Agora, a virada!

December 18th, 2014

Agora que a segunda fase do Vestibular Unesp está encerrada e que tudo correu como você esperava, resta aguardar os resultados, após a virada do ano. A palavra virada, especialmente na expressão virada do ano, parece um tanto coloquial, mas é bastante expressiva para caracterizar a expectativa, de um ano para o outro, das mudanças de tempo, de rumo, de realizações. Foi bastante empregada, aliás, quatorze anos atrás, na expressão Virada do Milênio.

O ano novo encerra sempre uma esperança e uma promessa: a esperança de que os próximos doze meses tragam uma bela alteração em nossas vidas, que nos encaminhará para uma situação bem melhor; e a promessa, nossa, de não perdermos as novas oportunidades que surgirem. O sucesso de um indivíduo na sociedade está na razão direta das oportunidades que sabe aproveitar.

Você, evidentemente, foi muito bem na segunda fase e conta com a aprovação. Sobretudo, merece a aprovação. Talvez ainda não tenha encerrado seus vestibulares, tendo alguns outros para fazer, com a mesma esperança de sair-se bem e ser aprovado, para poder ter a satisfação de, ponderando as possibilidades, o futuro e sua situação atual, escolher a instituição adequada e o curso que melhor satisfaça seu desejo.

Essa será, portanto, a guinada de sua vida. Fazendo um trocadilho, você sairá de uma missão comprida para os resultados de uma missão cumprida. O curso universitário trará realmente mudanças radicais em seu modo de viver, que os intelectuais costumam chamar, alatinadamente, modus vivendi. Todas essas alterações, porém, serão positivas, não se tratará mais de lutar para passar, mas de lutar por adquirir condições de exercer sua carreira, sua independência, sua cidadania, seus ideais, toda a sua vida, enfim.

Relaxe um pouco. Aproveite as festas de Natal e Ano Novo, certo de que o futuro que se aproxima será bom e lhe oferecerá as oportunidades para cuja conquista você demonstrar vontade, competência e garra.

Lembrando de uma bela série de filmes, nada melhor, neste final de ano, que lhe dizer, de todo o coração: Que a Força esteja com você!

 

No momento da prova, empatia!

December 11th, 2014

Você por certo já ouviu ou leu a palavra empatia. Empregada originalmente pela Psicologia, tornou-se aos poucos popular, com o significado de identificação emocional que se sente por uma pessoa ou um objeto. Usa-se  este termo justamente para definir um forte e estranho sentimento por alguém que acabamos de conhecer, ou um objeto, uma paisagem, um lugar que estamos contemplando pela primeira vez. Talvez não seja bem este o sentido original empregado na Psicologia, mas, afinal, é o que costuma ser usado no dia a dia.

A palavra simpatia, bem mais utilizada, tem sentido bastante próximo ao de empatia, pois designa afinidade moral, afetiva, com outra pessoa, que por isso passa a ser considerada simpática. antipatia carrega acepção distinta, apontando para a aversão que se experimenta, muitas vezes de modo gratuito, injustificado, irracional, por alguém. Simpatia e antipatia são termos muitíssimo mais empregados que empatia.

Em dias que antecedem provas de vestibulares, parece bobagem ficar dissertando sobre tais palavras e conceitos. Não é bem assim. O Blogueiro está justamente encontrando uma ligação, uma relação entre tais termos e os exames. Qual? Algo que os próprios conselhos dados em livros e em sites da internet não focalizam. Fala-se em comer bem, dormir bem, chegar adiantado, cuidar da documentação, ler com atenção, etc., etc. Deixa-se de dar, porém, um conselho que pode ser vital para o bom desempenho de muitos candidatos: ter uma atitude receptiva, verdadeiramente empática para com as provas, vendo-as não como um obstáculo, mas como um degrau, não como algo estranho, mas algo da própria pessoa que busca resolver as questões. Vendo-as, enfim, como o caminho aberto para atingir seus objetivos, e um bom caminho.

Muitos candidatos a concursos e exames vestibulares se deixam levar por sentimento oposto, olhando para as provas como barreiras, como percursos montanhosos, plenos de perigos de queda. Não é uma boa atitude, pois acaba criando uma espécie de antipatia, de aversão, de repulsa, que só pode prejudicar o indivíduo. As provas, de fato, têm de ser consideradas como oportunidades, como instrumentos para o sucesso, para o êxito. Vale dizer: pontos de passagem de algo bom para algo muito melhor.

Faça isso. Pense sempre assim. Quando tiver a prova em mãos, procure sentir o que ela lhe traz de bom, identifique-se com ela, veja-a como um portal. Em assim fazendo, você não aprenderá milagrosamente mais do que já sabe, mas evitará um obstáculo que, gerado por você mesmo, poderia levá-lo a não conseguir mostrar tudo o que sabe.

Boas provas!

 

Redigir é também criar beleza

December 1st, 2014

Agora que se encerrou a primeira fase do Vestibular Unesp 2015 e se aproxima a segunda, de natureza discursiva, vale a pena abordar um aspecto que por vezes passa despercebido.

Muito se fala hoje em clareza, concisão, objetividade, especialmente no que se refere ao ensino de redação para vestibulares e concursos de acesso. Aqui mesmo, neste blogue, mais de uma vez esses atributos do discurso foram explicados, para que você tenha sempre em mente que, ao dissertar, não se pode dar ao luxo de perder o rumo da argumentação e enveredar pela obscuridade, pela prolixidade e pela subjetividade. Esses ensinamentos recebidos nas escolas, nos cursos preparatórios e nos sites especializados em vestibulares são corretos e, bem compreendidos, só podem auxiliá-lo a melhorar a capacidade de redigir.

Tudo isso, porém, não implica algo que os próprios livros e apostilas sempre apresentam nos textos de que lançam mão como exemplos, textos de grandes escritores, de grandes oradores, de grandes argumentadores. Há algo mais nesses textos que a mera obediência à clareza, à concisão, à objetividade. Observe, a título de exemplo, esta passagem de um discurso de Rui Barbosa:

 

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,  o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

Essa foi a obra da República nos últimos anos.

(Rui Barbosa. Obras completas. Vol. XLI, 1914, tomo III, Discursos parlamentares. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura / Fundação Casa de Rui Barbosa, [s.d.]. p. 86)

 

Uma beleza, não é? Ao mesmo tempo que argumenta com eficácia, o orador confere a seu texto máxima expressividade, servindo-se para isso de repetições que criam o paralelismo das orações e de uma disposição dos conceitos em crescendo, que conduz ao chamado clímax: De tanto ver triunfar as nulidades… a ter vergonha de ser honesto. A clareza, a concisão, a objetividade não são afetadas, muito pelo contrário, são reforçadas pelas escolhas operadas por Rui Barbosa em sua síntese do que acontecia na República naqueles também tumultuados anos da política brasileira.

Com que propósito o Blogue está focalizando este aspecto? Em primeiro lugar, para você perceber que há mais recursos que os usualmente usados para tornar um texto argumentativo mais eficiente, seja ele oral ou escrito. Em segundo lugar, para revelar uma constatação de quem vem acompanhando a evolução do ensino de redação desde há muito tempo. Não foram poucas as vezes em que o blogueiro presenciou opiniões de pessoas que condenavam os professores antigos e os gramáticos por defenderem a busca da beleza no discurso. Houve pessoas que passaram a ver a própria literatura como mau exemplo para o ensino da dissertação. É forçoso constatar hoje, no entanto, que a exigência da redação em vestibulares, desde fins da década de 1970, acabou produzindo, nestes últimos quarenta e poucos anos, gerações de estudantes cada vez mais hábeis no escrever. E é igualmente óbvio verificar que, como se observa todos os anos nos exemplos publicados de redações de vestibulares, vêm surgindo gerações de candidatos que escrevem cada vez melhor, que não se contentam mais com a mera obediência a preceitos de eficácia, mas buscam imprimir em seus textos a objetividade ao lado da beleza do fraseado, da boa escolha de palavras e expressões.

Você já pertence a essa geração, meu caro. Não tenha receio de exercitar-se em conferir a seus textos não apenas eficácia argumentativa, mas o dinamismo e a beleza que constituem o verdadeiro diferencial entre quem apenas escreve e quem escreve muito bem.

 

Primeira fase do Vestibular: objetividade e equilíbrio

November 26th, 2014

A primeira fase do Vestibular 2015 da Unesp caracterizou-se pela objetividade e pelo equilíbrio, cujos efeitos principais foram a realização de uma prova calma, sem problemas de tempo, e do entendimento pleno das questões. Esta é a opinião unânime de candidatos e professores, que aprovaram inteiramente a prova, asseverando que todas as noventa questões foram satisfatoriamente compreendidas e resolvidas, devido a formulações bastante claras e precisas dos enunciados. O bom balanceamento entre questões conceituais e questões formais foi igualmente elogiadíssimo.

Para nós, da Unesp, estes elogios representam, ao mesmo tempo, a certeza de haver atingido o ideal de tornar o vestibular um exame que conduza os candidatos a ver coroada a satisfação de todo o esforço e sacrifício em sua preparação, além de intensificada a esperança de uma boa classificação para a segunda fase.

Como este blogueiro já mencionou algumas vezes, observar friamente o caderno de questões não dá ideia do empenho envolvido na elaboração e do ideal dos elaboradores de propiciar uma avaliação ponderada e justa dos candidatos, “sem pegadinhas”, como afirmaram alguns candidatos, e sem questões que, por muito trabalhosas, “roubassem” tempo precioso da solução das demais. Estas características, aliás, não são acidentais, mas fazem parte da própria concepção do Vestibular da Unesp: um exame vestibular não deve ser uma pedra no meio do caminho, como diria o poeta Drummond, nem tampouco um ritual de medo e terror, mas um momento de consagração da dedicação e esforço que os jovens colocam em seu dia a dia, anos a fio, para ingressar no curso de seus sonhos e, posteriormente, operar na carreira que os tornará cidadãos úteis e realizados em toda a sua vida.

Os candidatos, em suas manifestações de satisfação, sintetizaram seu parecer sobre a prova com expressões como “tranquila” e “fácil de resolver”. Com estas, traduzem os conceitos que constituem a própria alma da prova: objetividade, equilíbrio, praticidade.

Felicidades a todos.

 

14 lembretes para as provas

November 14th, 2014

Desde os tempos mais antigos, certos números são considerados mágicos ou até mesmo sagrados: o número 1, o 2, o 3, o 5, o 7, o 10, o 12. Embora muitas pessoas não acreditem hoje mais nisso, o fato é que mesmo elas acabam, sem querer, empregando no dia a dia tais números como mágicos. Exemplos não faltam em frases trivialmente usadas por todos nós: Vou lhe dizer três coisas meu amigo! Há um só modo de fazer a coisa certa! Se não melhorar em cinco  anos, não melhorará nunca! Sete é conta de mentiroso! Tenho uma dúzia de razões para não viajar nesse avião! Jamais moraria no 13°.  andar, etc., etc.

Os sites e revistas dedicados a vestibulares e concursos frequentemente usam os números 5 e 10 para sintetizar os pontos principais de um assunto ou dividir uma matéria em partes ou capítulos. Aparentemente, é por razões objetivas; lá no fundo, porém, sempre existe um pouquinho de simbolismo envolvido.

Para não ser repetitivo e por não acreditar mesmo em números mágicos ou em magias dos números, mas no poder real da aplicação e da determinação do homem que busca atingir suas metas, o Blogueiro alinha hoje 14 conselhos para os candidatos que prestarão vestibulares. Evidentemente, se você consultar algum dicionário de símbolos ou tratados de simbologia, provavelmente encontrará algum significado mágico ou religioso até para o 14, mas, pelo menos, ao utilizá-lo, o Blogueiro acredita quebrar um pouco esses resíduos supersticiosos a respeito de números. Afinal, seu sucesso ou fracasso não está nos números que adota, mas nas atitudes que toma e no esforço que despende para realizar seus objetivos.  Eis, portanto, os lembretes:

 

1 – Evite o pessimismo. Ser pessimista é acrescentar mais um problema aos já existentes.

2 – Seja permanentemente otimista. O otimismo é uma atitude positiva e criadora.

3 – Não se exceda em estudos às vésperas da prova.

4 – Alimente-se bem nos últimos dias e no dia da prova.

5 – Cuidado com os documentos: guarde-os em bolsos de que não possam cair.

6 – É melhor chegar duas horas antes que um minuto depois.

7 – Verifique com a maior atenção o local em que fará a prova. Não vá parar no outro lado da cidade!

8 – Não acredite em questões fáceis. Menosprezar o fácil é torná-lo difícil. Leia e releia.

9 – Não tema questões difíceis. Sempre é possível descobrir um caminho para a solução.

10 – Planeje o tempo de desempenho. Nos dias precedentes, faça uma simulação com a prova do último vestibular, anotando tempos de resolução das questões.

11 – Não se assuste com aparências. Os outros são iguais a você.

12 – Tente descobrir a posição mais confortável para sentar-se e fazer a prova. Afinal, são 90 questões!

13 – Os enunciados são tão importantes quanto as alternativas: olho vivo neles!

14 – Se for mal numa prova, não se estresse. Poderá ir muito bem nas outras.

 

São esses nossos 14 conselhos, destituídos de magia e superstição, mas plenos de praticidade e bom senso. Além do mais, magia é coisa de livros de ficção, filmes e desenhos animados. Vestibular é algo muito objetivo, é História, é a “sua” História. Não é superstição, é ação!

Boas provas!

 

 

Enunciado x Alternativa

November 12th, 2014

É bem possível que você nunca tenha observado com a devida atenção a relação formal que há entre o enunciado de uma questão, também chamado raiz, e as alternativas apresentadas como possíveis respostas. Para entender melhor esse aspecto, que pode ser vital ao o aperfeiçoamento de seu desempenho em provas objetivas, é bom partir de exemplos bastante simples. Note bem:

 

— Você é estudioso?

— Sim.

 

O exemplo acima revela uma das formas mínimas de díálogo por meio de uma interrogação total (aquela que indaga pela totalidade de um fato) e de uma resposta assertiva ou declarativa. Note que o conjunto das respostas possíveis à frase interrogativa total se limita a dois elementos: sim ou não. Claro que em vez de sim ou não pode-se responder sou, não sou, perfeitamente, claro, claríssimo, de jeito nenhum, etc., etc., mas estas e outras variáveis se reduzem, na prática, aos significados de sim ou de não. O conjunto de respostas das frases interrogativas totais, portanto, é fechado, limitado a duas possibilidades.

Observe agora:

 

— Quem é o artista mais simpático?

— Joãozinho.

 

A primeira frase é uma interrogativa parcial, que tem a peculiaridade de indagar por um conjunto muito amplo, aberto, de respostas. Como são muitos os artistas, 50 interlocutores poderão dar 50 respostas diferentes, dependendo do gosto e das inclinações de cada um.

Ora, muitas questões objetivas de exames vestibulares correspondem a este segundo modelo: são perguntas cujas respostas se enquadram em conjuntos abertos, de inúmeras respostas possíveis, portanto. A banca elabora cinco para escolha do candidato. Como são questões fundadas em conhecimento e lógica, das cinco respostas apresentadas apenas uma corresponde estritamente à interrogação como resposta correta.

Retornando ao último exemplo dado, observe que uma resposta redundante pode ilustrar muito bem o que estamos afirmando:

 

— Qual é o artista mais simpático?

— Joãozinho é o artista mais simpático.

 

Note que, sob o ponto de vista da estrutra sintática, as duas frases se correspondem perfeitamente.

Muitas questões objetivas de concursos  e exames vestibulares se apresentam sob essa forma de interrogação. Neste caso, as bancas elaboram cada alternativa para apresentar essa correspondência estrutural, embora pelo significado apenas uma deva ser a resposta correta. Se as alternativas fossem em número de dez, as bancas elaborariam dez alternativas correspondentes, sendo apenas uma correta. Por isso, é muito importante, durante as primeiras leituras, verificar esse fato, como forma até de ir eliminando as alternativas improváveis. Essa verificação, aliás, pode trazer alguma pista sobre a alternativa correta. Em concursos, por vezes, as bancas cochilam e deixam uma ou outra alternativa sem essa correspondência, o que não quer dizer que seja a correta; pode ser exatamente o oposto.

Obviamente, muitas questões objetivas apresentam enunciados em que a interrogação aparece apenas indiretamente, por meio, por exemplo, de frases imperativas do tipo: indique, aponte, determine,  explique, etc., etc. Mesmo nestes casos, vale a pena verificar a correspondência entre as alternativas e o enunciado, como forma de obter pistas para chegar à resposta correta.

Conclusão: a leitura atenta, com a análise da relação entre o enunciado e as alternativas, nas questões objetivas, é meio caminho andado para chegar à resposta correta.

 

Vestibular Unesp 2015: 101.014 candidatos

October 31st, 2014

Se você quer um bom exemplo que lhe sirva de símbolo na luta que trava para ingressar no curso superior com que sonha, bem como para o sucesso que pretende alcançar em sua futura profissão, pense na Unesp. Criada em 1976 pela união de faculdades e institutos isolados de diversas cidades do estado de São Paulo, a Unesp tinha um grande desafio pela frente: harmonizar como um todo as unidades que a constituíam e progressivamente desenvolver-se como uma universidade à altura de suas coirmãs mais velhas, a Usp e a Unicamp.

Era realmente um grande desafio, numa época também desafiadora, em que no nível mundial os países enfrentavam crises econômicas sucessivas e predominava a chamada Guerra Fria; no nível nacional, se vivia a ditadura militar desde 1964 e o aumento progressivo de movimentos sociais e políticos que defendiam o retorno da democracia plena. No plano econômico, o país passava por sérias dificuldades como muitos outros da América Latina, com a inflação alta, o desemprego e a grande dificuldade dos governantes em criar uma infraestrutura industrial adequada para embasar todas as demais atividades econômicas e gerar empregos. Toda a década de 80, neste sentido, foi caracterizada pela hiperinflação, que debilitava ainda mais a economia do país e corroía o salário dos assalariados. Nesse panorama, que na época parecia muitas vezes assustador, o país tinha consciência cada vez mais clara de que era necessário investir na educação básica e no ensino superior.

Enfrentando inúmeras dificuldades dentro desse quadro mundial e nacional, a Unesp foi, aos poucos e não poucas vezes com grandes dificuldades de ordem financeira, se consolidando, ampliando o número de seus cursos, encampando unidades em diferentes municípios e criando uma política de expansão para atingir a maior parte das regiões do Estado. Um dos cuidados maiores, concomitantes, era fazer com que seus cursos tivessem  cada vez maior qualidade.

A partir da década de 90, o país foi conseguindo livrar-se da hiperinflação e conseguiu estabilizar a economia. A Unesp continuou seu processo de crescimento, criando unidades em municípios do Estado que ainda não possuíam ensino superior público, ampliando o número de cursos e a oferta de vagas em todas as unidades e desenvolvendo-se cada vez mais na pesquisa, no ensino e na extensão de serviços à comunidade.

O resultado de todo esse crescimento é, hoje, uma universidade forte, presente em todas as regiões do Estado, com cursos de qualidade, intercâmbios com universidades de outros países e uma produção científica considerável, que a coloca sempre entre as primeiras do país e a faz subir cada vez mais no ranking internacional das universidades.

Deste modo, o fato de, para o vestibular de 2015, estarem inscritos 101.014 candidatos ilustra muito bem essa escalada vitoriosa de nossa universidade. São oferecidas 7.260 vagas em 174 cursos em unidades localizadas em 23 cidades do estado de São Paulo.

A Unesp, cujo vestibular você prestará proximamente, é, assim, um verdadeiro símbolo de luta, de valor, de otimismo, de crença no presente e certeza de um futuro cada vez mais brilhante.

Você é assim também. Sabe aonde quer chegar e sabe que chegará, porque tem talento e garra para consegui-lo. Como a Unesp, que é nosso símbolo e em breve será também o seu.

 

A menos de um mês das provas, atitude positiva

October 24th, 2014

A Natureza faz cada pessoa um ser singular, único, irrepetível. A Sociedade, com suas normas, seus padrões, seus costumes, tende a unificar os modos, os comportamentos, os desejos, os objetivos. No meio dessas forças, você de repente se vê como no interior de um vagão vazio que pende ora para lá, ora para cá e o vai fazendo deslizar de um ponto a outro segundo a direção e o nível que o trem assuma.

Um vestibular é algo semelhante: você se vê um ser único, mas com os mesmos anseios dos outros em atingir a linha de chegada. E por isso passa por um longo processo, a educação básica, para assimilar as mesmas habilidades que todos e, ao mesmo tempo, para diferenciar-se nesse processo, tentando dominar melhor que os outros, ou, pelo menos, que muitos outros, tais habilidades.

Qualquer que seja a profissão, universitária ou não, que um indivíduo escolha, terá de exercer esses mesmos papéis: ao mesmo tempo que se integra e se iguala, tem de se distinguir. Os vencedores são aqueles que conseguem harmonizar melhor esses diferenciais.

Agora, a menos de um mês das provas, você se pergunta se fez tudo direitinho para chegar ao ponto, se não deixou escapar muita coisa, no meio do trajeto, que poderá fazer falta no final. E se outros conseguiram fazer melhor que você?

A dúvida é válida, mas não se preocupe tanto com ela. Só por exceção alguma pessoa consegue não perder em nenhum momento a concentração ao longo de qualquer trajeto. O normal do ser humano não é a atitude robótica, exata, é o buscar sempre acertar, sabendo que, volta e meia, errará.

A menos de um mês das provas, deste modo, não cabem mais nem excesso de otimismo, nem acessos de arrependimento. Você é um ser humano normal, acertou em muitos pontos, errou em outros, está chegando ao destino com algumas dúvidas perfeitamente naturais. Aqui não cabe desespero, mas realismo: poderá resolver todas as suas dúvidas até a prova e eliminar todas as carências nestes ou naqueles conteúdos? Claro que não. Poderá, porém, fazer uma triagem, escolher aquelas dúvidas que pode resolver com o auxílio de professores, colegas e da internet. Com calma. Forçando a frieza do comportamento. Mas sem exageros de fazer seu corpo ficar carente de horas de sono. O sono, um bom sono, é um processo positivo e necessário ao nosso corpo. Durma o que for necessário, para que, de dia, cabeça limpa e alerta, assimile com mais facilidade suas revisões. Dê uma chance também ao lazer, que é fundamental para desanuviar a mente. Corpo e espírito equilibrados são chaves-mestras para abrir as portas do sucesso em qualquer empreendimento. Outra não menos importante é olhar para os fatos procurando ver o que os fatos são, e não o que você quer que sejam. Com essa postura realista e otimista, um mês é um período que pode ser muito positivo, talvez até decisivo para conquistar sua meta.

E tenha sempre em mente que a vitória, qualquer que seja a atividade, nem sempre é do mais talentoso, mas do mais equilibrado e dedicado. Valeu?

 

Rascunhar é planejar

October 14th, 2014

Muitos estudantes, desde as primeiras séries do ensino fundamental, se revelam avessos ao rascunho. Querem resolver tudo direto. Preferem, nos casos de disciplinas como língua portuguesa, geografia, história, ciências, escrever diretamente as respostas a questões e depois ir apagando o que erraram. E, no caso de matemática, escolhem fazer os cálculos diretamente e resolver os problemas “de cabeça”. O resultado, nos cadernos e provas, é sempre uma borradeira total, com passagens mal apagadas, palavras emendadas, uma bagunça generalizada. Resultado: cadernos em estado lamentável e perda de pontos preciosos em provas pelo fato de os professores não conseguirem entender as respostas assim tão mal escritas, sem falar nos erros cometidos pelo simples fato de não colocar no papel, de modo sistemático, os dados.

Ao longo do ensino médio, os estudantes são permanentemente estimulados a se tornarem objetivos na solução de questões, e parte dessa objetividade consiste exatamente no hábito de rascunhar antes de responder. Muitos estudantes, no entanto, persistem em seus “sistemas” de buscar respostas sem o socorro a anotações, confiando inteiramente em sua capacidade de armazenar dados simultâneos na memória e não economizando bravatas para justificar seu “poder” de memorização. Isso pode dar certo? Pode até dar, mas acaba sendo sempre um desafio aos perigos trazidos pelo acaso, que a chamada Lei de Murphy tão bem estabelece com seu princípio fundamental e possibilidades deste decorrentes.

Talvez uma das razões para essa aversão ao rascunho provenha do modo como considera o estudante o próprio sentido comum da palavra e até mesmo de sua forma sonora. Afinal, não se pode dizer que r-a-s-c-u-n-h-o seja lá um belo vocábulo, nem que seu sentido carregue um conteúdo grandemente animador. Rascunhar, para muitos, é garatujar, rabiscar. Grande engano! O rascunho, na verdade, constitui o primeiro passo para um caminho correto. Famosos projetos de arquitetos ilustres começaram com rascunhos, verdadeiros rabiscos em que os artistas buscaram fixar no papel, para não perder na mente, as ideias e as linhas fundamentais que sua criatividade, funcionando a todo vapor, lhes estava fornecendo naquele mesmo instante. Sabemos, por experiência própria, que muitas vezes deixamos de anotar uma boa ideia e, algum tempo depois, quando vamos desenvolvê-la, já a esquecemos. Em resumo: deixamos de escrever um esboço, quando a ideia nos veio, e depois passamos pelo aborrecimento de tentar lembrá-la, quase sempre sem sucesso.

O rascunho, portanto, não é um apêndice inútil e precário daquilo que pretendemos fazer: é o início necessário da solução de um problema, da elaboração de um projeto, da criação de um texto, uma obra, um empreendimento. É o modo acertado, enfim, de começar algo desde o começo, com segurança e objetividade.

Rascunhar não é perder tempo. É planejar para ganhar eficácia. Pense nisso!

 

Liberdade, igualdade, fraternidade

October 3rd, 2014

Os vestibulandos se preocupam tanto em estudar, os professores em ensinar do melhor modo possível, os cursos preparatórios em reforçar os conhecimentos e preparar simulações, que, muitas vezes, acabamos deixando um pouco de lado certos valores básicos, sem os quais esse esforço não significa muita coisa em termos de civilização e humanidade.

O título deste artigo, que é o lema da Revolução Francesa, sintetiza de modo admirável esses valores. O direcionamento do estudante para os exames vestibulares e os cursos superiores, desde o ensino fundamental, pode ter como consequência o sentir-se cada vez mais indivíduo, cada vez mais centrado no próprio eu, como  guerreiro solitário que caminha para enfrentar sozinho um exército. Isso é bom? Não, porque contraria a própria noção de sociedade e de comunidade. Na sociedade humana ninguém está sozinho. Cada um de nós é uma parte que não exisitiria sem o todo, um todo que só é tal por suas partes.

Gregório de Matos, num soneto muito expressivo, diz na primeira quadra: O todo sem a parte não é todo, / a parte sem o todo não é parte, / mas se a parte o faz todo, sendo parte, / não se diga que é parte, sendo todo.

O que estará querendo dizer o Blogueiro ao unir num mesmo artigo o lema da Revolução Francesa e uma quadra de Gregório de Matos? pensará você. Algo muito simples e ao mesmo tempo muito profundo e essencial: ao ingressar num curso universitário, o estudante não está só, não luta por si mesmo apenas, luta por toda a sociedade, por todas as pessoas. E nesse lutar não pode jamais esquecer-se dos valores que, magistralmente sintetizados no lema da Revolução Francesa e expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada a 10 de dezembro de 1948 pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), devem fundamentar a vida em sociedade: todos os homens são livres, todos os homens são iguais, todos os homens são irmãos.

Sem esses valores, uma carreira profissional, universitária ou não, é vazia e sem sentido. Pode-se dizer que uma vida sem esses valores é vazia e sem sentido.  Por isso mesmo, ao tentar ingressar num curso universitário o estudante deve estar imbuído do alcance e do desdobramento desses valores: está lutando por si e por todos. E, quando formado, estará trabalhando por si e por todos. Como disse Gregório: O todo sem a parte não é todo, / a parte sem o todo não é parte.

Utopia? Nada disso. Realidade. A universidade, desde que surgiu, caracterizou-se, por meio do estudo e da pesquisa científica livre, pela defesa dos ideais de justiça e de solidariedade, afrontando inclusive corporações, religiões e sistemas políticos que pretendiam ter sempre a última palavra em termos de conhecimento e de comportamento humano.

Sem as universidades e toda a ciência que produzem, o mundo hoje seria realmente muito pior, talvez até mesmo o oposto do que prega o lema da liberdade, igualdade e fraternidade. Ao conquistar sua vaga, caro vestibulando, portanto, você não está só, você está na sociedade, você é a sociedade cujos valores estão representados em seus sonhos e anseios individuais. Viva esses valores. Viva por esses valores.