Pesquise, que você encontra!

May 11th, 2012

Nesta reta final de preparação para os vestibulares de inverno, vale a pena insistir num conselho sobre o papel da pesquisa em seus estudos. Você talvez não tenha reparado: desde os primeiros anos do ensino fundamental houve toda uma estratégia, dos professores e das escolas, para ensiná-lo a pesquisar, ou seja, para ensiná-lo a encontrar as respostas aos exercícios e a suas dúvidas buscando fontes diferentes, que não apenas os manuais escolares adotados. Com o tempo, a própria palavra pesquisa passou a ser empregada por seus professores para designar os trabalhos que você tinha de fazer em casa ou na biblioteca da escola, em que a procura de informações em livros, revistas, jornais e apostilas era fundamental.

Com o advento da internet — e você fez todo o seu estudo já na era da rede! — ficou ainda mais fácil encontrar diferentes fontes para as pesquisas escolares. Como costuma dizer o povo, a internet é uma mão na roda: tudo está lá, todos os livros, apostilas, enciclopédias, jornais, revistas, bibliotecas, museus, institutos, universidades, sem falar que, quando a pesquisa aborda uma pessoa viva, como por exemplo um literato, um cientista, um artista, um esportista, é comum até encontrar-se o próprio site da personalidade e, por vezes, trocar correspondência.

Pois é. Tudo mais fácil. Mas o mais fácil, quando mal conduzido, pode tornar-se mais difícil. Muitos colegas seus, entendendo mal ou fingindo entender mal o conceito de pesquisa, se acostumaram a fazer trabalhos à base de colagens de textos encontrados na rede, sem qualquer acréscimo de informação pessoal, sem qualquer intervenção ou, pelo menos, sem acoplagem inteligente de diferentes textos encontrados. A pesquisa, assim, para muitos, parecia algo mais fácil, só copiar e colar, inventar um novo título e escrever o nome embaixo, em vez do nome do autor original.

Não dá nem para dizer que isso é plágio, pois um plagiário tem razões mais complexas para copiar e apresentar-se como autor de um trabalho, enquanto o problema do mero copiador e colador é apenas quebrar o galho. Os professores, é claro, ficavam de mãos atadas com essas “pesquisas” na internet, porque nem sempre podiam chegar ao texto original e apontar a fraude; e, muitas vezes, acusações de cópia e colagem traziam mais aborrecimentos do que resultados concretos em termos de ensino de Ética.

Você foi um desses pesquisadores coladores? Por certo que não. Mas um belo dia seu curso no ensino médio terminou e você se viu face a face com o enfrentamento dos vestibulares. E agora? Fazer o quê? A proximidade dos exames causou uma verdadeira revolução no seu modus operandi, porque tinha de fazer bem mais que o trivial da escola para estar preparado. Descobriu, assim, que existem duas linhas de estudo: a das salas de aula e a da preparação para os exames: a primeira continuando a ser comandada pelos professores; a segunda, por você mesmo, que tem descobrir e descobrir-se em termos de método de estudo. E é nesta segunda linha que irá aproveitar toda a sua experiência em pesquisa, para buscar informações que não estão nos manuais escolares ou que não foram bem assimiladas. Em outras palavras, esta segunda linha é, na prática, um pesquisar constante, uma permanente busca de conhecimentos e informações para sanar lacunas de aprendizagem.

Por estas razões, em vez de ficar dizendo, pelos cantos, que A escola não me ensinou isso, não me ensinou aquilo! — o que nem sempre é verdade — dê graças a Deus que você tem hoje a rede, que em pesquisa se revela soberana: tudo nela se encontra, todas as informações, todos os conhecimentos, todas as experiências em qualquer campo. Há sites especializados em vestibulares que podem corrigir suas redações e sugerir os aspectos em que precisa melhorar. Há sites de simulação de provas. Há sites de tudo. Não é aconselhável, portanto, enfrentar os vestibulares com uma coleção de lacunas ou de dúvidas em seus estudos. Trate de sanar o mais que puder. Pode acontecer até que nenhuma das lacunas que você preencher em suas pesquisas sirva nas provas. Mas pode acontecer que uma ou duas soluções encontradas caiam e representem aqueles milésimos necessários para você garantir sua vaga, o que na verdade significa garantir sua vaga para continuar pesquisando, porque todo o seu curso superior será à base de pesquisa, muita pesquisa.

Pesquise sempre, que você encontrará seu futuro!

 

Cuidado com as redações-camicase!

May 3rd, 2012

A palavra camicase é originária da língua japonesa, em que se referia a um pequeno avião utilizado para ataques pela força aérea nipônica durante a Segunda Guerra Mundial. Em certo período da guerra, esses ataques, feitos diretamente ao alvo, implicavam o sacrifício do próprio piloto. De tanto se fazer referência a esse fato com o uso da palavra camicase, esta acabou se incorporando ao vocabulário português, com mais de uma acepção: pessoa que se arrisca muito, ação que envolve risco quase certo de fracasso ou de autodestruição física, como também profissional e moral. Um exemplo: O discurso do deputado X foi um ato camicase, comentou certo jornalista, querendo dizer com isso que o político, com seu discurso radical, poderia perder o mandato.

Certo professor denominou redações-camicase os textos escritos por seus alunos que contrariavam o que havia estipulado como exercício. Pedia o gênero dissertativo, e um aluno escrevia em gênero narrativo: Redação-camicase, com direito a zero! Minhas congratulações! dizia o professor. Pedia texto em prosa, e outro apresentava um poema: Redação-camicase, com direito a zero! ralhava o mestre. Pedia texto em norma-padrão, e alguns alunos escreviam em discurso coloquial: Redação-camicase, com direito a zero! insistia. Proibia desenhos como parte ou todo da redação, mas alguns alunos apresentavam apenas sequências de figuras, que até desenvolviam visualmente o tema: Desobediência-camicase, com direito a zero! sentenciava o professor e completava: Eu não pedi história em quadrinhos, pedi texto em língua portuguesa!

Este é o problema que focalizamos hoje: as redações-camicase. Por que alguns candidatos, contrariando tudo o que está expresso no manual e na própria prova, escrevem redações que desobedecem aos critérios estipulados? Para algumas pessoas, esses candidatos sabem que não conseguirão ser aprovados e, na redação, resolvem partir para a brincadeira. Esta explicação pode corresponder à verdade, em alguns casos, mas é lógico supor que em muitos outros não se trata de atitude de derrota antecipada. Pode haver motivos diferentes.

Ao longo dos ensinos fundamental e médio, a prática de redação sempre ocupa papel importante. Somos conduzidos, desde os primeiros anos, a escrever bilhetes, cartas, descrições, narrações, dissertações, embora nem sempre nos pareça claro o objetivo de dominar os diferentes gêneros textuais que nos são ensinados. Somente com o passar do tempo descobrimos que o falar e o escrever são essenciais, qualquer que seja o destino que tomemos ou o tipo de trabalho que venhamos a exercer. Em muitas profissões, quem sabe falar com desenvoltura e redigir com clareza, com pleno domínio da norma-padrão, começa dez passos à frente.

É exatamente neste sentido, pela importância na vida prática, que a redação é ensinada nas escolas e cobrada nos vestibulares, já que ler e redigir serão habilidades exigidas ao máximo nos bancos acadêmicos, qualquer que seja o curso escolhido.

Assim refletindo, encontramos uma das explicações para o surgimento de redações-camicase: alguns estudantes interpretam mal o que dizem os professores ao longo dos ensinos fundamental e médio, entendem a prática de redação como produção de textos engraçadinhos, cheios de trocadilhos e efeitos hilários: acreditam esses alunos que a correção gramatical e a observância da norma-padrão podem ser deixadas de lado, desde que o estudante exerça ao máximo sua criatividade. E se enganam redondamente.

Por quê? Porque se baseiam em dois falsos conceitos, de redação e de criatividade. Quando se escreve um texto de natureza cômica, fazer trocadilhos e gracinhas com as palavras se justifica em função da própria natureza do texto, e quanto mais surpreendentes os jogos de palavras, maior a criatividade; a norma-padrão pode ser trocada pelo coloquial, os termos por vezes podem ser chulos, já que o objetivo principal é causar o riso. Perfeito. Quando se escreve, porém, um texto dissertativo, em que é solicitada manifestação de opinião, o panorama é totalmente outro: temos de usar a norma-padrão, temos de encontrar argumentos para defender nossas ideias, temos de encarar com seriedade o tema proposto. Podemos, neste caso, ser também criativos? Podemos, mas no modo de articular os argumentos e nos vieses originais que escolhemos para defesa de nosso ponto de vista.

É preciso ter em mente sempre que o conceito de criatividade se revela de forma diferente nos diferentes gêneros de texto: um texto jornalístico pode ser criativo, sem deixar de ser jornalístico; um texto dissertativo pode ser criativo, sem deixar de ser dissertativo; um texto narrativo pode ser criativo, sem deixar de ser narrativo. Em cada caso, o que impera é a justa medida dos recursos expressivos utilizados, de acordo com o gênero do texto.

É muito provável seja esta a principal causa das redações-camicase: o equivocado entendimento dos gêneros de textos e do papel da criatividade. Medite bem sobre a questão e, no caso dos vestibulares da Unesp, nunca esqueça de que é sempre solicitada uma redação de gênero dissertativo, obediente à norma-padrão, em que você deve defender seu ponto de vista sobre o tema proposto.

Pense nisso e mergulhe fundo, mas para ser aprovado!

 

A Lei de Murphy e a leitura de questões

April 25th, 2012

A Lei de Murphy já foi abordada neste Blogue, a propósito dos dias dos exames, em que uma distração ou um atraso podem levar o candidato a perder o horário de entrada.

Embora esta lei, que o blogueiro faz questão de escrever com inicial maiúscula, seja muitas vezes tomada como pura anedota, brincadeira, piadinha, na verdade é uma das observações mais inteligentes a respeito dos eventos que envolvem toda a vida dos seres humanos e provavelmente até dos não humanos que vivem em planetas distantes. Se alguma coisa pode dar errado, dará, reza o enunciado fundamental de Murphy, que acaba conduzindo naturalmente a outro: Se alguma coisa pode dar certo, dará errado. Brincadeira? De jeito nenhum! É o resultado de uma refinada observação da realidade.  Você até poderá dizer que esse enunciado não alcança todos os acontecimentos, já que às vezes o que pode dar errado acaba dando certo. Corretíssima a sua observação, mas é também o caso de perguntar: Você está disposto, num momento importantíssimo de sua vida, a desafiar a possibilidade de erro?

Qualquer que seja a sua resposta à questão acima, você terá percebido a filosofia da Lei de Murphy, que, trocando em miúdos, é a filosofia do alerta: em qualquer evento, por mais promissor que pareça, é preciso estar sempre alerta para a possibilidade de fracasso. Estou preparadíssimo! Não vou fracassar! são frases otimistas, positivas; vale a pena pensar e agir de acordo com elas? Sim, mas a Lei de Murphy dá uma chegadinha e acrescenta: pelo menos como método, meu caro,1 aceite que, apesar de todo esse preparo, alguma coisa pode dar errado! Recue um passo para ver melhor, antes de agir. Por quê? Porque na sua própria experiência de vida já ocorreu esse fato algumas vezes: algo podia dar errado e deu mesmo! Ou, pior ainda: algo só podia dar certo, e deu errado! E se deu errado foi porque esse “só podia dar certo” tinha chances de falhar e você não notou, talvez por excessivo otimismo. Moral da história: esse negócio de que um evento tem todas as condições de dar certo não passa de mera ilusão; em todos os empreendimentos humanos, por mais cuidadosos que sejam, a possibilidade de erro é uma constante. Segunda moral da história: otimismo é bom, mas ponha uns cinco por cento de pessimismo nele, para compensar.

Todo este comentário bem-humorado é apenas introdução ao tema de hoje deste Blogue: a leitura do enunciado da questão objetiva, que tecnicamente é denominado raiz, e a leitura das alternativas, que disputam o cargo de resposta correta. Na questão objetiva, a resposta está sempre ali, objetivamente mesmo, é uma das cinco alternativas, é a alternativa que completa logicamente o que estabelece a raiz. Mas qual? Se você estudou muito e conhece todo o conteúdo da área, por certo imagina que não terá grandes dificuldades em encontrar a resposta correta. Não imagine. Pense em Murphy e recite, mentalmente, a lei da não-reciprocidade, que Millôr Fernandes enuncia com graça em seu livro sobre a Lei de Murphy: Tudo o que é certo acaba dando errado; o contrário só de raro em raro. Então releia a a raiz da questão minuciosamente e confira se a alternativa escolhida combina exatamente com o enunciado. Combina? Combina cem por cento? Ótimo! Você driblou a possibilidade de fracasso.

A mesma atitude vale para o caso da questão de cuja resposta você não tem grande certeza. Recue, releia a raiz, questione a alternativa que considera mais provável e suponha que ela tem um defeito não detectado na primeira leitura. É muito possível que, com essa releitura desconfiada, você se depare com um detalhe não observado antes e descubra a resposta correta.

Nesse caso, que é que você fez, de fato? Fez o que as questões objetivas solicitavam: foi objetivo, como elas. Com Murphy dando uma mãozinha, é claro! E se continuar objetivo em todas as questões, por certo terá um resultado excelente. E não terá o desprazer de, ao lembrar da prova em casa, resmugar, aborrecido: Ora bolas! Cometi um erro bobo na leitura daquela questão! Onde é que eu estava com a cabeça?

A Lei de Murphy, para dizer a verdade, ensina exatamente isso: onde deve estar a nossa cabeça.

 

Palavras perigosas: emigrante, imigrante

April 20th, 2012

Você já leu outros artigos postados neste Blogue sobre palavras que podem ser consideradas perigosas no uso diário de jornalistas e escritores em geral, entre os quais você está necessariamente enquadrado, já que a tarefa de escrever redação em vestibular é de verdadeiro escritor. Pois atente agora para outro par bastante insidioso, que pode criar contextos realmente problemáticos em sua redação ou na redação de suas respostas a questões discursivas, quando mal empregado: emigrante e imigrante. Esse mau emprego ocorre com certa frequência.

O perigo, como em outros numerosos casos, surge do fato de emigrante e imigrante serem palavras parônimas, vale dizer, quase idênticas pela pronúncia e pela escrita, de modo que trocar uma pela outra, quando não dominamos os respectivos significados, é muito comum. Você por certo já ouviu algum desastrado falar (ou até mesmo escrever) frases como esta: Os emigrantes japoneses trouxeram grande contribuição ao Brasil. Vale comentar que a troca de i por e no início, meio ou fim de vocábulos não é rara no português coloquial, e em certos casos não provoca qualquer problema no plano da significação, como, por exemplo, pronunciar menino ou minino, quase ou quasi, estava ou istava. São variações aceitáveis no discurso oral. Já no caso dos pares de palavras emigrar/imigrar, emigração/imigração e emigrante/imigrante tomar e- por i- ou i- por e- é fatal para o conteúdo, quer na fala, quer na escrita.

Para bem entender a questão e não correr nenhum risco de equívoco futuro, observe que migrar significa mudar de uma região para outra, de um país para outro. Migrante, portanto, é quem migra, ou seja, quem faz migração. Você estudou em História que já no paleolítico sucessivos distúrbios climáticos causaram migrações de populações do Oriente para o Ocidente, e que a própria formação dos povos da Europa resultou de grandes migrações. Hoje em dia, fala-se até, figuradamente, em migrações de cérebros, isto é, cientistas de países ainda não desenvolvidos que vão trabalhar e morar em países desenvolvidos, como os Estados Unidos. Os países menos desenvolvidos consideram essa migração de cérebros uma grande perda.

Até este ponto, tudo bem, nenhum problema de sentido. A origem da encrenca está no latim, em que se formaram os verbos emigrar e imigrar (respectivamente, no latim, emigrare e immigrare). E o português trouxe emprestados os dois verbos com os sentidos: emigrar é deixar um país ou região para viver em outro ou outra, e imigrar é entrar num país e nele fixar-se. Neste sentido, populações de japoneses, alemães, poloneses, italianos, etc., etc., desde finais do século XIX e durante o século XX emigraram de seus países. Do ponto de vista da origem, eram emigrantes. Do ponto de vista do país a que vieram, no caso, o Brasil, aquelas populações imigraram. Por isso, meu professor de português sempre dizia que era neto de imigrantes poloneses, isto é, seus avós eram poloneses que deixaram seu país de origem para viver definitivamente no Brasil.

Para eliminar de vez suas dúvidas, preste atenção neste fato: atualmente, o Brasil deixou de ser um país de imigração para se tornar também um  país de emigração. Como assim? Muitíssimos brasileiros deixam o país e passam a trabalhar e viver nos Estados Unidos e em muitos países da Europa e até mesmo da Ásia. São, portanto, para nós, emigrantes e, para os países em que ingressam, imigrantes.

Ficou bem claro agora? Então, muito cuidado para não resvalar na pronúncia do e- e do i-, quando falar, e não se equivocar na grafia, quando escrever. Afinal, talvez você também seja descendente de imigrantes. Ou não é?

 

Escrever é preciso? Sim, demais!

April 12th, 2012

Agora que o Vestibular Unesp Meio de Ano está próximo, você por certo estará pensando em como obter aqueles pontinhos a mais, aqueles preciosos pontinhos a mais para conseguir finalmente obter sua vaga. Certo? É isso mesmo. Você sabe que a aprovação num exame vestibular não implica grandes, mas pequenas diferenças em termos de notas. Por vezes, mínimas diferenças. A questão, deste modo, para aqueles que quase conseguiram é descobrir como neutralizar, pelo rendimento nas provas, essa pequena diferença.

O problema é que provas são provas e pessoas são pessoas. Certa prova de um vestibular foi para você mais fácil, mas no próximo vestibular pode acontecer o contrário e o ponto que naquela foi ganho é perdido nesta. O que fazer? Estudar mais? Sim, estudar cada vez mais é sempre necessário. Há, porém, um componente dos vestibulares em que se pode obter rendimento maior, desde que assumida a necessária estratégia: a redação. Sim, a redação. Por quê? Porque a redação vale sempre nos exames uma boa parte da nota. E é na redação que se pode melhorar sempre, cada vez mais, até atingir um nível em que, qualquer que seja o tema, o candidato sempre tirará uma boa nota. Como fazer isso? Acabamos de usar a palavra: estratégia.

Você sabe como estudar, como fazer anotações, como memorizar fórmulas e dados. Mas sabe como “estudar” para a redação? Se sabe, é daqueles que sempre têm ótimo desempenho e, neste caso, precisa melhorar mesmo é no rendimento das diferentes disciplinas. Mas, se não sabe, aqui vai um bom plano.

Primeiro: partindo do princípio de que você já tem uma boa bagagem dos ensinos fundamental e médio, observe que a redação nos vestibulares da Unesp sempre focaliza temas do cotidiano, isto é de todos os dias, que são apresentados e discutidos nos jornais, nas revistas, nos programas de televisão, na internet. São temas que você conhece. Só conhecer os temas, entretanto, não basta; é precisor conhecer muito bem os temas. De que modo? Informando-se, lendo, interessando-se, provocando debates com seus colegas e familiares. O conhecimento dos temas é, como se diz vulgarmente, o grande “tchan” da prova de redação. Quem domina a questão da poluição ambiental escreve com naturalidade e riqueza de detalhes sobre o assunto, consegue manifestar sua opinião com facilidade, porque essa opinião não surge na hora do exame, mas foi fixada bem antes, quando lia a respeito, quando debatia com seus colegas, quando refletia e imaginava soluções para os problemas que o planeta experimenta hoje. Entendido? Então estabeleça seu plano: verifique os temas de redação apresentados pelos últimos cinco ou dez exames de grandes universidades, organize-os em conjuntos, de acordo com o assunto abordado e trate de preparar-se intensamente, lendo tudo o que encontrar a respeito, assistindo a programas nas emissoras de televisão e até mesmo provocando seus professores de redação a dar-lhe mais informações e dicas a respeito.

Isso basta? Não basta. Há outra tática a estabelecer: você precisa assimilar formas de dissertação e argumentação. Não em livros de teoria, é claro, mas na prática, lendo. Uma das melhores formas de aprender a escrever bem é ler bem. Você encontra exemplos de dissertação em seus livros escolares, em suas apostilas, nos milhares de sites da internet que focalizam os mais variados assuntos. Uma das melhores formas de assimilar o discurso dissertativo e a argumentação é na leitura de artigos em jornais e revistas. Nas primeiras páginas dos principais jornais e ao longo das principais revistas em circulação no país, você encontra artigos escritos por jornalistas, professores universitários, escritores, economistas, políticos. Todos esses artigos lhe fornecem o modelo de discurso na norma-padrão e exemplos concretos de como estabelecer uma linha argumentativa, um plano para uma pequena dissertação. Os articulistas de jornais e revistas têm problema semelhante ao que você terá no vestibular: pouco espaço, poucas linhas para iniciar e fechar uma argumentação sobre certo tema. Por isso mesmo funcionam como ótimos exemplos. Faça da leitura desses artigos um hábito diário, leia mais de uma vez o artigo que você apreciou bastante, anote os recursos de que lançou mão o escritor para convencer o leitor. Captou? Todo bom escritor é, em primeiro lugar, um bom leitor.

Conhecer bem o tema e ler textos dissertativos vão melhorar sua nota de redação? Claro que vão. Há, todavia, outro recurso muitíssimo importante, que pode fazer você aumentar em muito seu rendimento. Qual? Aquele que todos os seus professores, desde o ensino fundamental, vêm repetindo, sem que talvez você tenha percebido adequadamente o potencial: para escrever bem é preciso escrever, escrever, escrever, escrever, escrever… Você nunca escreverá bem, se não escrever habitualmente. Os jornalistas escrevem bem porque escrevem o tempo todo, diariamente. A escritura é como o exercício físico: é pela repetição e pela frequência dos exercícios físicos que você adquire uma ótima forma e fica forte e musculoso. E é pela repetição do exercício de escrever que você se torna um bom escritor. Não há outro caminho. Não há manuais de redação milagrosos que façam você num segundo, misteriosamente, sem prática alguma, escrever maravilhosas dissertações. Isso é conto de fadas. Encare a realidade: escrever bem é o resultado atual de um hábito de escrever. Valeu a dica?

Ora, se você seguir direitinho esses três caminhos de estudo de redação, por certo melhorará em muito sua capacidade de escrever e, com isso, poderá receber aqueles pontinhos a mais necessários para obter sua vaga. Mais que isso: escrever bem, sobretudo textos dissertativos, é um recurso fantástico que lhe será útil em muitíssimas ocasiões, sobretudo profissionalmente, ao longo de sua vida. Quem fala e escreve bem possui as mais poderosas armas, aquelas que o tornam capaz de comunicar a seus ouvintes ou leitores, com cem por cento de clareza, a sua opinião.

Um pequeno acréscimo, antes de terminar: atenção para o vocabulário. As palavras são os instrumentos mais importantes de nossa capacidade de falar e de escrever, porque transportam os significados, os conceitos. Por isso, aumentar cada vez mais o vocabulário é tornar-se capaz de expressar com facilidade os mais diversos conteúdos. Aqui também é preciso estabelecer um hábito: anotar cada palavra desconhecida e procurar imediatamente seu significado, para assimilá-lo. Hoje, no mundo da internet, é ainda mais fácil: basta digitar a palavra num programa buscador e os possíveis significados e aplicações surgem de imediato. Não é preciso mais consultar aqueles pesados, velhos e massudos dicionários e enciclopédias, que, apesar de tudo, serviram a seus avós e seus pais para ganharem um bom vocabulário. Mas aqui vem o lado oposto da responsabilidade: se você não adquirir um bom vocabulário com tanta facilidade que a internet lhe traz, é porque… bem não é preciso completar a frase.

Boa redação a você!

 

Meio de Ano: 465 vagas

April 4th, 2012

Agora estamos muito perto. No próximo dia 16 será iniciado, via internet, o processo de inscrição para o Concurso Vestibular Unesp Meio de Ano 2012. São 465 vagas, distribuídas pelas seguintes áreas e unidades da Unesp:

Área de Ciências Biológicas

Agronomia – integral – FE/Ilha Solteira – 40 vagas
Agronomia – integral – Registro – 40 vagas
Zootecnia – integral – Dracena – 40 vagas
Zootecnia – integral – FE/Ilha Solteira – 40 vagas

Área de Ciências Exatas

Engenharia Ambiental – integral – Sorocaba – 60 vagas
Engenharia Civil – integral – FE/Ilha Solteira – 40 vagas
Engenharia de Controle e Automação – integral – Sorocaba – 40 vagas
Engenharia de Produção – noturno – FE/Bauru – 40 vagas
Engenharia Elétrica – integral – FE/Ilha Solteira – 40 vagas
Engenharia Mecânica – integral – FE/Ilha Solteira – 40 vagas

Área de Humanidades

Geografia – Bacharelado e Licenciatura – noturno – Ourinhos – 45 vagas

Como de praxe, os exames serão realizados em duas fases, a primeira no dia 3 de junho e a segunda nos dias 23 e 24 de junho. É uma grande oportunidade para aqueles candidatos que, com o esforço despendido nos últimos anos, estiveram muito próximos de obter aprovação nos vestibulares do início do ano. E os cursos oferecidos são excelentes, oferecendo os mesmos padrões de qualidade que fizeram da Unesp uma das mais importantes universidades públicas brasileiras. Vale lembrar que o vestibular de meio de ano da Unesp foi criado em virtude da data de implantação de novas unidades e dos próprios cursos.
Em 2011 houve recorde de inscritos no meio do ano, com 12.375 candidatos disputando 510 vagas, estimando-se uma procura ainda maior em 2012. Esta grande procura se deve, entre outros fatores, à alta qualidade dos vestibulares da Unesp, fundamentados nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e na Proposta Curricular do Ensino de São Paulo: as provas têm caráter abrangente e visam avaliar as competências dos candidatos como um todo, sem apelo a dados de memorização. Por este motivo, entre os inscritos não são poucos os chamados treineiros, candidatos que ainda não encerraram o ensino médio e pretendem avaliar suas possibilidades futuras, como também candidatos que, em pleno preparo para os vestibulares de final de ano, buscam verificar o quanto ainda falta para estarem nas condições pretendidas. São fatos perfeitamente normais, que ocorrem na maioria dos grandes vestibulares, como o demonstra a própria criação do termo treineiro, ocorrida há muitos anos. Tratando deste fato com seriedade, a Unesp oferece aos treineiros a possibilidade de passar para a segunda fase dos exames, bem como, nos resultados finais, conhecer o ranking em que estariam colocados. Assim também, para evitar problemas em termos de matrículas, a resolução que regulamenta os Vestibulares Meio de Ano da Unesp exige que os candidatos classificados na lista final declarem, no horário e forma estabelecidos pela Vunesp, seu interesse pela vaga. Sem esta declaração de interesse, não serão convocados para a matrícula.
Está aí uma nova e valiosa oportunidade para você. Não deu certo no começo do ano, dará agora. O negócio é arregaçar as mangas, continuar intensamente o preparo e prestar os exames. Seu sucesso está muito próximo.

A expansão da Unesp continua: 440 novas vagas

March 27th, 2012

O mês de março trouxe novidades. A expansão da Unesp continua e novas vagas serão criadas a curto prazo. O que isso significa? Mais oportunidades de fazer seu curso em uma grande universidade pública.

A Unesp se caracterizou, desde sua fundação, em 1976, como uma instituição de ensino superior voltada para todo o Estado de São Paulo, razão por que a maior parte de suas unidades se localizava no interior. A partir do ano 2000, mesmo já estando presente em numerosos municípios paulistas, iniciou-se um processo de expansão para atingir, segundo os seus gestores, as regiões geográficas do Estado ainda não assistidas por universidade pública. Com isso, desde 2001 foram criadas unidades da Unesp em São Vicente, Registro, Itapeva, Sorocaba, Ourinhos, Tupã, Dracena e Rosana. Nossa universidade começava a consolidar, deste modo, o objetivo de alcançar todas as regiões do Estado.

Na época, houve alguma polêmica na Universidade sobre a procedência ou não da criação de tais câmpus, mas a alta administração da Unesp não hesitou em implantá-los e obter apoio do Governo do Estado, o que contribuiu para que todos tivessem sucesso e atualmente estejam em franco desenvolvimento. Os reitores que se sucederam na primeira década do século souberam ousar para levar em frente um processo que encarnava, desde o início, o próprio espírito que presidiu a criação da Unesp.

Agora o processo de expansão continua. Será dado mais um importante passo, a criação de uma unidade em São João da Boa Vista, com a oferta inicial de dois cursos de engenharia. Aproveitando-se toda a experiência adquirida no funcionamento das demais unidades implantadas desde o início do século, o câmpus de São João da Boa Vista começará suas atividades com certeza de êxito.

As boas notícias não param aí, pois, além desses dois, mais nove cursos de Engenharia serão criados. Deste modo, até 2014 a Unesp estará com onze novos cursos em funcionamento:

 

Engenharia Química e Engenharia de Bioprocessos, em Araraquara;

Engenharia Ambiental, em São José dos Campos;

Engenharia de Bioprocessos, em Botucatu;

Engenharia Agronômica, em Dracena;

Engenharia de Biossistemas, em Tupã;

Engenharia de Manufatura, em Itapeva;

Engenharia de Pesca, em Registro;

Engenharia de Energia e Recursos Renováveis, em Rosana;

Engenharia Eletrotécnica e Engenharia de Materiais, em São João da Boa Vista.

 

Segundo o cronograma estabelecido, serão implantados três desses cursos já em 2012, cinco em 2013 e três em 2014, que em conjunto representarão o aumento de 440 novas vagas pela Universidade.

O orgulho de toda a Unesp por este fato pode ser sintentizado pelas próprias palavras do atual reitor em exercício, Julio Cezar Durigan, em comunicado interno da instituição: A Unesp é um bom exemplo de Universidade descentralizada e multicâmpus, preocupada com a qualidade dos profissionais que forma nas 23 regiões do Estado onde ela se encontra instalada. A importante criação dos novos cursos de engenharia é uma prova concreta de sua contrapartida à coletividade que a sustenta. Ao final de cinco anos, serão 2200 alunos estudando nos novos cursos a serem implantados, formando 440 novos engenheiros a cada ano. Definitivamente, é uma universidade que se preocupa com os rankings mundiais sem perder a consciência de sua importância para o Brasil.

É um grande orgulho para nós fazer parte deste processo de expansão, nascido da vocação natural da Unesp para atender a um número cada vez maior de regiões e de estudantes!

 

O que a Unesp quer de mim?

March 19th, 2012

Algumas vezes você se pergunta, em meio a todo o esforço de estudo para os vestibulares: Afinal, o que a universidade quer de mim?

Boa pergunta. E a resposta aparece nos manuais dos candidatos de todas as universidades. No caso da Unesp, transformando a pergunta genérica acima em O que a Unesp quer de mim?, a resposta se encontra, por exemplo, nos objetivos fixados no artigo primeiro da resolução que rege o Concurso Vestibular Meio de Ano 2012:

 

Art. 1º. – O Concurso Vestibular Unesp Meio de Ano 2012 consiste na seleção e classificação de candidatos à matrícula inicial nos Cursos de Graduação no segundo semestre letivo, tendo por objetivos:

1 – Selecionar candidatos capazes de:

a) articular ideias de modo coerente;

b) compreender ideias, relacionando-as;

c) expressar-se com clareza;

d) conhecer o conteúdo do  currículo da educação básica do estado de São Paulo.

II – integrar os objetivos da Universidade àqueles desenvolvidos pelo sistema de ensino fundamental e médio;

III – dar condições para o desenvolvimento de potencialidades e aptidões do aluno nas áreas específicas da Universidade.

 

É isto o que a Unesp deseja de você. É muito? Na verdade, não. É apenas o que você pode oferecer, por ter sido aprovado nos ensinos fundamental e médio. Obviamente, você sabe disso, mas sua pergunta visou atingir outro patamar: você quer saber de modo mais específico as qualidades e habilidades que a Unesp busca nos ingressantes. Perfeito. Essas qualidades e habilidades estão descritas no artigo acima citado. E convenhamos, desde já, que não são exigências “terríveis”: capacidade de ler, compreender, raciocinar, argumentar, expressar-se. O que significa isso em termos de exames? Simples: tomando por base que sua comunicação inicial com a Universidade, por meio das diferentes provas, se faz pela leitura e pela escrita, espera-se que você demonstre ser capaz de ler os textos e enunciados de questões, compreender o que se pede, raciocinar de modo preciso na elaboração das soluções e responder em discurso claro.

Sim, você diria, mas se perguntarem apenas o que eu não sei? Essa possibilidade, no caso de exames vestibulares das universidades públicas, não existe, porque as provas são elaboradas com base nos conteúdos dos currículos atuais das escolas de ensino fundamental e médio, que obedecem aos preceitos federais e estaduais sobre a educação. E o objetivo fundamental na elaboração das questões não é perguntar o que o estudante não pode saber, mas o que o estudante deve saber por haver recebido tais conteúdos ao longo do ensino básico.

Se até agora não notou, observe com atenção: os objetivos dos exames vestibulares, acima transcritos, são os mesmos do ensino básico! O que esse ensino lhe ofereceu, em termos de conteúdos, ao longo de 12 anos? A aquisição de competências em Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (língua portuguesa e literatura, língua inglesa, educação física e arte); Ciências Humanas e suas tecnologias (história, geografia e filosofia) e Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias (biologia, química, física e matemática). Você teve, assim, uma formação ampla, por meio da qual a escola básica também procurou prepará-lo como um cidadão, ou seja, como um indivíduo capaz de interagir positivamente, eticamente, produtivamente com a sua comunidade e a sociedade em geral.

A Unesp, deste modo, não quer saber se você tem esta ou aquela virtude, esta ou aquela qualidade, esta ou aquela competência em particular. Ela quer saber se você aproveitou muito bem e como um todo a formação que lhe foi oferecida e se tornou um indivíduo capaz de articular ideias de modo coerente, compreender ideias, relacionando-as, expressar-se com clareza, conhecer o conteúdo do  currículo da educação básica do estado de São Paulo. E isto, a ponto de merecer classificação para uma das vagas do curso escolhido. Por isso as provas são extensas, amplas, procuram focalizar o máximo possível dos conteúdos das áreas acima mencionadas.

Obtida a vaga, efetuada a matrícula, você e a Unesp estarão juntos e atuantes, integrando os objetivos da universidade àqueles desenvolvidos pelo sistema de ensino fundamental e médio. Ao longo desse processo, a Unesp se compromete a dar condições para o desenvolvimento de suas potencialidades e aptidões na área específica escolhida por você.

Sim, mas o problema é conseguir a vaga! dirá você. Tem razão, e esse é o outro lado da medalha, o lado áspero, e os exames vestibulares são muitas vezes acusados, imerecidamente, de causadores dessa aspereza, quando a verdadeira causa é outra. O ideal seria que todos os que se formam no ensino médio tivessem acesso automático e imediato a cursos superiores. Infelizmente, nosso país ainda não tem condições de oferecer vagas a todos em universidades públicas. Resultado:  você não pode dormir nos louros da conquista do ensino básico: tem de preparar-se arduamente para garantir classificação ao superior.

E agora? Ficou mais fácil entender por que se esforça tanto e continuará se esforçando ao longo do curso que fará na Unesp?

 

Há uma receita para ser aprovado?

March 14th, 2012

Em diferentes notícias e matérias sobre exames vestibulares publicadas em jornais e revistas e divulgadas na internet, os candidatos que obtiveram aprovação nos primeiros lugares apresentam conselhos bastante diversos, por vezes até contraditórios, aos que ainda não passaram. Há candidatos que declaram ter empregado a maior parte das horas do dia estudando, inclusive aos sábados e domingos. Outros juram que estudaram muito nos cinco dias úteis da semana, mas não abriram mão dos sábados e domingos para lazer e descontração. E há quem garanta que não estudou praticamente nada, apenas prestou bastante atenção às aulas desde o final do ensino fundamental.

Ora, se tentarmos estabelecer uma receita para a classificação em exames vestibulares com base nessas informações dos aprovados, com toda a certeza não produziremos nenhum método salvador. E a razão é muito simples: cada pessoa é uma pessoa, cada indivíduo é portador de características únicas, de modo que o exemplo dado por outro pode ser útil, como também não encontrar nenhum eco. Faça como eu fiz ou como os melhores fizeram se revela, assim, apenas um conselho bem intencionado, não uma receita milagrosa.

Existiria essa receita? Na verdade, não existe. Estudar muito ou estudar pouco depende de cada pessoa: uns precisam de menos tempo e esforço para assimilar determinados conteúdos, outros de aplicação bem maior. Ter mais ou menos lazer durante os estudos também encontra variações no temperamento de cada pessoa e no modo como encara o estudo, o trabalho, as tarefas. E nem mesmo se pode dizer que passar em vestibular é questão de ter extrema inteligência: Só os muito inteligentes passam! dizem alguns, mas até essa afirmação não corresponde inteiramente à verdade, como não corresponde inteiramente à verdade afirmar que quem tem uma boa formação está em vantagem, pois a maior dose de determinação de um estudante pode suprir suas deficiências de formação e suas dificuldades de apreensão em algumas áreas.

É claro que os professores de ensino médio e especialistas tentam estabelecer com as mais louváveis intenções “métodos de estudo”, mas qualquer receita genérica que forneçam aos candidatos deve sofrer a necessária adaptação ao modo de ser, à personalidade, à capacidade de fixar objetivos e à gana de cada um para buscar atingi-los.

Por todos estes motivos, o melhor conselho que se pode dar, neste momento, a quem ainda não passou e àqueles que irão prestar vestibulares pela primeira vez é semelhante ao que o filósofo grego Sócrates dava a seus discípulos: Conhece-te a ti mesmo.

É claro que o conhece-te a ti mesmo tem uma implicação muito mais profunda em termos da filosofia socrática, mas, mutatis mutandis, como diriam os latinos, podemos empregá-lo com uma visão mais prática: em vez de buscar soluções milagrosas ou métodos infalíveis, que não existem, o primeiro grande passo de uma pessoa, não apenas para exames vestibulares, como também para qualquer atividade na vida é o de conhecer-se, de lançar olhos críticos para si mesmo, procurar observar com isenção suas virtudes, seus defeitos, suas habilidades naturais e suas deficiências e carências. De posse dessa autoanálise ou autocrítica, com certeza se torna mais fácil escolher o método adequado.

Pense nisso e continue seu esforço. O Vestibular Meio de Ano vem aí.

 

Carnaval: Um divisor de águas

February 28th, 2012

Costuma-se dizer que o Brasil só começa após o Carnaval. Isso não passa de um mito, embora alguns fatos que envolvem o início do ano em nosso país pareçam apontar em tal direção.

Na verdade, esse mito nasceu há muito tempo, quando o calendário escolar era iniciado em fins de fevereiro ou começos de março. Naqueles tempos, o calendário de algumas outras atividades públicas acompanhava o calendário escolar, fazendo férias de dezembro a fevereiro e durante o mês de julho. Com o mês do Carnaval ocorrendo em fevereiro, os dois fatos eram associados e, então, dizia-se que o país só começava suas aulas e algumas de suas atividades públicas após essa festa popular. Com o tempo, a expressão “o Brasil só começa após o Carnaval” tornou-se pejorativa, no sentido de que no início do ano não se faz nada em nossa terra, não há produção industrial nem comércio relevantes, apenas um não-fazer-nada muito prazeroso e nada lucrativo. É uma falsa visão do que realmente ocorre.

Do passado para o presente, as leis da educação fixaram o calendário dos ensinos fundamental e médio desde o início de fevereiro e muitas atividades públicas seguiram o mesmo caminho, de modo que fevereiro deixou de ser um mês “perdido” e janeiro, apesar das férias escolares, é um mês como todos os outros. Pode-se dizer, na verdade, que a população brasileira entra em janeiro com todo o gás: ocorrem as segundas-fases de exames vestibulares de muitas universidades, as atividades em geral  são retomadas com muita força e boa parte da indústria e do comércio está em altíssima rotação, com vistas às próprias festas carnavalescas, que se transformaram em um grande negócio, com foco muito aberto para o turismo, inclusive para o turismo interno. Em janeiro e fevereiro, portanto, nosso país está navegando a todo o vapor, não apenas em atividades típicas da época.

Pode-se dizer, assim, mais apropriadamente que a mencionada expressão, de cunho pejorativo, que o Carnaval é, na realidade, um divisor de águas, um marco a assinalar com euforia que o novo ano está em franco desenvolvimento e, como diz aquela velha marchinha, ninguém está “dormindo de touca”.

Para os vestibulandos aprovados, as festas carnavalescas assumem um significado positivo, no sentido de unir sua felicidade por uma grande conquista com a euforia generalizada do povo nas praças, nos salões, nas avenidas.

Agora, porém, o Carnaval de 2012 acabou, é coisa do passado. O presente está aí e o futuro vem vindo a galope. Se o ano que findou foi, para você, um período de intenso trabalho e planejamento para obter aprovação, o ano letivo de 2012 é o começo de um continuado esforço para ir obtendo, ano após ano, a competência necessária para exercer a profissão logo após a formatura. Se isso for dando aos poucos os resultados esperados, cada Carnaval dos próximos anos será sempre a renovação da alegria sentida e comemorada no ano anterior, no ritmo das baterias das escolas de samba.

Bons carnavais futuros para você, que passou. E também para você, que não passou, pois, como a festa de Momo, as oportunidades retornam todos os anos. É só caprichar no enredo, que seu dia chegará.