A hora das objetivas

9 de maio de 2018

Com a chegada da primeira fase do Vestibular Meio de Ano da Unesp, todas as atenções dos candidatos estão voltadas para o melhor modo de enfrentar as diversas questões, ditas objetivas pelo fato de o estudante ter de marcar respostas previamente apresentadas pela banca elaboradora, sem haver necessidade, portanto, de intervenção estritamente pessoal do candidato, como ocorre com as questões ditas discursivas. Já se parte do princípio de que uma das respostas é a correta e se torna necessário apenas reconhecê-la e marcá-la como tal.

Evidentemente, as questões objetivas não deixam de focalizar aspectos relevantes da subjetividade do candidato, pois é isto, afinal, que está em jogo no processo de análise e escolha das respostas corretas, bem como da avaliação: o grau de conhecimento, a capacidade de análise e de síntese, a capacidade de atenção e até uma certa malícia ao examinar o que se pede na raiz e o que se oferece nas alternativas.

As questões objetivas, deste modo, implicam um tipo específico de abordagem pelo candidato, o que significa uma forma de leitura diferenciada, na qual a atenção é altamente relevante. Ler uma questão objetiva requer o máximo possível de cuidados. Um ligeiro cochilo de leitura pode levar a um lamentável engano. Vale dizer: para questões objetivas, leitura objetiva.

Como o Blogueiro já disse mais de uma vez, uma questão objetiva se apresenta em duas partes perfeitamente entrosadas: um enunciado, também chamado raiz, e um conjunto de respostas possíveis, uma das quais, e apenas uma, é a correta, por entrar em perfeito acordo de forma e significado com a raiz. É esse acordo entre forma e significado que deve ter o candidato em mente ao analisar e responder. Além da correspondência de sentido, a resposta correta apresenta acordo perfeito, sob o ponto de vista sintático, com a raiz. Esta é a melhor pista, sobretudo no caso de discernir, entre duas respostas que parecem corretas, a absolutamente correta. Por isso mesmo, você deve tomar cuidado em não se deixar levar pela aparência de correção, mas pela relação objetiva entre a alternativa e a raiz. Resumindo, de modo um tanto irônico: uma alternativa poder ser até bonitinha, mas, como diz o povo, beleza não põe mesa, isto é, convém observar com precaução a correspondência formal e semântica entre alternativa e raiz para chegar a uma conclusão adequada.

Percebeu? O papel da banca elaboradora é formular cinco respostas (alternativas), sendo quatro erradas e uma certa. Mas não se trata apenas de apresentar uma resposta perfeita e outras cheias de imperfeições para o candidato descobrir com facilidade. Há toda uma técnica de elaboração de questões que permite criar respostas muito parecidas, muito próximas, o que dificulta o trabalho do candidato no processo de “descoberta” da resposta adequada. Já o papel do candidato se situa no sentido inverso: identificar, com base na relação entre raiz e alternativas, qual a que realmente se encaixa.  Esses dois papéis é que sustentam o processo: o trabalho do candidato em analisar e descobrir é o foco da avaliação, pois demonstrará não apenas seu conhecimento, como também sua capacidade em usar esse conhecimento para resolver problemas concretos.

Boa prova!

 

 

Você sabe o que é uma universidade?

3 de maio de 2018

Você sabe muitas coisas, não é verdade? Exato, pois estuda pra valer para obter sua vaga no curso superior de sua preferência; se possível, na universidade de sua preferência. É aqui que entra a pergunta do título deste artigo: Você sabe o que é uma universidade? É possível que sim, mas também é possível que não. Se pensa na universidade apenas como escola de ensino superior que oferece o curso por você pretendido, está pensando muito pouco. Uma universidade é muito mais que isso. E será, de fato, muito mais que isso para você, caso consiga ingressar.

De certo modo, a história das universidades no mundo tem semelhanças com a sua. Você, nasceu, cresceu, lá pelos três anos foi colocado num curso pré-escolar, o chamado jardim da infância, e finalmente, três anos após, estava no primeiro ano do Ensino Fundamental, que cursou ao longo de 9 anos. Nessa fase, já sabia muita coisa, podia até assumir, se a lei permitisse, algum tipo de trabalho. Resultado: seu aprendizado, aos 15 anos, era considerado, na lei e na prática, ainda insuficiente, e por isso deveria cursar o Ensino Médio, quando então, obtido o diploma, caso não estudasse mais, poderia pleitear trabalho e começar uma carreira qualquer. Era, porém, ainda pouco. Faltava muito para aprender sobre o mundo, a vida, as ciências, as profissões superiores. Uma vez formado num curso de graduação, poderia partir para o trabalho na carreira que escolheu e seguir uma vida normal. Mas você, independentemente de estar ou não trabalhando, poderia julgar insuficiente o que havia aprendido e buscar conhecimento e aperfeiçoamento maior em cursos de mestrado e de doutorado, pois assim sua competência aumentaria muito mais. O mestrado e o doutorado poderiam ainda fazê-lo seguir carreira universitária,  como professor e pesquisador.

Pois essa sua história (pressupondo que venha a ocorrer de fato) é bastante parecida com a da própria universidade no mundo. Na infância da humanidade, os conhecimentos eram traduzidos e transmitidos oralmente de pessoa a pessoa ou por mitos. Crescendo a civilização, quando em diversos lugares do mundo já se dominava a escrita e se começava a cultivar a aritmética, a astronomia, a filosofia, a botânica e algumas outras formas ainda um tanto rudimentares  de ciência, os homens mais experientes percebiam que aquilo ainda era pouco, que precisavam aumentar seus saberes e, mais, disseminá-los entre os jovens. As primeiras escolas tiveram essa motivação e, ao longo dos séculos, em diferentes lugares, foram evoluindo e se organizando em diferentes níveis.

Assim nasceram as universidades atuais, que não são apenas ministradoras de cursos, mas instituições onde se conservam, cultivam e aumentam os mais altos conhecimentos que a humanidade veio acumulando ao longo dos milênios. Um professor universitário não é apenas um ministrador de aulas, mas um pesquisador que atua no desenvolvimento de uma área e divide, com seus alunos, os resultados que vem alcançando. Por isso, o ensino da ciência, nesse nível, é sempre novo, renovado, e seus beneficiários, os estudantes, não devem limitar-se, em suas profissões, a utilizar apenas o que aprenderam, mas buscar o aperfeiçoamento do que aprenderam nos bancos acadêmicos.

É por isso que você ouvirá, logo que ingresse em seu curso, que a universidade se fundamenta em três pilares: a pesquisa, o ensino e a extensão de serviços, por meio da qual se busca uma relação direta com a comunidade, repassando conhecimentos, técnicas e uso de tecnologias para o desenvolvimento de setores dessa comunidade.

Ficou claro, então? Se você for formado como engenheiro, professor, advogado por uma universidade, não fez apenas um curso de engenharia, licenciatura ou direito, mas passou a pertencer ao quadro dos cidadãos de mais alto nível de saber do país e do mundo. Além de motivo de orgulho, isso deve significar responsabilidade e dever. A manutenção, produção e disseminação de conhecimentos para benefício da humanidade constitui o próprio espírito que animou a criação da universidade e a faz continuar laborando por um mundo cada vez melhor.       

 

 

Poesia e verso em vestibulares

3 de maio de 2018

Por vezes, nas provas de literatura e língua portuguesa nos exames vestibulares, podem surgir questões que envolvem a interpretação de poemas, tanto em versos livres, como em versos tradicionais. Quase sempre essas questões se voltam para a elucidação do conteúdo, mas, vez por outra, surgem questões sobre ritmo.

As escolas, desde o ensino fundamental, focalizam o mesmo tema e tentam, aos poucos, fazer com que os alunos compreendam a natureza do ritmo e sejam até mesmo capazes de criar versos e poemas. O Blogueiro não está dizendo nada de novo, apenas quer esclarecer alguns aspectos que podem ajudar os candidatos a resolver tais questões.

Ora, quando falamos em ritmo no discurso, estamos simplesmente reconhecendo que o ritmo faz parte inerente da própria linguagem. Por isso, a versificação não surgiu do nada, foi apenas um aproveitamento dessas possibilidades de ritmo que se abrem quando falamos ou escrevemos. Vamos a um exemplo, inventando um nome próprio:

 

Antônio Sousa do Prado

 

Trata-se de um nome simples, que pode até corresponder, na realidade, a grande número de pessoas no Brasil e em Portugal. Quando pronunciamos esse nome inteiro, sentimos certa harmonia na sucessão das sílabas fracas e fortes que o constituem. Marcamos as fortes com negrito e grifo:

 

An/to/nio/Sou/sa/do/Pra/do

 

Compare esse nome com os versos de “A Banda”, Chico Buarque:

 

Estava à toa na vida

o meu amor me chamou

pra ver a banda passar

cantando coisas de amor.

Antonio Sousa do Prado.

 

O ritmo é o mesmo! diria você. Correto. Exatamente o mesmo. Todas essas sequências possuem como fortes a 2, a 4 e a 7 sílabas, cuja repetição produz a percepção do ritmo. Trata-se de um verso heptassílabo, também denominado redondilho maior, para diferenciá-lo do do redondilho menor, de cinco sílabas métricas. O verso heptassílabo é o verso por excelência, tanto da literatura, quanto da música popular e do folclore. Até mesmo a música sertaneja atual o utiliza.

Outro verso que geralmente serve de objeto para perguntas é o decassílabo. Podemos criar outro nome próprio como exemplo de verso de dez sílabas, marcando com negrito e grifo as sílabas fortes, que são a terceira, a sexta e a décima sílabas:

 

Godofredo Sampaio de Oliveira

 

Trata-se do chamado verso decassílabo heroico, cujo acento predominante é o da sexta sílaba. A outra variedade é a do chamado decassílabo sáfico, com acentos predominantes na quarta e oitava sílabas, como neste nome próprio criado agora:

 

Jo Alfredo Aparecido Filho

 

Compare estes dois nomes próprios com os versos de Raimundo Correia:

 

Invergável ao pulso dos tiranos (3-6-10)

Godofredo Sampaio de Oliveira                   (3-6-10)

 

E voa, e rasga o luminoso ingresso (2-4-8-10)

José Alfredo Aparecido Filho                       (2-4-8-10)

 

Percebeu? O ritmo é parte inerente do discurso. E você encontra nele sequências com a mesma estrutura acentual de versos.

Um verso que também pode ser objeto de questões é o alexandrino clássico, com acento dominante em duas sílabas, que formam dois meios-versos denominados hemistíquios. E agora nem precisamos forjar exemplo, porque o próprio nome de um grande poeta constitui um alexandrino clássico:

 

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac

 

Olavo Bilac, de resto, foi um dos mestres no emprego desse verso. Examine o exemplo do poema  Alvorada do Amor, observando que a sexta sílaba é sempre marcada por acento forte:

 

Ah! Bendito o momento em que me revelaste

O amor com o teu pecado, e a vida com o teu crime!

Porque, livre de Deus, redimido e sublime,

Homem, fico na terra, à luz dos olhos teus,

— Terra, melhor que o Céu! homem, maior que Deus!

 

Lindo, não é? Lindíssimo. No poema mencionado, o poeta reconta a lenda da expulsão de Adão do Paraíso, atribuindo-lhe um novo e original contorno.

É isso aí. Pela beleza de suas imagens, conceitos e ritmos, a poesia sempre dignifica o homem.

 

O tema é o seu problema

24 de abril de 2018

A redação no vestibular é um obstáculo que deve ser ultrapassado por todos os candidatos a qualquer curso da universidade. Ao mesmo tempo, por seu valor no conjunto das provas, é uma fonte preciosa de pontuação para a conquista de uma vaga.

Ao longo do ano que precede os exames, tanto os professores do ensino médio quanto os de cursos preparatórios tentam descobrir, estudando os temas apresentados em vestibulares anteriores de diversas universidades, qual o mais provável nos vestibulares que seus alunos estão para enfrentar. É claro que ninguém adivinha, embora, vez por outra, um desses palpites de professores dê certo em algum vestibular importante. Mas… e daí? É bom adivinhar, mesmo que por acaso, o tema da redação? Claro que sim. Mas isso resolve o seu problema? Claro que não, por uma razão muito simples: saber o tema é uma coisa; saber escrever é outra. E saber escrever não significa apenas conhecer regras gramaticais e ortografia, bem como ter noções de coesão textual. Nada disso. Por quê? Porque escrever bem não se limita a uma só habilidade, mas a muitas. Eis a questão.

Ora, escrever bem implica três fundamentos que geram as habilidades necessárias: primeiro, dominar a construção de textos (normas gramaticais, coesão textual, ortografia); segundo, ter formação cultural adequada a, terceiro, explorar com sucesso o tema proposto. A escola, ao longo dos ensinos fundamental e médio, busca fazer com que os estudantes adquiram a primeira habilidade pelo estudo e treinamento em exercícios e mais exercícios de produção de textos. O currículo escolar busca dotar os estudantes de uma formação cultural genérica. Uma formação desse tipo, porém, não é suficiente para levar o aluno a produzir excelentes textos, mas tão somente, se for aluno estudioso, textos bons ou apenas razoáveis. Por quê? Porque um ótimo escritor é, antes de tudo, uma pessoa com formação cultural também ótima, diferenciada, que lhe permite produzir textos ótimos e diferenciados.

Se você acha que, fazendo uma boa ou razoável redação, isso já é suficiente para o seu interesse, tudo bem. Se quer mais que isso, considerando o peso da redação na nota final, preste bastante atenção no que o Blogueiro vai dizer. Faça sempre mais do que a escola lhe pede. Supere-se em leituras de obras literárias; leia todos os dias os artigos que jornalistas, intelectuais e bons políticos colocam na internet; interesse-se por avançar na obtenção de informações sobre o mundo atual, sobre os problemas com que a humanidade se defronta; leia pelo menos alguns livros fundamentais de filósofos do passado e do presente; informe-se sobre as diferentes artes e crítica de artes; esteja sempre atualizado sobre ciência e tecnologia; não ignore obras de história universal e história do Brasil, assista a filmes documentários, vez por outra assista a peças de teatro. Esses conteúdos todos estão apenas esboçados nos ensinamentos que você recebe na escola. Exatamente por isso precisam ser aumentados e desenvolvidos por todos os cidadãos que buscam uma vaga universitária e pelos que, já estudantes universitários ou profissionais formados, pretendem compreender o mundo em que vivem, e não apenas ser pessoas robotizadas que se contentam em comer, beber, trabalhar e dormir, sem nunca se preocuparem com analisar sua própria condição de estar no mundo vivendo passivamente. É algo como estar na vanguarda ou na retaguarda da civilização.

É, perguntará você, mas com tanto estudo para vestibular não dá para fazer tudo isso! Dá, sim, é só você querer e saber organizar-se. E, de certo modo, é uma espécie de descanso das tensões de estudo, uma forma de lazer para sua própria inteligência não ficar bitolada com o decoreba de sua preparação para as provas de vestibular. E note bem o que o Blogueiro disse: não é algo para começar e terminar em pouco tempo, mas para durar por toda a sua vida, se quer ter uma exclente formação cultural e tornar-se, assim, um verdadeiro intelectual.

Entendeu bem? O tema não é a solução. Num bom sentido, é o seu ótimo problema. Então está aberta a encruzilhada para o ser ou não ser diferenciado. Pura questão de escolha.

 

 

Esses você não pode cometer!

12 de abril de 2018

Este artigo será repetitivo, para seu próprio interesse. Vamos novamente focalizar alguns erros que não podem, de modo nenhum, acontecer em qualquer ponto de sua prova. Lamentavelmente, em vestibulares e concursos esses erros bobos de ortografia não são raros.

Como você deve saber, há erros e erros, alguns podendo ser até justificados, pela dificuldade; outros, injustificáveis, pela facilidade em não errar. Seus professores tiveram uma luta muito grande para que você e seus colegas se livrassem dessas pragas. Se você não se livrou, não há desculpa: foi por negligência, mesmo, para não dizer coisa pior. Vamos lá, então! Examinemos alguns exemplos para que você se ponha em estado de alerta e dedique uma parte de seus estudos a reconhecê-los e evitá-los.

 

Você tem de escrever análise, analisar; e não análize, analizar.

Você tem de escrever atraso, atrasar; e não atrazo, atrazar.

Você tem de escrever ímã; e não iman.

Você tem de escrever voo, abençoo; e não vôo, abençôo.

Você tem de escrever aerólito; e não aerolito.

Você tem de escrever ideia, epopeia; e não idéia, epopéia.

Você tem de escrever cadeado; e não cadiado.

Você tem de escrever aborígine; e não aborígene.

Você tem de escrever terebintina, e não terebentina.

Você tem de escrever bússola; e não bússula.

Você tem de escrever curinga; e não coringa.

Você tem de escrever estouro; e não estoro.

Você tem de escrever frouxo; e não froxo.

Você tem de escrever tesoura; e não tisora.

Você tem de escrever poupança; e não popança.

Você tem de escrever herege; e não hereje.

Você tem de escrever jiboia; e não giboia.

Você tem de escrever compasso; e não compaço.

Você tem de escrever fascismo; e não facismo.

Você ten de escrever batizar; e não batisar.

 

Observou bem? Viu como é fácil equivocar-se? Então trate de tomar o máximo cuidado. O melhor conselho que o Blogueiro pode dar é que, em cada momento de seus estudos, seja de que disciplina for, quando vier a dúvida, trate de elucidá-la de imediato. Não deixe para depois, que o depois acaba sempre ficando para depois. .         

 

Atualize-se

10 de abril de 2018

Um dos gêneros cinematográficos mais produtivos hoje em dia é o que tem como elementos centrais os zumbis. Estes, como você sabe, são mortos-vivos, cadáveres ambulantes que vivem a aterrorizar as pessoas para matá-las e também transformá-las em mortos-vivos. Segundo a lenda original do Haiti e de seu sistema de crenças espirituais do vodu, curandeiros conseguiam ressuscitar parcialmente os mortos, para que estes pudessem vingar-se dos vivos que lhes causaram mal. A lenda haitiana ganhou divulgação no mundo todo e foi aos poucos transformada, até chegar ao cinema e se tornar uma espécie de estereótipo para diferentes versões e origens dos zumbis. Atualmente, muitos filmes e séries exploram o tema, que tem milhões de espectadores aficcionados. Como personagens, assim, os zumbis não fazem parte da humanidade, pois ganham existência como monstros assustadores, e não como homens livres e ativos dentro da sociedade.

Pois é. Na própria linguagem a palavra zumbi está também fazendo história, sendo usada metaforicamente, por exemplo, para designar indivíduos alienados, cuja vida se resume a obedecer a ordens superiores, sem questionar a logicidade e o fundamento ético de tais ordens, algo assim, também no cinema, como robôs. A semelhança, de resto, é grande: há filmes de zumbis que poderiam ter robôs como personagens, e vice-versa. Por isso mesmo, não falta quem também use a palavra para designar boa parte da população do planeta, que tem pouca informação e vive sem ter consciência do que ocorre a sua volta.

Interessante! dirá você, e concluirá: Não tenho nada a ver com isso. Meu negócio é fazer vestibular e seguir um curso que me dê uma boa profissão futura. Não preciso saber de nada além disso!

Não se engane. Entre as virtudes que os exames vestibulares verificam nas provas prestadas pelos candidatos, a atualização é uma das mais importantes. O candidato que as universidades procuram não é aquele que revela não saber nada do que acontece no mundo, mas exatamente o contrário. Os temas de redações hoje em dia focalizam assuntos relevantes da sociedade, tanto nacional quanto universal. Já se foi o tempo dos temas abstratos, que permitiam livres voos do espírito e da criatividade. Esta continua sendo necessária, mas focada na realidade. Os próprios textos de questões objetivas ou discursivas se voltam hoje para temas e problemas da atualidade.

A conclusão se torna óbvia, não é? Quem vive uma vida centrada em si mesmo, sem perceber que faz parte da humanidade, dela depende e dela deve participar se torna uma espécie de zumbi social e moral: serve-se da sociedade, mas não serve a ela, não busca conhecer seus problemas. Por isso mesmo, toda a educação hoje remete à participação social, ao conhecimento das necessidades humanas e aos perigos que a civilização acabou trazendo ao planeta. É isso que significa, de fato, estar atualizado: ser um membro ativo da sociedade, ciente de tudo o que esta significa, de sua história, do ponto a que chegou e de como se deve participar para o seu desenvolvimento e a sua preservação.

Essa visão atualizada é um dos principais componentes de vestibulares e concursos de hoje. Quanto aos zumbis de toda espécie e aos robôs, que fiquem nos filmes de ficção como divertimento, não como modelos de conduta.

 

Você fala, sim, mas não escreve, certo?

3 de abril de 2018

Talvez não seja o seu caso, mas sempre é bom prestar atenção a uma diferença importante entre o discurso falado e o discurso escrito. Por quê? Porque isso pode ser importantíssimo para sua redação e, mesmo, para a leitura dos enunciados das questões. Alguns estudantes creem que  a escrita é apenas transcrição da fala. Nada disso. Estão equivocados. Quando começamos a escrever, penetramos num mundo novo, com suas próprias características, embora a língua utilizada seja a mesma que preside a nossa fala.

Quer observar um exemplo bem simples? O pronome pessoal do caso reto “nós”. Na fala, muitas vezes pronunciamos nós, mas por outras também pronunciamos nóis, e ninguém repara, porque o discurso oral é menos tenso. Todavia, nas respostas a questões discursivas ou na redação jamais deveremos escrever nóis, mas sempre e apenas nós. Em certas regiões do país, algumas vezes o artigo definido “os” é pronunciado ois. Essa pronúncia por vezes invade até os meios de comunicações. O Blogueiro lembra de uma série de tevê, cujo apresentador dizia, logo no começo, Ois intocáveis. E ninguém reparava, a não ser os professores de português. Isso não quer dizer que em documentos, contratos, correspondência oficial e comercial se possa escrever ois. Não se pode, não. O mesmo ocorre com outras palavras. Os estudantes, muitas vezes, dizem Vou fazer hoje uma prova de portugueis. É claro que, na prova, escreverão português. Fato semelhante ocorre com palavras como arroz, propôs, após, etc.

O caso dos verbos na terceira pessoa do plural é também sintomático, porque a escrita não condiz nunca com a fala. Ao dizermos Eles andam, não pronunciamos a última sílaba apenas como um “a” nasal, mas como um ditongo nasal: ão. Os professores da primeira série do ensino fundamental sofrem verdadeiramente para fazer com que os alunos entendam que existe nesses casos uma diferença entre fala e escrita. O mesmo ocorre com a terminação –em num exemplo como Quero que eles contem.

O problema se torna mais perigoso com palavras como inebriante, inelegível, insinuar, que algumas pessoas costumam pronunciar: enebriante, enelegível, ensinuar. Você pode eventualmente até pronunciar assim, mas jamais escrever com e inicial.

Aqui chegamos a um ponto que merece ainda mais cuidado, o de certos encontros vocálicos que, na pronúncia corriqueira, mesmo no discurso formal, aparecem diferenciados da escrita. Você por certo pronuncia, como todos nós, rítimo, embora a escrita aceite apenas ritmo. O mesmo vale para palavras como admirar, psicologia, advogado, observar, abjeto, objeto, objetivo, etc., que muitas pessoas (por vezes até mesmo nós) pronunciam: adimirar, pissicologia, adivogado ou adevogado, obisservar, abijeto, obijeto, obijetivo. É curioso, aliás, notar que o povo mais humilde costuma dizer Hoje vou lá no meu devogado, levando, portanto, a modificação oral um pouco mais longe.

Percebeu a necessidade de ficar de olho no que escreve, para não incorrer num desses deslizes de transferir a pronúncia erradamente para a escrita? É o que o Blogueiro queria alertar neste artigo.

 

 

Um por todos e todos por um

27 de março de 2018

Você por certo já se fez esta pergunta: Afinal, por que mesmo vou fazer um curso universitário? A resposta não é tão simples como parece. Envolvidos, nos tempos atuais, pela preocupação com trabalho e remuneração, tendemos a dizer que fazemos um curso universitário para, no futuro, ter bom emprego com ótimo salário. Neste caso, a escolha do curso universitário está subordinada, entre outros, a tal critério.

Bill Gates, o criador do sistema operacional Windows, hoje um bilionário norte-americano, disse em recente entrevista, nessa linha de pensamento, que as melhores áreas, por serem as que oferecem e oferecerão mais empregos, e bons empregos, são a programação, a ciência, a biologia avançada e a das inovações no setor de energia, porque serão estas áreas as maiores fontes de mudança nos próximos anos. Mudanças geram empregos bem remunerados.

Evidentemente, Gates estava pensando em termos de Estados Unidos e países mais avançados atualmente em ciência, tecnologia, indústria e comércio. Embora o que diz possa servir também a nós, brasileiros, talvez as palavras do bem sucedido empresário devam ser entendidas com algumas reservas. Antes de mais nada, devemos nos perguntar se um curso universitário é apenas isso mesmo, um trampolim para um futuro emprego bem sucedido, uma ferramenta adequada para ingressar e agir com sucesso no mercado de trabalho.

Seria apenas isso? O Blogueiro acredita que não. É evidente que pensamos, ao escolher um curso, numa carreira de sucesso. Mas fazemos o curso apenas por isso e para isso? Claro que não. Nossa escolha também tem muito de preferência pessoal, de opção marcada por afetividade, pelo prazer de estudar numa área que  sentimos como “nossa” área. Em resumo: estudar, além de uma necessidade, é um prazer, uma satisfação pessoal

Por isso, é claro que vale a pena analisar as áreas que, em nosso país, mais se desenvolverão proximamente e oferecerão mais empregos. Mas isso não é uma escolha cega, fria, de puro raciocínio. Tem muito a ver também com o que queremos para o nosso país e nossa satisfação em nela estudar e trabalhar. De fato, não somos bando de indivíduos, cada qual pensando em si mesmo, mas, ao contrário, somos uma sociedade, uma comunidade, cujos valores coletivos assumimos conscientemente. Por isso, se é possível estudar medicina para ter uma carreira de sucesso profissional e financeiro, é também possível estudar medicina com o objetivo de cuidar de pessoas necessistadas, quer na orla das grandes cidades, quer nas regiões desassistidas do interior do país. E se é possível estudar biologia para obter sucesso e fama como pesquisador no país e no mundo, também é possível estudar biologia com vistas a obter soluções para curar doenças que afligem grande parte da população mundial, sem desejo imediato de glória ou de fama. Tudo isso vale, como vale também se alguém escolher seu curso apenas pelo puro prazer de estudar e aprender, deixando seu futuro para acontecer no futuro.

Pense bem nestes comentários e exemplos, no momento de escolher as áreas em que prestará seu vestibular. Não se deixe iludir na escolha do curso pelos valores mercadológicos que hoje parecem dominar a população estudante do mundo inteiro. Pense em si mesmo e pense nos outros, como um ser ao mesmo tempo individual e coletivo, destacando não apenas a busca de satisfação pessoal em sua atividade futura, mas também o interesse de todos os brasileiros e de todas as pessoas do mundo. O conhecido lema da lenda dos três mosqueteiros, eliminado o aspecto bélico, cabe muito bem nessa ordem de pensamento: Um por todos e todos por um. Só assim conseguiremos fazer deste mundo um bom lugar para viver, para todos viverem. Pense nisso.

 

Você é uma “pessoa articulada?”

15 de março de 2018

A expressão “pessoa articulada” vem apresentando bastante emprego na atualidade. É comum ouvirmos frases como Fulano de tal é uma pessoa articulada. Talvez nós mesmos a empreguemos em circunstâncias semelhantes, com referência a nossos amigos, nossos alunos e até mesmo nossos colegas de trabalho. Ora¸ muitas vezes, quando algum interlocutor nos pede para explicarmos melhor uma palavra ou expressão que usamos, acabamos ficando meio sem jeito, tendo até dificuldade de esclarecer de pronto o que acabamos de dizer. Afinal, o que é mesmo uma pessoa articulada?

Visitar o dicionário nessas horas pode até ajudar, mas nem sempre, já que alguns dicionários não costumam sequer focalizar expressões como essa. Um passeio pela internet, utilizando um bom programa buscador pode ajudar muito mais, já que outras pessoas tiveram a mesma dúvida e colocaram em rede as soluções obtidas. Com base no que apuraram, acabamos resolvendo nossa dúvida e nos colocamos em condições de explicar os empregos que nós mesmos costumamos fazer, um tanto automaticamente, da expressão mencionada.

Quando alguém diz que Fulano de Tal é uma “pessoa articulada”, quer significar, em primeiro lugar, que é uma pessoa que se expressa com segurança, com clareza, com conhecimento de causa. Estes significados positivos implicam, por oposição, que não é uma pessoa que fala atrapalhadamente, que se expressa mal, que não consegue transmitir com adequação o que está pensando, se é que está pensando adequadamente sobre o tema da conversa. Uma pessoa articulada sabe falar com eficácia, encaixar com precisão as palavras nas frases que emite, levando seu interlocutor a não ter nenhuma dúvida sobre a mensagem transmitida. É muito agradável  por isso dialogar com ela.

Evidentemente, expressar-se bem, articuladamente, com desembaraço, não quer dizer apenas habilidade de falar, mas ter conhecimentos sobre o que fala e ter experiência do modo de se expressar na situação em que se encontra. Mais que um dom, portanto, ser articulado é um conjunto de conhecimentos e experiências que precedem o ato de comunicação, a participação num diálogo, numa equipe de trabalho, num debate. Não sendo um dom, é algo que pode ser conquistado ao longo do tempo por qualquer pessoa.

Chegados a este ponto, o Blogueiro coloca para você o objetivo desta pequena dissertação sobre o assunto, perguntando: Você é uma pessoa articulada? E você poderá contra-argumentar: Mas é tão necessário assim ser uma pessoa articulada?

Claro que é. Pense no seu caso, no vestibular que em breve fará. Você não falará com ninguém, porque não há prova oral, mas deverá expressar-se o tempo todo com desenvoltura, em especial nas questões discursivas e na redação. As questões discursivas são uma espécie de diálogo, em que a banca envia a você uma mensagem e você deve enviar a sua mensagem em resposta. E esta deve mostrar que você é um candidato articulado, capaz de expressar-se com precisão e clareza.

Nem é preciso falar no desempenho oposto, desarticulado, não é verdade? Não é raro um candidato conhecer a resposta correta de uma questão e, no entanto, expressar-se tão atrapalhadamente que o corretor não pode descobrir se houve acerto ou erro.

Valeu a explicação? Então trate, a partir de agora, de apresentar um desempenho mais claro, mais desenvolto, tanto em sua expressão oral, quanto escrita. De resto, sendo uma pessoa assim, desembaraçada, você poderá aproveitar muito melhor os conhecimentos que lhe serão ministrados quando estiver fazendo seu curso universitário. Nos seus trabalhos futuros, não bastará ser apenas um profissional, mas, sobretudo, um profissional articulado.

 

Estudo em grupo: vale a pena?

13 de março de 2018

Desde que começamos a ir à escola, nossos professores nos fizeram tomar consciência de que muitas tarefas só podiam ser realizadas em grupos. No ensino fundamental, os trabalhos em grupo foram frequentes, e o objetivo não era apenas o estudo, mas a convivência, a percepção de que existiam outras pessoas e podíamos realizar tarefas e estudos mais facilmente com a ajuda de todos. E o grande objetivo: a socialização, a nossa preparação para viver e trabalhar em sociedade. Fomos descobrindo, assim, que não vivíamos em isolamento e que o mundo não se resumia a nossa família, mas era ele, inteiramente, a  nossa família.

É claro que essa experiência de conviver em grupos nem sempre foi por nós perfeitamente entendida. Algumas vezes os integrantes de um grupo o usaram para isolar colegas, até mesmo para perturbá-los psicologicamente, em prática característica de bullying. Mas a escola, aos poucos, foi nos ensinando que tais práticas estavam erradas, que a experiência grupal devia ser algo positivo para todos. Acabamos aprendendo. E hoje temos até saudades daquelas atividades.

Quando terminamos o ensino médio e iniciamos nossa preparação para prestar vestibulares, acabamos por nos sentir incomodados ao perceber que estamos curtindo uma solidão em meio a livros, apostilas, anotações, internet, sites, etc. etc. É aí que a saudade dói mesmo: como era bom o tempo da escola, sentindo os professores em luta permanente para aprendermos, participando de atividades em conjunto com grupos de colegas e, por vezes, com todos os colegas ao mesmo tempo!

E agora? Que fazer?

Ora, praticar o que aprendemos na escola: a vida dos homens no planeta é uma grande e vasta atividade grupal. Ninguém está realmente só. Tudo é coparticipação. Precisamos ficar sós em muitos momentos de estudo para prestar vestibulares? Sim, é claro. Podemos, porém, fixar momentos que, de certo modo, recuperam o que vivíamos nos ensinos fundamental e médio: estudar em grupo. E não precisam ser gênios os membros do grupo. É bom até que alguns tenham dificuldades, pois as dificuldades alheias podem nos fazer enxergar melhor certos pontos da matéria. Todos os professores sabem bem que muitas vezes se aprende ensinando.

A constituição de um grupo, além de permitir que aprendamos mais, nos ajuda psicologicamente: percebemos que os outros têm problemas semelhantes aos nossos, solidão, receios, ansiedade. É claro que não é uma panaceia (remédio ou solução para todos os males e problemas), mas pode ajudar em muito. Ter encontros semanais para estudos em grupo representa mais um fator  para melhorar conhecimentos.

É isso aí. Respondendo a pergunta do título deste artigo: Vale a pena o estudo em grupo? Vale, sim. Nos bancos da universidade você continuará fazendo isso. E na vida profissional não será muito diferente.