo que argumenta com eficácia, o orador confere a seu texto máxima expressividade, servindo-se para isso de repetições que criam o paralelismo das orações e de uma disposição dos conceitos em crescendo, que conduz ao chamado clímax: De tanto ver triunfar as nulidades… a ter vergonha de ser honesto. A clareza, a concisão, a objetividade não são afetadas, muito pelo contrário, são reforçadas pelas escolhas operadas por Rui Barbosa em sua síntese do que acontecia na República naqueles também tumultuados anos da política brasileira.

Com que propósito o Blogue está focalizando este aspecto? Em primeiro lugar, para você perceber que há mais recursos que os usualmente usados para tornar um texto argumentativo mais eficiente, seja ele oral ou escrito. Em segundo lugar, para revelar uma constatação de quem vem acompanhando a evolução do ensino de redação desde há muito tempo. Não foram poucas as vezes em que o blogueiro presenciou opiniões de pessoas que condenavam os professores antigos e os gramáticos por defenderem a busca da beleza no discurso. Houve pessoas que passaram a ver a própria literatura como mau exemplo para o ensino da dissertação. É forçoso constatar hoje, no entanto, que a exigência da redação em vestibulares, desde fins da década de 1970, acabou produzindo, nestes últimos quarenta e poucos anos, gerações de estudantes cada vez mais hábeis no escrever. E é igualmente óbvio verificar que, como se observa todos os anos nos exemplos publicados de redações de vestibulares, vêm surgindo gerações de candidatos que escrevem cada vez melhor, que não se contentam mais com a mera obediência a preceitos de eficácia, mas buscam imprimir em seus textos a objetividade ao lado da beleza do fraseado, da boa escolha de palavras e expressões.

Você já pertence a essa geração, meu caro. Não tenha receio de exercitar-se em conferir a seus textos não apenas eficácia argumentativa, mas o dinamismo e a beleza que constituem o verdadeiro diferencial entre quem apenas escreve e quem escreve muito bem.

 

Primeira fase do Vestibular: objetividade e equilíbrio

November 26th, 2014

A primeira fase do Vestibular 2015 da Unesp caracterizou-se pela objetividade e pelo equilíbrio, cujos efeitos principais foram a realização de uma prova calma, sem problemas de tempo, e do entendimento pleno das questões. Esta é a opinião unânime de candidatos e professores, que aprovaram inteiramente a prova, asseverando que todas as noventa questões foram satisfatoriamente compreendidas e resolvidas, devido a formulações bastante claras e precisas dos enunciados. O bom balanceamento entre questões conceituais e questões formais foi igualmente elogiadíssimo.

Para nós, da Unesp, estes elogios representam, ao mesmo tempo, a certeza de haver atingido o ideal de tornar o vestibular um exame que conduza os candidatos a ver coroada a satisfação de todo o esforço e sacrifício em sua preparação, além de intensificada a esperança de uma boa classificação para a segunda fase.

Como este blogueiro já mencionou algumas vezes, observar friamente o caderno de questões não dá ideia do empenho envolvido na elaboração e do ideal dos elaboradores de propiciar uma avaliação ponderada e justa dos candidatos, “sem pegadinhas”, como afirmaram alguns candidatos, e sem questões que, por muito trabalhosas, “roubassem” tempo precioso da solução das demais. Estas características, aliás, não são acidentais, mas fazem parte da própria concepção do Vestibular da Unesp: um exame vestibular não deve ser uma pedra no meio do caminho, como diria o poeta Drummond, nem tampouco um ritual de medo e terror, mas um momento de consagração da dedicação e esforço que os jovens colocam em seu dia a dia, anos a fio, para ingressar no curso de seus sonhos e, posteriormente, operar na carreira que os tornará cidadãos úteis e realizados em toda a sua vida.

Os candidatos, em suas manifestações de satisfação, sintetizaram seu parecer sobre a prova com expressões como “tranquila” e “fácil de resolver”. Com estas, traduzem os conceitos que constituem a própria alma da prova: objetividade, equilíbrio, praticidade.

Felicidades a todos.

 

14 lembretes para as provas

November 14th, 2014

Desde os tempos mais antigos, certos números são considerados mágicos ou até mesmo sagrados: o número 1, o 2, o 3, o 5, o 7, o 10, o 12. Embora muitas pessoas não acreditem hoje mais nisso, o fato é que mesmo elas acabam, sem querer, empregando no dia a dia tais números como mágicos. Exemplos não faltam em frases trivialmente usadas por todos nós: Vou lhe dizer três coisas meu amigo! Há um só modo de fazer a coisa certa! Se não melhorar em cinco  anos, não melhorará nunca! Sete é conta de mentiroso! Tenho uma dúzia de razões para não viajar nesse avião! Jamais moraria no 13°.  andar, etc., etc.

Os sites e revistas dedicados a vestibulares e concursos frequentemente usam os números 5 e 10 para sintetizar os pontos principais de um assunto ou dividir uma matéria em partes ou capítulos. Aparentemente, é por razões objetivas; lá no fundo, porém, sempre existe um pouquinho de simbolismo envolvido.

Para não ser repetitivo e por não acreditar mesmo em números mágicos ou em magias dos números, mas no poder real da aplicação e da determinação do homem que busca atingir suas metas, o Blogueiro alinha hoje 14 conselhos para os candidatos que prestarão vestibulares. Evidentemente, se você consultar algum dicionário de símbolos ou tratados de simbologia, provavelmente encontrará algum significado mágico ou religioso até para o 14, mas, pelo menos, ao utilizá-lo, o Blogueiro acredita quebrar um pouco esses resíduos supersticiosos a respeito de números. Afinal, seu sucesso ou fracasso não está nos números que adota, mas nas atitudes que toma e no esforço que despende para realizar seus objetivos.  Eis, portanto, os lembretes:

 

1 – Evite o pessimismo. Ser pessimista é acrescentar mais um problema aos já existentes.

2 – Seja permanentemente otimista. O otimismo é uma atitude positiva e criadora.

3 – Não se exceda em estudos às vésperas da prova.

4 – Alimente-se bem nos últimos dias e no dia da prova.

5 – Cuidado com os documentos: guarde-os em bolsos de que não possam cair.

6 – É melhor chegar duas horas antes que um minuto depois.

7 – Verifique com a maior atenção o local em que fará a prova. Não vá parar no outro lado da cidade!

8 – Não acredite em questões fáceis. Menosprezar o fácil é torná-lo difícil. Leia e releia.

9 – Não tema questões difíceis. Sempre é possível descobrir um caminho para a solução.

10 – Planeje o tempo de desempenho. Nos dias precedentes, faça uma simulação com a prova do último vestibular, anotando tempos de resolução das questões.

11 – Não se assuste com aparências. Os outros são iguais a você.

12 – Tente descobrir a posição mais confortável para sentar-se e fazer a prova. Afinal, são 90 questões!

13 – Os enunciados são tão importantes quanto as alternativas: olho vivo neles!

14 – Se for mal numa prova, não se estresse. Poderá ir muito bem nas outras.

 

São esses nossos 14 conselhos, destituídos de magia e superstição, mas plenos de praticidade e bom senso. Além do mais, magia é coisa de livros de ficção, filmes e desenhos animados. Vestibular é algo muito objetivo, é História, é a “sua” História. Não é superstição, é ação!

Boas provas!

 

 

Enunciado x Alternativa

November 12th, 2014

É bem possível que você nunca tenha observado com a devida atenção a relação formal que há entre o enunciado de uma questão, também chamado raiz, e as alternativas apresentadas como possíveis respostas. Para entender melhor esse aspecto, que pode ser vital ao o aperfeiçoamento de seu desempenho em provas objetivas, é bom partir de exemplos bastante simples. Note bem:

 

— Você é estudioso?

— Sim.

 

O exemplo acima revela uma das formas mínimas de díálogo por meio de uma interrogação total (aquela que indaga pela totalidade de um fato) e de uma resposta assertiva ou declarativa. Note que o conjunto das respostas possíveis à frase interrogativa total se limita a dois elementos: sim ou não. Claro que em vez de sim ou não pode-se responder sou, não sou, perfeitamente, claro, claríssimo, de jeito nenhum, etc., etc., mas estas e outras variáveis se reduzem, na prática, aos significados de sim ou de não. O conjunto de respostas das frases interrogativas totais, portanto, é fechado, limitado a duas possibilidades.

Observe agora:

 

— Quem é o artista mais simpático?

— Joãozinho.

 

A primeira frase é uma interrogativa parcial, que tem a peculiaridade de indagar por um conjunto muito amplo, aberto, de respostas. Como são muitos os artistas, 50 interlocutores poderão dar 50 respostas diferentes, dependendo do gosto e das inclinações de cada um.

Ora, muitas questões objetivas de exames vestibulares correspondem a este segundo modelo: são perguntas cujas respostas se enquadram em conjuntos abertos, de inúmeras respostas possíveis, portanto. A banca elabora cinco para escolha do candidato. Como são questões fundadas em conhecimento e lógica, das cinco respostas apresentadas apenas uma corresponde estritamente à interrogação como resposta correta.

Retornando ao último exemplo dado, observe que uma resposta redundante pode ilustrar muito bem o que estamos afirmando:

 

— Qual é o artista mais simpático?

— Joãozinho é o artista mais simpático.

 

Note que, sob o ponto de vista da estrutra sintática, as duas frases se correspondem perfeitamente.

Muitas questões objetivas de concursos  e exames vestibulares se apresentam sob essa forma de interrogação. Neste caso, as bancas elaboram cada alternativa para apresentar essa correspondência estrutural, embora pelo significado apenas uma deva ser a resposta correta. Se as alternativas fossem em número de dez, as bancas elaborariam dez alternativas correspondentes, sendo apenas uma correta. Por isso, é muito importante, durante as primeiras leituras, verificar esse fato, como forma até de ir eliminando as alternativas improváveis. Essa verificação, aliás, pode trazer alguma pista sobre a alternativa correta. Em concursos, por vezes, as bancas cochilam e deixam uma ou outra alternativa sem essa correspondência, o que não quer dizer que seja a correta; pode ser exatamente o oposto.

Obviamente, muitas questões objetivas apresentam enunciados em que a interrogação aparece apenas indiretamente, por meio, por exemplo, de frases imperativas do tipo: indique, aponte, determine,  explique, etc., etc. Mesmo nestes casos, vale a pena verificar a correspondência entre as alternativas e o enunciado, como forma de obter pistas para chegar à resposta correta.

Conclusão: a leitura atenta, com a análise da relação entre o enunciado e as alternativas, nas questões objetivas, é meio caminho andado para chegar à resposta correta.

 

Vestibular Unesp 2015: 101.014 candidatos

October 31st, 2014

Se você quer um bom exemplo que lhe sirva de símbolo na luta que trava para ingressar no curso superior com que sonha, bem como para o sucesso que pretende alcançar em sua futura profissão, pense na Unesp. Criada em 1976 pela união de faculdades e institutos isolados de diversas cidades do estado de São Paulo, a Unesp tinha um grande desafio pela frente: harmonizar como um todo as unidades que a constituíam e progressivamente desenvolver-se como uma universidade à altura de suas coirmãs mais velhas, a Usp e a Unicamp.

Era realmente um grande desafio, numa época também desafiadora, em que no nível mundial os países enfrentavam crises econômicas sucessivas e predominava a chamada Guerra Fria; no nível nacional, se vivia a ditadura militar desde 1964 e o aumento progressivo de movimentos sociais e políticos que defendiam o retorno da democracia plena. No plano econômico, o país passava por sérias dificuldades como muitos outros da América Latina, com a inflação alta, o desemprego e a grande dificuldade dos governantes em criar uma infraestrutura industrial adequada para embasar todas as demais atividades econômicas e gerar empregos. Toda a década de 80, neste sentido, foi caracterizada pela hiperinflação, que debilitava ainda mais a economia do país e corroía o salário dos assalariados. Nesse panorama, que na época parecia muitas vezes assustador, o país tinha consciência cada vez mais clara de que era necessário investir na educação básica e no ensino superior.

Enfrentando inúmeras dificuldades dentro desse quadro mundial e nacional, a Unesp foi, aos poucos e não poucas vezes com grandes dificuldades de ordem financeira, se consolidando, ampliando o número de seus cursos, encampando unidades em diferentes municípios e criando uma política de expansão para atingir a maior parte das regiões do Estado. Um dos cuidados maiores, concomitantes, era fazer com que seus cursos tivessem  cada vez maior qualidade.

A partir da década de 90, o país foi conseguindo livrar-se da hiperinflação e conseguiu estabilizar a economia. A Unesp continuou seu processo de crescimento, criando unidades em municípios do Estado que ainda não possuíam ensino superior público, ampliando o número de cursos e a oferta de vagas em todas as unidades e desenvolvendo-se cada vez mais na pesquisa, no ensino e na extensão de serviços à comunidade.

O resultado de todo esse crescimento é, hoje, uma universidade forte, presente em todas as regiões do Estado, com cursos de qualidade, intercâmbios com universidades de outros países e uma produção científica considerável, que a coloca sempre entre as primeiras do país e a faz subir cada vez mais no ranking internacional das universidades.

Deste modo, o fato de, para o vestibular de 2015, estarem inscritos 101.014 candidatos ilustra muito bem essa escalada vitoriosa de nossa universidade. São oferecidas 7.260 vagas em 174 cursos em unidades localizadas em 23 cidades do estado de São Paulo.

A Unesp, cujo vestibular você prestará proximamente, é, assim, um verdadeiro símbolo de luta, de valor, de otimismo, de crença no presente e certeza de um futuro cada vez mais brilhante.

Você é assim também. Sabe aonde quer chegar e sabe que chegará, porque tem talento e garra para consegui-lo. Como a Unesp, que é nosso símbolo e em breve será também o seu.