Vossa, Sua Excelência: sabe a diferença?

September 22nd, 2016

No momento que o Brasil atravessa, política e economicamente, geram-se numerosos temas que podem ser aproveitados em perguntas de História, Filosofia, Língua Portuguesa e Redação. É preciso, pois, estar alerta para pequenos detalhes que, em conjunto, podem vir a auxiliá-lo enormemente em termos de nota final, como também a prejudicá-lo, caso você não saiba lidar com  essas diferenças.

Você por certo já acompanhou debates da câmara e do senado, bem como dos tribunais superiores, em julgamentos de processos que envolvem políticos. Acompanhou? Pois deve ter verificado que há um tratamento cerimonioso nessas ocasiões. Não importa a formação maior ou menor do deputado ou senador, o tratamento faz parte do protocolo do relacionamento entre aqueles que constituem os poderes mais altos da nação, seja do legislativo, seja do executivo, como também do judiciário. O padrão, em todos esses casos, é o tratamento Excelência: Sua Excelência, o Presidente da República, Sua Excelência, o senador fulano de tal, e assim por diante. Já observou? Ótimo. Então não é preciso explicar mais sobre as formas de tratamento, que já vem de longe, de um passado longínquo, para reis, rainhas, príncipes, etc. Com relação a estes, os pronomes de tratamento eram algo obrigatório, para denotar grande respeito e acatamento. Com relação às autoridades atuais do executivo, legislativo e judiciário, o tratamento é ditado pelo protocolo, que também conduz a autoridade a tratar um visitante ou depoente comum como Senhoria. O interessante é que uma pessoa comum, como nós, ao estar depondo numa Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), deve tratar o membro do legislativo como Excelência, enquanto este a trata como Senhoria. Só que algumas vezes, no calor dos interrogatórios e debates, o membro do legislativo se equivoca e trata a pessoa comum também como Excelência. Alguns percebem o erro e se corrigem; outros nem o percebem.

Pois bem. Vale a pena que você tenha em memória as duas variáveis dessas formas de tratamento, conforme um usuário se dirija diretamente a outro ou a este faça apenas referência, vale dizer, conforme a presença ou ausência da pessoa à qual se refere o interlocutor. Para tanto, usam-se os pronomes sua e vossa. O interlocutor emprega Vossa quando está dirigindo a palavra ao outro: Vossa Excelência não está me entendendo direito. Mas, quando apenas se refere a outro, não presente, usará o pronome sua. Sua Excelência, o senador fulano de tal, não interpretou direito o artigo 3º, da lei. Observe, neste caso, que um senador, por exemplo, se dirige a outro com o tratamento Vossa Excelência. E se dirige a uma pessoa comum como Vossa Senhoria. Quando esse mesmo senador fala de outro senador, não presente, diz Sua Excelência. E quando fala de uma pessoa não presente emprega Sua Senhoria. Exemplos: Vossa Excelência, senador Odorício Peixoto, não devia usar da palavra neste momento. Sua Excelência, o senador Odorício Peixoto, não pôde comparecer hoje ao plenário. Vossa Senhoria, engenheiro Abricórdio Lima, esclareceu muitas coisas para nós. Ontem, em seu depoimento, Sua Senhoria, o engenheiro Abricórdio Lima, esclareceu muitas coisas para nós.

Compreendeu  bem? Então tome muito cuidado, em suas provas, caso o tema seja político e tenha de referir-se a autoridades, em fazer o emprego correto, como, por exemplo, na frase: Sua Excelência, o senhor presidente da República, está conseguindo fazer a inflação baixar. Será um erro grave, portanto, nesse caso, empregar o vossa, simplesmente porque você não está em presença do presidente, mas apenas referindo-se a ele, o que impõe o uso de sua.

Mas para que tudo isso? perguntará você, e concluirá: Não seria melhor e mais fácil empregar “você” ou “o senhor”, “a senhora”? Talvez até fosse, mas se trata, na verdade, de formas de tratamento meramente protocolares, cerimoniosas, destinadas a destacar o caráter de autoridade ou não autoridade das pessoas mencionadas. E a solução com  sua e vossa é tão simples, que não há motivo para reclamar, nem tampouco para errar. Nossa vida social está cheia de protocolos, não está?

 

A Universidade universal

September 20th, 2016

Você talvez não faça ideia de como a universidade brasileira, particularmente a Unesp, mudou nos últimos vinte e cinco anos. Mudou muito, mas muito mesmo. Para começar, mudou a qualidade de seu corpo docente, vale dizer, de seus professores. No passado,  eram maioria os professores universitários que rinham apenas o mestrado ou não tinham feito pós-graduação. Hoje, será raro encontrar um docente com apenas mestrado, a grande maioria  possui doutorado e pós-doutorado. Ressalte-se também o fato de que muitos professores fizeram mestrado ou doutorado ou ambos em universidades estrangeiras, o que contribui em muito para o aprimoramento da docência e da pesquisa.

A formação em universidades estrangeiras decorreu do fato de haver iniciado um intercâmbio muito grande das universidades brasileiras, quer entre si, quer com universidades estrangeiras de todos os continentes. A consequência imediata desse fato foi a intensa atualização por que passaram as universidades de todo o mundo, podendo-se afirmar, a este respeito,  que, na prática, temos hoje uma grande e só universidade mundial, constituída pelo conjunto das universidades locais.

Esse intercâmbio faz com que estudantes já da graduação possam cursar, como ocorre na Unesp, disciplinas em instituições estrangeiras, valorizando-se com isso sua formação e seus currículos quando ingressarem no mercado de trabalho. Muito diferente do passado, portanto. Por isso, é normalíssima, hoje,  a  presença de professores estrangeiros lecionando em nossas universidades, assim como a presença de professores brasileiros lecionando e pesquisando em universidades estrangeiras. Não nos surpreendem mais, nos noticiários de tevê, as entrevistas de cientistas brasileiros em universidades e institutos de pesquisa dos mais renomados do planeta, tal o nível a que chegou a formação de profissionais em nossas universidades.

A internet, sob  este aspecto, facilita tudo e cria o ensino universitário a distância, que permite pensar num futuro em que praticamente todos os cursos universitários poderão ter a maior parte de suas disciplinas ensinadas via web. Mesmo hoje, é possível já formar-se em alguns cursos universitários pela rede. Muito provavelmente será esse o caminho para que um número cada vez maior de estudantes possam fazer seus cursos superiores, inclusive com a possibilidade de intercâmbios com instituições estrangeiras pela internet.

Quando você ingressar na Unesp, de fato, encontrará todo esse ambiente positivo de aprendizado, quer na própria instituição, quer, por intercâmbio, em universidades estrangeiras.

Que ótimo, não? O mundo está caminhando a passos largos para uma globalização de todas as suas atividades, e as universidades não deixam por menos, privilegiando as mais variadas formas de relacionamento entre si. Ganham com isso os estudantes. Ganhará você, pois terá seu diploma valorizado e sua carreira futura facilitada por uma excelente formação.

 

Decoro: seu cartão de visitas

September 9th, 2016

Uns dias atrás o Blogueiro leu num jornal na internet a frase “O político emputeceu ao ser informado da acusação.” O verbo emputecer, criado na década de noventa, por parassíntese (em+puto+ecer) é bastante usual na oralidade, no discurso do dia a dia. Mas convenhamos: não é lá muito elegante empregá-lo no discurso escrito, formal, nem mesmo no próprio discurso jornalístico. Trata-se de um termo que o Aurélio considera chulo, isto é, grosseiro, baixo, rude, ordinário. Ou, na melhor das hipóteses, de mau gosto.

O Blogueiro faz estas reflexões imaginando que muitos vestibulandos podem não ter a exata noção desse caráter chulo ou dessa chulice do verbo emputecer, sobretudo porque nossa rica língua portuguesa possui muitos outros vocábulos mais elegantes para usar em seu lugar na frase mencionada, com muito maior efeito expressivo: enraivecer-se, encolerizar-se, irar-se. Uma palavra chula desvia a atenção do leitor para significados que, muitas vezes, nada têm a ver com o texto que está sendo lido.

Assim chega o Blogueiro ao ponto pretendido, o decoro. O que significa esta palavra? Correção moral, compostura, decência, dignidade, nobreza, honradez. Você por certo já ouviu ou leu a expressão muito atual decoro parlamentar, que significa a compostura, a decência e a boa educação que deve manter um político (por exemplo, um senador, deputado) em seu comportamento e suas intervenções nos trabalhos do parlamento. Se o político fere o princípio do decoro parlamentar, pode até ser excluído do cargo para o qual foi eleito.

Ora, nas respostas discursivas e da redação dos vestibulares, devem os candidatos, entre outros cuidados, observar também o decoro. É claro que, não fazendo isso, não serão descontados necessariamente nas notas, mas um discurso com muitas agressões ao decoro, à boa educação, pode gerar no corretor uma certa ojeriza pelo texto que está lendo. E isso será realmente muito perigoso. Ninguém gosta de ler textos cheios de indecorosidades, não é? Você gosta? Pode até gostar, mas se engana se imaginar que todos gostam. Uma redação, por exemplo, deve ser um texto obediente à norma padrão, à correção gramatical, à clareza, à concisão e ao decoro, entre outras qualidades. Nada de palavras e expressões chulas, de baixo calão e obscenas, como encher o saco, babaca, aporrinhar, bocó, meter-se a besta, sovaco, merreca, etc., etc.

Observou bem o que disse o Blogueiro?  Além de correto, seu texto deve ser bem-educado, não só em vestibulares e concursos, mas em suas tarefas acadêmicas e sua profissão futura, sob a forma de cartas, relatórios, pedidos, etc. Não ceda jamais ao mau gosto.

 

 

Você sabe o que é crise?

September 9th, 2016

Muitas vezes acontece, mas você não percebe. É que se torna tão fácil ver determinado aspecto de um fato, que acabamos, pela própria facilidade, não conseguindo vê-lo. Esse fenômeno já foi até usado como tema de obra literária, por exemplo no conto “A carta roubada”, de Edgard Alan Poe: a carta estava num lugar tão evidente, tão fácil de achar, tão na cara, como diz o povo, que aqueles que a procuravam acabavam por não enxergá-la. O mesmo ocorre em nossa vida diária: às vezes não conseguimos encontrar um objeto perdido porque não está perdido, apenas foi colocado num lugar diferente do habitual; e como muitas vezes agimos por puro automatismo, por seguir obstinadamente um método, não conseguimos ver o que está à nossa frente.

O Blogueiro está usando esses exemplos para demonstrar que, na própria linguagem, o fenômeno acontece: muitas vezes ouvimos tanto uma palavra, ou a lemos, que acabamos não dominando de modo objetivo seu significado. A palavra crise é um bom exemplo. Nunca se falou tanto em crise em nosso país. É crise para lá, é crise para cá, mas, afinal o que é mesmo crise? Descobrimos que não sabemos objetiva e amplamente os significados que a palavra incorpora. Temos apenas a noção de que crise é algo ruim, algo que não está dando certo num processo. Mas é só? Não, de fato não é. Justamente por isso o dicionário é companheiro e conselheiro inseparável. No caso de crise, a informação que nos dá tem de ser resumida, de tão extensa que é: crise é uma palavra empregada pela Medicina, para indicar o surgimento repentino de uma doença num indivíduo sadio, ou também o agravamento de uma doença;  crise é manifestação muito forte e súbita de perda de equilíbrio; crise é um estado de dúvidas e de incertezas em determinado processo; crise é a fase grave de um processo, quer físico, quer psicológico; crise é um momento crucial, perigoso, decisivo num processo;  crise é um estado de tensão e de conflito; crise, na Economia, é o ponto de transição entre um período de prosperidade e outro de depressão; crise, na ficção (literatura, teatro, cinema) corresponde ao ponto de agravamento do conflito, que conduz o enredo a seu ponto máximo  e decisivo.

Muitos significados, não é? E observe que não foram indicados todos, deixando-se de lado aqueles que podem ser abrangidos pelos mencionados.

Agora você está em condições de entender os significados que a palavra crise venha a assumir em qualquer contexto. Pode explicar objetivamente, por exemplo, expressões como crise política, crise social, crise educacional, crise econômica, etc., etc., etc. Você pode entender agora por que se diz o tempo todo, sobretudo na mídia, que O Brasil enfrenta atualmente uma crise política sem precedentes. E ponha crise nisso!

Sempre é bom, porém, prestar muita atenção no texto que lê, porque crise também pode significar, como diz o Aurélio, “certo tecido antigo”. É muito difícil que você venha a deparar-se com um texto em que a palavra carrega esse significado. Mas nada é impossível neste mundo. De repente, num livro de ficção, lá está ele.

Compreendeu? Há todo um campo de pesquisa sobre palavras cujos significados são tão óbvios e simples, que nos deixam confusos no momento de descrevê-los. Vale a pena, por isso, se você quer aumentar seus conhecimentos sobre palavras e conceitos (algo muito importante para ler e redigir), ter sempre à mão ou no monitor do PC bons dicionários.

Ah! e já ia o Blogueiro se esquecendo: vale muito a pena, muito mesmo, ler “A carta roubada”, de Poe, para ter uma verdadeira lição de que às vezes “a própria simplicidade nos desorienta”. O Blogueiro tem certeza de que você adorará o conto e passará a ler toda a obra do grande escritor. Ler é aprender, sempre.

 

Não vire um “tlocaletla”

September 9th, 2016

O Blogueiro apreciava muito uma antiga personagem de histórias em quadrinhos, que costumava trocar as letras erre e ele em suas falas, que se tornavam quase sempre muito engraçadas.

Você não é personagem de história em quadrinhos, e por isso mesmo pode e deve ter muita cautela no emprego de palavras com letras trocadas. Talvez tenha o costume ou até ache interessante trocar letras, mas, em provas tão importantes como de concursos para empregos públicos ou de vestibulares, esse costume tem de ser abandonado, já que uma só palavra com letra errada pode lhe tirar milésimos preciosos para a obtenção de uma vaga.

O mais interessante, para um professor, é entender por quê, mesmo após tantos alertas ao longo dos ensinos fundamental e médio, alguns alunos continuam a fazer tais trocas, como se não houvessem assistido a nenhuma das aulas a respeito. Exemplo clássico disso é o costume que muitos têm de escrever “análize”, com -z-, quando o correto é escrever com -s-: análise, analisar. Fato semelhante ocorre com os acentos gráficos, que muitos estudantes empregam indevidamente em certas palavras ou deixam indevidamente de empregar.

Eis uma boa relação dessas trocas de letras ou de acentos muito comuns e por isso mesmo perigosas:

 

1)      Espontaniedade em vez do correto espontaneidade.

2)      Expontâneo em vez do correto espontâneo.

3)      Hilariedade em vez do correto hilaridade.

4)      Gilbratar em vez do correto Gibraltar.

5)      Gratuíto em vez do correto gratuito.

6)      Idolatra em vez do correto idólatra.

7)      Octagésimo em vez do correto octogésimo,

8)      Prototipo em vez do correto protótipo.

9)      Metereologia em vez do correto meteorologia.

10)  Arquetipo em vez do correto arquétipo.

11)  Rúbrica em vez do correto rubrica.

12)  Adimirar em vez do correto admirar.

13)  Aerolito em vez do correto aerólito.

14)  Teleespectador em vez do correto telespectador.

15)  Crisantemo em vez do correto crisântemo.

16)  Dispar em vez do correto díspar.

17)  Extender em vez do correto estender.

18)  Bicabornato em vez do correto bicarbonato.

19)  Obceno em vez do correto obsceno.

20)  Alizar em vez do correto alisar.

Notou a importância de escrever a palavra com a forma adequada e correta? Note também que não há métodos milagrosos para conhecer a escrita correta. A leitura habitual ajuda muito, mas é preciso também estudar e localizar os erros comuns, que são mencionados em gramáticas e manuais de ortografia.

Compreendeu? Então, como sabiamente diz o povo, mande ver e não dê sopa ao azar!

 

O, a, os, as, lhe, lhes: pequenos, mas perigosos!

August 18th, 2016

Você deve saber que o, a, os, as são pronomes oblíquos objetivos, substitutos, na oração, de substantivos que funcionam como objetos diretos. Exemplo: Transformei a sucata em um belo enfeite – Transformei-a em um belo enfeite. Outro exemplo: Encontrei minhas amigas no centro da cidade – Encontrei-as no centro da cidade. Algo semelhante ocorre com lhe, lhes, que substituem substantivos em função de objeto indireto: Dei a meu amigo meu melhor estojo – Dei-lhe meu melhor estojo. Outro exemplo: Entreguei aos vizinhos a correspondência extraviada – Entreguei-lhes a correspondência extraviada.

Fácil, não é? Sim, mas a facilidade muitas vezes nos leva a erros grosseiros. Percorrendo artigos de jornais e revistas na internet, encontramos frequentemente a inversão desses papéis, ou seja, um lhe como objeto direto ou um o como objeto indireto. Trata-se de erros crassos, provocados mais por distração do que por desconhecimento das funções sintáticas desses pronomes objetivos. Num jornal da rede, outro dia, encontramos a frase seguinte: O zagueiro adversário provocou-lhe muito durante a partida. Parece correto, mas não é, O verbo provocar, nesse contexto, é transitivo direto, e por isso mesmo, quando se usa o pronome oblíquo de terceira pessoa como objeto, este deve ser direto: o, a, os, as, ou, dependendo da terminação do verbo, lo, la, los, las, no, na, nos, nas. A frase correta, portanto, será O zagueiro adversário provocou-o muito durante a partida.

O exemplo oposto também é comum no discurso muitas vezes desmazelado dos artigos internetianos: A Justiça decidiu tornar-lhes réus, sob a acusação de lavagem de dinheiro. Observou o erro? O verbo tornar, nesse caso, é objetivo direto, de modo que trocá-lo pelo pronome objetivo indireto lhe é um grande equívoco. A frase correta será: A Justiça decidiu torná-los réus, sob a acusação de lavagem de dinheiro. Outro exemplo: Encontrei-lhe ontem no Jardim Botânico. Como você nota, o lhe está indevidamente empregado em lugar de o. A frase correta, deste modo, será: Encontrei-o ontem no Jardim Botânico. Observe que, se fosse usado um substantivo, ficaria: Encontrei meu primo ontem, no Jardim Botânico. Deste modo, tanto o como meu primo funcionam na frase como objetos diretos, tal é a regência desse verbo.

É bom tomar cuidado, portanto, como essa troca indevida de pronomes objetivos diretos por pronomes objetivos indiretos, ou vice-versa. Numa redação, por exemplo, tal troca é penalizada pelos corretores, porque se trata de um lamentável erro.

Não espere, portanto, condescendência das bancas de correção. Trate de verificar, primeiro, se você costuma cometer tais equívocos e, segundo, de estudar casos semelhantes e fazer exercícios, muitos exercícios, para não errar mais.

Agora entendeu a razão do título um tanto irônico deste artigo? Realmente, o, a, os, as, lhe, lhes são vocábulos bem pequenos, mas o que têm de pequenos têm também de perigosos.

 

 

O “s” e suas armadilhas olímpicas

August 18th, 2016

Agora que a olimpíada do Rio de Janeiro está em pleno curso e sucesso, pode-se dizer, comparando as três últimas olimpíadas, que o Brasil soube fazer um trabalho certo, simples, mas plenamente vitorioso. É claro que, não sendo nosso país um forte concorrente olímpico em todas as modalidades esportivas, temos de nos contentar, nessa como noutras olimpíadas, com uma medalha aqui, outra ali, e festejar muito cada conquista. Nossa olimpíada está demonstrando mais uma vez que são na maior parte pessoas humildes, dotadas de puro talento, que conquistam tais medalhas, muitas vezes à custa de grandes sacrifícios pessoais. É uma pena, pois a cada olimpíada que passa chegamos à conclusão de que puros talentos esportivos e olímpicos não são aproveitados e desenvolvidos unicamente por não haver um programa nacional de grande porte para conduzi-los ao pódio. E ficamos sempre na ilusão de que, na próxima olimpíada, tudo será diferente e o país fará as grandes conquistas que faltaram em olimpíadas anteriores.

Você estará se perguntando por que o Blogueiro, num blogue sobre vestibulares, deu para fazer um grande parágrafo falando só das competições olímpicas. E você mesmo, numa segunda e mais atenta e crítica leitura, perceberá que em tal parágrafo aparecem repetidas olimpíada e olimpíadas. Percebeu? Na verdade, o Blogueiro continua falando de vestibulares, na medida em que procura criar frases que aparesentem o uso correto e adequado dessa palavra no singular e no plural. Deste modo, a lição continua. Como é muito provável que, num ano olímpico, os concursos e vestibulares abordem como temas de redações e de questões, as competições olímpicas, a primeira coisa que você deve ter em mente é a diferença de uso. Até mesmo escritores e jornalistas muitas vezes se equivocam ao referirem-se às “olimpíadas do Rio de Janeiro”. Ora, trata-se de um erro crasso. No Rio está em curso uma olimpíada, a de 2016. Usar o plural, neste caso, não cabe. Caberia, se, por exemplo, houvesse referência às olimpíadas de 2012 e 2016, isto é, a duas olimpíadas. Assim também se nos referíssemos a todas as olimpíadas que já foram disputadas. Cada uma delas, porém, é uma olímpiada. Ficou claro?

Muito cuidado, portanto, se o tema for abordado nos próximos exames de vestibulares de alguma universidade. E assim também cuidado com pequenas distrações que o fazem deixar de escrever o “s” em casos de concordância. Textos da internet oferecem inúmeros exemplos disso, como Os dois pescadores perdidos na mata foram, pelo trabalho competente dos bombeiros, localizado depois de um dia de buscas. Notou? Por distração, pura distração, o redador escreveu “localizado”, quando deveria ter escrito localizados. As bancas corretoras, porém, não raciocinam para desculpar distrações, mas para apontar erros, qualquer que seja a razão que os fez aparecer no texto.

Compreendeu? O “s” é uma letra bastante perigosa, que pode induzir a erros grosseiros e causar perda de pontos preciosos. Não brinque em serviço.  

 

 

O vestibulando, um intelectual

August 9th, 2016

Com certeza, você não parou ainda para pensar que tudo o que faz, tudo o que lê, tudo o que estuda transformam você de um estudante egresso do ensino médio em um verdadeiro intelectual. Não ria, isso é a mais pura verdade.

Um vestibulando autêntico passa boa parte de sua vida, desde o ensino médio, a se informar e ler tudo o que puder ser indagado nas provas, o que quer dizer praticamente quase tudo. Além de precisar ler sobre os conteúdos dos exames, tem de estar informado sobre o que acontece no mundo, simplesmente porque alguns desses conhecimentos pode ser objeto de Filosofia, História, Geografia, Biologia, Ecologia, Política, etc., etc. Atualmente, com o advento da internet, ficou mais fácil, muito mais fácil acessar todas essas informações. No entanto, ficou muito mais difícil estudar, pelo fato de na web encontrarmos praticamente tudo o que queremos saber ou conhecer.

Você percebe que os antigamente chamados Conhecimentos Gerais hoje em dia constituem uma base ponderável para questões de diferentes disciplinas. Um exemplo bem atual: a presidente do país está sofrendo um processo de impedimento, o que torna o termo inglês impeachment corriqueiro em todas as notícias de rádio, televisão, revistas, jornais, na mídia em geral. É claro que você tem de ler sobre o assunto. E é mais claro ainda que você tem de estudar as ações políticas, a constituição brasileira, a palavra dos críticos. E inclusive assumir sua própria opinião, para expressar em resposta a alguma questão de História ou ao próprio tema da redação, pois os elaboradores adoram colocar como tema questões atuais.

A exploração do espaço sideral também pode servir de exemplo. Nunca houve tantas conquistas e tantas notícias sobre tal exploração por meio de telescópios colocados no espaço, naves não tripuladas que se aproximam de corpos celestes, descoberta de novos sistemas solares e muitos planetas com condições de vida semelhantes às da Terra. E você não pode prestar uma prova de vestibular sem ter conhecimento, e bom conhecimento, desses conteúdos.

A política mundial, os conflitos entre países, o terrorismo que assola o mundo de hoje, tudo isso deve ser bem conhecido do candidato. Sem falar nas doenças, nas pandemias, nas epidemias, na pobreza extrema de algumas regiões do planeta, que facilita o surgimento de doenças dos mais diferentes tipos.

Acha pouco? Pense então na crise econômica que experimenta o mundo, particularmente o Brasil, e a corrupção que a retroalimenta, pelo desvio de bilhões de reais de seu verdadeiro destino, que deve ser o bem estar da população brasileira.

É claro que você está bem informado sobre tudo isso. E o que significa? Que você, na verdade, por necessidade, por gosto ou pelas duas coisas juntas, acabou se tornando um verdadeiro intelectual, isto é,  uma pessoa que desenvolve gosto ou inclinação pelas coisas do espírito e da inteligência e que passa a ver o mundo com muito mais capacidade de fazer abstrações e sínteses, de entender muito mais que as pessoas comuns, cujas ações e pensamentos são práticos e terra a terra. Em resumo, você é quase um filósofo, um indivíduo capaz de pensar o mundo e a vida de um modo superior.

Quer queira, quer não queira, portanto, você se tornou um verdadeiro intelectual e deve assumir sua função. A universidade alimentará e aperfeiçoará esse modo de ser. Mas, por outro lado, o ser um intelectual lhe confere uma responsabilidade muito grande, de ajudar as pessoas a serem melhores, menos egoístas, menos más, menos interesseiras e mais filantrópicas.

Exerça essa sua intelectualidade, portanto, não apenas para passar no vestibular, mas para fazer com que a humanidade seja otimizada pela moral, pelos bons costumes e pelo bem.  Falou?

 

 

Internet é uma, não a forma

August 9th, 2016

Alguns jovens acham que, com base no discurso que praticam em suas comunicações em redes sociais, já sabem escrever muito bem e isso será suficiente em provas de vestibulares e concursos. Pura ilusão. O discurso na internet é apenas uma forma de utilização da língua na rede. Uma redação de vestibular ou de concurso nada tem a ver com ele.  Isso significa condenar a forma de comunicação pela internet? Nada disso, significa apenas que a forma de comunicação pela internet é uma forma de comunicação pela internet. E que uma redação em concurso deve ser vazada em outro modo de utilização da língua, vigiado pela norma padrão. São dois processos, portanto, perfeitamente válidos em suas dimensões e circunstâncias, que não devem ser misturados. O primeiro, da internet, não precisa  de um vocabulário muito rico. O segundo, por natureza, utiliza um vocabulário extenso e variado.

Uma passagem pelas duas folhas de um jornal em que se localizam os editoriais, artigos de jornalistas e de colaboradores nos serve hoje de lição para aprender melhor a entender e expressar-se.

De tanto falarem professores e colegas,  nós sabemos disso. Mas acabamos por adquirir o hábito, para nós nem sempre prazeroso, de ler tais artigos como modelos do pensar e do escrever. Costumamos cometer, porém um erro, ao não ligarmos muito para algo que é crucial em qualquer leitura: o vocabulário. A leitura dos artigos, de fato, nos serve de guia para os assuntos que percorrem o país o ano inteiro, podendo até antecipar uma possível proposta de redação.

É preciso, porém, muito cuidado e atenção. Há vocábulos que não conhecemos e passamos por alto em tais artigos. O Blogueiro fez a experiência de ler os artigos de duas folhas de um jornal e encontrou alguns que podem servir de exemplo: pleito, postulação, controvérsia, cognitivo, propina, falácia, retaliação, titubeante,  pandemia. Quantas dessas palavras você conhece? Todas? Ótimo. Mas, se não conhece bem algumas, está na hora de mudar seu sistema de leitura. Isso já foi dito em artigos anteriores, mas o Blogueiro insiste, porque é fundamental: leia, mas não deixe vocábulo em branco. Passar por alto os vocábulos que não se conhecem é uma forma de indolência, para não dizer preguiça, mesmo.

Voltemos aos vocábulos recolhidos das duas folhas de jornal: pleito = eleição, postulação = solicitação, controvérsia = polêmica, discussão, debate, cognitivo = relativo ao conhecimento, à cognição, propina, = gratificação, suborno, falácia, = afirmação falsa, errônea, enganosa, retaliação, = vingança, desforra, represália, titubeante, = vacilante, oscilante, hesitante; pandemia =  doença epidêmica com grande difusão.

Se não conhecia bem os significados, agora vai conhecer. E reconhecer que o processo de leitura e de expressão precisa de um vocabulário amplo e rico, para facilitar sua compreensão e sua criação.

É isso aí. Não deixe vocábulo em branco, nem nos textos que lê, nem nos que escreve.

 

Fazendo umas perguntinhas só para testar

July 21st, 2016

Algumas vezes você pensa que sabe, mas não sabe. Isso vale para todas as matérias. De tanto estudar, você acredita que sabe certos conteúdos, mas, na hora H, realmente não sabe. Se cair nalguma prova, descobre, aborrecido, que deveria saber, que poderia saber, que saberia, se tivesse estudado mais.

Não se acuse nem se iluda, você poderia até saber, mas não fixou na memória por não ter usado o método adequado.

Há métodos modernos de fixação de dados na memória. Este artigo, porém, vai explorar um método bastante antigo e eficiente: estudar com base em perguntas e respectivas respostas. O Blogueiro vai colocar um questionário com cinco perguntas, para que você verifique se realmente conhece. Se responder diretamente a todas as perguntas e não tiver dúvidas, parabéns, você conhece mesmo. Mas, se não conseguir apresentar de imediato as respostas, trate de verificar em suas apostilas. Vamos exemplificar com o discurso em língua portuguesa, que é a base de todas as provas:

 

1 – Pode apresentar de imediato três exemplos de emprego de porque e três de emprego de por que?

2 – Na frase Eu me penteio, qual a função sintática do me?

3 – O vocábulo senão pode ser substantivo. Dê um exemplo numa frase.

4 – Crie um exemplo de cujo como substantivo e explique o significado.

5 – A marcação do a com acento grave em Assisti à sua apresentação é obrigatória?  Haveria outra possibilidade? Explique.

 

Se você for capaz de resolver estas questões sem vacilar, está preparadíssimo. Se não souber uma ou outra, trate de verificar. Se não souber a maioria, estude um pouco  mais.

A internet está cheia de sites que apresentam questionários sobre as diferentes matérias. Mas não precisa ser necessariamente da internet. Em apostilas e livros antigos encontramos também muitos questionários. O Blogueiro já se preparou muito bem para concursos estudando em livros antigos comprados em sebos. Cada livro, na verdade, tem um foco diferente, particular de seu autor, sobre a matéria. E esse foco diferente muitas vezes resolve problemas que as apostilas e livros novos não resolvem. Foi num desses livros antigos, desprezados nos sebos, que o Blogueiro encontrou o melhor conceito de substantivo próprio. Os livros novos enrolavam, enrolavam e não apresentavam conceito aproveitável.

É isso aí. Aplique o mesmo método a todas as matérias. Invente perguntas e responda adequadamente. Ou responta a questionários de sites, livros e apostilas. De  perguntinha em perguntinha, você fixará boa parte dos conteúdos. Será uma ajuda e tanto, pode crer!