Empregue bem “democracia”

11 de outubro de 2018

Nesta época de grande efervescência política e eleições, você não tem como esquivar-se das falas de políticos, jornalistas, comentaristas e críticos que a todo instante surgem na mídia (televisões, rádios, jornais, revistas) e o bombardeiam com suas opiniões sobre o que está ocorrendo e o que pode ocorrer. Será este presidente o eleito? Aquele o governador? Aqueloutro o senador? E os deputados federais? E os estaduais?

O perigo, porém, não corresponde aos candidatos nem aos partidos, mas às palavras. E são estas que podem atrapalhá-lo em eventuais questões e propostas de redações dos diversos exames vestibulares. Será difícil, a esse respeito, que muitos vestibulares não adotem como tema de redações fatos políticos sobre as eleições deste ano e os eventos a estas relacionados. Aí, todo cuidado é pouco. Mesmo que não aprecie muito, você deve ter prestado atenção a muitas notícias e, nesse processo, aprendido o significado de muitas palavras que antes não lhe provocavam maior interesse.

Uma dessas palavras, com certeza, muitíssimo empregada, é democracia. É uma verdadeira moeda corrente, que frequenta dezenas de vezes por dia os programas da mídia. Que lhe pode dizer o Blogueiro a respeito? Alerta! Antes de se deixar levar pelo emprego da palavra por este ou aquele jornalista, este ou aquele candidato, procure conhecer muito bem o verdadeiro sentido dela, que dicionários como o Aurélio e o Houaiss apresentam:

Aurélio: Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder, ou seja, regime de governo que se caracteriza, em essência, pela liberdade do ato eleitoral, pela divisão dos poderes e pelo controle da autoridade, i. e., dos poderes de decisão e de execução; democratismo.

Houaiss: governo em que o povo exerce a soberania; sistema político em que os cidadãos elegem os seus dirigentes por meio de eleições periódicas; regime em que há liberdade de associação e de expressão e no qual não existem distinções ou  privilégios de classe hereditários ou arbitrários; país em que prevalece um governo democrático.

Observando e interpretando muito bem o que definiram os dois mestres, você terá a perfeita noção do que é democracia ou regime democrático de governo. E perceberá, com certeza, que nem todas as pessoas empregam a palavra com esse sentido. Muitos, aliás, a usam com o significado exatamente oposto. Há até países que se intitulam democráticos, em que o povo é inteiramente dominado pelas classes dirigentes. Esteja atento, portanto, para não cair na armadilha de usar a palavra democracia num sentido que não se coaduna com o que aparece definido pelos dois lexicógrafos citados.

Não é demais repetir, neste final, o que resume mestre Aurélio, para servir-lhe de bússola, caso venha a empregar a palavra numa resposta de questão discursiva ou numa redação:  Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder, ou seja, regime de governo que se caracteriza, em essência, pela liberdade do ato eleitoral, pela divisão dos poderes e pelo controle da autoridade, i. e., dos poderes de decisão e de execução.

 

 

 

 

Sua redação: o começo e o fim

11 de outubro de 2018

Dando como certeza que você vai ser aprovado na primeira fase do exame vestibular da Unesp, o Blogueiro quer fazer algumas observações muito importantes sobre a segunda fase, em especial a prova de redação.

Você está cansado de saber que toda redação dissertativa apresenta um início, em que a abordagem do tema é introduzida e justificada, um meio, o corpo da redação, em que sua argumentação se desenvolve, e um final, a que sua argumentação converge. Esses três patamares, em seu conjunto, têm de estar indissoluvelmente entrosados, formando um todo. Tecnicamente, percebe-se que o começo e o final trazem certas dificuldades de entrosamento. Muitas lições são dadas, por isso, a respeito de como proceder, mas nem sempre são muito recomendáveis, vale dizer, podem trazer mais prejuízos que vantagens a seu texto.

Algumas pessoas podem tentar ensiná-lo, em sua prova de redação, a começar com chavões, como, por exemplo, Desde a mais remota antiguidade, Desde os tempos mais primitivos, Nos primórdios, etc., etc. Dizem que, deste modo, seu texto mostrará competência e capacidade de escritor desde o começo. Trata-se, na verdade, de um mau conselho. Você reparou que o Blogueiro disse chavões exatamente para caracterizar que frases como tais são muito batidas pelo uso. Se consultar seu dicionário, verificará que chavões são também chamados lugares-comuns, estereótipos, clichês, chapas, ou seja, expressões ou frases cujo uso repetido e retomado as torna vulgares demais, inteiramente faltas de originalidade. Não enriquecem, mas empobrecem seu texto.

É melhor, portanto, iniciar a redação de outro modo, focalizando diretamente o tema proposto.

O mesmo se pode dizer dos finais. Nada de enfatizar o encerramento com portanto, por isso, concluindo, como acabamos de demonstrar, etc., etc. Será muito melhor fazer uma ligação mais adequada entre os argumentos apresentados ao longo do texto e a conclusão, com palavras e expressões simples que caracterizem melhor a firmeza de sua linha argumentativa e o coroamento desta no parágrafo de encerramento.

Busque sempre, quer no início, quer no final, ser simples e direto, sem recair na vulgaridade e no emprego de expressões batidas. Simplicidade e eficácia serão a melhor solução para a exposição de suas ideias e a compreensão destas pela banca de correção. Não faça como o jogador de futebol que, quando ia marcar um belo gol, resolveu dar um drible a mais, fazer uma firula, e acabou sendo desarmado, desperdiçando a oportunidade.

Exibir-se, quer ao jogar futebol, quer ao escrever, pode ser até prazeroso, mas carrega perigos que nem sempre vale a pena enfrentar.

 

Acentue/não acentue ói, éi, éu / oi, ei, eu

26 de setembro de 2018

A reforma ortográfica ocorrida há alguns anos, resultante de acordo entre países de língua portuguesa, não modificou muito as regras antigas, mas deixa você por vezes em dúvida no que se refere à acentuação, pois acabou produzindo algumas armadilhas. Você já pode ter caído, sem querer, em algumas delas. Um bom conselho, nesse caso, é não tentar entender todas as alterações de uma só vez, mas procurar esclarecer uma a uma.

Um dos casos que pode nos deixar atrapalhados é a acentuação dos ditongos abertos tônicos, que, na regra antiga, recebiam sempre o acento agudo, quer em palavras paroxítonas, quer em oxítonas ou monossílabas. Assim, era bem fácil memorizar e aplicar: véu, papéis, heróico. A regra atual, porém, criada pela reforma, dispensou o acento gráfico no caso de a palavra ser paroxítona: heroico, epopeia, apneia. Houve, portanto, uma redução do número de vocábulos atingidos pela regra. Só continuaram a receber o acento gráfico os ditongos abertos tônicos de palavras oxítonas e monossílabas: coronéis, cachecóis, réis, sóis. É claro, que, assim, ficou mais simples e econômico, mas com a possibilidade de provocar equívocos, como no caso da palavra ideia, que de vez em quando nos leva a deixar escapar o acento agudo sobre o -e-. O próprio Blogueiro cometeu esse deslize no início da aplicação da nova regra, pois estava acostumado a colocar o acento desde que passara a frequentar a escola. Quebrar velhos hábitos não é muito fácil.

Entendeu? Como os ditongos abertos tônicos soam muito nítidos e fortes, podemos nos distrair e colocar o acento agudo onde a regra não mais permite. É bom, por isso, manter a vigilância e só marcar com o acento agudo as vogais dos ditongos abertos tônicos de palavras oxítonas e monossílabas: chapéu, chapéus, herói, heróis, papéis, pastéis, coronéis, urinóis, lençóis, atóis, réis, sóis, véu, véus, dói (verbo doer).

Ter em mente uma razoável relação de palavras paroxítonas cujos ditongos abertos tônicos não se acentuam é também recomendável: heroico, estoico, paranoico, ateia, ideia, panaceia, apoio (verbo apoiar), ureia, epopeia, epopeico, assembleia, boleia, jiboia, onomatopeico, proteico, alcaloide, boia, comboio (verbo comboiar), estroina, introito, centopeia, diarreia, estreia, europeia, geleia, plateia, debiloide, ovoide, colmeia, Coreia, plebeia, asteroide.

Agora ficou mais fácil, não é? Mas tome cuidado e seja bem observador: uma palavra como destróier não se enquadra nessa regra, porque termina em –r.  Enquadra-se, no entanto, entre os paroxítonos terminados em –r, que sempre recebem o devido acento gráfico: revólver, pulôver, destróier, etc.

Tudo claro agora? Então, mantenha-se sempre atento com respeito a essa regra e às outras que foram modificadas em parte ou no todo com a reforma ortográfica.

 

Cuidado com o “de” indevido!

21 de setembro de 2018

A Língua Portuguesa, como você sabe, é cheia de manhas. Por isso, é preciso tomar muito cuidado, quando escrevemos, em não omitir o que deve ser evidenciado ou apresentar o que não deve existir.

Um bom exemplo que o Blogueiro quer explicar neste artigo diz respeito ao emprego ou não emprego da preposição “de”. Você aprendeu que há verbos e nomes (substantivos, adjetivos) que pedem a presença dessa preposição antes do complemento que vem em seguida. Complementos de verbos cuja regência solicita uma preposição se enquadram como objetos indiretos; e complementos de nomes cuja regência solicita preposição se identificam como complementos nominais. Eis alguns exemplos de frases em que a regência dos verbos solicita a preposição “de”:

Eu precisava da nota que o professor me deu.

Os operários foram avisados de que a fábrica faliu.

Não necessito de ninguém para me auxiliar.

Observe também exemplos de complementos nominais precedidos da mesma preposição:

Tenho medo de que me assaltem.

O hospital tem urgência de medicamentos adequados.

Acho que estou isento de imposto de renda.

Estou convencido de que o planejamento é necessário.

Até aqui, tudo bem. Usualmente, você erra pouco nessa questão de regência verbal e nominal. Todavia, se prestar bem atenção nas entrevistas em rádios, tevês e jornais, verificará que, muitas vezes, os entrevistados cometem erros crassos, ao “inventar” a presença de “de” em contextos nos quais a regência não solicita essa preposição. Observe exemplos disso:

O candidato declarou de que tem certeza da vitória.

Ninguém achava de que os ventos fossem tão fortes.

Meus melhores professores sequer imaginavam de que o vestibular fosse tão difícil.

O prefeito solicitou de que houvesse maior vigilância nas praças da cidade.

Percebeu bem a razão do emprego indevido da preposição? Trata-se de um erro crasso e você mesmo pode julgar esse deslize lembrando do que dizia o professor em seu curso fundamental: declarar alguma coisa; achar alguma coisa; imaginar alguma coisa; solicitar alguma coisa. Esse “alguma coisa”, ainda dizia o professor, é um objeto direto ou uma oração subordinada substantiva objetiva direta. Portanto, nada de “inventar” preposição onde a estrutura da frase não a solicita.

Faça uma boa revisão de seus textos, para verificar se não andou escorregando nesse equívoco, certo? E, para se divertir, preste atenção nas entrevistas na tevê para verificar como os figurões cometem esse erro, achando que estão falando muito bem.

 

Sua resposta, sua proposta

18 de setembro de 2018

Você acha que em vestibulares haverá perguntas fáceis e perguntas difíceis? Está ligeiramente enganado. Não existe isso. Vestibular não tem por objetivo facilitar sua vida, mas avaliá-lo. As perguntas são elaboradas geralmente com a mesma dose de dificuldade. Você, evidentemente, pode achar umas fáceis, outras difíceis, na medida em que saiba responder sem ou com dificuldades. Essa facilidade, porém, corresponde ao seu conhecimento, e não propriamente ao fato de serem em si as questões fáceis ou difíceis, ou mais fáceis e mais difíceis.

É muito importante perceber isso, para não se ver atrapalhado em suas respostas ao considerar que certas questões são muito difíceis e não vale a pena dedicar muita atenção a elas. Na verdade, podem ser apenas trabalhosas, solicitando uma atenção um pouco maior que outras, em virtude da sua dificuldade em entendê-las ou do conhecimento em que se baseiam. Em resumo: em provas de vestibulares, não há questões “dadas”. Como geralmente se fundamentam em textos, cabe a você perceber que suas respostas estarão condicionadas ao que dizem esses textos. Por vezes, você pode até discordar da opinião neles manifestada, mas deve ler com muita atenção o enunciado das questões para verificar exatamente o que é pedido a respeito desta ou daquela passagem. Sua opinião será manifestada na redação. Nas perguntas, você deve encontrar o que se pede que encontre nos textos, e não na sua opinião particular.

Do que se disse acima se conclui que é da maior importância praticar a leitura e a interpretação. Quando a banca elaboradora estabelece as questões, tem como objetivo avaliar diferentes habilidades de leitura e de interpretação de textos, além, é claro, do conhecimento específico em virtude do qual tais textos foram escolhidos. Isso vale para todas as diferentes disciplinas e conteúdos que compõem as provas. Comece a analisar questões de provas e respectivas respostas de vestibulares anteriores, para verificar como costumam operar os elaboradores. Você pode, com isso, até descobrir certas “manhas” dos elaboradores ao focalizar um aspecto para interpretação. Depois de algum tempo, perceberá que perguntas à primeira vista consideradas difíceis são apenas mais trabalhosas para compreender o que pretendiam os elaboradores e, talvez por isso mesmo, para responder de modo adequado.

Assim fazendo, você chegará à conclusão de que suas respostas não podem ser extremamente simples, realizadas, por exemplo, por meio de uma frase curta. Responder uma questão é, neste sentido, fazer análise, interpretação e apresentar o resultado de forma mais clara possível. De certo modo, ao responder questões discursivas, por exemplo, você acaba elaborando uma verdadeira proposta de solução, que tem de ser muito bem embasada nos elementos questionados. Isso não quer dizer, por outro lado, que deva escrever demais ou encher linguiça, como costuma dizer o povo a alguém que fala muito e acaba não dizendo nada. Sua resposta, além de identificar o que é solicitado, tem de ser bem dosada, para demonstrar que você fez o caminho certo ao longo da leitura.

É com isso em mente que deve fazer exercícios de leitura e intepretação ao longo de seus estudos. Analise as questões de vestibulares anteriores, verifique as respostas apresentadas pelos diferentes sites de cursos preparatórios e escolas. Tente mesmo fazer a crítica dessas respostas, verificando em que aspectos poderiam ser mais claras e explícitas.

E não esqueça, quando estiver fazendo seu vestibular: de certo modo, ao responder, você está elaborando uma proposta de interpretação ante a proposta de questão elaborada pela banca.

Agora você já sabe responder a indagação inicial deste artigo: com a preparação e o treinamento adequados, todas as questões se tornam fáceis.

 

É bom saber um pouco de juridiquês, economês e politiquês

6 de setembro de 2018

Enquanto você se prepara para as provas de seu vestibular, o Brasil continua vivendo uma fase muito turbulenta em termos econômicos, políticos e jurídicos. É praticamente impossível que você não tenha percebido isso.

O problema, porém, não é perceber, é descobrir se alguma coisa desse período pode interferir de algum modo em seus exames. Pode? Na verdade, pode, sim. Em primeiro lugar, porque não é impossível que os elaboradores de provas de História ou de Filosofia, por exemplo, escolham temas para questões que versem, direta ou indiretamente, sobre problemas semelhantes aos que vive nosso país. Por isso é bom estar atualizado a respeito. Nada de dizer que economia não lhe diz respeito. Diz, sim. Nada de afirmar que não gosta de política. Goste ou não goste, tem de conhecer. E igualmente, goste ou não goste, é bom estar bem informado sobre o que hoje ocorre nos meios jurídicos, especialmente no que diz respeito aos julgamentos de indivíduos apanhados com a mão na massa ou, como também diz o povo, com a boca na botija do erário de nosso país.

E não é improvável, também, que a proposta de redação de algum vestibular fundamente nesses fatos o tema solicitado.

O Blogueiro pensou nisso uns dias atrás, ao ouvir na televisão entrevistas e comentários de especialistas recheados de expressões do que podemos um tanto vulgarmente chamar juridiquês, politiquês e economês, vale dizer, o discurso ou o vocabulário jurídico, político e econômico. Eis algumas dessas expressões que o Blogueiro anotou na oportunidade: sub judice, a seu talante, questão de ordem, habeas corpus, carta magna,  acórdão. Você conhece o significado e a aplicação de todas elas? Pelas razões apontadas, é bom conhecer.

A locução sub judice está sendo muito frequente nos meios de comunicação. Significa em juízo, sob apreciação judicial, que ainda não recebeu sentença definitiva. Exemplo: O processo contra o candidato ainda se encontra sub judice.

 

A seu talante é uma expressão que significa simplesmente a sua vontade, a seu arbítrio, a seu desejo (lembrando que talante significa isso mesmo: vontade, arbítrio, escolha, desejo, etc.). Os juristas adoram empregá-la.

Com certeza já ouviu a expressão questão de ordem muitas vezes, até mesmo em assembleias estudantis. Os políticos em suas sessões deveriam empregá-la apenas para, quando não estão com o a palavra, pedir esclarecimento ou informação sobre o encaminhamento dos trabalhos. Na prática, porém, a expressão questão de ordem acaba sendo usada para fazer qualquer tipo de interrupção, inclusive manifestação de reparos ou críticas àquele que está com a palavra. Transformou-se, portanto, em mero pretexto para interromper o andamento dos trabalhos. Ninguém reclama da distorção, porque todos a usam.

Habeas corpus é uma locução da língua latina muito usada nos meios jurídicos, particularmente na atualidade, em que há tantas pessoas presas ou sendo julgadas. No latim, significa que tenhas o corpo. Em português, na prática, já se tornou um substantivo composto, pois é empregada precedida de artigo: o habeas corpus. Na prática jurídica, corresponde ao pedido dos advogados de que o acusado aguarde o julgamento em liberdade, mediante fiança, o que, porém, só é permitido por lei em determinados casos.

O termo carta magna, sinônimo de constituição, carta constitucional, lei básica, lei maior, significa o conjunto das leis fundamentais que regem a vida de uma nação. Deve ser estabelecida por uma assembleia constituinte formada pelos representantes de todas as classes da população. Em algumas nações, porém, ditadores impõem, a seu talante, uma constituição forjada por eles mesmos.

Acórdão é o termo usado para designar uma decisão sobre um processo judicial proferida por um tribunal superior. Neste sentido, funciona como paradigma para a solução posterior de casos análogos.

Percebeu? Termos como esses, que antes pareciam confinados ao universo jurídico e político, estão aí na mídia às dezenas aos nossos ouvidos e vistas, em virtude da tecnologia da informação e dos percalços por que passa a vida brasileira na atualidade. É recomendável, portanto, que você dê um pouco mais de importância a eles e pesquise na rede, para estar ainda mais preparado para as questões sobre atualidades em suas provas. Não deixe que sejam familiares somente a candidatos ao curso de Direito ou a profissionais das áreas mencionadas, mas a você também. De repente, numa proposta de redação…

 

Pronome relativo e preposição: que perigo!

30 de agosto de 2018

Já examinou com atenção o que acontece quando você emprega pronomes relativos em seu discurso, tanto oral, quanto escrito? Se não prestou, deve prestar. E muito. Claro que você sabe o que são pronomes relativos e os identifica facilmente, como, por exemplo, os seguintes: que, quem o qual (a qual, os quais, as quais), cujo (cuja, cujos, cujas). Em frases como

 

O professor que chegou estava doente.

Não conheço a pessoa a quem você se refere.

A igrejinha, cuja torre se pode ver deste morro, está em obras.

você identifica facilmente os relativos que, quem e cuja. Parecem tão fáceis de reconhecer, que nem é preciso estudar muito.

Aí é que mora o perigo. E este surge quando a regência de um nome ou de um verbo solicita a presença de uma preposição antes do relativo. Se a omitimos, a frase fica manca e quem corrige nosso texto pode nos penalizar com um desconto de nota. Observe os exemplos seguintes:

 

Esta regra, que discordamos, não tem fundamento algum.

Não sei quem você brigou, mas não acredito muito.

A garota a qual meu vizinho se refere não estava lá nesse dia.

No discurso oral, frases como essas acabam passando sem que haja reclamação dos interlocutores, embora esteja em todas elas faltando uma preposição antes dos pronomes relativos. No discurso escrito, porém, especialmente em uma prova discursiva ou numa redação, a lacuna é detectada e penalizada de imediato. O adequado seria empregar

Esta regra, de que discordamos, não tem fundamento algum.

Não sei com quem você brigou, mas não acredito muito.

A garota à qual meu vizinho se refere não estava lá nesse dia.

 

Percebeu? O verbo discordar solicita a preposição “de”; já brigar implica “com”; e referir-se pede “a”. Por isso os relativos que, quem e a qual devem vir precedidos das referidas preposições: de que, com quem, à qual.

O perigo, porém, é ainda maior quando uma vaga ideia da necessidade de preposição surge na mente do usuário (falante, escritor), de modo que ele tenta consertar o esquecimento com um remendo. Essa atitude é comum no discurso coloquial, mas pode também chegar ao escrito. Observe:

 

A garota que eu saí com ela estuda Direito.

O futebol é um esporte que gostamos muito dele.

 

Notou? No primeiro exemplo, o usuário deveria ter dito ou escrito A garota com que eu saí estuda Direito. Mas acabou produzindo uma sequência absurda, em que uma personagem é referida três vezes, de três modos diferentes: a garota, que, ela. E a preposição, que deveria preceder o relativo, acabou precedendo o pronome ela, que invadiu indevidamente a frase. No segundo exemplo, a forma adequada deve ser O futebol é um esporte de que gostamos muito.

Viu que perigos se correm nesses casamentos entre preposições e pronomes relativos? Faça uma revisão criteriosa de suas redações para verificar se não caiu numa dessas armadilhas.

 

Qual a disciplina mais importante?

29 de agosto de 2018

Você já se perguntou qual a disciplina mais importante em um vestibular ou outro concurso? Provavelmente deve ter sua opinião. Se o curso buscado se situa na área de Exatas, por certo julgará que é Matemática a disciplina mais importante; se na área de Biológicas, não terá dúvidas em dizer que é a Biologia; se em Humanas, é claro que vai depender da natureza do curso.

Nada mais natural. Essa questão, porém, pode ser observada por você sob outro ponto de vista: o da utilidade da disciplina no vestibular ou concurso como um todo. E não será necessário pensar muito para concluir que a mais importante, em termos de utilidade para praticamente todas as provas de todas as áreas, é realmente a Língua Portuguesa. Por quê? Muito simples, até óbvio: porque suas respostas, quaisquer que sejam tais disciplinas, são feitas em Língua Portuguesa. Deste modo, não adianta muito saber a resposta de qualquer pergunta, se não for capaz de demonstrar esse conhecimento com um discurso claro e adequado, que não deixe margem de dúvidas para a banca de correção. Basta um equívoco, uma palavra empregada indevidamente, uma regência verbal errada ou uma sequência que produza duplo sentido para lhe tirar pontos preciosos, até mesmo toda a nota.

Foi exatamente por isso que os professores de Língua Portuguesa tanto insistiram em que você desenvolvesse em alto nível sua capacidade de ler e interpretar, bem como dominasse seu discurso, evitando obscuridades, ambiguidades, prolixidades, laconismos. Muitos estudantes julgam que os professores de português exageram nessas exigências. Alguns até ironizam, sugerindo que querem torná-los literatos. Sou um cara simples, não sou poeta, quero apenas saber o suficiente de português para prestar meus exames! dizem. E estão enganados. Não têm consciência, por exemplo, de que grandes poetas ou prosadores eram advogados, médicos, engenheiros, que, além de conhecerem muito bem os conteúdos de sua formação, dominavam o discurso em língua portuguesa. Guimarães Rosa era médico. Monteiro Lobato era formado em Direito e foi promotor público, Carlos Drummond de Andrade era formado em Farmácia, Joaquim Cardozo era engenheiro (fez os cálculos de projetos de Niemeyer na Pampulha e em Brasília), só para citar alguns grandes escritores nacionais.

É preciso, portanto, repensar a importância que você atribui à Língua Portuguesa em sua formação nos ensinos fundamental e médio, bem como na participação em exames vestibulares. A Língua Portuguesa é seu instrumento fundamental, qualquer que seja a profissão escolhida. Estudá-la a fundo não é obrigação, é necessidade.

Além de tudo o que o Blogueiro disse, é preciso lembrar que nos vestibulares além de toda essa importância para as outras disciplinas, você tem de fazer uma prova de redação que vale muito em pontos para a média. Pense em tudo isso e agradeça a seus professores pelo grande favor que fizeram a você, insistindo no aperfeiçoamento de sua capacidade de ler, compreender, interpretar e escrever.

 

Respostas inseguras: um ponto negativo

17 de agosto de 2018

Talvez você nunca tenha pensado muito a respeito, mas, independentemente de estar certo ou errado, o modo como responde uma questão de prova pode interferir no julgamento de sua resposta. O ideal é escrever com convicção, mostrando segurança. Mesmo que não tenha plena certeza de ter entendido inteiramente a questão, é preciso escrever com clareza, para valorizar sua resposta. Isso, porém, nem sempre acontece e, preocupado com o que não sabe, acaba não conseguindo demonstrar o que sabe.

Este é exatamente o caso das respostas que o Blogueiro denomina inseguras, por revelarem mais as dúvidas do que as certezas do candidato. A insegurança pode revelar-se em pedidos de desculpas ou, menos mal, no uso de palavras ou expressões que materializam a hesitação. Típica manifestação de insegurança é o emprego de formas verbais no futuro do pretérito (seria, haveria, poderia, etc.), de advérbios de dúvida (talvez, provavelmente, possivelmente, etc.) ou de expressões como acho que, penso que, creio que.

Um exemplo de resposta em vestibular antigo da Unesp pode servir para que você entenda melhor esse perigo. A questão focalizava um texto de Darcy Ribeiro sobre a colonização portuguesa, particularmente a respeito da aproximação e convivência entre portugueses e indígenas. Darcy empregou o termo “guerra biológica” como imagem do fato de os portugueses haverem trazido consigo vírus e bactérias que causaram extermínio de parte da população indígena. Observe uma resposta insegura a tal questão:

 

Seria o confronto entre os índios saudáveis e os brancos impregnados de doenças. Vivendo no meio da natureza por vários anos, os índios não estavam imunes às doenças do velho mundo que seriam trazidas pelos europeus. Dessa forma os índios morreriam facilmente com qualquer doença, até mesmo as mais fracas gripes. Esse fator seria decisivo para a dizimação dos nativos.

Dá para perceber que o candidato compreendeu o significado de “guerra biológica”, mas o uso excessivo do futuro do pretérito nos verbos (seria, seriam, morreriam, seria) atrapalha bastante sua resposta, que dessa forma parece revelar indecisão, podendo provocar um desconto de nota. Com menos insegurança, o candidato deveria ter escrito foi, era, morriam, foi.

Percebeu o risco de usar o futuro do pretérito? Então passe a tomar bastante cuidado com ele a partir de agora. E cuidado também com os advérbios de dúvida e expressões que denotam falta de certeza. Note o que fazem quando empregados:

(A) Os indígenas eram pessoas generosas.

(B) Provavelmente os indígenas eram pessoas generosas.

(C) Eu acho que os indígenas eram pessoas generosas.

Notou? Na frase (A) a afirmação é categórica, mas, se acrescentado o advérbio “provavelmente”, transforma-se, na frase (B), numa possibilidade, uma hipótese; e, na frase (C), “Eu acho que” sugere falta de confiança na própria declaração. Imagine isso ocorrendo, por insegurança, numa resposta discursiva. Esta sofrerá perda de pontos na correção.  Neste caso, vale o alerta: você sabe integral ou parcialmente a resposta correta ou não sabe; qualquer que seja o caso, é melhor jogar fora esses seria, poderia, haveria, talvez, provavelmente, eu acho que, etc., etc., e procurar ser claro, direto e positivo em todas as respostas. Isso não o fará ganhar mais pontos, mas, seguramente, também não o fará perder.

Faça experiências a respeito, utilizando respostas que já deu em provas e simulados. Você só terá a ganhar.

 

Pronúncia ruim, escrita pior

13 de agosto de 2018

O Blogueiro não se cansa de alertar os candidatos para deslizes que podem prejudicar suas notas, tanto em redações quanto em respostas discursivas. Tais deslizes, muitas vezes, passam despercebidos aos estudantes, em virtude da relação estreita, mas errônea, entre sua fala e sua escrita. Preste bastante atenção nas seguintes frases:

Espero que meu novo colega não seje preconceituoso.

Quando eu ver você na escola, entregarei o caderno.

Se ele por algum defeito em meu trabalho, ficarei triste.

Se você supor que eu o enganei, poderei explicar.

Todos esperamos que nossa colega esteje bem.

Pedro disse que eu robo, mas não é verdade.

Minha irmã foi ao cabelereiro.

Há pessoas que gostam de agorar.

A chegada de minha colega foi um estoro.

Meu professor disse que o uso de aerosol é proibido.

Em frente à catedral há uma pessoa mendingando.

Pode baixar, que esse game é gratuíto.

Colocados todos juntos, os erros que aparecem nessas frases parecem óbvios. Nem tanto. São lapsos comuns em concursos e provas de vestibulares. Por quê? A razão é simples: como nossa fala diária é menos tensa, nem sempre nos damos ao cuidado de pronunciar corretamente. Vamos falando, falando, e deixamos escapar enganos como esses. Em nossa comunicação ordinária, raramente alguém nos adverte para os equívocos, porque muita gente os comete. O maior problema surge quando, numa prova escrita, cochilamos e acabamos escrevendo como às vezes pronunciamos. Aí, como diz o povo, é que o bicho pega. Erramos e somos penalizados na nota. Observe as mesmas frases com as palavras grafadas corretamente:

Espero que meu novo colega não seja preconceituoso.

Quando eu vir você na escola, entregarei o caderno.

Se ele puser algum defeito em meu trabalho, ficarei triste.

Se você supuser que eu o enganei, poderei explicar.

Todos esperamos que nossa colega esteja bem.

Pedro disse que eu roubo, mas não é verdade.

Minha irmã foi ao cabeleireiro.

Há pessoas que gostam de agourar.

A chegada de minha colega foi um estouro.

Meu professor disse que o uso de aerossol é proibido.

Em frente à catedral há uma pessoa mendigando.

Pode baixar, que esse game é gratuito.

Ficou claro? Então comece a prestar atenção nas conversas com seus colegas ou com outras pessoas. Você observará, por exemplo, que é bastante comum pronunciarem erradamente seje em vez de seja, e também ver, por, supor no futuro do modo subjuntivo, quando o correto é vir, puser, supuser (vir, vires, vir, virmos, virdes, virem; puser, puseres, puser, pusermos, puserdes, puserem; supuser, supuseres, supuser, supusermos, supuserdes, supuserem); não é raro também pronunciarem esteje, quando o certo no presente do subjuntivo de estar é  esteja (esteja, estejas, esteja, estejamos, estejais, estejam), e assim também cabelereiro, agorar, estoro, aerosol, mendingando, gratuíto, em lugar das formas corretas agourar, estouro, aerossol, mendigando, gratuito.

Muita cautela, portanto, e mais atenção em pronunciar corretamente para escrever também corretamente essas e muitas outras palavras. Pronunciar mal já é ruim, mas escrever mal é ainda pior.