Estudo e tecnologia: computadores, tablets, celulares

August 11th, 2017

Evidentemente, você tem hoje ferramentas eletrônicas que os vestibulandos do passado não possuíam: seja com um computador, um laptop, um tablet ou um celular, você pode ter acesso a sites e mais sites sobre disciplinas, conteúdos, simulados, etc., etc. Os estudantes antigos só contavam com apostilas, livros e aulas. Embora isso pareça uma desvantagem dos antigos, na realidade, dependendo dos métodos de estudo por eles utilizados, poderia ser vantagem. A questão se resumia, deste modo, a utilizarem da melhor forma possível os instrumentos que possuíam. O povo tem um provérbio para isso: Quem não tem cão, caça com gato.

Esse provérbio serve também para extrair uma boa lição no presente: mesmo com todos os recursos modernos, muitos estudantes não conseguem atingir o índice necessário de conhecimentos para passar no vestibular. Conclusão lógica: não adianta ter melhores ferramentas, se não souber utilizá-las, ou se não quiser utilizá-las em toda a sua potencialidade, ou, ainda, se os concorrentes as utilizarem com mais eficácia do que você. O aparato eletrônico, portanto, não funciona por si mesmo como um salvador da pátria. É preciso elaborar um método de estudo que o torne utilizável para o aumento e domínio dos conhecimentos. E esse método pode ser diferente para cada estudante, conforme suas características pessoais e, por assim dizer, sua personalidade.

O que é preciso ter em mente, logo de início, é que tudo o que se pretende saber de qualquer área de conhecimento pode ser encontrado hoje na internet e acessado até pelo seu celular. O conhecimento está lá, portanto, como o ouro em uma jazida. A questão é saber como extrair o metal precioso. Se você verificar os sistemas de extração de minérios preciosos, constatará que são variáveis, de acordo com a natureza da jazida e também da tecnologia utilizada para explorá-la. O conhecimento, na rede, é bastante semelhante: você precisa descobrir o melhor sistema para explorá-lo com rapidez e produtividade. Como fazer isso?

A resposta é inteiramente sua. Você completou o ensino médio, em que adquiriu e consolidou conhecimentos. Mas sabe que só isso não será suficiente. Mesmo que frequente curso pré-vestibular, nem todo o conhecimento faltante lhe será propiciado. Aí é que entram os recursos da internet.  Que fazer para melhor utilizá-los? Reflita sobre seu modo de ser, sua maneira de estudar e sobre suas principais dificuldades antes de procurar tais recursos. Se está na terceira série do ensino médio ou já formado frequentando um cursinho, estabeleça a melhor maneira de entrosar os conhecimentos via rede com os que você recebe em aula. É o que se denomina racionalização do trabalho, ou seja, o estabelecimento de um plano de uso das informações que recebe em aulas, lê em apostilas e livros e encontra em sites de estudos e de vestibulares na rede.

Estas atitudes preliminares evitarão que seu estudo se torne um tanto caótico, apontarão o melhor caminho para fixar seu próprio método de abordagem  e farão com que se direcione de modo mais tranquilo e descontraído para os exames.

E nunca se esqueça de que o mais importante, quando se estuda, não é a quantidade, é a qualidade. Estudar com qualidade significa fixar os conhecimentos obtidos e dominá-los de tal modo, que possa resolver grande número de questões a respeito. Nesse rumo, você conseguirá fixar também seu próprio método de utilização das ferramentas eletrônicas.

É isso aí. A tecnologia não surgiu para para fazer milagres, nem tampouco para criar dificuldades, mas para facilitar as ações em nossa vida. Extraia dela, com jeitinho, tudo que lhe for necessário para atingir seus objetivos.

 

Seu fraco, seu forte

August 3rd, 2017

O homem é marcado por suas preferências. Uns gostam mais de doces, outros mais de salgados; uns adoram esportes, outros odeiam; uns são “vidrados” em viajar, outros preferem o sossego de seus lares. Diz-se comumente que as preferências de uma pessoa revelam a sua personalidade, o seu temperamento. Seria verdadeiro?

Talvez até seja. As preferências marcam até mesmo os nossos estudos. Dificilmente gostamos do mesmo modo e com a mesma intensidade de todas as disciplinas ou, mesmo, de todos os conteúdos de uma disciplina. Há quem prefira a Matemática ao Português, a Geografia à História, a Álgebra à Geometria, ou vice-versa. Tais preferências podem resultar de nossos talentos naturais, ou até mesmo da influência de professores ao longo dos ensinos fundamental e médio. O Blogueiro costumava ter dificuldades com a Álgebra, mas ia muito bem na Geometria. A explicação que sempre dava era de que a Geometria lhe parecia fácil e atraente porque lhe permitia “ver” o que estudava, ao passo que a Álgebra, com todas aquelas letras, parênteses, chaves e trocas de sinais lhe causava confusão permanente, era uma persistente pedra em seu sapato. Só aprendeu a gostar de Álgebra em anos mais avançados, na universidade, quando teve de lidar com problemas que a exigiam. Aí, passou a entender melhor e até a gostar.

E você? Se gosta de todas as disciplinas sem restrições, está de parabéns. Foi aquinhoado com um belo dom da natureza. Mas se tem alguma ojeriza por esta ou aquela disciplina por não conseguir nelas maior rendimento, não se preocupe, não é lá tão grave problema, desde que você saiba equacioná-lo. O primeiro aspecto que deve observar é como encaixar a disciplina em seu plano de estudos. Alguns acreditam que se deve estudar mais as disciplinas de que gostamos, porque assim, obtendo notas muito boas, compensamos as baixas notas das disciplinas que não apreciamos. Certo? Errado. Nada indica que as disciplinas de que não gostamos sejam as mais difíceis de estudar. Você sabe perfeitamente por que não obtém nelas notas equivalentes às demais. Então, é melhor estudar primeiro essas disciplinas que lhe dão maior dificuldade. Com esforço, pedindo inclusive ajuda a professores e a colegas, perceberá que seu rendimento vai aumentar gradativamente. E até poderá mudar de opinião quando verificar, em simulados, que suas notas aumentaram.

Notou a malícia da estratégia? Se você usualmente atinge nota acima de sete em algumas disciplinas, conclui-se que pode atingir também em outras, desde que lhes dedique o tempo necessario de estudo, que será maior que o das demais. Este conselho é válido sobretudo nos tempos atuais, em que o mecanismo da internet coloca em suas mãos centenas, talvez milhares de sites que ensinam a conhecer e dominar os fundamentos de todas as disciplinas focalizadas nos vestibulares e em concursos públicos.

O povo tem um provérbio interessante para entender muitas situações: Quem ama o feio bonito lhe parece. Compreendeu? A partir do momento em que começar a dedicar mais tempo e atenção ao estudo das disciplinas que o incomodam, aprenderá até a gostar delas e, nesse caso, passando a amar o feio, este começa a lhe parecer bonito.

Em outras palavras, é possível transformar seu fraco em seu forte. Basta começar.

Dicionário: um instrumento de trabalho.

July 27th, 2017

Se você é daqueles que consulta o dicionário só de vez em vez, para conhecer o significado de um vocábulo “difícil”, mude seu modo de ver. O dicionário é uma fonte inestimável de conhecimentos que podem fazê-lo evoluir muito mais em seus estudos e em suas próprias concepções. É um exclente instrumento de trabalho. Essa estória de chamá-lo de “pai dos burros” é uma piadinha de mau gosto, empregada por preguiçosos que não querem perder tempo para outros aspectos de seus estudos e julgam desnecessário, no caso de encontrarem palavras desconhecidas, ir além do que o próprio contexto sinaliza.

Isso está muito errado, pois resulta de um desconhecimento das reais utilidades dos dicionários, que são muitas. Quer ver um exemplo? Procure no Aurélio Eletrônico o verbete “democracia”:

[Do gr. demokratía.]

S. f.

1. Governo do povo; soberania popular; democratismo. [Cf. vulgocracia. ]

2. Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição eqüitativa do poder, ou seja, regime de governo que se caracteriza, em essência, pela liberdade do ato eleitoral, pela divisão dos poderes e pelo controle da autoridade, i. e., dos poderes de decisão e de execução; democratismo. [Cf. (nesta acepç.) ditadura (1).]

3. País cujo regime é democrático.

4. As classes populares; povo, proletariado.

  • Democracia autoritária.  Ciênc. Pol.

1. Sistema de governo surgido após a 1ª Guerra Mundial, em geral anticomunista, firmado na supremacia do poder executivo em relação aos demais poderes.

  • Democracia popular.  Ciênc. Pol.

1. Designação comum aos regimes políticos monopartidários dominantes nos países da área socialista. [Cf., nesta acepç., república popular. ]

Notou bem o que o Aurélio diz no verbete? Se notou, percebeu que a palavra democracia não é tão simples como pode parecer à primeira vista. Não basta, portanto, entendê-la ou empregá-la com o sentido de “governo do povo”. É pobre demais tal acepção.

O verbete é, assim, uma verdadeira aula sobre a palavra, inclusive pelas necessárias referências históricas, já que “democracia” tem uma longa história, quer como conceito político, quer como palavra ou expressão empregada para representá-lo. Assim colocadas, essas informações vão auxiliá-lo também no entendimento de questões de história que focalizem as formas e os sistemas de governo ditos ou autodenominados democráticos. Como você por certo deve ter também notado, o verbete do Aurélio ainda manda comparar os sentidos de democracia com os de “vulgocracia” (preponderância das classes populares) e “ditadura” , como se pode verificar no próprio dicionário:

[Do lat. dictatura.]

S. f.

1. Forma de governo em que todos os poderes se enfeixam nas mãos dum indivíduo, dum grupo, duma assembléia, dum partido, ou duma classe.

[Cf. democracia (2).]

2. Qualquer regime de governo que cerceia ou suprime as liberdades individuais.

3. Fig. Excesso de autoridade; despotismo, tirania.

  • Ditadura do proletariado.

1. Regime político, social e econômico desenvolvido teórica e praticamente por Lenin (v. leninismo), e que se baseia no poder absoluto da classe operária, como primeira etapa na construção do comunismo.

Percebeu como são importantes os dicionários? Claro que percebeu! E quando ouvir de alguém que gosta de ler dicionários, não mais assuma um ar debochado, nem diga que essa pessoa é amiga do “pai dos burros”, já que, bem pensado, muito provavelmente o “burro” não é o que consulta dicionários, mas o que os ignora. Cobre consciência de que os dicionários são fontes de palavras, de conceitos, de cultura, porque apontam caminhos e fazem esclarecimentos por vezes mais eficientes do que os próprios livros que focalizam o tema.

Conclusão: valorize esse instrumento de estudo. Você só terá a ganhar. Já pensou se o tema da redação de algum vestibular que você prestará implicar o domínio do conceito de “democracia”?

 

Seja mais observador

July 24th, 2017

Você sabia que uma das maneiras de aprender é observar os erros dos outros? Pois é. Com relação ao escrever, isso é bastante verdadeiro. Você por certo já notou que o Blogueiro vive se aproveitando dos erros que encontra em jornais e revistas, quer em papel, quer na rede, para fundamentar os conselhos que lhe dá neste Blogue. Vamos então fazer uma experiência diferente hoje: o Blogueiro fornece os exemplos e você aponta os erros ou cochilos dos escritores. Para evitar problemas com os autores das frases, estas sofreram alterações que as tornaram “um pouco” diferentes, sem, no entanto, descaracterizar os erros verificados:

O empresário recorreu da sentença que condenou ele.

Se tem uma pessoa que merece ser ouvida, sou eu.

Isso com certeza não aconteceu no meu mandado de 4 anos.

O iceberg gigantesco que se desprendeu na Antártida.

Valores de temperatura mais baixos que os 9,5 desta tarde ocorreu há dez anos.


Agora é com você. Leia bem cada frase, verifique os enganos cometidos e reescreva empregando as formas corretas. E reflita bem sobre os motivos que levaram os escritores a tais escorregadelas. Esta reflexão o ensinará a desenvolver uma atenção maior quando escrever, para evitar que pequenas distrações possam causar equívocos semelhantes.

Na verdade, os lapsos apontados não indicam de nenhum modo que se trata de maus escritores ou jornalistas. Poderíamos até criar um provérbio a respeito: Quem muito escreve, por vezes erra. Escrever, como qualquer outro trabalho intelectual ou braçal, implica a possibilidade de se perder de vez em quando em pequenos enganos. Se você cometer um equívoco semelhante aos que descobriu nas frases acima, isto não significará que escreveu mal, mas tão somente que teve um momento de distração. O problema verdadeiro, no seu caso, é que ao fazer uma redação ou responder a uma questão discursiva, o julgamento pertencerá a uma banca corretora, que está ali exatamente para apontar e penalizar erros.

Esta é a razão para perceber que tem de criar um método pessoal para evitar que isso aconteça. Se um jornalista comete um errinho num texto, terá a desculpa de que na prática não tem oportunidade nem tempo de fazer repetidas revisões. Já o escritor de um texto literário, que também comete falhas na primeira redação, tem tempo de sobra para reler e corrigir. No seu caso, o método tem de ser antecipado, com uma prática constante de detectar cochilos em textos alheios e em seus próprios na prática de redação. Lá na prova, porém, você estará quase na mesma situação do jornalista, que tem de digitar rapidamente um texto e enviá-lo para edição.

Que fazer? Lamentar-se? Nada disso. Tudo tem remédio. Seja a partir de agora mais observador do que comumente, quer de textos alheios, quer dos seus próprios. Esta é também uma forma de estudar. E de aprender!

 

É melhor usar períodos curtos para errar menos?

July 13th, 2017

Um dos mitos que percorre os estudos dos vestibulandos é o de empregar períodos curtos “para errar menos”.  Há até quem defenda e ensine essa prática. Teria ela alguma base lógica?

O primeiro ponto fraco que você deve observar nesse mito é o de que, se alguém tem bom domínio de discurso e da norma-padrão, não fará diferença usar períodos curtos ou longos, pois o índice de erros de ordem gramatical e ortográfica será o mesmo. O conselho, porém, de usar períodos curtos diz respeito à elaboração da redação. Muitos acreditam que, com períodos curtos, poderão melhor concatenar suas ideias e argumentos, e além do mais errarão menos na coesão e nos aspectos gramaticais e ortográficos. Certo? Nada disso: errado. Mais uma vez errado.

Períodos curtos podem vir a calhar em poemas líricos, descrições e até mesmo alguns gêneros de narrativas. Os exames vestibulares, porém, costumam solicitar redações dissertativas. e aí a coisa muda de figura. A dissertação é por natureza argumentativa, expressa-se sob forma de raciocínios, demonstrações animadas por argumentos. Por essa virtude, precisa de períodos longos, compostos por subordinação e períodos mistos, para carregar em seu bojo o fio da argumentação. Evidentemente, numa dissertação podem aparecer alguns períodos curtos, mas estes serão períodos de ligação entre os longos, que a encorpam.

Você quer uma prova disso? Leia os artigos assinados de jornais, bem como os editoriais, todos de natureza dissertativa, e perceberá que os períodos mais longos predominam para expressar as opiniões dos jornalistas e das personalidades que assinam os textos.

Eis a questão: ninguém consegue expressar uma argumentação sem o emprego dos períodos longos e, em seu conjunto, do discurso indicado para fazê-lo. Por isso, se até agora vem trocando a dificuldade pela facilidade, mude imediatamente de escolha. Leia mais textos dissertativos e observe como os autores concatenam os períodos com o objetivo de demonstrar um argumento. Com isso, alcançará um domínio cada vez maior do discurso dissertativo.

E não se esqueça: mitos como o dos períodos curtos, podem ser muito atraentes, como costumam ser todos os mitos, mas também, como estes, são ficções que tentam parecer verdades absolutas, sem jamais o conseguirem.

E um conselho que o Blogueiro gosta de dar e repetir: não tema a dificuldade, acautele-se contra a facilidade. A Ciência nem sempre será um passeio agradável, mas será  usualmente uma jornada longa, trabalhosa, repleta de obstáculos que podemos e devemos superar.

 

Educar ou educar-se?

July 6th, 2017

O Blogueiro, viajando, como de costume, pelos dicionários, reencontrou no Aurélio Eletrônico estes conceitos sobre o termo “educação”:

 

[Do lat. educatione.]

S. f.

1.  Ato ou efeito de educar(-se).

2.  Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social: 2

3.  Os conhecimentos ou as aptidões resultantes de tal processo; preparo: 2

4. O cabedal científico e os métodos empregados na obtenção de tais resultados; instrução, ensino: 2

5.  Nível ou tipo de ensino: 2

6.  Aperfeiçoamento integral de todas as faculdades humanas.

7. Conhecimento e prática dos usos de sociedade; civilidade, delicadeza, polidez, cortesia: 2

8.  Arte de ensinar e adestrar animais; adestramento: 2

9. Arte de cultivar as plantas e de as fazer reproduzir nas melhores condições possíveis para se auferirem bons resultados.

 

É bem interessante, com base neste e noutros exemplos, verificar como os dicionários não são apenas fontes de definições sobre os significados das palavras, mas também verdadeiras lições sobre a própria realidade das coisas. Aprendemos muito, se somos frequentadores assíduos de suas páginas.

Você estará se perguntando por que razão o Blogueiro deu agora para falar sobre palavras e dicionários. Muito simples: ao aprendermos suas lições sobre a realidade das coisas, não podemos ignorar que somos parte dessa realidade e que muito do que os dicionários dizem nos alcança diretamente, podendo nos trazer ótimas reflexões. Aprendemos que educação é “ato ou efeito de educar ou educar-se” e isso nos leva a fazer ilações sobre nossa própria ânsia de conquistar uma vaga em curso universitário. Quando chegamos aos dezoito anos, imaginamos um futuro próximo iniciado pela alegria da aprovação e continuado nos bancos universitários pela formação em determinada carreira. Chegamos até a perder de vista que o trajeto iniciado no ensino fundamental e que nos leva à obtenção do diploma universitário representa a nossa própria educação.

Mas, afinal, o que é mesmo educação? Aqui entra a utilidade de um dicionário como o Aurélio: educação é desenvolvimento de capacidade física, intelectual  e moral do ser humano, visando à sua melhor integração individual e social; é o aperfeiçoamento integral de todas as faculdades humanas; é o conhecimento e prática dos usos de sociedade; é civilidade, delicadeza, polidez, cortesia; é o conjunto de conhecimentos ou as aptidões resultantes de tal processo; é preparo; é o cabedal científico e os métodos empregados na obtenção de tais resultados; instrução, ensino.

Obviamente, os ensinos fundamental, médio e universitário lhe fornecem uma parte de tudo isso, vale dizer, o educam. A outra parte, porém, tão importante quanto, é você mesmo que obtém por sua vontade e empenho, ou seja, você se educa ao longo de todo o processo de ensino.

Percebeu até onde o Blogueiro quer chegar? A educação é um veículo dirigido por dois motoristas: a escola e você mesmo. Você é educado ao mesmo tempo em que se educa, para tornar-se um verdadeiro cidadão. Um engenheiro não pode ser apenas um engenheiro, um médico não pode ser apenas um médico, um geógrafo não pode ser apenas um geógrafo, mas todos têm de ser cidadãos plenos habilitados para a engenharia, medicina e geografia, o que implica responsabilidades sociais e morais que vão muito além de uma habilitação em qualquer que seja o campo.

Em conclusão: ao ingressar num curso universitário, será preciso que você tenha esse fato sempre em mente, para atingir a plenitude de sua existência como cidadão complexo e completo.

 

Aprender ou “quebrar o galho”?

June 29th, 2017

Num artigo postado recentemente, denominado Os problemas da decoreba, você foi alertado para não confundir a memorização de dados com conhecimento. O Blogueiro, porém, sentiu que estava faltando alguma coisa, não havia dito tudo o que desejava a respeito. Passado algum tempo, como costuma ocorrer com os professores, sempre preocupados em explicar do melhor modo possível os conteúdos das disciplinas, as ideias chegaram para esclarecer o que faltava. Preste atenção.

Você com certeza já viu chover conselhos sobre a melhor maneira de estudar ou o mais aconselhável método de fixar conteúdos para otimização de seus desempenhos nas provas. O Blogueiro, que também teve seu tempo, passou por semelhante caminho, razão por que, neste artigo, não vai dar nenhuma aula de psicologia, mas, simplesmente, comunicar o resultado de suas próprias experiências como estudante, vestibulando, professor e escritor.

A questão se resume em decidir por um maior empenho de aprender ou, simplesmente, de memorizar. Afinal, você se pergunta, qual o melhor caminho para meu desempenho nas provas de qualquer disciplina?

De fato, há conteúdos que precisamos, ao longo de nosso aprendizado, fixar muito bem na memória. E outros, realmente, que precisamos estudar e aprender, para nos tornarmos capazes de responder a qualquer questão a respeito.

Que fazer? Memorizar mais? Aprender mais? Na verdade, não é bem esta a questão. Quem separa aprendizado de memória não está entendendo bem a coisa. Numa operação de multiplicação, por exemplo, não utilizamos apenas o conhecimento do modo de fazer a operação, mas, igualmente, jogamos com dados de memória, como a tabuada. Sem esta, que memorizamos desde os primeiros bancos escolares, levar a cabo a operação se tornaria bem mais complicado. O mesmo raciocínio vale para todas as áreas e conteúdos: em qualquer forma de conhecimento, os dados retidos na memória operam em nossos raciocínios quando resolvemos determinada questão.

O Blogueiro já comentou o suficiente para que você entenda que separar a memorização do processo de conhecimento é algo absurdo. De nada adianta saber de cor a tabela periódica, por exemplo, se você não é capaz de resolver questões que impliquem dados da tabela. Mas se você estudar muito e resolver numerosas questões a respeito, um dos resultados será a memorização dessa tabela. O mesmo ocorre no estudo de língua portuguesa: de nada adianta ter memorizados os conceitos de sujeito, predicado, complementos, coordenação, subordinação, se você não praticar, e muito, a análise sintática de períodos e períodos, até se tornar capaz de resolver, sem grandes dificuldades, a análise de qualquer período que seja apresentado em prova.

Outro exemplo pode ser dado no campo das artes, como no teatro e no cinema: você pode decorar um texto inteiro de uma peça de teatro ou de um roteiro de cinema e repetir facilmente o memorizado, mesmo não sendo ator. Para ser um ator, terá de arrancar tudo que de emocional, sentimental, humano, as falas da personagem no contexto representem, e criar um desempenho que convença a todos os espectadores e lhes provoque emoções e sentimentos, como se estivessem ante uma pessoa real, não apenas um repetidor de falas.

Conclusão: com tudo o que o Blogueiro disse, faça-se esta pergunta: Quero aprender ou apenas “quebrar o galho”? Preocupe-se em aprender. Você pode sofrer um branco, numa prova, dos dados que memorizou. Mas, se tiver conhecimento sólido do teor da pergunta, se aprendeu mesmo, com toda a certeza não terá qualquer problema em responder adequadamente.

E guarde sempre em mente, como ficou dito no outro artigo, que os exames vestibulares de hoje têm como um de seus objetivos evitar ao máximo possível questões que impliquem apenas dados memorizados, mas busquem conteúdos que permitam ao candidato mostrar seus conhecimentos reais a respeito.  Pense nisso!

 

 

Literatura é para ler!

June 22nd, 2017

O Blogueiro, quando ainda começava a carreira, ouvia um colega, da área de Exatas, dizer e repetir: Gente! Literatura não é para estudar. É para ler!

A frase vinha no meio de discussões sobre a importância dos estudos literários nos ensinos fundamental e médio, bem como universitário. E o colega, de fato, queria chamar a atenção para o erro de perspectiva que por vezes as escolas cometem, obrigando os estudantes a pesquisar em obras literárias temas como personagens, enredo, espaço, tempo, etc., etc. O colega, professor de matemática, era o maior crítico desse sistema de ensino, sempre afirmando que os textos literários, uma vez lidos, eram ensinamentos por si mesmos, sem necessidade de ficar, como ele dizia, escarafunchando a estrutura das obras, o que só fazia os estudantes desgotarem da leitura e do hábito de ler. A garotada precisa gostar de ler, e não de fazer a análise das obras! dizia ele.

Não se pode deixar de dar razão, ainda hoje, ao colega. Nos próprios vestibulares, nem sempre as obras são focalizadas como tais, nem é verificado o importante: se os candidatos realmente as leram. Algumas universidades colocam, para seus vestibulares, relações de obras literárias, e isso é quase sempre justificado como incentivo à prática da leitura. Seria, quase sempre, mas quase sempre não é. Basta sair uma nova relação de obras para o vestibular de uma universidade e logo toda uma série de livrinhos surge com interpretações de todas elas, de sorte que, frequentemente, os estudantes, em vez de lerem as obras, apenas lêm os livros que as analisam e interpretam para “facilitar” o trabalho dos estudantes. Na verdade, o resultado é afastar os estudantes do verdadeiro prazer da leitura.

Nada mais contraproducente. Se você se enquadra nesses leitores de livros sobre obras literárias, mude seu foco. Pode até ler. Mas, antes, leia integralmente as obras literárias focalizadas. É neste sentido que o colega do Blogueiro dizia que literatura é para ler, não para estudar. Nem mil livros de crítica e interpretação juntos conseguem nos revelar o que uma obra de Machado de Assis, de Saramago, de Gonçalves Dias, de Fernando Pessoa nos revela à simples leitura. Os livrinhos que circulam por aí apresentando análise e interpretação das obras não passam de meros simulacros, tentativas sempre frustradas de substituir o insubstituível. Como foi dito acima, você pode até se servir desses livrinhos, depois que fizer a leitura das obras, para auxiliá-lo a observar melhor este ou aquele detalhe que poderá ser focalizado numa prova. Apenas isso.

Diria hoje aquele colega, com muita razão, que uma canção é criada para ser ouvida, uma pintura é criada para ser vista, um romance é criado para ser lido. Nada pode substituir o que denominamos, singelamente, contemplação da obra de arte, já que ela é destinada exatamente a isso.

Você deve ter inferido, com os comentários do Blogueiro, que o hábito da leitura não é um fato para morrer após os vestibulares, mas, ao contrário, algo que levará para toda a sua vida, algo que o fará experimentar conhecimentos e emoções sobre a própria natureza do ser humano. A literatura revela, por meio do discurso, a humanidade verdadeira e autêntica. Perguntas em exames vestibulares e concursos são meros incidentes que não devem afastá-lo do hábito de fruição das próprias obras, ou seja, um hábito formador, um modo de refletir permanentemente sobre o mundo, a vida e a relação entre o homem e o universo.

É claro que você não quer ser para sempre um iletrado. Pense bastante nisso!

 

De que o quê

June 14th, 2017

Enquanto espera a classificação do Vestibular de Inverno da Unesp, você certamente não vai ficar parado. O vestibular de 2018 ocorrerá logo, assim como os de outras universidades, que sua situação de vestibulando obriga a também prestar. Como é óbvio, você quer ser aprovado e não medirá esforços e vestibulares para consegui-lo.  Se for aprovado agora, agarre sua vaga.

Num caso ou noutro, vale aqui um bom lembrete para auxiliá-lo com o aprimoramento da sua capacidade de responder com clareza e correção a respostas a questões discursivas e em redações, quer no curso universitário, quer em vestibulares: o emprego errado da preposição de antes da conjunção que. Trata-se de um equívoco que pode comprometer o charme de seu discurso, tanto oral como escrito.

Já prestou bastante atenção às falas de personalidades em entrevistas a rádios e televisões? Se prestou, deve ter muitas vezes percebido que os entrevistados brasileiros, alguns muito conhecidos e ilustres, escorregam ao introduzir um de completamente desnecessário em muitas passagens de suas falas. Será que o fazem também ao escreverem? Muito provavelmente, a não ser que se sirvam de ghost-writers para traduzir suas opiniões em textos e documentos. Observe alguns exemplos do que o Blogueiro está apontando:

 

Meu grande amigo Jonas disse de que está preocupado com a situação nacional.

O acusado confirmou de que não pode mais suportar tantos processos.

Todos os representantes das classes profissionais consideram de que esse projeto de lei será prejudicial.

 

Notou? Em todos os três exemplos forjados pelo Blogueiro com base em textos reais publicados via internet ocorre a preposição de sem qualquer justificativa, o que é lamentável. Os verbos dizer, confirmar e considerar, quando têm seu objeto direto representado por uma oração substantiva precedida do conectivo que não precisam desse de. Observe o que aconteceria se os objetos diretos, em vez de orações, fossem sintagmas nominais:

 

Meu grande amigo Jonas disse a verdade.

O acusado confirmou sua decepção.

Todos os representantes consideram esse projeto de lei prejudicial.

 

Ficou claro? Os três verbos mencionados pedem como complemento um objeto direto (justamente chamado direto por não necessitar de preposição para relacioná-lo ao verbo). Assim, quando tal objeto direto é representado por uma oração substantiva, não existe a menor necessidade de inventar a preposição antes do que. Exatamente o contrário ocorre com as orações subordinadas substantivas objetivas indiretas, que são sempre precedidas de uma preposição solicitada pelo verbo. Tal preposição pode ser, inclusive, de, como nos exemplos: Desconfio de que a outra equipe falsificou os resultados (desconfio disso); Ela não precisa de que a protejam (não precisa disso). Nestes dois casos entre parênteses fica claro que o verbo é transitivo indireto e solicita a preposição de antes do complemento.

Como sair dessa enrascada? Você já descobriu a solução pelo modo como o Blogueiro explicou: empregando um objeto não oracional, se a preposição desaparecer, não deve surgir quando o objeto for oracional, já que a oração será uma subordinada substantiva objetiva direta. O oposto é também verdadeiro: se a preposição se mantiver quando o objeto for não oracional,  justifica-se também no objeto oracional, revelando-se, portanto, como subordinada substantiva objetiva indireta. Dê uma boa estudada em exemplos de subordinadas objetivas diretas e também nas indiretas, para firmar bem esse conhecimento. Chega desse vício de inventar de que para cá, de que para lá.

 

As perigosas concordâncias

June 8th, 2017

Outro dia o Blogueiro, verdadeiro maníaco por encontrar exemplos de equívocos, flagrou em noticiário na internet um cochilozinho de revisão. Observe:

 

Explosões em um  funeral mata pelo menos 12 pessoas no Afeganistão.

 

Notou também? Já que o sujeito é “explosões”, no plural, o verbo deveria estar também no plural:

 

Explosões em um funeral matam pelo menos 12 pessoas no Afeganistão.

 

Um lapso de concordância, como você deve ter notado. E por que será que aconteceu? Porque o redator, por um segundo, iludiu-se, tomando o plural pelo singular, vale dizer, considerando as explosões como um fato só. Nesse segundo de distração, que pode ocorrer a qualquer de nós, a flexão do plural foi enfraquecida pela ideia de uma só explosão e, quando o verbo foi escrito, recebeu essa influência de singularidade, flexionando-se no singular e causando uma ruptura da concordância com o sujeito. Como diz o povo, o revisor pisou na bola, deixando como estava. Além da mencionada, uma boa saída teria sido

 

Explosão em funeral mata pelo menos 12 pessoas no Afeganistão.

Percebeu você o problema com clareza? Sim, mas avaliou também que, pelo fato de estar na rede, não deve ter sido considerado um grande problema. Os textos nela publicados não têm revisões muito exigentes, razão por serem uma verdadeira plantação de cochilos para ser colhidos pelos professores de português. Os revisores, nesses casos, recebem apenas um figurado puxão de orelha.

O maior problema estará se o texto for de uma redação sua, ou de uma resposta a questões discursivas de história, geografia, filosofia, biologia, etc., etc. Esse é um território perigoso, em que não se pode errar sem receber penalização, ou seja, desconto na nota. E ainda mais se a concordância equivocada influir no conteúdo do período como um todo, alterando o teor de sua resposta.

Para confirmar o perigo, observe este outro exemplo, agora forjado, mas bem possível:

 

Ações de hackers europeus causa prejuízos a empresas brasileiras.

 

Notou? Muito provavelmente aqui, outro fator somou-se aos acima comentados: a distância entre o núcleo do sujeito (ações) e o do predicado (causa). Esse distanciamento enfraqueceu a noção de plural e levou o escritor a flexionar o verbo no singular, erradamente, é claro. O correto seria escrever

 

Ações de hackers europeus causam prejuízos a empresas brasileiras.

 

Os exemplos contidos neste artigo, portanto, devem servir para você tomar o máximo cuidado com essas perigosas concordâncias, provocadas  por distrações ao longo das orações que escrevemos. Como evitar esse perigo? Simples. Leia sempre duas vezes, atentamente, o período que acabou de escrever. Estes e outros equívocos vão se revelar e você terá tempo de fazer os necessários reparos.