Arre! Esses porquês incomodam mesmo!

February 16th, 2017

Para você que está ingressando e para você que vai ingressar na Universidade, vale a pena refletir sobre os incômodos porquês de nossos textos. O Blogueiro já escreveu muito a respeito, mas acredita que sempre se pode encontrar uma forma bem mais fácil de aprender e memorizar todos os usos. Esta é mais uma tentativa de atingir a explicação ideal.

O Blogueiro procura, com a relação abaixo, levar os estudantes e candidatos a resolver de uma vez por todas, pelos exemplos, esse problema. Note você que não vai aí nenhuma explicação de ordem gramatical, nenhuma tentativa de escarafunchar estudos dedicados ao assunto, mas tão somente os exemplos escritos de modo a situar numa coluna todos os porquês. Vale a pena, portanto, observar os exemplos, as formas (porque e por que), bem como os sentidos que assumem em cada exemplo. Tais sentidos, vale observar, do modo como estão apresentados, poderiam substituir os respectivos porquês. Observe:

Preciso descobrir 

 

Você escreveu esse conto,

Este é o ideal

A ponte

Você sabe

Não vale a pena indagar

Irei à feira

Meu irmão bateu à porta

 

Nunca consegui saber

Descobri inúmeros

Desistiu do jogo? Diga-me um

por que 

Por que

por quê?

por que

por que

por que

por quê.

porque

porque

Porque

o porquê

porquês

porquê.

 

 

todas as frutas caíram. 

você escreveu esse conto?

 

vale a pena lutar.

passamos está quebrada.

nosso colega estuda tanto?

 

nossa despensa está vazia.

a campainha não funcionou.

chegou tarde, não pôde entrar.

de sua raiva.

para explicar notas tão baixas.

por qual motivo 

Por qual razão?

por qual razão?

pelo qual

pela qual

por qual motivo

por qual motivo

já que, pois

pois

como

motivo, razão, causa

motivos, razões

motivo, razão

 

 

Vale a pena, como você deve ter concluído, memorizar esses exemplos e sentidos, já que, em casos concretos em que venha a ter dúvida, poderá acertar fazendo a comparação. Talvez o mais aconselhável, no começo, seja recortar a tabela e colar em seu caderno, apostila, ou até mesmo em sua mesa de estudos, para poder fazer de imediato a consulta, em caso de dúvida.

Se encontrar algum exemplo que o Blogueiro não tenha previsto, acrescente-o à tabela. Afinal, não há gramático nem blogueiro que saiba tudo. Sempre alguma coisinha pode escapar. Valeu?

 

Repetições que empobrecem seu estilo

February 8th, 2017

Ih! minha redação não foi lá essas coisas!

Se você, quer tenha sido classificado, quer esteja na lista de espera, chegou a essa conclusão sobre o texto que escreveu, pode ter certeza de que há mesmo motivos para não estar satisfeito. É, mas afinal eu passei! É o que importa. Certo, por um lado, mas não muito, por outro. Por quê? Porque a necessidade de escrever bons textos não morre no vestibular. Como já disse o Blogueiro mais de uma vez, é algo que acompanhará todos os seus estudos na universidade e toda a sua vida profissional. Então, é muito procedente continuar se preocupando em aprimorar sua capacidade de escrever. Quem é capaz de produzir bons textos sempre recebe o respeito de seus colegas de estudo ou parceiros de trabalho.

O Blogueiro vai tentar oferecer uma ajudazinha. Preste toda a sua atenção. Talvez sua insatisfação não esteja propriamente no desenvolvimento do tema, mas na própria sequência do discurso que apresentou. Um cuidado, neste caso, é fundamental: saber distinguir com precisão discurso oral e discurso escrito. Quando falamos, temos interesse em ser entendidos de imediato, sem problemas ou atrapalhos. Por isso, muitas vezes nos tornamos repetitivos, com a intenção de que nosso interlocutor não precise de nenhum esforço para comprrender a mensagem.

Essa característica do discurso oral, todavia, desaparece quando escrevemos, especialmente se as circunstâncias exigirem, como é o caso de uma redação de concurso ou de vestibular. Neste caso, além da clareza, temos de brindar nosso leitor com uma sequência harmônica e equilibrada, verdadeiramente prazerosa.

Neste ponto exato surge o caso das repetições desnecessárias de palavras, que são fatores de empobrecimento de nosso estilo. Observe os exemplos abaixo, forjados com base em ocorrências reais em textos de jornais e revistas da internet (aparecem em negrito as repetições desnecessárias):

 

Paulo foi a Paris para participar do primeiro congresso desde o primeiro dia de sua eleição.

Os dois projetos enviados pelo governo são dois dos principais modos de eliminar esses dois problemas.

Não há motivo para apressar esse debate, atropelar o debate e não permitir que o debate impeça melhores reflexões sobre o tema.

Observou bem? Não se pode dizer que nenhum desses exemplos seja incorreto. São todos, porém, marcados por repetições desnecessárias e desagradáveis. Trata-se de problemas cuja solução é relativamente fácil. No exemplo inicial,  a repetição da palavra primeiro pode ser sanada pela eliminação da segunda ocorrência e uma pequena alteração:

 

Paulo foi a Paris para participar do primeiro congresso desde que foi eleito.

 

O segundo exemplo pode ser melhorado pelo mesmo processo:

 

Os projetos enviados pelo governo são dois modos de eliminar esses problemas.

 

Já o terceiro requer um arranjo mais elaborado:

 

Não há motivo para apressar esse debate. Atropelar as discussões equivale a impedir reflexões mais proveitosas sobre o tema.

 

Percebeu bem a diferença entre os textos com e sem repetições? Claro que sim. Então sempre faça a mesma faxina com o rascunho de seu texto. E aquela sensação de que sua redação não foi lá essas coisas vai com certeza desaparecer.

 

Aos que entram e aos que ainda vão entrar

February 1st, 2017

Com a divulgação próxima das listas de ingressantes em cursos da Unesp, duas vertentes se revelam: a dos que obtiveram suas vagas e a dos que não conseguiram atingir a média necessária para tal.

Felicidade de um lado e infelicidade do outro? Nada disso. No portal da universidade, os jovens que entram e os jovens que não entram constituem uma mesma comunidade, diferençada apenas por um acidente de percurso. Quem ganha sua vaga deve festejar muito, mas também deve ter em mente que essa é uma primeira de muitas tarefas que terá de cumprir até receber, daqui a alguns anos, o diploma do curso escolhido. Quem não obtém sua vaga deve festejar também pelo dever cumprido e analisar de imediato o porquê de não haver conquistado todos os pontos necessários. Esta análise é importantíssima, agora, para estabelecer roteiro e métodos de estudo com vistas aos vestibulares do ano em curso.

O que acontece, na verdade, com todos os candidatos, é o mesmo que ocorre com todas as pessoas ao longo da vida, com toda a sociedade. Nossa vida é feita de desafios permanentes em todos os setores por que passamos. Os desafios nunca cessam de surgir. Dizem as pessoas mais experientes que nossa primeira grande vitória é nascer, é surgir do nada para o existir. A segunda é crescer com saúde e inteligência. A terceira é atravessar a adolescência, período que pode ser fácil para uns, mas muito conturbado para outros. A quarta é atingir a idade adulta e estabelecer metas para a existência, quer seja por meio do estudo em universidade, quer seja pelo empreendedorismo. Em qualquer dos casos, o identificador dessas metas é a busca da felicidade pela realização pessoal e profissional. Qualquer que seja o trajeto, haverá sempre que conviver com vitórias e com derrotas, sem deixar que aquelas nos subam à cabeça ou que estas nos façam perder o embalo e ficar apenas olhando para o chão do desânimo.

Dizem pessoas com plena realização em suas vidas que aprenderam muito mais com as derrotas do que com as vitórias, porque as derrotas nos fazem desenvolver o senso crítico e o cuidado pelo planejamento e detalhamento de nossos passos no mundo. No âmbito dos esportes, por exemplo no futebol, muitos atletas que só costumam jogar bem e obter vitórias e elogios podem desenvolver uma espécie de perigosa autoglorificação, tornando-se, como se diz na gíria desse esporte, mascarados, o que muitas vezes os leva a desempenhos ruins e ao empobrecimento de suas qualidades. Outros jogadores, com menos louvores da crítica especializada, sentindo a responsabilidade de um desempenho cada vez melhor, conscientizam-se, esforçam-se, levam qualquer pormenor de treinamento a sério e, com o tempo, melhoram sensivelmente seus desempenhos e se tornam insubstituíveis dentro do esquema tático adequado.

É isso aí. Você, que passou, não deve considerar-se nenhum gênio, embora ao longo de sua carreira possa vir a tornar-se um.  E você, que não passou, não deve considerar-se um fracassado, mas apenas um lutador que perdeu um round. A vida, porém, é feita de um sem-número de rounds. Muitas vitórias se seguirão a uma derrota.

Valeu? Então mãos à obra, para os que entram e para os que ainda vão entrar.

 

Cuidado com as distrações: podem estragar tudo

January 27th, 2017

Escritores, articulistas, jornalistas sabem que distrações acontecem. Mas sabem também que é preciso sempre uma boa revisão para saná-las. Uma vírgula a mais, uma vírgula a menos, uma preposição equivocada, uma palavra trocada, tudo isso traz perigo a um texto que estejamos escrevendo. Por isso, muitas vezes, mais que os cochilos de ortografia ou os erros de gramática, uma pequena distração pode levar uma resposta de questão discursiva ou um período de uma redação ao fracasso. Quer um exemplo? Então veja:

 

O funcionário sugeriu que eu procurasse a sessão de recursos humanos.


Notou? É claro que você sabe distinguir entre sessão, período em que transcorre uma reunião, e seção, parte de um todo. Uma ligeira distração, porém, pode levá-lo a trocar uma palavra pela outra. No exemplo citado, seção de recursos humanos, forma correta, foi trocada erradamente por sessão de recursos humanos, produzindo-se um sentido completamente equivocado para a frase como um todo.

Nesta semana, numa notícia de jornal online, uma troca de palavras mudou completamente o sentido da frase de um jornalista. Vamos forjar um exemplo semelhante:

 

O presidente fará a provocação do congresso ainda nesta semana.

 

Notou? Houve a troca da palavra convocação por provocação, o que muda radicalmente o significado original da frase. Uma pequena distração, dirá o autor. Pequena, mas perigosa, diremos nós, por falha do revisor dos textos publicados na rede.

Outro exemplo:

 

Meu colega está fazendo um curso de redação e interpenetração de textos.

 

Uma troca verdadeiramente hilária, não é? Numa prova de concurso ou de vestibular, porém, pode representar a perda de pontos preciosos.

A que conclusão se chega após os exemplos apresentados e os comentários do Blogueiro? Vamos destacar em maiúsculas: REVISÃO: ou, como gostam de enfatizar os escritores: R-E-V-I-S-Ã-O. A revisão é uma tarefa absolutamente necessária para qualquer texto que escrevemos, mesmo que seja apenas uma resposta a questão discursiva. Os escritores sabem muito bem disso, pois submetem seus textos — poemas, contos, romances, memórias — a inúmeras revisões, sabendo muito bem que, apesar desse esforço, sempre pode escapar uma distraçãozinha aqui, outra ali. Os jornalistas, no clima de verdadeira pressão ante o exíguo tempo de que dispõem, têm de praticamente escrever revendo, pois o jornal não espera. Quando seus textos saem na internet, talvez digitados por outra pessoa, as possibilidades de distração aumentam muito. O próprio Blogueiro, vez por outra, deixa escapar alguma distração e, quando percebe, trata logo de avisar os responsáveis pelo Blogue para fazer a correção. Errar é humano, diz o provérbio, mas ter humildade para corrigir é mais humano ainda.

E você, numa prova de vestibular? É bom fazer como o jornalista, escrever revendo. E, se sobrar um tempinho, fazer nova e atenta revisão para sanar algum problema que tenha escapado. Para maior segurança, é recomendável criar sua própria técnica de revisão ao longo de seus estudos e simulações de provas. O lucro desse sacrifício pode ser enorme, não acha?

 

Você que entra, você que vai entrar, cuidado com o o

January 20th, 2017

Este artigo serve aos estudantes que já ingressaram, aos que estão para ingressar e aos que ingressarão após os exames deste ano. Trata-se de um probleminha que pode virar um problemão em tudo o que você escreve sobre qualquer assunto. A internet está cheia de exemplos, mesmo em textos jornalísticos, que, por necessidade, obedecem à norma-padrão.

Em dois artigos de diferentes jornais online o Blogueiro foi surpreendido hoje pelo emprego errado, baseado num equívoco de sintaxe dos jornalistas, ou, quem sabe? causado por um digitador e um revisor distraídos. Observe o exemplo abaixo, forjado pelo Blogueiro para evitar constrangimentos:

 

Estava numa posição que o permitiu fazer experiências com novos produtos.

 

Reparou? O Blogueiro já perdeu a conta das vezes em que alertou para o erro crasso de trocar o pronome oblíquo lhe pelo pronome oblíquo o. Mas a todo instante se surpreende, nos sites dos melhores jornais do país, com essa pavorosa troca. Pavorosa, porque não se trata apenas de trocar alhos por bugalhos, como diria o povo, mas de estraçalhar a sintaxe do idioma. Até hoje, muitos usuários da rede, inclusive profissionais, demonstram com tais equívocos não dominarem bem a diferença entre objeto direto e objeto indireto. Isso é péssimo, e pode até alterar brutalmente o sentido de um período.

Vamos, então, repetir a velha liçãozinha a respeito. Objetos diretos, quando substituídos pelos pronomes pessoais do caso oblíquo, assumem as formas o, a, os, as, eventualmente com as seguintes variantes lo, la, los, las, no, na, nos, nas, provocadas pela relação entre os finais das formas verbais e tais pronomes. Assim, o objeto direto da oração Comprei o livro pode ser substituído pelo pronome o: Comprei-o. Se a forma verbal fosse, porém, compramos, seria usada a variante: Compramo-lo. No caso de ser a forma verbal compraram, teríamos: Compraram-no. No caso, porém, de se tratar de objeto indireto precedido pela preposição a, a forma pronominal oblíqua será: lhe, lhes. Assim, numa oração como Pedro obedeceu ao pai, o objeto indireto ao pai pode ser substituído por lhe: Pedro obedeceu-lhe.

Aí é que nasce o probleminha que pode virar problemão: colocar, quando se trata de lhe, a forma o, ou vice-versa. É exatamente o que ocorre no primeiro exemplo dado:

 

Estava numa posição que o permitiu fazer experiências com novos produtos.

 

Supondo que esse o corresponda, por exemplo, a Pedro, O redator desta frase deveria ter empregado a forma lhe, que corresponde a a Pedro, e não o:

Estava numa posição que lhe permitiu fazer experiências com novos produtos.

Percebeu a diferença e o perigo dessa má troca? Claro que sim. Então, trate de comprovar, em suas leituras pela internet e até mesmo por jornais e revistas comuns em papel, como esse tipo de equívoco é corriqueiro. Bons escritores não caem nessa, como se observa neste belo exemplo fornecido pelo Dicionário Aurélio no verbete permitir:

 

“A atenção dedicada ao fenômeno linguístico, considerado em si mesmo, permitiu a Machado de Assis aproveitá-lo ao máximo em sua obra de ficção.” (Maria Nazaré LIns Soares, Machado de Assis e a análise da expressão, p. 99).

 

Notou a diferença? A escritora poderia inclusive ter colocado a forma lhe em lugar de Machado de Assis, não o fazendo, porém, por julgar melhor para o período a expressão do nome próprio.

Siga, portanto, os bons exemplos, e não caia nessa onda de erros de textos da internet. Pode serem grandes jornalistas, figuras ilustres da mídia ou profissionais semelhantes, se trocarem lhe por o, têm de ser corrigidas, e não seguidas. A fama não lhes dá o direito de alterar os padrões da língua. Valeu? Então compreendeu que está numa posição que lhe permite aperfeiçoar seu próprio estilo de escrever, fazer experiências com seu idioma, mas nunca a ponto de desafiar o que há muito está consolidado? Mãos à obra!

 

 

 

Agora é com você, que ainda vai prestar

January 11th, 2017

O título deste artigo, como se pode observar, é bastante brincalhão, já que o verbo prestar apresenta muitas possibilidades de significação, razão porque tem de ser especificado. No sentido em que o Blogueiro empregou, precisa de um objeto direto: exames vestibulares. Sem isso, na intransitividade, tem sentidos cuja negação pode ser ofensiva: ser bom, ser correto, ser honesto, ter boa índole. Quer dizer: você não é bom, não é honesto, mas ainda vai ser. Evidentemente, o Blogueiro não quis dizer isso. É claro, porém, que há uma terceira possibilidade de sentido, que pode ser assim compreendida: você ainda não presta, vale dizer, ainda não está preparado; mas vai prestar, ou seja: ainda vai estar preparado. Isto já serve de exemplo de como é importante a questão da transitividade dos verbos, cuja mudança pode trazer alteração de sentido. Embora o tema deste artigo seja outro, o Blogueiro não perde a oportunidade de dar sua liçãozinha de discurso. Não deixe de aproveitá-la!

Na verdade, o artigo focaliza os vestibulandos que terão de prestar exames no ano em curso, mais especialmente os novatos, que ainda estão no terceiro ano do ensino médio. Se você se enquadra neste tema, preste muita atenção.

Enquanto os candidatos que prestaram exames aguardam a lista de classificados, chega sua vez, novo candidato, de trilhar a reta final de preparação. 2017 é o seu ano, portanto, e você já está seriamente preocupado em saber o que vai fazer durante esse trajeto de longos meses. É claro que os conselhos, desde o segundo ano do ensino médio, choveram muito em sua horta de sonhos. Não faltaram professores, amigos, parentes, veteranos para lhe fornecer os “melhores conselhos” para a vitória até o fim do ano.

Tudo isso, porém, é muito relativo. Não serão conselhos que o farão passar. Poderão até ajudar pouco ou muito, mas poderão também atrapalhar, se não estiverem em acordo com sua personalidade. Esta é a chave: sua personalidade. Sua personalidade é a corrente do rio: você não deve nadar contra ela, sob o risco de cansar demais e render de menos. É hora de consultar a si mesmo, de refletir sobre sua própria índole, para estabelecer o que quer, que curso ou cursos pode tentar, que roteiros de estudo estabelecer e métodos adotar.

Tudo tem de estar, portanto, em sintonia com seu modo de ser, com as possibilidades que você percebe em si mesmo e com a capacidade de estudo, esforço e sacrifício pessoal de que se julga possuidor. Sacrifício pessoal, sim, mas sem que isso signifique algo torturante. Ao contrário, sacrifício pessoal é uma atitude necessária em diferentes momentos de nossas vidas, para atingirmos as metas determinadas, seja no trabalho profissional, seja na vida particular e familiar.

Se lermos as biografias das grandes figuras humanas de todos os tempos, qualquer que seja o caminho percorrido, verificaremos que passaram por incontáveis momentos de sacrifício e de desafio. Talvez seja até melhor, em vez da palavra sacrifício, você usar desafio. Nossa existência é feita de desafios, muitos dos quais requerem, além de uma preparação adequada, o emprego de todas as nossas forças, de toda a nossa inteligência, de todas as nossas habilidades.

Por que dizer tudo isso? Porque os candidatos que prestam vestibulares, em vez de constituírem um grupo homogêneo, como seria o ideal, representam um grupo caracterizado pela heterogeneidade. Nem todos chegam a um ano dos exames plenamente preparados. Muitos, ao contrário, em virtude do tipo de escola que frequentaram ou dos problemas familiares que viveram, além de dificuldades de controlar seus próprios temperamentos, têm tendência a chegar com menos possibilidades. A proliferação de cursos preparatórios, bem como de sites da internet dedicados a ensinar conteúdos e fornecer  dicas para os candidatos é prova suficiente das diferenças apontadas.

O melhor conselho, a melhor dica, portanto, neste momento, para os que prestarão exames ao longo do ano em curso, é esta: examinem-se, considerem suas personalidades, analisem friamente suas possibilidades neste exato momento e estabeleçam metas, roteiros e métodos para evoluírem em seus conhecimentos e enfrentarem seus desafios. Métodos de estudo e dicas existem aos milhares espalhados pelas apostilas, livros e pela rede. O que vale, porém, é a sua atitude, o seu modo de encarar o que tem pela frente, além de sua vontade enorme de vencer.

Pense nisso! E mãos à obra, à sua obra!

 

Há oito anos com o estudante

January 6th, 2017

Buscando atenuar sua tensão da espera dos resultados e, ao mesmo tempo, tentando fornecer-lhe ideias para reflexões muito úteis nesse processo, este artigo completa, focalizando alguns aspectos distintos, o que dissemos sobre a edição do terceiro livro do Blog. Trata-se de uma mensagem sobre a qual você deve refletir muito, ao longo de sua vida profissional.

O BlogUnesp, com seus artigos e avisos, há oito anos vem buscando, de forma muito simples, clara e útil, auxiliar o estudante a resolver dúvidas em sua preparação para o vestibular. Como já disse o Blogueiro, porém, mais de uma vez, nossa ambição não se limita ao vestibular: queremos continuar servindo ao desempenho de nossos estudantes em seus cursos.

Se vocês, candidatos que esperam os resultados finais, bem como estudantes que já ingressaram na Universidade, repararam bem no modo e na forma de apresentação de nossos artigos, devem ter percebido que o Blog continuará servindo à sua capacidade de ler, interpretar e escrever por muitos anos ainda.  O ingresso em cursos superiores, de fato, não anula a necessidade de dominar as três habilidades mencionadas, assim como aperfeiçoá-las ao longo de seu curso e de toda a sua vida profissional.

Nosso Blog, de resto, também recua um pouco no tempo, visando ao aprendizado dos estudantes do ensino médio, desde o primeiro ano, tudo baseado num método de trabalho que pode ser resumido na frase Alcançar o máximo possível de pessoas interessadas em aprender. Por isso mesmo, somos um Blog que se caracteriza pelas mensagens sérias, em que as próprias brincadeiras e jogos de palavras que algumas vezes utilizamos carregam consigo lições úteis e ensinamentos producentes.

Por estas razões, você, candidato cheio de esperança de figurar na lista de classificados, pode muito bem aproveitar o tempo para ir fazendo revisões, com base na leitura de artigos anteriores do Blog, para aperfeiçoar suas habilidades de expressão. Por quê? Porque o curso em que você ingressará implica a necessidade permanente dessas habilidades. A universidade, de fato, é o dominio maior do estudo, da ciência e de sua expressão em textos de diferentes gêneros. É nela que nascem os conceitos, as ideias, as teorias e as práticas que devem ser comunicadas ao mundo para torná-lo melhor em todas as áreas. A universidade nasceu justamente dessa ânsia que tinham os estudiosos de disseminar sua ciência e conhecimentos aos interessados.

Em resumo, ao ingressar numa universidade você não vai se tornando apenas um futuro profissional especializado em determinadas linhas de atividade, mas, sobretudo, um comunicador, um disseminador de conhecimentos e práticas, membro ativo de uma sociedade que precisa, cada vez mais urgentemente, do processo da mútua colaboração entre as pessoas, com vistas à edificação de um mundo cada vez melhor, com seus habitantes cada vez mais dotados de pensamento humanitário e desejo de que a ignorância seja substituída pela ciência e todas as práticas ruins, condenáveis, sejam de uma vez banidas do planeta. Os indivíduos formados por universidades têm uma responsabilidade cada vez maior nessa busca. E você, com os resultados positivos que com certeza terá, assumirá também a sua parte no processo.

Só assim o planeta poderá encontrar o futuro que todos desejamos.

 

Unesp edita terceiro livro do BlogUnesp

January 4th, 2017

Acaba de ser publicado o terceiro livro do BlogUnesp, coletânea dos artigos publicados neste Blogue de 2013 a 2015. Trata-se do livro mais extenso dos três, o que nos deixa felizes e orgulhosos do trabalho que vem sendo realizado em prol dos candidatos a exames vestibulares da Unesp.

Você, que é leitor habitual desses artigos, sabe muito bem que todos têm como objetivo fornecer aos candidatos informações que os auxiliem a melhorar seus desempenhos nas provas: tópicos sobre redação, gramática, interpretação de textos, modos de ler e de responder questões objetivas e discursivas, técnicas de preparação para as provas, etc., etc., diferentes formas de abordagem, enfim, que possam trazer benefícios a quem se submete aos exames vestibulares. Não se trata, por isso, de um blogue que visa ao bate-papo, frequentemente brincalhão e hilário, mas sem muito efeito prático. Pelo contrário, é um blogue sério, crítico, responsável, didático, que tem como meta ensinar a estudar, a preparar-se, a responder com sucesso às questões propostas, bem como aperfeiçoar a capacidade de redação, já que esta tem grande peso na média final.

O Blogueiro conhece muito bem, pela sua longa experiência, os vários e diferentes deslizes que os candidatos, muitas vezes por falta de preparo adequado, outras por tensão e nervosismo, podem cometer durante a leitura e a interpretação das questões objetivas e discursivas das diferentes provas, e por isso mesmo chega a ser insistente em apontar modos e técnicas para evitá-los. E fica extremamente feliz quando percebe que seus artigos conseguem atingir o objetivo desejado, fornecendo os recursos e técnicas de preparação e estudo para que as respostas surjam limpas, sem ambiguidades, absolutamente claras.

A filosofia da Vunesp com o Blogue, porém, ultrapassa esses limites e busca fazer com que os candidatos percebam que ler, interpretar, responder e criar textos não é algo específico dos exames vestibulares, mas acompanhará os estudantes por toda a sua vida, ao longo das atividades profissionais que assumirá. Profissionais de sucesso têm de ser capazes de ler e interpretar um texto em seus trabalhos, bem como redigir adequadamente relatórios e, mesmo, artigos focalizando atividades de suas respectivas áreas. Longas experiências requererão a criação de livros. Não se pode admitir, desta sorte, que um profissional competente seja incapaz de produzir textos para partilhar com a comunidade todas as atitivades e descobertas que realizou ao longo de uma carreira vitoriosa.

É tudo isso que pretende o Blogue com seus artigos, muitas vezes intencionalmente repetitivos, para garantir o entendimento dos candidatos. A capacidade de discurso, que implica o ler, interpretar, compreender, produzir textos, é uma habilidade muito mais que necessária ao profissional formado por universidade, qualquer que seja a área envolvida. Com o vertiginoso desenvolvimento tecnológico experimentado pela comunicação nos dias atuais, não se pode imaginar um desses profissionais incapaz de relacionar-se com outros, via rede, tanto para partilhar suas técnicas e experiências, quanto para receber, do mesmo modo, a colaboração desses outros.

A chamada globalização, como alguns consideram, não é apenas um fenômeno que envolve o comércio, a indústria, a política, mas um processo que aglutina todas as áreas da atividade humana, particularmente a educação. Prestar um vestibular, deste modo, é ingressar num universo totalmente novo, é tornar-se partícipe de novas formas de viver e realizar-se.

Pense muito nisso e inclua também este objetivo em sua formação no curso superior.  E que um um feliz 2017 marque o início dessa sua caminhada vitoriosa em direção a um futuro exemplar.

 

 

Você foi bem. Agora é aproveitar as festas

December 21st, 2016

Como de costume, a segunda fase do Vestibular Unesp foi bastante equilibrada, rica em textos e conteúdos, tendo exigido de você um bom desempenho, tanto nas questões, quanto na proposta de redação. Não foram cobradas questões com dificuldade acima da média, nem houve enigmas a resolver, mas tão somente aquilo que um estudante egresso do ensino médio deve ser capaz de encarar com sua inteligência, formação e reflexão.

Agora há um período a aguardar, correspondente à correção e a confecção das listas de classificados. Você por certo estará numa delas e poderá iniciar seu curso, com vistas a uma formação bastante promissora.

A Unesp, de fato, está tão feliz quanto você, por ter sido capaz de levar todo o processo das provas com a máxima eficiência e sem deslizes. A responsabilidade de organizar e aplicar exames vestibulares é, de fato, algo verdadeiramente desafiador, que implica estratégias muitas vezes inovadoras, pois, à medida que o tempo vai passando e a globalização no ensino aumentando cada vez mais, o próprio processo de admissão de novos estudantes passa por fases e mais fases de aperfeiçoamento e sofisticação. O importante, porém, é sempre manter os exames adequados a selecionar os melhores candidatos para os cursos, vale dizer: fazer justiça, premiando aqueles que revelem ter feito o máximo esforço e o máximo sacrifício para ingressar na Universidade. Se você, deste modo, sentiu um grande alívio ao encerrar seus exames e verificar que fez o suficiente para passar, não tenha dúvidas de que a própria Universidade sentiu uma satisfação imensa de, mais uma vez, ter levado o processo do começo ao fim sem o menor deslize e com alta potencialidade de avaliação dos candidatos.

Quanto ao mais, aproveite as festas de fim de ano, relaxe e respire feliz: o caminho das pedras já passou, mas há ainda pela frente muitos caminhos, alguns mais tranquilos, outros muitíssimo difíceis, até você atingir sua completa e definitiva realização profissional. Boas festas e um excelente futuro. É o que a Unesp lhe deseja.

 

Três escorregadelas perfeitamente evitáveis

December 13th, 2016

Em suas respostas discursivas, bem como em sua redação, tome muito cuidado com certos lapsos que podem custar caro. Trata-se de exemplos que abundam na internet, pois o cuidado com o idioma parece não ter valor para muita gente que tem de fazer textos todos os dias e, ante o desmazelo geral dos informativos que surgem nos diferentes sites de notícias, imagina que a correção gramatical não é algo que se deva levar em conta.

Se você acredita nisso, por favor, mude de ótica. Em vestibulares, como você já verificou na leitura deste Blogue, há muita coisa que não se perdoa, tais como impropriedades no emprego de vocábulos, equívocos de concordância nominal e verbal, inconsistências ortográficas, etc., etc. O Blogueiro selecionou três casos que, ainda na semana corrente, detectou em textos de notícias na internet:

 

Paulo achava que a irmã deveria emprestar a quantia a ele e ficou zangado por ela não ter o feito.

O juiz declarou que, se o promotor trazer as provas, dará início ao julgamento.

A necessidade da administradora falar a verdade é inquestionável.

 

O primeiro exemplo é relativamente comum, pelo fato de muitos estudantes desconhecerem o emprego dos pronomes oblíquos átonos e suas variantes. Exemplo semelhante foi captado esta semana num site de notícias. Quem o escreveu, não está lá muito familiarizado com tais variantes, pois deveria ter observado a relação entre o verbo “ter” e o pronome átono “o”. A forma adequada, deste modo, seria:

Paulo achava que a irmã deveria emprestar a quantia a ele e ficou zangado por ela não tê-lo feito.

 

Está na hora de fazer uma revisão do emprego dos pronomes oblíquos átonos, não está?

Já o segundo exemplo, também comum na internet, é de ignorância da conjugação do verbo “trazer”. O modo em que está empregado o verbo é o subjuntivo no tempo futuro. Assim, em vez de empregar “trazer”, forma do infinitivo, deveria ter usado “trouxer”:

 

O juiz declarou que, se o promotor trouxer as provas, dará início ao julgamento.

Dicionários eletrônicos como o Aurélio e o Houaiss apresentam a conjugação completa de todos os verbos do idioma, sendo, portanto, imperdoável cometer um cochilo dessa monta, que fatalmente será penalizado.

Já o terceiro exemplo é um pouco mais problemático. De modo geral, as gramáticas ensinam que o sujeito não pode ser preposicionado, sendo, assim, errado falar ou escrever “o fato dela chegar”, “apesar da carta não ter chegado”,  “chegou o momento do lutador mostrar que é bom”, etc., etc.  Segundo esta perspectiva da tradição gramatical, tais exemplos deveriam ser alterados para: “o fato de ela chegar”, “apesar de a carta não ter chegado”, “chegou o momento de o lutador mostrar que é bom”. Deste modo, o exemplo encontrado pelo Blogueiro na rede deveria ser corrigido para:

 

A necessidade de a administradora falar a verdade é inquestionável.

 

Há aqui, porém, um probleminha: alguns estudiosos afirmam que não há erro no preposicionamento do sujeito em tais exemplos, já que muitos escritores fazem o mesmo. Seria, assim, um excesso de zelo baseado numa tradição que já está sendo ultrapassada. Neste caso, perguntaria você, Que fazer? Que forma empregar? Para o Blogueiro, como para o povo de modo geral, “Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.” Que quer dizer com isso? Simples: se você empregar a forma que evita o preposicionamento do sujeito, nenhum corretor de redação poderá apontá-la como “errada”. Você estará ancorado na tradição. Se empregar a outra forma, vai que o corretor seja um purista e não a aceite? É melhor não arriscar.

Dá para concluir assim, plagiando o provérbio muito sutilmente criado pelo povo: Não arrisque! Petisque!