Agarre sua vaga!

June 11th, 2016

Você já sabe que o Brasil enfrenta talvez a sua maior crise econômica de todos os tempos. Sucessivos governos um tanto desastrados fizeram com que o país perdesse parte substancial de sua economia durante muito tempo e com grande esforço produzida, levando praticamente o povo todo a descrer de soluções salvadoras, com os empresários e investidores perdendo quase toda a esperança numa recuperação imediata das finanças brasileiras.

É claro que deve saber,  pois este poderá até ser um dos temas de provas de vestibulares e concursos em geral. Pior: os próprios concursos de acesso a cargos públicos estão sendo adiados, de modo que o melhor mesmo, na maioria dos casos, é o trabalho autônomo e o empreendedorismo.

Você, deve, aliás, também conhecer este dado: no momento, são mais de onze milhões de desempregados ao longo de todo o território nacional, porque as empresas não estão conseguindo vender seus estoques e começaram a reduzir sua produção, para evitarem a falência. Entre esses onze milhões, existem muitos indivíduos formados por universidades, que perderam seus empregos e agora não conseguem encontrar  vagas condizentes no mercado.

E agora? Que fazer? Sendo um momento tão grave para a economia nacional, é preciso olhar para o futuro com muita confiança e a certeza de que será necessário bastante esforço para você, uma vez formado, ingressar nesse mercado de trabalho e de produção com certeza de que tudo dará certo, pelos seus méritos.

Você sabe de tudo isso, por certo. E sabe que quanto antes começar, mais chances terá de vencer. É neste ponto que surge um alerta do Blogueiro: cuidado! não desperdice oportunidades, o momento é grave demais para escolhas excessivamente exigentes;

Esse alerta surge exatamente às vésperas dos chamados vestibulares de inverno, que as universidades oferecem na metade do ano. Muitos candidatos, julgando que passaram com certa facilidade, deixam de assumir suas vagas e partem para os vestibulares de fim de ano, imaginando que irão conseguir passar também. O problema é que a concorrência, em termos de números de candidatos, é muito grande no final do ano, tornando-se muito mais difícil receber aprovação. Se isso acontecer, o candidato desprezou uma grande oportunidade no meio do ano. E por quê? Simplesmente porque julga que os cursos oferecidos por universidades públicas no meio de ano são inferiores aos de final de ano. Trata-se de um engano que pode tornar-se lamentável. Os cursos dos vestibulares de inverno pertencem às mesmas universidades  dos de final de ano. A única diferença é que os de meio de ano apresentam menos concorrentes, o que torna mais fácil receber aprovação.

Não brinque em serviço, portanto. Se passar no meio de ano, agarre sua vaga e faça seu curso. O Brasil não pode esperar. Você não pode esperar. O momento de crise exige profissionais que sabem o que querem e estão dispostos a mergulhar a todo vapor no mercado de trabalho, com muito empenho e novas ideias, dispostos a demonstrar que é possível fazer das crises aliadas para as mais brilhantes soluções.

Agarre sua vaga e assuma seu futuro, que o espera com oportunidades que, talvez, nunca mais se repetirão do mesmo jeito.

Boa sorte e boa prova!

 

Uma prova limpa

June 2nd, 2016

Você já deve ter participado de discussões sobre a forma de apresentação de uma prova discursiva de concurso ou de vestibular. E, por certo, tem sua opinião formada a respeito. O Blogueiro também.

Muitos candidatos julgam que a apresentação da prova tem tudo a ver com o correto, não necessariamente com o limpo e organizado. Trata-se de uma opinião um tanto suspeita, porque a apresentação da prova é também uma espécie de resposta que se dá ao elaborador e à banca corretora. Uma prova cheia de garranchos e riscos de correção não é lá algo que se possa considerar organizado.

Na verdade, o ideal de uma prova discursiva, bem como de redação, é apresentar-se com respostas diretas, enxutas, que denotem não apenas um raciocínio surgido do conhecimento e da análise, mas também a expressão desse raciocínio em texto escrito, estruturado, claro. Por isso mesmo, prestar uma prova discursiva implica também certa estética, entendido que esta surge de um plano, de uma preparação da resposta para que, além de acertada, facilite sua interpretação à banca de correção.

Há, portanto, não apenas técnica, mas também um pouco de arte no responder discursivamente.

Ora, respostas cheias de borrões e riscos de correção contrariam todo esse esforço pela estruturação do texto, podendo até prejudicar a clareza necessária para um julgamento positivo. “Sim, mas eu sempre fiz desse jeito e os professores sempre aceitaram!” dirá um candidato. É possível, mas a prova de concurso ou de vestibular é um momento único, uma oportunidade única. Procurar fazê-la com o máximo de capricho possível é um componente positivo a mais.

E como evitar esses problemas? Simples, como sempre se fez nas redações. Encontrada, no raciocínio, a resposta adequada, organizar e reorganizar mentalmente o modo de apresentá-la, procurando, de certa forma, visualizá-la, para evitar que, na hora de escrever, haja arrependimentos, lapsos, deslizes que tenham de ser eliminados com riscos, rabiscos, garranchos, parênteses, etc., etc. Neste sentido, uma resposta correta pode ser até inviabilizada pela confusão provocada por esses sinais de arrependimentos e erros.

Não brinque em serviço, portanto. Uma prova limpa, enxuta, é o que se espera de alguém que pretende acesso a um curso universitário.

Se você tem a mesma opinião do Blogueiro, ótimo. Se, porém, discorda, julgando que o importante são as respostas, e não os riscos e rabiscos, repense um pouco essa concepção, tomando por base que apresentações desse tipo valem como rascunho, não como texto acabado e perfeito. O melhor é pensar um pouco mais sobre o texto de cada resposta e apresentá-la com capricho em termos de técnica e de estética.

Faça uma prova limpa, sem enigmas a serem decifrados pela banca de correção, e nunca se arrependerá.

 

Cuidado com seu eixo de antipatias!

June 1st, 2016

Você não deve ser desse tipo de candidato que acredita que suas disciplinas favoritas bastarão para ser aprovado. Nada disso! O vestibular e qualquer concurso que venha a fazer no futuro, depois de formado, requerem o máximo de pontuação. Por vezes, pode ser exigido um mínimo de pontos para certas disciplinas, mas isso é apenas uma questão de regulamento, que, mal compreendido, pode levar um candidato ao fracasso.

Na verdade, a aprovação vem pelo conjunto, e não por qualquer das partes. A experiência do Blogueiro ensina, nesse caso, que aceitar o mínimo de notas em determinadas disciplinas, “só para constar”, é o pior que se pode fazer. São justamente as disciplinas em que se tem mais dificuldade que devem ser tratadas com maior carinho e atenção durante os estudos. “Não gosto de filosofia. Vou apenas quebrar o galho”. Decisão errada. Se considerar que muitos outros pensam como você, entenderá que está aí um bom caminho para a aprovação, desde que retire a aversão pela disciplina e estude para valer, com o objetivo de acertar todas as respostas.

É até uma questão de esperteza: “Se muitos vão mal em determinado ponto, vou estudar com muito mais afinco, para ir bem.” Deste modo, você conseguirá tranformar fraqueza em força. Além disso, remando contra sua própria maré, poderá vir a gostar do processo e aplicá-lo no futuro. Um exemplo: o candidato não gosta da língua inglesa e estuda apenas para “quebrar o galho”. Se segue o conselho e passa a estudar com mais atenção, acaba descobrindo que o inglês não é tão “chato” assim e que lhe será muito útil no futuro. Afinal,  é hoje uma língua universal e quem a domina abre caminhos promissores, qualquer que seja a profissão. O mesmo se pode dizer, por exemplo, de matemática,  física, química, português e filosofia, esta última, aliás, uma disciplina encantadora, por nos levar ao prazer do amor à sabedoria.

Um vestibular, portanto, não é uma “provinha”, é uma avaliação de capacidade e de possibilidades, tanto para a universidade, quanto para o próprio candidato. E um modo de o candidato provar a si mesmo que pode superar obstáculos aparentemente intransponíveis. Os grandes homens mostraram que eram grandes homens justamente por se revelarem capazes daquela teimosia de enfrentar e superar o impossível, de obter resultados onde outros desistiram e fracassaram.

Deste modo, não tenha você também hesitação em transformar seus pontos fracos em fortes, olhando com carinho para os conteúdos que detesta e passando a estudá-los e entendê-los. Seja teimoso como os grandes homens. Não deixe que certas disciplinas venham a derrotá-lo apenas porque tem ojeriza por elas.

Frequentemente, a vitória é resultado da transformação de nossas fraquezas em força pela inversão do eixo das antipatias. Isso vale para o vestibular e para a vida. Comprendeu?

 

Redação na segunda fase

May 24th, 2016

Passada a primeira, prepare-se agora para a segunda fase do vestibular Meio de Ano da Unesp, que vai chegar, como sempre, com uma organização bem balanceada, sem surpresas e sobretudo sem invencionices na observação da lista de pontos.

Considerando, assim, que as provas de vestibulares e concursos da Unesp não oferecem problemas, pense a partir de agora apenas em eliminar aqueles que você mesmo pode criar, tanto na hora da prova, quanto em sua preparação. Escrever, já disse mais de uma vez o Blogueiro, não é magia, é trabalho consciente e bem informado.

Muitos candidatos acreditam ainda em métodos milagrosos, em estratégias de última hora para tirar uma boa nota. Puro engano. Não é à toa que passamos boa parte dos ensinos fundamental e médio praticando redações. Tentam os professores fazer cada estudante entender que a redação é uma ferramenta para ser utilizada com proveito por qualquer profissional formado em universidade. Observe, a este respeito, que o computador e outros aparelhos eletrônicos vieram substituir com vantagem muitos instrumentos de trabalho utilizados tracicionalmente, em especial nas áreas gráficas e no cálculo. Não conseguiu, porém, substituir a capacidade de produzir textos. Pode ser usado para digitá-los, mas nunca para produzi-los. Disto vem a importância do saber redigir.  Numa produção de texto, diante do papel em branco, não são os chips que trabalham, mas nossa mente, nosso raciocínio, nossa imaginação, nossas emoções e sentimentos.

Em tudo isso, será importantíssima a experiência, o repertório cultural, o conhecimento científico, a informação sobre atualidades. O melhor método de redação fracassa se não encontra em nossa mente o alimento necessário. Ora, como nos vestibulares e concursos em geral se pedem redações de caráter dissertativo, temos de nos preparar muito para produzi-las. O melhor caminho, dizem todos os professores de redação, é criar pelo menos um texto por dia, aproveitando não apenas propostas de manuais de redação e de vestibulares anteriores, mas focalizando também temas da atualidade. Só se aprende a escrever, escrevendo, dizia um velho professor, e estava certíssimo nesse conselho. É pela prática constante que chegamos ao domínio de qualquer atividade.

Percebeu? Escrever textos que mereçam ser premiados com boas notas em qualquer prova de português não é uma dádiva recebida dos deuses. É preciso liberar o raciocínio, soltar as rédeas da imaginação, acionar o repertório cienfífico e cultural. Nenhum escultor nasceu esculpindo, nenhum pintor nasceu pintando. E você não nasceu escrevendo. Esculpir, pintar, escrever, além de talento natural, pedem prática, longa e dedicada prática para consolidar-se.

Quer ser um bom escritor, um ótimo produtor de textos? Quer, sim. Então escreva, escreva, escreva, escreva…

 

Últimos lembretes

May 24th, 2016

Além dos problemas gramaticais, do vocabulário e dos critérios de coerência que você preparou para se dar bem tanto na leitura, quanto nas respostas das questões de suas provas, existem muitos detalhes que ainda podem servir para evitar cochilos na resolução dos enunciados propostos. Isso porque o idioma não é feito apenas de regras gramaticais, mas também e, talvez principalmente, de uma lógica interna que, nas provas objetivas, por exemplo, você aplica na leitura dos enunciados e das alternativas. É preciso, portanto, muito cuidado durante o processo de compreensão do que se pede em cada uma das questões.

Realmente, os conteúdos de nossa comunicação pela linguagem se espalham por mil e uma formas de dizer, por expressões típicas, frases feitas, provérbios e locuções. Trata-se, neste caso, de dominar ao máximo possível essa profusão de modos de dizer. Basta uma expressão interpretada erroneamente para que um enunciado, por exemplo, passe a significar algo muito diferente do que pretendeu o elaborador.

Assim, como parte de seus estudos de qualquer disciplina, nunca esqueça de estudar permanentemente essa riqueza de dizeres de que é feito o discurso. Quanto mais você dominar esse banco de dados, maior capacidade desenvolverá de compreender o que lê e mais certeza terá de que o que escreve não apresenta problemas capazes de inviabilizar suas respostas.

Um exemplo pode ser dado com a confusão, que até gente muito bem formada faz, entre pares de vocábulos como idoso e idôneo. Idoso significa “velho, de bastante idade, que tem muitos anos de vida”. Já idôneo não significa “idoso”, mas “que serve para alguma coisa, adequado a certa finalidade”; ou, tratando-se de pessoa, “que tem condições para exercer certos cargos ou realizar certas obras”. Note, aliás, que na atualidade costuma-se empregar idôneo com caráter ético, para indicar uma pessoa que tem condições morais de ocupar certos cargos ou de levar a cabo certas obras.

Percebeu como é importante a pesquisa permanente das formas de dizer no discurso? Observe esta outra: hoje são três. Embora algumas pessoas insistam em falar ou escrever hoje é três, a expressão mais adequada pela concordância é hoje são três. Todo o cuidado, portanto, porque o idioma está repleto dessas variações não justificadas. Uma delas, empregada erradamente, pode levar uma resposta certa ao erro.

Outro exemplo interessante, que leva a um erro crasso sempre penalizável em redações é o da locução por causa de. “Corri por causa do medo que tinha daquele bandido.” Esta é a forma correta. Está bastante disseminada, no entanto,  no discurso oral, já invadindo o escrito, a variante por causa que, vedadeiro absurdo expressivo que, como diz o povo, mistura alhos com bugalhos. Tome cuidado, portanto, em não empregá-la em suas respostas e na redação.

Valeu o conselho? Então trate de entender as formas de dizer no idioma como uma espécie de caixote cheio de peças de diferentes formatos. Com jeitinho, você saberá escolher e fazer a montagem correta de centenas de objetos. Mas, se desprezar essa possibilidade, o perigo de cometer lapsos de expressão aumentará muito. Valeu? O Blogueiro espera que sim.

 

 

Prova objetiva: leitura objetiva

May 9th, 2016

Você pode até achar que uma prova objetiva é semelhante a qualquer prova discursiva. Não é bem assim. São avaliações diferentes que requerem diferentes modos de ler. Uma prova objetiva é um todo que já vem praticamente pronto, com perguntas que são completadas por respostas, umas incorretas, outras (uma por questão) corretas. É, portanto, uma espécie de artefato, quase um labirinto: trata-se tão somente de apontar a saída para fora do emaranhado das cinco alternativas.

Já numa prova discursiva a resposta não vem pronta, você tem de criá-la com base nas informações apresentadas em cada enunciado.

Cada tipo de prova, portanto, tem sua especificidade, e o que você deve levar em conta é o modo de fazer a leitura, fundamentado no aspecto formal de cada tipo.

Ora, considerando que a prova objetiva é um todo completo com rebarbas que devem ser desprezadas em favor da resposta adequada ao enunciado, será preciso não criar a resposta, que já está pronta, mas criar seu próprio sistema de eliminação das respostas-rebarbas, isto é, das respostas que, por um motivo ou por outro, surgem com erros maiores ou menores. O elaborador de provas objetivas aprende toda uma metodologia de produção de respostas com base em variações de maior ou menor porte das respostas corretas. A coisa funciona mais ou menos assim: dado um enunciado e estabelecida uma resposta perfeita, as outras quatro têm de ser incorretas, mas não tão incorretas que sejam facilmente detectáveis, o que deixaria a avaliação bastante precária. É nessa variação para estabelecer respostas erradas que se cria uma técnica e uma verdadeira arte de criar erros para inviabilizar quatro respostas por questão.

Sabendo de tudo isso, vem o seu papel de candidato. Que fazer? Desenvolver sua técnica e sua arte de leitura que corresponda o máximo possível às intenções do elaborador. Difícil? Nem tanto. Se você treinar bem sua leitura do enunciado e das respostas, acabará chegando à conclusão de que é possível, sim, mas, é claro, só é possível com conhecimento adequado do conteúdo abordado pelas questões. Sem esse conhecimento, tudo vira loteria.

Percebeu? Para se dar bem numa prova objetiva é preciso obedecer também a cinco alternativas, todas corretas:

a) conhecer bem o conteúdo abordado;

b) entender que as respostas erradas são variações de maior ou menor porte das respostas certas;

c) aguçar sua capacidade de leitura do enunciado e da relação que este mantém, por acerto ou por erro, com as cinco respostas das alternativas;

d) criar um banco de dados com as formas de variação normalmente exploradas nas provas de vestibulares;

e) treinar muito, mas muito mesmo, para tornar o ato de fazer prova uma tarefa prazerosa, de decifração, e não um processo de adivinhação ou, como se costuma dizer, de chutes. “Chutologia” é um método bem pouco confiável, previsto pelos elaboradores.

Valeu? Então dê uma verificada em seu método de estudar para provas objetivas. E, se julgar necessário, aperfeiçoe-o com as informações dadas pelo Blogueiro. E faça uma ótima e objetiva prova.

 

 

Você e os “outros”

April 29th, 2016

Você costuma receber muitos e diferentes conselhos sobre o que fazer no momento da prova. Colegas e professores sugerem calma e tranquilidade, revisão das respostas, correção ortográfica, etc., etc. Nem sempre, porém, atribuem a devida ênfase a um aspecto que pode ser fundamental para evitar perda de pontos preciosos:  a consideração de que a prova não é só você, é você e outros dois: o elaborador e o corretor. Perceber esse fato leva ao estabelecimento de um método bastante útil.

Realmente, boa parte dos candidatos têm por hábito considerar a prova de seu ponto de vista e tudo o que fazem leva em conta essa visão unilateral. Todavia, devendo ser a prova corrigida por outro, mesmo que esse outro seja um computador, como no caso das questões objetivas, vale a pena mudar o foco da questão e tentar ver as respostas como se fosse esse outro. Por quê? Porque os pontos de vista podem ser muitíssimo diferentes e conduzir até mesmo a respostas diferentes. O Blogueiro, certa vez, ao prestar um concurso, verificou que a primeira resposta possível a uma série de questões interpretativas não combinava com sua própria análise do texto. Ainda mais: julgou que a sua resposta a essa primeira questão estava mais próxima da verdade que a outra possível. Na dúvida, não respondeu a essa pergunta e passou para a seguinte da série, em que uma das respostas combinava bem mais com a primeira possível do que a dele próprio, Blogueiro. Mesmo acreditando que suas respostas condiziam mais com uma melhor interpretação, percebeu que o elaborador da série de questões interpretativas do texto tinha seguido por outro caminho, sendo melhor, portanto, abrir mão de suas convicções e seguir a linha interpretativa do elaborador. Fez isso, meio preocupado em errar todas as respostas da série, mas acabou tendo a grata surpresa, mais tarde, de ver que foi um dos poucos a ter aquelas respostas consideradas certas.

Que conclusão tirar desse fato? Que a prova vale pelo que é, e não pelo que achamos que seja. Mais ainda: que, numa série de questões, o conjunto pode nos fornecer pistas preciosas sobre o ponto de vista adotado pelo elaborador. E ainda mais: que podemos nos enganar numa interpretação a ponto de julgar que quem se enganou foi o elaborador.

Tudo isso nos leva a concluir que é preciso, sempre, entender que é um outro que elabora as questões e outro ainda que as corrige. E você está no meio. São três pontos de vista distintos, portanto, e será um bom método sempre tentar “ver” as questões do ponto de vista de quem as elabora e de quem as vai corrigir. Podemos ganhar pontos preciosos com esse método, pontos suficientes para garantir a conquista de uma vaga.

Em conclusão: uma prova, como praticamente tudo na vida, é um produto coletivo, não individual. E é necessário vê-la como produto coletivo para ter a concepção mais realística possível das respostas que iremos dar.

Deu para entender? Deu, sim. Estabeleça seu método para não se deixar iludir pela relação entre você e os “outros dois” em suas provas. Você perceberá que vale muito a pena. Vale mesmo.

 

Ainda os cochilinhos e cochilões

April 29th, 2016

No artigo anterior, chamou atenção o caso de bastante como adjetivo. Muitas pessoas se acostumaram tanto a usar o adjetivo no singular, mesmo diante de substantivo no plural, que até se assustam quando o professor de português menciona exemplos como “Neste verão, houve bastantes casos de dengue na cidade.” Nas aulas, há até alunos que reclamam: Mas não é bastante casos, professor? O professor explica que, na frase em questão, bastante está em função de adjetivo que modifica um substantivo no plural. A concordância, portanto, tem de ser no plural: bastantes.

Não apenas estudantes se equivocam com essa palavra. O Blogueiro certa vez ministrou um curso de português a professores do ensino fundamental e alguns estranharam e até questionaram bastantes no plural, dizendo que nunca usaram e até duvidando do conhecimento do professor. Ora, nunca usar não é critério de acerto em disciplina nenhuma. Muitos usuários passam a vida inteira sem perceber que estão equivocados. Este, aliás, é um dos grandes problemas daqueles que escrevem habitualmente (escritores, jornalistas): cometer erros e jamais perceber por si mesmos, até que alguém lhes chame a atenção para o fato.

Tal é o caso, por exemplo, do emprego do pronome de tratamento você, que leva os usuários a empregar as formas pronominais oblíquas da segunda pessoa, e não da terceira. Observe o exemplo:

 

Você é um ótimo funcionário. Eu te admiro.

 

Na verdade, você, como pronome de tratamento, pertence à terceira pessoa do singular, mesmo quando usado para indicar a pessoa com quem se fala. Os pronomes átonos correspondentes devem ser, deste modo, também da terceira pessoa. O exemplo acima, por isso, está errado e tem de ser assim corrigido:

 

Você é um ótimo funcionário. Eu o admiro.

 

Muito cuidado, portanto, em suas redações e respostas discursivas. Não se deixe levar pelo discurso coloquial e cometer errinhos perigosos para sua nota.

E já que falamos em pronomes de tratamento, sobretudo nestes tempos em que os discursos dos políticos estão muito em evidência nos meios de comunicação, também não esqueça de que usamos Vossa Excelência quando nos dirigimos a uma alta autoridade diretamente. E empregamos Sua Excelência para mencionarmos tal autoridade ao nosso interlocutor:

 

V ossa Excelência é o mais importante senador da república.

Sua Excelência não pode vir hoje nos atender, mas virá amanhã.

 

Percebeu? São pequenos detalhes que podem provocar grandes e graves equívocos de expressão. É bom tomar muito cuidado. Faça uma revisão destes e de outros casos, para não cochilar mais. Afinal, o que para você pode ser apenas um cochilinho, para o corretor de uma prova pode ser um baita cochilão!

 

 

Cuidado com estas palavrinhas!

April 27th, 2016

Como sempre diz o Blogueiro, o discurso, quer em português, quer em outras línguas, está sempre cheio de armadilhas ocultas. Hoje você vai ver como certas palavrinhas podem iludi-lo: eis, , meio, bastante, etc.

Eis, por exemplo, aparece em frases como: Eis a questão, eis a solução para o problema, Ei-lo pilotando a espaçonave, etc. Observe que esta palavrinha, cuja origem os estudiosos ainda não conseguem explicar safisfatoriamente, tem inegável comportamento de verbo na frase, a tal ponto que apresenta objeto direto e pode receber pronome objetivo átono: Ei-lo, ei-la, ei-los, ei-las. eis-me, eis-vos. Pode empregá-la à vontade em casos como os acima citados, que estará correto.

Já a palavra pode trazer problema por poder se apresentar em classes gramaticais diferentes: adjetivo, advérbio, substantivo. Como adjetivo pode significar solitário, isolado, ermo, deserto, desamparado. Exemplos: A Margarida sempre viveu só, Prefere lugares sós, no meio das montanhas, Meus vizinhos ficaram sós no mundo. Repare que o emprego de como adjetivo às vezes pode parecer surpreendente: A irmã era a  só alegria que Deus lhe deixou na vida. Dá para reparar que se trata de um emprego bastante elegante, que denota conhecimento do idioma. Como advérbio, isto é, como palavra invariável que modifica o adjetivo, o verbo e o próprio advérbio, o emprego de é amplo: Ela escolheu o rapaz só pela grande riqueza, Ele reclama, nunca colabora.

A palavra meio é igualmente perigosa pela possibilidade de induzir a erro de concordância, pois pode surgir como substantivo, adjetivo, numeral e advérbio. Justamente em virtude de poder apresentar-se em três classes variáveis, quando surge como advérbio pode haver confusão e engano. Como substantivo, o uso é bem claro: Os fins são mais importantes que os meios. Igualmente como adjetivo: O ator esboçou um meio riso. E mais ainda como numeral: Meia laranja vale mais que uma maçã. O perigo surge no emprego como advérbio. Observe esta frase que o povo diz com naturalidade no discurso coloquial: Eu estou meia cansada. Sendo nesta frase um advérbio, a norma padrão exige que meio não se flexione: Eu estou meio cansada. Muito cuidado, portanto.

E cuidado com a palavra bastante quando usada como adjetivo. O povo costuma senti-la como advérbio e não a flexiona, o que está em desacordo com a norma padrão. Nunca escreva, portanto, A  Polícia tem bastante provas contra o político. Bastante, nesse exemplo, é adjetivo e tem de seguir o substantivo em sua flexão: A Polícia tem bastantes provas contra o político.

Percebeu? Saber empregar muitas palavras como estas é fundamental para ter um bom discurso.

 

Acentuação: sempre é bom lembrar

April 12th, 2016

 

É claro que você já assimilou as regras de acentuação do acordo ortográfico, pois o assunto é muito focalizado nas aulas do terceiro ano do ensino médio e nos cursos preparatórios. Mas não custa lembrar, de vez em quando, alguns casos específicos que podem ter passado despercebidos ou que você acabou esquecendo. Não precisa ficar decorando regras, mas tão somente comparar os exemplos. Então, vamos lá:

 

1) Pôr, forma verbal, deve receber o acento circunflexo, para evitar confusão com por, preposição, que não se acentua. Exemplo: Paulo não quer pôr a cadeira no corredor, porque muita gente passa por ali.

2) Pôde, forma verbal do pretérito perfeito do verbo poder, recebe acento circunflexo, para evitar confusão com a forma do presente do indicativo do mesmo verbo: pode. Exemplo: Paulo não pôde levantar aquele tronco pesado, mas Otávio garante que pode.

3)      A forma verbal tem, presente do indicativo da terceira pessoa do singular, não precisa ser acentuada, mas a forma têm, presente do indicativo da terceira pessoa do plural, deve levar sempre o acento circunflexo. Exemplo: O menino não tem vontade de estudar, mas as irmãs dele  têm.

4)      Os verbos formados com base em ter apresentam diferentes acentos conforme estejam na terceira pessoa do singular do presente do indicativo ou na terceira pessoa do plural. Exemplos: O barril contém vinho e os tambores contêm combustível Um bom filme entretém bastante, mas os palhaços do circo entretêm muito mais. Este filtro antigo retém algumas impurezas da água, enquanto os mais modernos retêm uma quantidade maior.

5)      Assim como no verbo anterior as formas verbais da terceira pessoa do presente do indicativo do verbo vir também são destacadas pela presença ou ausência do acento circunflexo. Exemplo: Os professores vêm e vem igualmente o diretor.

6) O mesmo que ocorre com os verbos formados com base em ter acontece com os verbos formados com base em vir. Exemplo: Este fruto provém da América Central e aqueles provêm da África.

 

Percebeu as sutilezas da acentuação? É bom de vez em quando fazer uma recapitulação e uma comparação dos exemplos, para evitar equívocos. Afinal, o Vestibular Unesp Meio de Ano está chegando e, como vive dizendo o povo, cautela e caldo de galinha… Ou, num dizer mais prático: Seguro morreu de velho. Recapitule sempre.