Estudantes, como andorinhas

February 5th, 2016

As andorinhas são pássaros conhecidos em todo o mundo. No passado, eram conhecidas por gregos, persas, chineses e muitos outros povos, em cujas culturas assumiam diferentes simbologias. Uma das características mais conhecidas desses pássaros são suas migrações, que ocorrem quando o inverno chega aos locais em que estão e os obrigam a buscar regiões mais quentes. No Brasil, muitas cidades recebem anualmente a visita de andorinhas. Vêm aos bandos, todas as tardes, buscando árvores para abrigar-se durante a noite.  É um grande e maravilhoso espetáculo vê-las em evoluções ao crepúsculo. Em algumas cidades, a insensibilidade dos administradores faz com que cortem as árvores onde costumam passar as noites, para evitar que “sujem” suas praças e logradouros. Em outros, é uma verdadeira festa recebê-los.

O Blogueiro já contemplou por muitos anos essa cena, e de cada vez se entusiasmou mais, ao perceber que as andorinhas voam em bando parecendo obedecer a um só comando, sem erros ou enganos. Assim unidas em evoluções as mais diversas, parecem um único ser a tentar cobrir o céu com seus pequenos corpos unidos. Poetas e letristas dos mais diferentes gêneros de canções populares alguma vez já dedicaram suas obras a descrever a vida e o voo das andorinhas.

Por que, porém, o Blogueiro resolveu falar em andorinhas num blogue sobre vestibulares? Por uma imagem que lhe veio à mente, dos candidatos em época de matrícula e de primeiras aulas, comparados com bandos de andorinhas que chegam ao câmpus das universidades cheios de sonhos e metas  de estudo e de formação. Contemplar essa chegada é também algo maravilhoso, é a nova geração que começa a assumir suas responsabilidades para, em futuro, governarem suas cidades e seu país com seu esforço e trabalho. Os mais idosos não se furtam de pensar que talvez seja esta, finalmente, a geração de andori… ops! digo, a geração de estudantes e futuros profissionais que afastará este planeta do caminho para a destruição. Quem sabe?

Estudantes / andorinhas, andorinhas / estudantes. Parece que não é o Blogueiro, mas a própria Natureza, em sua fantástica biodiversidade, que consegue traçar as mais sutis analogias entre seres tão diferentes.

Mas seriam tão diferentes assim?

 

Aniversário da Unesp: um bolo de 400 mil sabedorias

January 26th, 2016

No próximo dia 30 de janeiro, a Unesp comemorará 40 anos. Você, que ingressará este ano, e vocês, que já ingressaram, devem procurar saber o que significaram, em termos de esforço e determinação, estes quarenta anos que fizeram nossa universidade atingir a grandeza e a qualidade que tem hoje.

O presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira apresentou, como Plano de Metas de seu governo (1956 a 1961), “50 anos em 5”, ou seja, cinquenta anos de progresso em cinco de realizações. O Plano se dividia originalmente em 30 metas, tendo sido marcada logo após a 31ª; a construção da novacapital, Brasília. Para seus opositores, que eram muitos, tratava-se de metas inatingíveis. Para seus seguidores e admiradores, os objetivos foram atingidos, pois Juscelino foi muito dinâmico em sua administração, sobretudo com a criação de rodovias que uniram o país de norte a sul, com a industrialização e a fundação de Brasília, que passou a ser a nova capital brasileira e representa até hoje um modelo de plano urbanístico e arquitetônico.

A Unesp, nascida em 1976, não surgiu com essa pretensão aparentemente exagerada, mas, na prática, atingiu tanto ou até mais que o lema dos “50 em 5”. Comparando-se seu ponto de partida, pela união de faculdades e institutos isolados do estado de São Paulo, e seu ponto de chegada atual, pode-se afirmar que foram “400 anos em 40” em termos de desenvolvimento de ensino, pesquisa e extensão. Desde os primeiros dias, o espírito pioneiro dos homens que a têm dirigido, quer na reitoria, quer nas unidades, levou-a a ocupar progressivamente todos os vazios do Estado que ainda não possuíam universidade pública. O mesmo espírito de seus docentes, pesquisadores, estudantes e funcionários, leva-a a figurar cada vez com maior destaque entre as melhores universidades do mundo, em virtude dos avanços verdadeiramente fantásticos em todos os campos da ciência e do ensino.

Numa época como a atual, em que os meios de comunicação e a internet, resultados de ultratecnologia, acentuam cada vez mais o crescimento de nossa universidade, intensificando suas relações e intercâmbios com universidades de todo o mundo, pode-se dizer, sem medo de errar, que a Unesp hoje anda ombro a ombro com as principais universidades de todos os países. Neste sentido, é também prova viva de que, quer no plano universitário, quer nos demais planos de atividades do país, é possível, sim, enfrentar crises e crescer em quantidade e qualidade. Um universitário não é apenas sábio e crítico, é sobretudo otimista, aplicado, determinado, e faz de sua instituição uma instituição vencedora.

Esta é a Unesp, a sua, a nossa Unesp, que o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, se ainda vivo, adoraria conhecer, uma universidade cujo aniversário somente um bolo de quatrocentas mil luminosas sabedorias seria capaz de representar.

 

Universidade e liberdade de opinião e expressão

January 20th, 2016

O momento é de expectativa para você e para todos os candidatos que aguardam a publicação das listas de aprovados de todas as universidades. Enquanto isso não acontece, vale a pena refletir com o Blogueiro sobre um tema que fatalmente surgirá em sua vida acadêmica e profissional: a questão da liberdade de opinião e expressão.

Mesmo nos tempos mais difíceis do regime de força por que o país passou nas décadas de 1960 e 1970, as universidades públicas sempre foram um reduto de liberdade de pensamento e crítica. Hoje, em plena democracia, com toda a tecnologia de comunicação e a internet, esse tema ocupa espaço em todas as mídias: estudantes protestam, professores protestam, ocorrem passeatas e, eventualmente, muitos debates. Não se trata, porém, de um fenômeno exclusivo das universidades. Em todas as instituições públicas ou privadas, a opinião e a expressão são livres, assim como o direito de criticar e protestar como forma de reivindicação. Isso está certo? Está, caso sejam respeitados certos pontos de vista éticos, Protestar é fundamerntal nos regimes livres, é o que faz com que evoluam, mas dentro de parâmetros e posturas morais, em que as ideias valem mais que a turbulência e a violência. E, evidentemente, respeitadas as leis e a Constituição.

Muitos avanços em diferentes campos de atividade foram assim obtidos: a campanha do “Diretas já”, que conduziu ao retorno da democracia em nosso país, foi um grande protesto de nível nacional que envolveu os mais representativos campos de atividade e personalidades de todas as áreas. As cotas nas universidades também  foram o resultado de anos de protestos de estudantes, até que finalmente reconhecidas por lei.

Entre outras coisas, é o que você vai aprender nos bancos acadêmicos: o comportamento do cidadão, baseado nos direitos que as leis facultam. Isso servirá não apenas para sua vida universitária, como também para sua futura vida profissional, em que não serão poucas as oportunidades em que terá de participar de movimentos e de protestos para ver respeitadas suas condições profissionais.

É óbvio que você ouvirá opiniões opostas, que defendem até a violência como forma de protesto. Não é um bom caminho. Você percebe na mídia os males que a violência é capaz de produzir no mundo.  O Brasil tem uma longa tradição de país pacífico e ordeiro. O lema de nossa bandeira, Ordem e Progresso, expressa, entre outros conteúdos,  essa tradição. Você, como representante da nova geração, deverá carregar e executar esse lema, para que o país possa resolver os seus problemas estruturais, econômicos e políticos, do melhor modo possível. Isso, porém, não significa ser um cordeiro que aceita qualquer imposição, mas um indivíduo consciente e crítico.  Compreendeu?

E não se esqueça: protesto não é um ato de desespero, é um direito inalienável dos cidadãos nos regimes democráticos.

 

Sua escolha: vocação, cidadania, crise

January 18th, 2016

Talvez não seja esse o seu caso, mas, nesta época de conferir os resultados dos exames, alguns candidatos ficam em dúvida porque optaram por diferentes cursos em diferentes vestibulares. E acabaram sendo aprovados em todos os exames que prestaram. E surgem as dúvidas: que universidade escolher? que curso escolher?

Aqui cabe uma reflexão do Blogueiro: na atualidade, considerando a crise vivida pelo país e pelo mundo não apenas no plano econômico, mas sobretudo no plano ético, no político, nos usos e nos costumes os homens têm de estar mais unidos do que jamais estiveram. Por todo o planeta, populações passam necessidades, se tornam vítimas de conflitos, guerrilhas e até de guerras. Isso chega a tal ponto, que grandes grupos de pessoas têm de abandonar seus lares e países e buscar outros lugares onde possam viver suas vidas, seus trabalhos, seus objetivos.

No Brasil, toda essa crise está gerando medo nas pessoas. Com o surgimento das demissões em massa, do desemprego, do fechamento de empresas e, pior, da quebra da perspectiva de uma melhora a curto prazo, o pessimismo ganha forças.

E agora? Você passou em mais um vestibular em que optou por cursos diferentes. Que curso escolher? Aquele que considera sua maior vocação? Aquele que poderá lhe dar mais chances de enriquecimento? Aquele que sua família aconselha?

O Blogueiro não tem uma solução mágica para suas dúvidas, mas tentará fornececer uma perspectiva de escolha em função da atualidade que todos vivemos. Em primeiro lugar, tenha em mente que aquele mundo ideal, cor-de-rosa, quase romântico de algum tempo atrás não existe mais. A globalização transformou o planeta: mudaram os costumes, mudaram as concepções, mudou a visão de mundo. Enquanto a tecnologia se desenvolvia e a comunicação se universalizava pela internet, os antigos valores entravam em crise. Isso explica por que a própria internet, que deveria ser apenas um bem, frequentemente provoca o mal, despertando o que há de pior no espírito do ser humano.

E agora? É nesse panorama que você vai fazer sua opção. Isso significa que, hoje, você não faz escolhas apenas por você, mas por toda a sua comunidade,  pelo país, pela humaninade.

Alguns acham, ao contrário, que o importante, agora, tanto em termos de cursos, quanto em termos de empreendimentos, é ganhar dinheiro, muito dinheiro. Errado. Não é. Hoje, mais do que nunca, todos somos um. Não temos direito ao egocentrismo, à visão puramente egoísta, as decisões exclusivamente em causa própria.

Esse é o verdadeiro plano de sua escolha: pensar simultaneamente em você, nos seus sonhos, na sua comunidade, no seu país, na possibilidade de minimizar o sofrimento das pessoas e na própria sobrevivência do planeta, que, pela degeneração dos costumes humanos, pode ser levado à extinção. Ao fazê-lo, medite sobre estes quatro versos de Gregório de Matos:

 

O todo sem a parte não é todo,

A parte sem o todo não é parte,

Mas se a parte o faz todo, sendo parte,

Não se diga que é parte, sendo todo.

 

Lindo e profundo, não? Pense nisso.  E faça sua escolha.

 

Do recesso ao sucesso

January 7th, 2016

Em nosso país, certas datas e períodos são tidos como feriados, feriados prolongados (quando envolvem mais de um dia) e, mesmo, recessos. Muita gene, é claro, reclama porque não vê com muitos bons  olhos tanta parada. Acreditam que o país, quase sempre em crise econômica, perde muito a cada dia parado. Outras pessoas adoram esses períodos de recesso, porque podem viajar, fazer turismo e até mesmo botar as coisas em ordem em suas casas e em seus escritórios.

As semanas de Natal e Ano Novo são consideradas os melhores momentos do ano para  um “recessinho”, porque desembocam logo no início, dando margem a um período de férias aumentado. Difícil nelas encontrar mecânicos, pintores, eletricistas, e outros profissionais, inclusive o médico da família. “Está em ferias e só volta dia X de janeiro, diz a secretária eletrônica em tom preguiçoso.

Para você, que é vestibulando, o recesso de fim de ano vem a calhar. Você pode esquecer de todos os problemas, de todos os errinhos. de todas as preocupações e curtir com liberdade os seus amigos, seus colegas; seus familiares. Quando os resultados vierem, em janeiro, seu clima de festa por certo aumentará. Por isso, nada de botar bobagens na cabeça e no seu dia a dia. Muitos de nós temos a mania de, nas horas de expectativa, ver no horizonte os piores eventos, e não os melhores. Com essa atitude, nada obtemos: se vier o pior, apenas antecipamos os sofrimentos; se vier o melhor, sofremos sem motivo por um bom tempo,

O importante em cada fase da vida, em cada evento, é estar feliz consigo mesmo e com tudo o que vê a sua volta. é encontrar valor nas coisas mais simples e, sobretudo, acreditar que, no total das contas, nascemos para ser felizes e para conquistar metas, enfrentando qualquer dificuldade, aceitando derrotas passageiras e buscando vitórias definitivas. Quem pensa assim, acaba conseguindo.

Pense nisso, com a certeza de que a sua vida dará mais um passo vitorioso do recesso ao sucesso.

 

Tudo dará certo!

December 17th, 2015

Agora que prestou as provas da segunda fase e verificou que foi bem, o melhor é confiar e esperar. Você cumpriu sua parte; a Unesp a dela, proporcionando-lhe, como é de praxe, provas com questões equilibradas e sem problemas. Tornou-se tradição da Universidade, de resto, oferecer provas muito bem elaboradas, cuja metodologia visa aferir os candidatos cujos perfis correspondam melhor às vagas oferecidas. O verdadeiro espírito do vestibular é esse.

É claro que, por melhor que tenha sido seu desempenho, sempre fica a preocupação de não chegar lá. Nem pense nisso, continue otimista, aproveite as festas de Natal e Ano Novo, sabendo que de nada adianta agora se deixar levar por desconfianças e pensamentos negativos. Fazendo um trocadilho brincalhão, vamos dizer que o feito está feito e você o fez muito bem. Agora é aguardar os resultados e as comemorações.

Evidentemente, você pode estar prestando também outros vestibulares e não ter nem tempo para se preocupar particularmente com nenhum deles. Então mande ver, sempre confiante, sempre com a certeza de que será aprovado em um ou mais, talvez até em todos, e terá ampla margem de escolha no início do próximo ano. É por esta razão que as universidades públicas paulistas estabelecem seus vestibulares em diferentes datas, possibilitando a ampliação da oferta e das possibilidades de aprovação aos candidatos.

Quando os resultados saírem, no início do ano, faça sua escolha e ingresse a todo vapor no nível de ensino superior, sabendo que terá muito trabalho e muito esforço pela frente, pois o objetivo da universidade é prepará-lo da melhor maneira possível para enfrentar a realidade depois de formado. A esse respeito, se ainda não teve, procure ter a curiosidade de verificar entre os profissionais de destaque nas diferentes atividades, inclusive na política, o grande número de formados pela Unesp e suas coirmãs universidades públicas paulistas. É sempre uma satisfação e um incentivo verificar que a universidade em que ingressamos forma profissionais de destaque que atuam no país e até mesmo em outros países do mundo.

O lema, portanto, agora é esse: Confie! Tudo dará certo!

 

 

Cuidado com o dito cujo

December 8th, 2015

Você acredita que tem boa capacidade de redigir? Sim? Que bom! Mas acredita que escreve muitíssimo bem, acima da média? Bom, aí não é possível afirmar com tanta segurança, não é? Exatamente.

Escrever muito bem significa dominar todas as estruturas da língua e ter um vasto vocabulário, originado de um domínio amplo de vários campos do conhecimento e da informação.

Evidentemente, o domínio dos diferentes tipos de construção, da concordância e da regência nominal e verbal é importantíssimo. Uma falha de regência verbal pode alterar o sentido de uma frase inteira, para pior. Um lapso de concordância não menos. Além disso, determinados tipos de construção, se não dominados ou mal dominados, podem conduzir a escrever frases que são verdadeiros monstrinhos em seu texto. Quer um exemplo? O emprego do pronome ralativo “cujo”. Este pronome poderia ser chamado relativo-possessivo, porque, ao mesmo tempo  que funciona como pronome relativo, é um indicador de posse, de pertença. Por isso, uma construção de frase com “cujo” simplifica bastante nossos textos, evitando que empreguemos duas frases em lugar de uma e evitando também que criemos uma frase-monstrinho. Observe:

 

O atleta sofreu um acidente. O pai dele é vereador.

 

Estas duas frases podem transformar-se com vantagem em uma, pelo emprego do pronome relativo “cujo”:

 

O atleta cujo pai é vereador sofreu um acidente.

 

Viu? Uma frase assim é um bom exemplo do uso de “cujo”. Mas, se o escritor não domina bem tal uso, pode incorrer numa frase-monstrinho:

 

O atleta de que o pai é vereador sofreu um acidente.

 

Tome cuidado, portanto. Consulte sua gramática ou recorra à internet e verificará como a palavra “cujo” é insubstituível e como constitui marca de bom escritor. Não produza mais frases-monstrinhos, que podem inviabilizar uma resposta sua ou prejudicar sua redação. É isso aí!

 

Outra omissão perigosa

December 2nd, 2015

No artigo anterior o Blogueiro alertou para o perigo dos esquecimentos e omissões numa resposta discursiva ou numa redação.  Você deve ter aproveitado as explicações e exemplos como um alerta para a próxima fase, que é discursiva. No artigo de hoje o alerta continua para exemplos mais complexos e mais perigosos, já que neles as omissões se associam a fatores gramaticais.

Não é raro ouvirmos na conversação diária exemplos como:  A atriz que eu gosto dela está em São Paulo. No discurso coloquial até que se toleram construções como essa. Quando se trata da escrita, porém, especialmente de provas de concursos e exames vestibulares, é impensável escrever assim, pois contraria a norma padrão. Imagine que um candidato escreveu uma frase assim numa redação. Examinando com atenção, você verificará que a pessoa que escreveu não colocou a preposição “de” exigida pelo verbo gostar no lugar adequado, antes do pronome relativo “que”: A atriz de que eu gosto está em São Paulo. Ao fazer isso, sentiu que o “de” era necessário, mas colocou-o num local bem inadequado, após o verbo, e foi obrigado a fazer uma redundância com o pronome “ela”: A atriz que eu gosto dela está em São Paulo. Quer dizer: o candidato tem noção da regência verbal, mas não domina a estrutura desse tipo de frase. No discurso coloquial, descompromissado, exemplos de lapsos como esse são tidos como normais. Não assim no discurso formal, obediente à norma padrão. Aí é que a porca torce o rabo, como costuma dizer o povo.

Observe este outro exemplo: A prova que eu mais erro é de matemática. Note que, se você assim fala ou escreve, está fazendo o mesmo tipo de lapso do exemplo anterior. O seu raciocínio, neste caso, é: Eu erro mais na prova de matemática. Note que o “na” (em + a) corresponde ao que é solicitado pelo verbo.  Então o “em” deveria estar colocado antes do pronome relativo: A prova em que eu mais erro é de matemática. Poderia estar escrito corrretamente, também: A prova na qual eu mais erro é de matemática.

Qual lição tirar desses exemplos? Que não se pode ignorar nem omitir de modo nenhum uma preposição quando o verbo a prevê. Há outros exemplos para você examinar e corrigir seu modo de expressão, caso esteja acostumado a escrever frases como as que comentamos.  Observe especialmente a posição que ocuparão as preposições em relação aos pronomes relativos:

 

O jogador que se espera muitos gols dele jurou que venceremos.

A floresta que passamos através dela é terrível.

O professor que eu aprendi a escrever com ele se aposentou.

 

Estas três frases cometem o mesmo equívoco de não colocar a preposição no lugar adequado, antes do pronome relativo, e por isso são exemplos de como não se deve escrever. Mas agora você pode corrigi-las, não pode?

Mãos à obra. Resolva esses três exemplos e até invente outros, para fixar bem como se deve escrever tal tipo de frase.

Viu? Escrever bem não é somente abordar um tema conhecido. É ter um discurso bem formalizado, capaz de enfrentar qualquer tipo de dificuldade gramatical e semântica. Valeu?

 

 

Não devore letras e palavras! Não têm proteínas e vitaminas

November 23rd, 2015

Agora que está encerrada a primeira fase do Vestibular Meio de Ano da Unesp, você vai fazer suas revisões para a segunda e para certos probleminhas que podem prejudicá-lo numa prova discursiva. O tema de hoje são os esquecimentos e omissões, que podem ser quase inofensivos, mas também muito perigosos. O próprio Blogueiro, quando escreve, derrapa por vezes nesses esquecimentos e fica muito bravo consigo mesmo, pois não gosta de errar. O caso do vestibulando, porém, pode ser bem mais grave que as derrapagens de blogueiros, jornalistas, articulistas, pois a banca de correção pode penalizar o candidato com desconto da nota. Como se diz na escola, não coma letras, pois não têm vitaminas! Vamos examinar alguns alertas sobre esses problemas.

Quando se fala em escrever, normalmente se pensa em regras gramaticais, vocabulário, concordância, regência, etc., etc.  Poucas vezes se pensa em algo que pode ser fatal caminho para o erro: os esquecimentos banais. Algus são óbvios: o Blogueiro, na revisão deste artigo, verificou que havia digitado esqucimentos, omitindo o -e-. Num vestibular, esse lapso não seria penalizado pela banca de correção, pois é óbvio que se trata de distração. Já quando se trata de uma vírgula, o caso pode ser outro, pois é tão pequena que acabamos deixando de colocar: Compramos peixes ovos e farinha em vez de Compramos peixes, ovos e farinha; caso idêntico é o da omissão do ponto, que é necessário para marcar o encerramento de um período, parágrafo ou do texto. Imagine escrevermos

 

O Brasil está com inúmeros problemas trata-se de comportamentos em campos de atividade, em que a desobediência à ética se torna cada vez mais grave.

 

A falta de ponto final de período prejudica tanto o texto, o que é agravado pela vírgula após atividade. Quereria o escritor desse período colocar mesmo essa vírgula, para gerar esse significado?

No campo das palavras, ocorrem também omissões perigosas, como  a do conectivo e:

A indústria justifica o preço mais alto com o melhor desempenho do produto o conforto superior a  produtos concorrentes é um aparelho indicado para quem tem família numerosa.

 

Observe que há dois cochilos nesse trecho: a omissão do e em o desempenho do produto (e) o conforto; e assim também do ponto final do primeiro período. Esses dois esquecimentos deixam o texto tumultuado em seu sentido. Observe como deveriam estar:

 

A indústria justifica o preço mais alto com o melhor desempenho do produto e o conforto superior ao dos aparelhos oferecidos pelos concorrentes. É indicado para quem tem família numerosa.

Esquecimento que pode ser muito mais grave, porém, é o do -s e do -m em palavras, já que pode ser considerado grave erro de concordância. Numa frase como

 

Gostaríamos de dizer a todos os trabalhadores brasileiros que não só nosso país passam pela crise, mas também todos os países da Europa e dos demais continente, alguns mesmo muito mais que o Brasil.

 

Notou os cochilos? O redator deveria ter escrito passa, pois a concordância é com o termo país, na terceira pessoa do singular, e não no plural. Teria errado mesmo o redator ou se distraiu? Já em continente, foi omitido o -s do plural. Teria errado na concordância o escritor ou se tratou de uma omissão involuntária? Difícil saber. Na dúvida, uma banca teria de considerar como erro.

Percebeu quantos problemas podem gerar as pequenas distrações e omissões? Então comece a se concentrar mais em seus exercícios de respostas discursivas e redações. Esquecimentos, omissões, pequenas distrações podem gerar hábitos, e nisso talvez esteja a reprovação de muitos candidatos em concursos de acesso e vestibulares, em que uma vaga é decidida muitas vezes por milésimos.

Valeu? Era sobre isso que os professores sempre alertavam com as piadinhas como: Não coma letras e palavras, rapaz, Não têm proteínas e vitaminas.

Resumindo: não deixe que maus hábitos no escrever o prejudiquem. Toda a atenção, todo o cuidado são necessários para evitá-los.

 

Você torna o curso nobre

November 10th, 2015

Com a ocorrência de diferentes vestibulares no final do ano, volta a ser colocada por muitas pessoas a ideia de que uns cursos são nobres e outros são comuns. Trata-se, na verdade, de um modo de ver e julgar que vem de longe, da própria constituição do ensino universitário e da implantação de cursos em nosso país.

Seria correta essa concepção que se manteve até os tempos modernos? Não, não seria e não é. O fato de certas profissões serem vistas por nossa sociedade como mais representativas, mais capazes de tornar os indivíduos admirados e muito bem remunerados é apenas uma conclusão superficial, precária, uma tentativa de adivinhar o futuro com base em preconceitos elitistas

Alguns ainda atribuem esse julgamento ao fato de que a procura por certos cursos é tanta, que somente estudantes de famílias de grande poder aquisitivo podem ser aprovados. Essa estatística era verdadeira até há poucos anos atrás, mas, com o estabelecimento de quotas sociais e raciais, boa parte das vagas passaram a ser disputadas por candidatos de menor poder aquisitivo, o que constituiu um belo passo em termos de justiça social. E assim também um belo passo para a anulação da diferença entre cursos nobres e comuns.

A distinção, entretanto, se mantém em outro patamar, na questão da valorização dos cursos pela sociedade, que continua a mesma. A própria sociedade moderna acabará eliminando esse modo de pensar, ao verificar que todas as profissões  têm o mesmo valor. Os profissionais que as exercem diferenciam-se pelo modo como as praticam. Uma pessoa pode fazer um curso que não é muito valorizado em seu meio, mas o exerce de tal modo que obtém grande destaque e acumula o suficiente para viver muito bem sua vida e ganhar o reconhecimento social.

Por que então não se deve aceitar como verdadeiro o julgamento entre cursos nobres e cursos comuns? Por uma razão muito simples: não é o curso que faz o profissional, é este que se forma para exercer uma atividade que sempre o atraiu, que sempre admirou. Sob esta concepção, a diferença de valor entre cursos é balela, pura invencionice.

Por tudo isso, se você está prestando vestibular para um curso considerado “comum”, não se preocupe. O curso não é você, a profissão não é você. Você é o estudante, você será o profissional e, pelo seu afinco, pela sua determinação, pela sua competência, terá  grande sucesso e será admirado por todos. E sentir-se-á nobre no que faz.

Já a suposta “nobreza” de uma profissão desaparece quando o indivíduo a exerce mal.

Percebeu? A nobreza não está nas coisas, mas nas pessoas.