Vestibular Unesp 2015: 101.014 candidatos

October 31st, 2014

Se você quer um bom exemplo que lhe sirva de símbolo na luta que trava para ingressar no curso superior com que sonha, bem como para o sucesso que pretende alcançar em sua futura profissão, pense na Unesp. Criada em 1976 pela união de faculdades e institutos isolados de diversas cidades do estado de São Paulo, a Unesp tinha um grande desafio pela frente: harmonizar como um todo as unidades que a constituíam e progressivamente desenvolver-se como uma universidade à altura de suas coirmãs mais velhas, a Usp e a Unicamp.

Era realmente um grande desafio, numa época também desafiadora, em que no nível mundial os países enfrentavam crises econômicas sucessivas e predominava a chamada Guerra Fria; no nível nacional, se vivia a ditadura militar desde 1964 e o aumento progressivo de movimentos sociais e políticos que defendiam o retorno da democracia plena. No plano econômico, o país passava por sérias dificuldades como muitos outros da América Latina, com a inflação alta, o desemprego e a grande dificuldade dos governantes em criar uma infraestrutura industrial adequada para embasar todas as demais atividades econômicas e gerar empregos. Toda a década de 80, neste sentido, foi caracterizada pela hiperinflação, que debilitava ainda mais a economia do país e corroía o salário dos assalariados. Nesse panorama, que na época parecia muitas vezes assustador, o país tinha consciência cada vez mais clara de que era necessário investir na educação básica e no ensino superior.

Enfrentando inúmeras dificuldades dentro desse quadro mundial e nacional, a Unesp foi, aos poucos e não poucas vezes com grandes dificuldades de ordem financeira, se consolidando, ampliando o número de seus cursos, encampando unidades em diferentes municípios e criando uma política de expansão para atingir a maior parte das regiões do Estado. Um dos cuidados maiores, concomitantes, era fazer com que seus cursos tivessem  cada vez maior qualidade.

A partir da década de 90, o país foi conseguindo livrar-se da hiperinflação e conseguiu estabilizar a economia. A Unesp continuou seu processo de crescimento, criando unidades em municípios do Estado que ainda não possuíam ensino superior público, ampliando o número de cursos e a oferta de vagas em todas as unidades e desenvolvendo-se cada vez mais na pesquisa, no ensino e na extensão de serviços à comunidade.

O resultado de todo esse crescimento é, hoje, uma universidade forte, presente em todas as regiões do Estado, com cursos de qualidade, intercâmbios com universidades de outros países e uma produção científica considerável, que a coloca sempre entre as primeiras do país e a faz subir cada vez mais no ranking internacional das universidades.

Deste modo, o fato de, para o vestibular de 2015, estarem inscritos 101.014 candidatos ilustra muito bem essa escalada vitoriosa de nossa universidade. São oferecidas 7.260 vagas em 174 cursos em unidades localizadas em 23 cidades do estado de São Paulo.

A Unesp, cujo vestibular você prestará proximamente, é, assim, um verdadeiro símbolo de luta, de valor, de otimismo, de crença no presente e certeza de um futuro cada vez mais brilhante.

Você é assim também. Sabe aonde quer chegar e sabe que chegará, porque tem talento e garra para consegui-lo. Como a Unesp, que é nosso símbolo e em breve será também o seu.

 

A menos de um mês das provas, atitude positiva

October 24th, 2014

A Natureza faz cada pessoa um ser singular, único, irrepetível. A Sociedade, com suas normas, seus padrões, seus costumes, tende a unificar os modos, os comportamentos, os desejos, os objetivos. No meio dessas forças, você de repente se vê como no interior de um vagão vazio que pende ora para lá, ora para cá e o vai fazendo deslizar de um ponto a outro segundo a direção e o nível que o trem assuma.

Um vestibular é algo semelhante: você se vê um ser único, mas com os mesmos anseios dos outros em atingir a linha de chegada. E por isso passa por um longo processo, a educação básica, para assimilar as mesmas habilidades que todos e, ao mesmo tempo, para diferenciar-se nesse processo, tentando dominar melhor que os outros, ou, pelo menos, que muitos outros, tais habilidades.

Qualquer que seja a profissão, universitária ou não, que um indivíduo escolha, terá de exercer esses mesmos papéis: ao mesmo tempo que se integra e se iguala, tem de se distinguir. Os vencedores são aqueles que conseguem harmonizar melhor esses diferenciais.

Agora, a menos de um mês das provas, você se pergunta se fez tudo direitinho para chegar ao ponto, se não deixou escapar muita coisa, no meio do trajeto, que poderá fazer falta no final. E se outros conseguiram fazer melhor que você?

A dúvida é válida, mas não se preocupe tanto com ela. Só por exceção alguma pessoa consegue não perder em nenhum momento a concentração ao longo de qualquer trajeto. O normal do ser humano não é a atitude robótica, exata, é o buscar sempre acertar, sabendo que, volta e meia, errará.

A menos de um mês das provas, deste modo, não cabem mais nem excesso de otimismo, nem acessos de arrependimento. Você é um ser humano normal, acertou em muitos pontos, errou em outros, está chegando ao destino com algumas dúvidas perfeitamente naturais. Aqui não cabe desespero, mas realismo: poderá resolver todas as suas dúvidas até a prova e eliminar todas as carências nestes ou naqueles conteúdos? Claro que não. Poderá, porém, fazer uma triagem, escolher aquelas dúvidas que pode resolver com o auxílio de professores, colegas e da internet. Com calma. Forçando a frieza do comportamento. Mas sem exageros de fazer seu corpo ficar carente de horas de sono. O sono, um bom sono, é um processo positivo e necessário ao nosso corpo. Durma o que for necessário, para que, de dia, cabeça limpa e alerta, assimile com mais facilidade suas revisões. Dê uma chance também ao lazer, que é fundamental para desanuviar a mente. Corpo e espírito equilibrados são chaves-mestras para abrir as portas do sucesso em qualquer empreendimento. Outra não menos importante é olhar para os fatos procurando ver o que os fatos são, e não o que você quer que sejam. Com essa postura realista e otimista, um mês é um período que pode ser muito positivo, talvez até decisivo para conquistar sua meta.

E tenha sempre em mente que a vitória, qualquer que seja a atividade, nem sempre é do mais talentoso, mas do mais equilibrado e dedicado. Valeu?

 

Rascunhar é planejar

October 14th, 2014

Muitos estudantes, desde as primeiras séries do ensino fundamental, se revelam avessos ao rascunho. Querem resolver tudo direto. Preferem, nos casos de disciplinas como língua portuguesa, geografia, história, ciências, escrever diretamente as respostas a questões e depois ir apagando o que erraram. E, no caso de matemática, escolhem fazer os cálculos diretamente e resolver os problemas “de cabeça”. O resultado, nos cadernos e provas, é sempre uma borradeira total, com passagens mal apagadas, palavras emendadas, uma bagunça generalizada. Resultado: cadernos em estado lamentável e perda de pontos preciosos em provas pelo fato de os professores não conseguirem entender as respostas assim tão mal escritas, sem falar nos erros cometidos pelo simples fato de não colocar no papel, de modo sistemático, os dados.

Ao longo do ensino médio, os estudantes são permanentemente estimulados a se tornarem objetivos na solução de questões, e parte dessa objetividade consiste exatamente no hábito de rascunhar antes de responder. Muitos estudantes, no entanto, persistem em seus “sistemas” de buscar respostas sem o socorro a anotações, confiando inteiramente em sua capacidade de armazenar dados simultâneos na memória e não economizando bravatas para justificar seu “poder” de memorização. Isso pode dar certo? Pode até dar, mas acaba sendo sempre um desafio aos perigos trazidos pelo acaso, que a chamada Lei de Murphy tão bem estabelece com seu princípio fundamental e possibilidades deste decorrentes.

Talvez uma das razões para essa aversão ao rascunho provenha do modo como considera o estudante o próprio sentido comum da palavra e até mesmo de sua forma sonora. Afinal, não se pode dizer que r-a-s-c-u-n-h-o seja lá um belo vocábulo, nem que seu sentido carregue um conteúdo grandemente animador. Rascunhar, para muitos, é garatujar, rabiscar. Grande engano! O rascunho, na verdade, constitui o primeiro passo para um caminho correto. Famosos projetos de arquitetos ilustres começaram com rascunhos, verdadeiros rabiscos em que os artistas buscaram fixar no papel, para não perder na mente, as ideias e as linhas fundamentais que sua criatividade, funcionando a todo vapor, lhes estava fornecendo naquele mesmo instante. Sabemos, por experiência própria, que muitas vezes deixamos de anotar uma boa ideia e, algum tempo depois, quando vamos desenvolvê-la, já a esquecemos. Em resumo: deixamos de escrever um esboço, quando a ideia nos veio, e depois passamos pelo aborrecimento de tentar lembrá-la, quase sempre sem sucesso.

O rascunho, portanto, não é um apêndice inútil e precário daquilo que pretendemos fazer: é o início necessário da solução de um problema, da elaboração de um projeto, da criação de um texto, uma obra, um empreendimento. É o modo acertado, enfim, de começar algo desde o começo, com segurança e objetividade.

Rascunhar não é perder tempo. É planejar para ganhar eficácia. Pense nisso!

 

Liberdade, igualdade, fraternidade

October 3rd, 2014

Os vestibulandos se preocupam tanto em estudar, os professores em ensinar do melhor modo possível, os cursos preparatórios em reforçar os conhecimentos e preparar simulações, que, muitas vezes, acabamos deixando um pouco de lado certos valores básicos, sem os quais esse esforço não significa muita coisa em termos de civilização e humanidade.

O título deste artigo, que é o lema da Revolução Francesa, sintetiza de modo admirável esses valores. O direcionamento do estudante para os exames vestibulares e os cursos superiores, desde o ensino fundamental, pode ter como consequência o sentir-se cada vez mais indivíduo, cada vez mais centrado no próprio eu, como  guerreiro solitário que caminha para enfrentar sozinho um exército. Isso é bom? Não, porque contraria a própria noção de sociedade e de comunidade. Na sociedade humana ninguém está sozinho. Cada um de nós é uma parte que não exisitiria sem o todo, um todo que só é tal por suas partes.

Gregório de Matos, num soneto muito expressivo, diz na primeira quadra: O todo sem a parte não é todo, / a parte sem o todo não é parte, / mas se a parte o faz todo, sendo parte, / não se diga que é parte, sendo todo.

O que estará querendo dizer o Blogueiro ao unir num mesmo artigo o lema da Revolução Francesa e uma quadra de Gregório de Matos? pensará você. Algo muito simples e ao mesmo tempo muito profundo e essencial: ao ingressar num curso universitário, o estudante não está só, não luta por si mesmo apenas, luta por toda a sociedade, por todas as pessoas. E nesse lutar não pode jamais esquecer-se dos valores que, magistralmente sintetizados no lema da Revolução Francesa e expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada a 10 de dezembro de 1948 pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), devem fundamentar a vida em sociedade: todos os homens são livres, todos os homens são iguais, todos os homens são irmãos.

Sem esses valores, uma carreira profissional, universitária ou não, é vazia e sem sentido. Pode-se dizer que uma vida sem esses valores é vazia e sem sentido.  Por isso mesmo, ao tentar ingressar num curso universitário o estudante deve estar imbuído do alcance e do desdobramento desses valores: está lutando por si e por todos. E, quando formado, estará trabalhando por si e por todos. Como disse Gregório: O todo sem a parte não é todo, / a parte sem o todo não é parte.

Utopia? Nada disso. Realidade. A universidade, desde que surgiu, caracterizou-se, por meio do estudo e da pesquisa científica livre, pela defesa dos ideais de justiça e de solidariedade, afrontando inclusive corporações, religiões e sistemas políticos que pretendiam ter sempre a última palavra em termos de conhecimento e de comportamento humano.

Sem as universidades e toda a ciência que produzem, o mundo hoje seria realmente muito pior, talvez até mesmo o oposto do que prega o lema da liberdade, igualdade e fraternidade. Ao conquistar sua vaga, caro vestibulando, portanto, você não está só, você está na sociedade, você é a sociedade cujos valores estão representados em seus sonhos e anseios individuais. Viva esses valores. Viva por esses valores.

 

Cerque os cercas e os acercas

September 24th, 2014

No artigo postado na semana que passou, o Blogueiro tratou de uma questão importante: o uso da forma verbal e da preposição a para expressar tempo. Ainda não havia terminado, quando se lembrou de outras expressões com que o estudante deve preocupar-se, para não escrever o contrário do que pretende em suas respostas a questões dissertativas de qualquer disciplina ou, mesmo, em sua redação. Preste bem atenção nestas palavras e locuções: cerca, cerca de, a cerca de, acerca, acerca de, há cerca de. Parece uma confusão, não parece? É possível que você nunca tenha notado essas diferenças e escreva do jeito que as palavras vêm à cabeça, não é?

Pois bem. Dá para simplificar e explicar. Em primeiro lugar observe que, se você consultar um bom dicionário, verificará que existe a palavra cerca como substantivo, com o significado de obra de madeira, pedra ou tijolo que rodeia um terreno:

 

A cerca da casa está em estado precário.

 

Existe, entretanto, outra palavra cerca que funciona como advérbio, com os significados de perto, junto, próximo, nas imediações, quase pouco mais ou menos. Talvez você nunca tenha ouvido nem lido, mas esteja preparado para frases como esta: Cerca havia uma fazenda de gado. Quer dizer: Perto havia uma fazenda de gado. Com certeza, porém, você já ouviu, leu e até escreveu frases como: Minha irmã emagreceu cerca de vinte quilos. Ou também: O vulcão entrou em erupção cerca de dez horas depois de nossa chegada. Ou ainda: A cerca de cinco quilômetros fica a casa de meu tio. Nesses três exemplos, cerca de equivale a mais ou menos, aproximadamente.

Acerca é também um advérbio que pode ser equivalente a perto, próximo, vizinho; a respeito, sobre, com relação a. Observe os exemplos: O conferencista falou por duas horas acerca da energia elétrica (ou seja, sobre, a respeito de). Nossas dúvidas acerca da nova lei da previdência são justificadas (ou seja, com relação a, com respeito a).

Até este ponto, não há nenhum grande problema. É preciso, porém, muito cuidado para não confundir a cerca de com há cerca de. A semelhança é apenas de sonoridade, nada mais. Observe:

Trabalho nesta empresa há cerca de 14 anos.

 

Esta frase equivale a esta outra: Trabalho nesta empresa há aproximadamente 14 anos. E observe agora esta frase:

 

Você vai caminhar até chegar a cerca de dez quadras da escola.

 

Esta frase equivale a esta outra: Você vai caminhar até chegar a umas dez quadras da escola.

Percebeu? Fez a relação com o artigo anterior? Então entendeu por que o Blogueiro julgou necessário escrever sobre todos estes cercas e acercas. Ops! Você notou que ao dizer “estes cercas e acercas” o Blogueiro transformou os dois advérbios em substantivos, tal como fazemos ao dizer o porquê, os porquês?

A Língua Portuguesa é fantástica, não é?

 

A, A, À, HÁ, AH!

September 17th, 2014

Um texto de jornal online deixou o Blogueiro, como diz o povo para expressar grande susto, de cabelos em pé! Era uma notícia sobre política, que vai citada aqui com algumas alterações para evitar reclamações dos citados:

 

Não se pode acreditar que, há quatro meses do fim do ano, algum ministro tenha tanta imaginação para afirmar que em dezembro todos os problemas do país estarão resolvidos.

 

Parece uma frase comum, de conteúdo crítico, daquelas que todos os dias lemos nos jornais. Mas espere! Opa! Leia bem a primeira linha e descubra o verdadeiro ataque à Língua Portuguesa que a frase encerra: quatro meses do fim do ano!!

Não é para ficar de cabelos em pé, mesmo?  O verbo haver, quando usado para expressar um fato que já ocorreu, é empregado na terceira pessoa do singular:

 

Há dois anos ocorreu um abalo sísmico no litoral do Chile.

 

No texto do jornal, porém, o redator usou a forma verbal indevidamente, em lugar da preposição a. Deveria ter escrito, portanto,

 

Não se pode acreditar que, a quatro meses do fim do ano, algum ministro tenha tanta imaginação para afirmar que em dezembro todos os problemas do país estarão resolvidos.

A preposição a, nessa frase corrigida, expressa exatamente o que quis dizer o redator, ou seja, a relação entre o tempo atual e um ponto do tempo futuro, como se pode verificar neste exemplo forjado pelo Blogueiro:

 

Estamos a duas semanas das eleições.

 

Entendeu bem o problema? Pois tome bastante cuidado ao responder questões discursivas de qualquer disciplina ou ao escrever suas redações em vestibulares. Uma troca como a comentada acima pode fazer com que uma resposta que você sabe apresente uma redação equivocada, que será considerada errada.

Não custa observar e fazer uma revisãozinha nessa questão da representação do /a/ em Língua Portuguesa: a pode ser artigo definido (a garota), a pode ser preposição (daqui a três dias viajarei para Londres), à é a forma de representar na escrita a crase entre a preposição a e o artigo definido a, é a forma que o verbo haver assume na terceira pessoa do singular do presente do indicativo e, finalmente, ah! é uma interjeição em cuja pronúncia geralmente fazemos um alongamento, o que explica a forma com que é representada com h e ponto de exclamação, já que interjeições desse tipo equivalem a palavras-frase com conteúdo emotivo.

Parece uma charada, não? Claro que parece. Não deixe, porém, que uma inadequada solução dessa pequena charada possa fazer de suas respostas charadas maiores.

 

Profissional de Educação Física: uma bela carreira

September 15th, 2014

O primeiro dia do mês de setembro é dedicado ao profissional de Educação Física.  Em alguns jornais e sites da internet a data foi lembrada, bem como em alguns eventos oficiais. Nem todos, porém, deram a devida atenção a esse fato nem ao que representa.

Na atualidade, a cultura física e esportiva não é mais um fenômeno limitado a algumas categorias de indivíduos, mas a todos, de todas as idades. O profissional de Educação Física vem sendo muito requisitado em nosso país e no mundo inteiro, e isto não apenas em função do grande desenvolvimento da prática de esportes, quer profissionais, quer amadores. Desde fins do século XX até a presente data, a humanidade acordou para o fato de que a atividade física regular é um dos principais fatores da boa saúde para todos os indivíduos. Não cabe, todavia, qualquer forma de improviso. Os profissionais formados por universidades dominam todos os fundamentos teóricos e práticos para orientar os praticantes a um desenvolvimento gradativo e seguro. Sem isso, o esperado benefício pode transformar-se em sério risco.

No Brasil, assistimos hoje a um desenvolvimento muito grande da cultura física. As pessoas se precupam com o corpo, quer em termos de resistência e desempenho, quer em termos de estética. Por vezes, associam-se essas duas preocupações, com os indivíduos buscando as práticas esportivas ao mesmo tempo que a bela aparência de suas linhas corporais. As calçadas, especialmente das praças e locais de recreação, ficam lotadas de pessoas que se dedicam a caminhadas, corridas, exercícios. Muitas prefeituras instalam equipamentos em logradouros públicos. As academias de ginástica e musculação se multiplicam. Tudo isso, evidentemente, é muito bom, é ótimo, significa a instauração de uma mentalidade bastante positiva e a valorização dos profissionais que orientam tais práticas. Estes, aliás, devem ser considerados indispensáveis e insubstituíveis para que os procedimentos físicos sirvam como alavanca a uma maior resistência e saúde.

Houve tempo em que a formação de profissionais nesse campo era vista como limitada aos esportes profissionais e amadores. E, como os esportes profissionais, em nosso país, limitavam-se a dois ou três, com predomínio quase absoluto do futebol, pois os demais eram praticamente amadorísticos, não se considerava a Educação Física uma profissão das mais promissoras. Esse panorama vem mudando bastante, de modo que, hoje, como comentado nos parágrafos anteriores, o profissional de Educação Física é realmente um dos mais requisitados, com um vasto e variado campo de trabalho a sua escolha, inclusive com a possibilidade de tornar-se um empreendedor muito bem sucedido.  Com a realização da próxima Olimpíada no Brasil, de resto, talvez  os governantes finalmente acordem para o fato de que o incremento ao esporte olímpico não representa apenas uma fonte de medalhas para o país vangloriar-se, mas atua como alimentador poderoso de uma concepção voltada para a valorização do corpo, da saúde e da própria vida de todo o povo brasileiro.

Se você escolheu esse campo para prestar seus vestibulares, não tenha dúvidas de que optou por um grande horizonte de possibilidades profissionais, já que a cultura da atividade física, no mundo todo, é um processo realmente irreversível, que só tende a aumentar e intensificar-se e os profissionais da Educação Física são os pilares dessa concepção de vida saudável e prazerosa a todas as pessoas. Felizmente, nesse caminho a humanidade acertou em cheio.

 

Cinco atitudes que o estudante não deve ter

September 5th, 2014

Todos sabem que a melhor forma de motivação é a positiva, é mostrar as vantagens, as conquistas, as vitórias, os prêmios que se podem obter com uma dedicação maior ao estudo ou ao trabalho. Focalizar o aspecto negativo, todavia, algumas vezes pode ter utilidade, talvez até grande utilidade. É o que acha este Blogueiro, sempre preocupado com o sucesso de todos os vestibulandos. Se pudesse, ele faria o milagre de criar vagas para todos os candidatos. Infelizmente, o mundo ainda não é capaz de oferecer tudo o que as pessoas anseiam. Por isso, em numerosos campos de atividade, os indivíduos estão mergulhados em concorrência permanente. E, muitas vezes, dura concorrência.

Assim, o Blogueiro desta vez não sugere o que deve o candidato fazer; recomenda o que não deve. Não se trata, é claro, como diz o povo cristão, de ensinar o padre a rezar missa, mas de explorar mais um viés para ajudar os candidatos em sua tarefa verdadeiramente hercúlea.

Afinal, o que não deve fazer o candidato, quer em concursos profissionais, quer em vestibulares? O Blogueiro imagina poder sintetizar em cinco atitudes.

Primeira atitude – Deixar de acreditar no sucesso. De jeito nenhum! Jamais deixe de acreditar no sucesso, caro vestibulando, porque a vitória não é algo que se recebe, é algo que se conquista pelo esforço e pela dedicação pessoal. Pode demorar, mas virá. Fora com todos os pessimismos e derrotismos!

Segunda atitude – Limitar-se às apostilas escolares ou do curso pré-vestibular. Nem pensar, meu caro! Por mais bem feitas que sejam as apostilas do ensino médio ou do cursinho, nem sempre contêm elas os melhores conceitos, os melhores exemplos, as mais fáceis explicações. Não se limite a isso. Há ene apostilas de ene cursos, muitas vezes abandonadas em casas de parentes ou conhecidos. Busque obter algumas. Consulte-as sobretudo naqueles pontos em que as suas não dão conta de resolver dúvidas. Uma delas dará. Certo pesquisador disse ao Blogueiro um dia que, mesmo fazendo pesquisa na universidade, não desprezava livros e apostilas escolares, pois algumas vezes tinha neles e nelas encontrado melhores explicações e exemplos do que em tratados universitários.

Terceira atitude – Subutilizar a internet. Esta atitude é pouquíssimo moderna. Sabe você o que é subutilizar? É usar um equipamento bem abaixo das possibilidades de uso que esse equipamento apresenta. É não tirar todo o proveito, todas as vantagens que um instrumento nos oferece. É subaproveitar algo. Entendeu? Então, nada de subutilizar a internet, que é o grande instrumento da comunicação, da informação e do conhecimento hoje, em nosso planeta. É bom jogar uns gamezinhos? É. É bom passear nas redinhas ou redonas sociais? Claríssimo que é. Mas, convenhamos, ficar só nisso é como pedir para um mamute carregar uma caixa de fósforos vazia! A internet chegou a tal ponto que uma pessoa que nada sabe de Matemática pode tornar-se um matemático de primeira, navegando pelos sites que oferecem de graça conhecimentos e exercícios. Se todos os seus livros e apostilas não lhe resolveram as dúvidas, em algum ponto da rede você resolverá. Nossos pais e avós, muitas vezes, lamentavam-se por não haver lido, em sua juventude, determinados livros que lhes seriam importantes no futuro. Imagine o que nós não reclamaremos no futuro se fizermos uma subutilização daquilo que se oferece na web?

Quarta atitude – Não troque livros por resumos. Resumos foram escritos conforme o ponto de vista de quem resumiu. Resumir, de certo modo, é distorcer. Leia, entenda e resuma você mesmo. A propósito, não leia por obrigação. Faça da leitura de livros de qualquer natureza um hábito para toda a sua vida. Quem não lê não cresce intelectualmente, marginaliza-se com relação aos principais problemas que envolvem o homem e a sociedade. Os livros de todos os gêneros e assuntos são uma herança cultural, civilizacional muito grande a que não podemos renunciar. Com e-readers e tablets, hoje não há mais desculpas para deixar de ler. O Blogueiro está neste momento na metade da leitura de um livro sobre a Idade Média verdadeiramente fantástico, que esclarece numerosos pontos sobre esse período da História da Humanidade.

Quinta atitude – Nos dias de provas, não menospreze a Lei de Murphy, cujo principal postulado é: Tudo o que pode dar errado dará. Prepare-se para o dia. Verifique diariamente os documentos que apresentará para ingresso nos locais de provas. E planeje até como conduzir em segurança no dia das provas esses documentos, no bolso da calça, da blusa, da camisa. Onde estarão mais seguros, inclusive em caso de um pequeno acidente? E nessa história do trajeto, imagine sempre que é melhor chegar muito cedo que um pouquinho tarde. Em tempo: não banque o faquir. Você é um ser humano comum. Para desempenhar bem suas atividades, precisa estar bem alimentado, bem nutrido, com a saúde em dia.

Estão aí as motivações de hoje. Todas começam com um não faça e terminam com um faça, o que equivale a dizer que o aspecto negativo é apenas um modo de chamar atenção para o positivo. Pense bem e acrescente outras que foram aqui esquecidas. E quando prestar seu vestibular, passe bem.

 

Navegar é preciso? Sim, mas…

August 29th, 2014

A era da comunicação global em que vivemos pode muitas vezes iludir aqueles que observam fatos e fenômenos sem o necessário senso crítico. Um exemplo é a internet:  facilita e acelera as comunicações, disponibiliza instantaneamente boa parte do conhecimento humano, pode ensinar muito… mas também muito desensinar. Alguma novidade nessa conclusão? Nenhuma. Qualquer coisa nova, desde os tempos mais remotos da História, é planejada para determinado uso e, na prática, acaba revelando possibilidade de uso bem diferente do idealizado, por vezes mau uso. Assim, os homens que procuravam inventar o avião imaginavam estar criando algo muito útil para a humanidade; os aviões, no entanto, apesar dessa grande utilidade, de que somos testemunhas ainda hoje, acabou sendo usado para a guerra e o assassinato em massa de populações. E ainda é!

A internet não é diferente. Criada para o bem, para o progresso das comunicações, também acaba sendo usada para o mal, para a prática de crimes, para a imoral espionagem de uns países a outros. Isso não quer dizer, porém, que devamos bani-la em virtude do mau uso. Ao contrário, devemos aproveitar todas as suas boas potencialidades, torná-la um instrumento do bem, das boas relações entre pessoas e entre países.

Este Blogue já ressaltou muitos dos benefícios que a navegação na rede pode trazer aos candidatos a exames vestibulares, desde, é claro, que saibam como navegar e onde aportar. Os numerosos sites dedicados ao conhecimento científico, à informação e ao ensino são portos seguros. Os jornais e revistas, que aos poucos estão abandonando o papel e assumindo o formato difital, igualmente representam bons pontos de chegada para a busca de informação, para a atualização das pessoas com relação ao mundo em que vivem. Cursos online ministrados por universidades e instituições dedicadas a preparar pessoas para os mais diferentes concursos são excelentes ancoradouros a quem busca o melhor para sua vida.

Tudo isso é verdade. Todavia, não devemos nos iludir. É preciso sempre estar com um pé à frente e outro atrás, porque a web é como o mundo cá fora: numa esquina se pode encontrar um benfeitor; noutra, um assaltante. Não é, porém, para falar de assaltos a seu bolso ou sua bolsa que este artigo está sendo postado; é para falar de assaltos à sua distração, caro vestibulando e caro candidato a concursos, ao seu descuido em não julgar o que está lendo e, por isso, sem querer, assimilar como certo o que está errado.

Para exemplificar esse perigo, o Blogueiro usou dez minutos de leitura na internet e flagrou textos com erros que, na gíria, se denominam cabeludos. Os exemplos foram ligeiramente alterados, para evitar reclamações dos redatores. Eis o primeiro:

 

O candidato propôs um governo multisetorial e aberto aos mais capazes.

 

Parece que tudo está certo na frase. Não está. Observe como foi escrito multisetorial. Está errado: falta um s; deve-se escrever multissetorial.

É bom tomar cuidado, portanto, com tais cochilos (ou erros mesmo) dos redatores de textos da mídia. Eis outro, cabeludíssimo:

 

A negociação entre o clube estrangeiro e o nacional evoluíram bastante nos últimos três dias.

 

Na verdade, o redator quis dizer que a negociação evoluiu. Fez confusão, no entanto, com a menção a dois clubes. O plural, nesse caso, é um verdadeiro assalto digital à Língua Portuguesa.

Às vezes, um cochilo acaba gerando outro:

 

A prefeitura promove, no próximo dia 5 de setembro um encontro de músicos da região.

 

Embora não seja raro na linguagem coloquial e em jornais o emprego do presente do indicativo em lugar do futuro do presente, no exemplo acima ficaria muito mais claro e eficiente promoverá em lugar de promove, em virtude da referência à data. A mesma referência à data, aliás, gerou outro problema: o emprego da vírgula após a forma verbal promove, separando o sujeito do predicado. Trata-se de erro de pontuação, que poderia ser evitado com o emprego de vírgula também após setembro (A prefeitura promoverá, no próximo dia 5 de setembro, um encontro de músicos da região.) ou com a simples supressão da vírgula após promove (A prefeitura promoverá no próximo dia 5 de setembro um encontro de músicos da região.)  Já no exemplo abaixo. a vontade de acertar conduz ao erro:

 

O empresário do craque tem o oferecido a numerosos clubes estrangeiros.

 

Você, evidentemente, notou que o redator buscou evitar “tem oferecido ele”, uso coloquial de “ele” que não é permitido pela norma-padrão. Não soube, porém, empregar a variante pronominal átona adequada. Nesse caso, não há desculpa, houve erro mesmo por desconhecimento. A frase deveria ser: O empresário do craque tem-no oferecido a numerosos clubes estrangeiros. Se julgasse que “tem-no” ficaria demasiadamente formal, o redator podia ter escrito: O empresário está negociando com numerosos clubes estrangeiros a transferência do craque. Ou: O empresário do craque ofereceu-o a numerosos clubes estrangeiros.

Vale fazer, para encerrar, uma reflexão bem curiosa: em tempos passados eram comuns as citações em jornais de erros cometidos por vestibulandos em suas provas discursivas, particularmente em redações. Pejorativamente, tais erros eram chamados “pérolas”. Tratava-se, na verdade, não de intenção de corrigir, mas de debochar dos candidatos responsáveis por tais erros. Por antiética, tal atitude foi banida.  Curiosamente, hoje as “pérolas”, como você acaba de notar, se espalham por toda a rede, em jornais, revistas, sites, blogues. Em vez fazer deboche a seus autores, porém, devemos aprender com os erros flagrados  e, com isso, aperfeiçoar nosso domínio da Língua Portuguesa.

Para o vestibulando, portanto, navegar na rede é preciso. Mas sempre tomando cuidado com a profundidade das águas e o perigo dos recifes, para que o barco de sua redação siga seguro até o porto.

 

Não fuja da concordância

August 14th, 2014

Você por certo tem muitas dúvidas de concordância. Não se envergonhe disso. Professores, jornalistas, blogueiros e escritores também têm. Quem vive a escrever vive tendo dúvidas. É normalíssimo, portanto. Anormal será não procurar resolver e deixar como está.

Obviamente, você já estudou mais de uma vez na escola os fundamentos da concordância nominal, que implica o acordo entre as flexões do substantivo e seus modificadores, e da concordância verbal, que impõe o acordo entre as flexões do sujeito e do verbo. Não adianta, portanto, chover no molhado e falar sobre isso desde o comecinho. Um artigo de blogue não tem tanto espaço e também não é uma teoria, é um bate-papo construtivo em que o blogueiro procura passar sua experiência aos leitores e fazer alguns alertas. E é geralmente baseado em um tema do dia a dia.

Pois o tema de hoje é justamente uma dúvida de concordância nominal. Observe os exemplos forjados:

 

O governo, ao autorizar o funcionamento daquela indústria, parece não haver pensado nos impactos ambiental e social.

O governo, ao autorizar o funcionamento daquela indústria, parece não haver pensado no impacto ambiental e social.

Qual das duas está certa? você pergunta ao escrever. Resposta: as duas. Os gramáticos defendem ambas as formas, embora reconheçam que a primeira (com o substantivo impactos no plural), é regularmente usada e, de certo modo, bem mais clara (e elegante) que a segunda. Note que a concordância, em cada caso, pode ter uma explicação diferente: no primeiro exemplo, a pluralização do substantivo (impactos) responde antecipadamente à presença dos dois adjetivos que o modificam (ambiental, social). O segundo exemplo pode ser entendido com base numa elipse: impacto ambiental e (impacto) social.

Pois o blogueiro, hoje cedo, deu uma derrapada nesses exemplos e sentiu uma ligeira dúvida. Que fazer? Recorrer aos gramáticos. Uma leitura rápida das gramáticas de Maria Helena de Moura Neves e de Evanildo Bechara revelou que podia usar sem susto qualquer dos dois exemplos. Assim, é válido empregar qualquer das frases abaixo:

 

Apesar de novatos, conseguimos obter o primeiro e o segundo lugar.

Apesar de novatos, conseguimos obter o primeiro e o segundo lugares.

O estudo da literatura portuguesa e brasileira é bastante necessário.

O estudo das literaturas portuguesa e brasileira é bastante necessário.

 

O blogueiro prefere a concordância no plural; outros escritores, no plural. E você?

É isso aí. Não fuja da concordância. Quando tiver uma dúvida, nada de dar de ombros e dizer, como quem não quer nada: Não sei, porque ninguém me ensinou. Errado. Diga sempre: Ninguém me ensinou, mas vou descobrir por mim mesmo. Você se espantaria, aliás, se pudesse fazer uma estatística sobre sua vida e descobrir o quando aprendeu por si mesmo e por sua vontade de aprender!