Você e o professor universitário

11 de janeiro de 2019

Você vai ingressar na Universidade e terá seguramente muitas surpresas desde o começo, todas agradáveis. Não tenha dúvidas a esse respeito. A universidade é agradavelmente diferente de tudo o que você viu até hoje.

Os novos alunos dos diferentes cursos, de fato, muitas vezes imaginam que o ensino será muito parecido com o que já tiveram, talvez apenas com um rigor bem maior, já que se trata de preparo para uma profissão de nível superior. Quanto a esse rigor, pode ter certeza de que é verdadeiro. O professor do ensino médio tem como objetivo, se o curso for profissionalizante, preparar o estudante para ser um bom técnico e atuar tão logo formado; se não se tratar de ensino técnico, o objetivo praticamente acaba se resumindo à preparação do estudante para prestar vestibulares. Seus instrumentos de trabalho, deste modo, se resumem em suas aulas, apostilas e livros apropriados a essa finalidade. Claro que se trata de uma atividade muito importante, uma verdadeira missão, que merece todos os elogios possíveis, já que não é nada fácil conquistar a atenção de jovens e estimulá-los a intensificar seus esforços para atingir a difícil meta de conquistar uma vaga em universidade. Diferentemente, o professor universitário é um especialista na disciplina que vai lecionar. Quase sempre explora os conteúdos como temas de suas pesquisas. Tem ele plena consciência da responsabilidade de repassar, em termos de teoria e prática, seus conhecimentos para uso futuro do estudante em sua profissão.

Vale a pena lembrar que o professor universitário é simultaneamente pesquisador e professor. Possui mestrado, doutorado e muitas vezes pós-doutorado nas disciplinas que ensina em sala de aula. É responsável por publicações em revistas especializadas e participações em congressos nacionais e internacionais. Prestou concurso de acesso bastante exigente. Tem contrato com sua universidade para exercer três atividades distintas: ensino, pesquisa e extensão de serviços à comunidade. Nelas e por elas, assimila o que de principal envolve tais atividades tanto em termos de teoria, como de prática. A extensão frequentemente o leva a compreender ainda mais profundamente tudo o que merece ser ensinado por envolver o currículo do curso e, se possível, praticado em estágios por seus discípulos.

Por isso mesmo, alguns estudantes, nas primeiras aulas, estranham um pouco as figuras e os comportamentos dos docentes. Só nas primeiras aulas, é claro. Com o tempo, os estudantes vão percebendo, inclusive pela comparação entre as atuações dos diferentes docentes, quais objetivos do curso que escolheram devem ser conquistados para atingirem o melhor perfil de formação possível.

Prepare-se, portanto, para encontrar na universidade uma instituição agradavelmente diferente da escola que você cursou até agora. E aproveite tudo o que puder do conhecimento, da especialização e do esforço de seus mestres, inclusive buscando participação em pesquisas de grupos e complementação do currículo em outras universidades nacionais ou estrangeiras. Como o Blogueiro já lembrou a você mais de uma vez, a universidade oferece até a possibilidade de mudar de curso, caso você venha a perceber que o escolhido não era exatamente o que você desejava.

A base de suas ações nos bancos universitários, portanto, está nos professores que ministram as diferentes disciplinas. Esteja sempre atento ao que dizem, sugerem, aconselham. E torne-se um excelente profissional em sua vida futura.

E se você não passar?

4 de janeiro de 2019

Em todos os inícios de ano, o Blogueiro pensa não apenas nos candidatos que serão aprovados, como também naqueles que não o serão. Tais reflexões brotam de sua própria experiência, pois, ao longo de sua vida, em concursos que prestou, teve aprovações e também reprovações.

Não é fácil nem confortável, de fato, deixar de ser aprovado em vestibulares e  outros concursos. As reações dos candidatos variam conforme seus temperamentos, suas personalidades. Alguns podem se mostrar aborrecidos: Que droga! Estudei tanto e não deu! Outros até muito zangados: Essas universidades só querem saber de humilhar a gente. Outros ainda falam em mudar de perspectiva: Pra mim chega! Vou buscar outra forma de me tornar profissional! Isso sem falar naqueles que mergulham em profundo abatimento.

Na verdade, nem uma dessas atitudes se justifica. Os candidatos a vestibulares e outros concursos precisam ter consciência de que não ser aprovado é um fato comum, que, aliás, vai se repetir ao longo de suas vidas. No trabalho profissional, por exemplo, nem sempre aquele que aguarda uma promoção esforçando-se ao máximo consegue atingir esse objetivo. Pode até acontecer que outro colega, aparentemente menos qualificado, consiga, por fatores explicáveis ou até inexplicáveis. A vida é uma sequência de escolhas, acertos e erros. E nossas vitórias nem sempre dependem apenas de nós. Acertos e erros, aprovações ou reprovações são fatos comuns que não devem nunca desanimar ninguém. Ao contrário, a cada fracasso deve corresponder uma decisão de, nas próximas vezes, acertar, vencer, atingir a meta pretendida.

Deste modo, se por acaso você não for classificado desta vez, deve olhar para a frente e dizer a si mesmo: Na próxima, conseguirei. É assim que pensam e agem os vencedores. As biografias de homens ilustres, de grandes cientistas, poetas, profissionais famosos estão repletas de menções a tropeços e fracassos, que foram enfrentados com determinação e coragem.

Pense nisso. E nunca se abata com seus insucessos, mas apoie-se na análise deles para superá-los e superar-se. Produza também uma biografia de vencedor.

 

Você deve estar no mundo

4 de janeiro de 2019

Alguns dias atrás o Blogueiro se pôs a pensar sobre o que mais poderia dizer aos candidatos nesta passagem de ano, tanto aos aprovados quanto aos não aprovados para ingressar na universidade, algo que possa servir de utilidade em suas vidas, em suas carreiras, em seu trajeto por este mundo. Isto porque, a estas alturas, os próprios candidatos, prestadas as provas, estão praticamente saturados de ouvir conselhos sobre gramática, ortografia, literatura, etc., etc.

Depois de algumas reflexões, finalmente chegou a um ponto interessante, uma recomendação que poderá servir mesmo àqueles que resolvam não seguir carreiras profissionais ensinadas pelas universidades: a leitura como hábito, como rotina de vida. Não a leitura trivial, de estudos ou de orientação profissional, mas a leitura formadora de uma visão de mundo superior, de intelectualidade.

Quem estuda em uma universidade, buscando formação, não se torna necessariamente um intelectual. Torna-se um profissional habilitado a exercer determinada profissão de nível superior. O ideal, porém, é que, além dessa formação, adquira também a de um verdadeiro intelectual, capaz de compreender o mundo, o homem, a vida, capaz de produzir ideias e conceitos superiores a esse respeito.

Um hábito de leitura assim estabelecido deve incluir não apenas livros técnicos, nem tão somente literatura. São, é claro, necessários, mas em todas as áreas do conhecimento há livros importantíssimos para a formação da intelectualidade. Alvin Toffler publicou, em 1970, um livro que  merece ser lido, particularmente porque focaliza temas que hoje são ainda muito relevantes: O choque do futuro (Future shock). Vale a pena ler, ainda mais porque descreve como deve ser qualquer profissional de hoje em sua relação com a realidade tecnológica que o cerca. Não se pode ser mais só engenheiro, só médico, só advogado, só professor, só cientista. Homens e mulheres de hoje têm de ser seres pensantes e atuantes criticamente sobre o mundo em que vivemos e sobre tudo o que a humanidade edificou no planeta. É preciso enxergar, com a mente, muito além do que os olhos enxergam.

Dois livros do genial físico Stephen W. Hawking são igualmente recomendáveis: Uma breve história do tempo e O universo numa casca de noz. Neles, Hawking focaliza, em discurso para leigos, a teoria geral da relatividade e a mecânica quântica, procurando fazer com que pessoas comuns como você e o Blogueiro possam ter uma boa ideia dos avanços nessas duas áreas, que visam atingir um conhecimento cada vez maior e detalhado de como funciona o universo. Um estudante bem formado no ensino médio já está em condições de lê-los e entendê-los.

Para não dizer que a literatura foi deixada de lado, vale a pena ler o 1984, de George Orwell, obra que pode ser considerada atualíssima, pois descreve um mundo como aquele em que parece estar se transformando o nosso. Orwell não imaginava a tecnologia tão variada como conhecemos hoje, mas colocou com precisão o que ela significa para o fim da liberdade e da livre determinação da humanidade.

Assim também, no campo da filosofia, não se pode ignorar a leitura de Platão, como, por exemplo, o diálogo A república, de Aristóteles (Política) e de qualquer obra de Nietzsche. Isso entre milhares de obras das mais diferentes áreas. Só assim estaremos realmente no mundo e poderemos atingir uma compreensão do homem, do universo e nos tornarmos verdadeiramente intelectuais, diferenciando-nos daqueles que veem o mundo apenas como fonte de satisfação e prazer material.

Pense nisso. E tenha um feliz e venturoso 2019.

 

É você que se forma

21 de dezembro de 2018

Prestadas as últimas provas da segunda fase, a melhor atitude agora é confiar e relaxar.  Todos os esforços necessários você fez para chegar aonde chegou, com grande dose de esperança de que conquistará a tão sonhada vaga no curso escolhido.

Na verdade, um vestibular é uma verdadeira batalha, que começa no ensino básico, ao tempo em que o estudante vai formando sua opinião sobre as diferentes profissões, mais particularmente sobre aquelas que o atraem para escolha futura. A partir de determinado momento, que corresponde mais ou menos ao nono ano do ensino fundamental, a escolha de cada candidato começa a se tornar mais clara e definida. Durante o ensino médio, consolida-se: o estudante já sabe o que quer e o quanto fazer, em termos de estudo, para conquistar sua vaga.

É neste ponto que a batalha recrudesce: a verificação do número de vagas, a oferta por esta ou aquela universidade, as estatísticas de anos anteriores sobre as médias que devem ser atingidas e a relação candidato x vaga. Todos estes números assustam um pouco, por vezes parecem insuperáveis. A obstinação do candidato, porém, é capaz de superar todos os obstáculos, todas as possíveis dificuldades.

Você certamente passou por tudo isso para chegar aonde chegou. E, muito provavelmente, conseguiu realizar boas provas para atingir a meta pretendida. A questão agora é aguardar os resultados, sempre confiando que fez o possível e o impossível em sua preparação.

Parta então do princípio de que sua vaga está conquistada e seu nome aparecerá na lista de classificação. E comece a pensar desde já no curso que vai fazer e na profissão em que se formará. Por quê? Porque hoje em dia não basta apenas formar-se, é preciso saber se formar. A busca de informações, tanto na realidade prática, quanto na rede, sobre o alcance ou os alcances da profissão que escolheu é de suma importância. Você não pode começar a fazer um curso universitário esperando que tudo aconteça na universidade, isto é, que esta preveja tudo o que vai acontecer tão logo você receba seu diploma. Você tem uma grande responsabilidade em verificar, antes e durante seu curso, o que está ocorrendo com os profissionais no mercado de trabalho, quais as alterações que os novos tempos, plenos de tecnologias, estão causando nessa profissão, enfim, quais requisitos você pode e deve acrescentar em seus estudos, durante o curso, para formar-se um profissional inteiramente à altura das expectativas do mercado de trabalho atual.

Assim, mãos à obra, procure aproveitar tudo o que puder: disciplinas optativas, disciplinas de outros cursos que perceba necessárias para ampliar seu perfil de trabalho ao se formar, conteúdos complementares no país e no exterior, já que todas as boas universidades brasileiras como a Unesp mantêm convênios com instituições de outros países, estágios em empresas nacionais ou estrangeiras. E sempre de olho no que está ocorrendo com a profissão no mercado de trabalho.

Percebeu? Faça valer, ao longo de seus estudos, a certeza de que a universidade fará uma parte e você deverá fazer a outra: forme-se.

Bom futuro!

 

Um pequeno conselho, mas eficiente

13 de dezembro de 2018

Nas últimas horas de estudo, prestes a iniciar a grande batalha por uma vaga, muitas vezes os candidatos a exames vestibulares e outros concursos anseiam por um grande conselho, que lhes possibilite o maior desempenho possível em suas provas. O problema é que, na maior parte das vezes, esse grande aporte de novas informações não vem, causando certa decepção. O que vem, quase sempre da boca de um amigo ou um mestre, é um lembrete qualquer, um último alerta sobre pequenos vícios ou distrações que temos ao escrever. Na hora, parece pouco, muito pouco. Só na hora.

Mesmo sabendo que poderá ser assim recebido, o Blogueiro apresentará sua sugestão. Esta nasceu diante de uma tela de televisão, há quatro dias, no discurso de uma apresentadora e entrevistadora de tevê. Ao fazer uma pergunta ao convidado, acabou dizendo ela que um bom governo geralmente não costuma afroxar suas decisões econômicas, mas as mantém permanentemente ativas e dentro de uma tensão ideal.

Ora, a ideia até que surge como interessante, candidata à verdade, mas aquele afroxar assusta bastante o espectador. E mais ainda vindo de uma pessoa formada por universidade A apresentadora, porém, pronunciou tão naturalmente, tão espontaneamente, que nem a pessoa entrevistada notou, e acabou empregando a mesma palavra do mesmo modo em sua resposta. Só um “chato” como o Blogueiro foi capaz de perceber que se trata de um grande equívoco empregar a forma errada afroxar em lugar da correta. Não devemos dizer nem escrever afróxa, erro grave. Trata-se do verbo afrouxar, que na sua conjugação vai solicitar esse u e que tem o e fechado, e não aberto: eu afrouxo, ele afrouxa, que eu afrouxe, que ela afrouxe, se eu afrouxar, se ela afrouxar, etc. etc.

Percorre nossos discursos na comunicação oral esse vício de pronúncia que nos faz dizer róbo em lugar de roubo (Eu roubo o livro.), róba em lugar de rouba (Ela rouba o supermercado). O verbo roubar se enquadra no mesmíssimo caso de afrouxar: apresenta sempre em sua conjugação o u, e seu o é fechado, não aberto. Na comunicação oral talvez não cause muito dano, mas na comunicação escrita, numa redação de concurso…

Embora o conselho do Blogueiro seja pequeno, nesta hora, é muito importante, porque há outros casos bastante semelhantes, com verbos como pousar (fazer pouso), toucar (enfeitar), arroubar, enlouquecer, aloucar-se e outros. Verifique e ganhe mais uma possibilidade de não cometer tais deslizes.

E para  não dizer que o Blogueiro ficou apenas nisso, hoje, esteja alerta para uma palavra que empregou no parágrafo anterior: bastante. No texto está bastante semelhantes. Esta segunda palavra é um adjetivo modificado por bastante, em função de advérbio, assim como seria muito semelhantes. O problema, porém, para alguns, surge em exemplos como Em sua tarefa temos provas bastantes de sua competência; Conversamos bastantes vezes sobre seu pai; A cidade tem bastantes prédios. Notou? Esse uso também é correto e perfeito. Não precisa estranhar, só entender e empregar.

Não lhe pareceu bom este conselho? Pequeno, talvez, mas muito útil, sempre  com o objetivo de levar você a fazer boas provas.

 

Que venha a revisão. Minha nota vai melhorar.

7 de dezembro de 2018

Terminada a primeira fase, em que você se saiu brilhantemente, é hora da segunda, em que você irá ainda melhor. Mas, como se costuma dizer, não se pode dormir sobre os louros de uma só vitória. É preciso buscar ainda mais possibilidades. Isso se obtém por um sistema inteligente de revisões.

Mas, afinal, que tipo de revisão você pode fazer em tão limitado período? Duas hipóteses surgem: uma, rever os pontos em que teve maior dificuldade com o conteúdo; duas: rever a matéria cujos conteúdos você teve não muita dificuldade em acessar. Embora pareça que a primeira hipótese seja a melhor, o Blogueiro acredita que a segunda é a que lhe pode trazer maior pontuação. Por quê? Porque você já tem certo domínio de alguns conteúdos, então será mais fácil resolver as dúvidas. As questões mais difíceis iriam lhe dar muito maior trabalho e estudo, que talvez não compensasse em termos de aprendizado.

Não esqueça, é claro, que a segunda fase é discursiva, tanto nas respostas quanto na redação. O estilo que você deve adotar é o mesmo dos enunciados das questões. Nesse  caso, tome bastante cuidado com as palavras e expressões que empregar. Evite escrever eu acho que, parece que, imagino que, etc. Expressões como essas empobrecem suas respostas e o texto redacional. Procure ser sempre positivo, sugerindo ter certeza daquilo que responde. As bancas precisam saber que você responde com convicção, e não por palpite.

No caso da redação, manifeste a mesma firmeza de quem sabe do que está falando, e não se trata apenas um mero palpite.

Essas pequenas atitudes conferirão o devido valor ao que escreve.

O mais importante de tudo, porém, é uma atitude de confiança em si mesmo. Afinal, não foi por acaso que você conquistou a primeira fase. E não será nenhuma surpresa ser aprovado na segunda. Boas provas.

 

 

O porquê da segunda fase

7 de dezembro de 2018

Agora que você já prestou as provas da primeira fase do Vestibular Unesp, já é hora de pensar na segunda, de preparar-se do melhor modo possível para ela. Você pode, por vezes, perguntar-se: Afinal, por que uma segunda fase com base no mesmo elenco de conteúdos? Já não passei por isso na primeira?

A pergunta é até justificável, exceto por um detalhe: na segunda fase, além dos conteúdos propriamente ditos, está em jogo o escrever. Você tem de demonstrar agora que, além de conhecer, tem preparo suficiente para, pelo escrever, demonstrar por si mesmo esse conhecimento, sem necessidade do x das alternativas. Algumas décadas atrás, chegou a haver nos vestibulares a ausência dessa prova discursiva, reduzindo-se tudo a uma única e extensa prova objetiva, à base de alternativas. O que parecia solução prática, porém, acabou por se revelar um grande problema, ao ser verificado nas universidades que os estudantes tinham imensa dificuldade em escrever. Foi a chamada Geração do X. Ao ficar bem patente o problema, as provas de vestibulares passaram a ser constituídas de questões objetivas e questões discursivas, incluída a redação.

Um profissional formado pelo ensino superior, deste modo, tem de ser capaz de expressar-se suficientemente bem por meio do discurso escrito. Esta é a diferença. E é por isso que você tem de tomar uma série de cuidados para que esse discurso funcione de acordo com o esperado para uma pessoa que se formou no ensino médio e vai ter de experimentar mudanças muito significativas em seus estudos ao longo do curso escolhido.

O Blogueiro, por isso, irá fazendo em muitos artigos um bom número de recomendações sobre a qualidade de seu discurso, tanto nas respostas às diferentes questões, quanto na redação, que representa uma parte muito importante dessa fase. Começando pelo começo, pode-se ir ao ponto mais elementar: os elementos fundamentais do discurso escrito, que se revelam por primeiro nos textos.

Assim, quer nas respostas a questões, quer na redação, trate de entender que a clareza da apresentação é muitíssimo importante. Parágrafos muito longos podem provocar confusão, ou até mesmo equívocos. Há respostas nas quais temos de nos estender um pouco mais e, nesses casos, é recomendável dividi-las em parágrafos para facilitar sua estruturação e a leitura pelas bancas de correção. Na redação ocorre a mesma coisa: é bom dividir o texto em parágrafos bem arranjados e harmônicos. Evitar o erro de transformar a redação num enorme e único parágrafo, pois nesse caso o próprio estudante pode se confundir e ser conduzido a um desenvolvimento equivocado. Não se deve, porém, seguir o conselho de alguns, que sugerem picotar o texto com curtos e numerosos parágrafos. Isso pode levar a uma perda de poder argumentativo.

Tomar cuidado, também, com certas características que, de tão elementares, praticamente não são muito focalizadas em aulas: começar cada período com inicial maiúscula, não empregar sem justificativa iniciais maiúsculas para certas palavras no interior dos períodos, não tentar fazer trocadilhos inúteis, nem citações de que não se tenha plena certeza, não rechear o texto com reticências, etc.

Percebeu? Em qualquer atividade humana, o elementar nem sempre é tão elementar assim.

 

O valor do diploma superior

29 de novembro de 2018

Você já parou para pensar no valor do diploma universitário que conquistará? Será apenas um belo pergaminho para colocar em um quadro na parede de seu escritório? Representará tão somente o curso em que você se formou e a profissão que exerce? E já pensou se você não exercer a profissão e resolver, depois de formado, partir para outra?

É, talvez não tenha realmente pensado. Mas não se preocupe. Parta do princípio de que nossa vida é cheia de episódios, alguns bastante radicais, que nos fazem mudar completamente de rumo, quer sob o aspecto pessoal, quer profissional. O importante é ter sempre em mente que nada do que fazemos é perdido. Tudo provoca experiências importantes, que podem servir como base muito útil para novas experiências, novos empreendimentos, novos caminhos a trilhar.

Evidentemente, nossa vida é governada pela aceitação e adoção de padrões. Por vezes, esses padrões nos governam tanto, que somos afastados da observação clara do que acontece na realidade. Alguns chegam a dizer que os padrões nos fazem aderir a um comportamento de manada, vale dizer, o que os outros fazem nos leva a fazer o mesmo, do mesmo modo. O que não percebemos, porém, é que, se a vida é informada por padrões, isso não significa um fato dominante. O oposto, o diferente, também podem ocorrer. E daí? Que fazer? Negar os fatos evidentes ou observá-los como distorções desprezíveis?

Nada disso. Quando ocorre algo diferente do que estamos acostumados a ver, é preciso buscar as razões para essa diferença e analisá-las, para verificar em que medida a ruptura de um padrão pode ser bem melhor que sua aceitação pura e simples.

E aqui o Blogueiro retorna ao início do artigo, focalizando a questão da formação universitária em determinado curso. Pelo padrão, uma vez formado, o indivíduo deve vir a exercer sua profissão, quer como assalariado, quer como autônomo. Não foi para isso que estudou tanto? Claro que foi, mas pode acontecer que alguma coisa, mais à frente, não ocorra de acordo com o planejado. Traduzindo: pode ocorrer que, em certo momento, o sujeito se defronte com uma oportunidade profissional muito boa, mas fora da profissão que escolheu. Que deve fazer? Aceitá-la, é claro. A vida é também feita de experiências novas, mesmo assumindo-se certos riscos. Nesse caso, para que serviu o diploma? Para ficar desprezado na parede? Pergunta e resposta erradas. O simples fato de ter surgido uma oportunidade de mudança é a maior prova de que o diploma adquire maior valor, ou seja, valor ainda maior do que imaginávamos. Segue-se o raciocínio de que uma formação universitária não é algo fechado em si mesmo, mas um fenômeno amplo. Um diploma nas mãos não significa apenas um atestado de preparo profissional, mas um leque de possibilidades profissionais.

Por tudo isso, nem se faça mais perguntas como: E se ao fim do curso concluir que não era bem aquilo que eu queria? Pense diferente, pense que ao chegar ao final de seu curso você será um profissional preparado para muitas e muitas oportunidades. E a melhor delas nem sempre é a que surge à primeira vista. Nunca se esqueça de que é hoje impensável a existência de indivíduos sem um diploma universitário. E é bom lembrar de que em muitos concursos o diploma superior é sempre considerado condição para a inscrição do candidato.

Pense nisso: um diploma universitário não é uma entrada de cinema, mas uma chave capaz abrir numerosas portas. O mundo real sofre mudanças a todo instante. E você deve sempre estar preparado para enfrentá-las e vencê-las. Certo?

 

Vestibular Unesp: sem sustos, sem problemas

14 de novembro de 2018

Muitos candidatos, chegada a hora dos exames, revelam certo receio de que as questões que enfrentará venham a ser muito difíceis, algumas praticamente irrespondíveis. Os vestibulares surgem-lhes como monstros devoradores cujo interesse maior é desanimar desde o início os estudantes e levá-los à reprovação sumária.

Na verdade, não se trata de nada disso. Se você faz o vestibular UNESP pela primeira vez, não precisa se preocupar com as provas. São todas muito bem ponderadas, elaboradas por especialistas segundo uma filosofia: as questões não objetivam saber o que você não sabe, mas avaliar adequadamente o que você sabe. Por essa razão, não existem nelas as famosas pegadinhas, nem tampouco as questões complicadas que poucos responderiam.

Trata-se de um conjunto de provas, nas duas fases, que visam estabelecer um perfil do candidato para ingresso no curso pretendido. A base das questões são os programas das disciplinas e conteúdos que você consolidou ao terminar o terceiro ano do ensino fundamental. As questões sobre atualidades não se afastam desses conteúdos e se referem aos temas que todo estudante egresso do Ensino Médio deve conhecer.

Comparado com outros, o vestibular UNESP busca situar-se num patamar razoável, a certa distância dos que são considerados muito difíceis e exigentes. Por quê? Porque os especialistas da Universidade julgam que a avaliação do candidato não consiste em saber se é capaz de grandes proezas nesta ou naquela disciplina, mas se no todo revela uma formação aceitável, bem dosada, que lhe permita, uma vez aprovado no curso escolhido, assimilar sem maiores dificuldades a formação oferecida pela universidade. É o que basta.

Por estas razões, fique tranquilo, que não encontrará surpresas. Trate de voltar toda a sua atenção para o que sabe e conhece, pois será exatamente isso que enfrentará.

Boas provas!

 

A ordem dos elementos na frase

8 de novembro de 2018

Você se preocupa bastante com sua redação e suas respostas discursivas nos vestibulares, não é verdade? Por vezes, quando percebe ou quando lhe apontam algum erro, fica aborrecido e se considera um mau escritor, alguém que é incapaz de fazer um texto que mereça nota alta. Nunca pense assim. Você passou por um exaustivo treinamento, desde o ensino fundamental, para escrever bons textos, e com certeza deve ser mesmo capaz. Por isso, em primeiro lugar, acredite em você.

Um dos modos de comprovar essa sua capacidade é verificar que todos aqueles que escrevem, inclusive este Blogueiro, podem cometer erros em seus textos. E cometemos mesmo. Somos sujeitos a erros dos mais diversos tipos, gramaticais, ortográficos, de coesão e de coerência. Escrever, dizem os bons escritores, é sempre uma luta, uma luta constante para evitar tais lapsos, o que às vezes não é possível, porque estamos sujeitos a mil e uma influências sobre nosso comportamento que nos podem levar a cometê-los, inclusive por distração. Observe o exemplo seguinte, retirado de um jornal, e tente verificar qual desacerto ocorreu:

A moça frequentava o hotel onde foi encontrada morta regularmente.

Não é preciso muito esforço de leitura para perceber que, rigorosamente falando, não há nenhum erro gramatical nessa passagem. Todavia, há um engano de colocação de um adjunto adverbial, que gera uma forte e perigosa ambiguidade, prejudicando o entendimento por parte do leitor. Trata-se da posição ocupada por esse termo. O leitor poderá imaginar dois sentidos possíveis: primeiro, “a moça foi encontrada morta regularmente”; segundo, “a moça frequentava regularmente o hotel”. Esta segunda possibilidade de sentido é a que o jornalista quis transmitir, mas, por infelicidade ou pressa, houve o deslocamento do adjunto adverbial para uma posição que gerou a ambiguidade. O escritor quis dizer, na verdade, o seguinte:

A moça frequentava regularmente o hotel onde foi encontrada morta.

Outra possibilidade, ainda aceitável, poderia ser:

A moça regularmente frequentava o hotel onde foi encontrada morta.

É claro que a possibilidade primeira seria mais clara. O jornalista talvez tenha esquecido de colocar o adjunto adverbial nessa posição e, sentindo falta ao terminar, deixou-o no final da frase.

Percebeu? Qualquer um de nós poderia cometer esse deslize, e o perceberia se tivesse tempo de fazer a revisão, mas o jornalismo impõe tarefas rápidas, razão por que esses cochilos escapam de vez em vez.

Por que isso acontece? Porque a língua portuguesa herdou de sua língua-mãe, o latim, uma boa liberdade de colocação de palavras e termos. Essa liberdade ajuda bastante nosso escrever, mas pode também a levar a alguns problemas como o descrito. Nesse caso, todo cuidado é pouco.

Observe, só para exemplo final, a liberdade de colocação que o português herdou do latim, verificando a ordem dos elementos num provérbio como

A pressa é inimiga da perfeição.

Temos nesse provérbio quatro elementos intercambiáveis: primeiro, a pressa; segundo, é; terceiro, inimiga; quarto, da perfeição. Fazendo um exercício de permutação, descobrimos que há 24 possibilidades de colocação desses elementos: 4x3x2x1 = 24. Apresentemos cinco delas:

A pressa é inimiga da perfeição.

A pressa inimiga é da perfeição.

A pressa é da perfeição inimiga.

É a pressa inimiga da perfeição.

É a pressa da perfeição inimiga.

Essas cinco possibilidades são perfeitamente aceitáveis e não gerariam problemas de sentido. Entre as dezenove restantes, porém, algumas produziriam dificuldades de compreensão. Isto significa, singelamente, que não devemos abusar da liberdade de ordenação dos elementos nas frases que criamos. Devemos sempre reler com olhos críticos o que escrevemos, para sanar desencontros de sentido.

Ficou claro? Então coloque essa questão entre os aspectos que você precisa vigiar, e muito, nos textos que escreve. Ainda assim, vez por outra você não escapará de uma escorregadela, como a do jornalista citado. Mas só vez por outra. Valeu?